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quarta-feira, setembro 13, 2017

FEUERBACH, CARUANA, NATÁLIA CORREIA, ANTÔNIO TORRES, ANÍBAL BEÇA, ALEX GREY, JACQUELINE BISSET & ELISEU PEREIRA

EMOÇÕES QUE ME DOU FELIZ DE SONHAR - Imagem: arte do pintor, escultor e artista espiritual visionário Alex Grey.- Fora de casa, pé no mundo, passo a passo: andejo noitedia voo do que sou pro que quero ser, caminho que sei pra me encontrar. Se vago por todos os trajetos, sei aonde chegar. Se me perco, desencontros nas trevas, são minhas, para reencontros tardios que nunca foram demais, na horagá e tudo volta ao normal no meio das trepidações, a ser como era para ser novo outro dia. Basta a alvorada para que eu saiba pra onde eu tenho que ir, aprendo a fechar meus olhos pra escuridão da noite e me valho da firmeza, mesmo que tudo dê errado, mesmo que me seja estranho a passagem ou ignore o paradeiro inóspito, o caminho é um só: a mim mesmo. Se me desencontro é porque perco a noção da vida, coisas de ir ali e voltar já, contando até dez, retomando o fôlego, firmando a razão pra que a emoção seja mais que válida na hora de errar ou de vingar acertando na veia, e logo me reconduzo como sangue por vasos, corrente de rio pro mar, reaprumo a direção e sou novamente na estrada do Sol. Mais que distâncias incertas repletas de altos e baixos, sei das ondas, pulso com as vibrações, sou roda que gira no dom de voar, passo em qualquer lugar, seja mais que paradeiros perdidos, mais que ermos atravessados, sei-me sempre na verdadeira travessia: um palmo abaixo do nariz e tudo é luz, sou pro amor. É praí que converge todas as minhas errâncias e devaneios: nada mais que a estrada pra dentro do coração, emoções que me dou, feliz de sonhar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: 24 HORAS NO AR!!!
Hoje na Rádio Tataritaritatá: especiais com Por que eu não pensei nisso antes, Bicho de sete cabeça, Beleléu Léu Eu & Sampa Midnight do compositor, cantor, instrumentista, arranjador e produtor musical Itamar Assumpção (1949-2003); Paino Works da pianista e compositora alemã Clara Schumann (1819-1896); Pierrot Lunaire & Concerto Piano op. 42 do compositor austríaco Arnold Schoenberg (1874-1951); e Libera-me & amém  para uma ausência da compositora, pianista e percussionista portuguesa Constança Capdeville. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PALESTRA ELISEU: ÉTICA, CIDADANIA & MEIO AMBIENTE
Atendendo convite das professoras Janeide e Romina, realizei ontem no Colégio Estadual Eliseu Pereira de Melo, em Palmares – PE, a palestra Eliseu: Ética, Cidadania & Meio Ambiente, pros alunos da instituição escolar. Veja mais aqui & aqui.

MANIFESTO DA ARTE VISIONÁRIA - [...] Porque essa ênfase na acurácia? Falando pelo Realismo Fantástico, Fuchs relata que “Desde o início nós queremos re-animar a arte dos Antigos Mestres. Mas, mais do que isso, nós queremos representar a imagem fantástica de uma maneira como se ela tivesse sido pintada, não pela mão, mas pelo próprio sonho, não deixando traços de arte para trás. [...] a Arte do Visionário procura mostrar o que está além do limite de nossa visão. Através de sonhos, transe, e outros estados alterados, o artista procura ver o não-visto – atingindo um estado visionário que transcende nossos modos regulares de percepção. A tarefa que o espera, a partir daí, é comunicar sua visão numa forma reconhecível para o campo de visão cotidiana. [...]. Trechos extraídos da obra Primeiro Manifesto da Arte Visionária (Amorc, 2013), do artista e escritor maltês Laurence Caruana, expressando que por meio desta arte o artista busca expressar, em sua obra, suas visões, provenientes de Estados Alternativos de Consciência (EAC), como sendo experiências entendidas comumente como espirituais .Veja mais aqui.

