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sexta-feira, fevereiro 23, 2018

LOUISE BOGAN, EAGLETON, JOSTEIN GAARDER, SEARLE, IVAN BUNIN, HARRIET HOSMER, JOHN MCLAUGHLIN, HILARY HAHN, CRISTINA ARRUDA & FEMINISMO E LUTAS ANTISSISTÊMICAS

COMEÇOU O FINAL DE SEMANA, É SEXTA! - Imagem: art by Cristina Arruda. - UMA: ESCOLARIZAÇÃO PRA SER GENTE - Desde menino sempre ouviu: Estude pra ser gente, seu cabra. Estudava e muito: tabuada, vogais, consoantes, soletrava o abecê. Agradar a professora do primário, tirar boas notas, ser o primeiro da classe. E a turma: CDF, caga-pau! Ora. Foi pro ginasial, deu guinada de todo tipo: Tome jeito de ser gente, seu medonho! E como é que é ser gente? Aprenda! Mais estudava, menos sabia. Sabia de coisas de antanho que nada diziam respeito, de cálculos, somas, equações, qual a serventia mesmo, hem? De ciências, os acidentes geográficos, a moral e cívica, aprenda a falar sua língua, não seja analfabeto, desgraçado! E tome substantivo, sintaxe, conjugação de verbos, regência, tudo grego! Verdade, nada a ver com sua cidade, sua gente, seus vizinhos, só coisas de um mundo que nunca ia viver, como a Revolução Francesa, o Dia do Fico, fatos e heroísmos de gente de longe ou do passado, coisas assim, do nada, sem pé nem cabeça, mas tinha que decorar, saber de cor e salteado, de trás pra frente, na ponta da língua, era assim que passava de ano, se expremesse sabia de nada. Até aí não sabia: estudar pra quê? Foi pro colegial com ensino profissionalizante, científico, tal qual o bê-a-bá: isso é isso, aquilo é aquilo, aprendeu? Feijão com arroz, café com pão, física, química, religião, laboratório e as meninas assanhadas pra cima e pra baixo, gazeava, quando não escapolia de fininho. Desde o ginasial, na sorte; tirava sete e dava pra passar, escapando e se arrastando. Onze anos nessa pisada, primário, ginasial, científico, serve mesmo estudar, hem? Ainda não sabia. Foi pra faculdade depois de levar pau nuns dez vestibulares. Aí queimou as pestanas, virou noite, passou aperto, fez força de deixar marca de freada na cueca, fedor de queimado dos chifres, torceu, virou e mexeu, segunda chamada, recuperação, vai mas num vai, empurra e aos empurrões, falta fôlego, ah, falta pouco, vambora, coisas do arco da velha, ciência que jamais entendera, contudo decorava tudo ou recorria às fila na mão, na meia, nos tacos de papel, copiava, reproduzia, aos trancos e barrancos, escorregava e passava com pau no canto. Depois de morrer umas três vezes, tirou fino no abismo e se lascou todinho de dúvidas. Qual é? Ninguém esclarecia, aumentava a dúvida: Vixe! Qualquer dia essa bomba estoura! Enfim, formou-se. Ufa! Agora vai! Foi pro mercado de trabalho, sobrou; sebo nas canelas e teve que se especializar pra ser aproveitado, pós-graduou-se umas duas vezes e viu que era pouco e não sabia nada, o dinheiro não dava, pagava o crédito educativo, meio lá, meio cá, se arrastando fez um mestrado que nem lembra em quê e emburacou no doutoramento, tudo com temas que nem acreditava, por imposição do orientador e pra ganhar a vida sobre a concorrência que era muita e desleal. Agora sim. Voltou ao mercado e viu que não era bem assim, passou da conta, tinha gente com nada disso ocupando os lugares e ele que estudou pra ser gente, não era. Foi, então, o chamado da família: criar galinhas era mais fácil e ganhar um bom dinheiro sem precisar de estudo que, para ele, agora, era perda de tempo. Nunca mais quer saber de escola, aula, professor, tudo inútil por que ele queria só ganhar um dinheirinho pra sobreviver, nada mais. Agora sou gente, tenho dinheiro e fim de papo! E os estudos? Respondia: Se eu souber quem inventou escola eu mando matar! E ponto final. DUAS: TODO DIA É DIA DE SEDUÇÃO – Valha-me minha santa tesão, que mulher linda! Era mesmo, lindíssima: cabelo liso aos ombros, olhar agateado, faces róseas, lábios salientes, corpo escultural num bustiê dos peitinhos de goiaba, cinturinha de pilão, saínha curtíssima, coxas e pernas, valha-me, santa criatura! E dançava elegantemente, enturmada. Sentou-se ao lado, piscou pra ela; ela, também. Sorriu pra ela, ah, que riso lindo o dela, salvai-me Deus que eu já vou! Piscou de novo, ela correspondeu. Fez menção de falar, ela a ouvir. Levantou-se, sentou-se ao lado e deitou maior chaveco, blábláblá, e ela se ria frouxa pro seu encanto. Já dizia Gonzagão: Mulher querendo é bom demais. É nessa que eu vou! E foi: dançou soltou, remexeu-se de todo jeito, tudo para impressioná-la e ela ria que ria, bão demais. Ela sentou-se: Cerveja? Pensou nos bolsos: Acompanho. Ela agita o relógio do pulso, chega o garçom: Cerveja, dois copos! Ela virava, ele bebericava – estava desprevenido financeiramente, mas ela deve ser endinheirada, pelo jeito. Outro litro, mais dois, dança sem se agarrar, ela reboladeira, ele todo sem jeito com as coisas por denunciar-lhe a concupiscência. Ela se achega e se esfrega, ele tonteia; maior rela-rela, uma mão ao seio assim sem querer, outra na altura do rebolado: Essa é pra casar de mesmo! Goles e passos, música lenta, o sarro, coisa de arrepiar! Ambos exaltados, vamos. Ele vai. À mesa, agita o relógio no pulso, o garçom, a conta: Pagaí! Hem? A conta! Conversa vai, conversa vem, empenha o relógio dele e ela já passando na borboleta da saída, corre atrás. Cadê o carro? Hem? O carro, au-to-mó-vel, entendeu? Ah, só tenho passe pra condução. Como? Vamos pra onde? Ela virou-se e foi embora, ele acompanhou o rebolado dela até vê-la beijar um outro que vinha em sua direção, entraram num carro e ela se foi buzinando, adeus. Ah, tá! Já era, a fila anda e quem não tem músculo, bom de bolso e possante, fica só a ver navios, as mãos, à beira do cais. TRÊS: SAIDEIRA DA INGRESIA – Maior bate boca: É a mãe! O calão denunciava a exaltação lascando