segunda-feira, março 27, 2017

IRYNA YERMOLOVA, EKATERINA KRYSANOVA, SILVÉRIO PESSOA & JACINTO SILVA, ARTHUR BROUTHERS, VERA SALBEGO & ANDORINHAS DO CANAVIAL

O DOCE VOO NO SANGUE DAS ANDORINHAS INVISÍVEIS DO CANAVIAL - O dia amanhece e as pessoas das cidades e dos mais longínquos lugares desse Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada, acordam com o sonho de mesa farta em todas as suas refeições. Seja no café da manhã, almoço e janta, ou mesmo nos lanches fortuitos, todos desejam bolos, doces, molhos de tomates, munguzá, arroz-doce, biscoitos, pudins, assados brilhosos, café, sucos, pamonha, canjica, compotas, chás, melado ou mesmo a rapadura, tudo delicioso ao paladar. Pança cheia e corpo bem nutrido, qual não é a satisfação com a higiene, limpeza, esterilizantes, perfumes, aperitivos e tira-gostos, remédios e inflamáveis, tanto para uso como explosivo ou combustível, quanto para o asseio pessoal apresentável, ou, sobretudo, para promover riqueza e fazer o progresso e o desenvolvimento individual e do país. Nessa hora e, quase sempre o tempo todo, nem dá para saber que desde 1532, quando aqui chegou, fez a riqueza pretérita de Pernambuco e a viga-mestra de sustentação econômica das cidades nas mais diversas regiões da Patriamada. Desde então fez história, promoveu a monocultura e a secular escravidão de índios, negros e pobres deserdados – mesmo tendo sido abolida há alguns séculos, contudo, mantém-se disfarçada no subemprego e no trabalho de invisíveis migrantes sazonais, que labutam insones como andorinhas que vêm nos períodos de safra e se vão quando da entressafra. Esses acordam no meio da madrugada com a marmita e moringa embaixo do sovaco, para enfrentar a labuta diária e às pressas, pendurados na condução rumo alguma plantação longínqua. As suas tarefas é cortar, limpar a palha entre adubos, bagaços, óbitos, ossadas e carniças para urubus, e amontoar tudo num fardo, desde a aurora até o crepúsculo, nos tabuleiros, morros e onde quer que a lavoura esteja pronta para ser recolhida para a botada das usinas ou destilarias, a partir da primavera até o outono do ano seguinte, quando a pejada empurra num êxodo para outras propícias regiões do país. São gente cor da noite com a mistura de fuligem e carvão grudados no suor do corpo, camponeses que sobrevivem entre um e outro local e que vão por trilhas daqui pra acolá e de lá pra cá, com suas viúvas de maridos vivos para servir de mão de obra nos latifúndios que demandam de grandes contingentes de força laboral. Hoje não mais com a vida empenhada no barracão do engenho, vivem entre pelegos e outros caboetas arranchados nas periferias dos nanicos e indigentes, depois de uma jornada de trabalho extenuante com suas foices e facas, sal na moleira e o peso da vida no corpo envergado pro doce do açúcar, pro álcool queimar na garganta e no trânsito, e o sangue jorrar do sacrifício na queda com uma cana atravessada na goela até a alma. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo o álbum Bate o Mancá: o povo dos canaviais (Outro Brasil, 2000), do cantor, músico e compositor Silvério Pessoa, em homenagem ao cantador alagoano Jacinto Silva.

Veja mais sobre:
João Guimarães Rosa, Maria Helena Kühner, Affonso Romano de Sant´Anna, Marilda Vilela Yamamoto, Dmitri Dmitriyevich Shostakovich & Mstislav Rostropovich, Albert Marquet, Pra Frente Brasil & Gloria Swanson aqui.

