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quinta-feira, março 14, 2019

CARLOS HEITOR CONY, RICHARD MAURICE BUCKE, LAURE ALBIN GUILLOT, LUANA MENEZES & BOM DIA


BOM DIA - Bom dia. Mesmo que o amanhecer se pareça ao dia de ontem e anteontem, a semana passada, o mês que ainda lembre ou o ano que não é mais, e seja como tudo já visto e sem esperança, bom dia. Mesmo que se sinta só sem sobrenome ou parente e sem o menor sinal de qualquer herança ou ancestral familiar, apenas um sobrevivente hóspede indesejável no meio da pior das impressões com a reputação na lama e exposta ao opróbrio, bom dia. Mesmo que o seu retrato seja para todos o do mais infeliz Cagliostro e tudo seja só desfavor e corra em segredo de justiça com os semáforos vermelhos como um xeque mate que coíba todas as possibilidades e alternativas de sua longa caminhada, bom dia. Mesmo que tenha chegado à conclusão de que nada mas nada mesmo seja mais possível, não obstante, nenhum reconhecimento confirme o desprezo para que assim tudo lhe seja escasso, estreito e em conta gotas, tudo perdido e sem solução, sorria e bom dia. Mesmo que esteja com as mãos vazias, o coração aos prantos e sem ter o que fazer e lhe recusem a seguir seu caminho em severa reclusão e, com efeito, se oponham em compará-lo ao pior do que seja e tenha de renunciar às suas aspirações, para que lhe reste apenas um epitáfio qualquer, bom dia. Sorria, mesmo que tudo se pareça tão inedecifrável quanto cabalístico de tão intrincado conflito na maior ameaça de guerra, e tenha esgotada toda a paciência do mundo com tudo de mais fantasioso que se pareça, sorria e cante Chaplin enquanto ingênuos sectários imponham a sua exclusão na mais cruel das culpas segregadoras. Sorria, mesmo que tenha descido ao inferno de Rimbaud e não lhe reste mais nada, chão algum sob os pés, horizonte algum às vistas, leia os Ombros de Drummond, a Linha Reta de Pessoa ou Os Ocos de Eliot e sorria, porque, acima de tudo, apesar de todos os pesares e com tudo às avessas, tudo está em suas mãos e pode mudar a qualquer momento, a vida não para, ainda há tempo, nunca é tarde. Então, sorria e bom dia. Amem e amem. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] o número de pessoas com experiências de consciência cósmica é maior no mundo moderno do que o era no mundo antigo. Este fato, relacionado com a teoria gemi da evolução psíquica, tende a confirmar de maneira definitiva a conclusão segundo a qual é certo que a consciência de si apareceu entre os melhores espécimes de nossa raça ancestral em sua fase primordial, e tornou-se progressivamente universal evidenciando-se cada vez mais cedo no indivíduo. Atualmente ela se apresenta, em média, por volta dos três anos. A consciência cósmica se universalizará até que a raça inteira possua esta faculdade. A mesma raça e não mais a mesma, pois a raça da consciência cósmica não será mais a raça que existe atualmente, da mesma maneira que a raça atual não é igual àquela que existia antes da evolução da consciência individual. A verdade simples é que, durante milênios, em meio à multidão de seres comuns, “apareceu por intervalos” o início ainda bem frágil de uma nova raça; caminhando sobre a terra e respirando conosco e ao mesmo tempo caminhando sobre uma outra terra e respirando um ar diferente do qual conhecemos pouco ou absolutamente nada, mas que constitui, no final das contas, nossa vida espiritual, da mesma maneira como sua ausência seria nossa morte espiritual. Esta nova raça está em vias de ser gerada de nós mesmos, e em um futuro próximo ocupará e possuirá a terra. [...]
Trecho extraído da obra Consciência cósmica: um estudo na evolução da mente humana (Renes, 1982), do psiquiatra canadense Richard Maurice Bucke (1837-1902), definindo uma forma de consciência mais elevada do que a que possui homem. Veja mais aqui.

