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quarta-feira, julho 08, 2015

PERLS, LA FONTAINE, GIL VICENTE, LAURINDO RABELO, PROCÓPIO, EPPER, DIVERSÕES LÚDICAS, ÓPERA NA MALA & FECAMEPA!!!!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? FECAMEPA – A História do Brasil que eu estudava na escola virou pinoia logo quando, no inicio da segunda metade dos anos 1970, descobri de uma tacada só os estudos desenvolvidos pelo historiador, jornalista e advogado Francisco Augusto Pereira da Costa e, também, do historiador José Antônio Gonsalves de Melo. Foi, então, que comecei a dar umas investidas mais pesadas na biblioteca do meu pai que guardava várias coleções e uma farta exposição de livros sobre o tema, vez que ele era professor da disciplina, e saí fuçando tudo. Outra surpreendente descoberta foi ter acesso à coleção Cronologia Pernambucana – Subsídios para a história do agreste e do sertão (FDMIP/CEHM, 1982), do historiador Nelson Barbalho que me deu mais gás ainda para prosseguir na empreitada. Estava eu repleto de informações que requeriam uma mudança radical a respeito do que havia aprendido acerca da história da patriamada. Mesmo quando fui pra faculdade, entrando noutra área alheia ao tema, mantive meus estudos a respeito ao longo dos anos, até que ao acumular mais de trinta de pesquisas histórias a respeito do meu país, resolvi dar uma intrometido. Mesmo não tendo qualificação nenhuma para abordar tal temática, resolvi escrever umas croniquetas a respeito de acontecimentos históricos ocorridos desde 1500 até o presente – tipo imitação barata do Febeapá, do saudoso Sérgio Stanislaw Porto Ponte Preta -, resultando na reunião de umas besteiradas com fundamentos históricos denominado Festival de Cagadas Melando o País, o que resultou na demoninação do Fecamepa. Vamos aprumar a conversa? Confira aqui e aqui.

Imagem: Barque on the lake, do pintor e escultor suíço Ignaz Epper (1892-1969)

Curtindo o dvd Diversões Lúdicas ao vivo e a cores (2008), do grupo mineiro Diversões Lúdicas criado em 1991 e formado por Rosana Brito (voz, violão, percussão e direção musical), Isabella Ladeira (voz e percussão) e Gutti Mendes (guitarra, voz e percussão).

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino no Projeto MCLAM, com apresentação da simpática apresentadora Ísis Corrêa Naves, em dois horários: às 10hs e às 15hs. Além disso, no blog do projeto Bricarte voê pode conferir as atividades desenvolvidas por Nitolino com os professores e alunos do Sesc Jaraguá – Maceió, como também conferir a literatura de Mírian Leitão, afora ficar por dentro de informações e outras dicas sobre Educação Infantil, Psicologia Infantil, Direito das Crianças e Adolescentes, Literatura Infantil, Música Infantil e Teatro Infantil. Confira aqui e aqui.

