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segunda-feira, outubro 05, 2020

BACHELARD, MAGDA SZABÓ, ÉTIENNE DE LA BOÉTIE, NORA GERMAIN, ROCHELLE COSTI & CAPIBA


  

TRÍPTICO DGF – AQUELA DE... ENTRE CATERVA DE ALDRABICES - A vida passa pelas ruas da pandemia. Nas calçadas e ambívios, néscios apressam passos na crença dos investidos por antídotos divinos e apascentadores placebos, enquanto a cacunda carregada de ressentimentos e quantas culpas e atos dolosos recônditos, reclamam pela injusta compulsoriedade de uma máscara preventiva. Sim, exaltados porque não conseguem sustentá-la já que as múltiplas faces do semblante ocasional - e substituídas durante as sacralizações dos textos bíblicos de um Jesus irreconhecível, criado pelo estupro de tacanhos missionários avarentos - não permitem. São caras demais para qualquer uma. Em cada esquina eles se cruzam aguerridos aos seus templos emergentes, sombras de valhacoutos monstruosos nas algaravias dos seus alto-falantes furiosos e a suputação de ofertas promocionais de transações mercantis de uma fé gazopa dissimulada e inexorável. Deles emergem turbas de súcias para digladiarem entre si, cada qual se passando por exclusiva possuidora da verdade absoluta, sufragistas da danação geral. Que lugar é esse eu sei de cor e é o meu e de todos os que foram pegos de surpresa por uma onda inescapável. Assaltaram o meu país, o mundo e a vida com suas fanáticas exacerbações. Lembrei o filósofo humanista francês Étienne de La Boétie (1530-1563): Pobres, miseráveis e estúpidos povos, nações determinadas por sua própria desgraça e cegas para o seu próprio bem! Vocês se privam, diante de seus próprios olhos, da melhor parte de suas receitas; seus campos são saqueados, suas casas roubadas, sua herança de família tirada. Você vive de tal maneira que não pode reivindicar uma única coisa como sua; e parece que você se considera sortudo por ter emprestado sua propriedade, suas famílias e suas próprias vidas. Ele mesmo adverte sobre o que é recorrente com os detentores do poder até hoje: O que geralmente acontece é tudo fazerem para transmitirem aos filhos o poder que o povo lhes concedeu. E, tão depressa tomam essa decisão, por estranho que pareça, ultrapassam em vício e até em crueldade os outros tiranos; para conservarem a nova tirania, não acham melhor meio do que aumentar a servidão e afastar tanto dos súditos a ideia de liberdade que eles, tendo embora a memória fresca, começam a esquecer-se dela. O preço da tirania é o isolamento. Que lugar é este, eu sei, o Fecamepa com seus coisominions Fabos&Cafos.

 


DOIS TONS & A MÚSICA DA URSA MENOR: UMA FLOR, O MUNDO MARAVILHOSO! - Imagem: a arte da premiada violinista, cantora, escritora e compositora estadunidente Nora Germain - Para fugir das forças reativas e moral escrava, saltei no vazio e, em queda livre, só a música do abismo. Ao ouvi-la, a certa altura do baque, o encanto sonoro me fez folha solta ao vento e a levitar na liberdade de quem não sabe a fundura nem onde pousar. Embalado, cada paisagem era como páginas folheadas num recital de Magda Szabó: Os livros formaram a base do meu mundo, a minha unidade de medida era a palavra impressa. Não a via atrás da porta do tempo e espaço, sabia o violino de Nora na pele de Erika Marozsán, a me contar do que é amar e crescer e cair como não se tivesse mais como levantar a vida rente ao chão na perspectiva do voo e Bachelard anunciasse: Não há uma verdade fundamental, apenas há erros fundamentais. E eu errâncias nos devires.

 


TRÊS NA CASA DA ILHA: RESÍDUO DO TEMPO, PASSATEMPO – Imagem: arte da premiada fotógrafa e artista multimídia Rochelle Costi - Ah, a música & a vida, era Euterpe a me levar mãos na sua pela escada palavra, em que um pimentário era o envio a um minicine, melhor, cinemagético ex-passado, com as margens do tombo, negócios à parte e a reforma do centro novo na didática do silêncio e do resíduo, o tempo todo lugar comum de margens para ser um. Ah, mas eu queria a salvação, precisava nunca mais cair. E ela, tal Epicuro: É estupidez pedir aos deuses aquilo que se pode conseguir sozinho. Queres ser rico? Pois não te preocupes em aumentar os teus bens, mas sim em diminuir a tua cobiça. Não se pode não ter medo quando se inspira o medo. Ah, os talhos sangram, doem e saram de nem sequer lembrar depois. Pois é. Fiz do passado, não mais; fui à vida. Até mais ver.