E mais:
Nise da Silveira, Marilena Chauí, O Serviço Social & Marilda Iamamoto, Guimar Namo de Mello & Arriete Vilela aqui.
Onde não tem mata-burro a gente manda ver no trupé, Maíra Dvorek & Pedro Nonato da Cunha aqui.
Rainer Maria Rilke, Gaston Bachelard, Darcy Ribeiro, Raquel de Queiroz, Mozart, Montaigne, Maria de Medeiros, Kees van Dongen & A Seca do Nordeste aqui.
Poemas de José Marti aqui.
A corrupção no Brasil, Tchekhov, Radamés Gnatalli, Germaine Greer, Linda Buck, Leo Gandelman, Clóvis Graciano & Emmanuelle Seigner aqui.
Lacan, Locke, Liebniz, Distanásia, Coaching & Mentoring, Comportamento do Consumidor, Vendas & Lara Vichiatto aqui.
Mahatma Gandhi, Educação, Michelangelo Antonioni & Vanessa Redgrave, Gênesis & Phil Collins, Carlos Zéfiro, Jennifer R. Hale & Maria Luísa Mendonça aqui.
Hora de Chegada, Zygmunt Bauman, Tunga, Kenzaburo Oe, Schubert & Maria João Pires, Ken Wilber, Tereza Costa Rego & Kate Beckinsale aqui.
Todo dia o primeiro passo, Gilberto Mendonça Teles, José Orlando Alves, Lia Rodrigues Companhia de Danças, Belle Chere, David Ngo & Maria Núbia Vítor de Souza aqui.
Pelos caminhos da vida, A lenda Tembé do incêndio universal e o dilúvio, Benedicto Lacerda, Alessandro Biffignandi, Ferdinand Hodler, Clodomiro Amazonas, Diane Arbus & Ligia Scholze Borges Tomarchio aqui.
O que esperar do amanhã, José Joaquim da Silva, Montserrat Figueras, Araki Nobuyoshi, Gerda Wegener, Rajkumar Sthabathy & Angel Popovitz aqui.
Na calçada da tarde, Yara Bernette, António Botto, William-Adolphe Bouguereau, Maria Lynch, Rosa Bonheu & Patricia de Cassia Porto aqui.
O mergulho das manhãs e noites nas águas profundas do amor, Luchino Visconti, Constança Capdeville, Spencer Tunick, Aubrey Beardsley, Luciah Lopez & Escola Estadual Joaquim Fernando Paes de Barros Neto aqui.
O amor é lindo, O Circo, Marcos Frota & Leonid Afremov aqui.
As misérias do processo penal de Francesco Carnelutti aqui.
A cidade das torres & a radiosa cidade corbusiana, Antônio Cândido: o discurso e a cidade aqui.
Proclamação da República aqui.
A Era Vargas e a República aqui.
A monarquia brasileira aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

A arte da bailarina russa Ekaterina Krysanova.

