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quarta-feira, outubro 07, 2015

BETINHO, SABINO, BENTEVI, GARDNER, NANNA DE CASTRO, KIRIKU, RIOPELLE, ALINE BARROS & BRINCARTE DO NITOLINO.

 VAMOS APRUMAR A CONVERSA? A PRIMEIRA VEZ NO AVIÃO – Pra tudo tem a primeira vez. E, pra mim, nessa hora, é sempre um rito de passagem, o império do desconforto: cheio de pernas, pisando em ovos, embatucado com zis dúvidas. Triste de quem não sabe, não passou. E eu já havia passado por um bom bocado de primeira. Muitas, até. Mas esta, eu relutava. Tinha até comprado passagens, contudo, recuava na hora agá. Três vezes me neguei a passar por isso. Porém, havia chegado a hora, era uma obrigação. E tive de ser levado para não refugar. Estava obrigado, os deveres do ofício exigiam. Quando cheguei no aeroporto, o ambiente me era familiar; já havia estado ali por diversas vezes, apreciado decolangens, aterrissagens, contudo, só estivera ali para recepcionar ou me despedir de amigos, nunca como passageiro. Tinha comigo: não sou passarinho pra sair voando pelos ares, nem peixe pra me meter por cima das águas. Meu negócio era o chão, coisa atávica de Anteu. Oxe, tá doido?! Quem quiser que fosse, eu não. Ah, pra tudo tem a primeira vez. A minha chegou. E lá vou eu subindo pela primeira vez na escada – logo eu que tenho bronca com alturas, já caí de escadas na infância, já sofri acidentes em roda gigante. Tonteei, não vou chegar no último degrau. E pra piorar, a fila empancou bem no último degrau. Dei um tempo e esperei o da frente entrar na aeronave, para eu poder agir rápido e pular pra dentro, escapando da fresta entre a escada e a porta. Bem, atônito me vi recepcionado por uma linda aeromoça. Sabia, de antemão, que ali começaria meu martírio. O riso dela e a minha sina. Fui encaminhado pra minha poltrona e lá me aboletei num Boeing da Varig: três carreiras de cadeiras na esquerda, no meio e na direita. Lugares vagos que só, mas eu com a passagem e poltrona certa. E me instalei espragatado e espaçoso, tentando relaxar. Quando o bicho deu partida, eu comecei a me acovardar: - Adonde que vou me segurar, hem? Já era. O veículo começou passeando na pista, dando volta, até que os motores soaram forte, o avião empinou a venta e saiu rasgando o céu. Danou-se! Lá tô eu na maior tremedeira e torcendo pra não me afrouxar com o furico torando aço. Não passava nada. A minha preocupação era a merda pronta, se inventasse de sair, eu tava sifu! Já pensou o vexame? Nessa eu prometia por todos os céus e infernos que se saísse vivo dali, nunca mais tornaria a andar nesse invento desembestado. Fechei os olhos, agarrei os braços da cadeira e fiquei esperando pelo pior. Uns catabis balançaram de tremer tudo e eu me apavorando com a subida. – Aonde isso vai parar, hem? Demorou um bocado, até que fui tomando confiança. Estava ensopado de suor, parecia ter saído do banho sem me enxugar de tão lavado. Fechei os olhos e baixei a cabeça. Senti uma mão angelical ao ombro: - Está se sentindo bem? Era uma voz bondosa, fraterna. Levantei os olhos e vi uma face magérrima, olhos verdes fraternais. Quase tive um troço! Ora, será que eu morri e estou sonhando dentro da morte com o meu ídolo? Não podia ser. Ele falava comigo de forma terna e eu de olhos arregalados, desacreditado, como vivendo num ar onírico. Estava num misto entre atônito e agraciado. Afinal, naquele momento pra lá de difícil eu estava frente a frente com meu ídolo. Só podia ser sonho e ter morrido sem me dar conta. Só podia! Aos poucos, mesmo ofegante fui tomando pé da situação, porque dois outros rostos acompanhavam o meu momento. Eita, cá comigo, morri mesmo. Falavam comigo e eu não conseguia me desgrudar dos olhos verdes do ídolo que repetia que eu não estava bem. A minha situação chamou atenção porque me via arrodeado de outros curiosos graves. Depois de certo tempo, consegui balbuciar: - Estou bem. A aeromoça me perguntou: - Quer alguma coisa? Só me veio à mente: uísque. E sem nem pensar falei. Ela estranhou, olhou dos lados, saiu e depois voltou com uma dose com bastante gelo. Fiquei espantado! E trêmulo levei o copo à boca, enquanto o meu guardião-ídolo repetia que eu estava me restabelecendo. Tomei um gole, depois outro e fui me recuperando. Ouvi quando ele falou: - Não está mais lívido, agora está voltando ao normal. Sim, eu já respirava tranquilo, olhando dos lados e parando, exatamente, meus olhos nos olhos ternos do ídolo. – Tudo bem? -, perguntou-me ele. – Será? – respondi. Notei-lhe a interrogação na face com a minha resposta-pergunta. – Por que? -, insistiu ele. - Ora, se não morri, nem endoidei, você é o meu ídolo Betinho! E isso só pode ser sonho ou pegadinha da morte! -, ousei responder. Ele sorriu, todos riram. Ele me deu a mão e disse-me: - Dê-me um abraço! Oxe, todo enrolado, soltei o copo na poltrona vizinha e me levantei para abraçar o cara mais importante do Brasil: Betinho – o sociólogo Herbert de Souza, o homem ativista da cidadania brasileira e do Fome Zero. Sem saber o que fazer, completamente desnorteado, tive a intuição de pegar na minha bolsa o meu livro Primeira Reunião que havia acabado de publicar e, vasculhando por uma caneta, derrubando coisas, alvoroço desajeitado, autografei e entreguei ao ídolo como gratidão. Ele fez sinal de surpreso e se despediu com abraço, dizendo: - Vou ler, obrigado. Não consegui dizer mais nada, porque outro rosto famoso estava entre os que acompanharam a minha agonia: Baby Consuelo. Quando saquei pela presença dela, novamente busquei na bolsa outro exemplar do meu livro e autografei pra ela. Ela sorriu, me deu um abraço e um beijo na face direita, dizendo: - Tudo bem, vou ler. Se cuida. E foi se aboletar poltronas atrás da minha. A viagem prosseguiu e não parou por aí. Quando o piloto anunciou que iria começar a aterrissagem, por precaução, aproveitei a aeromoça passando e perguntei se ela poderia me trazer outra dose de uísque. Ela sorriu e, depois de algum tempo, retornou, dizendo-me: - Depois sente, afivele o cinto, retome o assento que vamos já chegar a Fortaleza. Assenti com os ouvidos querendo estourar. Tomava um gole e fazia exercícios na mandíbula para que pudesse melhorar minhas ouças. Tempos depois, lá estava eu sentindo a sensação da aterrissagem. Uma loucura. Pronto, estava em terra firme, ainda zonzo. Precisei do resto do dia todo para me restabelecer. Passei. Ufa! Foi difícil e nem morri, tô aqui contando história. E vamos aprumar a conversa aqui, aqui e aqui.


