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quinta-feira, junho 02, 2016

ANA CRISTINA CÉSAR, MARQUÊS DE SADE, ROBERTO CARNEVALE, PICASSO, CLAUDIA ANDUJAR, ROGEL SAMUEL, LYGIA PAPE & LINDA MARLOWE


CRÔNICA DE AMOR POR ELA (Imagem: O sonho dos outros – da exposição da fotógrafa Claudia Andujar: No lugar do outro) – II – É ela na rua de todas as esquinas e luzes e vitrines e olhares nas suas vestes encharcadas da álacre chuva dos deleites da vida, com seus semáforos da noite luzidia de ir e de voltar. É ela do penteado adornado de sonhos e luxo, pesadelos esdrúxulos na cabeça de vento engajada na luta que é dela e mais ninguém. É ela das faces góticas, rouges e sombras com suas sobrancelhas de espanto e olhos mais que vivos à espreita do golpe da morte. É ela dos lábios carnudos e batom vivo vermelho na boca sedutora de todos os prazeres e que fala manhosa grunhindo no ouvido com todos os ferros que fustigam a pele cotidiana nas camas oníricas anoitecidas entre viver e morrer. É ela o decote arraigado da vitória agida de todas as guerras levadas no peito dos óvnis de Dois Irmãos que me acolhem voluptuosamente maternos para que eu escale o íngreme aclive até voar asa delta de um a outra com minha gula pra lá de insaciável. É ela umbigo de fora na cinturinha de pilão dos quartos generosos que são ancas profusas sambando noitedia no palco do meu coração, esquentando o meu sexo pronto para a erupção vulcânica de todas as minhas vinganças de gozo. É ela o ventre da Terra com todas as grutas escuras pra investigações provocantes, a me iniciar nos mistérios de que a vida é além do se vê, sente e percebe no átimo de tudo. É ela de coxas roliças macias pro aconchego do colo de veludo nos cafunés me mimando no dengo do que sou de menino atrevido e peralta buliçoso traquino no seu ninho de paz. É ela as pernas que guardam meu corpo no caminho de todas as quimeras de atalhos e trilhas jamais revividas. É ela dos pés alados a me levar por todas as estradas das rotas estelares que lançam na imensidão cósmica e nos recônditos das brenhas abissais. É ela o corpo de chão com toda a fauna e flora de todas as maravilhas do planeta dispostas pra mim, com a água de todos os oceanos e rios e o vento de todas as aragens dos pontos cardeais. É ela a carne saborosa de toda riqueza da Mãe Natura pra todo faminto repasto mais que suntuoso. É ela o coração do mundo, a alma da vida que se faz de manhã eterna cunhã caingang Iaravi filha do fogo e toda noite vem carregada de açoites e sedução feita valquírya Freya pra me envolver com todos os seus poderes mágicos do amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

Imagem: Les demoiselles d'Avignon (As Senhoritas de Avignon - Bordel Filosófico, 1907), do pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol Pablo Picasso (1881-1973). Veja mais aqui e aqui.

Curtindo a obra Progression-Form for cl. and piano (Akua Keta Disco Theatre), do ocompositor, pianista e maestro italiano Roberto Carnevale.

PESQUISA
Novo Manual de Teoria Literária (Vozes, 2007), do escritor, professor e webjornalista Rogel Samuel, apresentando os conceitos básicos e as modernas pesquisas feitas sobre os gêneros literários, além do das teorias críticas, da literatura comparada e das teorias pós-modernas. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
Os 120 dias de Sodoma, ou Escola de Libertinismo (Les 120 journées de Sodome or l'école du libertinagem – 1785 - Iluminuras, 2008), do escritor libertino francês Donatien Alphonse François de Sade, mais conhecido como Marquês de Sade (1740-1814), uma novela que conta história de quatro ricos homens libertinos que resolvem experimentar a definitiva gratificação sexual em orgias e, para isso, eles se trancaram por quatro meses num castelo inacessível com um harém de quarenta e seis vítimas, a maioria adolescentes de ambos os sexos, e recrutaram quatro cafetinas para contar a história de suas vidas e suas aventuras. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Por afrontamento do desejo
insisto na maldade de escrever
mas não sei se a deusa sobe à superfície
ou apenas me castiga com seus uivos.
Da amurada deste barco
quero tanto os seios da sereia.
Poema Nada, Esta Espuma, da escritora e tradutora Ana Cristina César – Ana C. (1952-1983). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Cena da atriz australiana Linda Marlowe no drama de terror Dyn Amo (1972), produzido por Michael Armitage e Maggie Pinhorn, baseado na peça teatral Dínamo, do roteirista, produtor e diretor Chris Wilkinson, que conta a história da distinção entre o eu e os outros, o sexual role-playing e o masoquismo.

