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quarta-feira, julho 08, 2015

PERLS, LA FONTAINE, GIL VICENTE, LAURINDO RABELO, PROCÓPIO, EPPER, DIVERSÕES LÚDICAS, ÓPERA NA MALA & FECAMEPA!!!!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? FECAMEPA – A História do Brasil que eu estudava na escola virou pinoia logo quando, no inicio da segunda metade dos anos 1970, descobri de uma tacada só os estudos desenvolvidos pelo historiador, jornalista e advogado Francisco Augusto Pereira da Costa e, também, do historiador José Antônio Gonsalves de Melo. Foi, então, que comecei a dar umas investidas mais pesadas na biblioteca do meu pai que guardava várias coleções e uma farta exposição de livros sobre o tema, vez que ele era professor da disciplina, e saí fuçando tudo. Outra surpreendente descoberta foi ter acesso à coleção Cronologia Pernambucana – Subsídios para a história do agreste e do sertão (FDMIP/CEHM, 1982), do historiador Nelson Barbalho que me deu mais gás ainda para prosseguir na empreitada. Estava eu repleto de informações que requeriam uma mudança radical a respeito do que havia aprendido acerca da história da patriamada. Mesmo quando fui pra faculdade, entrando noutra área alheia ao tema, mantive meus estudos a respeito ao longo dos anos, até que ao acumular mais de trinta de pesquisas histórias a respeito do meu país, resolvi dar uma intrometido. Mesmo não tendo qualificação nenhuma para abordar tal temática, resolvi escrever umas croniquetas a respeito de acontecimentos históricos ocorridos desde 1500 até o presente – tipo imitação barata do Febeapá, do saudoso Sérgio Stanislaw Porto Ponte Preta -, resultando na reunião de umas besteiradas com fundamentos históricos denominado Festival de Cagadas Melando o País, o que resultou na demoninação do Fecamepa. Vamos aprumar a conversa? Confira aqui e aqui.

Imagem: Barque on the lake, do pintor e escultor suíço Ignaz Epper (1892-1969)

Curtindo o dvd Diversões Lúdicas ao vivo e a cores (2008), do grupo mineiro Diversões Lúdicas criado em 1991 e formado por Rosana Brito (voz, violão, percussão e direção musical), Isabella Ladeira (voz e percussão) e Gutti Mendes (guitarra, voz e percussão).

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino no Projeto MCLAM, com apresentação da simpática apresentadora Ísis Corrêa Naves, em dois horários: às 10hs e às 15hs. Além disso, no blog do projeto Bricarte voê pode conferir as atividades desenvolvidas por Nitolino com os professores e alunos do Sesc Jaraguá – Maceió, como também conferir a literatura de Mírian Leitão, afora ficar por dentro de informações e outras dicas sobre Educação Infantil, Psicologia Infantil, Direito das Crianças e Adolescentes, Literatura Infantil, Música Infantil e Teatro Infantil. Confira aqui e aqui.

