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sábado, dezembro 30, 2017

FRANÇOIS DE MALHERBE, JAMESON, LOWEN, RENATA DOMAGALSKA, SÉRGIO VAZ, ADMMAURO GOMMES & REVELLON TATARITARITATÁ!


AMANHECER

Longe vai quase inaudito canto
Restou ausente o que se foi
O mundo aos ombros, tudo é presente
E, no entanto, abolidas certezas e precisão
Enterram o que ontem em mim se fez
Mas não desfez as unhas que cavei a terra

E se assemelha a voz à lua
E se resume a rua vaga
E se espelha quem não continua
Afeto impune que não se afaga

O peso da solidão, intrusa veemente da noite
Somente o meu exílio, comparsa da desolação
Celebro a vida e renasço quando muito
Sou a cidade alvoroçada aos meus pés
Tudo é fortuito e quase, quando ao invés
O dia nasce e é talismã às minhas mãos.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá apresenta o Revellon de Ano Novo com Marlos Nobre, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, SporkFrevo Orquestra, Yes, Elba Ramalho, Gênesis, Lenine, Beto Guedes, Milton Nascimento & muito mais. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Em sua imaginação ou na realidade, o individuo moderno parece necessitar de uma sensação de poder para superar um desespero interior decorrente da experiência de ser importante como uma criança e impotente como um adulto. Mas é uma ilusão acreditar que o poder é capaz de resolver os complexos problemas humanos. A irrealidade do mundo moderno é sua fé no poder. [...] Com sufiente poder, ele pode controlar seu destino e determinar sua própria sorte. [...] Reconhecemos que o nosso conhecimento, o nosso saber, é sempre incompleto, que o nosso poder será sempre insuficiente para afetar o nosso destino, que somos mortais. Permite-nos dizer: “não sei”. E permite-nos a empatia para com outros, pois adminitimos as características que nos são comuns como seres humanos. Reconhecendo e aceitando os nossos limites, tornamo-nos verdadeiras pessoas, não narcisistas. [...]. Trechos extraídos da obra Narcisismo: negação do verdadeiro self (Cultrix, 1983), psicanalista e psiquiatra M. D., Alexander Lowen (1910-2008). Veja mais aqui.

CULTURA PÓS-MODERNA - [...] na cultura pós-moderna, a própria ‘cultura’ se tornou um produto, o mercado tornou-se seu próprio substituto, um produto exatamente igual a qualquer um dos itens que o constituem. [...] O pós-modernismo é o consumo da própria produção de mercadorias como processo [...] Os pós-modernismos têm revelado um enorme fascínio justamente por essa paisagem degradada do brega e do ‘kitsch’, dos seriados de TV e da cultura do Reader’s Digest, dos anúncios e dos motéis, dos lateshowse dos filmes B hollywoodianos, da assim chamada paraliteratura [...] entender o pós-modernismo não como um estilo, mas como uma dominante cultural: uma concepção que dá margem à presença e à coexistência de uma série de características que, apesar de subordinadas umas às outras, são bem diferentes [...] A produção estética hoje está integrada à produção das mercadorias em geral: a urgência desvairada da economia em produzir novas séries de produtos que cada vez mais pareçam novidades (de roupas a aviões), com um ritmo de turnover cada vez maior, atribui uma posição e uma função estrutural cada vez mais essenciais à inovação estética e ao experimentalismo [...] a obra de arte [...] é agora um saco de gatos ou um quarto de despejo de subsistemas desconexos, matérias primas aleatórias e impulsos de todo tipo [...]. Trechos extraídos da obra Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio (Ática, 2002), do crítico literário e teórico estadunidense Fredric Jameson. Veja mais aqui.

