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quinta-feira, julho 25, 2019

ÍTALO CALVINO, CIBELE FORJAZ, ERWIN BLUMENFELD, CLEMENS SCHRAGE & CARTA PARA MIM MESMO & MAIS NINGUÉM


CARTA PARA MIM MESMO & MAIS NINGUÉM – Aos apaixonados, um amor de verdade; aos desapaixonados, não sei fazer de conta: umas gotas de sangue nas veias bastam; aos que não veem, o aprendizado do olhar; aos desamparados, a ternura do gesto; aos infelizes, sorrir nunca é demais; aos que choram, a vida os consolem; aos abandonados, o afago materno; aos desiludidos, a descoberta da esperança; aos fracassados, sejam agraciados pela solidariedade; aos que fraquejam, a conduta da Fênix; aos sem saída, o voo sobre o abismo; aos miseráveis, saciem sua fome; aos covardes, um dia criem coragem; aos indiferentes, curtam seus vislumbres; aos que desamam, não sofram tanto; aos que esperneiam, o que é de gosto arregala o peito; aos que se envenenam, encontrem seus antídotos; aos que matam, aprendam a viver; aos que vão embora, sigam seus caminhos; aos que perderam, logo achem; aos que reclamam, encontrem satisfação; aos que enganam, se livrem dos seus tormentos; aos desencontrados, aprumem seus eixos; aos ingratos, a outra face; aos desumanizados, a ciência dos direitos humanos;  aos egoístas, a coalização de Seattle; aos fundamentalistas de todos os credos e partidos, o respeito ao direito individual; aos que sucumbiram, uma mão amiga; aos excluídos, oportunidades no horizonte; aos inimigos, um peito de braços abertos; aos que me odeiam, o desejo de paz: ninguém tem culpa de ser menor que o próprio tamanho; e aos que ficam, até sempre. Para mim mesmo, o conforto do chão e um céu estrelado. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
Falta uma matéria essencial na grade curricular em todos os níveis de graduação: a nobre e essencial arte de mentir (inclui distorções e omissões da verdade). Crianças e adultos precisam aprender a mentir bem e a identificar mentiras e falsificações. Ainda não sei qual seria o nome adequado para essa nova matéria. Faço uma sugestão [...] Nossos filhos precisam aprender a mentir, para assim também identificar mentiras. Voltando à mencionada falha na grade curricular: sugiro a introdução de matérias revolucionárias. Por exemplo: Sociologia. Ou Filosofia.
Trechos de texto do consultor alemão Clemens A. F. Schrage. Veja mais aqui.

O TEATRO DE CIBELE FORJAZ
Faço teatro pela fome e, não, pela fama. Acho que essa ideia dos grandes encenadores do século XX foi fundamental para transformar um teatro que era pautado no realismo para algo com traços mais autorais. Mas, hoje, no teatro do século XXI, o mérito da criação não pode ficar restrito a uma única pessoa. Cabe aos coletivos esse papel hoje, eles são o grande celeiro da pesquisa teatral.
A arte da diretora e iluminadora teatral, docente e pesquisadora em artes cênicas Cibele Forjaz. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotografo estadunidense Erwin Blumenfeld (1897- 1969) com suas técnicas de distorção, exposição múltipla, fotomontagem e solarização. Veja mais aqui & aqui.

A OBRA DE ÍTALO CALVINO
Quem somos nós, quem é cada um de nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras, de imaginações? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser completamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis.
A obra do escritor italiano Ítalo Calvino (1923-1985) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