GESTALT-TERAPIA – O livro Gestalt-terapia explicada (Summus, 1977), do psicólogo, psicoterapeita e psiquiatra alemão Friederich Salomon Perls (1893-1970), traz uma síntese de suas palestras e sessões gravadas com as quais apresenta e sustenta a Gestalt-terapia, comentando suas intervenções e proposta de que o desenvolvimento psicológico e biológico de um organismo se processa de acordo com as tendências inatas que tentam adaptá-lo harmoniosamente ao ambiente, apresentando uma visão de homem e de mundo pautadas na holística, na fenomenologia e no existencialismo, e tendo como foco levar as pessoas a restaurar o contato consigo, com os outros e com o mundo. Da obra destaco o trecho introdutório: Desejo falar sobre o desenvolvimento atual da psicologia humanista. Levamos bastante tempo para desmascarar todo o logro freudiano, e agora estamos entrando numa fase nova e perigosa. Estamos entrando na fase das terapias estimulantes: ligando-nos em cura instantânea, em consciência sensorial instantânea. Estamos entrando na fase dos homens charlatães e de pouca confiança, que pensam que se vocês obtiverem alguma quebra de resistência, estarão curados, sem considerar qualquer necessidade de crescimento, sem considerar o potencial real, sem considerar o gênio inato em todos vocês. Se isto estiver se tornando moda, será tão perigoso para a psicologia quanto deitar num divã durante um ano, uma década, um século. Pelo menos os danos que sofremos com a psicanalise tem pouca influencia sobre o paciente, a não ser por deixaram-no cada vez mais morto. Isto não é tão prejudicial quanto a coisa super-super-rápida. Os psicanalistas pelo menos tinham boa vontade. Devo dizer que estou muito preocupado com o que está acontecendo atualmente. Uma das objeções que tenho contra qualquer pessoa que se diga um Gestalt-terapeuta é quanto ao uso da técnica. Uma técnica é um truque. Um truque que deve ser usado apenas em casos extremos. Existem muitas pessoas colecionando triques e mais truques, abusando deles. Estas técnicas, estes instrumentos são bastante úteis em seminários de consciência sensorial ou alegria, para dar a ideia de que ainda se está vivo, e que o mito de que o americano é um cadáver não é verdade, que ele pode estar vivo. Mas o triste fato é que esta energetização frequente se torna uma perigosa atividade substituta, uma outra falsa terapia que impede o crescimento. Agora, o problema não é tanto em relação às terapias estimulantes, mas em relação a toda cultura americana. Nós demos um giro de cento e oitenta graus, do puritanismo e moralismo até o hedonismo. De repente, tudo tem que ser diversão e prazer, e qualquer envolvimento sincero, qualquer estar aqui real, é desencorajado. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CONTES ET NOUVELLES EM VERS – O poeta e fabulista francês Jean de La Fontaine (1621-1695), foi o criador de baladas, epístolas e madrigais e autor de Elegia às ninfas do Vaux (1661). Posteriormente escreveu Contes (1664), narrativas em verso o que o identificou como um artista da palavra, poeta conciso, criador de versos eficientes em vários gêneros: epigramáticos, voluptuosos, razoáveis, fantásticos e barroco. Em 1669 publicou Os amores de Psiquê, que se destacou pela elegância da prosa e pela analise maliciosa da psicologia feminina. Ele revela em toda sua obra um domínio extraordinário da língua e seu vocabulário combina elementos arcaicos, preciosistas e harmoniosos. Em 1668 publicou os seis primeiros livros das Fables que iriam torna-lo internacionalmente famoso. As fabulas de La Fontaine divide-se em doze livros, como sendo um gênero alegórico com virtudes e vícios humanos personificados por animais. Ele aproveitou temas clássicos de Esopo e Fedro para caracterizar personagens e situações humanas. A ambientação é geralmente rustica. O poeta serve-se também dos deuses e heróis mitológicos para ilustrar suas lições, uma vez que suas fábulas são psicológico-didáticas, moralistas no sentido francês do termo, não procurando impor conceitos, apenas constata aquilo que não devia ser, mas é pela força ou pela fraude. As suas fábulas foram traduzidas e tornaram-se leitura obrigatória nas escolas do mundo inteiro. Apesar das criticas ao conteúdo de egoísmo malicioso, conceito utilitário da vida, não fazem mais do que refletir a realidade. A narração viva, elegante e variada cativa os leitores de todas as idades na busca por instruir divertindo; em vez de humanizar os animais, procura ressaltar os aspectos animais da natureza humana. Sua poesia é intelectualista e já foi comparada por críticos franceses, com a de Homero e Dante. Veja mais aqui, aqui e aqui.

