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quinta-feira, janeiro 04, 2018

VIRILIO, GALIMBERTI, CONY, MANDELA, CLÁUDIO SANTORO, KLIMT, MILO MOIRÉ, MARIJA MIHAJLOVIC, NIELLY & ANDRÉA BORBA

UM LONGO CAMINHO PARA A LIBERDADE - Imagem: Mandela, da pintora de faca francesa Françoise Nielly. - No inventário da humanidade, algumas personalidades merecem ser destacadas de tempos em tempos por sua trajetória. Principalmente pelo fato de que neste ano se comemora o centenário de nascimento do advogado, líder rebelde, Presidente da África do Sul e Prêmio Nobel da Paz de 1993, Nelson Mandela (1918-2013), considerado o mais importante líder africano e pai da moderna nação sul-africana, nomeado popularmente como Tata (Pai) ou relacionado ao seu clã, Madiba. Ter durante a sua vida sacrificado a relação familiar e passar um longo período aprisionado em nome de uma causa, faz com que seja pertinente senão relevante a menção de registro. Ao se tornar advogado dos direitos humanos e líder da resistência não-violenta da juventude, após haver recusado a chefia da nobreza familiar tribal, seguindo para Joanesburgo para sua militância, tendo por consequência ser denunciado como terrorista comunista, até ser julgado por traição em 1962, tornando-se prisioneiro por 27 anos pelo regime de segregação racial do Apartheid, o sistema racista oficializado em 1948, naquele país. Libertado em 1990, manteve a luta e, por isso mesmo, passou a ser considerado modelo mundial de resistência. Por conta disso, foi agraciado por seu ativismo de mais de 250 prêmios e condecorações, além de ter sido contemplado pela Organização das Nações Unidas (ONU), dedicando o dia 18 de julho, como o Dia Internacional de Nelson Mandela, homenagem à luta mundial pela liberdade, pela justiça e pela democracia. Em sua autobiografia Um longo caminho para a liberdade (Planeta, 2012), ele dizia que Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, da sua origem ou da sua religião. Para odiar, é preciso aprender. E, se podem aprender a odiar, as pessoas também podem aprender a amar. Essa uma das suas célebres frases cultuadas. Além disso, nessa obra ele fala da infância rural e de suas atividades em Joanesburgo, o despertar para o combatente da liberdade, a luta da sua vida, a traição, a Pimpinela Negra, Rivónia, os anos negros e o despontar da esperança em Roblen Island, as conversações com o inimigo e, por fim, a liberdade, parte na qual ele assim se expressa: [...] A minha vida, como a da maioria dos xossas desse tempo, foi moldada pelos costumes, pelos rituais e pelos tabus. Eram o alfa e o ómega da nossa existência e nunca se punham em questão. Os homens percorriam o trilho que os antepassados tinham aberto; as mulheres levavam uma existência em tudo semelhante à que tinham vivido as suas mães. Sem que ninguém me explicasse, depressa aprendi as regras complexas que governam as relações entre os homens e as mulheres. Descobri que um homem não pode entrar numa casa onde uma mulher deu recentemente à luz e que uma mulher recém‑casada não pode entrar no kraal onde passará a viver sem antes se submeter a uma cerimónia pormenorizada. Aprendi também que negligenciar os antepassados traz má sorte e uma vida infeliz. Se alguém desonrasse os seus antepassados, a única maneira de assumir a necessária contrição passava pela consulta a um curandeiro tradicional ou a um ancião, o qual entrava em contacto com os antepassados para lhes apresentar as desculpas do faltoso. Para mim, todas estas crenças eram inteiramente naturais. [...]. Esta obra foi levada ao cinema, em 2013, dirigido por Justin Chadwick e roteiro de William Nicholson, retratando o longo caminho percorrido por Mandela, sua vida, seus enfrentamentos, o Massacre de Shaperville, o abandono de sua resistência pacífica partindo para a luta armada e da Lança da Nação, braço armado do Congresso Nacional Africano (ANC), toda luta pelos direitos do povo negro e a prisão em regime fechado. Decerto há que se levar em consideração o seu sacrifício e, ao mesmo tempo, o sofrimento que estavam ao seu lado e que foram, em nome da causa, também sacrificados. A História tem nos mostrado exemplos dessa natureza, lições que deveriam fazer parte do nosso presente. E se assim não o é, significa que devemos aprender com o passado para construirmos o futuro agora. Salve, salve, Mandela! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com Canto de Amor e Paz, Sinfonia nº 5 e Concerto para Pianoforte e Orquestra nº 1, do compositor e maestro Cláudio Santoro; As quatro estações de Vivaldi & Trio Villa-Lobos da violinista sérvia Marija Mihajlovic & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] minha oposição à guerra é uma oposição à essência da guerra na tecnologia, na sociedade, na filosofia da tecnologia, etc [...] Minha oposição não é uma oposição aos homens [...] não tenho reflexo racista. [...] Não sou contra os militares como as pessoas são contra os padres; sou contra a inteligência da guerra que escapa do político. [...] Creio que, de agora em diante se quisermos continuar com a tecnologia (e não penso que haverá uma regressão neolítica), precisamos pensar ‘instantaneamente’ a substância e o acidente. [...] hoje todo mundo deve trabalhar na tentativa de interpretação do enigma da tecnologia! Não acredito que cientistas encontrem a solução. É na autonomia de cada homem que essa reinterpretação das máquinas [...] deve se exercer – com risco de morte, porque não há tempo. Esta é minha posição. [...]. Trechos extraídos da obra Guerra pura: a militarização do cotidiano (Brasiliense, 1984), do filosofo, arquiteto, urbanista, pesquisador e polemista francês Paul Virilio. Veja mais aqui.