PRELEÇÕES RELIGIOSAS - [...] deuses são seres que só existem para e através dos homens; por isso não velam o homem quando este dorme, mas quando os homens dormem, dormem também os deuses, isto é, com a consciência do homem se esvai também a existência dos deuses. [...] Um ser sem qualidade é um ser sem objetividade, e um ser sem objetividade é um ser nulo. [...] Deus não é o que o homem é, o homem não é o que deus é. Deus é o ser infinito, o homem, o finito; deus é perfeito, o homem imperfeito; deus é eterno, o homem transitório; deus é plenipotente, o homem impotente; deus é santo, o homem é pecador. Deus e o homem são extremos: deus é o unicamente positivo, o âmago de todas as realidades, o homem é o unicamente negativo, o cerne de todas as nulidades. [...] Trechos extraídos da obra Preleções sobre a essência da religião (Vozes, 2009), do filósofo alemão Ludwig Feuerbach (1804-1872). Veja mais aqui.

POR UM PÉ DE FEIJÃO - Nunca mais haverá no mundo um ano tão bom. Pode até haver anos melhores, mas jamais será a mesma coisa. Parecia que a terra (a nossa terra, feinha, cheia de altos e baixos, esconsos, areia, pedregulho e massapê) estava explodindo em beleza. E nós todos acordávamos cantando, muito antes do sol raiar, passávamos o dia trabalhando e cantando e logo depois do pôr-do-sol desmaiávamos em qualquer canto e adormecíamos, contentes da vida. Até me esqueci da escola, a coisa que mais gostava. Todos se esqueceram de tudo. Agora dava gosto trabalhar... Os pés de milho cresciam desembestados, lançavam pendões e espigas imensas. Os pés de feijão explodiam as vagens do nosso sustento, num abrir e fechar de olhos. Toda a plantação parecia nos compreender, parecia compartilhar de um destino comum, uma festa comum, feito gente. O mundo era verde. Que mais podíamos desejar? E assim foi até a hora de arrancar o feijão e empilhá-lo numa seva tão grande que nós, os meninos, pensávamos que ia tocar nas nuvens. Nossos braços seriam bastantes para bater todo aquele feijão? Papai disse que só íamos ter trabalho daí a uma semana e aí é que ia ser o grande pagode. Era quando a gente ia bater o feijão e iria medi-lo, para saber o resultado exato de toda aquela bonança. Não faltou quem fizesse suas apostas: uns diziam que ia dar trinta sacos, outros achavam que era cinqüenta, outros falavam em oitenta. No dia seguinte voltei para a escola. Pelo caminho também fazia os meus cálculos. Para mim, todos estavam enganados. Ia ser cem sacos. Daí para mais. Era só o que eu pensava, enquanto explicava à professora por que havia faltado tanto tempo. Ela disse que assim eu ia perder o ano e eu lhe disse que foi assim que ganhei um ano. E quando deu meio dia e a professora disse que podíamos ir, saí correndo. Corri até ficar com as tripas saindo pela boca, a língua parecendo que ia se arrastar pelo chão. Para quem vem da rua, há uma ladeira muito comprida e só no fim começa a cerca que separa o nosso pasto da estrada. E foi logo ali, bem no comecinho da cerca, que eu vi a maior desgraça do mundo: o feijão havia desaparecido. Em seu lugar, o que havia era uma nuvem negra, subindo do chão para o céu, como um arroto de Satanás na cara de Deus. Dentro da fumaça, uma língua de fogo devorava todo o nosso feijão. Durante uma eternidade, só se falou nisso: que Deus põe e o diabo dispõe. E eu vi os olhos da minha mãe ficarem muito esquisitos, vi minha mãe arrancando os cabelos com a mesma força com que arrancava os pés de feijão: - Quem será que foi o desgraçado que fez uma coisa dessas? Que infeliz pode ter sido? E vi os meninos conversarem só com os pensamentos e vi o sofrimento se enrugar na cara chamuscada do meu pai, ele que não dizia nada e de vez em quando levantava o chapéu e coçava a cabeça. E vi a cara de boi capado dos trabalhadores e minha mãe falando, falando, falando e eu achando que era melhor se ela calasse a boca. À tardinha os meninos saíram para o terreiro e ficaram por ali mesmo, jogados, como uns pintos molhados. A voz da minha mãe continuava balançando as telhas do avarandado. Sentado em seu barco de sempre, meu pai era um mudo. Isso nos atormentava um bocado. Fui o primeiro a ter coragem de ir até lá. Como a gente podia ver lá de cima, da porta da casa, não havia sobrado nada. Um vento leve soprava as cinzas e era tudo. Quando voltei, papai estava falando. — Ainda temos um feijãozinho-de-corda no quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o milho para quebrar, despalhar, bater e encher o paiol, não temos? Como se diz, Deus tira os anéis, mas deixa os dedos. E disse mais. — Agora não se pensa mais nisso, não se fala mais nisso. Acabou. Então eu pensei: O velho está certo. Eu já sabia que quando as chuvas voltassem, lá estaria ele, plantando um novo pé de feijão. Texto extraído da obra Meninos, eu conto (Record, 1999), do escritor Antônio Torres. Veja mais aqui e aqui.