Imagem: Tribute a Rose Luxembourg, do pintor e escultor canadense Jean-Paul Riopelle (1923-2002).


Curtindo o álbum infantil Tim-Tim Por Tim-Tim (MK Music, 2014), da cantora Aline Barros.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, nos horários das 10hs e das 15hs. no blog do Projeto MCLAM. Na programação comandada pela Ísis Corrêa Naves muitas atrações: Fagner, Robertinho do Recife, Vida Verde Viva, Leo & Gandhi, O leão cordeirinho, Anderson Freire, As Esquiletes, Manuel Sampaio, O lobo e os sete cabritinhos, Nita & o jacaré e a princesa, O lobisomem zonzo, Meimei Corrêa, Eliana, Patati & Patatá & muito mais poesia, brincadeira, histórias e entretenimento pra garotada. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as historias em quadrinhos dos Aventureiros do Una. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.

PERSPECTIVA CIENTÍFICA – No livro Inteligência: múltiplas perspectivas (Artmed, 1998), de Howard Gardner, Mindy L. Hornhaber e Warren K. Wake, encontro no capítulo 2, a parte Origens da perspectivas científica, da qual destaco os trechos: Em 399 a.C., Sócrates foi condenado e sentenciado à morte por um júri de aproximadamente 500 compatriotas. Seus crimes eram não acreditar nos deuses da cidade-estado e corromper os jovens de Atenas. Em sua autodefesa, Sócrates negou ambas as acusações e afirmou que estava seguindo uma linha de investigação inspirada nos deus. O Oráculo de Délfos dissera a um amigo de Sócrates que nenhum homem era mais sábio do que Sócrates. Sócrates argumentou que as atividades pelas quais ele estava sendo julgado eram simplesmente suas tentativas de compreender o que o Oráculo queria dizer. Essas tentativas envolviam questionar estaditas, poetas, dramaturgos e artesãos para ver se eram mais sábios do que ele. Esses questionamentos, todavia, com frequência ocorriam na presença de espectadores: ... homens jovens, aqueles com muito tempo livre, filhos de famílias mais ricas, seguem-me por sua própria conta, deliciados ao ouvir as pessoas sendo questionadas; e eles com frequência me imitam, eles próprios tentam questionar; e, então, eu acho, eles encontram muitas pessoas que acreditam saber alguma coisa, quando na verdade pouco ou nada sabem. Assim, em consequência, aqueles que são questionados ficam zangados comigo, em vez de consigo mesmos... [...] Cerca de vinte séculos depois de Sócrates, filósofos-cientistas começaram a explorar algumas das perguntas primeiramente formuladas pelos gregos. Logo depois surgiu um debate entre dois grupos com ideias diferentes sobre a mente e as origens do conhecimento. Esse debate continua hoje entre seus descendentes intelectuais. Os racionalistas contemporâneos atribuem suas ideias ao filósofo, matemático e cientista francês René Descartes [...] Descartes argumentava que a mente é a fonte de nosso conhecimento mais certo – da nossa própria existência e da matemática. [...] As ideias de Descartes foram contestadas em várias frentes desde sua época. O contemporâneo de Descartes, o filósofo britânico Thomas Hobbes, argumentou que a mente era algo corpóreo. Ele e outros que afirmam que a mente tem uma base física no corpo são chamados de materialistas. John Locke, outro filósofo britânico, contestou a afirmação de Descartes sobre um conhecimento inato. Locke asseverou que qualquer um que observasse um jovem bebê teria poucas razões para considera-lo como armazenador de muitas ideias. Em vez de conter quaisquer ideias originais cartesianas, Locke dizia que a mente homana é originalmente vazia, uma folha em branco. [...] As ideias dos empiricistas e as ideias racionalistas obre a mente eram aparentemente incompatíveis. Os empiriscistas argumentavam que os pensamentos surgem da experiência e da informação sensorial. Em contraste, os racionalistas afirmavan que a mente tinha certos tipos de conhecimento inato, independentes da experiência e das informações sensoriais. No entanto, o filósofo alemão Immanuel Kant conseguiu conciliar essas duas visões opostas. [...] Assim como Descartes, Kant mantinha algumas noções racionalistas: a mente tem certas propriedades inatas que são independentes das experiências detectadas por nossos sentidos. Ao mesmo tempo, Kant afirmava (como todos os empiricistas) que para obter conhecimento os seres humanos dependem em parte da experiência sensorial. [...] A teoria de Darwin discordava imensamente das ideias religiosas e filosóficas prevalentes. [...] O trabalho de Darwin teve profundas implicações para o estudo da inteligência. Por exemplo, ele preparou o caminho para os estudos comparativos da inteligência humana e animal [...] afirmou que a inteligência, como outras características, era herdada. [...] Como os psicólogos empiricistas e associacionistas, os comportamentalistas enfatizavam que o meio ambiente era a chave para determinar as capacidades humanas [...] teve um impacto sobre as ideias acerca da inteligência e educação. [...] Os comportamentalistas estavam determinados a produzir leis baseadas no meio ambiente que governassem a aprendizagem e a atividade inteligente. Em contraste, planejadores e usuários de testes de orientação eugênica acreditavam que a biologia humana governava a inteligência. [...] Cientistas do século dezenove, como Donders, Helmholtz e Broca, exploraram a natureza material do corpo para esclarecer o funcionamento da mente. Esses pesquisadores descobriram relações entre os sentidos e o sistema nervoso, e também entre o cérebro e as habilidades humanas, como produção e compreensão da linguagem, para explicar os processos mentais superiores: é difícil entender as realizações da civilização humana a partir de processos sensoriais e perceptuais. Assim, Wundt também defendeu estudos de fenômenos culturais, como religião, linguagem e costumes. A toeria da evolução teve um poderoso impacto sobre o estudo da inteligência. Ela abriu caminho para os empenhos eugênicos de Galton e seu estudo da herança da inteligência através de métodos estatísticos. A ênfase evolutiva na variação também abriu caminho para o estudo das diferenças individuais de Galton, Binert e gerações posteriores de pessoas interessadas em testar a inteligência. [...]. Veja mais aqui e aqui.

