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sábado, setembro 19, 2015

PAULO FREIRE, BLAKE, LOUZEIRO, CAMARGO MARIANO, GILBERTO GERALDO, MITODRAMA, FLIMAR & FECAMEPA.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? E A BRONCA CONTINUA... - (Imagem: matéria publicada no jornal Gazeta de Alagoas, Opinião, p. A4, Maceió, sexta-feira, 07 de abril de 2000). Entre os anos de 1996/2000, publiquei quase que quinzenalmente, alguns artigos na seção Opinião, da Gazeta de Alagoas. Esse é um deles em que eu dava meu testemunho para a realidade em que nos encontrávamos então. Foram esses artigos que me fizeram refazer uma pesquisa iniciada no início dos anos 1980 e que, de forma intermitente, eu retomava no meio dos meus afazeres. Resultado de leituras em uma tuia de livro acumulada ao longo desses anos todos e que passavam o Brasil a limpo, e inspirado na memorável obra do Sérgio Porto – Stanislaw Ponte Preta, o Festival de Besteiras Assolando o País - Febeapá, inventei de entrar na onda do nada se perde, nada se cria, tudo se copia, e descaradamente fiz um testemunho geral que denominei de Festival de Cagadas Melando o País – Fecamepa. Imitação barata mesmo, admito, verdadeiro pechisbeque da honorável obra imitada. Mas como qualquer gandula que se aproveita da desleixada do juiz da partida pra empurrar a bola pra dentro do gol adversário, inicialmente tomei gosto com mais afinco porque a revista Ultra Portal tinha comprado a briga e me deu uma coluna para publicação desse meu levantamento bem humorado semanalmente e que passei a chamar de croniquetas. Já pensou? Pra folgado botar banca, basta surgir a oportunidade. E foi. A primeira delas Por que Brasil, hem? Não economizei na dedução e sobre a razão da gente escrever Brasil com “s” e os estrangeiros com “z”. E pra dar mais corda no meu despropósito, essa croniqueta findou sendo publicada na antologia Guardados e Contextos (Guarajás, 2005), organizada por Clarisse Maia-Guedes. Era a corda que faltava preu ficar mais espaçoso. Aí, depois dessa, eu vou me ocupando em textos breves e bem humorados - pelo menos pra mim, né? -, na tentativa de refazer o trajeto histórico desde o equivocado descobrimento até o ano 2000, quando publico este texto que saiu na Gazeta de Alagoas. Ambição de recruta essa de querer levantar 500 anos em meia dúzia de páginas. Mas, destá. Prossegui depois com o registro do apagar das luzes do governo de FHC e da chegada à presidência do Lulinha-paz-e-amor, em 2002. Aí dei um ponto e voltei a ser espectador, não deixando em nenhum momento de fazer a minha parte. Pois bem, o meu objetivo era e continua sendo até hoje, o de demonstrar que a safadeza, a pinoia, a espórtula e todas as práticas nefastas que a gente vê espoucando nas manchetes diárias de todos os jornais sobre propinodutos, gatunildos & ladronaldos desse Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada, não é de hoje. Tomei pé disso, porque desde que eu nasci que ouço falar de crise, roubalheira, corrupção e o escambau. Será que só deixaram eu nascer para botar as manguinhas de fora? Vixe! Pra meu alívio e, ao mesmo tempo, pânico brabo, é que depois das leituras numa leva boa dum bocado de livro sobre a nossa história, aí que fiquei sabendo que tudo isso vem desde muito antes: desde a chegada dos portugas, quando nossos nativos adivinhando que eles não traziam só catinga, passou a chamá-los de perós. Afinal nossos índios sábios já anteviam a tapeação que vinham na bagagem deles. E deles aprendemos tudo, inclusive a dissimulução e a possibilidade de qualquer histriônico se tornar celebridade – bastando ter uma carinha simpática pras meninas e uma bundinha proeminente pros meninos, que a mídia brazuca será pródiga em promover qualquer badameco em sujeito probo e acima de qualquer suspeita no ápice da notoriedade. Pode conferir no amiudado que terá essa constatação. Fazendo isso poderá constatar que o que a gente faz hoje é usar da criatividade de repetir o que sempre foi feito no Brasil: sermos uma grande corda de Fabos. O que é isso? Fabricantes de bosta! Fabos. Isso é o que a gente mais sabe fazer. Aliás, diga-se de passagem, que essa é a faculdade inata em cada um de nós brasileiros. Uns poucos conseguem, por ética e educação, superar essa parte genética da nossa índole – mas que inadvertidamente a reproduz de uma forma ou de outra no cotidiano nem que seja algumas poucas vezes na vida, provavelmente. Outros mais afoitos, ou assumem a cara de pau (esses são os mais fáceis de identificar e estão sempre querendo estar bem na fita), ou se mantém anônimo também inconscientemente – ou não – vestindo a carapuça, dando nó cego nas instituições públicas e na vida privada das pessoas a todo instante e todo santo dia - uns aos outros, diga-se de passagem. Então, repito: que Deus nos acuda! Ou vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! E veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: Nu sobre o divã, do artista plástico Gilberto Geraldo.