A DONZELA DE ZEUS - Caço um rugido de sol / Odisseu sedento e lasso / alço-me a um mar de ninfas / escarpado / nos ventos de cílios / céleres / Das ondas vejo-a nascida / do botão do olho mais dócil / onde um vitral fundeado / recolhe as velas da nave. / Tomo-lhe a mão / de cambraia / a vestidura de / incógnitas / Desço / suavemente ao dorso / com as mãos cheias de lavas / devolvidas ao vulcão / num jogo de fogo e espelho / Só na brasa dos mamilos / encontro a concha das mãos / suor sereno / arrepio / um mar salgado na boca / Ó Ítaca distante! / A língua se evola lânguida / estilingue em espiral / pedra elástica na praia / tomando de assalto o lago / Por um momento sei-me prancha / e ela um trampolim de pétalas / Na fúria de Poseidon / pousa Penélope. Poema do poeta, tradutor, compositor, teatrólogo e jornalista Aníbal Beça (1946-2009). Veja mais aqui.

A ARTE DE JACQUELINE BISSET
A arte da premiada atriz britânica Jacqueline Bisset no filme Screts (Intimate Games, 1971), dirigido pelo diretor e ator britânico Philip Saville (1830-2016), no qual a atriz desempenha uma dona de casa que tem alguns problemas com o marido que concede uma entrevista de emprego, quando ela se depara com alguém que lhe ser ela parecidíssima com a esposa dele morta. A partir disso, relacionamentos se confundem entre uns e outros, levando a uma situação inesperada.

Veja mais:
A arte musical de Clara Schumann aqui e aqui.
A arte musical de Constança Capdeville aqui e aqui.
A arte musical de Arnold Schoenberg aqui e aqui.
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ODE À PAZ
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza, 
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
Deixa passar a Vida!
Poema extraído da Antologia poética (Dom Quixote, 2013), da poeta e ativista social açoriana Natália Correia (1923-1993) (Imagem: arte do pintor, escultor e artista espiritual visionário Alex Grey.)Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte do pintor, escultor e artista espiritual visionário Alex Grey.
Veja mais aqui.


sexta-feira, setembro 01, 2017

HERMILO, BOURDIEU, NELSON CHAVES, EDUCAÇÃO, CANA-DE-AÇÚCAR, SEXUALIDADE, POLÍTICA, RICARDO ONORATO & CORDEL NO ELISEU

A PLENITUDE DA VIDA - Imagem: art by Nicomedes Gomez - Ainda ontem, já era tarde. Não mais. Nada mais resta do que fiz ou deixei de fazer, do que amei e não quis mais amar, do que adiei quando mais precisava. Longe os anos se foram e tudo passou, quanta urgência no caminho das importâncias, quanta ocupação pra disfarçar o viver, tudo era só dar vencimento ao menos às cotas das tarefas diárias, enfrentar as surpresas do imediato que pegavam de peito aberto, a pressão das emergências daquilo que era pra ontem, os desafios das dificuldades, cair, levantar, sacudir a poeira, seguir, capengar e protelar, procrastinar, adiar o viver. Hoje, chegou a hora. Esta, a horagá. Já. O que tenho é só a mim, não mais. Não posso esperar que façam por mim o que é da minha estrita responsabilidade, ninguém deve fazer por mim o que eu mesmo deveria ter feito ou tenho a fazer, muito menos devo responsabilizar ninguém pelo que não fiz, nem por meus fracassos, nem por minha própria irresponsabilidade. Hoje, agora, quantos espelhos, a minha efígie refletida: afinal, tenho sido mais feliz agora do que nunca fora antes. Agora o Sol dança no assoalho e convida meu coração para bailar na vida, esqueço o que me deprime: a esmagadora ignorância das trevas humanas. Sorrio, apesar de tudo ser tão triste, vou do infortúnio que insistia sempre presente em todas as minhas horas pra felicidade que vem da alvorada no horizonte. Agora a ressurreição: a sensação da inércia me faz sofrer, sou vida e quero mais é viver. Antes era fácil parar ou desistir do que continuar, quantas decisões tomadas sem que nada de ação se fizesse, ah, deixava pra lá, não via pra quê tanto esforço. Agora sou outro, ergo a face, malgrado o mundo desabado ao redor, só escombros na noite obscura. Dentro de mim pulsa a satisfação da plenitude anímica na paz de quem sabe superar, sigo adiante, passo a passo, mais cedo ou mais tarde tudo haverá passado, porque sei liberto da prostração com o alvorecer. Hoje sei que sou pedra bruta que aguarda a revelação da arte nela escondida: a arte de viver, viver o amor. Agora faço e já, faço agora! Meus olhos pra vida e meus pés no chão. Sou firme na roda da vida pelos Sete Globos, pelos Sete Períodos, assim na Terra como no Céu, a plenitude da vida na fraternidade universal humana. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