Veja mais sobre Cagliostro, Darel Valença Lins, Ana Cristina César, Marquês de Sade, Nelson Rodrigues, Márcia Haydée Salavarry Pereira da Silva, Banda Bicho de Pé & Janie Rhyne aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Hoje é o Dia Internacional da Prostituta marcando o evento ocorrido no dia 2 de junho de 1975, quando 100 prostitutas entraram em greve e ocuparam a igreja de Saint-Nizier, em Lyon, na França, por conta de dois assassinatos, a violência de cafetões e clientes, e da repressão policial. O movimento durou 8 dias chamando atenção para sua situação, findando sob ação policial. Por conta disso, a partir de 1976, o dia 2 junho passou a ser uma data consagrada, lembrando a discriminação, as condições de vida precária, o trabalho e a exploração. Em 2011, foi realizado em Bochum, na Alemanha, o evento Mulheres sem quartos, numa manifestação contra as ações de Dortmund de suprimir as prostitutas da vida pública. Outras datas importantes são no mês de março quando ocorre Internacional Sex Workers’ Rights Day (Dia Internacional dos Direitos dos Trabalhadores de Sexo) e no dia 17 de dezembro, o International Day to End Violence Against Sex Workers (Dia Internacional contra a violência contra prostitutas).
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
A arte gravadora, escultora, pintora, professora e artista multimídia Lygia Pape.
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