a gramática: É o corno do teu pai, fidapeste! Nervos à flor da pele, empurra-empurra, deixa disso, vamos lá, seja razoável, dá logo um tabefe na cara desse freco, isso é um pulha, faz isso não, vai logo, se fosse comigo eu já tinha enfiado uma peixeira no bucho desse fidaputa! Que é isso, corno? As gaias estão dando circuito é? Ah, vou esquentar sua orelha, desgraçado! Vem que vou encher essa tua fuça de tapa, viado! Deixa pra lá, aqui não, vai ou não vai. Como dizem as escrituras apagadas: uns atiçam pra briga, outros tantos pra desapartar. E o vuque-vuque sobra: tapas pra que te quero! Êpa! O perigo no meio do temporal de lapadas! Comigo é assim: brincou, sai apanhado! Vou quebrar suas costelas, galhudo! Vem que vou arrebetar seu espinhaço, boiola! Que comemoração é essa, hem? -, gritou uma autoridade que passava. Ah, hoje é Dia da Paz e da Compreensão Mundial! É mesmo? É. Então tá. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do guitarrista britânico de jazz John McLaughlin: Extrapolation, Live in Concert & Stuttgart Concert Live; da violinista estadunidense Hilary Hahn: Concert Violin Beethoven, Violin Concert Mozart & Caprice 23 Paganini; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] um filósofo de verdade nunca desiste. Se pelo menos a gente conseguisse desprendê-lo [...]. Pensamento extraído da obra O mundo de Sofia (Cia das Letras, 1995), do escritor e professor norueguês Jostein Gaarder, compreendendo uma narrativa a respeito do conhecimento filosófico, voltada para o público jovem. No livro o autor articula os conhecimentos filosóficos com a vida real. No inicio traz o primeiro capítulo, O jardim do Éden, significando o início quando Deus cria o mundo com seus primeiros habitantes, Adão e Eva. Nessa parte relata o retorno da escola de Sofia, a relação de confidência dela com sua melhor amiga Jorunn. A jovem recebe cartas de uma pessoa que nunca conheceu com perguntas curiosas acerca do mundo e da vida. Nessa parte a vida é mostrada para a protagonista de uma forma que a faz se questionar. No segundo capítulo, Cartola, a adolescente recebe um envelope contendo os primeiros passos de um curso grátis de Filosofia. A partir desse presente, ela começa a ter contato com o universo filosófico, partindo para praticá-la. Nessa parte aparecem explicações acerca da filosofia e sua importância. No terceiro capítulo, Mitos, ela viaja na imaginação sobre os mitos antigos da Antiga Grécia, acompanhando sobre os mitos da antiguidade. O quarto capítulo trata sobre os filósofos da natureza, a recepção pela adolescente de perguntas quando ela passa a refletir sobre o assunto. No quinto capítulo, Demócrito, vê-se a ênfase dada ao assunto filosófico por parte do misterioso professor de Sofia, quando ela passa a tentar descobri-lo. Ela apreende que o filósofo grego Demócrito defendia que tudo era composto por átomos e que com a morte do ser, os átomos são espalhados na natureza. No sexto capítulo, Destino, a jovem Sofia resolve escrever uma carta ao filósofo, quando recebe uma aula sobre o destino e, misteriosamente uma echarpe vermelha aparece com o nome inscrito nas correspondências da pessoa que ela não conhecia. No sétimo capítulo, Sócrates, a jovem é surpreendida por uma carta de um professor solicitando que ela guardasse uma echarpe vermelha. É quando o professor ministra conteúdos acerca dos filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles. Para esses filósofos ainda que houvessem respostas para muitas questões filosóficas ninguém jamais seria capaz de encontrar respostas seguras e definitivas para os mistérios da natureza e do universo. Este ponto de vista é conhecido na filosofia como ceticismo. No oitavo capítulo, Atenas, as aulas foram ampliadas com vídeo, quando o filosofo aparece na Atenas da Antiga Grécia. No capítulo nono, Platão, os ensinamentos ministrados davam conta que esse filósofo defendia que a alma era imortal e que por trás de tudo está a verdade, e o que vemos é apenas uma espécie de sombra, reflexo do real. O décimo capítulo, A cabana do major, é permeado de suspense. É quando depois de fazer a leitura sobre Platão, Sofia permanece em seu esconderijo refletindo sobre as ideias deste filósofo. Depois disso, muitas coisas ocorreram até que Sofia foi para o seu quarto e lá pensou sobre tudo que tinha passado. Ficou receosa por haver entrado na casa de seu professor e então resolveu escrever-lhe uma carta pedindo desculpas. O décimo primeiro capítulo, Aristóteles, tomando ciência que esse filósofo teceu várias criticas às ideias de Platão, uma vez que ambos possuíam visões diferentes. Aristóteles defendia que a mulher era um homem imperfeito, fazendo com que Sofia começasse a ter uma opinião própria a respeito das coisas, retrucando o filósofo. No décimo segundo capítulo, Helenismo, há uma passagem de tempo que se desenvolve pela época, passando pela Idade Média, Renascimento, Barroco, Descartes, Spinoza, Locke, Hume, Berkeley, o Iluminismo, Kant, o Romantismo, Hegel e Kierkgaard. Depois lições sobre Marx, Darwin, Freud e os filósofos do século XX. A partir dessa parte, Hilde refletia sobre tudo que lia e ao lado de Sofia passou a observar o Existencialismo, levando as duas a realizarem reflexão sobre tudo que havia ocorrido, a festa, os mistérios, os acontecimentos que se davam em um outro mundo da eternidade, como as conversas sobre a origem do universo, a teoria do Big Bang entre outros acontecimentos. A leitura da obra é bastante esclarecedora e fascinante. Conclui-se que a Filosofia é um ramo de estudo que permite a busca do saber e da verdade, descortinando o sentido secreto da realidade. O seu estudo permite ainda que proporcione melhor visão das coisas e prepare o estudante para melhor desempenhar seu papel na vida. Veja mais aqui.

