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quinta-feira, junho 10, 2021

GROTOWSKI, BIA LESSA, HELIA SCHEPPA, TEATRO & O ESPELHO DE WANG TU

 

 

TRIPTICO DQP – A vida segue adiante... - Ao som de Guinga Instrumental (2 Vls - Galeão, 2018), do compositor e músico Guinga. - Hoje dei de cara com um espelho que não era aquele que estava desde sempre afixado ali. Era outro e não era nada comum. Como foi parar ali, não sei. Como é que pode? Explico: este parecia ser de bronze, acho. Possuía, mais ou menos, umas oito polegadas de largura, com um suporte traseiro em forma de unicórnio agachado e, nos quatro cantos da parte anterior, havia lá figuras pintadas de quatro animais. Depois de muito rever, identifiquei: um dragão, uma fênix, um tigre e uma tartaruga. Isso mesmo. E mais: cada um desses animais estava cercado de oito diagramas que, por sua vez, estavam cercados pelos símbolos, ao que me parece, com certeza, das doze constelações do zodíaco. Tudo muito estranho. Virei e revirei. Na parte da frente dava para se ver vinte e quatro caracteres por mim não identificáveis, numa caligrafia de traços abruptos. Danou-se! Bote estranhice em tudo. Fui pesquisar, aqui e ali, vixe! Com o tempo identifiquei um a um dos diagramas: era do Yi-king, isso conforme acesso às publicações Yi-king – Le livre des transformations, um livro em capa dura que achei sem data e editora, traduzido pelo sinólogo e teólogo alemão Wilhelm Richard (1873-1930), e também um outro, Yi King: Les essentiels du bien-être (Grund, 2005), uma edição ilustrada realizada por Gary G. Melyan e Wen-kuang Chu. Repara só, estão pregando uma peça comigo, só sendo. A caligrafia só identifiquei ao me apossar de uma tuia de tomos e enciclopédias antigas, dando-me a constatação de se tratar do estilo Li-Chu, ou seja, do tempo de um certo imperador chinês lá dos anos 727-729 dC. Queimei noites e dias as pestanas e os neurônios de tanto encará-lo e percebi que, ao colocá-lo contra a luz, dava para distinguir que, contra a superfície metálica, havia desenhos no verso. Que é isso? Só faltei arrancar os cabelos, descobrindo, finalmente que eu estava diante do velho espelho de Wang Tu, um objeto estranho. Ah, tá. Sim, mas como foi parar ali? Não queiram nem saber: o que passei depois que dei fé dele, as coisas estranhas é que começaram mesmo a ocorrer ao meu redor. Primeiro foi uma aparição repentina do Saul Bellow para jogar, assim do nada, na minha cara: Ah, é uma praga, a vida que se exibe, uma verdadeira praga! Estamos numa época em que todos os ridículos filhos de Adão desejam evidenciar-se perante os outros, com todos os seus ditos espirituosos, esgares e tiques, toda a glória da fealdade auto-adorada, afirmando aos restantes - num transbordar de narcisismo que os outros interpretam como benevolência - 'Aqui estou para dar testemunho. Vim para lhes servir de exemplo'. Pobres espectros tontos! Fiquei mastigando aquilo na ideia e ao tentar expressar minha opinião a respeito do que dissera, não era mais ele ali, era a Bia Lessa mais que reveladora: Vivemos uma desconstrução. Valores fundamentais estão sendo derrubados. E sorriu diante da minha estupefação: Venha. E fui, claro.