O SER HUMANO & A TÉCNICA - [...] Hoje, o pensamento da lógica binária implode novamente e é encontrado em transmissões de programas de perguntas e respostas – que acabam trazendo de reboque os noticiários –, nos exames escolares e, até mesmo, na universidade. Nem se aplica a alegação de que a técnica é boa ou ruim de acordo com o uso que dela se faz, porque o que nos modifica não é o bom ou mau uso, mas o simples fato de usarmos. O uso nos modifica. Falar com nossos amigos através de um chat significa sofrer uma transformação no modo de se relacionar, porque falar via chat é diferente de um encontro face a face. Se os nossos filhos veem televisão quatro ou mais horas por dia é inevitável que o seu modo de pensar, de sentir, mude. E isso, independentemente da qualidade dos programas, se bons ou ruins. Basta a exposição prolongada. [...] Mais uma vez sentimos que técnica não é um meio à disposição do homem, mas é o próprio ambiente no interior do qual o homem sofre modificações, no qual ela pode marcar aquele ponto absolutamente novo na história, talvez irreversível, onde a questão não é mais: “O que podemos fazer com a técnica”, mas “O que a técnica poderá fazer conosco”. Trechos extraídos da obra O ser humano na era da técnica (Unisinos, 2015), do filósofo, psicanalista e professor universitário Umberto Galimberti.

TEORIA GERAL DO QUASE - [...] Há mais de vinte anos, prometi a mim mesmo que, acontecesse o que acontecesse, aquele seria o último. Nada mais teria a dizer – se é que cheguei a dizer alguma coisa. Daí a repugnância em considerar este Quase memória como romance. Falta-lhe, entre outras coisas, a linguagem. Ela oscila, desgovernada, entre a crônica, a reportagem e, até mesmo, a ficção. Prefiso classificá-lo como “quase-romance” – que de fato o é. Além da linguagem, ospersonagens reais e irreais se misturam, improvavelmente, e, para piorar, alguns deles com os próprios nomes do registro civil. Uns e outros são fictícios. Repetindo o anti-herói da história, não existem coincidências, logo, as semelhanças, por serem coincidências, também não existem. No quase-quase de um quase-romance de uma quase-memória, adoto um dos lemas do personagem central deste livro, embora às avessas: amanhã não farei mais essas coisas. Trecho extraído da obra Quase memória, quase-romance (Companhia das Letras, 1995), do escritor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Cony. Veja mais aqui e aqui.

PREÂMBULO DA SUPREMA FELICIDADE - Sou plebéia e pelos campos vou / descansa. / Acabo de rezar um terço, / tenho dez filhos e um homem / um único / cheio de vento e pudor. / Cada manhã me refaço / e simplesmente passo: / tanto verde, tanta cor! / Etéreos sonhos me infringem a consciência, / tétrica solidão eu expulso de mim mesma / gota a gota, todas as lágrimas me abandonam. / e eu simplesmente passo / por onde vou. Poema da poeta e jornalista Andréa Borba.