EPISTEMOLOGIA & PRAGMATISMO - [...] Abandonar a epistemologia em prol da política não é desejável, é impossível; todos os enunciados de cunho político são implicitamente teorias sobre a realidade [...] A posição do pragmatista que toma “interesse”, “poder”, ou “desejo” como seu ponto de partida epistemológico [...] está sujeita à constetação. Tal contextação inevitavelmente acarretará debate em torno de como são as coisas no mundo lá fora. Falar a respeito do mundo lá fora não quer dizer necessariamente que as coisas são uma vez por todas de uma só forma ou que o conhecimento do mundo está transcendentalmente descontaminada de interesses e desejos. [...]. Trechos extraído de Two approaches in the sociology of literature (Critical Inquiry, 1988), do filósofo e crítico literário britânico Terry Eagleton. Veja mais aqui.

CONTAR ESTÓRIAS - [...] contar estórias realmente se constitui em um jogo de lingaugem distinto; um jogo que para ser jogado pede um conjunto distinto de convenções, embora essas convenções não sejam regras do significado; e o jogo da linguagem não está no mesmo nível que os jogos ilocucionários da linguagem, mas é parasitário em relação a eles. [...] Os teóricos da literatura tendem a emitir observações vagas sobre como o autor cria um mundo fictício, um mundo de romance, ou coisa parecida. Acredito que estamos em posição de fazer essas observações terem sentido. Ao fingir referir=se a pessoas e relatar eventos a seu respeito, o autor cria personagens e eventos fictícios. No caso de ficção realista ou naturalista, o autor fará referencia a lugares e eventos reais, entremeando-os com referências fictícias, dessa forma tornando possível tratar do conto fictício como se fosse uma extensão do nosso conhecimento já existente. [...]. Trechos extraídos de Expression and meaning studies in the Theory of Speech Acts (Cambridge, 1979), do filósofo e escritor estadunidense John Searle. Veja mais aqui.

O AMOR DE MÍTIA – [...] Aquela dor era tão forte, tão intolerável, que, sem pensar no que fazia, não compreendendo o que resultaria de tudo aquilo, fervorosamente uma coisa apenas, livrar-se por um instante que fosse daquela dor e não tornar àquele mundo horrível em que passara o dia todo e onde, apenas um instante atrás, estivera imerso no mais horrível e repugnante de todos os sonhos terrestres, apalpou e puxou uma gavetra do criado-mudo, apanhou a esfera fria, pesada, do revolver e, soltando um suspiro profundo e alegre, abriu a boca e, com toda a força, deliciando-se, atirou. Extraído da obra O amor de Mítia (Delta, 1964), do escritor russo Ivan Bunin (1870-1053), Prêmio Nobel de 1933.

