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quinta-feira, fevereiro 25, 2021

VLADY KOCIANCICH, JOANNA BAILLIE, CRISTIANA REALI, IDEIA VILARIÑO & RECIFE

 

 

TRÍPTICO DQC: Mistério, a poesia de todas as coisas - Ao som do concerto Live at the Montreux Jazz Festival (2012), do violonista Paco de Lucía (1947-2012). - Meus olhos se perdem pelas entranhas do mundo aberto à minha janela. Neste momento, dou à luz o que é impossível falar, o que desajuda e mais eu pudesse nesta hora o incontrolável entre órbitas e células, quantos redemoinhos abissais: o tempo que é meu com afluentes que desaguam onde não é mais possível, pelo menos agora ou nunca, diante do precário indizível do cotidiano, a derradeira apreensão por tudo diluído na minha sincera tolice para além do timbre comovido. Tudo é só solidão e, como se quisesse me salvar, ouvi a escritora argentina Vlady Kociancich me contando O segredo de Irina (Tusquets, 2016): Já vimos tudo o que existe. Gostaria de realmente ir mais longe. Bem longe. Sim, mais longe que o calor escaldante do mar imenso de um céu longínquo, mais longe que uma alma cansada pelas ruínas de Chichén Itzá, muito além da vida e da morte numa jornada inevitável além das aparências. Mesmo assim não imagino qualquer destino, quisera morrer em pleno gozo, no ato: vida é uma palavra desmedida até onde fui e o que tiver de ser feito o farei já. O mistério é a poesia de todas as coisas. Vamos.

 


DOIS: DAS DORES DE AMOR - Ao som do Concerto para Violino E minor, op. 64, do compositor alemão Felix Mendelssohn (1809-1847), na interpretação da violinista estadunidense Hilary Hahn e a Frankfurt Radio Symphony Orchestra, condutor: Paavo Jarvi (Korea, 2012) - Não sei mais onde estou, se entre vivos e mortos, o maldito e o santo, a injustiça e a tirania, tudo se dissolve e é muito horrível! Joanna Baillie me aparece no meio da noite: Onde as formas dentro da memória são vistas, / Formas fracas ou vívidas, variando frequentemente, que parecem / Como objetos em movimento em um sonho seriado... E me conta o melodrama gótico sobre o medo e a loucura de Orra (A tragedy in five acts - The Plays on the Passions, 3 vols. - LibriVox, 2018). Ouço atento e qual o tempo, se agora ou no medievo quatrocento, o castelo assombrado na Floresta Negra, o exilio da paixão dela por Theobald, tudo em vão: Sua mente dentro de si mesma contém um mundo escuro / De fantasias sombrias e formas horríveis! / Não lute mais com ela. Ela à beira do terror abjeto pelas maquinações nefastas do cavaleiro ciumento, depois da recusa para casar-se com o filho do seu pupilo: o medo, a segregação, o declínio da força de vontade e a sobrevivência na loucura. Não mais direito à liberdade, o desafio às leis da ordem patriarcal são tão trágicas quanto preconceituosas. Ela se apaga e é eliminada da história: Mas a dor da mulher é como uma tempestade de verão, por mais curta que seja violenta. Assim que sussurrou a última palavra da frase, ocorreu a suspensão do fornecimento de energia elétrica. Mais nada disse, as horas se passaram. Com o retorno da luz muito tempo depois, me certifiquei que estava só, contando as estrelas à janela.

 


TRÊS: DO QUE VAI E NÃO VOLTA MAIS – Ao som do concerto Lee Konitz New Quartet - Jazzwoche Burghausen (Germany, 2012), do compositor e saxofonista estadunidense Lee Konitz (1927-2020). – A noite é íntima e a ausência dela atravessa amanheceres por ondas crepusculares. Perdi a hora de tudo porque os pensamentos viajam por cenas, como daquela vez que ela reapareceu carregada com uma coleção de livros organizados pelo livreiro e colecionador francês, Alexandre Dupouy, e era a belíssima Cristiana Reali diante do meu encanto, era a redenção. Não, não era, engano meu, logo ela desfez e meio sem jeito, entre um passo e outro para lá e para cá: Falar que beleza não ajuda é mentira. Mas falar que só ajuda também é mentira. É diferente dos anos 40 ou 60. Hoje, se você for bonita, tem que mostrar mais personalidade e mais inteligência. Tenho o lado doce, sensível, frágil de meu signo, Peixes, e ao mesmo tempo sou esforçada, curiosa, vulcânica, como se diz em francês. Depois disso ficou silenciosa, inquieta. E me recitou um poema da poeta e compositora uruguaia Ideia Vilariño (1920-2009):  Já não será / já não / Não viveremos juntos / Não criarei teu filho / Não coserei tua roupa / Não te terei a noite / Não te beijarei ao ir-me / nunca saberás quem fui / por que me amaram outros. / Não chegarei a saber / por que nem como nunca / nem se era de verdade / O que disseste que era / nem quem foste / nem que fui para ti / nem como seria / viver juntos / querermos / esperar-nos / estar. / Já não sou mais que eu / para sempre e tu / já não serás para mim / mais que tu. / Já não estás / em um dia futuro / Não saberei donde vives / com quem / nem se te recordas. / Não me abraçarás nunca / como essa noite / nunca. / Não voltarei a te tocar. / Não te verei morrer. E saiu sem um aceno como se fosse para nunca mais. Dias depois, lá estava ela, linda como nunca, amante como sempre: uma deusa entronizada e nua nos meus braços e reino de nada. Agora não mais, tudo dela inesquecível e recorrente, doendo no peito túrgido como se a lembrança sangrasse feito um talho imenso em carne viva. Até mais ver.

 

EI, PESSOAL! VAMOS CONHECER O RECIFE!