ARTE DE GUSTAV KLIMT
A arte do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862-1918). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
O que é de sonho quando real, a literatura de Yukio Mishima, a pintura de David Alfaro Siqueiros & a música de Marisa Rezende aqui.
O amor – Crônica de amor por ela, Rabindranath Tagore, Johannes Brahms, Virgilio, Thomas Hardy, Wong Kar-Wai, Marin Alsop, Maggie Cheung, Corina Chirila, Lenilda Luna, Antonio Rocco, Cultura Pós-Moderna & Commedia dell’arte aqui.
Nefertiti & Todo dia é dia da mulher aqui.
Keith Jarret, Carlos Saura, Christian Bernard, Isaac Newton, Casimiro de Abreu, Julio Hübner, Mia Maestro & A lenda criação no gênese africano aqui.
Por um novo dia, Herminio Bello de Carvalho, Ismael Nery, Brian Friel, Paolo Sorrentino, Julia Lemertz, J. R. Duran, Rachel Weisz, Iremar Marinho, Bruno Steinbach, O papel do professor e a sua formação na prática pedagógica aqui.
Paul Ricoeur & Fenomenologia, O Tao da Educação, Milton Nascimento, Psicodrama, Adriano Nunes, Roney Bunn, Direito & Trabalho aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte conceitual da artista suíça Milo Moiré
Veja mais aquiaqui.
 

quinta-feira, março 20, 2008

POUND, TABUCHI, EICHENDORFF, MARCOS BAGNO, HOWARD GARDNER, MILO MOIRÉ, METAFÍSICA, SEXUALIDADE & EDUCAÇÃO, EROTISMO & BIRITOALDO

 A arte conceitual da artista suíça Milo Moiré. Veja mais aqui.