M. CANTANDO – Agora inocente dentro da profunda noite / de todas as coisas vivas e leves / libertando o que sabemos no sono. / Na tua voz fresca gritam alto / aqueles seres sem coração ou nome. / Aquelas criaturas corretas e orgulhosas / sobre as palavras de melancolia / e as sutilezas de música, / deixam a longa colheita que segam / na terra perdida de pó e chama / e movem-se para o espaço sob o nosso céu. Poema da poeta estadunidense Louise Bogan (1897-1970).

FEMINISMO POPULAR & LUTAS ANTISSISTÊMICAS
O nosso desafio é transformar o mundo, enquanto transformamos a nós mesmas e ao nosso movimento. Guacira César de Oliveira
Extraído da obra Feminismo popular e lutas antissistêmicas (SOS Corpo, 2016), de Carmen S. M. Silva, tratando sobre feminismo, mulheres e movimentos sociais, movimento das mulheres e questão do feminismo hegemônico, movimentos sociais e subjetividades coletivas, classes populares e formação do campo, grupos de reflexão ao planeta fêmea, relação com o campo político dos movimentos sociais, articulações e manifestações, participação institucional, Conferência de Beijing, a crise no campo político, a AMB, lutas nacionais, atuação em movimentos, entre outros assuntos. Veja mais aqui.

Veja mais:
Uma prosa nos entreversos do amor, a música de Maestro Duda, o cinema de Marco Ferreri & Andréa Ferréol, a Conquista do Voto das Mulheres, a arte de Fernando Alves & Luciah Lopez aqui.
Centenário de Hermilo, o teatro de Augusto Boal, a música de Cussy de Almeida, a pintura de Joshua Reynolds, Ginofagia & Dia da Sedução aqui.
A arte do advogado, escritor, crítico literário, jornalista, dramaturgo, diretor, teatrólogo e tradutor Hermilo Borba Filho (1917-2017) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Os encantos de Valkyria Freya, Paulo Freire, Daniel Goleman, a literatura de Pierre Michon,o teatro de Mario Viana,o cinema de Ferenc Moldoványi, a música de Vânia Abreu, a pintura de Carolyn Weltman, a arte de Alexis Texas, Merari Tavares, Saúde no Brasil, Fracasso Escolar & Professor e aluno aqui.
A poesia de Benhjamim Péret, Dolls & Cátia Rodrigues aqui.
Paixão, a literatura de Francis Scott Fitzgerald & Djuna Barnes, o teatro de Sarah Kane, o cinema de Ken Loach, a música de Regina Carter, a pintura de Pal Fried & Carolyn Weltman & Jane Graverol, a fotografia de Wang Huaxiang, Jurema Barreto de Souza, Gestão em Saúde, A relação entre professor & aluno aqui.
A música de Kylie Minogue, a poesia de Cláudio Manuel da Costa, o teatro de Michael Frayn,o cinema de Michel Gondry, a fotografia de Jeanine Toledo, a pintura de Carl Larsson, Lucilene Machado, Kate Winslet, Hope 2050, aecamepa, Administração Hospitalar & Síndrome de Burnout, Transtornos & Distúrbios da Aprendizagem aqui.
O alvo do pódice, Cervantes, Márcia Tiburi, Giovanni Sartori, a literatura de Rick Moody, o teatro de Mário Prata & Fernando Rojas, o cinema de István Szabó, a música de Ferruccio Busoni & Gertrud Schilde, a pintura de Omar Ortiz & Emerico Imre Toth, Rachel Weisz, Ádila J. P. Cabral, A Trajetória da Mulher & O cérebro na escola aqui.
Solfejo de uma ária amanhecida & a pintura de Max Klinger aqui.
Cecília Meireles, Pablo Milanés. Pedrinho Guareschi & O mistério da Consciência, o cinema de Jean-Luc Godard, a pintura de Johan Christian Dahl, Juliette Binoche e Myriem Roussel, Costinha, O sufrágio feminino & Programa Tataritaritatá aqui.