AS ROSAS DO CUME & OUTROS POEMAS – No livro Poesias (Cultura, 1944), do escritor, professor e médico do Romantismo brasileiro Laurindo Rabelo (1826-1864), encontro o poema Tempo e Conta: Deus pede estrita conta de meu tempo. / E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta. / Mas, como dar, sem tempo, tanta conta. / Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? / Para dar minha conta feita a tempo, /O tempo me foi dado, e não fiz conta. / Não quis, sobrando tempo, fazer conta. / Hoje, quero acertar conta, e não há tempo. / Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta, / Não gasteis vosso tempo em passatempo. / Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta! / Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo, / Quando o tempo chegar, de prestar conta / Chorarão, como eu, o não ter tempo... Também merece destaque o Soneto II – A uma inconstante: De uma ingrata em troféu despedaçado / Meu coração devora amor cruento, / Trocando em fero e bárbaro tormento / Quantos prazeres concedeu-me o fado. / No seio d'alma, já dilacerado, / Negras fúrias do báratro apascento! / Filtra-me o delirante pensamento / De zelos negro fel envenenado. / Desprezo, ingratidão, fria esquivança / Da cruel por quem morro, em tal procela / Apagaram-me a estrela da esperança. / E eu (ao confessá-lo a dor me gela) / Humilhado a seus pés, minha vingança / Ê carpir, delirar, morrer por ela. Por fim, o belíssimo As rosas do cume: Eu plantei uma roseira. / Quanto mais as rosas brotam, / Tanto mais o cume cheira. / À tarde, quando o sol posto, / E o cume o vento adeja, / Vem travessa borboleta / E as rosas do cume beija. / No tempo das invernadas, / Que as plantas do cume lavam, / Quanto mais molhadas eram, / Tanto mais no cume davam. / Mas se as aguas vêm correntes, / E o sujo do cume limpam, / Os botões do cume abrem, / As rosas do cume brincam. / Tenho, pois, certeza agora / Que no tempo de tal rega, / Arbusto por mais mimoso / Plantado no cume, pega. / Vem porém o sol brilhante / E seca logo a catadupa; / O mesmo sol a terra abrasa / E as águas do cume chupa. / A rosa do cume fica / no mais alto da montanha / A rosa do cume pica / A rosa do cume arranha / As rosas do cume espreitam / entre as folhagens d'além / trazidos na fresca brisa / os cheiros do cume vêm. / No cume duma montanha / tem um olho d'água à beira. / É uma água tão cheirosa / que a multidão ansiosa / o olho do cume cheira. Veja mais aqui.

AUTO DA ALMA – A composição dramática de caráter religioso e moralista Auto da alma (1518), do dramaturgo, músico, ator, encenador e poeta português Gil Vicente (1465-1537), conta a história do conflito Geraldo por uma alma que volta à unidade divina, mas acaba se desviando e encontrando outros interesses para os seus propósitos, ao ser tentada pelo Diabo para as riquezas da terra, enquanto o anjo procura dissuadi-la sobre as tentações do Diabo. Da obra destaco o trecho inicial: Está posta uma mesa com uma cadeira. Vem a Madre Santa Igreja com seus quatro doutores: S. Tomás, S. Jerónimo, Santo Ambrósio e Santo Agostinho. E diz Agostinho: AGOSTINHO Necessário foi, amigos, que nesta triste carreira desta vida, pera os mui p'rigosos p'rigos dos imigos, houvesse alguma maneira de guarida. Porque a humana transitória natureza vai cansada em várias calmas; nesta carreira da glória meritória, foi necessário pousada pera as almas. Pousada com mantimentos, mesa posta em clara luz, sempre esperando com dobrados mantimentos dos tormentos que o Filho de Deus, na Cruz, comprou, penando. Sua morte foi avença, dando, por dar-nos paraíso, a sua vida apreçada, sem detença, por sentença, julgada a paga em proviso, e recebida. A Sua mortal empresa foi santa estalajadeira Igreja Madre: consolar à sua despesa, nesta mesa, qualquer alma caminheira, com o Padre e o Anjo Custódio aio. Alma que lhe é encomendada, se enfraquece e lhe vai tomando raio de desmaio, se chegando a esta pousada, se guarece. Vem o Anjo Custódio, com a Alma [...] Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DA CIDADE AMADA – O filme Crônica da cidade amada (1965), do cineasta Carlos Hugo Christensen com roteiro escrito por Millôr Fernandes, Carlos Drummond de Andrade, Orígenes Lessa, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Dinah Silveira de Queiroz e Paulo Rodrigues, e canções interpretadas por Taiguara, relata onze situações histórias inspiradas na vida carioca, com narração de Paulo Autran e a participação do ator e diretor teatral brasileiro Procópio Ferreira (1898-1979) que divide a cena com Magalhães Graça no episódio O índio, de Drummond, narrando a situação de um homem que fica indignado quando sua cédula de cruzeiros com um rosto de um índio não é aceita sob suspeita de ser falsificada. Os outros episódios são Aparição, Mal entendido, Aventura carioca, Luzia, O homem que se evadiu, O pombo enigmático, Um pobre morreu, Receita de Domingo, Iniciada a peleja e A morena e o louro. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A Cia. Ópera na Mala – Cris Miguel e Sérgio Serrano – realizam o programa televiso infantil Baú de Histórias, criado em 2002 e transmitido pela TV Cultura e TV Rá-Tim-Bum, no qual os personagens improvisam sobre fábulas infantis ao ritmo de instrumentos e diálogos cômicos. Em 2014 ele passou a ser chamado de Caderninho Verde e suas Histórias, pela TV Cultura. Veja mais aqui e aqui.