DESTAQUE: PADRE ANTÔNIO VIEIRA & CANAVIEIROS
[...] Quem via na escuridade da noite aquelas fornalhas tremendas perpetuamente ardentes [...] o ruído das rodas, da gente toda de cor da mesma noite, e gemendo tudo, sem trégua e descanso [...] toda a máquina e aparato confuso e estrondoso daquela Babilônia não poderá duvidar, ainda que tenha visto Étnas e Vesúvios, que é uma semelhança do inferno (Padre Antônio Vieira).
[...]
Para se compreender porque esses/as trabalhadores/as ainda migram tanto, mesmo em condições desfavoráveis, há que se entender a problemática social da migração, que se expressa, inclusive, na obrigatoriedade da separação do meio familiar e social para ir ao encontro do estranho, rompendo, em certa medida, com o substrato sociocultural ao se sair de uma sociabilidade mais estável para uma transitória, sentida como a falta de um lugar e dita nas falas locais do “andar pelo mundo”, como se fora um fardo e um desalojamento [...] A sociabilidade do trânsito é sentida por quem migra e pelos familiares que ficam. A separação se expressa por um sentimento de dor, vazio, saudade e de perda da “graça”, na verdade o sentimento da falta, e da incompletude. Por seu turno, a temporalidade da migração faz com que o “estar junto” se restabeleça, mesmo que de forma precária, para logo se desconstruir. E o ente querido permanece no imaginário constituído pela saudade e pela preocupação. (...) É muita preocupação os filhos tá no mundo sujeito a um acidente, principalmente, no corte de cana que é muito perigoso acidente de corte, cobra e tudo mais. Mas a gente vai rezando e pedindo a Deus pra abençoar eles pra ver se ajuda a gente mesmo assim (M. G. S. R., Pai Chicô, Várzea Grande). Ë a expressão de desconforto de famílias que não podem proteger, amparar o filho que “está no mundo” e das angústias de quem migrou. Por outro lado, a migração temporária é vista positivamente, por possibilitar o reencontro num tempo mais curto, se comparada às de mais longa duração, como as destinadas aos empregos em “firmas”, como se referem localmente, a empregos permanentes. Com o reencontro, ressurge a alegria e sossego perdido com a separação, embora o reencontro seja também temporário porque por maior que seja o desejo de ficar, as necessidades de sobrevivência são mais fortes, além do que, inaugura-se uma nova forma de vida: a de viver entre dois mundos. Mesmo que o trabalho “pelo mundo”, como dizem, em alguns casos traga frustrações, pois os esforços empreendidos para garantir a independência econômica, aprofundam ainda mais a dependência como ocorre, por exemplo, com quem volta doente e passa a depender da família como cuidadora. Em meio a tudo isto, a esperança de um futuro melhor. Embora as atuais condições precárias de muitas famílias gerem pessimismo quanto ao futuro dos/as filhos/as, no geral, a positividade prepondera. Grande parte dos/as filhos/as que estão fora deseja estabilidade econômica para voltar às origens. Pais e mães de migrantes querem para os filhos/as o que não tiveram: vida mais confortável. Para muitos/as, esse futuro depende de estudo, e trabalham para garantir a educação escolar dos/as filhos/as e, para algumas famílias, a primeira migração – do “interior” para a cidade – foi impulsionada pela educação formal de filhos e filhas. Agora, essa migração continua, em outros termos, pelos pais e mães ou mesmo pelos filhos e filhas, visando à sobrevivência – ou a constituição – da família.
Pensamento do Padre Antônio Vieira & trecho do estudo A questão social das migrações temporárias de trabalhadores agrícolas do Nordeste para a agroindústria canavieira de São Paulo: uma das faces do agronegócio da cana, no Brasil, (Revista Desenvolvimento Social, Unimonrtes-MG, Montes Claros - Nº 3 - jul 2009), de Maria Dione Carvalho de Moraes, Francisco Frazão & Teodório Rogério Júnior. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora ucraniana Iryna Yermolova.
Veja mais aquiaqui e aqui.

DEDICATÓRIA: VERA SALBEGO
Sou apenas uma mulher
Que crê no poder do amor
Sou essencialmente sentimental
Vivo necessito de amor
Sou apenas uma mulher
Que quer viver a plenitude do amor
Desfalecer de emoção
Viver por amor
Sou apenas uma mulher
Que quer amar e ser amada
E por isso dedico meus dias
Para amar e me entregar
Verdadeiramente ao amor!
(Sou Apenas Uma Mulher)
A edição de hoje è dedicada à poeta, professora, escritora e psicopedagoga Vera Salbego. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: art by Arthur Brouthers
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