Leibniz, Manoel Bentevi, Alceu Valença, Helena Cristina & Programa Tataritaritatá aqui.
Hermann Hesse, a poesia de Wislawa Szymborska, a literatura de Evelyn Lau, a música de Christoph Willibald Gluck & Daniella Alcarpe, a fotografia de Bárbara Angel aqui.
Franz Kafka, a pintura de Anna Chromý, a música de Leoš Janáček & Karyme Hass & Ibys Maceioh aqui.
Adolfo Casais Monteiro, Roberto Burle Marx, a música de Astor Piazzola, a poesia de Antonio Miranda, Adriana Garambone & Doro na Copa do Mundo aqui.
O cinema de Jean Cocteau & Elizabteh Lee Miller, a música de Márcia Novo & Felipe Cerquize aqui.
Frida Kahlo, Alberto Nepomuceno & Luciah Lopez aqui.
Marc Chagall, Gustav Mahler, Artur Azevedo, Lampião & Bee Scott aqui.
Fritz Perls, Procópio Ferreira, Moraes Moreira, Doro na Copa & Programa Tataritaritatá aqui.
Manuel Bandeira, Violeta Parra & Mercedes Sosa, Ana Botafogo & Blitz-krieg do Mineirão aqui.
Marcel Proust, Carl Orff, Mestre Vitalino, Jacob Abraham Camille Pissarro & Rachel Levkovits aqui.
Carlos Gomes & Quinteto Violado, Sérgio Buarque de Holanda, Joana Ramos & Givaldo Kleber aqui.
Lygia Fagundes Teles & Pomba enamorada ou uma história de amor aqui.
A poesia de D. H. Lawrence & Milene Possas Sarquissiano aqui.
A poesia de Pablo Neruda, a Música de Jane Monheit & a fotografia de Colette Standish aqui.
A poesia de Raymond Radiguet, a pintura de Thereza Toscano & Para sempe Lilya aqui.
Encruzilhadas aqui.
Arthur Schopenhauer, Johann Nikolaus Forkel, José Cândido de Carvalho, Victor Brecheret, Luís Buñuel, Iremar Marinho & Bestiário Alagoano aqui.
Karl Theodor Jaspers, Pablo Picasso, Georg Friedrich Händel, Fernanda Seno, Eva Green & Demi Moore, Tom Wesselmann & Soninha Porto aqui.
Os crimes contra a administração pública aqui.
Homofobia, sexualidade, bissexualidade & educação para as diferenças aqui.
A mulher assíria-babilônia & outras tiradas, sacadas & outros tataritaritatás aqui.
Interpretação dos sonhos de Freud, Psicopatologia, Semiologia & Comunicação Linguística aqui.
De todo jeito é bom & Programa Tataritaritatá aqui.
Diário de um sedutor de Kierkegaar & Se não chover aqui.
Os cânticos de Salomão, Anna Akhmatova, a música de Carl Reinecke & Elza Soares, Chico Buarque & as chicólatras, Fecamepa & Naldinho Freire aqui.
Ernesto Sábato, Nelson Rodrigues, Antonio Cândido, Betty Lago, OVNI, A chegada dela no prazer da tarde & Programa Tataritaritatá aqui.
Mahatma Gandhi, George Orwell, Maurren Magg & Rick Wakeman aqui.
Autran Dourado, Thomas Mann, Gilberto Gil, Luiza Possi & Célia Demézio aqui.
Guimarães Rosa, Milton Nascimento & Caetano Veloso, Isabelle Adjani, Zezé Motta, Rejane Souza, Rafael Nolli & Sóstenes Lima aqui.
Luigi Pirandello, Jean-Jacques Rousseau, Pat Metheny, Mel Brooks, Peter Paul Rubens & Maurice Quentin de La Tour aqui.
Antoine de Saint-Exupéry, Paul Klee, Aarre Merikanto, Colin Hay, Clóvis Graciano & Cris Braun aqui.
Emily Brontë, John Gay, Fryderyk Chopin, Yngwie Malmsteen, Floriano Martins, Maria Luisa Persson & Julia Crystal aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da escultora estadunidense Harriet Hosmer (1830-1908). 
Veja mais aqui & aqui.