PROEZAS DO BIRITOALDO - XIV - Quando o Urubu Tá Numa de Caipora, Não Há Pau Que Escore: o de Debaixo Caga no de Cima. Munga passava as horas no seu idílio despetalando rosas: bem-me-quer, mal-me-quer. Usava de todo tipo de simpatias para tirar olho gordo, mau-olhado, macumba, quebranto qualquer de cima do seu amor, rezando para as estrelas: "estrelinha, estrelinha, que estás no céu a brilhar, se Birito pensa em mim, porta bate, cachorro late e homem assobia". Ôxe, era um teibei de porta, um ganido solto e nego como a gota fiu-fiu pela redondeza. - A porta bateu, ele gosta de mim; o cachorro latiu, ele me ama; o homem assobiou, ele me adora. Eita! Mais porta batendo, mais cachorro latindo, mais homem assobiando, eita! Ele é louco por mim! E era. O seu príncipe encantado num seria uma daquelas belezuras de capa de revista, mas dava pro gasto. Ela assanhada e doida pra xambregar com ele, subindo pelas paredes, esperando a hora de ser possuída enquanto fabricava fantasias mil. Como prova do seu amor inconteste, num tinha simpatia que ela não fizesse: pegava um pedaço de papel em branco, escrevia nele o nome completo do Birito repetidamente e o dela por cima fazendo uma cruz sobre o dele, até preencher toda página. Depois dobrava até ficar um pedacinho bem miudinho e jogando dentro da boca de um sapo-cururu-velho que ela possuía por estimação. Enquanto fazia isso, se ajoelhava sobre uma porção de milho cru e danava-se a rezar pro Santo Antônio, avidamente em súplicas casamenteiras de dar dó só de vê-la ali agoniada. Quando findava a tarefa, voltava-se pro criatório de aranha que ela mantinha num canto secreto do seu quarto. Para ela aranha dava felicidade e, por isso, colecionava todo tipo da artrópode aracnídea, desde da viúva-negra, armadeiras, até caranguejeira. Ela pegava um punhado delas, levantava a saia, e colocava sobre sua chiranha por onde remexiam horas e horas, lá nela. - Aranha, aranhinha, aranhola, traga uma rolinha bem grandinha para a minha charanhola! Durante os festejos juninos, Munga mandava fazer uma fogueira enorme e ao lado dela colocava uma bacia cheia d'água e, de posse de uma vela acesa, pingava no recipiente e ficava atenta para ver a letra que dava. Era um "b", de Birito. Ela endoidava: - É ele, é ele o meu príncipe encantado! Meu cavalo fodedor! Venha meu corcel dos sonhos, sua eguinha espera fogosa. Birito realmente apareceu na sua vida depois que ela fez uma simpatia pesada, indo para a igreja bem cedinho e rezando cinqüenta vezes o rosário em intenção de Nossa Senhora, com medo de ficar vitalina, pedindo pra ela botar no caminho dela um homem bonito, lindo, gostoso, maravilhoso! Pois bem, num foi bem o que ela pediu, mas serviu como quebra-galho no seu aperto. Só que o rapaz não dava lá o ar de sua graça. Birito levava aperto mais que parafuso entarraxado. Era encarcado mais que laranja espremida. O Ernestinildo num largava do seu pé, ali, quando menos esperava, dando susto do cara se desmantelar todo. Num havia jeito do cabra sentar o juízo numa coisa, tava cheio de idéias, do emprego, de Munga, em ganhar dinheiro, em ficar rico, em conseguir seu intento, de ser molestado por não cumprir a meta, não atender as exigências do bicho chato, eita, gota! O apaideguado tava mais doido que cego em tiroteio. Tava à toa, sem saber por findar nem começar nada. Tome isso, cadê aquilo, dê-me isso, agora, já, se dane prá caixa-pregos, vá num pé e volte no outro, solte o freio-de-mão, largue a primeira, deixe de ser ronceiro, lasque-se na casa dum caralho-de-asa, fio-da-peste! empene-se acocorado num balaio cheio de rola dura, seboso! Arriba! Bora, se avie! Arreda, corno! Bote jeito, cabra! Se assunte, nego deslavado! Olhe a responsa, moço! O danado, com isso, endoidava, perdia o fio de prumo. E do canto num saía, estatelado. Tinha vontade de correr mas não sabia prá onde, enrolava-se todo, mais cheio de pernas que minhoca atolada. Era mesmo uma marcação cerrada. Quando não era Ernestinildo, era aquela assombração: - tô aqui, viu? -, isso deixava o macorongo endoidado de comer merda e rasgar dinheiro. O abestalhado sacudia pedra ao léu, dava chute no vento, mãozada nos ares, cabeçada na parede, mordia o chão, sapecava doidice de quem tava com o-não-sei-quê no couro. Até levar uns tabefes de perder o pau da venta, mode se acalmar. Findava estendido no chão como roto desmiolado. Já andava todo atarantado, num dizendo mais coisa com coisa. Se dizia perseguido por uma coisa ruim. Era a maior saia justa todo dia o dia todo. - Arre! Assim, eu endoideço!! Aquela situação mais enervava, do cabra