Curtindo o álbum Nova saudade (2001), do pianista, arranjandor e compositor Cesar Camargo Mariano.

IDENTIDADE CULTURAL E EDUCAÇÃO – No livro Professora sim, tia não: cartas para quem ousa ensinar (Olho D’Água, 1993), do educador, pedagogista e filósofo Paulo Freire (1921-1997), encontro o oitava carta denominada Identidiade cultural e educação, da qual destaco o trecho: Perguntar-nos em torno das relações entre a identidade cultural, que tem sempre um corte de classe social, dos sujeitos da educação e a prática educativa é algo que se nos impõe. É que a identidade dos sujeitos tem que ver com as questões fundamentais de currículo, tanto o oculto quanto o explícito e, obviamente, com questões de ensino e aprendizagem. Discutir, porém, a questão da identidade dos sujeitos da educação, educadores e educando, me parece que implica desde o começo de tal exercício, salientar que no fundo a identidade cultural, expressão cada vez mais usada por nós, não pode pretender exaurir a totalidade da significação do fenômeno cujo conceito é identidade. O atributo cultural, acrescido do restritivo de classe, não esgota a compreensão do termo identidade. No fundo, mulheres e homens nos tornamos seres especiais e singulares. Conseguimos, ao longo de uma longa história, deslocar da espécie o ponto de decisão de muito do que somos e do que fizemos para nós mesmos individualmente mas, na engrenagem social sem a qual não seriamos também o que estamos sendo. No fundo, nem somos só o que herdamos nem apenas o que adquirimos, mas a relação dinâmica, processual do que herdamos e do que adquirimos. [...] Em conclusão, a escola democrática não apenas deve estar permanentemente aberta à realidade contextual de seus alunos, para melhor compreendê-los, para melhor exercer sua atividade docente, mas também disposta a aprender de suas relações com o contexto concreto. Daí a necessidade de, professando-se democrática, ser realmente humilde para poder reconhecer-se aprendendo muitas vezes com quem sequer se escolarizou. A escola democrática de que precisamos não é aquela em que só o professor ensina, em que só o aluno aprende e o diretor é o mandante todo-poderoso. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

INFÂNCIA DOS MORTOS – O livro Infância dos mortos (Record, 1977), do escritor e roteirista José Louzeiro, conta a história sobre a infância de milhões de crianças que se encontram na condição de menores abandonados ou carentes, no Brasil, tendo por tema a vida e a morte desses pequenos que são considerados marginais. Da obra destaco o trecho inicial: A manhã estava clara e leve. Pichote livrou-se das folhas de jornal, olhou o dia que principiava, os que entravam e saiam apressados na estação de trens. Ergueu-se, antes que os guardas aparecessem. Surgiram por volta de 6 goras e espancavam os que podiam pegar. Era a quarta vez que dormia na estação e escapava dos guardas. Dito não acreditaria. Na primeira madrugada, acordou ainda escuro. Na verdade, não chegou a dormir direito. Na segunda, despertou com o barulho dos jornaleiros e do homem do bar, suspendendo as portas de fero. Na outra, sentiu alguém mexendo nos seus bolsos. Era o crioulo risonho e bêbado, canivete apontado. Não gritou, não disse nada. O crioulo revistou-lhe os bolsos, até encontrar a cédula de cinco. Tive vontade de correr atrás, gritar-lhe palavrões, mas sabia o quanto era arriscado. Por isso, tornou a encolher-se. Chorou baixinho e, chorando, adormeceu. Despertou com a barulheira dos caminhões descarregando jornais. Desta vez, o que o levava a acordar tão cedo era o compromisso com Dito, Manguito e Fumaça. Cristal apareceria, entregaria o bagulho, retornariam à estação, seguiriam como clandestinos até São Paulo. Pichote nunca fora àquela cidade. O plano o fascinava. Não se recorda de emoção maior: viajar. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