[...] O carnaval pernambucano tem características próprias por sua diversificação de agremiações carnavalescas [...] Mas na “quarta-feira ingrata, que é de fazer chorar”, não perdiam o Bacalhau do Batata e o Bloco dos Irresponsáveis, que desfilava, à tarde, pelas ruas de Água Fria [...]

O livro Ei, pessoal! Vamos conhecer o Recife (Edificantes, 1997), da escritora Marileide Tavares e do historiador, escritor, músico e artista plástico Edvaldo Arlégo, contando uma história com um completo roteiro histórico cultural para se conhecer o Recife, falando em seus capítulos sobre o Marco Zero, o Mercado de São José, a feirinha, os bairros de Santo Antônio e São José, da Boa Vista, o carnaval, os subúrbios, o metrô, o baile de máscara, o frevo, retalhos e outras coisas. Veja mais aqui e aqui.

 



sexta-feira, fevereiro 23, 2018

LOUISE BOGAN, EAGLETON, JOSTEIN GAARDER, SEARLE, IVAN BUNIN, HARRIET HOSMER, JOHN MCLAUGHLIN, HILARY HAHN, CRISTINA ARRUDA & FEMINISMO E LUTAS ANTISSISTÊMICAS

COMEÇOU O FINAL DE SEMANA, É SEXTA! - Imagem: art by Cristina Arruda. - UMA: ESCOLARIZAÇÃO PRA SER GENTE - Desde menino sempre ouviu: Estude pra ser gente, seu cabra. Estudava e muito: tabuada, vogais, consoantes, soletrava o abecê. Agradar a professora do primário, tirar boas notas, ser o primeiro da classe. E a turma: CDF, caga-pau! Ora. Foi pro ginasial, deu guinada de todo tipo: Tome jeito de ser gente, seu medonho! E como é que é ser gente? Aprenda! Mais estudava, menos sabia. Sabia de coisas de antanho que nada diziam respeito, de cálculos, somas, equações, qual a serventia mesmo, hem? De ciências, os acidentes geográficos, a moral e cívica, aprenda a falar sua língua, não seja analfabeto, desgraçado! E tome substantivo, sintaxe, conjugação de verbos, regência, tudo grego! Verdade, nada a ver com sua cidade, sua gente, seus vizinhos, só coisas de um mundo que nunca ia viver, como a Revolução Francesa, o Dia do Fico, fatos e heroísmos de gente de longe ou do passado, coisas assim, do nada, sem pé nem cabeça, mas tinha que decorar, saber de cor e salteado, de trás pra frente, na ponta da língua, era assim que passava de ano, se expremesse sabia de nada. Até aí não sabia: estudar pra quê? Foi pro colegial com ensino profissionalizante, científico, tal qual o bê-a-bá: isso é isso, aquilo é aquilo, aprendeu? Feijão com arroz, café com pão, física, química, religião, laboratório e as meninas assanhadas pra cima e pra baixo, gazeava, quando não escapolia de fininho. Desde o ginasial, na sorte; tirava sete e dava pra passar, escapando e se arrastando. Onze anos nessa pisada, primário, ginasial, científico, serve mesmo estudar, hem? Ainda não sabia. Foi pra faculdade depois de levar pau nuns dez vestibulares. Aí queimou as pestanas, virou noite, passou aperto, fez força de deixar marca de freada na cueca, fedor de queimado dos chifres, torceu, virou e mexeu, segunda chamada, recuperação, vai mas num vai, empurra e aos empurrões, falta fôlego, ah, falta pouco, vambora, coisas do arco da velha, ciência que jamais entendera, contudo decorava tudo ou recorria às fila na mão, na meia, nos tacos de papel, copiava, reproduzia, aos trancos e barrancos, escorregava e passava com pau no canto. Depois de morrer umas três vezes, tirou fino no abismo e se lascou todinho de dúvidas. Qual é? Ninguém esclarecia, aumentava a dúvida: Vixe! Qualquer dia essa bomba estoura! Enfim, formou-se. Ufa! Agora vai! Foi pro mercado de trabalho, sobrou; sebo nas canelas e teve que se especializar pra ser aproveitado, pós-graduou-se umas duas vezes e viu que era pouco e não sabia nada, o dinheiro não dava, pagava o crédito educativo, meio lá, meio cá, se arrastando fez um mestrado que nem lembra em quê e emburacou no doutoramento, tudo com temas que nem acreditava, por imposição do orientador e pra ganhar a vida sobre a concorrência que era muita e desleal. Agora sim. Voltou ao mercado e viu que não era bem assim, passou da conta, tinha gente com nada disso ocupando os lugares e ele que estudou pra ser gente, não era. Foi, então, o chamado da família: criar galinhas era mais fácil e ganhar um bom dinheiro sem precisar de estudo que, para ele, agora, era perda de tempo. Nunca mais quer saber de escola, aula, professor, tudo inútil por que ele queria só ganhar um dinheirinho pra sobreviver, nada mais. Agora sou gente, tenho dinheiro e fim de papo! E os estudos? Respondia: Se eu souber quem inventou escola eu mando matar! E ponto final. DUAS: TODO DIA É DIA DE SEDUÇÃO – Valha-me minha santa tesão, que mulher linda! Era mesmo, lindíssima: cabelo liso aos ombros, olhar agateado, faces róseas, lábios salientes, corpo escultural num bustiê dos peitinhos de goiaba, cinturinha de pilão, saínha curtíssima, coxas e pernas, valha-me, santa criatura! E dançava elegantemente, enturmada. Sentou-se ao lado, piscou pra ela; ela, também. Sorriu pra ela, ah, que riso lindo o dela, salvai-me Deus que eu já vou! Piscou de novo, ela correspondeu. Fez menção de falar, ela a ouvir. Levantou-se, sentou-se ao lado e deitou maior chaveco, blábláblá, e ela se ria frouxa pro seu encanto. Já dizia Gonzagão: Mulher querendo é bom demais. É nessa que eu vou! E foi: dançou soltou, remexeu-se de todo jeito, tudo para impressioná-la e ela ria que ria, bão demais. Ela sentou-se: Cerveja? Pensou nos bolsos: Acompanho. Ela agita o relógio do pulso, chega o garçom: Cerveja, dois copos! Ela virava, ele bebericava – estava desprevenido financeiramente, mas ela deve ser endinheirada, pelo jeito. Outro litro, mais dois, dança sem se agarrar, ela reboladeira, ele todo sem jeito com as coisas por denunciar-lhe a concupiscência. Ela se achega e se esfrega, ele tonteia; maior rela-rela, uma mão ao seio assim sem querer, outra na altura do rebolado: Essa é pra casar de mesmo! Goles e passos, música lenta, o sarro, coisa de arrepiar! Ambos exaltados, vamos. Ele vai. À mesa, agita o relógio no pulso, o garçom, a conta: Pagaí! Hem? A conta! Conversa vai, conversa vem, empenha o relógio dele e ela já passando na borboleta da saída, corre atrás. Cadê o carro? Hem? O carro, au-to-mó-vel, entendeu? Ah, só tenho passe pra condução. Como? Vamos pra onde? Ela