COLÉGIO ESTADUAL ELISEU PEREIRA DE MELO
Atendendo convite das professoras Janeide e Romina, estarei no próximo dia 12/09, a partir das 14hs, no Colégio Estadual Eliseu Pereira de Melo, realizando a palestra/espetáculo Cordel Biblioteca Eliseu: Ética, Cidadania & Meio Ambiente, pros alunos da instituição escolar. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – Esforce-se para ser paciente ao suportar os defeitos dos que o cercam, porque você também tem muitos, e eles precisam ser suportados pelos outros. Se você não é como gostaria de ser, como pode pretender encontrar alguém que seja totalmente do seu agrado: Trecho extraído da obra A imitação de Cristo, do monge e escritor alemão Thomas de Kempis (1379-1471).

SOMOS NA VIDA ADULTA O QUE FOMOS NA INFÂNCIA – [...] a vida como ela é, dominada por incoerências, dúvidas e realizações, problemas humanos que sempre constituíram pra mim preocupações constantes desde a infância. Somos na vida adulta o que fomos na infância. Sonhei continuamente com um mundo melhor, onde houvesse amor, afeto e compreensão entre os homens, um mundo onde a natureza continuasse viva, com seus solos, rios, lagos, mares, árvores e seres de todas as espécies. Mas infelizmente, desde a adolescência venho assistindo à destruição maciça dos recursos naturais, à alteração da paisagem, ao acirramento da luta entre os homens com manifestações de agressividade crescente. Assim, meus sonhos foram se desvanecendo; doem-me o desrespeito à Ecologia, a quebra dos elos do ecossistema, a existência de um mundo de vendas e compras, um verdadeiro “mundo cão”. Nas horas de meditação, relembro os caminhos percorridos durante longos anos, sempre animado por uma chama criadora, mas sentido, já no fim da jornada, o sabor amargo da decepção. Sonhei com uma universidade melhor, com bom padrão de ensino, e motivada pela chama da investigação científica e, ao mesmo tempo, ligada aos interesses da sociedade e da Região. [...] A previsão de Einstein foi confirmada: a fome chegou e teria solução se fosse respeitada a “lei das leis”, ou seja, de que “não é possível a felicidade e a segurança de quem quer que seja se não houver o mínimo de felicidade entre todos”. É uma fome diferente das que sempre assolaram o planeta e foram registradas pelos historiadores. [...] É a fome criada pela civilização, pela ambição e egoísmo do homem atual, mais máquina do que homem; e a fome da Revolução Industrial e da supertecnologia, que originou a tecnocracia, uma grave doença dos tempos modernos, em vista da qual os tecnocratas ignorantes, mas semideuses arrogantes, mataram a imaginação e a criatividade, pensando apenas no desenvolvimento econômico avaliado exclusivamente pelo Produto Nacional Bruto (PNB), na expansão industrial e na comercialização, deixando de lado o próprio homem; é a fome decorrente do desequilíbrio econômico crescente, que cria, de um lado, o grupo dos ricos e opulentos e, do outro, uma grande maioria de pobres, entre os quais proliferam os miseráveis; é a fome amoral, da pobreza extrema, da sociedade de consumo caracteriza pela compra e pela venda, inspirada no lucro a qualquer preço, estimulada por uma propaganda agressiva, angustiada e que apela para os psicotrópicos e drogas, na qual o homem desceu de sua posição excepcional na escala zoológica na direção do bruto, das feras; é, finalmente, uma fome que arrasta consigo outros problemas, como a doença, a deliquência infanto-juvenil, a agressividade, o crime, a apatia, antieducação. [...]. Trechos extraídos da obra Fome, criança e vida (Massangana, 1982), do cientista e médico nutrólogo Nelson Chaves (1906-1982). Veja mais aqui e aqui.