O HOMEM NU – No livro O homem nu (Record, 1977), do saudoso escritor e jornalista Fernando Sabino (1923-2004), destaco a narrativa homônima a seguir: Ao acordar, disse para a mulher: — Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum. — Explique isso ao homem — ponderou a mulher. — Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.   Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago. Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão.  Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento. Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos: — Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa. Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro. Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...  Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão: — Maria, por favor! Sou eu! Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer. — Ah, isso é que não!  — fez o homem nu, sobressaltado. E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror! — Isso é que não — repetiu, furioso. Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar.  Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.  Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer?  Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu. — Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho: — Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu... A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito: — Valha-me Deus! O padeiro está nu! E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha: — Tem um homem pelado aqui na porta! Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava: — É um tarado! — Olha, que horror! — Não olha não! Já pra dentro, minha filha! Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta. — Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir. Não era: era o cobrador da televisão. [...]. Veja mais aqui e aqui.

RIO UNA – No livro Poetas de Palmares (Fundarpe/FCCHBF, 1987), organizada por Juareiz Correya, destaco o poema Rio Una, do poeta popular, cantador de coco e embolada Manuel Bentevi: À margem do rio Una / nasci em uma casinha / onde um saudoso graúna / cantava de manhãzinha. / Mamãe disse, e eu me lembro / que foi a seis de setembro / num bom tempo de estio, / que cheguei ali, estranho / e tomei o primeiro banho / na água daquele rio. / Eu com a minha mãezinha / os meus irmãos e meu pai / em uma humilde casinha / já velhinha, cai não cai. / Aí fui crescendo / de tudo fui entendendo / comecei a compreender / dia e noite, noite e dia / o rio secava e enchia / e a água sempre a correr. / O rio de lado a lado / formava grossa corrente / e eu em casa sentado / olhando a enorme enchente / pau, caiçara, baronesa / desciam na correnteza / ali pro lado do mar / tudo na cheia descia / a água toda corria / e o rio no mesmo lugar. / Meus pais morreram, eu saí / e nunca mais fui por lá / porém depois que cresci / me lembro sempre de cá. / Daquela morada antiga / daquela gente amiga / que jamais esquecerei. / Aquele tempo ditoso / aquele rio bondoso / onde um dia me banhei. / Ó rio de Una falado ; rio que o poeta adora / rio onde me banhei / naquele tempo de outrora / há pouco fui visita-lo / e pensei até encontra-lo / triste, velho e acabado / eu o achei um colosso / parece ainda mais moço / do que no tempo passado. / Eu fiquei cheio de magoa / meu peito empalideceu / tomei banho e bebi água / o rio não me reconheceu / ele perdeu a lembrança / quando eu era pequenino / eu, velho, cheio de defeito / e o rio do mesmo jeito / parece ainda ser menino / Não é por isso que eu deixo / de gabar meu rio Una / nem tampouco me queixo / do meu amado graúna / que toda manhã cantava / e eu o apreciava / naquele tempo sombrio / hoje lembro a mocidade / mas só me resta a saudade / do meu graúna e do rio. / Na margem do rio Una / não há mais minha casinha / nem o saudoso grauna / canta mais de manhãzinha. / Sem mãe, sem irmão, sem pai / da minha mente só sai / a triste recordação / jamais me banhei no Una / Jamais eu vi meu graúna / e tudo termina em não. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