 

AÊ, CAPIBA!!!

Quem quiser me ver / Me procure aqui mesmo / Quando chega o carnaval / Seja noite ou dia / Aqui tudo é alegria / E alegria não faz mal / É aqui que eu danço / Aqui é que eu canto / Aqui é que eu faço / Com desembaraço / Misérias no passo! / Na quarta-feira, / quando tudo terminar! / Eu espero mais um ano, / até o frevo voltar!

É hora de frevo, letra da música do compositor e músico Capiba - Lourenço da Fonseca Barbosa (1904-1997), autor de mais de 200 canções entre frevo, samba, música erudita, guarânias, maracatus, valsas, entre outros gêneros musicais. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 



quinta-feira, julho 17, 2008

JOHN BERGER, JOSÉ COSTA LEITE, ÉTIENNE DE LA BOÉTIE, CRUZ COSTA, KAPP, TELEVISÃO & BIG SHIT BÔBRAS


ZÉ BILOLA ACHA O CAMINHO DA CASA DA PESTE!!!! Agora que Zé Bilôla arrumou o caminho da casa da peste mesmo! Ôxe, foi um buruçú dos diabos. Apois, sim: com o intento de angariar uns votos a mais para a sua candidatura à vereança, o desgracento achou de pronunciar o nome do local aonde tinha ido para resolver uma pendenga ineivada. Mal pronunciara o nome do lugarejo, surgira do inopinado a sua distinta cônjuge Ximênia - a prinspa do coité -, armada do maior emputecimento que uma indignação feminina pode ser acometida. - Diga adonde que cê foi, lazarento? -, disse ela tascando uma penicada no quengo do estropiado. - Caima, mulé, é um lugareijo aqui pro perto! E quanto mais o seboso ousava pronunciar sílaba qualquer de explicação, mais o penico comia no centro. - Diga logo que é um puteiro, seu safado, diga logo! - Num é não, mulé! - Assuma sua safadezice, seu frouxo, assuma! - É não, mulé, num é coréia não! Ôxe, a mulher não arredou o pé e além do penico, armou-se de umas cabadas de vassoura boa no espinhaço do amolestado dele sair gritando pelo meio da rua: - Xoxotópolis, Xoxotópolis!!!! Num ria não que o negócio é sério. Taí a prova dos nove. Veja mais detalhes disso aqui.  


DITOS & DESDITOS - A primeira razão pela qual os homens servem com boa vontade é porque nascem servos e como tal são criados. Como é que o chefe ousaria pular em cima de vós, se vós não estivésseis de acordo? Pensamento do filósofo humanista francês Étienne de La Boétie (1530-1563).

ALGUÉM FALOU: A filosofia não é mera especulação no vácuo ou simples jogo de conceitos abstratos. É trabalho sobre a experiência real e que cumpre levar a cabo sem perder esse sentido do concreto. Pensamento do filósofo e professor João Cruz Costa (1904- 1978).

SISTEMA AUTOPROTETOR - [...] O esforço para assegurar a coerência (tauto)lógica de seus construtos e conclusões transforma a teoria em um sistema “auto-protetor”-- um sistema que possui uma forma quase automática de descartar evidências que possam repercutir negativamente sobre a doutrina. Quando esse ponto é atingido, pode-se dizer que a disciplina tornou-se um tipo de matemática disfarçada, nem capaz, nem interessada em descrever e prever a ação humana em seu contexto histórico real. [...] Não admira, portanto, que uma tal teorização compartimentalizada se torne irrelevante para a compreensão e a solução prática de nossos problemas contemporâneos. No esforço para ser precisa, através da escolha de uma ou algumas poucas variáveis; através da identificação última do empreendimento científico com a lógica da matemática; através da rejeição a todo esforço teórico que mantém-se próximo aos ‘fatos’ e, portanto, sujeito a verificações feitas à luz da observação empírica, a teoria econômica, em particular no campo do valor e da análise da utilidade, perdeu não apenas sua relação, como também sua relevância para a análise da realidade. Esta desenvolve-se cada vez mais independente e se parece cada vez menos com o produto de ‘forças impessoais’ automáticas de um mercado competitivo. [...]. Trechos da obra Toward a science of man in society – a positive approach to the integration of social knowledge (The Hage, 1961), do economist alemão Karl William Kapp (1910-1976).