 


Duas vezes sob a luz do palco... – Ao som do álbum Rosinha de Valença ao vivo (Forma, 1966), da compositora e violonista Rosinha de Valença (Maria Rosa Canellas – 1941-2004). – Ao sairmos, o que deveria ser a minha sala-estar, era agora um palco com atores e atrizes seminus, que passavam entre nós. Logo não mais a vi, estava perdido e procurando onde me amparar em qualquer lugar, para presenciar ao exercício laboratório, creio. Ouvia alguém gritar para eles algo como transluminescência, em que o impulso é ao mesmo tempo a reação. Curioso. Agucei a atenção, encostei num canto e fiquei intrigado acompanhando o movimento. De repente surgiu Jerzy Grotowski: O perigo e a sorte vão juntos. Não há grande classe se não diante do perigo. No momento do desafio aparece a ritmização das pulsões humanas. O ritual é um momento de grande intensidade. Intensidade provocada. A vida então se torna rítmica. O Performer sabe ligar o impulso corpóreo à sonoridade: o fluxo da vida deve articular-se em formas. Era uma lição do seu El performer – The Grotowski Sourcebook (Routledge, 1997), que eu estudara anos atrás, a respeito do exercício de conhecimento e transformação de si, apontando para o horizonte ético do trabalho de atuação, com base na Arte como Veículo, a relação entre a vida interior e a espiritual do ser humano, por meio de uma reflexão sobre o potencial da condição humana na perspectiva do comportamento orgânico – o Teatro Laboratório. Entendi que falava de interioridade na investigação e o acesso a diferentes estágios experienciais, como ato de transformação individual por meio de uma ação e do fazer, além de qualquer função espetacular e sem vender a alma: ofício e ética. Assim, para mim, era um momento iniciático, jamais arredaria o pé dali.

 


Três avisos: não só se vive de espelho... – Imagem: arte da premiada fotógrafa Helia Scheppa. - E não arredaria mesmo, não fosse eu me render ao cansaço e o sono. Se tudo foi real, me pareceu um sonho para lá de desejável, senão aprazível. É que ao despertar, ao meu lado estava o volume O teatro moderno em Pernambuco (Desa, 1966), do ator, crítico teatral, ensaísta e professor Joel Pontes (1926-1977), livro este que eu nunca havia posto os olhos em cima. Quem trouxera? Quem ali colocou? Mistério. Mas, pelo menos, gostei de ter esse volume às mãos, contando a história do Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP) e do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), afora as atividades do autor como integrante do curso de Arte Dramática, da Escola de Belas Artes da UFPE, enfim a trajetória da atividade teatral pernambucana, analisando os principais grupos, amadores e profissionais, como o Grupo Gente Nossa (GGN), o Teatro Adolescente do Recife (TAR), o Teatro de Cultura Popular e (TCP) e o Teatro Popular do Nordeste (TPN). Além disso tudo, realiza um estudo introdutório e panorâmico dos dramaturgos pernambucanos mais expressivos, entre eles, Hermilo Borba Filho, Aldomar Conrado, Ariano Suassuna, Aristóteles Soares, Isaac Gondim Filho, José Carlos Cavalcanti Borges, Luiz Marinho e José de Moraes Pinho. Uma leitura assaz reveladora, principalmente por me dar a ciência de que ele também é autor de outras obras, como Ensaios do visitante (1970), contando da sua ida aos Estados Unidos, e O aprendiz de crítica – 2 volumes (1955-1960). Ampliei meus conhecimentos acerca das atividades teatrais no estado e guardei de bom grado entre os outros volumes que possuo da área em uma das minhas estantes. Mesmo não sabendo quem me presenteou tal volume, agradeço então à vida, a oportunidade de lê-lo. Até mais ver.

 

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quinta-feira, setembro 26, 2019