O MENINO QUE VIROU HISTÓRIA – A peça teatral O menino que virou história, da dramaturga, poeta e roteirista Nanna de Castro, conta a história do encontro entre o menino Rafael e a jovem traça Zig dentro da biblioteca da escola. Rafa é um menino muito legal mas ele não gosta nem um pouquinho de ler. Por causa disto ele tem sérios problemas com a professora de português. Da obra destaco o trecho inicial: Cena 1 O cenário é todo branco. Nele são projetadas letras como se fosse uma página de um livro. Entram 5 traças marchando. Elas usam babadores e têm garfos e facas nas mãos. Estão famintas. Executam uma coreografia engraçada. As últimas traças da fila são Ploft e Zig. Zig está sempre errando a coreografia e sendo repreendida pelas demais traças. Elas cantam: Traças: - Comer, comer, os livros são bons de comer. Ler pra quê? Pra quê vou ler? É muito mais fácil, muito mais gostoso Abrir minha boca e comer. Traça 1: - Comer um romance é uma delícia Pois todo romance é bem doce Mas sempre há quem diga Que comer tragédia acaba em dor de barriga. Traça 2: - Aqui nesta biblioteca Fazemos a nossa festança Todo livro que aparece A gente põe dentro da pança Traça 3: - Você que adora leitura E está lendo um livro legal Se cuida menino, se cuida garota Que eu posso comer o final. Ploft: - Se o livro é gostoso e fininho Me escondo pra comer sozinho Se o livro é pesado e grandão Eu como aos pouquinhos e no fim dou um arrotão. Zig: - Eu peguei um livro, abri minha boca E estava pronta pra comer. Olhei as letrinhas, enfileiradinhas E me deu uma bruta vontade Me deu uma vontade enorme Me deu uma vontade gigante Me deu uma vontade de… ler. As traças param de dançar e cantar e olham horrorizadas para Zig. Elas se juntam, balançam a cabeça num sinal de desapontamento e saem de cena deixando Zig sozinha. Zig fala para a platéia. Zig: - Pois é gente... Eu sou uma traça. E este pessoal que saiu aí é... ou melhor, era a minha turma. Eu cresci junto com eles. Desde que eu era uma tracinha de chupeta, a gente brinca junto. Só que eu fui crescendo e descobrindo que eu era diferente deles... E o pior é que eles foram descobrindo que eu era diferente... E agora, ninguém quer mais brincar comigo... É que eles acham "dá hora", eles acham "mó legal", comer livro. Eu também achava... Mas um dia, eu tava olhando pra uma página e aconteceu um negócio fantástico... Mãe de Rafa grita de fora do palco. [...]. E veja mais aqui, aqui e aqui.

KIRIKU E A FEITICEIRA – O longa-metragem de animação Kiriku e a feiticeira (1998(, dirigido por Michel Ocelot, retrata uma lenda africana, em que um recém-nascido superdotado que sabe falar, andar e correr muito rápido se incumbe de salvar a sua aldeia de Karabá, uma feiticeira terrível que deu fim a todos os guerreiros da aldeia, secou a sua fonte d'água e roubou todo o ouro das mulheres. O tio dele vai até os domínios da feiticeira para exigir o fim das maldades. Kiriku corre até o tio e insiste em acompanhá-lo, mas o tio do Kiriku não permite a presença do sobrinho, ele decide usar sua astúcia e se esconde na copa de um chapéu para conseguir seguir viagem com ele. Disfarçado no chapéu, Kiriku consegue salvar o tio de uma morte certa. Porém, quando a feiticeira percebe que foi enganada, exige todo o ouro das mulheres da aldeia. Kiriku mais uma vez vai até os domínios da feiticeira, agora desejando conversar com ela e saber porque ela é tão má. A bruxa tenta matá-lo por tal impertinência, ao que ele foge, mas ainda não se convence. Continua nesse intento até descobrir porque a bruxa é má. Um dia, Kiriku arma um plano com a ajuda da mãe, para visitar o sábio da montanha, para saber mais sobre sobre Karabá. Ocorre, contudo, que para chegar à montanha, seria preciso passar pela residência de Karabá, quando ela não deixava ninguém se aproximar de sua casa, e restringia o acesso à montanha, temendo que o seu segredo pudesse ser revelado pelo sábio. Usando de artimanhas e após diversas peripécias, Kiriku consegue chegar até a montanha e ter conhecimento com o sábio, dos segredos de Karabá. Ela dizia que devorava os homens, mas na verdade transformava todas as vítimas em escravos mágicos de forma robótica para obedecer as suas ordens. Kiriku aprende também que os poderes de bruxa dela advêm de um espinho envenenado que se encontra enfiado em sua coluna vertebral. No regresso a casa, Kiriku determina-se a arrancar o espinho das costas de Karabá e enfim consegue o feito, libertando-a da maldição e quebrando os feitiços que ela fizera. Ao final do filme Kiriku casa-se com Karabá e vira homem adulto e ele Karabá vivem felizes para sempre. E veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Grupo de Pesquisa Carl Gustav Jung. Veja detalhes aqui.

Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21 hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!!
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quinta-feira, março 20, 2008

POUND, TABUCHI, EICHENDORFF, MARCOS BAGNO, HOWARD GARDNER, MILO MOIRÉ, METAFÍSICA, SEXUALIDADE & EDUCAÇÃO, EROTISMO & BIRITOALDO

 A arte conceitual da artista suíça Milo Moiré. Veja mais aqui.