MANGA ROSA & LUANA MENEZES
Parto para buscar a dignidade e o reconhecimento que almejo e mereço. Parto com uma admiração enorme por quem aqui fica e tenta, sem cessar, fazer a roda da cultura girar. Mas parto, principalmente, com uma vontade urgente de gritar para que Natal valorize os artistas incríveis que fazem dessa terra sua morada.
O monólogo Manga Rosa (2014), da atriz e pesquisadora Luana Menezes, que é fundadora da Bololô Cia. Cênica e integrante da Arkhétypos Grupo de Teatro, é inspirado nos diários da escritora francesa Anaïs Nin (1903-1977), contando a história de uma mulher que pôs fogo na própria casa, degusta os sabores da sua intimidade: o amargor de ser mulher em qualquer época, o gosto de cinzas (gosto de quem já ardeu) que fica na boca, o mel dos prazeres e da liberdade conquistada à ferro e fogo. A peça teatral transita entre a autoficção e a fábula, embriagando-se com o vinho, o sexo, o amor e os encontros, percorrendo o lugar de encontro das mulheres deslumbradas e destroçadas, apaixonadas e criadoras, no qual elas desnudam sua pele, sua escrita, seus desejos e suas vozes se confundem e se costuram suculentamente sob a sombra frondosa do erotismo e da poesia. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa francesa Laure Albin Guillot (1879-1962), uma artista que se tornou figura profissional e institucional que dominou a arena fotográfica francesa, praticando vários gêneros, incluindo retrato, nus, paisagem, natureza morta e, em menor grau, fotografia documental. Tecnicamente inigualável, ela elevou a prática a um certo elitismo, usando os novos meios de distribuição da imagem para fornecer ilustrações e imagens publicitárias para a indústria impressa e editorial que a fizeram notavelmente uma das primeiras na França a considerar o uso decorativo da fotografia através de sua pesquisa formal sobre o infinitamente pequeno. Com a fotomicrografia, que ela renomeou como “micrografia”, apresentando novas perspectivas criativas na combinação de arte e ciência. Por essa razão ela tornou-se uma das personalidades mais ativas das áreas fotográficas e culturais da época. Veja mais aqui & aqui.
&
A obra do escritor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Cony (1926-2018) aqui, aqui & aqui.
 

sexta-feira, outubro 26, 2007

MAIAKOVSKI, CONY, MURILO MENDES, ORTEGA Y GASSET, JUDY PROSSER, AFRÂNIO, PRESENTE DE NATAL & PREVISÕES DO ANO



Womens dance, arte da artista australiana Judy Prosser.


PRESENTE DE NATAL – Imagem: Lua, de Ricardo Paula -Era véspera de Natal. O telefone toca e a voz dela sussurra: - Vem, que a sua Mamãe Noel que lhe dar o seu Presente de Natal! Veja! -, e ligou a câmara para que eu visse a exposição de sua nudez e a calcinha balançando ao fazer caras e bocas sensuais que me deixaram atordoado e pronto para devorá-la qual canibal priápico ginofágico. Aí ela vestiu a calcinha e foi se deitar, começando a se tocar e a se masturbar, acenando pra mim e dizendo melosamente: - Vem! Vem! Vem! Ora, não me contive e montado no meu pênis loucamente rijo voei até seus aposentos. E ao perceber-me a chegada, gritou: - Está aberta, entra meu macho gostoso! E ao adentrar, lá vem ela lambendo os lábios, reboladeira, fogosa, arriando a calcinha e me entregando assim: - Toma, seu presente de natal estava aqui, agora é seu. Entregou-me e cheirei e beijei, enquanto ela se ajoelhava alisando e roçando as faces no meu membro saliente por cima da calça, e bem devagar começou a baixar o zíper, enfiar a mão dentro da cueca e lá, resgatar inteiro o meu desejo babento que esfregou às faces e começou a beijar de biquinho e a lambê-lo por inteiro, e a sugá-lo e a chupá-lo até engolir-me todo a alma, o corpo e o gozo. Satisfeita e lambendo os dedos e meu caralho, fiz-lhe deitar e comecei a beijar-lhe o ventre, a lamber-lhe o grelo a alisar-lhe com minhas mãos inquietas a vagina e cuzinho lindo gostoso, de senti-la arrepiada e ronronando zis indecências, denunciando seus orgasmos múltiplos e incessantes. Ao cabo de um bom tempo, não se contendo, procurou meu pênis que descansava em uma das minhas coxas e fê-lo reaviar com seu toque, seus novos beijos, suas novas lambidas e completamente eriçado e pronto, puxou-lhe para enfiar na vagina, ao que ela mais de uma vez reclamou pela ausência e cobrava mais dele para entrar e sair sem calma nem pressa, e se fartou e gozou demoradamente com ele inteirinho dentro dela. Estrategicamente eu me segurei, fazendo-a gozar mais e mais, até que rendeu-se, ofegante e desnorteada, para me empurrar e se ajoelhar, de quatro, para sussurar: - Agora venha pro seu presente mais que cobiçado! Tome, o meu cuzinho é seu, vem, fode meu cuzinho, vem! Ele é seu, veja, ele está piscando pra você, venha, meta, foda, empurre ele inteirinho quero gozar com ele no meu cu! E não titubeei e com o mastro viril em riste, fui enfiando bem devagarzinho meu caralho naquele cuzinho lindo e gostoso e gozamos a noite inteira, madrugada adentro até ao amanhecer. Esse o meu presente de Natal. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.
  