A RESPOSTA DA TERRA E DOIS POEMAS – No livro Canções da inocência e da experiência (Bagaço, 1987), do poeta, tipógrafo e pintor inglês William Blake (1757-1827), destaco os poemas que foram traduzidos por Antonio de Campos. O primeiro deles, O torrão de barro e o seixo: O amor não busca o seu próprio bem, / nem cuida um instante de si mesmo. / Antes, pelo outro chega a dar a vida, / e ainda no inferno, o paraiso faz. / Cantarra um torrão de barro, / no meio do caminho, pisado. / Enquanto um seixo entoava, / na beira do rio, sua canção. / O amor só busca o seu próprio bem, / pra acorrentar o outro em seu gozo, / alegra-se quando só ele tem prazer, / e faz um inferno apesar do paraíso. Também o poema A resposta da terra: Da triste escuridão: luz / fugidia, a Terra ergueu / a fonte, e seus cabelos / de aflição se tingiram. / Prisioneiro de meu próprio / corpo, queixoso e envelhecido, / com as paixões já refreadas, / moderado, cuido eu de meu retiro. / Egoismo, pai dos homens! Ciumento às trevas preso, / podes, desumano, alegrar / a radiância do coração? / Guarda sua alegria a primavera, / com flores e botões a crescer? / O agricultor sem luz semeia, / ou colhe à noite o ceifeiro? / Egoismo estéril! / Veneno eterno! / Corta as amarras / e livra o Amor. Por fim o belíssimo A aflição do próximo: Posso ver a aflição do próximo, / e ver de meu irmão o desespero / sem me sentir aflito também, / nem ao que sofre buscar alívio? / Posso uma gota de lágrima ver, / e ficarem enxutos meus olhos? / Pode um pai ver seu filho chorar / e não sentir dor alguma ao peito? / Pode uma mãe ficar sentada a ouvir / o temor e o gemido de sua criança? / Não, isso não acontece jamais! / Isso a luz do sol nunca verá. / Pode, sem se condoer, aquele que / deseja paz e paz sobre a Terra, / ouvir dum pássaro o canto amargo, / ver tristes os olhos duma criança, / e não sentar-se à cabeceira, / vertendo pena em seu coração? / Não permanecer ao pé do berço, / lágrima na lágrima da inocência, /ou não se quedar dia e noite, / varrendo pra longe o pranto? / Não, isso não acontece jamais! / Isso a luz do sol nunca verá. / Ele com todos reparte alegria, / ele se torna uma criacinha, / ele se faz um homem dolorido, / ele também sente o luto alheio. / Não penses que dás um gemido, / e não está perto o teu Criador, / não penses que deitas lágrimas, / e o teu Criador fica ausente. / A todos nós, ele nos dá sua alegria / destruidora de nossas atribulações; / até ao largo nossa aflição se fazer, / está junto a nós e sofre nossa dor. Veja mais aqui, aqui e aqui.