PROEZAS DO BIRITOALDO - XIV - Quando o Urubu Tá Numa de Caipora, Não Há Pau Que Escore: o de Debaixo Caga no de Cima. Munga passava as horas no seu idílio despetalando rosas: bem-me-quer, mal-me-quer. Usava de todo tipo de simpatias para tirar olho gordo, mau-olhado, macumba, quebranto qualquer de cima do seu amor, rezando para as estrelas: "estrelinha, estrelinha, que estás no céu a brilhar, se Birito pensa em mim, porta bate, cachorro late e homem assobia". Ôxe, era um teibei de porta, um ganido solto e nego como a gota fiu-fiu pela redondeza. - A porta bateu, ele gosta de mim; o cachorro latiu, ele me ama; o homem assobiou, ele me adora. Eita! Mais porta batendo, mais cachorro latindo, mais homem assobiando, eita! Ele é louco por mim! E era. O seu príncipe encantado num seria uma daquelas belezuras de capa de revista, mas dava pro gasto. Ela assanhada e doida pra xambregar com ele, subindo pelas paredes, esperando a hora de ser possuída enquanto fabricava fantasias mil. Como prova do seu amor inconteste, num tinha simpatia que ela não fizesse: pegava um pedaço de papel em branco, escrevia nele o nome completo do Birito repetidamente e o dela por cima fazendo uma cruz sobre o dele, até preencher toda página. Depois dobrava até ficar um pedacinho bem miudinho e jogando dentro da boca de um sapo-cururu-velho que ela possuía por estimação. Enquanto fazia isso, se ajoelhava sobre uma porção de milho cru e danava-se a rezar pro Santo Antônio, avidamente em súplicas casamenteiras de dar dó só de vê-la ali agoniada. Quando findava a tarefa, voltava-se pro criatório de aranha que ela mantinha num canto secreto do seu quarto. Para ela aranha dava felicidade e, por isso, colecionava todo tipo da artrópode aracnídea, desde da viúva-negra, armadeiras, até caranguejeira. Ela pegava um punhado delas, levantava a saia, e colocava sobre sua chiranha por onde remexiam horas e horas, lá nela. - Aranha, aranhinha, aranhola, traga uma rolinha bem grandinha para a minha charanhola! Durante os festejos juninos, Munga mandava fazer uma fogueira enorme e ao lado dela colocava uma bacia cheia d'água e, de posse de uma vela acesa, pingava no recipiente e ficava atenta para ver a letra que dava. Era um "b", de Birito. Ela endoidava: - É ele, é ele o meu príncipe encantado! Meu cavalo fodedor! Venha meu corcel dos sonhos, sua eguinha espera fogosa. Birito realmente apareceu na sua vida depois que ela fez uma simpatia pesada, indo para a igreja bem cedinho e rezando cinqüenta vezes o rosário em intenção de Nossa Senhora, com medo de ficar vitalina, pedindo pra ela botar no caminho dela um homem bonito, lindo, gostoso, maravilhoso! Pois bem, num foi bem o que ela pediu, mas serviu como quebra-galho no seu aperto. Só que o rapaz não dava lá o ar de sua graça. Birito levava aperto mais que parafuso entarraxado. Era encarcado mais que laranja espremida. O Ernestinildo num largava do seu pé, ali, quando menos esperava, dando susto do cara se desmantelar todo. Num havia jeito do cabra sentar o juízo numa coisa, tava cheio de idéias, do emprego, de Munga, em ganhar dinheiro, em ficar rico, em conseguir seu intento, de ser molestado por não cumprir a meta, não atender as exigências do bicho chato, eita, gota! O apaideguado tava mais doido que cego em tiroteio. Tava à toa, sem saber por findar nem começar nada. Tome isso, cadê aquilo, dê-me isso, agora, já, se dane prá caixa-pregos, vá num pé e volte no outro, solte o freio-de-mão, largue a primeira, deixe de ser ronceiro, lasque-se na casa dum caralho-de-asa, fio-da-peste! empene-se acocorado num balaio cheio de rola dura, seboso! Arriba! Bora, se avie! Arreda, corno! Bote jeito, cabra! Se assunte, nego deslavado! Olhe a responsa, moço! O danado, com isso, endoidava, perdia o fio de prumo. E do canto num saía, estatelado. Tinha vontade de correr mas não sabia prá onde, enrolava-se todo, mais cheio de pernas que minhoca atolada. Era mesmo uma marcação cerrada. Quando não era Ernestinildo, era aquela assombração: - tô aqui, viu? -, isso deixava o macorongo endoidado de comer merda e rasgar dinheiro. O abestalhado sacudia pedra ao léu, dava chute no vento, mãozada nos ares, cabeçada na parede, mordia o chão, sapecava doidice de quem tava com o-não-sei-quê no couro. Até levar uns tabefes de perder o pau da venta, mode se acalmar. Findava estendido no chão como roto desmiolado. Já andava todo atarantado, num dizendo mais coisa com coisa. Se dizia perseguido por uma coisa ruim. Era a maior saia justa todo dia o dia todo. - Arre! Assim, eu endoideço!! Aquela situação mais enervava, do cabra andar azuretado com as pupilas dilatadas, os batimentos cardíacos estimulados e provocando uma alta de pressão arterial em seu organismo; a respiração ficava alterada e ofegante, e os brônquios se dilatando; frieza nas mãos e nos pés; tensão nos músculos de ficar entrevado, inibição da digestão de ficar biqueiro parecendo mais com o bicho cheio como a gota, inibição da saliva tornando a boca seca, sensação de desgaste brabo provocando cansaço extremo e lapsos de memória de se esquecer de dormir e ficar acordado dias seguidos; supressão de várias funções corporais relacionadas com o comportamento sexual reprodutor e com o crescimento, como queda na produção de espermatozóides da gala ficar rala e nego num gozar direito por causa da redução de testosterona; supressão total da puberdade, diminuição do apetite sexual de chamá-lo molenga caiador, pau-mole, ferro-frio, veado maloqueiro; doía-lhe a impotência, o desequilíbrio e a exaustão, chegando ao esgotamento físico acompanhado de dores vagas, taquicardia, alergias, psoríase, caspa e seborréia; hipertensão, diabete, herpes, graves infecções, problemas respiratórios, asma, rinite, tuberculose pulmonar, intoxicações, distúrbios gastrointestinais como úlcera, gastrite, diarréia, náuseas, alteração de peso, depressão, ansiedade, fobias, hiperatividade, hipervigilância, alterações do sono com insônia, de quando pregar as pestanas acordar-se com pesadelos violentos ou com o décimo segundo sono em excesso, sintomas cognitivos como dificuldade de aprendizagem, lapsos de memória, dificuldades múltiplas. Eita, pau! Isso é lá gente, meu? O cabra era uma caipora mesmo, coisa ruim num vinha só de jeito maneira, era encarreada de deixar o sem-vergonha estendido na cama por dias. Dias depois parecia que estava bem, mas novos estímulos como reações emocionais, mudanças de comportamento com distúrbios da concentração e do raciocínio, alterações fisiológicas psicossomáticas, agitação e apatia. - Gente, tô com o juízo afetado! -, gritava ele. - É a gaia, meu filho, é a gaia, a bicha afeta o juízo de deixar o cristão doidinho da silva! A agitação acompanhada de uma certa irritação e eventualmente maior cinismo. Parece preocupar-se demais e por pequenos motivos ficava nervoso, explodia com facilidade, sua paciência ia a