PENSAMENTO DO DIA - [...] O prazer, a sabedoria de ver, chegavam a justificar minha existência. Uma curiosidade inextinguível pelas formas me assaltava e me assalta sempre. Ver coisas, ver pessoas na sua diversidade, ver, rever, ver, rever. O olho armado me dava e contiua a me dar força para a vida. [...] Trecho de Na idade do serrote (Sabiá, 1068), do poeta e prosador do Surrealismo brasileiro, Murilo Mendes (1901-1975). Veja mais aqui.

LITERATURA – [...] A literatura é um fenômeno estético. É uma arte, a arte da palavra. Não visa informar, pregar, documentar. Acidentalmente, secundariamente, ela pode fazer isso, pode conter história, filosofia, ciência, religião. O literário ou o estético inclui precisamente o social, o histórico, o religoso, etc., porém transformando esse material em estético. [...]. Trechos de Notas de teoria literária (Civilização Brasileira, 1976), do professor, crítico literário e ensaísta Afrânio Coutinho (1911-2000). Veja mais aqui.

O HOMEM, A TÉCNICA & O PLANETA TERRA - [...] a terra é para o homem originariamente inabitável [...] Para poder subsistir, intercala entre todo lugar terrestre e sua pessoa criações técnicas, construções que deformam, reformam e conformam a terra, de sorte que ela resulte mais ou menos habitável. O habitar [...] pois, não precede o construir [...] O habitar não lhe é dado desde logo, e sim ele o fabrica, porque no mundo, na terra, não está previsto o homem, e esse é o sintoma mais claro de que ele não pertence a este mundo. [...]. Trechos extraídos da obra Meditações sobre a técnica (Sociedade Unipessoal, 2009), do filósofo e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955), mostrando, no primeiro capítulo a necessidade do homem primitivo de aquecer-se, alimentar-se e caminhar, observando que a técnica é algo tipicamente humano e serve para fazer uma reforma da natureza que nos faz necessitados. No segundo capítulo o autor introduz a questão das reações do homem às suas necessidades para não morrer e fazendo coisas para que a natureza não o incomode e permaneça vivo, afirmando que: o homem é um animal para o qual só o supérfluo é necessário. No capítulo seguinte ele faz uma síntese assinalando que não há homem sem técnica e depois que a técnica varia, conforme a ideia que uma geração faz do que seja o bem estar. Em seguida ele aprofunda o entendimento da técnica e a situa na vida, afirmando que vivemos num mundo em que nem todas as coisas são fáceis de obter, mas que não é impossível viver, observando que o fundamental na vida é que ela não é feita de coisas, mas é um quefazer, um quefazer para por-se de acordo consigo mesmo. Logo no capítulo após, ele trata acerca da sua metafísica: a vida humana é problema e é problema porque viver é realizar uma essência que não está pronta. Com isso defende que a técnica é a concretização do processo de fabricação da vida humana. No capítulo seguinte ele ressalta o papel da técnica, defendendo que a técnica construtiva é desenvolvida para responder um programa vital. Em seguida, ele traz no capítulo a distinção entre gentleman e o fidalgo, tratando a seguir da distinção entre o homem e o animal, assinalando que entre todos os entes vivos só o homem é capaz de formular o projeto vital em decorrência de sua imaginação: a relação entre o homem e a técnica se elevou a uma potência peculiaríssima que convém precisar, e essa elevação, por sua vez, só pode produzir-se porque a própria função técnica se terá modificado nalgum sentido muito substancial. No nono capítulo o autor aborda a história da técnica, identificando três fases: a técnica do acaso, a técnica do artesão e a técnica do técnico. No décimo capítulo ele aborda acerca da técnica a partir do artesanato, a praticada na antiga Grécia, Roma e na Idade Média. No capítulo onze, o autor traz o caráter fundamental da técnica para o homem contemporâneo: ser responsável pela vida de muitos milhões de homens quando antes muito menos gente vivia em condições piores de vida, ou seja, o ser humano tem que viver neste mundo técnico. No último capítulo ele consigna que a atitude técnica contemporânea começa na Idade Moderna, no século XVI, vinculada à ciência e se constituindo em um método intelectual, concluindo o raciovitalismo: a vida humana não é apenas luta com a matéria, mas também luta do homem com sua a alma. Veja mais aqui e aqui.