FOLHA DA AMARGURA -  Poeta é preso em flagrante sorriso: Neste sábado pela manhã, a tropa de elite do mau humor, fortemente armada, conseguiu prender o poeta Augusto, 44, que estava sorrindo, sem autorização, deliberadamente em mais uma manhã terrivelmente ensolarada. Acusado de Idiota, o poeta foi enquadrado na lei nº777, denominada "Tristeza não tem fim" e imediatamente levado ao Departamento das caras amarradas, no Centro das Mágoas, em São Paulo. O Poeta Augusto tinha acabado de acordar e saiu para uma pequena caminhada, cheio de alegria, conforme testemunhas, e começou a sorrir para todos que estavam em sentido contrário, literalmente, Foi aí que foi abordado por uma viatura que fazia ronda no local. Antes de fugir trocou olhares sem maldades com a tropa do mau humor e saiu em disparada pela Rua Esperança. Depois da perseguição com troca de insultos, não por parte do poeta, ele foi preso em flagrante, ainda com duas ou três risadas que iria usar mais tarde. Ao ser interrogado Augusto não entregou quem lhe havia fornecido a alegria, e ainda revelou, de forma risonha e irônica, que ele era o dono da boca. O mau humor confirmou sua prisão temporária por 30 dias, e que no final da tarde o poeta será transferido para o presídio de solidão máxima, enquanto aguarda o julgamento. O Secretário Geral das mesquinharias, Coronel José Bicudo Guerra, 98, informou em entrevista coletiva que o governo vai investir pesado na luta contra o bom humor, e que dentro de dois ou três anos vai erradicar a alegria do país. Da redação: vira-lata das ruas. Extraído da obra Literatura, pão e poesia (Global, 2011), do poeta Sérgio Vaz.

ESTÂNCIASTua dor, Du Périer, será acaso eterna, / e a tortura e a aflição / que te incute na mente a amizade paterna / sempre aumentá-la-ão? ] A desgraça da filha, ao túmulo descida / por um transe comum, / é alguém Dédalo ao qual tua razão perdida / não ache fim algum? / E sei de que fulgor lhe estava a infância plena / e não ouso tentar, / infortunado amigo, aliviar-te a pena / com só a desdenhar. / Mas... pertencia ao mundo, onde as mais belas coisas / têm vida curta e vã; / e, rosa, ela viveu o que vivem as rosas:/ uma breve amanhã. / Suponhamos porém que, ouvidos teus lamentos, / lograsse ela alcançar / longa vida e adiar seus últimos momentos, / que iria ela lucrar? / Teria, pensas tu, mais ditosa acolhida / na celeste mansão, / ou veria abrandado o pesar da partida / e os vermes do caixão? / Não, não, meu Du Périer, porquanto assim que a Parca / alma e corpo separa, / desaprece a idade antes de entrar na barca / e toda o tempo para. / Não te canses portanto em inúteis lamentos, / recupera a razão. / Devota-lhe o melhor dos teus bons pensamentos, / põe de lado a aflição. / É um costume bem justo, eu sei, em meio à agrura / o aflito coração / nas lágrimas buscar, para a sua amargura, / paz e consolação. / Mesmo quando separa a sepultura os seres / que natura ajuntou. / Um bárbaro será quem falte a tais deveres / ou um monstro o gerou. / Mas, não buscar consolo e dentro da memória / seu desgosto encerrar, / não é odiar-se a si para alcançar a gloria / de a outrem amar? / A mim já me atingiu esse flagelo / duas vezes fatais, / e duas vezes pude à razão submetê-lo / sem me abater jamais. / Não que não sinta, eu, que o túmulo possua / o que caro me foi; / mas acidente tal, que a ninguém excetua, / justo é que não ecoe. ; Mais que outra condição, tem a morte rigores / que não há conjurar; / a cruel tapa o ouvido aos nossos vãos clamores / e nos deixa gritar. / O pobre em seu casebre, onde cobrem esteiras, / sujeita-se-lhe às leis; e a guarda do que Louvre assegura as porteiras / não salva os nossos reis. / Murmurar contra ela e esgotar a paciência / erro é, que não se impõe; / querer o que Deus quer, eis a única ciência / que em repouso nos põe. Poema do poeta francês François de Malherbe (1555-1628), conhecido como “pai da luxúria”. Veja mais aqui.