MITODRAMA – O livro Mitodrama: o universo mítico e seu poder de cura (Ágora, 2000), da escritora, ensaísta e professora universitária Contintha Maciel, trata sobre a historia da construção do mitoderama, teogonia e o mito da origem do universo e do homem, o circum-ambulatio, mapas dos caminhos para o universo mítico, entre outros assuntos. Da obra destaco os trechos: [...] A ideia de me tornar uma contadora de histórias vem me segundo/perseguindo nos últimos anos e, mais recentemente, pelo princípio da sincronicidade essa proposta tem caído em minhas mãos como frutas maduras. Um mitólogo é considerado um contador de histórias, no sendo em que Hesíodo o foi para os gregos. O adjetivo arcaico, em seu sentido historiográfico, aponta sempre para uma época anterior ao pensamento racional. Em seu étimo, envolve a ideia de arkhé, o princípio inaugural que dá origem a toda a experiência. [...] J. L. Moreno quando fala na Revolução Criadora, embora não enfatizando a ideia de alma, está o tempo todo tornando-a como o locus, onde o processo criador se desenvolve. Em Dramaturgia e criaturgia, refere-se à alma como o palco onde o drama humano é encenado [...] Para todo evento humano há sempre um mito correspondente, e quando podemos trazer para a consciência o roteiro mítico em que se estrutura determinado conflito, podemos resolvê-lo pelo principio símile similibus curantur. Segundo Jung, se os mitos permanecerem no inconsciente, eles poderão monitorar nossas vidas, dominando a consciência de forma compulsiva, e às vezes destrutiva, pois, quando um mito é constelado, a pessoa fica possuída por ele e forçada a cumprir sua meta fatal. Observa-se isto nas neuroses e psicoses, em termos pessoais, e nas grandes mudanças no nível coletivo, pois as correntes profundas se movimentam em meio a assuntos aparentemente comuns da vida cotidiana. Dizer, portanto, que não é o homem quem cria os mitos, mas é criado por eles, não é um mero jogo de palavras, mas a constatação de uma verdade que toca as profundezas do sofrimento humano. Hoje, os deuses tornaram-se doenças, de modo que se quisermos encontra-los, deveremos olhar para nossas patologias. Tal afirmativa de Jung nos reforça a necessidade de conhecer as narrativas mitológicas a fim de que possamos avaliar as profundezas dos sofrimentos da psique. Tomamos, pois, como referencia, os doze deuses olímpicos, em suas representações mais consagradas. Como cada enredo mítico possui muitas variáveis, não nos preocupamos em correlacionar cada figura mitológica a este ou àquele quadro clinico, pois, se assim o fizéssemos, estaríamos reduzindo-as a um único viés. Além disso, muitos já fizeram e com magistral conhecimento. O que nos interessou no mitodrama foi conhecer o enredo mítico para podermos detectá-lo nas entrelinhas da queixa e, dessa forma, estando com nosso cliente, facilitar a ele a experiência de viver o mito de forma consciente e voluntária, para que assim possa livrar-se de sua compulsão à repetição e tornar-se livre e senhor de sua história. Começamos nossos estudos pelas origens, não pelo princípio, pois que o princípio é histórico, pressupondo tempo e espaço delimitados. A origem mítica, é a fonte de onde emana o impulso e provém do espanto, da dívida e da comoção diante de uma situação-limite. Começamos, pois, com a Teogonia, a origem do universo e da vida. Veja mais aqui.

DIETA MEDITERRÂNEA – A comédia Dieta mediterrânea (mediterránea Diet, 2008), dirigida pelo cineasta espanhol Joaquin Oristrell, conta a história de uma mulher que é jeitosa, atrevida, mandona e a melhor cozinheira do mundo – com seu corpo esguio e belos seios -, envolvida com dois homens que tentam criar uma lenda no mundo da culinária, envolvendo-se num triângulo amoroso: ela ama seu marido, do qual é esposa, amante e cheg de cozinha, e se apaixona pelo homem com quem ela aprende os segredos da culinária, formando um acordo profissional e sexual. Desse acordo, a mulher se torna uma sacerdotisa no ritual de preparar comida para ser servida e apreciada, tornando o filme bem ao gosto de qualquer paladar. O destaque vai para a bela e sensual atriz espanhola Olivia Molina. Veja mais aqui.

FLIMAR – Acontecerá entre os dias 11 e 15 de novembro de 2015, na cidade de Marechal Deodoro (AL), a VI Feira Literária de Marechal Deodoro (VI FLIMAR), que este ano homenageia o escritor alagoano Jorge de Lima. Segundo informações do secretário de cultura do município, o escritor Carlito Lima, já estão confirmadas as presenças de Ignácio Loyola Brandão, Maurício Melo Junior, Larissa Normande, Pedro Cabral, Mácleim, Leticia Elena Silveira, Ovidio Poli, Monica Montone, Norma Duarte, José Inacio Vieira de Melo, entre outros. Além disso, no evento acontecerá palestras, concertos, shows noturnos, serestas, mesa de debates, exposições, folclore, saraus poéticos, livrarias, feiras de arte e cultura, e para a criançada a Flimarzinha. Trata-se de um dos mais importantes eventos literários realizados no Estado de Alagoas, consagrando-se pela sua amplitude de resgatar a cultural e a arte da cidade de Marechal Deodoro, como também levar aos munícipes a convivência com personalidades artísticas do Brasil e do exterior em cada uma das suas edições. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Projeto de Extensão Infância, imagem e Literatura na comunidade de Jacaré/Recanto da Ilha – Marechal Deodoro – AL. Da esquerda pra direita: Franciele Miranda, Luiz Alberto Machado, Prof. Claudio Jorge Morais, Gustavo Kresc & Williane Sotero. Veja mais detalhes aqui. 
Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Noite Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quinta-feira, agosto 20, 2015