terça-feira, novembro 07, 2017

CECÍLIA MEIRELES, CAMUS, MARIE CURIE, IRENE DUARTE & RIBEIRÃO

O QUE FOI DO PASSADO – Imagem: arte da artista plástica Irene Duarte. - Uma tarde de maio Nazilma deu por conta do olhar insistente de Delzito. De início incomodava e como aquela afincada postura dele causava asco, rejeitava até. Depois de muitos flagrantes de dias, tardes e noites, acostumou-se. Antes repugnante, passou a ser prazeroso aquele fitar flamejante e firme, provocador, insistente, imantado. Ele mirava, ela correspondia, de soltar até um leve sorriso no canto da boca. Pronto, bastou, lá vinha ele em sua direção: Sabia que você tem o sorriso mais lindo mundo? Não. Saiba. Frases entrecortadas formadas por simpáticas reações de tímidos risinhos tornaram-se o preâmbulo para um mínimo de contato. Sem conseguirem encaixar uma conversa propriamente dita, lá se iam de sim em sim, que coisa, deixe disso, vamos lá, quando chegou a hora da despedida, um certo temor tomou conta de ambos. Ele adiantou-se meio desajeitado: A gente pode aprumar conversa qualquer hora dessa? Sim, por que não? Então, tá. Então, tá. Inté. Até logo. Cada qual pro seu lado, não antes conferência de uma virada de ambos, uma piscadela em sinal de adeus com um quase aceno distante. Mais dois ou três encontros, lá estavam em conversa animada. O assunto? Qualquer coisa, o que importava é que se deliciam com o que diziam, jogando conversa fora: Está vendo aquilo? Nossa, que coisa, hem? Já viu? Nunca pensei, mas é legal, nunca tinha prestado atenção. Pois é, também não. E aquilo ali? Estranho, né? É. Papo vai, palra vem, menos se espera já ocorrência de um namoro firme, noivado anos depois. Já era maio de uma década desde o primeiro flerte, ambos desposavam numa cerimônia simples, alguns familiares e uma lua de mel modesta num apartamento alugado. Amaram e se estranharam algumas vezes, trabalhavam para o sustento, sem filhos, atraídos um pelo outro cada vez mais, às juras de amor na madrugada, a pegação de manhã ao acordarem de sono pesado, as beliscadas mútuas no cruzamento dos corpos pelos cantos, as fantasias sensuais ao telefone antes de largar do expediente no trabalho, a correria de chegar em casa e surpreender quem chegasse primeiro, as brincadeiras de esconde-pega, os cochichos carinhosos com as escolhas dos fetiches nas indumentárias de enfermeira, bombeiro, escravos, dominação. Mais uma década e tramavam surpresas as mais imprevisíveis: no escurinho do cinema, na escadaria de prédios abandonados, nas esquinas inóspitas, lugares ermos, paragens insólitas. Realizavam-se amantes e amados, comodamente adequados aos quereres e prazeres recíprocos. Amavam e desamavam, se ajustavam, espalhavam brasa nos desentendimentos, se engalfinhavam nas pazes, arengavam nas vésperas, seguiam e se separavam vez ou outra, vai e vem durante três décadas. Um dia, Delzito sente uma dor no peito e bate as botas. Um choro interminável dominou Nazilma por todo velório. Era chegada a hora da última despedida, coração apertado, sepultamento concretizado. À noite densa dominava o silêncio, ela não sabia o que fazer, anestesiada, sem conseguir conciliar o sono, cochilava, teimando em ficar acordada. Adormecia e por um instante o domínio de um sonho: Venha me buscar, estou vivo, me socorra! Acordava atônita, aperreio aos extremos, prantos desolados, era ele veementemente insistindo para que ela fosse buscá-lo. Não sabia o que fazer. Dormitava envolvida na oníria presença dele chamando-a. Aquilo perseguiu a noite toda em claro. Ao amanhecer procurou amigos e foi encaminhada ao delegado. Este por sua vez despachou pro Juiz. Já final da tarde conseguira a autorização judicial para reabrir a cova, agitada, ansiosa, pás cavando, hora passando, o coração aos pulos, enfim, o caixão, ao removerem a tampa, ele estava de bruços, agora definitivamente morto, chegara tarde, pensara. E nunca mais conseguiu ser feliz. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o guitarrista britânico de jazz John McLaughlin: Extrapolation & In after the rain; da pianista e compositor polonesa Felicja Blumental (1908-1991): Valsas de Chopin & Piano Português Espanhol; do músico, arranjador, regente, pianista e compositor Wagnert Tiso: Trem mineiro & Preto & Branco; e músicas com o talento e a arte da violonista francesa Ida Presti (1924-1967). Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - Cada pessoa deve trabalhar para o seu aperfeiçoamento e, ao mesmo tempo, participar da responsabilidade coletiva por toda a humanidade. Pensamento da cientista polonesa Prêmio Nobel de 1903 e 1911, Marie Curie (1867-1934). Veja mais aqui.

RIBEIRÃO - Ribeirão teve origem num aglomerado de casas populares, construídas em torno de uma capela sob a invocação de Santana, usto no séc. XVIII, segundo tradição local. Daí apareceu o Engenho Ribeirão, mais tarde a Usina Pinto, depois Usina Ribeirão, que contribuiu para o desenvolvimento do povoado. O seu progresso, com a abertura da estação da estrada de ferro Rio São Francisco, em 1862, foi grandemente acelerado. Em 1910 foi construído um ramal ferroviário, partindo de Ribeirão para Barreiros, e outro para Cortês, o que veio favorecer grandemente o município. O distrito foi criado por Lei municipal em 19 de agosto de 1895 e a sua sede foi elevada à categoria de vila por Lei estadual 991, de 01 de julho de 1909. O distrito pertencia ao município de Gameleira. A lei estadual 1931, de 01 de janeiro de 1928, criou o município de Ribeirão, cuja instalação ocorreu em 01 de janeiro de 1929. A sua sede foi elevada à categoria de cidade, pelo Decreto-Lei estadual 235, de 09 de dezembrop de 1938. Administrativamente, o município é formado pelos distritos sede, Aripibu e José Mariano e pelo povoado de Usina Estreliana. Anualmente, no dia 11 de setembro, a cidade comemora a sua emancipação política. Veja mais aqui.