zero. Uma ansiedade na expectativa de que algo ruim ia acontecer, freqüente e afetando o sono do desgraçado. Começava a se sentir incapaz, um inútil na vida. A tristeza passou a ser dominante no seu humor, podendo ocorrer vários episódios de choro por um motivo pequeno, ou mesmo sem motivo algum, com fracassos de desempenho que geravam mais ansiedade e depressão. O cansaço parecia vir com mais facilidade. Procurava não falar com as pessoas, mesmo porque parece que não tinha o que falar. Sentia-se cada vez mais desiludido. Na maioria das vezes havia uma mistura da agitação e da apatia, quando o estado de espírito costumava ficar parecendo um ioiô, ora com euforia e um excesso de energia, ora com tristeza e melancolia. Era uma lentificação dos movimentos, a coordenação motora ficando comprometida com pequenos acidentes, como tropeçar na escada ou derrubar objetos, se avolumavam em cada queda de envergar o espinhaço dele. Doutra ficava mais acelerado, falando abruptamente e num tom mais alto, com movimentos globais mais rápidos. Agia às vezes como uma barata tonta, ocupando-se o dia inteiro mas sem conseguir terminar nenhuma tarefa. Ficava confuso, a lógica parecia desaparecer, adiando decisões. Foi aí que apareceram irritações de pele, com eczemas, psoríase, urticária, acne; nos músculos, contração crônica, cefaléia tensional; arteriosclerose, de quase ter um infarto; surgiu ainda asma bronquica, dispnéia ansiosa; gastrite, úlcera, diarréia, constipação. Isso é gente ou um ninho de enfermidades, doido? O indivíduo passava a depreciar o trabalho e senti-lo como um peso. Tava numa situação vasqueira sem saber o que fazer de ficar, muitas vezes barifônico, sem poder, ao menos, articular as palavras, concatenar as idéias. Virgem! O cabra resolveu então fugar da pressão e sai às tontas. Na boquinha da noite, o maior pé-d'água caindo torrencialmente, quando viu Munga rebolando na calçada. Os seus olhos quase pulam fora! De tão doido que ficou deu uma entrada na traseira do carro da frente de quase botar o automóvel sinistrado pelo avesso. Foi o maior bafafá. Bateu por causa da bunda de Munga. Eita, porra! Depois de calorosa discussão, Munga consegue retirá-lo da bronca, conseguindo ele, no meio da maior tremedeira, acionar o carro e saindo perdido guiando feito um condenado que foge de bronca e da polícia. Consegue, depois, estacionar o veículo em um terreno baldio nos arredores da cidade, escurinho, lugar propício para molhar o biscoito, longe dos olhares curiosos dos atrapalha-foda! Munga mais manhosa que nunca começou se esfregando no sujeito que agora estava mais calmo, num conseguindo tirar os olhos do decote, da cauda volumosa e da cara sem-vergonha dela. Desceram do carro e ficaram sarrando em cima do capô. Era um agarrado todo cheio de vexame, a ponto de incendiar a alma dos dois. O xambrego tava a ponto de um atravessar o outro e sair do outro lado. Tavam travados de num ter quem desengatasse os dois. Foi aí que um sujeito mau encarado, todo trombudo, do beiço virado, musculoso mais parecendo um Hulk preto, todo cheio da gíria, largou uma mãozada nos maluvidos do Birito dele cair estendido no chão, deixando a Munga toda descabelada na hora do bem-bom quando já ia enfiar o seu pingulim no engole-rola dela. - Tô aqui, viu? -, disse o negão. Birito quase teve um troço e ficou rodopiando feito cachorro querendo pegar o próprio rabo. O negão gritou prá ele ficar quieto senão fodia-lhe a alma. O bicho ruim retirou dos bolsos uns fios e amarrou Birito abraçado numa árvore, deixando-o lá. Rumou para Munga que ainda revirava os olhos, puxou-lhe pelos cabelos e, enquanto abria a braguilha, enfiou a cara dela na sua manjuba. - Chupa direito aí, porra! Se morder, vai apanhar até fofar! Enquanto ela lambia seu membro ele dava-lhe puxavanques de quase deixá-la careca e obrigando-lhe a engolir aquele avantajado rolão, rasgando-lhe os lábios e a boca, empurrando-lhe até se enganchar na garganta a ponto de sufocar-lhe violentamente, rasgando ainda mais as bordas de sua boquinha. O bruto cada vez mais se infincava empurrando e tirando o cacete com força. - Lambe, porra! Chupa direito esse caralho que lhe fodo a alma, puta! E ela lambia de se babar lambuzando com seu sobejo aquela avantajada mangueira, já se acostumando com o seu sabor de deixar-lhe fuviando em baixo, toda minando, doida para ser fodida por aquele caralhudo, mais querendo engulir enquanto era invadida a sua boca em toda a sua totalidade, até que o cara esporrou-lhe abundantemente dela ficar sugando as mínimas gotas expelidas e de ficar lambendo a glande demoradamente até nada mais restar da esporrada. O cara grunhia com isso, batia-lhe na cara enquanto ela insistia em deixar a língua rodopiando o chapéu-de-vaqueiro, o reguinho do pênis, enfraquecendo as forças do brutamontes que urrava de prazer, doido, apertado. O mastodonte depois empurrou-lhe para dentro do carro e foi restaurar as energias perdidas e a respiração que ofegava até depois de algum tempo se equilibrar e ficar olhando para ela, jogada, arreganhada, deitada no assento do carro. - Eu ainda vou lhe comer, s'a porra! Fique quieta que vou enfiar na sua cheba e no seu papeiro, puta safada. Birito tudo olhava e ficava amedrontado com aquela situação. Havia berrado demais enquanto o cara esporrava na boca da sua namorada. - Você gosta de berrar, né cabrito viado? Você vai berrar agora que eu quero, seu corno de uma gaia mole! O ajegado se dirigiu a ele, arrancou-lhe a calça, deixou-lhe a bunda à mostra, o cara cuspiu na mão, passou no cu dele e enfiou-lhe sem dó nem pena aquele cacete gigante, arrancando-lhe as pregas todas, do bicho gemer de dor até umashoras. - Num me cague não, seu fresco safado!
E tome peiada no oiti-goroba do cabra num aguentar de dor e desmaiar. - Esse é o veado mais fresco que eu já comi. Num aguentou nem a cabeça e foi logo desmaiando, arre, veado safado! Largou Birito e foi em direção da Munga. Agarrou-lhe pelos cabelos, arrastou-a até o capô do carro, deitou-la de bruços, botou-lhe a saia pela cabeça, arrancou-lhe com força a calcinha, cuspiu de novo na mão, esfregou o cuspe no ânus dela e enfiou-lhe a tromba com força. Ela deu uma impada, sentiu se rasgando toda, até que depois do sacrifício começou a ter prazer. - Tá gostando, né puta safada? E se remexia mais, se ajeitando para facilitar o cara enfiar mais aquela mangueira toda no seu cuzinho. Ele enfiava com raiva, ela gostando. Enquanto ele urrava, ela gemia. Sabia ela que se partiria em bandas, que o bruto ia lhe rasgar toda, arrebentando suas entranhas, dilatando sua intimidade, a rola se enfiava no cu e tava já saindo pela garganta de ajegada que era, ela sentia atravessada toda, entalada, arrebentada, a ponto de lhe tapar a respiração. O gozo foi tão repuxado que ela não agüentou a agonia do orgasmo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.  