A POESIA DE ADMMAURO GOMMES
A poesia do poeta e professor Admmauro Gommes é autor de diversas obras poéticas e organizador de obras reunindo estudos literários e sociolingüísticos, além de participar de antologias poéticas. Atua como professor de Teoria Literária e Literatura Brasileira na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul (FAMASUL), é especialista em Língua Portuguesa pela FAFIMA (Maceió) e já ocupou o cargo de Secretário de Educação em diversos municípios. Veja a poesia do autor aqui, aqui & aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora polonesa Renata Domagalska.
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sexta-feira, agosto 22, 2008

JOÃO UBALDO RIBEIRO, JAMESON, GOYA, MAITE ZUBIAURRE, REKOUANE KAMEL, LITERÓTICA, HORÁRIO ELEITORAL & ZÉ BILOLA


 
Art by Rekouane Kamel


CAMPANHA DO ZÉ BILOLA - Zé Bilola tava inheto! Deu uma comichão na idéia, a ponto da fabricação da bosta deixá-lo com a biziga da língua coçando para desarnar na campanha. Pois é, quando a munganga se acende é pantim como a peste. Segura o trupé. Vambora. A periclitância tirou o amuo do bocó, dele inventar de meter as catanas num comício relâmpago. Ôxe, ele subiu no tamborete com a empolgação dos desarnados e na primeira cuspida do verbo foi bastante para ele fazer a primeira merda: errou o nome da comunidade, comendo uma por outra. Maior opróbrio. De começo, zunzunzum. Depois, deixaram correr. E o povo só se ria, levando nas coxas. Foi aí que ele deu de precavido, se espremendo para futucar a profundidade da sabença para de lá tirar algo de serventia que impressionasse a mundiça. E caprichou nos plurais, neologismos e onomatopéias. Tome blá blá blá. Ninguém entendia nada nem havia quem tivesse a astúcia de desvendar aquele aranzel estropiado. Eita! Era. E cada vez mais o cara se espremendo exaltado deixando o povaréu zarolho de queixo-caído e com a maior cara de tacho. É. E quanto mais o ocridio se espremia gesticulando doido no ar, mais o quengo dele queimava os chifres e fedia à bosta. Eram as catracas do juízo abilolado se lascando na remoeta das idéias de só ficar o fedor de borborigmo no ar. E tome nhenhenhém. Até que no auge do desespero do seu imbróglio estapafúrdio, eis que um no meio do desaviso um arrepiado PUM! intercala entre um arroto e o dialeto agoniado dele. Isso com o impulso de quase soltar fora a perereca com o impacto. Ah, foi um mijadeiro de risadagem. Ninguém se agüentou. Até o mais tinhoso abriu da vela, hihihihi. Ah, foi aí que ele se arretou: - Vocês sã uns bocado de malinducados qui num arrespeitam nem o nervosismo do candidato torando um aço da porra para alinhar as idéia direito, ora! Vão tudo para porra! Abufelado, fez cena de que num tava entendendo nada, arriou a venta injuriada na cacunda e zarpou com o rabinho entre as pernas. Eita, Zé Bilola azoado da gota! Veja mais aqui


DITOS & DESDITOSO sono da razão gera monstros, pensamento do pintor e gravador espanhol Francisco de Goya (1746-1828). Veja mais aqui e aqui.

PÓS-MODERNIDADE – [...] Assim, na cultura pós-moderna, a própria ‘cultura’ se tornou um produto, o mercado tornou-se seu próprio substituto, um produto exatamente igual a qualquer um dos itens que o constituem: o modernismo era, ainda que minimamente e de forma tendencial, uma crítica à mercadoria e um esforço de forçá-la a se auto-transcender. O pós-modernismo é o consumo da própria produção de mercadorias como processo [...] a cultura do simulacro entrou em circulação em uma sociedade em que o valor da troca se generalizou a tal ponto que mesmo a lembrança do valor de uso se apagou, uma sociedade em que, segundo observou Guy Debord, em uma frase memorável, ‘a imagem se tornou a forma final da reificação’ (A sociedade do espetáculo) [...] uma prodigiosa expansão da cultura por todo o domínio do social, até o ponto em que tudo em nossa vida social – do valor econômico e do poder do Estado às práticas e à própria estrutura da psique – pode ser considerado como cultural, em um sentido original que não foi, até agora teorizado [...] talvez possa ser interessante explorar a possibilidade de ter sempre sido assim ao longo de toda a história humana, e mesmo durante os modos de produção pré-capitalistas mais antigos, radicalmente diferentes [...]. Trechos extraídos da obra Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio (Ática, 1996), do crítico literário e teórico estadunidense Fredric Jameson. Veja mais aqui.