VIZINHOS & INTERNAUTAS - Estudiosos do comportamento humano na vida moderna constatam que um dos males de nossa época é a incomunicabilidade. Já foi tempo em que, mesmo nas grandes cidades, nos bairros residenciais, ao cair da tarde era costume os vizinhos se darem boa noite, levarem as cadeiras de vime para as calçadas e ficar falando da vida, da própria e da dos outros. A densidade demográfica, os apartamentos, a violência urbana, o rádio e mais tarde a TV ilharam cada indivíduo no casulo doméstico. Moro há 20 anos num prédio da Lagoa, tirante os raros e inevitáveis cumprimentos de praxe no elevador ou na garagem, não falo com eles nem eles comigo. Não sou exceção. Nesse lamentável departamento, sou regra. Daí que não entendo a pressão que volta e meia me fazem para navegar na Internet. Um dos argumentos que me dão é que posso falar com pessoas na Indonésia, saber como vão as colheitas de arroz na China e como estão os melões na Espanha. Uma de minhas filhas vangloria-se de ser internauta. Tem amigos na Pensilvânia e arranjou um admirador em Dublim, terra do Joyce, do Bernard Shaw e do Oscar Wilde. Para convencê-la de seus méritos, o correspondente mandou uma foto em cor que foi impressa em alta resolução. É um jovem simpático, de bigode, cara honesta. Pode ser que tenha mandado a foto de um outro. Lembro a correspondência sentimental das revistas de antanho. Havia sempre a promessa: "Troco fotos na primeira carta". Nunca ouvir dizer que uma dessas trocas tenha tido resultado aproveitável. Para vencer a incomunicabilidade, acredito que o internauta deva primeiro aprender a se comunicar com o vizinho de porta, de prédio, de rua. Passamos uns pelos outros com o desdém de nosso silêncio, de nossa cara amarrada. Os suicidas se realizam porque, na hora do desespero, falta o vizinho que lhe deseje sinceramente uma boa noite. Crônica do escritor e jornalista Carlos Heitor Cony (1926-2018), publicada na Folha de São, de 26 de junho de 1997. Veja mais aqui e aqui.

COMUMENTE É ASSIM – Cada um ao nascer / traz sua dose de amor, / mas os empregos, / o dinheiro, / tudo isso, / nos resseca o solo do coração. / Sobre o coração levamos o corpo, / sobre o corpo a camisa, / mas isto é pouco. / Alguém / imbecilmente / inventou os punhos / e sobre os peitos / faz correr o amido de engomar. / Quando velhos se arrependem, / a mulher se pinta, / o homem faz ginástica / pelo sistema Muller. / Mas é tarde / o amor floresce, / floresce, / e despois desfolha. Extraído da Antologia poética (Max Limonad, 1987), do poeta, dramaturgo e teórico russo Vladimir Maiakovski (1893-1930). Veja mais aqui.

A ARTE DE JUDY PROSSER
A arte da artista australiana Judy Prosser.

 

VEJA MAIS
Omar Khayyãm, João Câmara, Buda, Saint-Martin, Mabel Collins, Felicja Blumental, Ingrid Koudela, A história da riqueza do homem, Dominique Ingres & James Ivory aqui. 
O Lobisomem Zonzo, Piotr Ouspensky, Antonio Vivaldi, Marcio Souza, Ronald Searle, A mulher que reina, Adryan Lyne, Kim Basinger, Ademilde Fonseca & Inezita Barroso aqui.
Carl Sagan, Diná Silveira de Queirós, Torquato Neto, Domenico Mazzocchi, Giacomo Carissimi, Luigi Rossi, Martin Esslin, George Spencer Watson, Joseph Newman, Leatrice Joy & Dita Von Teese aqui.
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AS PREVISÕES DO DORO PARA ÁRIES:

ÁRIES (21 de março – 20 de abril) -Para as diletas e aprochegantes amigas do fogo nascidas sob a regência do primeiro signo astrológico do zodíaco, ou seja, entre 21 de março e 20 de abril, o Doro, o astrólogo supimpa dos vaticínios descabelados e das transmudências divinatórias sideralizadas, traz uma série de observações apropriadas e recolhidas da moringa lascada dos encantos cosmológicos e da teia dos arcanos milenares de Cipopau I, que a constelação de Áries este ano, estará endógena e exogenamente infincada para as melhores conduções durante o ano. Então lá vai a prosa transcrita talqualmente foi elaborada pelo apaideguado.

Neste ano, minha amiga ariana, segundo as revelações obtidas nas transcendências cosmogônicas, na decifração dos dizeres deificados e no alinhamento das galáxias, planetas e asteróides, as suas perspectivas são ótimas e, com certeza, tirante as lonas e deprês dos altos e baixos, será um ano alvissareiro procê. Isso porque você é regida por Marte que é o deus romano da guerra e que manda na casa 12 que é de Saturno, dando sempre aquela garra, persistência e vaidade de tudo que você tem. E este ano você terá a oportunidade de encarar o seu príncipe encantado, verdadeiro deus grego Ares – não confunda com um marciano pintudo cheio das fantasias à toa, viu? Este ano é seu e abuse da cor vermelha, a sua cor. Dê uma guinada na vida, apague o passado, tope com todo desafio e vá à guerra.


Imagem: Perseo e Andromeda, de Guido Reni.

AMOR: Como já boatei antes, este ano você tem todas as condições de encarar o seu príncipe encantado ao vivo e em cores. Para isso precisa tomar algumas providências. Primeiro, providencie logo outra sintonia na lata e no modo de agir. A sua popularidade anda em baixa, quase na segunda divisão. Por isso, não passe recibo, bote sua mola. Vá no almoxarifado e dê um grau. Use da simpatia. De preferência ouse na vestimenta de forma insinuante, sedutora e reboculosa, abuse do batom encarnado, maquiagem de capa-de-revista, penteado recheado e caindo sobre um dos olhos, um vestido vermelho daquele da Drag Car, colado no corpo, denunciando a assimetria e toda voluptuosidade, com um decote rasgado até o umbigo, um lascão na saia de chegar na beirada do parque de diversão, se pendure num salto agulha duns 30cm e saia se equilibrando numa rebolada macia com um crachá com a inscrição: sou fatal! E bote na cabeça: você é a Kelly LeBrock em carne e osso! Melhor: você é fogo-na-roupa! Saiba que você é um avião, mas fuja de Congonhas e do caos aéreo, pouse apenas nos points seguros. E aí é só ternura e sexo, muito sexo.
Como você vai encarar o seu deus grego, então fique de mutuca e fique ligada com as Minervas que saltitam por aí. Elas são suas inimigas e podem afanar o seu futuro amor antes do presente. Lembre-se: você também, na hora agá, é vulnerabilíssima!
Para se sair bem no confronto com as Minervas, use do Patuá do Amor que consiste na seguinte prática: Há cada dois meses faça uma depilação da perseguida e, depois, junte tudo e picote bem picadinho. Coloque tudo dentro de um saquinho de pano de camurça vermelha, costure bem direitinho e quando ficar feito um travesseirinho reze: “taritatá, lengotengo, tralalá. E os anjos do universo minha bicha vai premiar!”. Feito isso, fique certa, vai conquistar o seu gostoso. Depois digo como segurá-lo.
Outra cautela: tenha cuidado com as paixões fulminantes. Quando o cara se aproximar da pequena área, segure a mardita até ele se ajoelhar e implorar. Com isso você vai ter sempre o cara na sua.


Imagem: Ovidio et Corine, de Agostini Carracci.

TRABALHO: Profissionalmente não vá dar uma de Hitler ou de Vargas, muito menos de Ayrton Senna. Você precisa ser mais manhosa. Competente e dengosa. E para melhorar sua situação profissional, não meça esforços nem chame o Robério do Ogum, não dianta. Segure a onda, nada de impaciência. O seu chefe vai andar babando por você. Não dê moleza, segure o possuído e deixe ele lamber o chão onde você pisa. Mostre raça e finja que você não é o prato dele, nem faz seu gênero. Dissimule, essa é a garantia do emprego. Mas também quando ele meter você numa encurralada, relaxe e goze. Depois meta um processo por assédio sexual na cacunda desse fresco. E fique rica. Quando enricar, afaste todos os atrasos de vida que vivem aporrinhando. E bote o cu pra lua na maior sombra e água fresca.