 Aprume aqui.


Veja mais sobre:
O feitiço da naja: tocaia & o bote, Sistemas de comunicação de Joseph Luyten, Palmares & o coração de Hermilo Borba Filho, Porta giratória de Mário Quintana, Or de Liz Duffy Adams, a música de Vanessa Lann, a pintura de Joerg Warda & a arte de Luciah Lopez aqui.

E mais:
Aniversário de Aninha, A escritura & a diferença de Jacques Derrida, O narrador de Walter Benjamin, Bodas de sangue de Federico García Lorca, a música de Paulo Moura, a pintura de Cícero Dias & Rembrandt Harmenszoon van Rijn, a coreografia de Lia Robato, Brincarte do Nitolino & a poesia de Greta Benitez aqui.
A obra de arte & a reprodução de Walter Benjamim, a poesia de Guillaume Apollinaire, a pintura de Rembrandt Harmenszoon van Rijn, Efigênia Coutinho & Programa Tataritaritatá aqui.
A campanha do Doro presidente aqui.
A ponte entre o amor e a paixão aqui.
Literatura de cordel: Que língua a nossa, de Carlos Silva aqui.
As trelas do Doro: doidices na sucessão & a arte de Yayoi Kusama aqui.
Cantarau Tataritaritatá, a pintura de Candido Portinari & Vicente do Rego Monteiro, a música de Bach & Wanda Landowska, O vir-a-ser contínuo de Heráclito de Êfeso, A estrada morta de Mia Couto, As casas & os homens de Adolfo Casais Monteiro, Maria Peregrina de Luis Alberto Abreu, Quebra de xangô de Siloé Soares de Amorim, a arte de Luciano Tasso, Brincarte do Nitolino & Jobs no baço e encarar nocautes de Vlado Lima aqui.
Primeira reunião, Ética pro novo milênio do Dalai Lama, Morte ao invasor de Gilvan Lemos, O despertar da primavera de Frank Wedekind, O testamento de Orfeu de Jean Cocteau, a pintura de Marc Chagall & Edgar Degas, a música de Toquinho, a arte de María Casares, a coreografia de Alonso Barros & a poesia de Valéria Tarelho aqui.
Lagoa Manguaba, Teoria do vínculo de Pichon Rivière, História do Brasil de Laurentino Gomes, as sinfonias de Gustav Mahler, a pintura de Lasar Segall & Ekaterina Mortensen, Amor por anexins de Artur Azevedo, o cinema de Vittorio De Sica & Sophia Loren, Kiki, Rainha de Montparnasse, Pavios curtos de José Aloise Bahia & Programa Tataritaritatá aqui.
A rodagem de Badalejo, a bodega de Água Preta, O analista de Bagé de Luis Fernando Veríssimo, Narração & narrativas de Samira Nahid Mesquita, Iniciação ao teatro de Sábato Magaldi, o cinema de Hector Babenco, a música de Meredith Monk, a arte de Vanice Zimmerman, a pintura de Robert Luciano & Vlaho Bukovac aqui.
Cantando às margens do Una, Psicologia geral de Alexander Luria, Clonagem & células-tronco de Mayana Zatz, Aquela criança de sempre de Reinaldo Arenas, a música de Heitor Villa-Lobos & Arthur Moreira Lima, o cinema de Luchino Visconti & Alida Valli & Marcella Mariani, Ginger Rogers, a pintura de Joshua Reynolds & Carl Larsson, a arte de Ana Paula Arósio & a poesia de Líria Porto aqui.
A família de Jacques Lacan, Pensamento & linguagem de Alexander Luria, a música de Elizeth Cardoso, Aníbal Bragança & Clevane Pessoa de Araújo Lopes aqui.
A mulher na história aqui.
Proezas do Biritoaldo aqui.
Satyrricon de Petrônio aqui.
Musa Tataritaritatá: a estudante Estéfane Cruz aqui.
A arte de Claudia Cozzella aqui.
Educação, professor-aluno, gestão escolar & neuroeducação, O livro dos sonhos de Jorge Luis Borges, a música de Ayako Yonetani, Ciência psicológica, a fotografia de Anton Giulio Bragaglia, a pintura de Jean Metzinger & Anthony Gadd aqui.
Cantarau Tataritaritatá, 1919 de John dos Passos, o teatro pobre de Jerzy Grotowski, Estética teatral de José Oliveira Barata, a coreografia de Xavier Le Roy, a pintura de Vesselin Vassilev, a arte de Alex Mortensen & a música de Carlos Careqa aqui.
Manchetes do dia: ataca o noticiário matinal, Folclore pernambucano de Pereira da Costa, Filosofia da Linguagem, Vinte vezes de Cassiano Nunes, a música de Fabian Almazan, a coreografia de Doris Uhlich, a pintura de Nicolai Fechin & a arte de Roberto Prusso aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
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Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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terça-feira, julho 08, 2014