WANGARI MAATHAI, LAHIRI MAHASAVA, LEWIS HINE, TEATRO PERNAMBUCANO & QUINTA-FEIRA

QUINTA-FEIRA - A lua voltou-se para o leste e capturo a noite na constelação do ermo. Já é quarto-minguante, sou pedaço de indelével prodígio, entre o gozo preciso do ilimitado e o isolamento carregado nunca e sempre. De certa forma me angustia o ponto perfeito do desvalido: um morrer queimando vísceras e sem ter nada para dizer. É o pânico da solidão para me reinventar, aprender do silêncio e o não dito, a expressão do visivisível. Nenhum fascínio pelo perigo, muito menos temores ou hesitar de hostilidades. A culpa se confessa e o coração neste instante esquece o que é homicida, só solto na noite abissal, vivo que sabe da morte, porque não sabe de nada, nem de mim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O nascimento e a morte representam o aparecimento e o desaparecimento da alma, no reino do espaço e tempo. São o cumprimento da lei e do plano divino. A alma é imortal e eterna. Deus criou a alma humana, colocando em cada uma a vida imortal tirada da sua eterna existência. A alma deve obedecer à lei de Deus. A obediência à lei de Deus é a virtude suprema. O ego é a causa de todas as imperfeições do homem. Todas as qualidades negativas têm origem quando se esquece a própria identidade de alma, de filho de Deus. Como a natureza que revela a sua glória, a alma de um iluminado manifesta a beleza celeste das suas inatas qualidades. O caráter de um homem é determinado pela qualidade de suas ações. O fruto de suas ações está contido no Ser interior do homem. O homem é uma alma evoluída. Durante o caminho da alma em direção à realização da perfeição de Deus, o homem tornou – se um habitante desta terra. Quando for tomado pela raiva, acalme–se, convencendo sozinho a sua mente. Alimente na alma o forte desejo de abolir a luxúria, a raiva, a sofreguidão, a enfatuação, o orgulho, a inveja do teu coração e esforce - se para se liberar deles. O abandono do egoísmo é um imperativo. Com o cessar dos pensamentos, todos os sentidos são abandonados, quando os sentidos são abandonados, a potência deles desaparece; quando os sentidos são privados de potência, a energia aumenta. O aumento da energia aumenta a duração da vida. Devem ter compaixão nos seus corações. [...]. Trecho extraídos da obra Gita bodh (Vidyananda, 1984), do yogue indiano Lahiri Mahasava (1828-1895).

ALGUÉM FALOU: [...] Eu creio que precisamos elevar o nível da nossa consciência moral, voltar a ter uma perspectiva ética em relação aos recursos naturais e às outras criaturas. O problema é que ainda achamos que os nossos recursos durarão para sempre. Sem elevar o nosso nível de consciência ética, não poderemos entender que esse nível de vida tão elevado para poucos em detrimento de muitos não pode seguir adiante. [...] as pessoas vivem desperdiçando recursos porque querem imitar o nível de vida do mundo rico. Os recursos não são suficientes. Os países ricos exploram os recursos naturais dos pobres, e os poucos ricos dos países pobres fazem o mesmo. A nossa forma de lutar contra a pobreza é lutar contra esta forma de hiperconsumo não apenas no mundo industrializado, mas também nos países em desenvolvimento onde lamentavelmente estamos copiando o mundo rico em detrimento do nosso povo. Se seguirmos por este caminho, corremos um risco enorme [...]. Trecho da entrevista concedida pela ambientalista e bióloga queniana Wangari Maathai (1940-2011), Prêmio Nobel da Paz de 2004, recolhido do Jornal Extra Classe (Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul, 2005), sob o título A professora que ensina o caminho ecológico da paz, de Roberto Villar Belmonte. Veja mais aqui.

UM MINUTO PARA DIZER QUE TE AMO
Trouxemos para o palco não somente a abordagem sobre a doença, mas uma discussão conceitual em relação à memória e à narração, em seus vários aspectos, o que foi essencial para a formação desse espetáculo.
UM MINUTO PARA DIZER QUE TE AMO – A peça teatral Um minuto para dizer que te amo, produzida por Matraca Grupo de Teatro, do Sesc Piedade – Jaboatão – PE, sob a direção de Rudimar Constâncio, aborda de forma poética e contemporânea o Mal de Alzheimer, com um enredo que coloca em cena um homem velho com o seu filho e uma mulher e sua cuidadora, separados pela doença. Trata de amor, amizade, dedicação e companheirismo, alguns dos sentimentos que permeiam o universo de duas mulheres: a mãe de Lúcio e Amélia, uma cuidadora contratada, que, por meio da música, criou pontes capazes de trazer de volta as lembranças da mãe de Lúcio. Ao mesmo tempo, acontece o encontro de pai e filho, no mesmo espírito de amor e respeito. As cenas se consolidam em uma trajetória de vida, memória, narrativa e morte. A montagem foi produzida em um processo colaborativo com o método Viewpoints, envolvendo seis pessoas com diferentes pontos de vista sobre a peça. O trabalho resultou na escolha de 12 cenas. São elas: “O silêncio de Deus ou fim que vira começo”, “À espera da barca…”, “Maria Guida, hoje e amanhã”, “O menino”, “A elevação do Alzheimer”, “Reminiscência”, “Morrendo a cada segundo, ou o voo dos vaga-lumes”, “Delírio e morte”, “A barca da vida”, “Delírio e mentira”, “Das estrelas ou preciso de um céu” e “O fim”. Veja mais aqui.