GESTALT-TERAPIA – O livro Gestalt-terapia explicada (Summus, 1977), do psicólogo, psicoterapeita e psiquiatra alemão Friederich Salomon Perls (1893-1970), traz uma síntese de suas palestras e sessões gravadas com as quais apresenta e sustenta a Gestalt-terapia, comentando suas intervenções e proposta de que o desenvolvimento psicológico e biológico de um organismo se processa de acordo com as tendências inatas que tentam adaptá-lo harmoniosamente ao ambiente, apresentando uma visão de homem e de mundo pautadas na holística, na fenomenologia e no existencialismo, e tendo como foco levar as pessoas a restaurar o contato consigo, com os outros e com o mundo. Da obra destaco o trecho introdutório: Desejo falar sobre o desenvolvimento atual da psicologia humanista. Levamos bastante tempo para desmascarar todo o logro freudiano, e agora estamos entrando numa fase nova e perigosa. Estamos entrando na fase das terapias estimulantes: ligando-nos em cura instantânea, em consciência sensorial instantânea. Estamos entrando na fase dos homens charlatães e de pouca confiança, que pensam que se vocês obtiverem alguma quebra de resistência, estarão curados, sem considerar qualquer necessidade de crescimento, sem considerar o potencial real, sem considerar o gênio inato em todos vocês. Se isto estiver se tornando moda, será tão perigoso para a psicologia quanto deitar num divã durante um ano, uma década, um século. Pelo menos os danos que sofremos com a psicanalise tem pouca influencia sobre o paciente, a não ser por deixaram-no cada vez mais morto. Isto não é tão prejudicial quanto a coisa super-super-rápida. Os psicanalistas pelo menos tinham boa vontade. Devo dizer que estou muito preocupado com o que está acontecendo atualmente. Uma das objeções que tenho contra qualquer pessoa que se diga um Gestalt-terapeuta é quanto ao uso da técnica. Uma técnica é um truque. Um truque que deve ser usado apenas em casos extremos. Existem muitas pessoas colecionando triques e mais truques, abusando deles. Estas técnicas, estes instrumentos são bastante úteis em seminários de consciência sensorial ou alegria, para dar a ideia de que ainda se está vivo, e que o mito de que o americano é um cadáver não é verdade, que ele pode estar vivo. Mas o triste fato é que esta energetização frequente se torna uma perigosa atividade substituta, uma outra falsa terapia que impede o crescimento. Agora, o problema não é tanto em relação às terapias estimulantes, mas em relação a toda cultura americana. Nós demos um giro de cento e oitenta graus, do puritanismo e moralismo até o hedonismo. De repente, tudo tem que ser diversão e prazer, e qualquer envolvimento sincero, qualquer estar aqui real, é desencorajado. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CONTES ET NOUVELLES EM VERS – O poeta e fabulista francês Jean de La Fontaine (1621-1695), foi o criador de baladas, epístolas e madrigais e autor de Elegia às ninfas do Vaux (1661). Posteriormente escreveu Contes (1664), narrativas em verso o que o identificou como um artista da palavra, poeta conciso, criador de versos eficientes em vários gêneros: epigramáticos, voluptuosos, razoáveis, fantásticos e barroco. Em 1669 publicou Os amores de Psiquê, que se destacou pela elegância da prosa e pela analise maliciosa da psicologia feminina. Ele revela em toda sua obra um domínio extraordinário da língua e seu vocabulário combina elementos arcaicos, preciosistas e harmoniosos. Em 1668 publicou os seis primeiros livros das Fables que iriam torna-lo internacionalmente famoso. As fabulas de La Fontaine divide-se em doze livros, como sendo um gênero alegórico com virtudes e vícios humanos personificados por animais. Ele aproveitou temas clássicos de Esopo e Fedro para caracterizar personagens e situações humanas. A ambientação é geralmente rustica. O poeta serve-se também dos deuses e heróis mitológicos para ilustrar suas lições, uma vez que suas fábulas são psicológico-didáticas, moralistas no sentido francês do termo, não procurando impor conceitos, apenas constata aquilo que não devia ser, mas é pela força ou pela fraude. As suas fábulas foram traduzidas e tornaram-se leitura obrigatória nas escolas do mundo inteiro. Apesar das criticas ao conteúdo de egoísmo malicioso, conceito utilitário da vida, não fazem mais do que refletir a realidade. A narração viva, elegante e variada cativa os leitores de todas as idades na busca por instruir divertindo; em vez de humanizar os animais, procura ressaltar os aspectos animais da natureza humana. Sua poesia é intelectualista e já foi comparada por críticos franceses, com a de Homero e Dante. Veja mais aqui, aqui e aqui.