LEONORA CARRINGTON, HEDA KOVÁLY, SVETLANA CARSTEAN, GALBRAITH & AGNOTOLOGIA

 

UMA VEZ MAIS, LEONORA... – Aquela bela rebelde inglesa era a viajante que embalou meu coração, musa surrealista. Nem aí para nada nem ninguém, apenas se livrava do pai candelabro que a queria domesticar com as etiquetas maternas. E quase nem se afobava, mesmo que não fosse possível ser feliz nesse lugar. Surpreendentemente presa e torturada pelos alemães da guerra, seus nervos se estiolaram, mais que dilacerada permitiu que tudo escapasse ao seu controle. Perturbada mentalmente, ela foi arrastada à força pelos pais, para um hospital psiquiátrico em Santander: ali sedada por curas fascistas, amarrada nua na cama, quando não numa solitária: É fácil ter nas mãos as chaves da porta da loucura e abri-la. Difícil é voltar. Eu voltei. E tornou-se um perigo em sua própria nação, lamentavelmente. Por isso fugiu de casa porque não queria ser um troféu para ninguém e dos nazistas para perambular mundo afora até se esconder no México. O seu mundo destruído, ela se reconstruiu: queria ser um pássaro para despertar num labirinto e ver a filha do Minotauro. Trouxe pro meu sonho El mundo mágico de los mayas, como se quisesse por uma janela que eu visse um cavalo branco cavalgando livremente no pasto, uma hiena com mamilos pronunciados e outro cavalo de madeira na parede. Era a casa do medo onde ela se fazia gigantesca, sim, La giganta, que reinava nua malabarista com a oferenda na boca do crocodilo, um ovo entre as mãos e com todos os seus fantasmas da infância: Eu sou um mistério tanto para mim mesma, quanto para os outros. Achegou-se com uma camisola de flanela, como a dama oval pela porta de pedra, uma outsider a me levar para estalagem do cavalo da alvorada, o rosto simples como a lua. Ouvimos a trombeta auditiva da hiena, seu alter-ego: Na sua história, a hiena toma o seu lugar nessa hora, porque era muito absurdo, sabe? Assim eu estava tomando uma atitude. E me falou do sétimo cavalo e doutros contos do reino de Xibalbá e dos belos pássaros pretos desenhados sobre esse muro branco. Desceu sem despedida e lá embaixo ela não queria ser chamada de musa nem de nada nem de ninguém, não fosse a pneumonia levá-la nuvem afora. Veja mais abaixo e mais aqui, aqui e aqui.