A ARTE DE LEWIS HINE
A arte do fotógrafo, sociólogo e ativista estadunidense Lewis Hine (1874-1940), pioneiro da fotografia documental e importante figura da mudança na legislação do trabalho infantil nos Estados Unidos. Veja mais aqui.

A OBRA DE LYA LUFT
Pois viver deveria ser - até o último pensamento e derradeiro olhar - transformar-se.
A obra da escritora e tradutora gaúcha Lya Luft aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sábado, dezembro 02, 2017

THOMAS MANN, JOSUÉ DE CASTRO, AUTRAN DOURADO, MARIA CALLAS, TONINHO HORTA, JESSIER, BARBARA HEINISCH, TEATRO PERNAMBUCANO, CONTRAPONTO & VENTUROSA

É SIM E COMO É QUE NÃO PODE – Imagem: arte da pintora e perfomer alemã Barbara Heinisch. - Quando Jadinelson – Jadí pros da sua laia - bateu as botas que chegou à encruzilhada entre as portas do céu, o buraco do inferno e o estreitinho pinguelo do purgatório, bateu-lhe uma dúvida: Pronde é que vou mesmo? E ficou ali, no osso do mucumbu, sem saber qual deles escolhia. É que sua vida não havia sido nada daquilo que imaginava que fosse, de não saber ao certo, se pulava pra santa paz, se tostava inturido pagando os pecados de vez, ou se pinotava pra coluna do meio amargando a eterna dúvida: Estou num verdadeiro mata-burro! Tudo começou quando ele deu aquela empenada de se enrabichar pras bandas da Cecíclia – a angelical feiosa Cezinha, a que arriou desmantelando sua vida numa estrepitosa paixonite -, não prevendo ele as afolozadas voltas que a vida dá. Cristão filho de Deus, como ele se dizia reiteradamente, não entendia o que havia feito pra pagar tão pesado quinhão. Resolveu, então, dá um freio nas ideias e refletir no amiudado para saber adonde é que estava a causa de tudo que tanto atormentava no meio das nuvens. Tantos constrangimentos repassados, até teve cócegas afetivas no seu combalido coração, com as lembranças de como foi que ela pousou faceira, de repente, como um anjinha bem safadinha às suas vistas. Pense num aperreio: ela nem aí pra sua secura idílica. Não fosse o amigo carne e unha, Lalau – o Venceslau pros que não são da roda -, aliado às coiteiras ajeitadas da sua amantíssima namorada, Lolinha – respeitosamente tratada por dona Locidalva -, ele não teria sabido como fazer com aquele estrupício de paixão. Emplacou namoro de pular noivado, casando-se com o prestimoso apadrinhamento do casal amigo. Nem bem dois meses, já anunciava festivamente o embuchamento da então esposa, com uma cachaçada de arrasar quarteirão: É homem, macho como o pai! A gravidez aos altos e baixos, idas e vindas, o menino rebenta e ele todo ancho, nem levava mais em conta os apertos de todos os dias, semanas, meses, anos. Estava ele agora premiado com o sonho de ser pai e isso era o que valia, pronto! A vida passa, o tempo lá e cá, o menino cresce e a fuchicagem come no centro: Esse menino desmunheca! Como? Isso mesmo! Sai pra lá comboio de enredeiro! Rapaz, esse menino acende a fluorescente! Hem? Ele queima a rodela! Vai ter briga. Esse menino, sei não a quem puxou! E Jadí foi conferir a boataria: olhou, cismou, quase teve um troço, fez que não viu, relevou, chateou-se, não morreu por conta do sempre providencial pitaco do Lalau: Rapaz, se levar a sério o que a mundiça diz, você que morre do coração. É mesmo. Convenceu-se e deixou a coisa escorrer na calha, até o dia em que a boataria passou dos limites e ele se virou pra mulher e gritou: A culpa é sua, desgraçada! Ela nem ligou, já era culpada mesmo de um monte de coisas que nem entendia. Foi aí que o próprio