virou-se e foi embora, ele acompanhou o rebolado dela até vê-la beijar um outro que vinha em sua direção, entraram num carro e ela se foi buzinando, adeus. Ah, tá! Já era, a fila anda e quem não tem músculo, bom de bolso e possante, fica só a ver navios, as mãos, à beira do cais. TRÊS: SAIDEIRA DA INGRESIA – Maior bate boca: É a mãe! O calão denunciava a exaltação lascando a gramática: É o corno do teu pai, fidapeste! Nervos à flor da pele, empurra-empurra, deixa disso, vamos lá, seja razoável, dá logo um tabefe na cara desse freco, isso é um pulha, faz isso não, vai logo, se fosse comigo eu já tinha enfiado uma peixeira no bucho desse fidaputa! Que é isso, corno? As gaias estão dando circuito é? Ah, vou esquentar sua orelha, desgraçado! Vem que vou encher essa tua fuça de tapa, viado! Deixa pra lá, aqui não, vai ou não vai. Como dizem as escrituras apagadas: uns atiçam pra briga, outros tantos pra desapartar. E o vuque-vuque sobra: tapas pra que te quero! Êpa! O perigo no meio do temporal de lapadas! Comigo é assim: brincou, sai apanhado! Vou quebrar suas costelas, galhudo! Vem que vou arrebetar seu espinhaço, boiola! Que comemoração é essa, hem? -, gritou uma autoridade que passava. Ah, hoje é Dia da Paz e da Compreensão Mundial! É mesmo? É. Então tá. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do guitarrista britânico de jazz John McLaughlin: Extrapolation, Live in Concert & Stuttgart Concert Live; da violinista estadunidense Hilary Hahn: Concert Violin Beethoven, Violin Concert Mozart & Caprice 23 Paganini; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] um filósofo de verdade nunca desiste. Se pelo menos a gente conseguisse desprendê-lo [...]. Pensamento extraído da obra O mundo de Sofia (Cia das Letras, 1995), do escritor e professor norueguês Jostein Gaarder, compreendendo uma narrativa a respeito do conhecimento filosófico, voltada para o público jovem. No livro o autor articula os conhecimentos filosóficos com a vida real. No inicio traz o primeiro capítulo, O jardim do Éden, significando o início quando Deus cria o mundo com seus primeiros habitantes, Adão e Eva. Nessa parte relata o retorno da escola de Sofia, a relação de confidência dela com sua melhor amiga Jorunn. A jovem recebe cartas de uma pessoa que nunca conheceu com perguntas curiosas acerca do mundo e da vida. Nessa parte a vida é mostrada para a protagonista de uma forma que a faz se questionar. No segundo capítulo, Cartola, a adolescente recebe um envelope contendo os primeiros passos de um curso grátis de Filosofia. A partir desse presente, ela começa a ter contato com o universo filosófico, partindo para praticá-la. Nessa parte aparecem explicações acerca da filosofia e sua importância. No terceiro capítulo, Mitos, ela viaja na imaginação sobre os mitos antigos da Antiga Grécia, acompanhando sobre os mitos da antiguidade. O quarto capítulo trata sobre os filósofos da natureza, a recepção pela adolescente de perguntas quando ela passa a refletir sobre o assunto. No quinto capítulo, Demócrito, vê-se a ênfase dada ao assunto filosófico por parte do misterioso professor de Sofia, quando ela passa a tentar descobri-lo. Ela apreende que o filósofo grego Demócrito defendia que tudo era composto por átomos e que com a morte do ser, os átomos são espalhados na natureza. No sexto capítulo, Destino, a jovem Sofia resolve escrever uma carta ao filósofo, quando recebe uma aula sobre o destino e, misteriosamente uma echarpe vermelha aparece com o nome inscrito nas correspondências da pessoa que ela não conhecia. No sétimo capítulo, Sócrates, a jovem é surpreendida por uma carta de um professor solicitando que ela guardasse uma echarpe vermelha. É quando o professor ministra conteúdos acerca dos filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles. Para esses filósofos ainda que houvessem respostas para muitas questões filosóficas ninguém jamais seria capaz de encontrar respostas seguras e definitivas para os mistérios da natureza e do universo. Este ponto de vista é conhecido na filosofia como ceticismo. No oitavo capítulo, Atenas, as aulas foram ampliadas com vídeo, quando o filosofo aparece na Atenas da Antiga Grécia. No capítulo nono, Platão, os ensinamentos ministrados davam conta que esse filósofo defendia que a alma era imortal e que por trás de tudo está a verdade, e o que vemos é apenas uma espécie de sombra, reflexo do real. O décimo capítulo, A cabana do major, é permeado de suspense. É quando depois de fazer a leitura sobre Platão, Sofia permanece em seu esconderijo refletindo sobre as ideias deste filósofo. Depois disso, muitas coisas ocorreram até que Sofia foi para o seu quarto e lá pensou sobre tudo que tinha passado. Ficou receosa por haver entrado na casa de seu professor e então resolveu escrever-lhe uma carta pedindo desculpas. O décimo primeiro capítulo, Aristóteles, tomando ciência que esse filósofo teceu várias criticas às ideias de Platão, uma vez que ambos possuíam visões diferentes. Aristóteles defendia que a mulher era um homem imperfeito, fazendo com que Sofia começasse a ter uma opinião própria a respeito das coisas, retrucando o filósofo. No décimo segundo capítulo, Helenismo, há uma passagem de tempo que se desenvolve pela época, passando pela Idade Média, Renascimento, Barroco, Descartes, Spinoza, Locke, Hume, Berkeley, o Iluminismo, Kant, o Romantismo, Hegel e Kierkgaard. Depois lições sobre Marx, Darwin, Freud e os filósofos do século XX. A partir dessa parte, Hilde refletia sobre tudo que lia e ao lado de Sofia passou a observar o Existencialismo, levando as duas a realizarem reflexão sobre tudo que havia ocorrido, a festa, os mistérios, os acontecimentos que se davam em um outro mundo da eternidade, como as conversas sobre a origem do universo, a teoria do Big Bang entre outros acontecimentos. A leitura da obra é bastante esclarecedora e fascinante. Conclui-se que a Filosofia é um ramo de estudo que permite a busca do saber e da verdade, descortinando o sentido secreto da realidade. O seu estudo permite ainda que proporcione melhor visão das coisas e prepare o estudante para melhor desempenhar seu papel na vida. Veja mais aqui.