SAÚDE: Você precisa remexer o esqueleto. Anda muito entrevada. Por isso, passe óleo nas juntas e abuse da manemolência: demonstre luxo e maciez e não se espante com o bufado, afinal, você é uma máquina quente. Também dê um freio de arrumação na gulodice, senão você sai do podium como uma jeringonça malamada. Livre-se do mau-olhado. Sabe como? Logo cedo, de jejum, tome um copo cheio de sua própria urina, a primeira do dia. Isso vai fazer uma limpeza toda no seu corpo e no seu astral. Não adianta cara feia, tem coisa muito mais nojenta que você aprecia deliciosamente, né não? Também é recomendável um banho matinal salpicando uns pinguinhos de mijo em você. Passe um tempo com o salpicado no corpo, deixe enxugar e depois enxágue tudo. Não deixe de salpicar também uns pinguinhos de seu mijo na própria comida. Isso afastará você de olho-gordo, quebranto, malsinações, praga, injuriamentos, despachos e coisas reprováveis.

VIDA: A sua vida pode mudar para melhor. E muito melhor. E você pode começar rezando todo santo dia pro arcanjo Samuel que é o seu protetor, nas primeiras horas da manhã. Mas reze assim: completamente nua e com os braços e pernas, cada qual se tocando – quer dizer, mão direita no pé direito, mão esquerda no pé esquerdo -, e no sentido da direta para a esquerda de acordo com a bússola na posição norte-sul – ou melhor, as mãos e os pés direitos pro norte, e os da esquerda pro sul. Se não fizer isso, saiba de uma coisa: o padroeiro muda de cristão, viu? Depois não diga que não avisei. Também é recomendável que no dia do seu aniversário, logo quando acordar, tome posse de um olho-de-boi e fique com ele esfregando no osso do mucumbu por uns 15 minutos, para frente e para trás. Quando ele estiver com o cheiro peculiar do esfregamento dos dois sabores, enrole numa calcinha sua já usada, embrulhe numa seda vermelha bem amarrada e guarde. Não pode perder, é o seu talismã. Quando você encontrar o seu amor, faça um chá toda vez que ele visitar.
Também para ter mudanças positivas reze sempre nua-de-bunda-pra-lua antes de dormir 10 ave-marias-das-situações-iancessíveis, 10 para Iemanjá, 10 para Xangô, 10 para Logum, 10 para Orixalá, 10 para Oxosse e feche com uma oração determinada para o seu anjo da guarda, isso com uma vela de sétimo dia entre as pernas, bem colada na zona do agrião. Com isso, o seu astral vai melhorar e depois de meados do ano vai trazer uma grata surpresa. Aguarde e verá.
Atenção Loba Solitária: lembre-se que sempre que tiver que fazer algo bem feito, você mesma faça. E quando houver algum contratempo, não desanime, nem adianta chorar o leite derramado: ele já estava adulterado. Tem desastre que salva a vida, né? Pois é, se a coisa der pra trás, segure o peido, seja ecologicamente correta. Mas se não der, desça das tamancas e mande ver.
Para abrir seus caminhos, tenha sempre à mão uma caçola sua vermelha já usada muitas vezes. É necessário que a mesma fique com o odor característico para você poder se benzer todo santo dia depois das orações. Se adoecer ou for acometida de alguma enfermidade, procure um médico. Depois disso use a fórmula curativa para não ter recaída: roube uma cueca e passe nas partes pudendas muitas vezes. Ela vai servir para você se benzer toda vez que ficar adoentada. Com um porém: se certifique que a cueca é de cabra-macho, senão, minha filha, vai dar uma urucubaca na sua vida de nunca mais ter conserto. No mais, fazendo tudo isso você vai conquistar o seu lugar ao sol. Não se esqueça de fazer a simpatia da virada do ano e de votar em mim para prefeito nas próximas eleições, senão eu lasco uma praga em você de nunca mais ter saída, viu? Assinado, Doro. Veja mais as Trelas do Doro.



CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Zwei Mädche - Christian Schad - Magic Realism, 1928
 Veja aqui e aqui.

CANTARAU TATARITARITATÁ
 Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.




GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...