quinta-feira, março 24, 2016

OS SONHOS DE CACILDITA


OS SONHOS DE CACILDITA - Imagem: Girl before a Mirror (1932 – tinta a óleo), do pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol Pablo Picasso (1881-1973) – Quando Cacildita viu a prima Davânia desfilando numa bicicleta, ela encheu-se de alegria e correu da saia voando pra chegar em casa: - Pai, quero uma bicicleta! Compra, compra, compra! E o pai, aquiescente: - Compro, filha, vou comprar. E ela voltou-se pra ver a prima pedalando pra cima e pra baixo, sonhando assim, um dia, também se amostrar. A prima foi embora e ela ficou: - Mãe, quero minha bicicleta! Pai, cadê minha bicicleta? A mãe, carinhosamente, dizia: - Minha filha, seu pai não é o tio Marcório. Ele está trabalhando pra comprar sua bicicleta, espere, tenha paciência. E ela: - Ah, mãe, queria ter nascido filha de tio Marcório e tia Nadejita, assim eu seria que nem a Davânia, teria tudo para realizar meus sonhos. A mãe se enchia de tristeza, compreendendo os desejos da filha. Aí teve um dia que ela foi pra casa dos tios, passar uns dias por lá na companhia de Davânia. Quando entrou no quarto dela, ficou maravilhada: - Minha nossa, isso é o país das maravilhas! Um reino encantado! Tantos brinquedos do piso ao teto que Davânia nem dava vencimento, muito menos se interessava, desleixando e só se ligando na última novidade que ganhara. – Olha, Cacildita, o que ganhei ontem! E os olhos da menina se arregalavam com cada brinquedo que a prima tinha. Tanto foi, que não saía do quarto dela. – Você deixa eu brincar com seus brinquedos? -, perguntou pra prima. – Claro, pode brincar, não quero mais nenhum, só esse aqui que ganhei ontem. E Davânia ganhava um brinquedo ontem e já deixava de lado quando ganhava o outro hoje. Todo dia os pais lhe traziam presentes e mais presentes. Era de causar inveja na Cacildita que ficou três dias trancadas no quarto com os brinquedos dela, até chorou de espernear no dia que teve de ir embora de volta pra casa. – Ah, eu queria viver aqui e nunca mais ter de voltar pra minha casa! Na saída, Davânia mostrou-lhe o rádio-gravador que acabara de ganhar. Ela revoltou-se e ficou emburrada. Quando chegou em casa, o pai estava com um riso largo segurando a sua bicicleta novinha. E ela: - Ah, pai, agora é tarde, quero mais bicicleta não, quero um rádio-gravador. Mas minha filha, a bicicleta não era o seu sonho? Era, mas demorou demais. Agora quero um rádio-gravador. E ficou nisso enquanto o pai se entristecia e guardava a bicicleta recém comprada num canto qualquer, enquanto ela foi pra televisão ver as novidades dos anúncios. Adorava os comerciais que passavam na programação, sonhava adquirir uma a uma das ofertas promocionais, pensando consigo: - Ah, como eu queria ser Davânia e ter tudo isso pra mim, eu seria a pessoa mais feliz do mundo! E a mãe repetia que o pai dela não era o tio que era médico com a esposa advogada, que podiam fazer todos os desejos da prima. O pai dela era um simples artesão que lutava na vida com muito esforço para conseguir o ganhapão. – Ah, mãe, o pai devia ser que nem tio Marcório! O tio é lindo, a tia Nadejita, também. Dão tudo pra Davânia. E eu, eu sou apenas uma menina triste que os pais não dão o que ela deseja. Vocês só querem me ver infeliz, chorosa. E a mãe explicava a situação e ela nada entendia. A mãe falava da vida e ela só sabia dos sonhos realizados nos contos de fadas e nas novelas da televisão. Adorava quando Davânia chamava pra ir pro shopping, passavam a tarde inteira juntas. Davânia comprando isso e aquilo, enquanto Cacildita ficava de olhos vidrados nas vitrines e carregando as sacolas dela. A prima comprou um celular sofisticadíssimo. – Ah, eu quero, vou pedir pra papai comprar pra mim -, disse ela à prima. – Pede pra teu pai um cartão de crédito, mulher, assim você compra o que quiser! -, disse Davânia. Eita! Depois de acompanhar a prima nas muitas compras que fez, sacolas e mais sacolas, ela foi para casa quando seu pai lhe o presente desejado: o rádio-gravador. – Ah, pai quero mais não! Demorou demais, agora quero um cartão de crédito para eu comprar o que eu quiser na hora que eu bem entender! Como? Minha filha, seu pai não ganhou na loteria, nem é rico como o seu tio! Ah, mãe, o pai que se vire, eu quero agora um cartão de crédito, e não é para demorar feito a bicicleta e o rádio-gravador que só chegaram quano eu não queria mais, coisas já perdidas. Agora eu quero um celular e ir toda tarde pro shopping fazer compras. Minha filha, ponha-se no seu lugar, a vida não é assim, você não é Davânia, nem seu pai e eu somos como o pai dela. Ah, mãe, eu quero, vocês que não querem me dar nada nem me fazer feliz. Vocês não querem a minha felicidade! Vocês só querem que eu seja uma menina triste, desamparada, sofrente, sem nada. Ah, como eu queria ter nascido filha de tio Marcório e tia Nadejita, assim, eu seria que nem a Davânia, teria tudo e seria feliz. Minha filha, o que você espera da vida? Ah, mãe, eu quero ser como a Davânia, igualzinha a ela em tudo, com a roupa dela, ah, que vestido lindo, você viu o penteado dela? Nossa, mãe, e o estojo de maquiagem? Até as calcinhas e sutiãs dela são de grife! Tudo um luxo. Ô mãe, você viu a sandália que ela comprou ontem? Muito chique, ah, mãe quero ser chique como ela, glamourosa e arrodeada de luxo, quero ter tudo o que ela tem e um príncipe encantado lindo de morrer preu casar e viver num castelo feliz para sempre! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Imagem: a arte do artista plástico brasileiro Zéllo Visconti.

Veja mais Primeira Reunião, Peter Greenaway, Lawrence Ferlinghetti, Dario Fo, Milton Nascimento & Elis Regina, Margrethe, Portal do Poeta Brasileiro & Aline Romariz, Sonia Mello, Leo Lobos & Edward Weston aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Nu do pintor e escultor brasileiro Francesco Gallotti (1916 – 1983)
Veja mais aqui, aqui e aqui.
 