sábado, março 25, 2017

DOMINGUINHOS, ANGEL OTERO, GUTZON BORGLUM, HELENA ANTIPOFF, ROMAN PYATKOVKA & NAYANA ANDRADE

VIVO & A VIDA COM TUDO E TODOS - Imagem: Everything and Nothing (2011), do artista visual portoriquenho Angel Otero.Então, tá. Por onde começar, tudo passa desorganizado e constantemente. Uns dias e outros, não há como distinguir se terça de quinta, ou sábado de um domingo. A vida segue e vai e rola qual bola ladeira acima ou abaixo, confuso é saber onde vai dar, nunca se sabe. Não há como ter amparo, sou passageiro e as ruas são enormes. Apesar de tanta gente indo e vindo, o deserto de fantasmas apressados nas calçadas e no trânsito, não me esboçam sequer um único hálito de vida, senão mortos-vivos. Não, claro que não, sei que estão vivos, nem parecem de tão absortos em si e nas suas coisas, quase meros fantoches guiados por não sei o quê. Vê-los assim me dá o que fazer. Só sei que ontem eu fui, hoje vou e amanhã eu não sei. Sou um cata-vento na tempestade, a sorte levada aos tropeções dos que cruzo entre possibilidades, vicissitudes e lamúrias, em todas as direções de ir e vir e a agarrar o destino se arrastando pro remoto paraíso que a morte espreita, como inelutável provação punitiva e escatológica. Eu também vou e aqui aprendo, não há nada por absoluto, tudo a confirmar porque sou mais um na distância entre a miséria e a ventura, entre os sem rumo que sequer sabem pra onde vão – rolhas aprisionadas numa garrafa que se libertam lançando-se às ondas e ventos do oceano -, entre os que carregam seus grilhões e mundos aos ombros aos reclamos e que se dizem almas livres para dar vazão aos seus sentimentos e dores, esvaziando seus vitimados corações. Procuro amigáveis entre todos, quem estenda uma mão apenas. Não reconheço as fisionomias, vejo-me sempre estrangeiro quase invisível e se posso expressar meu coração só há paredes e concretos para o afeto. Só sei que eu vivo e a minha vida com tudo e todos. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo o documentário Dominguinhos (2014) dirigido por Mariana Aydar, Eduardo Nazarian & Joaquim Castro, e os álbuns Veredas Nordestinas (Continental, 1989), o dvd Ao vivo em Nova Jerusalém (Globo Nordeste, 2009) e cd/DVD Iluminado (Biscoito Fino, 2010), do instrumentista, cantor e compositor Dominguinhos (José Domingos de Morais – 1941-2013).

Veja mais sobre:
Leila Diniz, Psicologia Infantil, Béla Bartók, Gerd Bornheim, Gutzon Borglum, David Lean & Sarah Miles, Nilto Maciel & Clotilde Tavares aqui.

E mais:
Aurora, Zaratustra, Hermeto Pascoal, Alfred Adler, Viktor Frankl, Gregory Corso, Tennessee William, Pedro Almodóvar, Gaston Guedy & Penélope Cruz aqui.
Helena Blavatsky, João Ubaldo Ribeiro, Édouard Manet, Stendhal, Vital Farias, Joana Francesa & Jeanne Moreau aqui.
Constituição Federal, Yamandu Costa, Terêncio, Beaumarchais, Sharon Tate & Julie Dreyfus aqui.
Quarup & Antonio Callado, Angela Yvonne Davis, Tavito Carvalho, Jean-Claude Forest, Giovanni Lanfranco, Barbarella & Jane Fonda aqui.
Virginia Woolf, Tom Jobim, Somerset Maughan, Adelaide Cabete, Pompeu Girolamo Batoni & Renata Bonfiglio Fan aqui.
Dante Alighieri, Lewis Carroll, Djavan, Friedrich Schelling, Rosa Parks, Paula Rego, Fernando Fiorese, Carrie-Anne Moss, Jaorish Gomes Telles & Programa Tataritaritatá aqui.
Errâncias de quem ama, promessas da paixão, Oscar Wilde, Richard Strauss & Leonie Rysanek, Lenda Bororo A origem das estrelas, Sonia Ebling de Kermoal & Dorothy Lafriner Bucket aqui.
A ponte entre quem ama e a plenitude do amor, Murilo Rubião, Wäinö Aaltonen, Manuel Colombo, Anneke van Giersbergen, Ramón Casas, Eduardo Kobra & Fátima Jambo aqui.
Legalidade sob suspeita, Anna Moffo, Viola Spolin, Reisha Perlmutter, Floriano de Araújo Teixeira & Moína Lima aqui.
Os seus versos, danças & cantos do Cacrequin, Jasmine Guy, Renata Domagalska, Lívia Perez & Quem matou Eloá, Luciah Lopez & Vera Lúcia Regina aqui.
Água morro acima, fogo queda abaixo, isto é Brasil, Noêmia de Sousa, Juarez Machado, Tetê Espíndola, Glauco Villas Boas, Geraldo de Arruda Castro & Giselda Camilo Pereira aqui.
O prêmio do amor & Christine Comyn aqui.
Presente de aniversário, Svetlana Ziuzina, Juan Medina & Carla Osório aqui.
Pequena história da formação social brasileira de Manoel Maurício de Albuquerque aqui.
A linguagem na filosofia de Marilena Chauí aqui.
A poesia de Chico Buarque aqui.
Vigiar e punir de Michel Foucault aqui.
Norberto Bobbio e a teoria da norma jurídica aqui.
Como se faz um processo de Francesco Carnelutti aqui.
Fecamepa no reino do ficha suja aqui.
Tolinho & Bestinha: Quando Bestinha emputecido prestou depoimento arrepiado aqui.
Fecamepa : quando o furacão dá no suspiro do bandido, de uma coisa fique certa: a gente não vale nada aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
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A arte do escultor estadunidense Gutzon Borglum (1867-1941).