Lalau segredou: Meu compadre, abre o olho: o menino está fazendo fila da macharia nos requedros das quebradas. Como é? Ele está servindo de quenga pra lavagem da jega! Hem? Ô bicho burro da gota: o macho do teu filho está soltando o frosquete! Vixe! Danou-se! Quer me matar de vergonha, é? Foi um Deus nos acuda! Esse menino só me dá vexame! A coisa enfeiou dele perder o senso e a razão: tomou todas de virada e quando chegou em casa arriou a lenha pra cima da mulher, findando na deportação do primogênito: Agora ele vai dar o furico na casa de caixa pregos, aqui não! Então, desterrado pro fim do mundo, o seu Sydnelson assumiu de vez a SySy – com dois ipsilones no meio dos dois esses, como ele afetadamente pronunciava. E transformou-se na dama desvaraida das noites, viúva dos perdidos, cachorra dos sebosos, quenga dos desvalidos, atriz no picadeiro das mariposas, dadeira de todas as safadezas embaixo do lençol: Essa é a viada mais despranaveada de todas! E ela desfilava reboladeira toda espaçosa a ponto de seduzir gregos e troianos às centenas toda de manhã, de tarde e de noite madrugada a dentro, direto feito cantiga de grilo, de não se saciar da safadeza todos os dias, até feriados e dias santos, o que era o maior escândalo. Era um escarcéu. Eis que um dia lá, quando se preparava para a cirurgia de remoção dos penduricalhos e troca dos documentos, ninguém sabe que milagre dos remédios, a espalhafatosa biba se acordou assim, sem mais nem menos, macho dos brabos como se ruidoso e destemido halterofilista, distribuindo bofetada para quem ousasse escárnio com qualquer menção à Sysy: - agora valente Sidnelson, pra quem não sabe. Alguém assobiasse dormia certamente com o maluvido esquentado pra aprender a respeitar. Como é que é? Nunca ouvi falar de ex-gay! Sou muito macho! - e carimbava a munhecada de deixar uma roncha no olho do intrometido que aparecesse com insinuação. Logo ele conheceu Ranuza, uma galeguinha bem arrumada de peito, cardan e beiço, chega dava gosto de ver os dois no maior dos agarrados, aos beijos e apertões. Menino, essa eu nunca vi! Agora veja. Tanto é que Jadinelson estava lá no meio das nuvens, se perguntando: Como é que pode, hem? É sim e por que não? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais 

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com com a cantora lírica estadunidense de origem grega, Maria Callas – La Divina (1923-1977) & Best Colection – Casta Diva, Madame Butterfly, La Traviata, Mimi & Mio bambino caro; & do compositor, arranjador, produtor musical e guitarrista Toninho Horta: Foot On The Road (1994). Veja mais 

PENSAMENTO DO DIA – [...] Em realidade, passamos a nos habituar com o desumano. Aprendemos a tolerar o intolerável. Acomodamo-nos a uma realidade social repleta de carências e cheia de ausências. A palavra política provoca um silêncio gritante. O arco-iris do futuro se nos apresenta inteiramente incolor. Ao purgarm,os essa nova ordem coletiva, caminhamos indignados, mas com uma intrigante conformação, esperando que algum milagre aconteça nas nossas vidas e compreendamos melhor a teia de complexidade que é a realidade, porquento nas nossas míopes visões tudo isso não passa de uma (dês)ordem geral. Trecho de O poder dos mercados: até pouco tempo atrás, a economia nacional era uma entidade soberana, agora o domínio é dos mercados, extraído da obra Contraponto: poder, política, economia e costumes (CEPE, 2006), do economista, professor universitário, editor e analista consultor Carlos Alberto Fernandes.