O MITO DE SÍSIFO – [...] Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, aparece em seguida. São jogos. É preciso, antes de tudo, responder. E se é verdade, como pretende Nietzsche, que um filósofo, para ser confiável, deve pregar com o exemplo, percebe-se a importância dessa resposta, já que ela vai preceder o gesto definitivo. Estão aí as evidências que são sensíveis para o coração, mas é preciso aprofundar para torná-las claras à inteligência. [...]. Trecho extraído da obra  O mito de Sísifo: ensaio sobre o absurdo (Livros do Brasil, 2002), do escritor, dramaturgo e filósofo francês Albert Camus (1913-1960), abordando sobre a filosofia do absurdo, pela qual entende-se que o homem busca sentido, unidade e clareza no rosto de um mundo ininteligível desprovido de Deus e eternidade. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CÂNTICO II – CECÍLIA MEIRELES
Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens...
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabe que será assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue.
É a passagem que se continua
É a tua eternidade...
É a eternidade...
És tu.
Poema extraído da obra Cânticos (Moderna, 1981), da escritora, pintora, professora e jornalista Cecília Meireles (1901-1964). Veja mais aqui.

Veja mais:
Dia do Radilaista: a voz ao coração aqui.
A neurociência de Eric Kandel aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

A ARTE DE IRENE DUARTE
A arte da artista plástica Irene Duarte.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

quarta-feira, julho 19, 2017

MAIAKOVSKI, IDA PRESTI, HEMINGWAY, FELICJA BLUMENTAL, JOHN MCLAUGHLIN, WAGNERT TISO, CILDO MEIRELES & CAVERNA DAS MÃOS

QUANDO SE SENTIR SÓ, FALE COMIGO! - Imagem: A caverna das mãos, Patagônia, Argentina. - Vambora, contagem regressiva, vira a chave, dá partida e aciona o motor, nove, acelera, oito, apruma a direção, sete, debreia, seis, engata primeira, cinco, pé no canto e na táboa, quatro, tem que usar o cardan, três, tudo na marra, dois, força na munheca, um, leva tudo nos peitos, zero, simbora! Sacode a segunda, manda ver no solado pra terceira e pisa fundo, salta pra quarta, segura o pisado senão morre, o aclive é sempre íngreme, ajeita pra quinta: é agora ou nunca, a horagá, o Dia D! Bota fé na pesada e seja lá o que Deus quiser! Vai que o negócio é sério, largar em primeiro, seguir na frente, manter a dianteira, só para-choque sem língua de fora, viu? Mostra o ronco do leão, trocentos cavalos, saúde de bicho! Urra! Não olhe pra trá, nem pelo retrovisor, concentração na subida, ladeira sem fim, o céu por limite, só vale se chegar ao topo! Não tem que dar colher de chá pra ninguém, da goela pra baixo tudo é perna! Arriba! Não dê moleza, tem que aguentar o trupé! Avante! Não pode esmorecer, tem que ter gás sem precisar abastecer, manobra direito, não vá derrapar, vixe! Segura nos punhos, mostra quem é que vale mesmo ser a cocada preta! Segura o catombo, olhe o quebra-mola, empina a rieira, sai do atoleiro, olhe o roçado, se avie, use acostamento se preciso, vai no domínio das rédeas, não vá abrir da vela nem cagar fora do penico, dê seus pulos que você não é quadrado! Quando der pulo saiba como cair, aumente o pinote, não vá perder o equilíbrio na passada, ao rebolar não dê rabo de arraia nem cavalo de pau, segura o pencó, esporada no espinhaço do bicho! Olha a bandeirada! Chegou? Agora segura as pontas que pra descer todo santo ajuda embolando na ribanceira, pode findar relando a bunda no chão no maior deslizado de perder troféu e campeonato. Já que chegou ao ápice, agora é mostrar quem manda no riscado. Bote sua mola! Qualquer vacilo, queda feia e desenfreada de não saber nem onde vai parar, sacou? Se está em riba, veja como é que faz pra ficar por lá. Se puder, suba mais: cacunda dos outros pode ser mais que degrau! Se não der, se aguente, não vá fazer papel safado de se acovardar nem cair na leseira de virar a casaca. Logo aparecerão simpatizantes antes antipáticos, amigos antes algozes, parentes antes perdidos, achegados antes de costas, e se souber mandar bem no caqueado, terá sempre plateia aplaudindo até nas meladas, nas topadas e no que não era nem pra ser. Errar é humano, mas não erre demais. Mantenha o nariz empinado, peito estufado, a valentia em dia, se trastejar cai do burrico na maior cama de gato. Não se abestalhe, um olho no santo e outro no vigário, um dormindo e o outro acordado, se tiver de fazer, faça duma vez e bem feito, nunca conserte que empiora e dá mais trabalho ter de fazer tudo novo. Ria e ria sempre, fraquezas são perdedores, derrota é pra quem não tem imaginação. Se cuspir pra cima, saia debaixo; se for pedir penico, tenha humildade, aliás a maior nobreza é a humildade, antes um abraço que o poder da força, antes diálogo que empenado litígio, antes aperto de mão que quebra-de-braço. Tudo em cima? Se desceu, ache o chão antes da queda; se vê que vai se estrepar, melhor arrumar os muafos e pedir parada puxando a cigarra; se na eversão não achou mão alguma de apoio, é que adivinham a ruína como se fosse labéu, aí tudo vai pro beleleu! E se mangarem do tropeço, sorria e vá pensando como é que pode dá volta por cima só no truleu leu leu. E se procurar por alguém e não achar, não leve por desfeita, é que estão todos ocupados, babau. E se sentir ao rés-do-chão, talvez seja uma emergência, sobreviva, melhor curau que perdeu o bonde que ser levado na maior boiada. Enfim, quando se sentir só, fale comigo, estou aqui. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

