quinta-feira, julho 11, 2013

RECONTANDO CAETANO VELOSO


Todos os dias quando eu cruzava aquela esquina, lá estava ele vociferando reivindicações da ética entre as pessoas, a moralidade na gestão pública e a consciência dos direitos e deveres humanos.

Todos os dias, que chovesse ou fizesse sol, lá estava ele naquela esquina convocando a todos para persistirem na exigência da dignidade humana e do exercício da cidadania.

Mesmo assim, todos os dias, ele ali naquela esquina e os transeuntes absortos passavam sem dar conta de nada, parecia mais que ele fazia parte da paisagem do local.

Todos os dias e ele lá, até que um dia eu parei para escutar, ouvi seu discurso enfático clamando por justiça no combate da roubalheira, da omissão, da indiferença e da injustiça que enlameavam o país e todos os brasileiros. Ele entoava a sua indignação recontando fatos históricos e o momento presente, afirmando que se o país não prestava, a culpa era de todos.

Naquele dia ouvi sua indignação reiterada e depois segui rumo aos meus afazeres. Fiquei curioso com aquilo martelando na cabeça.

Um dia, porém, fui até ele e perguntei:

- Você não se toca, não se cansa? As pessoas não estão nem aí pro que você está dizendo? Não acha isso uma luta inglória?

Ele, então, virou-se pra mim com os olhos bem abertos e me disse:

- Se eu calar, eles venceram. Não me sinto derrotado, por isso estou aqui fazendo a minha parte. Faça a sua.

PODRES PODERES
(Caetano Veloso)

Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Motos e fuscas avançam
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais...

Queria querer gritar
Setecentas mil vezes
Como são lindos
Como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais...

Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos

Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...

Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval...

Queria querer cantar
Afinado com eles
Silenciar em respeito
Ao seu transe num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau...

Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais

Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...

Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais...

Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo
Indo e mais fundo
Tins e bens e tais...



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