DESTAQUE: HELENA ANTIPOFF
[...] à margem da família, da escola e da sociedade com suas leis e suas regras, essas crianças se formavam à margem da vida civilizada. Não sendo destituídas de inteligência natural, não possuíam precisamente essa inteligência que se tritura e se disciplina ao contato do exemplo no seio do regime regrado, essa inteligência civilizada, que perscrutamos por meio de nossos testes chamados de inteligência geral [...] ao lado de crianças provenientes de um meio burguês, jogadas nas ruas por azares da sorte, encontravam-se os meninos de rua que conheciam apenas as asperezas da vida, caídos em vícios dos mais ignóbeis; casos de perversão moral ao lado de crianças intactas em sua confiança a mais cândida [...] Cumpre procurar outros meios menos radicais talvez, e dependendo menos de um decreto obrigatório, mas que poderia impor-se à consciência coletiva como uma necessidade a preencher e onde a cooperação social não deixaria de ser mais eficiente [...].
Trechos extraídos do estudo A organização das classes especiais C e D (Revista do Ensino, 1931), da psicóloga e pedagoga bielorussa Helena Antipoff (1892-1974).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: arte do fotógrafo ucraniano Roman Pyatkovka.
Veja mais aquiaqui e aqui.

DEDICATÓRIA: NAYANA ANDRADE
A edição de hoje é dedicada à amiga Nayana Andrade.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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sexta-feira, março 24, 2017

GODARD, SHARON CORR, BERTEL THORVALDSEN, ELKE LUBITZ, POEMA À FLOR DA PELE & LUCIAH LOPEZ

VERSOS À FLOR DA PELE NA PROSA DE UM POEMA – Imagem: foto/arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez. - Dos versos à flor da pele dela sou mais sonho muito mais real porque nela eu cravo os dentes e teço a noite nos seus beijos enfeitiçados e com os carinhos das mãos no seu dorso saboroso alumio os caminhos para tê-la na urgência do seu amor de atrevida nudez no altar dos sacrifícios que sou por seu corpo na minha festa obscena de cachoeira pelas águas do que é meu dentro dela e nela ser todo seu. Completamente despida ela se veste com minha alma para passear no meu corpo com carícias em desordem e com toda a graça de quem me abraça como quem quer mais e se faz pia batismal para que eu seja as sensações inconfessáveis de sua boca embriagada no cio de todos os sabores. E no seu delírio de luz vermelha aos gritos das entranhas na epiderme ardente a cometer todos os pecados indecentes por seus lábios ávidos e despudorados entre pernas fogo-fátuo na oração dos prazeres de seduzi-la ao cair da noite na lua compadecida, a implorar pagã em febre louca na palma da minha mão e aliviando suas feras, quando abro as fendas do seu íntimo com o meu amor que se faz Sol por suas grutas e vales aos caminhos infinitos de sua alma embriagada. Para ser-me homem-pássaro a levá-la em todos os meus voos, abençoando-a e a mim mesmo com o meu suor no seu, fera ensandecida a cavalgar égua crucificada ao meu destino e a purificá-la com meus sobejos malditos de minha boca primitiva e despudorada aos seus pés descalços e ao toque dos meus dedos desenhando caminhos na sua geografia pelos rios que escorrem da minha língua por suas curvas e vulva latejante de arrepios provocantes e confidências de ouvidos indecentes pra ser o meu presente, vivas e salvas, e meu bolo de aniversário em calda de chocolate para minhas lambidas e mordidas em seus espasmos gementes lambuzados na minha posse e gula de toda sua tentação e lascívia, a derretê-la com meu olhar agudo e os seus seios túrgidos em minhas mãos dançantes que se intrometem entre suas frestas e dobras de fêmea no cio a devorá-la em carne viva na tortura do amor, enfim, para nela renascida fêmea nua a voar em mim e os meus agitos a ir e vir na flor desabrochada do seu ventre pro transe da completude do seu orgasmo. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aquiaqui.