AS ROSAS DO CUME & OUTROS POEMAS – No livro Poesias (Cultura, 1944), do escritor, professor e médico do Romantismo brasileiro Laurindo Rabelo (1826-1864), encontro o poema Tempo e Conta: Deus pede estrita conta de meu tempo. / E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta. / Mas, como dar, sem tempo, tanta conta. / Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? / Para dar minha conta feita a tempo, /O tempo me foi dado, e não fiz conta. / Não quis, sobrando tempo, fazer conta. / Hoje, quero acertar conta, e não há tempo. / Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta, / Não gasteis vosso tempo em passatempo. / Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta! / Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo, / Quando o tempo chegar, de prestar conta / Chorarão, como eu, o não ter tempo... Também merece destaque o Soneto II – A uma inconstante: De uma ingrata em troféu despedaçado / Meu coração devora amor cruento, / Trocando em fero e bárbaro tormento / Quantos prazeres concedeu-me o fado. / No seio d'alma, já dilacerado, / Negras fúrias do báratro apascento! / Filtra-me o delirante pensamento / De zelos negro fel envenenado. / Desprezo, ingratidão, fria esquivança / Da cruel por quem morro, em tal procela / Apagaram-me a estrela da esperança. / E eu (ao confessá-lo a dor me gela) / Humilhado a seus pés, minha vingança / Ê carpir, delirar, morrer por ela. Por fim, o belíssimo As rosas do cume: Eu plantei uma roseira. / Quanto mais as rosas brotam, / Tanto mais o cume cheira. / À tarde, quando o sol posto, / E o cume o vento adeja, / Vem travessa borboleta / E as rosas do cume beija. / No tempo das invernadas, / Que as plantas do cume lavam, / Quanto mais molhadas eram, / Tanto mais no cume davam. / Mas se as aguas vêm correntes, / E o sujo do cume limpam, / Os botões do cume abrem, / As rosas do cume brincam. / Tenho, pois, certeza agora / Que no tempo de tal rega, / Arbusto por mais mimoso / Plantado no cume, pega. / Vem porém o sol brilhante / E seca logo a catadupa; / O mesmo sol a terra abrasa / E as águas do cume chupa. / A rosa do cume fica / no mais alto da montanha / A rosa do cume pica / A rosa do cume arranha / As rosas do cume espreitam / entre as folhagens d'além / trazidos na fresca brisa / os cheiros do cume vêm. / No cume duma montanha / tem um olho d'água à beira. / É uma água tão cheirosa / que a multidão ansiosa / o olho do cume cheira. Veja mais aqui.

AUTO DA ALMA – A composição dramática de caráter religioso e moralista Auto da alma (1518), do dramaturgo, músico, ator, encenador e poeta português Gil Vicente (1465-1537), conta a história do conflito Geraldo por uma alma que volta à unidade divina, mas acaba se desviando e encontrando outros interesses para os seus propósitos, ao ser tentada pelo Diabo para as riquezas da terra, enquanto o anjo procura dissuadi-la sobre as tentações do Diabo. Da obra destaco o trecho inicial: Está posta uma mesa com uma cadeira. Vem a Madre Santa Igreja com seus quatro doutores: S. Tomás, S. Jerónimo, Santo Ambrósio e Santo Agostinho. E diz Agostinho: AGOSTINHO Necessário foi, amigos, que nesta triste carreira desta vida, pera os mui p'rigosos p'rigos dos imigos, houvesse alguma maneira de guarida. Porque a humana transitória natureza vai cansada em várias calmas; nesta carreira da glória meritória, foi necessário pousada pera as almas. Pousada com mantimentos, mesa posta em clara luz, sempre esperando com dobrados mantimentos dos tormentos que o Filho de Deus, na Cruz, comprou, penando. Sua morte foi avença, dando, por dar-nos paraíso, a sua vida apreçada, sem detença, por sentença, julgada a paga em proviso, e recebida. A Sua mortal empresa foi santa estalajadeira Igreja Madre: consolar à sua despesa, nesta mesa, qualquer alma caminheira, com o Padre e o Anjo Custódio aio. Alma que lhe é encomendada, se enfraquece e lhe vai tomando raio de desmaio, se chegando a esta pousada, se guarece. Vem o Anjo Custódio, com a Alma [...] Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DA CIDADE AMADA – O filme Crônica da cidade amada (1965), do cineasta Carlos Hugo Christensen com roteiro escrito por Millôr Fernandes, Carlos Drummond de Andrade, Orígenes Lessa, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Dinah Silveira de Queiroz e Paulo Rodrigues, e canções interpretadas por Taiguara, relata onze situações histórias inspiradas na vida carioca, com narração de Paulo Autran e a participação do ator e diretor teatral brasileiro Procópio Ferreira (1898-1979) que divide a cena com Magalhães Graça no episódio O índio, de Drummond, narrando a situação de um homem que fica indignado quando sua cédula de cruzeiros com um rosto de um índio não é aceita sob suspeita de ser falsificada. Os outros episódios são Aparição, Mal entendido, Aventura carioca, Luzia, O homem que se evadiu, O pombo enigmático, Um pobre morreu, Receita de Domingo, Iniciada a peleja e A morena e o louro. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A Cia. Ópera na Mala – Cris Miguel e Sérgio Serrano – realizam o programa televiso infantil Baú de Histórias, criado em 2002 e transmitido pela TV Cultura e TV Rá-Tim-Bum, no qual os personagens improvisam sobre fábulas infantis ao ritmo de instrumentos e diálogos cômicos. Em 2014 ele passou a ser chamado de Caderninho Verde e suas Histórias, pela TV Cultura. Veja mais aqui e aqui.