FALSAS VERDADE DA TVTV é feita para educar – Não é. Pelo menos formalmente. É feita para educar de outra forma, para estimular a transgressão, por exemplo. TV de qualidade é a que reproduz conteúdo de qualidade. Errado. É a que cria seu próprio conteúdo, desenvolve modelos narretivos próprios. Do contrário, a transmissão de um bom jogo de futebol seria boa TV. TV por assinatura é o espaço da qualidade – Em grande medida, este virou o espaço da pasteurização, da acomodação ao obvio, do emburrecimento. Um minuto do Ratinho vale mais que toda a grade do People & Arts. TV nivela por baixo para ganhar audiência – Se fosse verdade, redes que operam com 2% do mercado estariam operando com 80%. Nivela-se por baixo quando não se saber fazer a coisa melhor. Palavras do jornalista, crítico e cineasta Nelson Hoineff, presidente do Instituto de Estudos da Televisão, durante o Semirário Esso -0 IETV Jornalismo (Bravo, maio-3005). Veja mais aqui.

O CASAMENTO - [...] A moto com os seus faróis acesos sobe em ziguezague a montanha. De vez em quando, desaparece por detrás de escarpas e rochas e sobe sempre e vai ficando mais pequena. Agora a luz oscila como a chama de uma pequena vela votiva de encontro a uma imensa face de pedra. Para ele é diferente. Vai furando a escuridão como uma toupeira fura a terra, o foco dos seus faróis rasga o túnel e as curvas do túnel à medida que a estrada vai curvando para contornar rochas e para subir. Quando volta a cabeça para olhar para trás — como acaba de fazer — não existe nada para além do farolim traseiro e de uma imensa escuridão. Aperta o depósito de gasolina com os joelhos. Cada curva, quando homem e máquina entram nela, recebe‑os e içaos com um sacão. Entram nelas devagar e saem rapidamente. Quando entram, inclinam‑se para a frente o mais possível, esperam que a curva lhes dê o seu arqueamento e depois saltam em frente. Entretanto, aquilo que estão a escalar tornase cada vez mais desolado. No escuro a desolação é invisível, mas o ferroviário consegue senti‑la no ar e nos sons. Voltou a abrir o visor. O ar é fino, gélido, húmido. O ruído do motor devolvido pelas rochas parece serrilhado. [...]. Trecho da obra O casamento (Relógio D’Água, 2018), do escritor, pintor e crítico de arte inglês John Berger (1926-2017).

DOIS POEMASI - O cordel já vem do sangue / Tinha recebido a seta / Da deusa da poesia / Numa paisagem direta / Olhando um dicionário / Pois não há Educandário / Que ensine a ser poeta / Pois a pessoa já nasce / Trazendo a poesia / No dia que ele morrer / Ela vai em companhia / Pois a poesia é bela / O vivente nasce com ela / E no juízo ela se cria. II - Um homem com sua esposa / vinham duma diversão: / O bode partiu em cima, / Botou o homem no chão, / O homem a faca puxou / Mas o bode o agarrou / E a faca caiu da mão / A mulher pegou a faca / Chorando e dando gemido / Disse: - Eu vou matar ele / Pra não matar meu querido! / Na confusão do pagode, / Ela foi matar o bode / Errou, capou o marido. Poemas do poeta cordelista e xilogravurista José Costa Leite. Veja mais aqui e aqui.




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Pechisbeque, Ramalho Ortigão, Zélia Duncan, Erasmo de Roterdã, Fabrício Carpinejar, Myriam Muniz, Alan Clarke, Militão dos Santos, Mauricio de Souza & Turma da Mônica aqui.

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Big Shit Bôbras: o assustado & papagaiadas aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o cabra se envulta, já num t'aqui mais quem falou aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora comemorando a festa do Tataritaritatá!
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...