 Curtindo o talento musical da musicista e violinista irlandesa Sharon Corr, que também é atua como vocalista da banda The Corrs.

Veja mais sobre:
Os sonhos de Cacildita, Pablo Picasso, Zéllo Visconti & Francesco Gallotti aqui.

E mais:
Minha Voz, Peter Greenaway, Lawrence Ferlinghetti, Dario Fo, Milton Nascimento & Elis Regina, Edward Weston, Portal do Poeta Brasileiro, Leo Lobos & Programa Tataritaritatá aqui.
Iangaí, Antonio Risério, Fecamepa & os primórdios da corrupção no Brasil com Nelson Barbalho, Ari Barroso & Plácido Domingo, Olinda, A esteatopigia é a alegria brasileira, Vênus de Willendorf & Vênus Hotentote, Miguel Paiva & G. Graça Campos aqui.
Antonio Gramsci, Francis Bacon, August Strindberg, Marília Pêra, Luciana Mello, Lidia Wylangowska & Vagner Santana aqui.
Abuso sexual, Sonhos lúcidos, Antropologia e Psicologia Escolar aqui.
Cândido ou o otimismo de Voltaire aqui.
A liberdade de Espinosa aqui.
Literatura & História do Teatro, Tragédia, Comédia, A commedia dell'arte: teatro do povo, O paradoxo de Diderot, O teatro burguês, O estranhamento brechtiano, Método Stanislávski, O teatro de boulevard, Extensões: o teatro épico, Teatro social & Teatro do Oprimido aqui.
Segura a onda que o negócio num tá mole pra cachorro do rabo fino aqui.
Crônica de amor para ela,Magdalena, José Condé, Ruth Kligman, Pablo Milanés & Joaquín Sabina aqui.
O sonho de infância & os dissabores da vida, Alceste de Eurípedes, Diná de Oliveira, Mohammed Al-Amar & Ferenc Gaál aqui.
O amor no salto das Sete Quedas, História da Mulher, Taiguara & Luciah Lopez aqui.
O sonho do sequestro malogrado, História do Cinema, Juca Chaves, Leonid Afremov & Étienne-Jules Marey aqui.
Festa no céu do amor, Tom Jobim, Nauro Machado, Elizabeth Zusev, Steve K. & Todo dia é dia da mulher aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

A arte do escultor dinamarquês Bertel Thorvaldsen (1770-1844).

DESTAQUE: JEAN-LUC GODARD
Entre os muitos filmes que assisti do premiadíssimo e provocador cineasta franco-suiço Jean-Luc Godard, dessa vez destaco primeiro a maravilhosa comédia, romance e musical Une femme est une femme (1961), no qual a belíssima atriz Anna Karina desfila como uma simpática e contraditória mulher que trabalha num clube de estriptease e quer ter um filho com seu namorado e seus sentimentos se tornam contraditórios entre cortes abruptos, narrações em off e personagens falando com a audiência. O segundo é o drama Le Mépris (1963), inspirando na novela de Alberto Moravia e estrelado pela belíssima Brigitte Bardor que atua como uma mulher casada que despreza seu marido e se vê enredada entre ele e um sedutor e rico produtor de cinema. O terceiro é Une femme mariée (1964), no qual a bela atriz Marcha Meril é uma mulher casada com um aviador e, na ausência dele, ela se junta ao amante, um ator de teatro, não sabendo qual deles escolher nem quem o pai ao descobrir que está grávida. Por fim, o drama Passion (1982), contando a história de uma mulher amante do diretor de cinema, enquanto o seu marido é dono de uma pequena fábrica que está em greve. Entre os ativistas, uma bela jovem causa ciúmes na esposa que exige do marido demiti-la, prosseguindo com cenas inspiradas em obras de arte e envolvendo relacionamentos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: poema/arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja mais aquiaqui e aqui.