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Veja mais sobre:
O feitiço da naja: tocaia & o bote, Sistemas de comunicação de Joseph Luyten, Palmares & o coração de Hermilo Borba Filho, Porta giratória de Mário Quintana, Or de Liz Duffy Adams, a música de Vanessa Lann, a pintura de Joerg Warda & a arte de Luciah Lopez aqui.

E mais:
Aniversário de Aninha, A escritura & a diferença de Jacques Derrida, O narrador de Walter Benjamin, Bodas de sangue de Federico García Lorca, a música de Paulo Moura, a pintura de Cícero Dias & Rembrandt Harmenszoon van Rijn, a coreografia de Lia Robato, Brincarte do Nitolino & a poesia de Greta Benitez aqui.
A obra de arte & a reprodução de Walter Benjamim, a poesia de Guillaume Apollinaire, a pintura de Rembrandt Harmenszoon van Rijn, Efigênia Coutinho & Programa Tataritaritatá aqui.
A campanha do Doro presidente aqui.
A ponte entre o amor e a paixão aqui.
Literatura de cordel: Que língua a nossa, de Carlos Silva aqui.
As trelas do Doro: doidices na sucessão & a arte de Yayoi Kusama aqui.
Cantarau Tataritaritatá, a pintura de Candido Portinari & Vicente do Rego Monteiro, a música de Bach & Wanda Landowska, O vir-a-ser contínuo de Heráclito de Êfeso, A estrada morta de Mia Couto, As casas & os homens de Adolfo Casais Monteiro, Maria Peregrina de Luis Alberto Abreu, Quebra de xangô de Siloé Soares de Amorim, a arte de Luciano Tasso, Brincarte do Nitolino & Jobs no baço e encarar nocautes de Vlado Lima aqui.
Primeira reunião, Ética pro novo milênio do Dalai Lama, Morte ao invasor de Gilvan Lemos, O despertar da primavera de Frank Wedekind, O testamento de Orfeu de Jean Cocteau, a pintura de Marc Chagall & Edgar Degas, a música de Toquinho, a arte de María Casares, a coreografia de Alonso Barros & a poesia de Valéria Tarelho aqui.
Lagoa Manguaba, Teoria do vínculo de Pichon Rivière, História do Brasil de Laurentino Gomes, as sinfonias de Gustav Mahler, a pintura de Lasar Segall & Ekaterina Mortensen, Amor por anexins de Artur Azevedo, o cinema de Vittorio De Sica & Sophia Loren, Kiki, Rainha de Montparnasse, Pavios curtos de José Aloise Bahia & Programa Tataritaritatá aqui.
A rodagem de Badalejo, a bodega de Água Preta, O analista de Bagé de Luis Fernando Veríssimo, Narração & narrativas de Samira Nahid Mesquita, Iniciação ao teatro de Sábato Magaldi, o cinema de Hector Babenco, a música de Meredith Monk, a arte de Vanice Zimmerman, a pintura de Robert Luciano & Vlaho Bukovac aqui.
Cantando às margens do Una, Psicologia geral de Alexander Luria, Clonagem & células-tronco de Mayana Zatz, Aquela criança de sempre de Reinaldo Arenas, a música de Heitor Villa-Lobos & Arthur Moreira Lima, o cinema de Luchino Visconti & Alida Valli & Marcella Mariani, Ginger Rogers, a pintura de Joshua Reynolds & Carl Larsson, a arte de Ana Paula Arósio & a poesia de Líria Porto aqui.
A família de Jacques Lacan, Pensamento & linguagem de Alexander Luria, a música de Elizeth Cardoso, Aníbal Bragança & Clevane Pessoa de Araújo Lopes aqui.
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Proezas do Biritoaldo aqui.
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Musa Tataritaritatá: a estudante Estéfane Cruz aqui.
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Educação, professor-aluno, gestão escolar & neuroeducação, O livro dos sonhos de Jorge Luis Borges, a música de Ayako Yonetani, Ciência psicológica, a fotografia de Anton Giulio Bragaglia, a pintura de Jean Metzinger & Anthony Gadd aqui.
Cantarau Tataritaritatá, 1919 de John dos Passos, o teatro pobre de Jerzy Grotowski, Estética teatral de José Oliveira Barata, a coreografia de Xavier Le Roy, a pintura de Vesselin Vassilev, a arte de Alex Mortensen & a música de Carlos Careqa aqui.
Manchetes do dia: ataca o noticiário matinal, Folclore pernambucano de Pereira da Costa, Filosofia da Linguagem, Vinte vezes de Cassiano Nunes, a música de Fabian Almazan, a coreografia de Doris Uhlich, a pintura de Nicolai Fechin & a arte de Roberto Prusso aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, julho 15, 2008