CORALINA, PIGNATARI, ANTUNES FILHO, CARRACCI, LED ZEPPELIN, DIRETO &PSICANÁLISE, CAPSI & PROJETO DE EXTENSÃO!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? DIREITO E PSICANÁLISE - As relações entre o Direito e a Psicanálise tem se estreitado em virtude das manifestações de doutrinadores, magistrados e militantes da área jurídica a respeito do assunto. De um lado, o Direito tem atuado nas relações e ações humanas notadamente no que compreende a repercussão dessas relações e atos na sociedade. Assim, essa área atua na prática de legislar sobre as relações e anseios humanos, criando um arcabouço legal de regulação da conduta humana na proteção da sociedade. Nesse sentido, por meio da regulação jurídica há uma imposição da autoridade coatora na exigência do princípio de Justiça e na satisfação do interesse público em nome da coletividade. A Psicanálise, por sua vez, tem demonstrado a perspectiva que leva em consideração a estrutura do individuo por meio de análise de cada particularidade da história de vida do sujeito, além das limitações criteriosas dos diagnósticos, propiciando aprofundamento no estudo da subjetividade da pessoa e na identificação da sua personalidade. Trata-se de uma teoria que envolve a observação fisiológica, biológica e psíquica que envolve questões afetivas, da personalidade, do comportamento, do desenvolvimento e da motivação consciente e inconsciente. Nesse contexto, essa área do conhecimento atua na busca por desvendar os impulsos que se encontram antecedentes aos atos humanos, procurando identificar a motivação e causa das origens desses mesmos atos. Por essa razão, a introdução da Psicanálise na área jurídica possibilita uma ampla e nova maneira de se pensar e criar diplomas legais, considerando o estudo humano por meio da expressão do seu caráter. Nessa relação observa-se que ambas as áreas do conhecimento se encontram com um diálogo que envolve os mais diversos contextos da vida humana. Na esfera penal possibilita a Psicanálise a demonstração com clareza do estilo de vida daquele que comete um ato delituoso, identificando suas fraquezas, impulsos, frustrações e comportamentos, bem como a forma adequada de aplicar tratamentos que tenham por fim a ressocialização e, consequentemente, reinserção do individuo ao exercício da cidadania. Na área da infância, juventude, idosos, obrigações e responsabilidades, introduz a Psicanálise uma ressignificação do outro em todos os níveis de relação, promovendo, por sua vez, uma interação por meio do diálogo de perspectivas para um melhor entendimento da sociedade contemporânea. Por consequência, na esfera familiar a Psicanálise contribui para entendimento das relações afetivas permeadas por toda sorte de ventura e vicissitudes, observando as disfunções biológicas, fisiológicas e psíquicas produtoras de condições patológicas que conformarão as condutas no seio da sociedade. Tal condução advém do entendimento de que tanto na questão familiar, como em todas as demais áreas jurídicas estão envolvidos os mais diversos interesses, conflitos, comportamentos, dissimulações e afetos que vão muito além da positivação dos ordenamentos jurídicos, uma vez que envolve questões tanto biológicas, como psíquicas, culturais, fisiológicas, ambientais, sociais, individuais e religiosas. Tais conduções se tornam possíveis porque os propósitos psicanalíticos produzem uma análise da formação dos indivíduos desde a sua infância para formação de um histórico individual que permite a identificação de distúrbios emocionais de natureza grave e na perspectiva de uma predisposição para prática de atos delituosos ou na geração dos litígios e conflitos. Torna-se, portanto, indubitável o fato de que contribui a Psicanálise no processo de decisão do magistrado ao levá-lo a ponderar a respeito das causas, motivações, expressões, omissões e toda tramitação que envolve todos os litigantes nas lides processuais em todas as esferas jurídicas, favorecendo-o como importante instrumento na administração da Justiça. Diante do exposto, fica detectada a notória e inestimável contribuição que o estudo das teorias psicanalíticas possibilitarão ao Direito a edificação de um corpo normativo adequado à conduta humana na percepção do sujeito com suas possibilidades, angústias, impasses, paradoxalidades, conflitos, complexidades, transformações e ambiguidades, diante do que é justo/injusto, direito, poder, coação, coletividade, subjetividade e interesse público. Assim, a Psicanálise é uma entre tantas disciplinas que contribuem para auxiliar o pleno exercício da atividade jurídica. E essa interlocução entre Direito e Psicanálise promove a revisão conceitual e paradigmática das bases jurídicas, possibilitando um melhor desdobramento nas demandas judiciais. E vamos aprumar a conversa aqui, aqui, aqui e aqui.

