sexta-feira, dezembro 16, 2016

A VIDA PASSA E A HISTÓRIA SE REPETE!

A HISTÓRIA SE REPETE! - Imagem: arte do pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi (1896-1988). - O doutor Zé Gulu estava com a gota naquele dia! Quanto mais gente ajuntava, mais ele ficava afoito e aos berros: - A história se repete! É mesmo? Oxe, e é? Num diga! Querem ver? Vou contar uma história: era uma vez, lá pelos idos duns cinco ou seis milênios atrás, no tempo em que o planeta ainda não havia esborrado de tanto fabricantes de bosta - os tais Fabos de hoje! -, quando um certo salafrário alcunhado de Remetuam, oriundo das bandas lá do fim do mundo, de uma região chamada de Sonrefni sob Otniuq, chegou às redondezas do reinado de Lisarbeam. Lá chegou sem eira nem beira de tão pobre de Jó que era o pulha, arrastando uma cachorra guenza pelo rabo, sem ter nem onde cair morto. Mas o patife era jeitoso, sabia pedir e agradar e, aos poucos, foi amealhando o que desse pro sustento, até prosperar de se ver granjeado por acoloiados e fortuna. Subindo cada degrau da ventura, ascendeu à corte, vendo-se arrodeado pelos abastados da vassalagem real e prestes a ser contemplado com a titulação nobiliárquica da nobreza. Antes mesmo que essa benesse coroasse o seu compadrio, ele mesmo tomou a iniciativa de furtivamente assassinar o rei, aprisionar a rainha no Hades e esposar a princesa, tornando-se, então, o monarca. Com o feito, metade da população festejou as alvíssaras, enquanto a outra metade, no maior rebuliço dos confrontos, protestou com veemência, fato que levou a polícia imperial a dar cabo dum bocado de gente que findou pendurada pelos testículos e queimados vivos em praça pública. Pronto, bronca resolvida, veio a primeira medida: convidar todos os ricos dali e dos estrangeiros. Assim fez e os reuniu em um lauto banquete no palácio, para asseverar que tudo ali dele e dos convidados que agora convivas reais, desde que todos separassem de tudo que produzissem e lucrassem, uma determinada parcela em percentual para ele e pro resto da vida. Eis que entre os ricaços, um deles levantou-se e perguntou: - E a floresta de Ainozama? Outro logo emplacou: - E o Lanatnap? E surgiram perguntas e mais indagações a respeito dos recursos naturais, da Justiça, da Polícia, dos bancos, dos transportes, etc e tal, quando ele com o ar de soberano pediu calma e falou: - Tudo isso é de quem chegar primeiro e se apossar, desde que se lembre de que parcela de tudo é meu! Não se esqueçam disso. Tornou-se, então, um momento muito ruidoso, espocando novos questionamentos: - E quem vai pagar a conta pelos serviços públicos? O povo. E quem vai pagar os impostos por tudo? O povo. – E se o povo protestar? Pra que serve pão e circo? Qualquer pé de peru deixa o povo entretido e amansado, deles pagarem tudo sem nem fazer careta. E antes que perguntem mais, respondo: se um banco falir, o povo paga; se uma empresa quebrar, o povo paga. Tudo que o povo quiser usufruir terá de pagar: aposentadoria, saúde, direitos, segurança, educação, tudo, se pagar terá tudo! Enquanto isso, a gente se desfruta: a gente goza, eles pagam! Dito isso, um embecado lá do canto gritou de satisfação: - Então isso aqui será o maior paraíso! É e será sempre, desde que de tudo que circular tenha uma parcela destinada para meus bolsos! Quem assim agir, terá tudo e tudo se lhe dará. Quem cagar fora do caco, pena de morte! Deu-se um silêncio tumular. Foi, então, que o soberano ergueu a taça e berrou: - Vamos festejar! E até hoje festejam. Agora pergunto: em que banda desse mundo de todos os deuses, mundiças e doidices isso ainda não aconteceu? Hem? Sabe alguém dizer? Por isso digo: a História se repete! Basta ter mais de duas pessoas dispostas a arengar por seus interesses que a corrupção comerá no centro. Como o ser humano não evoluiu nada deste que apareceu na Terra, então assim caminha a Humanidade. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

 Curtindo o talento musical da pianista albanesa Xheni Rroji.

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DESTAQUE: THE HOUSE OF MIRTH
O premiado drama/romance The house of Mirth (2000), dirigido por Terence Davies, é baseado no premiado romance homônimo da escritora e desenhista Edith Wharton (1862-1937), conta a história de uma socialite encantadora que descobre rapidamente como é difícil manter seus status social, quando sua beleza e charme começam a atraia a inveja dos outros, razão pela qual ela decide procurar um noivo rico, perdendo a chance de encontrar seu verdadeiro amor. O destaque do filme fica por conta da atuação da premiada atriz estadunidense Gillian Leigh Anderson.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, gravurista, relator e historiador de arte franco-israelente, Avigdor Arikha (1929-2010).

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