andar azuretado com as pupilas dilatadas, os batimentos cardíacos estimulados e provocando uma alta de pressão arterial em seu organismo; a respiração ficava alterada e ofegante, e os brônquios se dilatando; frieza nas mãos e nos pés; tensão nos músculos de ficar entrevado, inibição da digestão de ficar biqueiro parecendo mais com o bicho cheio como a gota, inibição da saliva tornando a boca seca, sensação de desgaste brabo provocando cansaço extremo e lapsos de memória de se esquecer de dormir e ficar acordado dias seguidos; supressão de várias funções corporais relacionadas com o comportamento sexual reprodutor e com o crescimento, como queda na produção de espermatozóides da gala ficar rala e nego num gozar direito por causa da redução de testosterona; supressão total da puberdade, diminuição do apetite sexual de chamá-lo molenga caiador, pau-mole, ferro-frio, veado maloqueiro; doía-lhe a impotência, o desequilíbrio e a exaustão, chegando ao esgotamento físico acompanhado de dores vagas, taquicardia, alergias, psoríase, caspa e seborréia; hipertensão, diabete, herpes, graves infecções, problemas respiratórios, asma, rinite, tuberculose pulmonar, intoxicações, distúrbios gastrointestinais como úlcera, gastrite, diarréia, náuseas, alteração de peso, depressão, ansiedade, fobias, hiperatividade, hipervigilância, alterações do sono com insônia, de quando pregar as pestanas acordar-se com pesadelos violentos ou com o décimo segundo sono em excesso, sintomas cognitivos como dificuldade de aprendizagem, lapsos de memória, dificuldades múltiplas. Eita, pau! Isso é lá gente, meu? O cabra era uma caipora mesmo, coisa ruim num vinha só de jeito maneira, era encarreada de deixar o sem-vergonha estendido na cama por dias. Dias depois parecia que estava bem, mas novos estímulos como reações emocionais, mudanças de comportamento com distúrbios da concentração e do raciocínio, alterações fisiológicas psicossomáticas, agitação e apatia. - Gente, tô com o juízo afetado! -, gritava ele. - É a gaia, meu filho, é a gaia, a bicha afeta o juízo de deixar o cristão doidinho da silva! A agitação acompanhada de uma certa irritação e eventualmente maior cinismo. Parece preocupar-se demais e por pequenos motivos ficava nervoso, explodia com facilidade, sua paciência ia a zero. Uma ansiedade na expectativa de que algo ruim ia acontecer, freqüente e afetando o sono do desgraçado. Começava a se sentir incapaz, um inútil na vida. A tristeza passou a ser dominante no seu humor, podendo ocorrer vários episódios de choro por um motivo pequeno, ou mesmo sem motivo algum, com fracassos de desempenho que geravam mais ansiedade e depressão. O cansaço parecia vir com mais facilidade. Procurava não falar com as pessoas, mesmo porque parece que não tinha o que falar. Sentia-se cada vez mais desiludido. Na maioria das vezes havia uma mistura da agitação e da apatia, quando o estado de espírito costumava ficar parecendo um ioiô, ora com euforia e um excesso de energia, ora com tristeza e melancolia. Era uma lentificação dos movimentos, a coordenação motora ficando comprometida com pequenos acidentes, como tropeçar na escada ou derrubar objetos, se avolumavam em cada queda de envergar o espinhaço dele. Doutra ficava mais acelerado, falando abruptamente e num tom mais alto, com movimentos globais mais rápidos. Agia às vezes como uma barata tonta, ocupando-se o dia inteiro mas sem conseguir terminar nenhuma tarefa. Ficava confuso, a lógica parecia desaparecer, adiando decisões. Foi aí que apareceram irritações de pele, com eczemas, psoríase, urticária, acne; nos músculos, contração crônica, cefaléia tensional; arteriosclerose, de quase ter um infarto; surgiu ainda asma bronquica, dispnéia ansiosa; gastrite, úlcera, diarréia, constipação. Isso é gente ou um ninho de enfermidades, doido? O indivíduo passava a depreciar o trabalho e senti-lo como um peso. Tava numa situação vasqueira sem saber o que fazer de ficar, muitas vezes barifônico, sem poder, ao menos, articular as palavras, concatenar as idéias. Virgem! O cabra resolveu então fugar da pressão e sai às tontas. Na boquinha da noite, o maior pé-d'água caindo torrencialmente, quando viu Munga rebolando na calçada. Os seus olhos quase pulam fora! De tão doido que ficou deu uma entrada na traseira do carro da frente de quase botar o automóvel sinistrado pelo avesso. Foi o maior bafafá. Bateu por causa da bunda de Munga. Eita, porra! Depois de calorosa discussão, Munga consegue retirá-lo da bronca, conseguindo ele, no meio da maior tremedeira, acionar o carro e saindo perdido guiando feito