 Imagem: Sleeping Venus, do pintor italiano Agostino Carracci (1557-1602).


Curtindo o álbum Houses of the Holy (Atlantic Records, 1973), da banda britânica de rock Led Zeppelin.

INFÂNCIA, IMAGEM & LITERATURA – Aconteceu nesta quinta, 30 de abril, no auditório João Sampaio, no Centro Universitário Cesmac, a 7ª Reunião da Extensão Comunitária com apresentação do resultado parcial dos projetos de extensão, vigência 2015. Na ocasião foi apresentado o relatório do Projeto de Extensão Infância, Imagem e Literatura: uma experiência psicossocial na comunidade do Jacaré – AL, realizado pelos graduandos dos cursos de Psicologia & Comunicação Social do Centro Universitário Cesmac, sob a coordenação do Professor Ms Cláudio Jorge Gomes de Morais. Veja mais detalhes do projeto aqui.

TEORIA DA POESIA CONCRETA – O escritor, advogado, sociólogo, professor, tradutor e teórico da comunicação Décio Pignatari (1927-2012), foi um dos fundadores do movimento estético denominado Concretismo, ao lado dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. O grupo editou as revistas Noigandres e Invenção e, posteriormente, A Teoria da Poesia Concreta (1965). O grupo ainda lança em 1956, o plano-piloto Poesia Concreta, síntese teórica do trabalho poético com traduções em diversas línguas. Ele é autor de obras como Informação, Linguagem e Comunica (1968) e reuniu sua produção poética no livro Poesia Pois é Poesia (1977), do qual destaco o poema Janeiro/Fevereiro – Calendário Philips, 1980: Nem só a cav / idade da boca / Nem só a língua / Nem só os dentes / e os lábios / fazem a língua / Ouça / as mãos / tecendo a língua / e sua linguagem / É a língua / têxtil / O texto / que sai das / mãos / sem palavras. Também o seu Torre de Babel (1960): TORRE DE BABEL / TORRE DE BELÉM / TURRIS EBURNEA / TOUR EIFFEL / TOUR DE FORCE / TOWER OF LONDON / TOUR DE NESLE / TORRE DI PISA / TORRE A ESMO / ENEREATLRIE / TBOIOCRDEFO / EARREEDBTSF / RRUSIOSOEEO / OTEBEDTTALO / ULORBTEOAOF / ROOSLNRRETE / MNPDERFRRLM / ETDEUWEREIN / URUD. O seu primeiro livro de poesia Carrossel foi publicado em 1950, além de publicar o volume de contos Rosto da Memória (1988), o romance Panteros (1992) e a peça teatral Céu de Lona. Além disso, ele realizou pesquisas na área de Semiótica, fundando em 1969 a Association Internationale de Sémiotique (AIS), na França, e, em 1975, participa do lançamento da Associação Brasileira de Semiótica (ABS). Em 2008, foi publicado o seu livro Bili com limão verde na mão (Cosac Naif), ilustrado por Daniel Bueno. Veja mais aqui e aqui.