EPISTEMOLOGIA & PRAGMATISMO - [...] Abandonar a epistemologia em prol da política não é desejável, é impossível; todos os enunciados de cunho político são implicitamente teorias sobre a realidade [...] A posição do pragmatista que toma “interesse”, “poder”, ou “desejo” como seu ponto de partida epistemológico [...] está sujeita à constetação. Tal contextação inevitavelmente acarretará debate em torno de como são as coisas no mundo lá fora. Falar a respeito do mundo lá fora não quer dizer necessariamente que as coisas são uma vez por todas de uma só forma ou que o conhecimento do mundo está transcendentalmente descontaminada de interesses e desejos. [...]. Trechos extraído de Two approaches in the sociology of literature (Critical Inquiry, 1988), do filósofo e crítico literário britânico Terry Eagleton. Veja mais aqui.

CONTAR ESTÓRIAS - [...] contar estórias realmente se constitui em um jogo de lingaugem distinto; um jogo que para ser jogado pede um conjunto distinto de convenções, embora essas convenções não sejam regras do significado; e o jogo da linguagem não está no mesmo nível que os jogos ilocucionários da linguagem, mas é parasitário em relação a eles. [...] Os teóricos da literatura tendem a emitir observações vagas sobre como o autor cria um mundo fictício, um mundo de romance, ou coisa parecida. Acredito que estamos em posição de fazer essas observações terem sentido. Ao fingir referir=se a pessoas e relatar eventos a seu respeito, o autor cria personagens e eventos fictícios. No caso de ficção realista ou naturalista, o autor fará referencia a lugares e eventos reais, entremeando-os com referências fictícias, dessa forma tornando possível tratar do conto fictício como se fosse uma extensão do nosso conhecimento já existente. [...]. Trechos extraídos de Expression and meaning studies in the Theory of Speech Acts (Cambridge, 1979), do filósofo e escritor estadunidense John Searle. Veja mais aqui.

O AMOR DE MÍTIA – [...] Aquela dor era tão forte, tão intolerável, que, sem pensar no que fazia, não compreendendo o que resultaria de tudo aquilo, fervorosamente uma coisa apenas, livrar-se por um instante que fosse daquela dor e não tornar àquele mundo horrível em que passara o dia todo e onde, apenas um instante atrás, estivera imerso no mais horrível e repugnante de todos os sonhos terrestres, apalpou e puxou uma gavetra do criado-mudo, apanhou a esfera fria, pesada, do revolver e, soltando um suspiro profundo e alegre, abriu a boca e, com toda a força, deliciando-se, atirou. Extraído da obra O amor de Mítia (Delta, 1964), do escritor russo Ivan Bunin (1870-1053), Prêmio Nobel de 1933.

M. CANTANDO – Agora inocente dentro da profunda noite / de todas as coisas vivas e leves / libertando o que sabemos no sono. / Na tua voz fresca gritam alto / aqueles seres sem coração ou nome. / Aquelas criaturas corretas e orgulhosas / sobre as palavras de melancolia / e as sutilezas de música, / deixam a longa colheita que segam / na terra perdida de pó e chama / e movem-se para o espaço sob o nosso céu. Poema da poeta estadunidense Louise Bogan (1897-1970).

FEMINISMO POPULAR & LUTAS ANTISSISTÊMICAS
O nosso desafio é transformar o mundo, enquanto transformamos a nós mesmas e ao nosso movimento. Guacira César de Oliveira
Extraído da obra Feminismo popular e lutas antissistêmicas (SOS Corpo, 2016), de Carmen S. M. Silva, tratando sobre feminismo, mulheres e movimentos sociais, movimento das mulheres e questão do feminismo hegemônico, movimentos sociais e subjetividades coletivas, classes populares e formação do campo, grupos de reflexão ao planeta fêmea, relação com o campo político dos movimentos sociais, articulações e manifestações, participação institucional, Conferência de Beijing, a crise no campo político, a AMB, lutas nacionais, atuação em movimentos, entre outros assuntos. Veja mais aqui.