um condenado que foge de bronca e da polícia. Consegue, depois, estacionar o veículo em um terreno baldio nos arredores da cidade, escurinho, lugar propício para molhar o biscoito, longe dos olhares curiosos dos atrapalha-foda! Munga mais manhosa que nunca começou se esfregando no sujeito que agora estava mais calmo, num conseguindo tirar os olhos do decote, da cauda volumosa e da cara sem-vergonha dela. Desceram do carro e ficaram sarrando em cima do capô. Era um agarrado todo cheio de vexame, a ponto de incendiar a alma dos dois. O xambrego tava a ponto de um atravessar o outro e sair do outro lado. Tavam travados de num ter quem desengatasse os dois. Foi aí que um sujeito mau encarado, todo trombudo, do beiço virado, musculoso mais parecendo um Hulk preto, todo cheio da gíria, largou uma mãozada nos maluvidos do Birito dele cair estendido no chão, deixando a Munga toda descabelada na hora do bem-bom quando já ia enfiar o seu pingulim no engole-rola dela. - Tô aqui, viu? -, disse o negão. Birito quase teve um troço e ficou rodopiando feito cachorro querendo pegar o próprio rabo. O negão gritou prá ele ficar quieto senão fodia-lhe a alma. O bicho ruim retirou dos bolsos uns fios e amarrou Birito abraçado numa árvore, deixando-o lá. Rumou para Munga que ainda revirava os olhos, puxou-lhe pelos cabelos e, enquanto abria a braguilha, enfiou a cara dela na sua manjuba. - Chupa direito aí, porra! Se morder, vai apanhar até fofar! Enquanto ela lambia seu membro ele dava-lhe puxavanques de quase deixá-la careca e obrigando-lhe a engolir aquele avantajado rolão, rasgando-lhe os lábios e a boca, empurrando-lhe até se enganchar na garganta a ponto de sufocar-lhe violentamente, rasgando ainda mais as bordas de sua boquinha. O bruto cada vez mais se infincava empurrando e tirando o cacete com força. - Lambe, porra! Chupa direito esse caralho que lhe fodo a alma, puta! E ela lambia de se babar lambuzando com seu sobejo aquela avantajada mangueira, já se acostumando com o seu sabor de deixar-lhe fuviando em baixo, toda minando, doida para ser fodida por aquele caralhudo, mais querendo engulir enquanto era invadida a sua boca em toda a sua totalidade, até que o cara esporrou-lhe abundantemente dela ficar sugando as mínimas gotas expelidas e de ficar lambendo a glande demoradamente até nada mais restar da esporrada. O cara grunhia com isso, batia-lhe na cara enquanto ela insistia em deixar a língua rodopiando o chapéu-de-vaqueiro, o reguinho do pênis, enfraquecendo as forças do brutamontes que urrava de prazer, doido, apertado. O mastodonte depois empurrou-lhe para dentro do carro e foi restaurar as energias perdidas e a respiração que ofegava até depois de algum tempo se equilibrar e ficar olhando para ela, jogada, arreganhada, deitada no assento do carro. - Eu ainda vou lhe comer, s'a porra! Fique quieta que vou enfiar na sua cheba e no seu papeiro, puta safada. Birito tudo olhava e ficava amedrontado com aquela situação. Havia berrado demais enquanto o cara esporrava na boca da sua namorada. - Você gosta de berrar, né cabrito viado? Você vai berrar agora que eu quero, seu corno de uma gaia mole! O ajegado se dirigiu a ele, arrancou-lhe a calça, deixou-lhe a bunda à mostra, o cara cuspiu na mão, passou no cu dele e enfiou-lhe sem dó nem pena aquele cacete gigante, arrancando-lhe as pregas todas, do bicho gemer de dor até umashoras. - Num me cague não, seu fresco safado!
E tome peiada no oiti-goroba do cabra num aguentar de dor e desmaiar. - Esse é o veado mais fresco que eu já comi. Num aguentou nem a cabeça e foi logo desmaiando, arre, veado safado! Largou Birito e foi em direção da Munga. Agarrou-lhe pelos cabelos, arrastou-a até o capô do carro, deitou-la de bruços, botou-lhe a saia pela cabeça, arrancou-lhe com força a calcinha, cuspiu de novo na mão, esfregou o cuspe no ânus dela e enfiou-lhe a tromba com força. Ela deu uma impada, sentiu se rasgando toda, até que depois do sacrifício começou a ter prazer. - Tá gostando, né puta safada? E se remexia mais, se ajeitando para facilitar o cara enfiar mais aquela mangueira toda no seu cuzinho. Ele enfiava com raiva, ela gostando. Enquanto ele urrava, ela gemia. Sabia ela que se partiria em bandas, que o bruto ia lhe rasgar toda, arrebentando suas entranhas, dilatando sua intimidade, a rola se enfiava no cu e tava já saindo pela garganta de ajegada que era, ela sentia atravessada toda, entalada, arrebentada, a ponto de lhe tapar a respiração. O gozo foi tão repuxado que ela não agüentou a agonia do orgasmo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.  