A CANA-DE-AÇÚCAR - A vida nem sempre é doce como a cana ou macia como o algodão. O homem domesticou muitas plantas, mas poucas influenciaram tanto o rumo da história da humanidade quanto a cana-de-açúcar. Até parece exagero de pernambucano, agarrado a uma boa fatia de bolo de rolo. [...] É só ir desenrolando o fio da história que as revelações começam a acontecer. A doçura entra cotidianamente em nossas e nem sempre paramos para pensar sobre o percurso histórico-geográfico e o rastro de mudanças ocorridas em torno dessa espécie vegetal. Quando alertada sobre isso, a pessoa pode até sacar seus conhecimentos enciclopédicos sobre a questão. Mesmo assim os dados parecerão turvos em algum quadrante, tamanha é a abrangência e complexidade do assunto. O fato é que o cultivo da cana foi impulsionando transformações, tanto na realidade quanto no imaginário, pelos lugares por onde passou. [...]. Trechos do artigo Enquanto se brinca a história se faz, de Marcondes Lima, extraído da obra Algodão doce para teatro (Cubzac, 2015) de Carla Denise. Veja mais aqui e aqui.

POLÍTICA & A COISA PÚBLICA - [...] A moral política não pode cair do céu; ela não esta inscrita na natureza humana. Apenas uma real política da Razão e da Moral pode contribuir para implementar a instauração de um universo no qual todos os agentes e seus atos estariam submetidos - especialmente pela crítica - a uma espécie de teste de universalisabilidade permanente, instituído praticamente na pr6pria lógica do campo: não há ação política mais realista (pelo menos para os intelectuais) que aquela que, dando forma política a crítica ética, pudesse contribuir para 0 advento de campos políticos capazes de favorecer, pelo seu pr6prio funcionamento, os agentes dotados das disposições lógicas e éticas mais universais. Em resumo, a moral não tem nenhuma possibilidade de ocorrer, especialmente na política, a não ser que trabalhemos para criar os meios institucionais de uma política da moral. A verdade oficial do oficial, 0 culto do serviço público e do devotamento ao bem comum não resistem a crítica da suspeição que descobre em toda parte corrupção, clientelismo ou, no melhor dos casos, 0 interesse privado em servir ao bem público. Devotados ao que Austin chama de passagem de "impostura legítima", os homens públicos são homens privados socialmente legitimados e encorajados a se tomar por homens públicos, logo a se pensar e a se apresentar como servidores devotados do público e do bem público. Uma política da moral deve ter presente esse fato: por um lado, esforçando-se por entender os oficiais no seu pr6prio jogo, isto e, na chamada da definição oficial de suas funções oficiais. Mas também, e sobretudo, trabalhando sem parar para aumentar 0 custo do esforço de dissimulação necessária para mascarar a distância entre 0 oficial e 0 oficioso, 0 palco e a coxia da vida política. Esse trabalho de desvendamento, de desencantamento, de desmistificação não tem nada de desencantador: de fato, ele só pode se realizar em nome dos próprios valores que estão na base da eficiência crítica do desvendamento de uma realidade em contradição com as normas oficialmente professadas, igualdade, fraternidade e, sobretudo, no caso especifico, sinceridade, desinteresse, altruísmo, em resumo, tudo 0 que define a virtude civil. E não ha nada de desesperador - a não ser para as "almas puras" - no fato de que aqueles incumbidos desse trabalho - jornalistas em busca de escândalo, intelectuais dispostos a adotar causas universais, juristas dedicados a defender e estender 0 respeito ao direito, pesquisadores obstinados em desvendar 0 oculto, como 0 sociólogo - só podem, eles próprios, contribuir para criar as condições de instauração do reino da virtude civil se a lógica de seus campos respectivos lhes assegurar os lucros do universal que são 0 princípio de sua libido virtutis. Trecho extraído da obra Razões práticas: sobre a teoria da ação (Papirus, 2008), do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Veja mais aqui.