Veja mais:
Uma prosa nos entreversos do amor, a música de Maestro Duda, o cinema de Marco Ferreri & Andréa Ferréol, a Conquista do Voto das Mulheres, a arte de Fernando Alves & Luciah Lopez aqui.
Centenário de Hermilo, o teatro de Augusto Boal, a música de Cussy de Almeida, a pintura de Joshua Reynolds, Ginofagia & Dia da Sedução aqui.
A arte do advogado, escritor, crítico literário, jornalista, dramaturgo, diretor, teatrólogo e tradutor Hermilo Borba Filho (1917-2017) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Os encantos de Valkyria Freya, Paulo Freire, Daniel Goleman, a literatura de Pierre Michon,o teatro de Mario Viana,o cinema de Ferenc Moldoványi, a música de Vânia Abreu, a pintura de Carolyn Weltman, a arte de Alexis Texas, Merari Tavares, Saúde no Brasil, Fracasso Escolar & Professor e aluno aqui.
A poesia de Benhjamim Péret, Dolls & Cátia Rodrigues aqui.
Paixão, a literatura de Francis Scott Fitzgerald & Djuna Barnes, o teatro de Sarah Kane, o cinema de Ken Loach, a música de Regina Carter, a pintura de Pal Fried & Carolyn Weltman & Jane Graverol, a fotografia de Wang Huaxiang, Jurema Barreto de Souza, Gestão em Saúde, A relação entre professor & aluno aqui.
A música de Kylie Minogue, a poesia de Cláudio Manuel da Costa, o teatro de Michael Frayn,o cinema de Michel Gondry, a fotografia de Jeanine Toledo, a pintura de Carl Larsson, Lucilene Machado, Kate Winslet, Hope 2050, aecamepa, Administração Hospitalar & Síndrome de Burnout, Transtornos & Distúrbios da Aprendizagem aqui.
O alvo do pódice, Cervantes, Márcia Tiburi, Giovanni Sartori, a literatura de Rick Moody, o teatro de Mário Prata & Fernando Rojas, o cinema de István Szabó, a música de Ferruccio Busoni & Gertrud Schilde, a pintura de Omar Ortiz & Emerico Imre Toth, Rachel Weisz, Ádila J. P. Cabral, A Trajetória da Mulher & O cérebro na escola aqui.
Solfejo de uma ária amanhecida & a pintura de Max Klinger aqui.
Cecília Meireles, Pablo Milanés. Pedrinho Guareschi & O mistério da Consciência, o cinema de Jean-Luc Godard, a pintura de Johan Christian Dahl, Juliette Binoche e Myriem Roussel, Costinha, O sufrágio feminino & Programa Tataritaritatá aqui.
Leibniz, Manoel Bentevi, Alceu Valença, Helena Cristina & Programa Tataritaritatá aqui.
Hermann Hesse, a poesia de Wislawa Szymborska, a literatura de Evelyn Lau, a música de Christoph Willibald Gluck & Daniella Alcarpe, a fotografia de Bárbara Angel aqui.
Franz Kafka, a pintura de Anna Chromý, a música de Leoš Janáček & Karyme Hass & Ibys Maceioh aqui.
Adolfo Casais Monteiro, Roberto Burle Marx, a música de Astor Piazzola, a poesia de Antonio Miranda, Adriana Garambone & Doro na Copa do Mundo aqui.
O cinema de Jean Cocteau & Elizabteh Lee Miller, a música de Márcia Novo & Felipe Cerquize aqui.
Frida Kahlo, Alberto Nepomuceno & Luciah Lopez aqui.
Marc Chagall, Gustav Mahler, Artur Azevedo, Lampião & Bee Scott aqui.
Fritz Perls, Procópio Ferreira, Moraes Moreira, Doro na Copa & Programa Tataritaritatá aqui.
Manuel Bandeira, Violeta Parra & Mercedes Sosa, Ana Botafogo & Blitz-krieg do Mineirão aqui.
Marcel Proust, Carl Orff, Mestre Vitalino, Jacob Abraham Camille Pissarro & Rachel Levkovits aqui.
Carlos Gomes & Quinteto Violado, Sérgio Buarque de Holanda, Joana Ramos & Givaldo Kleber aqui.
Lygia Fagundes Teles & Pomba enamorada ou uma história de amor aqui.
A poesia de D. H. Lawrence & Milene Possas Sarquissiano aqui.
A poesia de Pablo Neruda, a Música de Jane Monheit & a fotografia de Colette Standish aqui.
A poesia de Raymond Radiguet, a pintura de Thereza Toscano & Para sempe Lilya aqui.
Encruzilhadas aqui.
Arthur Schopenhauer, Johann Nikolaus Forkel, José Cândido de Carvalho, Victor Brecheret, Luís Buñuel, Iremar Marinho & Bestiário Alagoano aqui.
Karl Theodor Jaspers, Pablo Picasso, Georg Friedrich Händel, Fernanda Seno, Eva Green & Demi Moore, Tom Wesselmann & Soninha Porto aqui.
Os crimes contra a administração pública aqui.
Homofobia, sexualidade, bissexualidade & educação para as diferenças aqui.
A mulher assíria-babilônia & outras tiradas, sacadas & outros tataritaritatás aqui.
Interpretação dos sonhos de Freud, Psicopatologia, Semiologia & Comunicação Linguística aqui.
De todo jeito é bom & Programa Tataritaritatá aqui.
Diário de um sedutor de Kierkegaar & Se não chover aqui.
Os cânticos de Salomão, Anna Akhmatova, a música de Carl Reinecke & Elza Soares, Chico Buarque & as chicólatras, Fecamepa & Naldinho Freire aqui.
Ernesto Sábato, Nelson Rodrigues, Antonio Cândido, Betty Lago, OVNI, A chegada dela no prazer da tarde & Programa Tataritaritatá aqui.
Mahatma Gandhi, George Orwell, Maurren Magg & Rick Wakeman aqui.
Autran Dourado, Thomas Mann, Gilberto Gil, Luiza Possi & Célia Demézio aqui.
Guimarães Rosa, Milton Nascimento & Caetano Veloso, Isabelle Adjani, Zezé Motta, Rejane Souza, Rafael Nolli & Sóstenes Lima aqui.
Luigi Pirandello, Jean-Jacques Rousseau, Pat Metheny, Mel Brooks, Peter Paul Rubens & Maurice Quentin de La Tour aqui.
Antoine de Saint-Exupéry, Paul Klee, Aarre Merikanto, Colin Hay, Clóvis Graciano & Cris Braun aqui.
Emily Brontë, John Gay, Fryderyk Chopin, Yngwie Malmsteen, Floriano Martins, Maria Luisa Persson & Julia Crystal aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da escultora estadunidense Harriet Hosmer (1830-1908). 
Veja mais aqui & aqui.

