Mostrando postagens com marcador Don DeLillo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Don DeLillo. Mostrar todas as postagens

domingo, novembro 20, 2022

EMMA LAZARUS, NADINE GORDIMER, LAGERLÖF, YOURCENAR & JOAN RODRIGUEZ

 

 Ao som de Pavane por une infante défunte (1899), de Maurice Ravel, com a Orchestre National de France, sob a regência da maestrina finlandesa Dalia Stasevska.

 

TRÍPTICO DQP: - A solidão do poema... - A lenha da palavra e a combustão da ideia: a fogueira da poesia. A cidade é uma penumbra asfixiante, mais parece a nuvem tóxica de Nova Delhi. Emma Lazarus surpreende a caminhada: Então a Natureza moldou o coração de um poeta - uma lira/ de cujos acordes a brisa mais leve que sopra / deu uma música trêmula... Olhos escondidos perseguem a minha clausura andeja. Confesso arrasado na rotina ordinária, renegado pela intolerância e mediocridade. Quantas aspirações, fingimento, privações. Era como se eu fosse o lenhador de fadas com a missão secreta d’O Golpe de Mestre do Fairy Feller de Richard Dadd: a imaginação cheia ao deitar por malograr no atentado ao papa e o parricida esfaqueando o demônio a mando de Osíris entre fadas e gramíneas, gnomos e flores, elfos e o machado pronto para o golpe na castanha; a libélula ao trombone para a rainha Mab com seus centauros, o menino e o monge anão com outros mágicos, uma aranha tecelã, o lavrador e o político dos patriotários, o dândi de fada por cima da ninfa, um pedagogo agachado, duas empregadas e um sátiro, um esfarrapado e o bisbilhoteiro, as crianças nas margaridas e uma nova carruagem para a realeza dos sonhos de Oberon e Titânia, nos sonhos de uma noite de verão de Shakespeare. Lá iam as investidas criminosas e a disrupção psicótica para enlouquecer com o Queen nas xilogravuras do Clique, as vozes instigantes e as gargantas cortadas, o non compos mentis como na narrativa do Perceval de Bateson e o fetiche por ovos e cerveja. Senti na pele o doloroso pesadelo, não era eu e só despertei com Marguerite Yourcenar: Creio que quase sempre é preciso um golpe de loucura para se construir um destino... Também duvido da minha sanidade, talvez eu seja um perigo paratodos, resta a companhia de mim mesmo, não há saída: a vida reduzida ao poema e nada mais...

 

O grito rasga o dia... – Imagem: Arte do escultor, pintor, gravador e professor Rubem Valentim (1922-1991). - Tudo parece em ordem, mas não está. O que previsivel diante do inesperado? Não era apenas afeto ou asco, nem apenas heroi ou vilão no conflito entre pícaros – quem se aceita a si mesmo? Passado e presente embaralhados: o heroi sem carater, o golpista dissimulado e o céu de vermelho-alaranjado com o silêncio desesperador e seus fantasmas. Os amigos se foram e eu fiquei com o toque de melancolia, o grito de Munch: o fracasso do amor e a alienação dos outros. Assim a existência com suas perdas, a tristeza das doenças, a ansiedade e a morte, o socorro agozinante e a vida real na Noite da rua Karl Johan - eliciadores do medo e a revivescência, os nervos à flor da pele, ameaças e quantos pretextos para viver as muitas versões: A dança da vida em Åsgårdstrand e lá estava o friso da vida na Madonna nua e feita de Amor e dor - era Marina Abramović como Selma Lagerlöf: Ninguém pode livrar os homens da dor, mas será bendito aquele que fizer renascer neles a coragem para a suportar. A alegria é a dor que se dissimula - à face da Terra só existe a dor. Como reconciliar eu não sei, só se um OVNI viesse abduzir-me com a supressão da memória, mesmo que os erros batessem à porta e eu me esquecesse da paixão antiga pela tia – como se fosse antes da Revolução de Bertollucci, nem lembrasse de quantos amores se perderam e nada mais pudesse viver de benéfico nem de venturoso. Seguir pelas pedras e rieiras...

 