A CASA DOS BUDAS DITOSOS[...] Então veio o estupro, um inegável estupro. [...] e pareceu que um redemoinho me pegou, meus olhos só viam em frente, meus ouvidos zumbiam, e eu falei, levantabdo a saia e baixando a caço: - Chupe aqui. [...] Falei com energia e puxei a cabeça dele para baixo pela carapinha e empurrei a cara dele para dentro de minhas pernas, a ponto de ele ter tido dificuldade em respirar. [...] Imediatamente, já possessa e numa ânsia que me fazia fibrilar o corpo todo, resolvi que tinha que montar na cara dele, cavalgar mesmo, cavalgar, cavalgar e aí gozei mais não sei quantas vezes, na boca, no nariz, nos olhos, na língua, na cabeça, gozei nele todo e então desci e chupei ele, engolindo tanto daquela viga tesa quanto podia engolir, depois sentindo o cheiro das virilhas, depois lambendo o saco, depois me enroscando nele e esperando ele gozar na minha boca [...] Virgindade só se perde uma vez e, já que eu criara a oportonudade para me livrar dela do jeito que idealizara, não ia desperdiçar satisfação tão plena. [...] e reenfiei o pau dele tanto quanto pude na boca e só parei quando senti ele gozando quase em minha garganta [...] mulher plenamente sadia gosta de pau duto e gosta de penetração [...] todas as mulheres – todos os homens, mas agora que falar de mulheres – já sentiram e sentem um momento em que são puramente sexo e pulsam sexo por todos os lados e ficam com medo de si mesmas e se descontrolam e compreendem tudo sobre sexo e querem tudo, é uma sensação avassaladora de absoluta sexualidade, um momento em que a sacanagem toda conta de tudo, e ela se sente femea, devassa, puta, ela faria tudo, tudo, ela quer foder, ela que fazer tudo! Toda mulher não dá a bunda sente vontade de dar a bunda nessas horas, toda mulher que nunca deixou gozarem em sua boca sente vontade de chupar um pau até que ele esguiche forte em sua boca, toda mulher assim limitada sai desses limites nessas horas, finge que não tem problemas. Todas iguais. [...]. Trechos extraídos da obra A casa dos Budas ditosos (Objetiva, 1999), do escritor, jornalista e professor João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), com ilustrações de Adriana Varejão. Veja mais aqui e aqui.


O EROTISMO DE MAITE ZUBIAURRE – Reunião feita pela professora da Universidade da California (UCLA), em Los Angeles, Maite Zubiaurre, reunindo material fotográfico erótico e pornográfico do início do século XX na Espanha, bem como do pensamento de filósofos e escritores da Geração 98. Veja mais aqui e aqui.


Art by Rekouane Kamel


Veja mais sobre Panorama da Quilombo, Upanixades, José Régio, Toquinho, Afonso Lisboa da Fonseca, Pedro Onofre, Kirk Jones, Christianna Brand, Emma Thompson, Martha Rocha, Literatura Infantil & Donald Zolan aqui.


E mais:
Proezas do Biritoaldo: Quem é bom já nasce troncho, apesar da água benta no quengo do sopiado aqui.
Charlie Chaplin & probidade administrativa aqui.
Cantador & obviedades cínicas aqui.
Literatura Erótica, Presente de Natal, Agostini Carraci & previsões do Doro aqui.
Plenilúnio do Amor, A paixão de Aristóteles, O amor mais que de repente & as previsões do Doro aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

 

MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...