sexta-feira, outubro 21, 2016

QUINET, MIRÓ, HILARY HAHN, PRAGUER FRÓES, BJERKAN, ZANINI, ROLANDRY, NILZA AMARAL, LUCIAH & MEGÁLITOS


INEDITORIAL: LAVRATURA - Imagem: O campo lavrado, do escultor, pintor, gravurista e ceramista catalão Joan Miró (1893-1983) - Eu lavrei a minha vida com sangue e lágrima, luzes e trevas, sementes de nada e de tudo. E o insidioso surpreendente mais acrescentou sangue e lágrima, luzes e trevas e muito mais sementes de nada e de tudo. E o bom é surpreendente, tudo é surpreendente no meu coração, Hy Breazil. Eu lavrei como quem planta chuvas no coração e recolhe terras secas da carne de guerra no meio das decepções. Eu lavrei o meu canto entre acenos de adeus e recepções no meio do meu momento futuro em plena pretérita agonia. E restou tudo e nada. E eu fiquei ruminando nas pedrarias de Pirangi onde as águas borbulham nos meus olhos e fazem a correnteza braba que deságua de mim no incerto preciso. Eu lavrei o meu poema no quebrar da barra quando eu varria os sonhos que as borboletas levavam do meu coração incerto. E quadro cruzaram o arco-íris trouxeram tantas luzes de mulheres nuas rondando meus sonhos com as tormentas da vida queimando meus pés na hora chegada em Pirangi. Eu lavrei o meu canto e o meu poema no aceno dos rostos presos na tarde da província onde a noite é insidiosa, as pessoas são insidiosas, tudo é insidioso e a pressão da vida é imperativa nas mortes que desabam para não fornecer vantagem para quem fala na calada da noite queimando o pavio da esperança. Eu lavrei o meu canto e o meu poema queimando o pavio da esperança quando eu perdia os sentidos no meio dos diálogos sombrios com as minhas estrelas que quedavam muitas na minha cabeça pela estrada de volta. Eu lavrei o meu canto no poema que se estirou na estrada do canavial onde eu estava perdido no meu coração, Hy Breazil, e o planalto central dos anhangás vociferavam a morte de sempre nas palavras suaves que não são a tônica para quem vagueia errante. Eu lavrei o meu canto no poema do silêncio de armas, o silêncio de vida, o silêncio capaz de revolver luzes porque não conhece a primavera na confusão de inverno e verão quando maio é uma estrada empoeirada com os filhos do barro incólumes escravos que não sabem o calor das pedrarias solidárias na fineza de Pirangi. Eu lavrei o meu canto que caiu no chão como um poema de chaga aberta no meio do esconjuro que o vento soprou no suor do meu dedo sem direção. E no meu canto o poema exorcizou a América do meu peito e conheci a direção de nada porque os sonhos de Bolívar estavam na América do Soul dessas paragens que são a viela da América do Sul que sou. © Luiz Alberto Machado. (In: Primeira Reunião. Recife: Bagaço, 1992). E vamos aprumar a conversa nas novidades do dia: na edição de hoje destaque para  o narcisismo de Antonio Quinet, o pensamento de Francisca Paguer Fróes, os megálitos de Orens, a literatura de Nilza Amaral, a pintura de Juan Miró, Peggy Bjerkan & Mário Zanini, a música de Hilary Hahn, a arte de Luciah Lopez, o Sarau Poético de Curitiba, o show Por um novo dia & a croniqueta O que sei de mim é só de você. Querendo mais é só aprumar aqui.

Veja mais sobre:
Maioridade precoce, Elfriede Jelinek, Lera Auerbach, Diana Vishneva,Pierre Alechinsky, Literatura de Cordel, Giulia Gam, Walter Huggo Khoury & Deus Ludens aqui.

E mais:
Sêneca, Nauro Machado, Antonio Carlos Nóbrega, George Wald, Newton Moreno, Philippe Garrel, Clotilde Hesme, Cidadania na Escola, Elizabeth Boott Duveneck, Distanásia & Crimes contra a administração pública aqui.
A educação na sociologia de Durkheim aqui.
Cícero & A República, Besta Fubana, Trela do Doro, Tolinho & Bestinha aqui.
Fecamepa: quando a coisa se desarruma, até na descida é um deus nos acuda! Aqui.
A educação no Positivismo de Comte aqui.