terça-feira, dezembro 29, 2015

BIG SHIT BÔBRAS, BOCAGE, MACHADO, PICASSO, MILTON, TAUNAY, MAESTRINI, MARIA MARTHA & MUITO MAIS!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? BIG SHIT BÔBRAS - Bastou ser anunciado o maior evento de todos os tempos no Brasil, o Big Brother – a big shit da televisão brasileira -, para se saber qual assunto será predominante na escola, no hospital, no Congresso, nas Assembleias e Câmaras, no Tribunais e Comarcas, nas delegacias, nos salões de beleza, nas filas dos bancos, nas academias de ginástica e em todas conversas, debates e discursos de todas as instituições públicas e privadas do país. De antemão já se sabe que os intelectuais selecionados servirão de ícones e verdadeiros fabricantes de opiniões, de penteados, de cacoetes, de enriquecimento da língua nacional, dos conhecimentos mais relevantes da pós-modernidade e das condutas mais virtuosas para o engrandecimento da patriamada. Com certeza, baterá todos os recordes de audiência, demonstrando cientificamente a grande máxima do primeiro escriba peró que aqui aportou, de que aqui, em se plantando, tudo dá – jeitinho, manobras, camuflagens e prestidigitações, os símbolos mais nobres da nossa índole. Haverá até concurso para ver qual tipo de intelectual será seguido, copiado e adorado – definindo-se evidentemente quais serão os heróis prediletos e, também, os vilões que serão contemplados com o opróbrio geral -, cultuados tanto pela mídia nacional, como por todas as gentes de todos os quadrantes de Pindorama. Devotados estarão noitedia louvando ou condenando aqueles e aquilo que for feito na alcova, na cozinha, na mesa da sala, na piscina e em todos os cafundós da residência faustosa - mantida à custa de merchandising, propaganda subliminar e pelo verdadeiro desvelo de como atua e funciona a mão invisível -, que acomodará os grandiosos vultos da nossa futura história. Será, sem dúvida, um movimento tão importante que servirá de símbolo pátrio, a exemplo da bandeira, do hino e de todas as insígnias representativas da nação. Será tão devastador que, bastou seu anúncio, já provocou uma verdadeira debandada no que de mais original existe na terrinha boa de Alagoinhanduba: o Big Shit Bôbras (BSB). A primeira baixa foi o desengate do Padre Bidião da sua inseparável beata, baixando a batina e arrastando o chinelo para participar de tal evento, seguido na hora pelo Doro e todos os comparsas que engrossavam a participação de tão singelo espetáculo da paróquia. Sobraram apenas as mulheres que se viram tão escanteadas e de mãos abanando que resolveram, de pronto e com a revolta mais aguda de suas vidas, a criação de uma original e verdadeira greve de sexo para quando os inconfidentes retornarem ao rincão. Já se vê que o negócio está pegando e que, indubitavelmente, vai pegar mais. Enquanto isso, vamos aprumar a conversa aqui e aqui.

PICADINHO
Imagem: a arte da artista visual Julia Broad.


Curtindo a música Qualquer Coisa a Haver Com o Paraíso (Milton Nascimento - Flávio Venturini) com Milton Nascimento & Peter Gabriel e todo o álbum Angelus (1994), em que o Milton reúne além desse convidado outros como Pat MNetheny, John Anderson, Wayne Shorter, James Taylor, Herbie Hancok, entre outros. Veja mais aqui.

EPÍGRAFEQuid legis sine moribus, frase utilizada nas Memórias, do escritor, músico, historiador e sociólogo Alfredo d'Escragnolle Taunay (1843-1899): Constituições magníficas, pactos fundamentais, cheios de rutilantes promessas, mas daí à prática vai um mundo; tudo letra morta... Demais, quid leges sine moribus? [...]. Veja mais aqui.

CULTURA, ARTE & PÓS-MODERNIDADE - No livro Cultura de consumo e pós-modernismo (Nobel, 1995), do sociólogo e editor britânico Mike Featherstone, encontro que: [...] São pessoas fascinadas com a identidade, a apresentação, a aparência, o estilo de vida e a busca incessante de novas experiências [...] Atuando entre a mídia e a vida intelectual, acadêmica e artística, eles promovem e transmitem o estilo de vida dos intelectuais e artistas para um público mais amplo e se aliam a eles, intelectuais e artistas, para converter temas menos nobres, como moda, esporte, musica popular, cultura popular, em campos legítimos de análise intelectual e hierarquias simbólicas que se baseavam em distinções pretensamente nítidas entre alta cultura e cultura de massas, além de contribuir para educar e criar um público maior e mais receptivo para os bens e experiências artísticos e intelectuais. Veja mais aqui.

REFLEXÃO IMORAL – No livro Memórias póstumas de Brás Cubas (1881 - W. M. Jackson Inc, 1938), do escritor Machado de Assis (1839-1908), encontro o trecho que ele fala de uma reflexão imoral: Ocorre-me uma reflexão imoral, que é ao mesmo tempo uma correção de estilo. Cuido haver dito, no capítulo XIV, que Marcela morria de amores pelo Xavier. Não morria, vivia. Viver não é a mesma cousa que morrer; assim o afirmam todos os joalheiros desse mundo, gente muito vista na gramática. Bons joalheiros, que seria do amor se não fossem os vossos dixes e fiados? Um terço ou um quinto do universal comércio dos corações. Esta é a reflexão imoral que eu pretendia fazer, a qual é ainda mais obscura do que imoral, porque não se entende bem o que eu quero dizer. O que eu quero dizer é que a mais bela testa do mundo não fica menos bela, se cingir um diadema de pedras finas; nem menos amada. Marcela, por exemplo, que era bem bonita, Marcela amou-me... [...]. Veja mais aqui e aqui.