PENSAMENTO DO DIA – Há uma canção adormecida em todas as coisas que sonham infinitamente e o mundo começará a cantar se encontrares a palavra chave. Pensamento do poeta, romancista, dramaturgo, crítico literário, tradutor e antologista prussiano Joseph Freiherr von Eichendorff (1788-1857).

DEZ CISÕES PARA UM ENSINO DE LÍNGUAConscientizar-se de que todo falante nativo de uma língua é um usuário competente dessa língua, por isso ele sabe essa língua. Entre os 3 e 4 anos de idade, uma criança já domina integralmente a gramática de sua língua. Sendo assim, aceitar a ideia de que não existe erro em português. Existem diferenças de uso ou alternativas de uso em relação à regra proposta pela gramática normativa. [...]. Trecho extraído da obra Preconceito linguístico: o que é, como se faz (Loyola, 1999), do professor doutor em língua portuguesa pela USP, Marcos Bagno.

TRISTANO MORRE – [...] A vida não está em ordem alfabético como há quem julgue. [...] são migalhas, o problema depois é juntá-las, é esse montinho de areia, e este grão que grão sustém? Por vezes aquele [...] é precisamente esse que mantém unidos todos os outros, porque esse montinho não obedece às leis da física [...]. Trecho extraído da obra Tristano morre (Rocco, ), do escritor, ensaísta e professor italiano Antonio Tabuchi.

EZRA POUND – Importantes obras literárias e para quem milita na área, Os cantos, a Poesia, o ABC da Literatura e A arte da poesia, todos do poeta, músico e critico literário estadunidense, Ezra Weston Loomis Pound (1885-1972), são um dos volumes que mais aprecio e estudo. OS CANTOS DE POUND – O volume reúne os 120 cantos de Pound em suas 837 páginas, com uma introdução crítica de José Lino Grünewald, entre os quais, destacamos o CXX: “Tentei escrever o PARAÍSO / não se mova / deixe falar o vento / esse é o paraíso. / Deixe os Deuses perdoarem / o que eu fiz / deixe aqueles que eu amo tentarem perdoar / o que eu fiz”. ABC DA LITERATURA – A obra ABC da literatura, de Pound, aborda questões como condições de laboratório, o método ideogrâmico, o que é literatura, qual a utilidade da linguagem, compasso, sextante ou balisas, base, liberdade, século XIX, estudo, percepção, o instrutor, gostos, documentos, estilo de época, tabela de datas, Whitiman, Homero, Safo, Confúcio, Li T´ai Po, Catulo, Ovídio, O Navegante, Guillaume de Poictiers, Bertran de Born, Bernard de Ventador, Arnaut Daniel, Guido Cavalcanti, Dante Alighieri, François Villon, William Shakespeare, John Donne, Mark Alexander Boyd, Robert Herrick, Lord Rochester, Walter Savage Landor, Robert Browning, Edward Fitzgerald, Tristan Corbiére, Arthur Rimbaud e Jules Laforgue. A ARTE DA POESIA – O livro A arte da Poesia trata de temas como linguagem, ritmo e rima, credo, verso livre, só a emoção perdura, por um método, relatividades defectivas, por que livros, prosa, emoção e poesia, a parábola do cavalo e da água, missão do professor, linha de demarcação, J´y Tiens, trovadores, tipos e condições, ironia, Laforgue, sátira, o duro e o suave na poesia francesa, Ulisses, Camões e Montcorbier aliás Villon, entre outros assuntos. A POESIA DE POUND – O livro Poesia, de Pound, com introdução, organização e notas de Augusto de Campos, traduções de Décio Pignatari, Augusto de Campos, Haroldo de Campos, José Lino Grünewald e Mário Faustino, reúne Personae de Ezra Pound (1908-1910), Ripostes (1912), Cathay (1915), Lustra (1916), De homenagem a Sextus Propertius (1917), Hugh Selwyn Mauberley – vida e contatos (1920), Mauberley (1920), da Antologia clássica definida por Confúcio (1954), os Cantares (1916-1956), dos últimos cantos e fragmentos (1962), memorabília com as cartas de Pound ao grupo Noigrandres (1952-1959), Visita e revisitação 91959-1976) e uma síntese biobibliográfica. Veja mais aqui.
REFERÊNCIAS
POUND, Ezra. Os cantos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
______. ABC da literatura. São Paulo: Cultrix, 1977.
______. A arte da poesia. São Paulo: Cultrix, 1976.
______. Poesia. São Paulo/Brasília: Hucitec/UnB, 1983.