DESTAQUE: O EU & NARCISISMO
[...] O eu é como Narciso ama a si mesmo, ama a imagem de si mesmo que ele vê no outro. Essa imagem que é projetada no outro e no mundo é a fonte do amor, da paixão, do desejo de reconhecimento, mas também de agressividade e da competição. [...].
Trecho extraído da obra A imagem rainha – O imaginário no ensino de Jacques Lacan (Escola Brasileira de Psicanálise, 1995), do psicanalista, psiquiatra, dramaturgo e doutor em filosofia pela Universidade de Paris, Antonio Quinet. (Imagem: Magical realism, masks by Peggy Bjerkan)

Curtindo o álbum Bach: Violin & Voice (Deutsche Grammophon, 2010), da violinista estadunidense Hilary Hahn, interpretando música de J. S. Bach, com Matthias Goerne & Christine Schafer.


Pensamento do dia: A maternidade é o magno sacrifício da mulher; o seu desdobramento incondicional para a multiplicação da espécie, a santificação do lar num sofrimento contínuo e imensurável. A inferioridade da mulher não é fisiológica, nem psicológica; ela é social. Sua escravidão sexual determina sua dependência econômica. Pensamento da médica e feminista Francisca Praguer Fróes (1872-1931). Imagem: do artista plástico Mário Zanini (1907-1971).

O QUE SEI DE MIM É SÓ DE VOCÊ (Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez). Não sei do tempo, se ontem ou amanhã, tanto faz. Não tenho relógio e os marcadores ou ponteiros estão soltos numa ampulheta vazia que me sinalizam apenas que tudo passa e eu não sei a que horas ou momento isso é possível e se perdeu do que eu possa apreender. O calendário é cego e eu nem sei quando nasci, muito menos se vivo a contar de morrer, tanto faz. Não sei do espaço, aqui ou ali, tanto faz, guio-me pelo trajeto solar, do leste ao oeste, alhures, sem ter pronde ir ou chegar, apenas caminho na direção sem rumo no naufrágio do que pudera ser tempo. Não sei de mim, nem de nada, só sei que amanheço na escuridão, enquanto entardeço na manhã e tudo é tão cedo quando chega a noite e toma conta do breu o luar no último brilho das estrelas que se apagam sob minhas pálpebras cansadas. Se quer saber, o que sei de mim é só de você. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui & aqui.