VENTUROSA – O município de Venturosa é administrativamente formado pelos distritos sede e Grotão e pelos povoados de Ingazeira e Tara Velho, está inserido no Planalto da Borborema, situado nos domínios da Bacia Hidrográfica do Rio Ipanema e seus tributários são os rios dos Bois e Cordeiro, e os riachos do Meio, Carrapateira, da Luiza, das Cabeceiras, Chã de Souza, da Pedra Fixa e Simão. Todos os cursos d'água são intermitentes. O município conta ainda com o açude Ingazeira. O município foi denominado de vila de Venturosa já próximo de ser emancipada. Logo em seguida, foi elevada a categoria de cidade, localizando-se a Pedra Furada, que é uma das mais belas paisagens da região e que faz parte do pólo Buíque/Pesqueira/Venturosa que é um dos sete pólos de ecoturismo de Pernambuco. Em 1985, a Prefeitura de Venturosa construiu o Parque Pedra Furada que dispõe de infraestrutura básica, situada no parque municipal, no qual o mirante oferece paisagens de grande beleza. A cidade possui também outros sítios arqueológicos de grande valor histórico-cientifico, como a pedra do Tubarão, onde foram descobertos um cemitério de índios pré-históricos; Peri-peri ou Morro dos Ossos, formados por dois grandes blocos de granito, que afloram em meio a uma planície e que possuem em suas paredes inúmeras pinturas rupestres. Veja mais aqui.