O VELHO & O MAR DE HEMINGWAY
[...] Na treva, porém, sem clarão fulgindo, nem luzes, só com o vento e o firme impulso da vela, sentiu-se como se já estivesse morto. Juntou as mãos para sentir as palmas. Não estavam mortas, e era capaz de sentir a dor da vida, apenas com abri-las e fechá-las. Encostou as costas à popa, e reconheceu que não estava morto. Os ombros lho disseram. [...] "Não devo pensar em tolices. A sorte é coisa que vem de muitas formas. Quem sabe reconhecê-la? No entanto, eu aceitava alguma em qualquer forma, e pagava o que me pedissem. Quem me dera ver o clarão das luzes. Quem me dera tanta coisa! Mas é isto o que eu quero agora". Procurou instalar-se mais confortavelmente ao leme, e pela dor sabia que não estava morto. [...] Sentia-se dormente, dorido, e as feridas e as partes mais esforçadas do corpo doíam-lhe com o frio da noite. "Espero não ter de lutar mais, pensou. Tanto espero não ter de lutar outra vez!" Mas, por volta da meia-noite, lutou e dessa vez sabia que era inútil. Vieram em massa, e apenas via as linhas que as barbatanas abriam na água e a fosforescência deles ao atirarem-se ao peixe. Batia-lhes na cabeça, ouvia o estalo das queixadas, sentia o tremer do esquife quando eles mordiam por baixo. Batia-lhes desesperadamente no que apenas sentia e ouvia, e sentiu que alguém lhe agarrava no cacete, que se sumiu. Arrancou a cana do leme, e bateu e feriu com ela, segurando-a com ambas as mãos, abatendo-a vezes seguidas. Mas vinham pela proa, um após outro, juntos, arrancando pedaços de carne, que brilhavam dentro do mar quando eles se voltavam para um novo ataque. Veio, por fim, um, que se atirou à cabeça, e o velho viu que tudo acabara. Acertou com a cana na cabeça do tubarão, cujas maxilas estavam presas na dureza da cabeça do peixe, que se não rasgava. Vibrou a pancada uma, duas, três vezes. Ouvia a cana partir-se, e espicaçou o tubarão com a ponta estilhaçada. Sentiu-a penetrar e, ciente de que era aguçada, enterrou-a mais. O tubarão soltou-se e rolou para longe. Era o último tubarão do bando que aparecera. Nada mais havia de comer. O velho mal podia respirar, e sentia na boca um sabor estranho, adocicado, metálico, e por instantes teve medo. Mas não durou muito. Cuspiu para o oceano e disse: -- Comam isso, “galanos”. E fiquem a julgar que mataram um homem. Sabia-se irremediavelmente derrotado e voltou à popa e verificou que a ponta partida da cana encaixava no olhal do leme o suficiente para ele poder governar. Compôs o saco pelos ombros e repôs o esquife no rumo. Vogava ligeiro, e o velho não tinha pensamentos ou sentimentos nenhuns. Passara por tudo, e limitava-se a dirigir o barco para o porto, tão bem e tão inteligentemente quanto podia. Pela noite, tubarões atacaram a carcaça, como alguém pode apanhar migalhas da mesa. O velho não lhes prestou atenção e a nada prestava atenção senão ao leme. Apenas reparava em como o barco singrava bem, muito ligeiro, agora que não levava grande peso na borda. [...].
Trechos da obra O velho e o mar (Livros do Brasil, 1956), do escritor estadunidense & Prêmio Nobel de 1954, Ernest Hemingway (1899-1961), contando a história de um velho pescador que luta com um gigante marlim em alto mar. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

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POEMA PÓSTUMO DE MAIAKOVSKI
Duas horas em breve. Estás deitada, talvez.
Na noite, como um Oka de prata a Via Láctea corre.
O tempo é meu, e os relâmpagos que eram meus telegramas,
Não mais te virão despertar, atormentar.
Comose diz: encerra-se o incidente.
A canoa do amor foi-se quebrar de encontro ao cotidiano.
Eis-me quite com a vida.
E é inútil o passar em revista penas, azares e recíprocas feridas.
Vê, que paz no universo.
A noite impôs ao céu a servidão de tantas estrelas.
Chegou a hora em que a gente se ergue e em que fala aos séculos,
À História, ao universo.
Poema póstumo, extraído da obra Autobiografia e poemas (Presença, 1977), do poeta, dramaturgo e teórico russo Vladimir Maiakovski (1893-1930). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o guitarrista britânico de jazz John McLaughlin; da pianista e compositor polonesa Felicja Blumental (1908-1991); do músico, arranjador, regente, pianista e compositor Wagnert Tiso; e da violonista francesa Ida Presti (1924-1967). Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista plástico Cildo Meireles.
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RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

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