quinta-feira, agosto 11, 2016

PINDURA AÍ, MEU! O NEGÓCIO TÁ FICANDO FEIO!


PINDURA AÍ, MEU! O NEGÓCIO TÁ FICANDO FEIO! – Eita, que o negócio num tá pra vacilo de jeito nenhum. Eu mesmo tô me pendurando de qualquer jeito aprendido com morcegos, escapando como posso. Que coisa! Os donos do Brasil estão presos na lava-jato e quem paga o pato é a gente que está do lado que a corda arrebenta sempre. Com um detalhe: os corruptores na cadeia, coisa nunca vista na História do Brasil, bem feito; os corrompidos, nos três poderes, julgando e condenado, pode? Coisas de Brasil. O golpe tem de tudo: os estilhaços sobram pra todo lado! Já viu o supermercado? Gente, fazia tempo que eu tinha visto disso: chegar na prateleira os preços tudo igualzinho e ver os caras remarcando, ô maquineta chata da praga! Pra quem vai lá semanalmente, ou o dinheiro encurtou – o que é verdade, pelo menos pra mim -, ou as coisas estão custando os olhos da cara – o que pra mim é a mais pura constatação: tudo só subindo, eu descendo. Apesar dos pesares, estava ficando malacostumado, achando que o país podia ter jeito e ia se endireitar. Mas depois de ver o Temeroso com gosto de gás comprando o Judiciário e o Legislativo pra não cair na boca de caieira, deu pra sacar que aqui a anomalia é maior do que a gente imagina. Bote tronchura no pencó. De janeiro pra cá só enfeiou: está naquela do cochilou, o cachimbo cai e torra tudo. Bobeou, bota tudo a perder. O pior é que quando se coloca as contas em confronto com a receita do mês, não dá de jeito maneira. Enquanto as despesas só aumentam, as entradas mais apequenam. Isso me leva a considerar que tudo custa o tanto da minha impossibilidade de compra. Sempre na próxima, ou pro fim do mês que nunca chega com folga e, na verdade, quando chega, tem um molho de coisas que precisam ser pagas ou amortizadas. Adimplir é o bicho! E justo no dia do pindura – que pra mim é todo dia quando a gente resolve fazer aquela valsa de antanho, não sei quantas prestações. E, coincidentemente, dia do advogado. Pode? Não, num pode. Advogado mesmo, para quem se bacharelou em ciências jurídicas, sabe bem: nunca queira um no seu pé. Só a favor e olhe lá, nem nisso é boa companhia. Por que do contra, já viu: tira sua cueca pela cabeça. Duas coisas devem ser evitadas como condição, diga-se lá, sine qua non: litígio com mulher ou Justiça – ambas quando são do contra, trazem um advogado purgante pras suas bandas. Sossego, como o Corvo de Poe: nunca mais. Como estou em dia na condição de gestor de conflitos – tudo. por enquanto, na mais santa paz; leia-se: por enquanto -, ainda dá pra botar banca um tiquinho, soltar uma flatulências a favor do vento e palitar os dentes cantando aquela Conversa de Botequim, do Noel, afinal todo dia é dia do garçom, o único sujeito que entende a situação do freguês: botaí no pindura, meu! E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui

 Curtindo o álbum Vasks - Presença (Sony, 2015), da violoncelista argentina Sol Gabetta com a Amsterdam Sinfonietta.

PESQUISA:
[...] as formulações históricas dominantes da cidadania ao mesmo tempo produzem e limitam possíveis formulações em contrário. Como resultado, o insurgente e o entrincheirado permanecem ligados num emaranhado perigoso e corrosivo. [...] cidadania é uma medida de diferença e uma forma de distanciar as pessoas umas das outras [...] a cidadania diferenciada considera que o que esses outros merecem é a lei — não no sentido da lei como direitos, mas da lei como desvantagem e humilhação, uma noção expressa com perfeição na máxima brasileira que diz “para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei”.
Trecho da obra Cidadania insurgente: disjunções da democracia e da modernidade no Brasil (Companhia das Letras, 2013), do antropologo estadunidense James Holston.

LEITURA
Quem eu sou? Um filho de São Vicente./ nascido, criado, lá na Ponta da Praia. / lá onde o mar se espreguiça debaixo dos botes, / como a barra duma saia. / O que eu quero? Cantar a minha terra! / Acompanhá-la na sua dor; / na nobreza da sua alma; / na pobreza da sua vida!
Presentação, poema extraído da obra A poética de Sérgio Frusoni: uma leitura antropológica (Mesquitela Lima, 1992), reunido os poemas em crioulo do poeta ítalo-cabo-verdiano Sérgio Frusoni (1901-1975).

PENSAMENTO DO DIA: 
O que é ser cidadão? Para muita gente, ser cidadão confunde-se com o direito de votar. [...] Ele também deve ter deveres: ser o próprio fomentador da existência do direitos a todos, ter responsabilidade em conjunto pela coletividade, cumprir as normas e propostas elaboradas e decididas coletivamente, fazer parte do governo, direta ou indiretamente, ao votar, ao pressionar através de movimentos sociais. [...].
Trechos da obra O que é cidadania (Brasiliense, 2002), da professora, escritora e psicossocióloga Maria de Lourdes Manzine Covre. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA: 
A arte da fotógrafa Mara Saldanha.

Veja mais sobre Incidência no Prostíbulo, Juan Carlos Onetti, Pierre-Auguste Renoir, Arnold Schönberg, Fernando Arrabal, Jerzy Grotowski, O Tao da Educação, Francis Girod, Aradia di Toscano & Romy Scheneider aqui.

DESTAQUE
A arte do artista plástico Fernando Rosa. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do ilustrador e artista visual estadunidense Stanley Borack (1927-1993).
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



ARIANO, LYA LUFT, WALLON, AS VEIAS DE GALEANO, FECAMEPA, JOÃO DE CASTRO, RIVAIL, POLÍTICAS EM DEBATE & MANOCA LEÃO

A VIDA NA JANELA – Imagem: conversando com alunos do Ginásio Municipal dos Palmares - Ainda ontem flores reluziam no jardim ornando muros...