terça-feira, agosto 09, 2016

JAKOBSON, SCHOPENHAUER, BLUMENFELD, ÍNDIOS, VICENTE DE CARVALHO, LILIANA PORTER, DEBORAH DE ROBERTIS & LAURA NYRO


MINHA ALMA TUPI-GUARANI, MINHA SINA CAETÉ - Resultado de estudos realizados ao longo dos últimos trinta anos sobre a legislação, a educação e o direito indígena no Brasil, por meio de uma revisão da literatura que envolveu autores como Darcy Ribeiro, Caio Prado Junior, Alcida Rita Ramos, Juliana Santilli, Paulo Bessa Antunes, Marco Antonio Barbosa, Roberto Cardoso de Oliveira, João Pacheco Oliveira Filho, Lásaro Moreira Silva, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, Fernando Tourinho Neto, entre outros, tenho a constatação de que historicamente os ameríndios povoam as terras do continente americano desde séculos antes da chegada do europeu. Ou seja, desde os tempos de Pindorama, as tribos indígenas nativas firmavam sua moradia, sua agricultura e tinham domínio das florestas e do meio ambiente, praticavam a caça e a pesca, estabeleciam seus rituais religiosos, suas tradições, sua linguagem, sua cultura, enfim, todas as características de um sistema étnico estruturado, como assim poderia ser definido por estudos sócio-antropológicos. Ao longo dos últimos quinhentos, o processo de colonização iniciado no século XVI, com a chegada do europeu começou a alterar as estruturas da população indígena, acarretando problemas que perduram até a atualidade. Tem-se, portanto que além de dizimadas e subjugadas por séculos, as comunidades indígenas tem encontrado muitas dificuldades no processo de desenvolvimento de sua própria existência, como na demarcação de suas terras que são sistematicamente invadidas e, consequentemnete, usurpam seus direitos. Mesmo com a previsão constitucional vigente que consagra o princípio de que essas comunidades são reconhecidamente os primeiros e naturais senhores da terra, passando a se entender que, em razão disso, fica especificada a fonte primária de seu direito que é anterior a qualquer outro. Além do mais, o direito dos índios a uma terra determinada independe de reconhecimento formal, além do reconhecimento de seu direito ao usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos existentes nas terras que tradicionalmente ocupam. Essa proteção assegura os seus direitos e, ao mesmo tempo, garantem os meios de sua sobrevivência física e cultural, bem como a proteção da biodiversidade brasileira e do conhecimento que permite o seu uso racional. Tem-se, portanto, se tratar de um direito originário que não se submete às regras comuns do usufruto de direito privado ou mesmo de direito administrativo, incidindo sobre toda a universalidade dos bens que formam as terras indígenas, o que inclui o solo, o ar, as águas, as riquezas minerais e até mesmo as da fauna e da flora. Os titulares desses direitos são, com exclusividade, aqueles que tanto podem como devem utilizar as terras por elas tradicionalmente ocupadas de maneira legítima, segundo seus usos, costumes e tradições. Evidencia-se que não cabe qualquer análise que excluam estas proteções e em razão disso, observou-se as discussões acerca da flexibilização e, sua forma mais severa, a desregulamentação das normas protetoras dos índios e de suas terras, que inadvertidamente estão assumindo dimensões significativas no âmbito mundial, notadamente por deixá-los ao sabor das negociações travadas com detentores do poder econômico, sem que a interposição estatal respeite a observância protetiva dos seus direitos. Há que discernir o fato de que indubitavelmente reconhece-se que há necessidade de se rever o Estatuto do Índio, vez que é lei que se encontra obsoleta e, pore isso, inadequada face às previstas garantias já asseguradas constitucionalmente. Requer, todavia, uma discussão madura sobre a temática, devendo-se debater e examinar juridicamente os óbices que vem penalizando essas comunidades, quando da indiscriminada invasão e ocupação de suas terras provocando drástico desrespeito aos seus s direitos perante o poderio econômico desenvolvimentista, que se utiliza das brechas presentes nos conceitos protetivos da Constituição Federal e, também, pela omissa legislação ordinária, causando danos irreparáveis às nossas raízes culturais. É preciso defender a mantença de um núcleo normativo positivado e protegido contra reformas, estabelecendo limites aos desmandos do poder econômico, a fim de propiciar a essas comunidades uma vida condizente com a dignidade humana -  muito embora, seja muito difícil falar disso quando o próprio Governo Federal desrespeita normas constitucionais. Nesse tocante, há que trazer à luz a responsabilidade cabível. Ademais, a proteção e a eficácia constitucional devem prevalecer no sentido de salvaguardar o hipossuficiente na condução do princípio da dignidade humana do índio, que é direito puramente inerente da terra indígena, pois são conjuntos de bens sui generis que não se incluem perfeitamente em nenhuma das categorias de bens públicos normalmente adotados, visto que pertencem à União, por expressa determinação constitucional, mas apenas a título derivado, pois os direitos originários pertencem às comunidades indígenas. É deles, Justiça seja feita. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui. 