ENSINO & APRENDIZAGEM - Vivemos um momento de revisão da educação escolar, de seu papel e seu alcance. Juntamente com isso, vem o desafio da construção de um perfil profissional para o professor com base no seu trabalho em sala de aula, mas que se amplia para o desenvolvimento do projeto educativo da escola, para a produção, sistematização e socialização de conhecimentos pedagógicos e para a participação em discussões da comunidade educacional. Diante desta complexidade, fica evidente que não há regras para organizar e descrever a atuação deste profissional que precisa, ao mesmo tempo, ter clareza de objetivos e de sua intervenção pedagógica, mas também flexibilidade e sensibilidade. Por isso, a formação docente é hoje compreendida como um processo permanente de desenvolvimento profissional: estudos, atualizações, discussões e trocas de experiências. [...]. Trecho extraído da obra O diálogo entre o ensino e a aprendizagem (Ática, 2000), de Telma Weisz com Ana Sanchez. Veja mais aqui, aqui e aqui.

SEXO & SEXUALIDADE - O sexo desempenha papel importante e básico em nossas vidas. As relações sexuais permitem a reprodução e esta, a perpetuação da espécie. Mas para o ser humano a atividade sexual não se restringe à reprodução. Ela é fonte de prazer; um dos maiores, talvez o maior dos prazeres. A sexualidade é algo fundamental para nós, pois estar bem consigo mesmo é indispensável fator de felicidade e, para tanto, é preciso estar bem coma própria sexualidade. A maneira pela qual uma pessoa é capaz de viver sua sexualidade e o modo pelo qual a ela se ajusta vão determinar muitos dos seus traços de personalidade. Vão definir seu caráter e assegurar ou não sua autoconfiança; vão interferir decisivamente no bom ou mau relacionamento com seu semelhante. A sexualidade não é, necessariamente, prazer sexual; mas grande parte da sexualidade diz respeito às funções sexuais. Desde o nascimento buscamos nossos prazeres; a busca do prazer acompanha o homem por toda sua vida. [...]. Trecho extraído da obra Sexo, sexualidade e doenças sexualmente transmissíveis (Moderna, 1995), da sanitarista e professora Ruth de Gouvêa Duarte.Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

HISTÓRIA DO ESPETÁCULO – [...] O homem, afinal de contas, sempre sentiu o desejo de transfigurar-se, de transformar-se em outra coisa que não seja ele mesmo. Neste sentido, possui um instinto teatral inato, estudado minuciosamente por um teórico russo, Nicolas Evreinoff. Ele diz, entre outras coisas, que “o homem possui um instinto com relação ao qual, a despeito de sua inesgotável vitalidade, nem os historiadores nem os psicólogos nem os que se ocupam da estética disseram jamais até aqui, a menor palavra; [...] Isto significa que o teatro sempre existiu, mesmo sob a forma inconsciente. [...] Trechos da obra História do espetáculo (O Cruzeiro, 1968), do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976). Veja mais aqui, aqui aqui e aqui.


Com alunos do Instituto Educacional São Francisco de Assis – Santo Onofre – Palmares-PE, e professoras Rozilda e Natalie, na Biblioteca Pública Municipal Fenelon Barreto.

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PALMARES, A MINHA CIDADE, DE RICARDO ONORATO
A minha querida Palmares
Terra de cultura e de grandeza
Tu és a minha morada
Admiro a tua beleza
As tuas lindas palmeiras
Também me faz refletir
As águas que desce do rio Una
Cruza com o rio Pirangi
Cidade com belas praças
Arrodeadas de jardins
Com flores, gramados e rosas
Que bordam e cheiram a jasmim
As plantações de cana de açúcar
Tenho o prazer de ainda ver
Caminhões carregados
Na usina pra moer
Dos antigos acadêmicos
Com grande capacidade,
Exortou, Silva Jardim
A terra dos poetas é Palmares
Agora finalizando
O que eu vou te falar
Quem se banha no rio Una
Poeta também será.
Poema de Ricardo Onorato da Silva, estoquista e poeta cordelista, autor do cordel Ascenso Ferreira, o poeta dos Palmares. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...