PENSAMENTO DO DIA – Há uma canção adormecida em todas as coisas que sonham infinitamente e o mundo começará a cantar se encontrares a palavra chave. Pensamento do poeta, romancista, dramaturgo, crítico literário, tradutor e antologista prussiano Joseph Freiherr von Eichendorff (1788-1857).

DEZ CISÕES PARA UM ENSINO DE LÍNGUAConscientizar-se de que todo falante nativo de uma língua é um usuário competente dessa língua, por isso ele sabe essa língua. Entre os 3 e 4 anos de idade, uma criança já domina integralmente a gramática de sua língua. Sendo assim, aceitar a ideia de que não existe erro em português. Existem diferenças de uso ou alternativas de uso em relação à regra proposta pela gramática normativa. [...]. Trecho extraído da obra Preconceito linguístico: o que é, como se faz (Loyola, 1999), do professor doutor em língua portuguesa pela USP, Marcos Bagno.

TRISTANO MORRE – [...] A vida não está em ordem alfabético como há quem julgue. [...] são migalhas, o problema depois é juntá-las, é esse montinho de areia, e este grão que grão sustém? Por vezes aquele [...] é precisamente esse que mantém unidos todos os outros, porque esse montinho não obedece às leis da física [...]. Trecho extraído da obra Tristano morre (Rocco, ), do escritor, ensaísta e professor italiano Antonio Tabuchi.

EZRA POUND – Importantes obras literárias e para quem milita na área, Os cantos, a Poesia, o ABC da Literatura e A arte da poesia, todos do poeta, músico e critico literário estadunidense, Ezra Weston Loomis Pound (1885-1972), são um dos volumes que mais aprecio e estudo. OS CANTOS DE POUND – O volume reúne os 120 cantos de Pound em suas 837 páginas, com uma introdução crítica de José Lino Grünewald, entre os quais, destacamos o CXX: “Tentei escrever o PARAÍSO / não se mova / deixe falar o vento / esse é o paraíso. / Deixe os Deuses perdoarem / o que eu fiz / deixe aqueles que eu amo tentarem perdoar / o que eu fiz”. ABC DA LITERATURA – A obra ABC da literatura, de Pound, aborda questões como condições de laboratório, o método ideogrâmico, o que é literatura, qual a utilidade da linguagem, compasso, sextante ou balisas, base, liberdade, século XIX, estudo, percepção, o instrutor, gostos, documentos, estilo de época, tabela de datas, Whitiman, Homero, Safo, Confúcio, Li T´ai Po, Catulo, Ovídio, O Navegante, Guillaume de Poictiers, Bertran de Born, Bernard de Ventador, Arnaut Daniel, Guido Cavalcanti, Dante Alighieri, François Villon, William Shakespeare, John Donne, Mark Alexander Boyd, Robert Herrick, Lord Rochester, Walter Savage Landor, Robert Browning, Edward Fitzgerald, Tristan Corbiére, Arthur Rimbaud e Jules Laforgue. A ARTE DA POESIA – O livro A arte da Poesia trata de temas como linguagem, ritmo e rima, credo, verso livre, só a emoção perdura, por um método, relatividades defectivas, por que livros, prosa, emoção e poesia, a parábola do cavalo e da água, missão do professor, linha de demarcação, J´y Tiens, trovadores, tipos e condições, ironia, Laforgue, sátira, o duro e o suave na poesia francesa, Ulisses, Camões e Montcorbier aliás Villon, entre outros assuntos. A POESIA DE POUND – O livro Poesia, de Pound, com introdução, organização e notas de Augusto de Campos, traduções de Décio Pignatari, Augusto de Campos, Haroldo de Campos, José Lino Grünewald e Mário Faustino, reúne Personae de Ezra Pound (1908-1910), Ripostes (1912), Cathay (1915), Lustra (1916), De homenagem a Sextus Propertius (1917), Hugh Selwyn Mauberley – vida e contatos (1920), Mauberley (1920), da Antologia clássica definida por Confúcio (1954), os Cantares (1916-1956), dos últimos cantos e fragmentos (1962), memorabília com as cartas de Pound ao grupo Noigrandres (1952-1959), Visita e revisitação 91959-1976) e uma síntese biobibliográfica. Veja mais aqui.
REFERÊNCIAS
POUND, Ezra. Os cantos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
______. ABC da literatura. São Paulo: Cultrix, 1977.
______. A arte da poesia. São Paulo: Cultrix, 1976.
______. Poesia. São Paulo/Brasília: Hucitec/UnB, 1983.