CÂNTICO DA TERRA & MEU DESTINO - Sou um daqueles entre aqueles fascinados pela arte da poeta Cora Coralina (1889-1985), uma mulher simples que foi doceira por profissão e que escreveu umas das mais belas páginas poéticas da literatura brasileira. Entre elas, destaco O cântico da Terra: Eu sou a terra, eu sou a vida. / Do meu barro primeiro veio o homem. / De mim veio a mulher e veio o amor. / Veio a árvore, veio a fonte. / Vem o fruto e vem a flor. / Eu sou a fonte original de toda vida. / Sou o chão que se prende à tua casa. / Sou a telha da coberta de teu lar. / A mina constante de teu poço. / Sou a espiga generosa de teu gado / e certeza tranquila ao teu esforço. / Sou a razão de tua vida. / De mim vieste pela mão do Criador, / e a mim tu voltarás no fim da lida. / Só em mim acharás descanso e Paz. / Eu sou a grande Mãe Universal. / Tua filha, tua noiva e desposada. / A mulher e o ventre que fecundas. / Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor. / A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu. / Teu arado, tua foice, teu machado. / O berço pequenino de teu filho. / O algodão de tua veste / e o pão de tua casa. / E um dia bem distante / a mim tu voltarás. / E no canteiro materno de meu seio / tranquilo dormirás. / Plantemos a roça. / Lavremos a gleba. / Cuidemos do ninho, / do gado e da tulha. / Fartura teremos / e donos de sítio / felizes seremos. Também o seu belíssimo poema Meu Destino: Nas palmas de tuas mãos / leio as linhas da minha vida. / Linhas cruzadas, sinuosas, / interferindo no teu destino. / Não te procurei, não me procurastes – / íamos sozinhos por estradas diferentes. / Indiferentes, cruzamos / Passavas com o fardo da vida... / Corri ao teu encontro. / Sorri. Falamos. / Esse dia foi marcado / com a pedra branca / da cabeça de um peixe. / E, desde então, caminhamos / juntos pela vida... Veja mais aqui e aqui.

MACUNAÍMA NO TEATRO – A montagem teatral empreendida pelo diretor teatral Antunes Filho para o romance de Mário de Andrade, Macunaíma (1982), foi resultado do grupo criado pelo diretor no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), no Sesc SP, criando novas estéticas e formando atores, técnicos e criadores cênicos, desenvolvendo novos conceitos e exercícios na busca pelo refinamento de um método próprio de interpretação para o ator. Ele pertenceu à primeira encenação de encenadores brasileiros oriundo do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), no qual ingresso em 1952, participando ativamente do movimento de renovação cênica ocorrido entre os anos de 1960 e 1970. Possui uma trajetória que foi iniciada em 1953, quando encenou Week-end, de Noel Coward, que transcorre até as suas montagens para Toda Nudez Será Castigada (2012) e Nossa Cidade (2013). A montagem de Macunaíma, conforme expresso por seu diretor em diversos veículos de comunicação foi o resultado de muita pesquisa. Seu trabalho teatral está reunido num conjunto de seis vídeos denominados Mostra Antunes de Vídeo, selecionados por Júlio Cesar de Miranda, reunindo além de Macunaíma, as montagens de Vereda da Salvação (1993) e Foi Carmem Miranda (2008), entre outras. Veja mais aqui e aqui.

CORPO E ALMA DE MULHER – Como sempre fui fascinado por cinema, coisa que aprendi a apreciar desde menino quando ia pras sessões matinais tanto do Teatro Cinema Apolo, como do Cine São Luiz, um certo eu consegui burlar os porteiros com meu bigodinho ralo embaixo da venta, nos meus áureos tempos de pré-adolescência e consegui assistir ao filme Corpo e Alma de Mulher (1983), conta a história de um fazendeiro e advogado bem sucedido nos rincões do Brasil, e sua esposa paraplégica que contratam uma enfermeira para cuidar dela. No decorrer da trama, o marido acaba se tornando disputa da prima da esposa enquanto se envolve com a enfermeira. Tomando conhecimento do caso, a esposa pede à enfermeira que aplique uma injeção letal para que seja poupada dos acontecimentos. O destaque do filme é para a sempre musa e atriz Vera Fisher que foi Miss Brasil em 1969, que retornou aos palcos com a peça Relações Aparentes, do britânico Alan Ayckbourn. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Reunião aberta do Centro Acadêmico Martin-Baró, reunindo graduandos do curso de Psicologia do Centro Universitário Cesmac, debatendo a temática Gênero & Sexualidade, realizada nesta quarta, dia 19, com debates e execuções musicais. Confira detalhes aqui.

 Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa SuperNova, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Desenho de Mariana Nogueira.
Veja mais aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...