QUEM NÃO TEM REMÉDIO REMEDIADO ESTÁ – A família Silva mora nos “mangues” da cidade do Recirfe, num “mocambo” que o chefe da família fez quando chegou de cima. A família é originária do sertão. Desceu do Cariri, na seca, perseguida pela fome. Fez uma paradinha no brejo, para tentar o trabalho das usinas, mas não se pôde agüentar com os salários dessa zona, sem ter direito a plantar senão cana. Sem ter, nem ao menos o recurso do xiquexique e da macambira, como no sertão, para quando a fome apertasse. Nesse tempo espalharam pelo interior um boato que o governo tinha criado um ministério para defender os interesses do trabalhador e que com os fiscais da lei, a vida na cidade estava uma beleza, trabalhador ganhando tanto que dava para comer até matar a fome. A família Silva ouviu esta estória, acreditou piamente e resolveu descer para a cidade, para gozar das vantagens que o governo bom oferece aos pobres. Logo de chegada a família ouviu que a coisa era outra. Não havia dúvida que a cidade era bonita, com tanto palácio e as ruas fervilhando de automóveis. Mas a vida do operário, apertada como sempre. Muita coisa pros olhos, pouca coisa pra barriga. O caboclo Zé Luís da Silva não quis desanimar. Adaptou-se: "Quem não tem remédio, remediado está." Entrou na luta da cidade com todas as forças de que dispunha, mas as forças dele não rendiam que desse para a família viver com casa, roupa e comida. Casa só de 80 mil réis para cima, para comida uns 150 e os salários sem passarem de 5 mil réis por dia. Começou o arrôcho. Só havia uma maneira de desapertar: era cair no mangue. No mangue não se paga casa, come-se caranguejo e anda-se quase nu. O mangue é um paraíso. Sem o cor-de-rosa e o azul do paraíso celeste, mas com as cores negras da lama, paraíso dos caranguejos. No mangue o terreno não é de ninguém. É da maré. Quando ela enche, se estira e se espreguiça, alaga a terra toda, mas quando ela baixa e se encolhe, deixa descobertos os calombos mais altos. Num deles, o caboclo Zé Luís levantou o seu mocambo. As paredes de varas de mangue e lama amassada. A coberta de palha, capim seco e outros materiais que o monturo fornece. Tudo de graça encontrado ali mesmo numa bruta camaradagem com a natureza. O mangue é um camaradão. Dá tudo, casa e comida: mocambo e caranguejo. Agora, quando o caboclo sai de manhã para o trabalho, já o resto da família cai no mundo. Os meninos vão pulando do jirau, abrindo a porta e caindo no mangue. Lavam as ramelas dos olhos com a água barrenta, fazem porcaria e pipi, ali mesmo, depois enterram os braços na lama a dentro para pegar caranguejos. Com as pernas e os braços atolados na lama, a família Silva está com a vida garantida. Zé Luís vai para o trabalho sossegado, porque deixa a família dentro da própria comida, atolada na lama fervilhante de caranguejos e siris. Os mangues do Capibaribe são o paraíso do caranguejo. Se a terra foi feita pro homem, com tudo para bem servi-lo, também o mangue foi feito especialmente pro caranguejo. Tudo aí, é, foi ou está para ser caranguejo, inclusive o homem e a lama que vive nela. A lama misturada com urina, excremento e outros resíduos que a maré traz, quando ainda não é caranguejo, vai ser. O caranguejo nasce nela, vive nela. Cresce comendo lama, engordando com as porcarias dela, fazendo com lama a carninha branca de suas patas e a geléia esverdeada de suas vísceras pegajosas. Por outro lado o povo daí vive de pegar caranguejo, chupar-lhe as patas, comer e lamber os seus cascos até que fiquem limpos como um copo. E com a sua carne feita de lama fazer a carne do seu corpo e a carne do corpo de seus filhos. São cem mil indivíduos, cem mil cidadãos feitos de carne de caranguejo. O que o organismo rejeita, volta como detrito, para a lama do mangue, para virar caranguejo outra vez. Nesta placidez de charco, identificada, unificada no ciclo do caranguejo, a família Silva vai vivendo, com a sua vida solucionada, como uma das etapas do ciclo maravilhoso. Cada elemento da família marcha dentro desse ciclo até o fim, até o dia de sua morte. Nesse dia os vizinhos piedosos levarão aquela lama que deixou de viver, dentro dum caixão pro cemitério de Santo Amaro, onde ela seguirá as etapas do verme e da flor. Etapas demasiado poéticas, cheias duma poesia que o mangue não comportaria. Parte-se aparentemente, neste dia, o ciclo do caranguejo, mas os parentes que ficam, derramam caridosos as suas lágrimas no mangue para alimentar a lama que alimenta o ciclo do caranguejo. Texto O ciclo do carangueijo, extraído da obra Documentário Nordeste (Brasiliense, 1957), do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973). Veja mais 

A VERDADE & A BELEZA - [...] A verdade e a beleza devem ser postas em relação; tomadas em si mesmas, sem o apoio que mútuamente se prestam, são valores mui instáveis. A beleza que não se fundasse na verdade, que não pudesse apelar para ela, que não nascesse dela a não vivesse graças a ela, seria pura quimera - e "que é a verdade"? Tirados dum mundo de fenômenos, duma visão do mundo submetida a múltiplas condições, nossos conceitos, como o discerne e o reconhece a filosofia crítica, não são para use transcendente mas só imanente; esse material de nosso pensamento e, com maior razão, os juízos que nos permite construir, não são meios adequados para quem quer apreender a própria essência das coisas e a verdadeira conexão do mundo a da existência. Mesmo que, por uma experiência intimamente vivida, se determine mais convencida a mais convincentemente o que está na base dos fenômenos ainda não se terá trazido à luz a raiz das coisas. Só isto encoraja o espírito humano a tentar este ensaio, que se lhe impõe a isto o justifica; é a hipótese necessária de que também o nosso próprio ser, o nosso mais profundo Eu, é um elemento desse "substractum" do mundo, que aí deve ter raízes e que, por conseguinte, dele talvez se tirem alguns dados que permitam esclarecer a ligação do mundo dos fenômenos a da essência verdadeira das coisas. [...] Texto escrito pelo escritor alemão e Prêmio Nobel de Literatura de 1929, Thomas Mann (1875-1955). Veja mais 