O EROTISMO DA NATUREZA NOS MEGÁLITOS DE ORENS –(Imagem: Vênus de Dolní Věstonice) - As fadas dos contos e lendas ocidentais são frequentemente associadas a construções megalíticas, como o são a sítio naturais, colinas, cascatas, florestas, etc. (variantes dialetais: fados, fades, fadas, fadettes). [...] É Johanneau que, num memorial à Academia Céltica (1810), conta a lenda do dólmen: Os camponeses desse cantão acrdditavam ainda, e me disseram seriamente, que foram três moças que construíram esse castelo em uma noite (daí, provavelmente, seu nome de castelo, de casa ou de gruta das fadas), que se morreria durante o ano se ele fosse destruído, que se as pedras fossem retiradas elas retornariam durante a noite. [...] As fadas, no tempo em que viviam, honravam depois de sua morte os que viviam, feito, outrora, alguma coisa boa durante sua vida e construíam grutas indestrutíveis para colocar as cinzas, ao abrigo da malevolência e da destruição do tempo. Elas vinham, frequentemente, conversar com os mortos. E diz-se que sua influencia benfeitora espalhava na região um encanto indefinível, ao mesmo tempo que abundância e prosperidade... Desde muito tempo, as fadas, infelizmente, desapareceram, mas o monumento permaneceu. Nas noites, quando a brisa sopra ao lado de fora, ouvem-se, como que lamentações, na rocha-das-fadas, e diz-se que são os mortos que lá repousam, que chamam as fadas protetoras, e que seus lamentos se renovarão até que elas retornem. Há pouco tempo ainda, os jovens da região vinha à rocha-das-fadas para interrogar o destino. Nas noites de lua cheia, viam-se namorados contornar o dólmen, cada um num sentido, e contar as pedras. Se os números obtidos não fossem diferentes de mais ou de menos de dois, era um bom presságio: o casamento era para logo. [...] O mágico Merlin, escreve Fernand Niel, transportou a Dança-dos-Gigantes que compõem as pedras de Stonehenge, da Irlanda para a planície de Salisbury. Um fantasma tinha-se domiciliado num dólmen de Noordsleen (Paises-Baixos). Saindo de noite de seu esconderiho o fantasma errava no campo, entregava-se a apavorantes brincaderias na colina vizinha. A avó dos diabos passeava, um dia, levando sobre a cabeça a mesa do dólmen Há-Heun (Coréia) e embaixo dos braços, os suportes. Achando a carga pesada demais, a diaba quis repousar. Colocou no chão as lajes que mantinha embaixo dos braços, e estas ficaram em pé, enquanto que, sentando-se, a laje que carregava na cabeça, colocou-se naturalmente sobre os suportes. [...] É em Keloas, perto de Plouarzel, que se ergue o menir de Saint-Renan, o mais alto e, provavelmente, o mais notável de Finistère. [...] Os recém-casados, escreve em 1827, rendem-se devotadamente ao pé desse menir e, depois de se terem em parte despojado de suas vestimentas, a mulher de um lado, o esposo do outro, esfregam o ventre contra uma das saliências. O homem pretende, através dessa cerimônia ridícula, e a mulher pretende, assim, ter a vantagem de ser a dona absoluta da casa e governar inteiramente seu marido. [...] O menir de Moelan, que tem uma protuberância de um so lado, é objeto das mesmas praticas que o de Kerloas. [...] Os que conseguiam lançar uma moeda no cume do megálito eram assegurados de se casarem no mesmo ano. Perto de lá, o menor de Saint-Genit era objeto de práticas fálicas. [...] Até 1909 as jovens casadouras de Crozon vinham montar num menir tombado perto da gruta de Morgat. Essas práticas de escorregadelas com traseiro nu deviam ser frequentes. [...] As jovens da região praticavam esse ritual sobre o menor de Locmariaquer na noite de primeiro de maio. Essas superstições eram, seguramente, muito mal vistas pela igreja que mandou suprimir, por isso, um certo número de megálitos. Foi o caso do menir de Saint Cado em Ploemel e do menir tombado de Kerbénes do qual Guánin nos diz que era da parte das mulheres e das jovens objeto de praticas tais, que foi destruído e serviu ao calçamento das estradas.Nos alinhamentos do Ménec, em Carnac, encontrava-se um menor chamado o navio que foi tombado e quebrado em 1815. Paul Sébilot, na sua obra Folklore de France, conta que esse megálito dava lugar a uma estranha dança ritual ainda praticada no fim do ultimo século. Nas noites de lua cheia, os casais vinham dançar completamente nus em torno do menir. O homem perseguia a mulher enquanto os pais dos esposos faziam a ronda vindo de um outro menir chamado muito corretamente a sentinela. A mulher, supondo-se curada de sua esterelidade, acabava por render-se ao marido. [...] Nesses lugares desenrolavam-se ritos pagãos, no decorrer da noite que precedia a festa do perdão local, no mês de agosto. Os homens banhavam-se inteiramente nus na fonte, pois acreditavam que sua água curava os reumatismos. Torneios de luta bretã ocorriam, interrompidos por danças e fortes libações. As mulheres deviam esperar o nascer do dia para irem banhar-se na água sagrada, de um modo um pouco menos frívolo que o dos homens. [...] Satã leva o baile a Saint-Briac-sur-Mer, em Ille-et-Vilaine. No cume do outeiro-Girault erguia-se um dólmen que hoje coroa o calvário de cruz-dos-marinheiros. Jovens, conta a lenda, vinham dançar em volta do megálito. O clero, considerando essas rondas como ocasiões de pecado, está na origem da lenda que diz que, uma noite, Satã veio misturar-se aos dançarinos. O diabo seduziu uma jovem pouco selvagem e levou-a com ele. Foi preciso a intervenção do padre armado com seu hissope para fazer Satã fugir sob o efeito da água benta. Mas o diabo agarrou-se desesperadamente pedras do dólmen e suas garras lá escavaram as cupulazinhas curiosas que lá se encontram ainda hoje. [...] Uma noite que, como de costume, rapaes e moças dançavam entre as pedras, Satã misturou-se ao baile. Ao primeiro canto do galo, a terra abriu-se. No meio dos gritos e das chamas, os dançarinos foram devorados pelo inferno... Bela alegoria para renunciar a dança como fonte de pecado e alimentadora do inferno. Na landa de Moulin, perto de Langon, em Ille-et-Vilaine, cerca de 30 menires têm o nome de demoiselles: parece que são moças que preferiram ir dançar na landa a ouvir a missa. Para puni-las, Deus petrificou-as. Dançava-se, aparentemente sem perigo, nas noite de São João em volta do dólmen de La Roque-Belan, em Guernesey. Não jovens pecadores, mas fadas em Chateau-la-Valiére, Indre-et-Loire, onde estas últimas vem dançar toda noite em volta do menir. [...] Alguns estudiosos de hoje, escreve Denis Roche, admitem que o menir simbilizava o duplo aspecto da sexualidae: ele teria sido macho, por sua ereção para o céu (relacionando-se com os mitos do fogo/raio/pedras de raio), e fêmea por estar afundado na terra (relacionando-se com a água, o que, por sinal, não é muito claro). Visto que alguns menires estariam encarregados mais particularmente de poderes masculinos, em dado momento de sua antropomorfização, poder-se-ia logicamente supor que as outras pedras teriam recebido uma grande concentração de encargos femininos. Aliás, alguns antropólogos admitem que certos menires com caneluras verticais – por oposição ao sulco bálano-prepucial do fato masculino – seriam falos femininos: assim como o raio de Goulien em Beuzec. Os estudiosos, conclui mais adiante o autor, diem que talvez deva-se considerar o falicismo apenas como um momento dentre todas as fases de evolução da pedra erguida primitiva, apenas um aspecto da antopomorfização ritual das forças elementares naturais (sol, raio, fecundidade, etc).[...] A mais celebre dessas figuras é a de Saint-Sernin em Aveyron. Esse ídolo feminino é esculpido sobre dois lados de uma laje de arenito vermelho de 1,20m de altura, 70 centimetros de largura e 20 centímetros de espessura. [...] O corpo deste ser sobrenatural é cintado por uma tanga. Os membros são faixas lisas, chapadas sobre o corpo e que findam em cinco espécies de franjas (os dedos dos pés e das mãos). [...] Certamente trata-se da grande deusa neolítica associada aos ritos da fecundidade, espécie de Deméter pré-histórica considerada como força nutritiva benfeitora da humanidade agrícola. [...]. Trechos extraídos da obra A civilização dos megálitos (Ferni, 1977), do historiador Marc Orens.


AGENDA: SARAU POÉTICO – Acontecerá neste sábado, dia 22/10, a partir das 14hs, em Curitiba, o Sarau Poético, organizado pelas poetas Conceição Gomes, Marinez Novaes, Vanice Zimerman, Ione Perez e Luciah Lopes. Imperdível. Veja detalhes do evento aqui & mais aqui e aqui.



REGISTRO: POR UM NOVO DIA
Entre os anos 1985/87, reuni alguns músicos e realizei o show Por um novo dia, evento em que selecionei minhas canções e resolvi cantá-las no palco. A imagem acima é o pôster do show realizado na arte do ator e artista plástico Rolandry Silvério. Veja detalhes aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Tantos são os dias que separam a tua existência da minha que as palavras perdem o sentido, tornam-se indagações quando deviam ser carinho, um descanso, um conforto de abraço, um sabor de beijo. O abando vai esfoliando a pele abrindo caminhos, expondo a alma, que uma vez nua - se esconde - no silêncio e na saudade que não sente vergonha de ser.
Indicações, texto/imagens da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...