DEDICATÓRIA: ELKE LUBITZ
O poema
É um pouso
d'alma
na palavra
De todas
As coisas.
(Inversão)
A edição de hoje é dedicada à poeta, pedagoga e empresária Elke Lubitz, editora do blog Letra Só.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

quinta-feira, março 23, 2017

HÉLIO PELLEGRINO, NOBUO UEMATSU, MAT COLLISHAW, RAOUL DUFY, IDEOLOGIAS & DANICLECI MATIAS SOUZA

O CERTO & O ERRADO NO REINO DAS IDEOLOGIAS - Lembro-me bem quando menino sapeca, aos quatro anos de idade, aprendendo o alfabeto, a saudosa prima-tia ensinava a ler e escrever, ajeitando meus garranchos no caderno. Primeiro ela colocava a sua caligrafia formosa e arredondada para eu preencher por cima e, depois, copiar embaixo tudo que ela havia escrito. Lindo o seu olhar azulado e seu sorriso reluzente ao conferir a tarefa cumprida: tudo a maior seboseira. Ela caía às gargalhadas, parecia mais que eu já dava sinais de que não tinha jeito. Até ali, tudo que aprendera fora imitando os pais, familiares, parentes e achegados. Dois anos depois das lições dela toda tarde, fui fazer o primário na escola maçônica da Fraternidade Palmarense, na qual a não menos fascinante professora Hilda, me encantava em cada manhã de aula – tanto que pra ela diariamente escrevia uns versinhos que foram publicados no suplemento Júnior, do Diário de Pernambuco. Eu já queria ser poeta, pode? Queria. Daí pro ginasial, o trajeto do meu aprendizado: o nome das coisas, a história dos vencedores, a forma como se comportar, conteúdos muitos e diversos que iam desde a gramática e leitura das ciências e matemática, tudo para que eu soubesse o que era certo ou errado. Os tempos eram de Moral e Cívica na leva do Brasil ame-o ou deixo-o. Cá comigo eu desconfiava muito de certas convicções que exacerbavam na retidão do caráter, valorizando a virtude e o amor à Pátria, quando eu não entendia muito bem o significado de virtude ou caráter, justiça ou direito, só somar, subtrair, multiplicar ou dividir, sim senhor, sim senhora, responder às perguntas e ver grafado na prova uma nota pros meus equívocos. Muitos professores não facultavam a possibilidade de qualquer questionamento, devia prestar bem atenção e não perguntar nada, se não entendesse que levasse a dúvida até o dia em que uma alma caridosa resolvesse esclarecer. Por conta disso, não entendia muito bem a razão da escola em si e de ali estudar, era tudo muito confuso: toneladas de informações depositadas goela abaixo, disciplinas de todo tipo com conteúdos forçados e que asseveravam ser inarredavelmente o certo a ser seguido por todos. Ou aprendia, ou era burro. Todos os meus colegas não perguntavam nada, não queriam se passar por iletrado jumento, só eu metido e cheio das pregas inventava de questionar pra levar um toque de arrodeio com um riso sarcástico na minha cara: preste atenção! E ali, como em qualquer lugar que chegasse, sempre identificava de um lado a turma que rasgava elogios pras coisas e, do outro, a acerba trupe dos insatisfeitos. Nessas ocasiões de confronto se fazia uso de costume adquirido na escola: só balançar a cabeça. Quanto mais se esforçava para aguçar o discernimento, mais a coisa se complicava. Como eu sempre quis ser um metido maior do que sou, havia aquela minha intrometida insolência de adiantado e linguarudo em saber o porquê dos porquês. Evidente que por causa disso eu não era bem visto e excluído entre os da minha faixa etária, me dando mais com os mais velhos, quando, na verdade, eu mais me sentia na relação, tanto com uns como com outros, um peixe fora d’água. Ou eu não entendia nada, ou estavam todos me enrolando. Foi na adolescência que eu dei um chega para lá: peraí, como é que é mesmo, hem? Por conta própria comecei a folhear e pregar a vista em livros e mais livros, coleções, enciclopédias, dicionários. Uns diziam isso, outros diziam aquilo, maniqueístas de plantão; e como era farta a tuia de papagaios tagarelas e sectários, quanto mais arremedo, maior algaravia. Quando não era o bem e o mal, era o bonito e o feio, o bom e o mau, direita ou esquerda, pra lá ou pra cá, pra cima ou pra baixo, de banda ou de lado, pra frente ou pra trás, e por aí vai, cada um que puxasse destilando sua persuasão. Bastava qualquer indagação para o que se parecia claro e exato se tornar bastante nebuloso, fonte de discussões acaloradas de findar entre tapas e bofetes pela imposição do ponto de vista desta ou daquela preferência. Entender que era bom, nada. Quanto mais me diziam o que era certo, mais eu me convencia de que estava errado. Quanto mais impunham o correto, mais se mostrava o equívoco. Muitas vezes cheguei a desconfiar na constatação de que um era o outro: o certo errado e o errado certo e, ainda por cima, vice-versa, até aprender que, na verdade, nem existem, são só convencionados. É que no reino das ideologias ambos se definem, se misturam e se estabelecem de acordo com a conveniência. Da minha parte aprendi que além do 1 tem o 2, o 3, o 4 e... o infinito. Eu, hem? Vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo a arte musical do compositor japonês Nobuo Uematsu.