 Curtindo o álbum Laura Nyro live at the Bottom Line (ao vivo – Columbia Recortds, 1989), da cantora, compositora e pianista estadunidense Laura Nyro (1947-1997).

PESQUISA:
A poesia é linguagem em sua função estética. Desse modo, o objeto do estudo literário, não é a literatura, mas a literariedade, isto é, aquilo que torna determinada obra uma obra literária. [...] O futuro também não nos pertence. Daqui a algumas dezenas de anos, seremos chamados, sem qualquer piedade, de gente do milênio passado. Tínhamos apenas cantos apaixonantes sobre o futuro e, de repente, esses cantos, frutos da dinâmica do presente, transformaram-se em fatos da história literária. Quando os cantores são assassinados e as canções, arrastadas ao museu e presas ao passado, a geração atual torna-se ainda mais desolada, mais abandonada e mais perdida, mais deserdada, no sentido verdadeiro da palavra.
Trecho extraído da obra A geração que esbanjou os seus poetas (Cosac Naify, 2001).
do pensador russo, linguista e pioneiro da analise estrutural da linguagem, Roman Jakobson (1896-1982). Veja mais aqui e aqui.

LEITURA
Belos amores perdidos, / Muito fiz eu com perder-vos; / Deixar-vos, sim: esquecer-vos / Fôra de mais, não o fiz./ Tudo se arranca do seio, /— Amor, dezejo, esperança... / Só não se arranca a lembrança / De quando se foi feliz. / Rozeira cheia de rozas, / Rozeira cheia de espinhos, / Que eu deixei pelos caminhos, / Aberta em flor, e aprti: / Por me não perder, perdi-te; / Mas mal posso assegurar-me / — Com te perder e ganhar-me / Si ganhei, ou si perdi...
Saudade, poema extraído do livro Poemas e Canções (Chardon, 1909), do poeta, advogado, jornalista e abolicionista Vicente de Carvalho (1866-1924).

PENSAMENTO DO DIA: DIGNIDADE DO HOMEM
[...] me parece que a um ser de vontade tão pecaminosa, espírito tão limitado, corpo tão frágil e volúvel como é o homem, o conceito de dignidade apenas pode ser aplicado ironicamente: por que há de se orgulhar o homem? Sua concepção é uma culpa, o nascimento, um castigo, a vida, uma labuta, a morte, uma necessidade! [...] com cada pessoa que tenhamos contato, não empreeendamos uma valorização objetiva da mesma conforme valor e dignidade, não consideremos portanto a maldade da sua vontade, nem a limitação do seu entendimento, e a incorreção dos seus conceitos; porque o primeiro poderia facilmente ocasionar ódio, e a última, desprezo; mas observemos somente seus sofrimentos, suas necessidades, seu medo, suas dores. Assim, sempre termos com ela parentesco, simpatia. E, em lugar do ódio e do desprezo, aquela compaixão que unicamente forma a ágape pregada pelo evangelho. Para não permitir o ódio e o desprezo contra a pessoa, a única adequada não é a busca de sua pretensa dignidade, mas, ao contrário, a posição da compaixão.
Trecho extraído da obra Paregma e Paralipomena, do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do fotografo e artista gráfico alemão Erwin Blumenfeld (1897-1969).

Veja mais sobre Fernanda Montenegro, Leonid Andreyev, Paul Claudel, Jean Piaget, Fafá de Belém, Povos Indígenas & Mário Cesariny aqui.

DESTAQUE
Forced Labor, da fotografa, gravurista e artista visual Liliana Porter.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista performática e fotógrafa Deborah De Robertis.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...