METAFÍSICA – A obra Metafísica, de Richard Taylor, trata de temas como pessoas e corpos, materialismo, o significado de identidade, dualismo platônico, uma pletora de teorias, interacionismo, a localização da interação, a mente como função do corpo, epifenomenalismo, a alegada superfluidade do pensamento, a origem das teorias dualistas, a alma, a intimidade dos estados psicológicos, liberdade e determinismo, comportamento humano, moral, deliberação, necessidade causal versus necessidade lógica, liberdade, determinismo moderado, a refutação, indeterminismo simples, a teoria de agência, destino, fatalismo e determinismo, pressuposições, considerações de tempo, causalidade, aptidão, a lei do terceiro excluído, eficácia temporal, a afirmação do fatalismo, tempo e devir, relações espaciais e temporais, transito temporal e devir, a tentativa do expurgo puro do devir, Deus, o principio e razão suficiente, a existência de um mundo, existência sem começo, criação, autocausado, ser necessário, acaso e evidencia, sensação e evidencia, entre outros assuntos. FONTE: TAYLOR, Richard. Metafísica. Rio de Janeiro: Zahar, 1969. Veja mais aqui.

GÊNERO, SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO – A obra Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista, de Guacira Lopes Louro, aborda temas como a emergência do gênero, sexo e sexualidade, a mulher, desconstruindo e pluralizando os gêneros, sexualidade e poder, diferenças e desigualdades, a construção escolar da diferença, a escolarização dos corpos e das mentes, a fabricação das diferenças, sexismo e homofobia, prática educativa, o gênero da docência, o magistério, pratica educativa feminista, pedagogias feministas, prática educativa não sexista, educação sexual, uma epistemologia feminista, desafios e subversões, tensões e alianças, entre outros importantes assuntos. FONTE: LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis: Vozes, 1997.

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS PERSPECTIVAS – A obra Inteligência: múltiplas perspectivas, de Howard Gardner, Mindy L. Hornhaber e Warren H. Wake, trata das perspectivas históricas e culturais sobre as dimensões e concepções de inteligência, escolarização, exames escritos, seleção de liderança, questões metodológicas, origens da perspectiva científica, psicologia científica, herdabilidade da inteligência, diferenças individuais, o estudo da inteligência, perspectiva psicométrica, a ideia da inteligência geral, os pluralistas, a construção dos testes de inteligência, Jean Piaget, os estágios de desenvolvimento, o computador, perspectivas biológicas, o cérebro, a genética, visão desenvolvimentista, perspectiva cognitiva, a inteligência humana e a criação de máquinas inteligentes, concepções da inteligência humana, evolução das escolas, a escola e a inteligência, a moderna escola secular, o desenvolvimento de habilidades relacionadas ao trabalho, organizações de trabalho, racionalização, testagem da inteligência e seleção profissional, inteligência no emprego, entre outros importantes assuntos. Fonte: GARDNER, Howard; HORNHABER, Mindy; WAKE, Warren. Inteligência: múltiplas perspectivas. Porto Alegre: Artmed, 1998. Veja mais aqui.

TRATAMENTO CLÍNICO DAS INADEQUAÇÕES SEXUAIS – O livro Tratamento clínico das inadequações sexuais, de Ricardo Cavalcanti e Mabel Cavalcanti, trata de temas os critérios de sexo, as escolas psicoterápicas, delineando um posicionamento teórico, fases biológicas da resposta sexual humana, anatomia dos órgãos genitais, fisiologia da resposta sexual humana, princípios comportamentais, procedimentos terapêuticos, proposta de estrutura terapêutica, disfunções sexuais, ética terapêutica sexual, entre outros assuntos. Fonte: CAVALCANTI, Ricardo; CAVALCANTI, Mabel.  São Paulo: Roca, 1996.

EROTISMO, SEXUALIDADE, CASAMENTO E INFIDELIDADE – O livro Erotismo, sexualidade, casamento e infidelidade: sexualidade conjugal e prevenção do HIV e da AIDS, de Ana Maria Fonseca Zampieri, aborda temas como a dança dos hormônios na sexualidade conjugal, gênero, erotismo e sexualidade na vida conjugal, a infidelidade conjugal no casamento ocidental, HIV e AIDS no casamento brasileiro, entre outros importantes temas. Fonte: ZAMPIERI, Ana Mª. Erotismo, sexualidade, casamento e infidelidade: sexualidade conjugal e prevenção do HIV e da AIDS. São Paulo: Ágora, 2004.

A arte conceitual da artista suíça Milo Moiré. Veja mais aqui.




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