Veja mais sobre:
Enquanto a vida passa..., Lidia Wylangowska, Victor Meirelles & Suzanne Marie Leclair aqui.

E mais:
Sanha, Erich Fromm, Moacyr Scliar, Akira Kurosawa, Nikolai Rimsky-Korsakov, Menotti Del Picchia & Jean-Hippolyte Flandrin aqui.
Federico Garcia Lorca aqui.
Frineia, Euclides da Cunha, Federico Fellini, Ana Terra, Amedée Ernest Chausson, Antonio Parreiras, Jean-Léon Gérôme & Programa Tataritaritatá aqui.
AIDS & Educação, John Dewey. & EaD aqui.
Sincretismo religioso aqui.
Racismo aqui.
O trabalho da mulher aqui.
Levando os direitos a sério, de Ronald Dworkin aqui.
Ética & Moral aqui.
A luta pelo direito, de Rudolf von Ihering aqui.
Saúde da Mulher aqui.
Quando a folia é maior em mim, A lenda Vapidiana Árvore de Tamoromu & Antúlio Madureira aqui.
A folia do frevo no meu coração, Galo da Madrugada, Nelson Ferreira & Jae Ellinger aqui.
Uma prosa nos entreversos do amor, Marco Ferreri & Andréa Ferréol, Fernado Alves, Maestro Duda & Luciah Lopez aqui.
A folia do biritoaldo desandou no carnaval, Frevo do mundo & Mário Hélio aqui.
Proezas do Biritoaldo aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

A arte do artista visual inglês Mat Collishaw.

DESTAQUE: HELIO PELLEGRINO
Caminha errante o velho rei da terra,
sangrando a cada passo o seu desterro.
Pesa-lhe luz demais, ausência de erro
e de noite — montanha que o soterra.
Cego de sua verdade, desenterra
do peito transfixado não o ferro
que o punge por inteiro, nem o berro
que lhe sobe das entranhas, enquanto erra.
Com sua garra terrosa de mendigo,
busca arrancar da carne não a morte
que o rodeia na treva, vinho forte
desde sempre provado. O desabrigo
que o atormenta é outro: sol candente
que vara a sua cegueira — e o faz vidente
.
A cegueira de Édipo, poema extraído da obra Minérios Domados: Poesia Reunida (Rocco, 1993), do psicanalista e escritor Hélio Pellegrino (1924-1988).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor francês Raoul Dufy (1877-1953).
Veja mais aquiaqui e aqui.

DEDICATÓRIA:
A edição de hoje é dedicada à amiga Danicleci Matias Souza & Park kids Locadora

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...