ELIOT, TODOROV, GENET, MICHAUX, IGNAZ EPPER & DORO

 
A arte do pintor e escultor suíço Ignaz Epper (1892-1969).


TRELAS DO DORO: DOIDICES NA SUCESSÃO - Tendo em vista a embolada na corrida sucessória presidencial, dois dos mais achegados trampolineiros embestados, o Doro, o sete-ciências, e o Robimagaive, um desajuizado metido a sabe-tudo, pitandor do sete e maior inventor de nove horas, ambos não menos pilantras que a corja política que enlameia o Brasil, auto-habilitados pelos disparates mais despropositais que já aprontaram nesta e noutras encarnações nas mais diversas plagas planetárias, resolveram botar lenha na campanha atual, candidatando-se para embananar mais ainda o pleito eleitoral para presidente da república. O negócio começou a ganhar corpo depois de uma pesquisa realizada na redondeza, onde todos os candidatos foram rejeitados e eles dois, por serem arteiros de plantão, reconhecidos inegavelmente pelas vítimas e pela polícia como os dois mais esforçados enroladores, ganharam, para espanto geral, nas intenções de voto, cem por cento da preferência. Isso, claro, resultou indubitavelmente eureka nas pretensões engalobadoras deles. - Se os cara lá tão viciados nas patifarias, nóisis vumo butá-los no bolso —, insinuou a empáfia do Doro. - São nanico perto da gente, arresolvemos logo esse cerca-lorenço que é o Brasil, num instantin de nada, num é não? —, asseverou dando corda categoricamente Robimagaive. - Ôxe, vamo butar tudo no lugarzinho certo! —, ensaiaram uníssonos quase que um chavão de campanha. Pois bem, mediante essa corda toda pronunciada na pesquisa, os melepeiros tomaram umas providências preliminares e aderiram logo ao que preceitua o Fecamepa — Festival de Cagadas que Melam o País, um movimento filho bastardo e xexéu descarado do Febeapá, que não resistiria a uma insinuação de teste de DNA do Ratinho, mas que usará deste expediente para ganhar notoriedade entre os cento e tantos milhões de brasileiros que nem o IBGE sabe na verdade até agora em quanto vai terminar essa corda de guaiamum. E nessa modalidade de competição, os dois pretensos candidatos estão levando o negócio mais do que a sério e querem sair em primeiro lugar sem choro nem vela. - Se os cara lá pintam e bordam prá cima da gente, eles vão também entrar nessa roda! —, argüiu Doro cheio da pacutia. - Vumo deixá-los na lanterninha da sabidoria, vão ver! —, emendou mais pabo ainda o Robimagaive. E já preparavam o primeiro discurso para ineivar a candidatura, partindo do princípio de que todo brasileiro é um fabricante de bosta em potencial, por isso, com centeza, eles querem virar a campanha numa papa grossa de merda. Inclusive, já deram de precavidos com as aulas do mestre Plínio Marcos para não morrerem também afogados no tolote. E para traçarem um perfil mais atraente, assistiram a tudo quanto foi programa de animador de auditório, isso para ganhar na simpatia da mundiça. Depois saíram cascaviando tudo que podiam se revestindo de guia espiritual, jeito de figurinha carimbada na preferência dos mais-ou-menos. E elegeram, ainda, uns temas polêmicos para cair na graça dos casacudos mais afortunados, como o fato de vestirem a camisa da arenga e serem terminantemente contra a CPMF, a dengue, a guerra do Afeganistão, a Coca-cola, a corrupção e a roubalheira, os pré-candidatos apresentados e os políticos de carreira, a pobreza do povão, a poluição da terra e outras lorotas de somenos importância. Deixaram claro que vão arriar o pau logo de cara para estremecer as bases dos outros concorrentes e chamar logo atenção para alguns patrocinadores mais espertos, com o fito de se arrumarem logo para a banda deles porque o negócio vai feder além da conta. Providencialmente começaram a fazer ginástica o dia todo, a tratar todo mundo de "meu povo", a remendar todo vestuário para ajeitar uma indumentária apresentável, decoraram alguns léxicos estrambólicos e catados a dedo no Aurélio para dar um ar de erudição e competência, exercitaram a tripa gaiteira para mode não se desviarem com flatulências insignificantes e fizeram afiliação a todo tipo de credo religioso para demonstrarem que também são íntimos na corriola do de lá de cima. Um rol enorme de posturas irredutíveis, reuniões inadiáveis, eventos imperdíveis, caboetagens inestimáveis e amocegamentos impossíveis estavam ocupando nossos postulantes que já emendavam o dia pela noite. Um detalhe: não conseguiram inventar o nome do partido, ao que pensavam algo em torno de PFE - Partido dos fuleiros embucetados. Ou PSCP - Partido da soda cáustica política. Ou PBP - Partido da Boba da Peste, mas não se entenderam com a nomenclatura apropriada da legenda, servindo ainda de muito pano para as mangas da arenga. E enquanto eles fumaçam a cachola, vamos aguardar para ver no que é que dá. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIA – [...] Nenhum poeta, nenhum artista de qualquer arte tem seu significado completo sozinho […]. Pensamento extraído da obra Selected Essays (Faber and Faber, 1972), do poeta, dramaturgo, crítico literário inglês e Prêmio Nobel de 1948, Thomas Stearns Eliot (1888-1965). Veja mais aqui.