AQUELA DESTELHADA – [...] Destelhada sozinha na rua era uma, em companhia de dona Pequetita era outra. Sozinha, andava ligeira e desempenada, deselegante e sem jejto, o corpo bambolenate todo apoiado ora num pé, ora noutro. Se encontrava algum conhecido, parava e destramelava a língua, contava os casos mais estúrdios e desataviados, que ninguém entendia direito, tão matéria de desmiolação eram as suas conversas. [...] Num instante Aquela Destalhada foi sumindo, sumindo, minguando, e virou um monte de ossos, fantasticamente encolhida. Todo mundo viu que, apesar dos surpreendentes cuidados de dona Pequetita, tinha chegado a sua vez. [...]. Conto extraído da obra Melhores contos (Global, 2001), reunidos do escritor, advogado e jornalista Autran Dourado (1926-2012), organizado por João Luiz Lafetá. Veja mais 

FÉ MENINA: DE COMO AOS POUCOS POUQUINHOS SE PALAVRA UMA MULHER – Aos poucos ela se estreia. / se espelha, se emparelha, se brecha, se avexa / se acalma, se isola, se desnuda, se tesuda / se chuvisca, se saboneta, se tateia / se depila, se orvalha, se toalha, se enxuta / se hidrata, se escova, se desodora, se fareja / se calcinha, se saia, se camiseta / se retoca, se bonita, se bendita, se viceja / se lampeja, se menina, se gata, se heroína, / se tigresa, se mulher. / Se joga na vida dele, se afeiçoa, se atina, se afina, / se imã, se clima, se bem-me-quer. / Se namora, se demora / se chega, se aprochega, se encabula, se melindra / se recata, se fasta, se dificulta / se nega, se nega, se nega... / Se titubeia, se insinua, se permite, se alua / se enfraquece, se esquece, se entrega, se chamega / se beija, se rebeija, se carícia / se ameiga, se marasma, se instiga, se descontina. / Se inflama, se faísca, se incendeia, / se inunda, se serpenteia / se galopa, se ofega, se avassala, se cora / se desnorta, se doideja, se tremelica / se transborda, se zarolha, se estardalha / se estonteia, se estronda, se estupefa / se estafa, se triunfa, se fulmina... / se glorifica. Poema extraído da obra Bandeira nordestina (Bagaço, 2006), do poeta, compositor e intérprete Jessier Quirino. Veja mais 
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XADREZ NA BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Nesta sexta-feira, 01/12, realizou-se o Campeonato de Xadrez na Biblioteca Pública Fenelon, envolvendo alunos da Escola Municipal Lauro Chaves e participantes da comunidade, com apoio da Semed Palmares-PE.

Veja mais:

A literatura de Marquês de Sade aqui, aqui, aqui & aqui.
A arte de Anita Malfati aqui, aqui, aqui & aqui.
O teatro de Edmond Rostand aqui.
A arte de Otto Dix aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora e perfomer alemã Barbara Heinisch.
Veja mais aqui.

MEMÓRIA DA CENA PERNAMBUCANA
Livro tratando acerca da cena teatral pernambucana, a partir do Teatro Hermilo Borba Filho, do Tucap, do TEO, do Teatro da Criança do Recife, Vivencial Diversiones, Clube de Teatro de Pernambuco, do Tare/Marcus Siqueira Produções Artisticas, do TAM, TTTrês Produções & Grpo de Teatro Panaceia, organizado por Leidson Ferraz, Rodrigo Dourado e Wellington Júnior (Autores, 2005), com entrevistas, fotos e registros de espetáculos. Veja mais aqui & aqui.


GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...