 

Imagem: foto com os surrealistas Andre Breton, Marcel Duchamp, Max Ernst e Leonora Carrington Nova York, 1942 – com a pintura Nude at the Window (1941) de Morris Hirshfield, na casa de Peggy Guggenheim fotografada por Hermann Landshoff. Veja mais abaixo.

 

DITOS & DESDITOS - Confrontados com a escolha entre mudar de ideias e provar que não há necessidade de o fazer, quase toda a gente se ocupa com a prova. Pensamento do filosofo, economista liberal e escritor estadunidense John Kenneth Galbraith (1908-2006). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Todos os homens são doidos e, apesar das precauções, só diferem entre si em virtude das proporções... Pensamento do poeta, tradutor e polemista francês Nicolas Boileau-Despréaux (1636-1711).

 

ALGUÉM MAIS FALOU: Lembre-se sempre de que discutir e vencer é quebrar a realidade da pessoa contra quem você está argumentando. É doloroso perder a realidade, então seja gentil, mesmo se estiver certo... Pensamento do escritor japonês Haruki Murakami. Veja mais aqui e aqui.

 

AGNOTOLOGIA - [...] Vivemos numa era de ignorância e é importante compreender como isso aconteceu e por quê. Nosso objetivo aqui é explorar como a ignorância é produzido ou mantido em diversos ambientes, através de mecanismos como como negligência deliberada ou inadvertida, sigilo e supressão, documento destruição, tradição inquestionável e inúmeras formas de inerente (ou evitável) seletividade culturalpolítica. Agnotologia é o estudo da ignorância Rance Making, os perdidos e esquecidos. Um foco está no conhecimento de que poderia ter sido, mas não foi, ou deveria ser, mas não é, mas também veremos que nem toda ignorância é ruim. [...] Um aspecto importante de uma epistemologia da ignorância é a compreensão de que a ignorância não deve ser teorizada como uma simples omissão ou lacuna passiva, mas é, em muitos casos, uma produção ativa. [...] O foco aqui está na ignorância – ou dúvida ou incerteza – como algo que é feito, mantido e manipulado por meio de certas artes e ciências. A ideia é facilmente passível de paranóia: nomeadamente, que certas pessoas não quero que você saiba certas coisas ou trabalhará ativamente para organizar dúvida ou incerteza ou desinformação para ajudar a manter a (sua) ignorância. Eles sabem, e podem ou não querer que você saiba que eles sabem, mas você não devem ter conhecimento do segredo. Esta é uma ideia insuficientemente explorada por filósofos, que a ignorância não deve ser vista como uma simples omissão ou g a p , mas sim como uma produção ativa. A ignorância pode ser um mecanismo ativo parecia parte de um plano deliberado. Começarei com segredos comerciais [...]. Trechos extraídos do estaudo Agnotology: The Making and Unmaking of Ignorance (‎Stanford University, 2008), do historiador estadunidense Robert Proctor, da Universidade de Stanford, considerando tratar-se de estudo das políticas de produção da ignorância, questionando como se constrói e se mantém a ignorância e quais as suas consequências, inclusive políticas, porque também é usada como instrumento político e indaga: por que não sabemos o que não sabemos? Há uma lógica que explica a construção intencional da ignorância e nesse sentido, ela é não apenas ausência de conhecimento, é também construída intencionalmente. A ignorância tem uma história (e geografia) política no qual há por parte de governos, indústrias etc., que propagam coisas que não querem que as pessoas saibam. O problema detectado pelo autor não é a existência de governos, pessoas e empresas que fazem uso consciente e sistemático de mentiras e manipulações, de construção da ignorância, mas ter quem acredite, mesmo podendo ser vítimas das suas consequências, como o uso de medicamentos inadequados que podem causar mais danos do que benefícios (e até mesmo morte de pacientes) e não apenas encontrar na sociedade pessoas que acreditam, como contribuem para sua divulgação, hoje ampliadas através das redes sociais.