METAFÍSICA – A obra Metafísica, de Richard Taylor, trata de temas como pessoas e corpos, materialismo, o significado de identidade, dualismo platônico, uma pletora de teorias, interacionismo, a localização da interação, a mente como função do corpo, epifenomenalismo, a alegada superfluidade do pensamento, a origem das teorias dualistas, a alma, a intimidade dos estados psicológicos, liberdade e determinismo, comportamento humano, moral, deliberação, necessidade causal versus necessidade lógica, liberdade, determinismo moderado, a refutação, indeterminismo simples, a teoria de agência, destino, fatalismo e determinismo, pressuposições, considerações de tempo, causalidade, aptidão, a lei do terceiro excluído, eficácia temporal, a afirmação do fatalismo, tempo e devir, relações espaciais e temporais, transito temporal e devir, a tentativa do expurgo puro do devir, Deus, o principio e razão suficiente, a existência de um mundo, existência sem começo, criação, autocausado, ser necessário, acaso e evidencia, sensação e evidencia, entre outros assuntos. FONTE: TAYLOR, Richard. Metafísica. Rio de Janeiro: Zahar, 1969. Veja mais aqui.

GÊNERO, SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO – A obra Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista, de Guacira Lopes Louro, aborda temas como a emergência do gênero, sexo e sexualidade, a mulher, desconstruindo e pluralizando os gêneros, sexualidade e poder, diferenças e desigualdades, a construção escolar da diferença, a escolarização dos corpos e das mentes, a fabricação das diferenças, sexismo e homofobia, prática educativa, o gênero da docência, o magistério, pratica educativa feminista, pedagogias feministas, prática educativa não sexista, educação sexual, uma epistemologia feminista, desafios e subversões, tensões e alianças, entre outros importantes assuntos. FONTE: LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis: Vozes, 1997.

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS PERSPECTIVAS – A obra Inteligência: múltiplas perspectivas, de Howard Gardner, Mindy L. Hornhaber e Warren H. Wake, trata das perspectivas históricas e culturais sobre as dimensões e concepções de inteligência, escolarização, exames escritos, seleção de liderança, questões metodológicas, origens da perspectiva científica, psicologia científica, herdabilidade da inteligência, diferenças individuais, o estudo da inteligência, perspectiva psicométrica, a ideia da inteligência geral, os pluralistas, a construção dos testes de inteligência, Jean Piaget, os estágios de desenvolvimento, o computador, perspectivas biológicas, o cérebro, a genética, visão desenvolvimentista, perspectiva cognitiva, a inteligência humana e a criação de máquinas inteligentes, concepções da inteligência humana, evolução das escolas, a escola e a inteligência, a moderna escola secular, o desenvolvimento de habilidades relacionadas ao trabalho, organizações de trabalho, racionalização, testagem da inteligência e seleção profissional, inteligência no emprego, entre outros importantes assuntos. Fonte: GARDNER, Howard; HORNHABER, Mindy; WAKE, Warren. Inteligência: múltiplas perspectivas. Porto Alegre: Artmed, 1998. Veja mais aqui.

TRATAMENTO CLÍNICO DAS INADEQUAÇÕES SEXUAIS – O livro Tratamento clínico das inadequações sexuais, de Ricardo Cavalcanti e Mabel Cavalcanti, trata de temas os critérios de sexo, as escolas psicoterápicas, delineando um posicionamento teórico, fases biológicas da resposta sexual humana, anatomia dos órgãos genitais, fisiologia da resposta sexual humana, princípios comportamentais, procedimentos terapêuticos, proposta de estrutura terapêutica, disfunções sexuais, ética terapêutica sexual, entre outros assuntos. Fonte: CAVALCANTI, Ricardo; CAVALCANTI, Mabel.  São Paulo: Roca, 1996.

EROTISMO, SEXUALIDADE, CASAMENTO E INFIDELIDADE – O livro Erotismo, sexualidade, casamento e infidelidade: sexualidade conjugal e prevenção do HIV e da AIDS, de Ana Maria Fonseca Zampieri, aborda temas como a dança dos hormônios na sexualidade conjugal, gênero, erotismo e sexualidade na vida conjugal, a infidelidade conjugal no casamento ocidental, HIV e AIDS no casamento brasileiro, entre outros importantes temas. Fonte: ZAMPIERI, Ana Mª. Erotismo, sexualidade, casamento e infidelidade: sexualidade conjugal e prevenção do HIV e da AIDS. São Paulo: Ágora, 2004.

A arte conceitual da artista suíça Milo Moiré. Veja mais aqui.




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