TRÊS SONETOS DE AMOR – No livro Sonetos e outros poemas (FTD, 1994), do poeta português Manuel Maria Barbosa l´Hedois du Bocage (1765-1805), destaco inicial um dos seus belos sonetos, o primeiro: Fiei-me nos sorrisos da Ventura, / em mimos feminis. Como fui louco! / Vi raiar o prazer; porém tão pouco / momentâneo relâmpago não dura. / No meio agora desta selva escura, / dentro deste penedo úmido e oco, / pareço, até no tom lúgubre e rouco, / triste sombra a carpir na sepultura. / Que estância para mim tão própria é esta! / Causais-me um doce e fúnebre transporte, / áridos matos, lôbrega floresta! / Ah!, não me roubou tudo a negra Sorte: / inda tenho este abrigo, inda me resta / o pranto, a queixa, a solidão e a morte. O segundo: A teus mimosos pés, meu bem, rendido, / confirmo os votos que a traição manchara; / fumam de novo incensos sobre a ara, / que a vil ingratidão tinha abatido. / De novo sobre as asas de um gemido / te ofr’eço o coração, que te agravara; saudoso torno a ti, qual torna à cara, / perdida pátria o mísero banido. / Renovemos o nó por mim desfeito, / que eu já maldigo o tempo desgraçado / em que a teus olhos não vivi sujeito; / concede-me outra vez o antigo agrado; que mais queres: eu choro, e no meu peito / o punhal do remorso está cravado. Por fim, o terceiro: Os garços olhos, em que Amor brincava, / os rubros lábios, em que Amor se ria, / as longas tranças, de que Amor pendia, / as linda faces, onde Amor brilhava; / as melindrosas mãos, que Amor beijava, / os níveos braços, onde Amor dormia, / foram dados, Armânia, à terra fria, / pelo fatal poder que a tudo agrava. / Segui-te Amor ao tácito jazigo. / Entre as irmãs cobertas de amargura. / E eu que faço (ai de mim!) como os não sigo? / Que há no mundo que ver, se a Formosura, / se Amor, se as Graças, se o prazer contigo / jazem no eterno horror da sepultura? Veja mais aqui e aqui.


AS MALVADAS & ATRAVÉS DA TELA - A trajetória da atriz, cantora e compositora Alessandra Maestrini, começou quando ela passou a integrar a temporada 1997/98 da peça teatral As malvadas, seguindo-se Ó abre alas (1999), Aí vem o dilúvio (1999), Rent (1999/2000), Les misérables (2002), Mamãe não pode saber (2002), A ópera do malandro (2003), O casamento do pequeno burguês (2004), Utopia (2006), A ópera do malandro Em concerto (2007), 7, o musical (2007/2008), Doce deleite (2009) e New York, New York (2011/2013). No cinema ela atuou nos filmes Fica comigo esta noite (2006), O labirinto (2007), Polaroides urbanas (2008), Primeiro ato (2009) e Através da tela (2009). Também tem feito muito sucesso na televisão, na qual atualmente participa do elenco do Toma lá, dá cá. Veja mais aqui.

FICA COMIGO ESTA NOITE – A comédia Fica comigo esta noite (2006), dirigido por João Falcão e baseada na peça homônima de Flávio de Souza, conta a história de um casal de jovens que se conhecem ainda jovem e se casam alguns anos mais trade, atravessando uma crise no casamento. Isso acontece na mesma época em que o marido morre assim, repentinamente, acontecendo o fato de que ele não sair sem se despedir e precisando resolver tudo com ela. Com isso, traz o enredo de uma história de um amor desgastado pelo cotidiano, reavivado na situação limite da morte. O destaque do filme, como não poderia deixar de ser, vai para a atriz Alessandra Maestrini. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
 O repouso do escultor (1933), do pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol Pablo Picasso (1881-1973). Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à atriz, escritora e roteirista Maria Martha.

AS PREVISÕES DO DORO PARA 2016
Confira as previsões dos signos e as simpatias aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: foto de Fox Harvard.
Veja mai aqui.
 

SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...