O FANTÁSTICO – [...] O fantástico é a vacilação experimentada por um ser que não conhece mais que as leis naturais, frente a um acontecimento aparentemente sobrenatural [...]. Trecho extraído da obra Introdução à literatura fantástica (Perspectiva, 1982), do filósofo e linguista búlgaro Tzvetan Todorov (1939-2017). Veja mais aqui.

DIÁRIO DE UM LADRÃO – [...] Incapaz de vê-lo, inventei o maior e mais lindo pênis do mundo. Dotei-o de insistentes e deliciosas qualidades (ímpias): másculo, nervoso, sóbrio, mas com tendência para o orgulho quase majestoso enviesado de veias. Sereno em sua pulsação incaica. Sob meus dedos senti esculpidos em glandes de carvalho suas veias túrgidas, palpitações, calores vermelhidão sem peias e às vezes a precipitada pulsação do esperma. [...]. Trecho extraído da obra Diário de um ladrão (Record, 1988), do controverso escritor e dramaturgo francês Jean Genet (1910-1986). Veja mais aqui.

LUGARES SOBRE UM PLANETA - Os semelhantes florescem / mínimo pássaro do tempo / Nós continuamos, indizíveis / cristais, tremores / O fabuloso desfilando / o extraordinário, comum / mas a penitência da incerteza permanece / Novas margens desmoronadas / esforços liliputianos / É preciso apressar-se / A História vai fechar-se. Poema do escritor e pintor belga Henri Michaux (1899- 1984).

 A arte do pintor e escultor suíço Ignaz Epper (1892-1969).




Veja mais sobre:
Despertar, Friedrich Perls, Ezra Pound, Paul Valéry, Hilary Hahn, Consuelo de Castro Lopes, Carlos Reichenbach, Lev Chitovsky, Aldine Muller & Bruno Braquehais aqui.

E mais:
Só porque hoje é sábado, Carlos Drummond de Andrade, John Keats, Raphael Rabello, Claude Lelouch, Marguerite Arosa, Larissa Maciel, Anouk Aimée, Helmut Newton & Atenção sistemática à saúde aqui.
O romance do pavão misterioso, de João Melchíades da Silva aqui.
A arte fotográfica de Andréia Kris aqui.
Biogênese, sadismo & outras loas tataritaritatá aqui.
Violência, Assírios & Sodoma, Antiguidades Judaicas, Alexandre, A guerra e a fé, O fantástico blitzkrieg, Colombo & as terras do Brasil aqui.
Literatura de cordel: História do capitão do navio, de Silviano Pirauá de Lima aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Self-Obliteration-Net-Obsession-Series (1966), da artista plástica e escritora japonesa Yayoi Kusama.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
 Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...