
Curtindo
o álbum Notations & Piano Sonatas
(Harmonia Mundi GmbH, 2005), do compositor, maestro, pedagogo musical e
ensaísta francês Pierre Boulez
(1925-2016), na interpretação da pianista taiwanesa Pi-Hsien Chen. Veja mais aqui e aqui.
PESQUISA:
[...] Para os homens que vivem sob a dominação
totalitária do mal, não somente suas vidas como o proprio Eu dependem do acaso.
As retratações significam hoje menos ainda do que na Renascença. A filosofia
que pretende se acomodar em si mesma, repousando numa verdade qualquer, nada
tem a ver, por conseguinte, com a teoria crítica.
Trecho
extraído da obra Filosofia e teoria
crítica (Giulio Einaudi, 2003), do filósofo e sociólogo alemão Max Horkheimer (1895-1973).
LEITURA
Amigos, nada mudou / em essência. / Os salários mal dão para os gastos, /
as guerras não terminaram / e há vírus novos e terríveis, / embora o avanço da
medicina. / Volta e meia um vizinho / tomba morto por questão de amor. / Há
filmes interessantes, é verdade, / e como sempre, mulheres portentosas / nos
seduzem com suas bocas e pernas, / mas em matéria de amor / não inventamos
nenhuma posição nova. / Alguns cosmonautas ficam no espaço / seis meses ou
mais, testando a engrenagem / e a solidão. / Em cada olimpíada há récordes previstos
/ e nos países, avanços e recuos sociais. / Mas nenhum pássaro mudou seu canto /
com a modernidade. / Reencenamos as mesmas tragédias gregas, / relemos o
Quixote, e a primavera / chega pontualmente cada ano. / Alguns hábitos, rios e
florestas / se perderam. / Ninguém mais coloca cadeiras na calçada / ou toma a
fresca da tarde, / mas temos máquinas velocíssimas / que nos dispensam de
pensar. / Sobre o desaparecimento dos dinossauros / e a formação das galáxias /
não avançamos nada. / Roupas vão e voltam com as modas. / Governos fortes caem,
outros se levantam, / países se dividem / e as formigas e abelhas continuam / fiéis
ao seu trabalho. / Nada mudou em essência. / Cantamos parabéns nas festas, / discutimos
futebol na esquina / morremos em estúpidos desastres / e volta e meia / um de
nós olha o céu quando estrelado / com o mesmo pasmo das cavernas. / E cada
geração , insolente, / continua a achar / que vive no ápice da história.
Carta aos mortos, do poeta Affonso Romano de Sant’Anna. Veja mais aqui e aqui.
PENSAMENTO DO DIA:
Diz-se que os cupins trabalham apenas em sociedade; os homens, como se
sabe, pensam sozinhos. Todas as condições existenciais do homem são condições
de sua individuação. Contudo e
exatamente por meio disso elas possibilitam a generalização do mundo
inteligível. Quando escrevo, penso em todos.
Trecho
extraído da obra Inteligência brasileira:
uma reflexão cartesiana (Cosac Naify 2009), do filósofo, escritor e
ensaísta alemão Max Bense (1910-1990).
IMAGEM DO DIA
Foto da
série Gênesis (2011), do fotógrafo Sebastião Salgado.
Veja mais sobre Italo Calvino, Susan
Musgrave, Jean Dubuffet, Carlos
Careqa, Melisso de Samos, Roman
Ingarden, King Vidor, Dolores del Río & Fenelon Barreto aqui.
DESTAQUE:
História do Brasil (1975), da artista plástica, escultora,
pintora, gravadora, desenhista, artista intermídia e professora Anna Bella Geiger. Veja
mais aqui.
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Aurora – study for the gates of dawn, do artista
plástico do Classicismo inglês Herbert
James Draper (1963-1920).
CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
La risata (The Laugh, 1911), do
pintor e escultor do Futurismo italiano Umberto
Boccioni.
Recital
Musical Tataritaritatá - Fanpage.