 

ESTRELA CRUEL – [...] O amor e a esperança são infinitamente mais poderosos que o ódio e a fúria. [...] Ela foi mais uma prova para mim de que nada limita mais uma pessoa do que o que era então chamado de “uma visão de mundo claramente definida”. [...] Se todos fossem heróis, quanto valeria a coragem? [...] Estava se tornando evidente para muitos que, embora o mal cresça por si só, o bem só pode ser alcançado através de uma luta árdua e mantido apenas através de um esforço incansável. [...] Numa democracia, os erros podem eventualmente ser corrigidos e as pessoas que cometem estupidez ou mesmo atrocidades são vistas, com o passar do tempo, mais com tolerância e piedade do que com ódio. [...] Tenho uma incompetência inata para qualquer coisa mecânica. Sempre me pareceu que uma máquina pode dizer, de longe, que tenho medo dela e que não entendo nada sobre ela, e quebra imediatamente por pura autopreservação. [...]. Trechos extraídos da obra Under a Cruel Star: A Life in Prague (Lynne Rienner, 1997), da escritora tcheca Heda Margolius Kovály (1919-2010). Veja mais aqui.

 

TRÊS POEMAS - I – Sou mulher, \ há muito tempo meu corpo flutua \ sobre uma extensão de água, branca como o luar, \ indecente e silenciosa. \ Sou uma mãe cruel \ que abraça o filho \ até o sufocar, \ faz dele um só consigo mesma \ como outrora era, \ quando as barrigas grandes eram quartos sombreados para descansar, \ eram os bons espaços ao longo da rua, \ os quartos de intermináveis as férias \ sem dor, sem lágrimas, \ eram o lugar onde ninguém se separava de ninguém. \ Sou mulher, muitas vezes feia. \ Ontem meu corpo era um barquinho de papel \ que joguei de brincadeira na superfície dessa água, \ na esperança de que me levasse embora. \ Hoje sou a baleia assassina, \muitas vezes linda, \ à espera do pescador. QUEM SOU EU - Eu olho para os homens e me pergunto quem eu sou. \ Longe vão os tempos em que meu avô calçava suas botas de cano alto \ e saltava pelas grandes poças da rua comigo nas costas, a \ caminho do jardim de infância. \ Já se foram os tempos em que eu tinha pesadelos todas as noites e meu pai \ vinha para minha cama e colocava a mão na minha barriga para me acalmar. Ficaria \ lá até eu adormecer. Eu até acordava de manhã \ e ele estava ao meu lado. \ Longe vão os tempos em que meu papai me lavava da cabeça aos pés, já se foi a época \ da minha primeira visita a uma clínica ginecológica, onde fui com ele também. \ Longe vão os anos em que aprendi com ele sobre o teixo, o abeto, o pinheiro \ e os abetos. \ Eles se foram para sempre? QUEM ERA EU - Eu era um garotinho solitário cujo cabelo um dia eles trançaram em tranças e colocaram laços azuis e uma faixa elástica na cabeça. \ Suas orelhas estavam vermelhas e doloridas por causa do elástico muito apertado que apertava sua cabeça e dos castigos que seu pai lhe dava. Ele esfregava as orelhas do menino entre o polegar e o indicador da mesma forma que você esfrega uma folha seca de hortelã ou manjericão ou uma pétala de rosa para transformá-la em pó e guardá-la em um pequeno saco de papel marrom. As orelhas do menino ardiam e brilhavam vermelhas como duas pétalas de rosa, e o menino conseguia ouvir com muita agudeza, cada vez melhor, os sons distantes. Sua audição tornou-se um túnel no qual sons e dor se tornam um e rolam como pesadas bolas de chumbo. \ Eu era um garotinho que um dia começou a ter seios. \ E hoje o garotinho tem que escrever uma redação. Suas mãos, com cheiro de massinha, têm grandes manchas de tinta ao longo dos ossos delicados cobertos por uma pele transparente; sua alma encolhe cada vez mais, até ficar do tamanho de uma semente de papoula, que depois rola lentamente até os pés do professor, batendo inconscientemente um ritmo na escuridão desconhecida sob a mesa. Lá ele implora por misericórdia. Pedidos de ajuda. \ Não posso escrever esta composição. Mesmo assim posso lhe dar uma notícia: desde esta manhã meus seios estão crescendo. Poemas da escritora e jornalista romena Svetlana Carstean. Veja mais aqui.

 

A arte da escritora, pintora e escultora surrealista inglesa Leonora Carrington (1917-2011). Veja mais aqui.

 

OUTRAS DIC’ARTES MAIS

 

 Ouvindo Pão e Vinho, de Moraes Moreira e Fausto Nilo:

Felicidade é uma cidade pequenina
é uma casinha é uma colina
qualquer lugar que se ilumina
quando a gente quer amar

Se a vida fosse trabalhar nessa oficina
fazer menino ou menina, edifício e maracá
virtude e vício, liberdade e precipício
fazer pão, fazer comício, fazer gol e namorar

Se a vida fosse o meu desejo
dar um beijo em teu sorriso, sem cansaço
e o portão do paraíso é teu abraço
quando a fábrica apitar

Felicidade é uma cidade pequenina
é uma casinha é uma colina
qualquer lugar que se ilumina
quando a gente quer amar

Numa paisagem entre o pão e a poesia
entre o quero e o não queria
entre a terra e o luar
não é na guerra, nem saudade nem futuro
é o amor no pé do muro sem ninguém policiar

É a faculdade de sonhar é uma poesia
que principia quando eu paro de pensar
pensar na luta desigual, na força bruta, meu amor
que te maltrata entre o almoço e o jantar

Felicidade é uma cidade pequenina
é uma casinha é uma colina
qualquer lugar que se ilumina
quando a gente quer amar

O lindo espaço entre a fruta e o caroço
quando explode é um alvoroço
que distrai o teu olhar
é a natureza onde eu pareço metade
da tua mesma vontade
escondida em outro olhar

E como o doce não esconde a tamarinda
essa beleza só finda
quando a outra começar
vai ser bem feito nosso amor daquele jeito
nesse dia é feriado não precisa trabalhar

Pra não dizer que eu não falei da fantasia
que acaricia o pensamento popular
o amor que fica entre a fala e a tua boca
nem a palavra mais louca, consegue significar: felicidade

Felicidade é uma cidade pequenina
é uma casinha é uma colina
qualquer lugar que se ilumina
quando a gente quer amar

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aqui.  Logo mais, a partir das 21 hs, acontecerá mais uma edição do Programa Tataritaritatá. Na programação: Alberto Nepomuceno, Chopin, Astor Piazzolla, Moraes Moreira, Alceu Valença, Yngwie Malmsteen, Colin Hay, Rafal Blechacz, Marcia Novo & Felipe Cerquize, Bee Scott, Cris Braun, Julia Crystal, Monica Brandão & muito mais. Veja mais aqui. 


FRITZ PERLS – O psicoterapeuta e psiquiatra Friedrich Salomon Perls (1893-1970, também conhecido por Fritz Perls) desenvolveu uma abordagem psicoterápica denominada Gestalt-terapia. Confira detalhes aqui, aqui e aqui.


PROCÓPIO FERREIRA – Um dos maiores nomes do teatro brasileiro, Procópio Ferreira (1898-1979 – pseudônimo de João Álvaro de Jesus Quental Ferreira), foi ator, diretor de teatro e dramaturgo. Começou a trabalhar no circo e fez uma trajetória que compreende 500 personagens em 427 peças em 62 anos de carreira. Atuou no teatro, cinema e televisão até falecer aos 81 anos de idade. Aqui nossa homenagem!


DORO E A COPA DO MUNDO – O Doro acordou hoje mais otimista que nunca! No maior bufe-bufe na minha porta, entrou logo dizendo: - É hoji que a poica torci o rabo. O time de Filipão não dá um caldo que preste. Maisi como Deus é brasileiro, hoje o placá será: Brasil 6x0 Alemanha. E vamo incarar as Argentina pro Hexa. Nem o mais otimista dos otimistas chega a tanto. Eu, hem?!? Veja mais aqui.  


Veja mais sobre:
Fernando Pessoa & Albert Einstein aqui.

E mais:
Isadora Duncan & Simone de Beauvoir aqui.
Hilda Hilst & Zygmunt Bauman aqui.
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