Não estava só na loucura... - Imagem: arte da artista visual Gio Simões, que se dedica ao desenho, à pintura e à fotografia. – Lá estava ela como se fosse a Dormeuse aux persiennes de Picasso: desligada de tudo, cansada e recolhida em si mesma. Olhou-me com surpresa e me disse Don DeLillo: A loucura é tão pessoal. É difícil saber quem compartilha nossos segredos... Logo abriu o jogo e fez-se tagarela inquieta, atormentada. Era como se sobrevivesse às lembranças da infância – o estupro de menina e o casamento falido dos pais, ela tragada como se protagonizasse If Only Alcyone Would Wake, de Joan Rodriguez. Insistia nua para lá e para cá: precisava acordar e assumir o controle de sua vida depois da depressão pós-parto – a lembrança dos seus dois lindos filhos, a sua infância com o conforto da arte na solidão e mais tamponava a dor na ideação suicida. Não poderia, jamais. Mais uma vez fitou-me severa e insistia em dizer que teve medo com a sua história despedaçada, precisava esquecer suas raízes, a escravidão disfarçada, fantasiar o presente sem que precisasse da aceitação ou recusa, e reiteradamente disse que nunca revelaria o seu segredo, pois, condenada a viver na escuridão. De repente se fez Nadine Gordimer: Eu sou a chama de uma vela que balança em correntes de ar que você não pode ver. Você precisa ser aquele que me firma para queimar. Eu falhei em muitas coisas, mas nunca tive medo. Todo mundo acaba caminhando sozinho em direção a si mesmo. Minha resposta é: Reconheça-se nos outros... Ah, não, era preciso cuidar dela, assim me fiz e nela do pesadelo à fantasia viva de amar. Era mesmo preciso, não estava só nas minhas andanças, uma vez mais e a vida. Até mais ver.

 


[...] Avaliar é indispensável em toda atividade humana e, portanto, em qualquer proposta de educação [...] A avaliação é inerente e imprescindível, durante todo processo educativo que se realize em um constante trabalho de ação-reflexão-ação [...] Precisamos, então, fazer com que nossa prática educacional esteja conscientemente preocupada com a promoção da transformação social [...] avaliar não pode ser um ato mecânico nem mecanizante para que possamos contribuir para a construção de competência técnicas sócio-política-culturais. [...].

Trechos extraídos da obra Avaliação: novos tempos, novas práticas (Vozes, 1998), do professor e pesquisador Edmar Henrique Rabelo. Veja mais Educação & Livroterapia aqui e aqui.

 



quinta-feira, maio 12, 2016

SARTRE, DON DELILLO, OTHMAR MÜLLER & LEONORE AUMAIER, BEUYS, TRAIMOND, NANDUXA & ENFERMEIRA


ENFERMEIRA & A DOR DE SER MULHER (Imagem: A musa chora sobre a coluna, da artista plástica Nanduxa) - O coração doi, como o meu nome: Das Dores. A dor sempre, convivência. Doía mais quando entrei na profissão. Tudo começou quando terminei o segundo grau e fui fazer um curso de primeiros socorros. Descobri o que era de gosto, foi isso que escolhi. Sempre adorei cuidar de gente, todo tipo, principalmente crianças e velhos. As crianças me enchiam de satisfação, a índole maternal. Pras pessoas de idade avançada, eu me envolvia numa atração apaixonante entre afeto e comiseração. Era a minha forma natural de ser caridosa, sempre ao auxílio de quem necessitasse. Comecei estagiando num posto de saúde num bairro próximo à minha casa. Foi daí que pude, então, começar a fazer um curso técnico. Mais dois anos, passei no vestibular e iniciar o curso superior. Cinco longos anos entre o atendimento e a formatura. Não foi fácil, muitas vezes tive de virar a noite em claro, entre estudos e emergências. Durante essa caminhada, fui contratada para trabalhar num hospital particular de uma cidade vizinha. Foi quando conheci todo universo de gente estropiada. Confesso que chorei muito ao longo desses anos, quantos problemas, quanta gente doente. No hospital a coisa era mais complicada: doenças, acidentes, crimes. Aquilo não era o mundo de paz e harmonia que eu sonhara, não era nada do que pensava ser a vida. O inferno estava a cada segundo da noite ou do dia, em cada porta que abria, em cada corredor que passasse, em cada lágrima escondida no banheiro. Gente doente com falta de ar, ou a face desfeita e inchada por pauladas muitas, ou balas, facadas, escoriações, amputações, fraturas expostas, desilusões depressivas, enlouquecimentos, enfermidades tantas. Meus sentimentos foram se moldando com o passar dos tempos, perdi o afeto, tive de perder a compaixão. A vida ensina. O pior era que ainda por cima tinha de encarar os lobos maus de branco com apalpadelas, cantadas, promessas e injúrias. Caísse na antipatia deles, estava ferrada. Todos eram de uma forma ou de outra parentes ou achegados dos sócios donos do hospital. Uma panelinha pronta para quem caísse na berlinda, uma arapuca sem saída. Um dos donos mesmo gostava de chegar tarde da noite com bafo de álcool pra revolucionar: dar alta, remediar, prescrever exames e medicamentos emergenciais, afora sair beliscando as nádegas das enfermeiras, quando não agarrando-as e se esfregando, levantando as saias e obrigando ao sexo fosse na enfermaria, apartamento, no dormitório, onde fosse. Uma vez mesmo, numa madrugada que eu aplicava a medicação de um paciente de idade e que só mexia os olhos abertos desde que chegara, assim, de repente, esse doutor dono invadiu a enfermaria como se eu fosse a última fêmea da face da Terra. E foi logo me agarrando por trás, levantando minha saia, enfiando uma das mãos na minha vagina dentro da calcinha, a outra se enfiando dentro do meu sutiã para amolegar meus seios, grunhindo com olhos vermelhos e costumeiro bafo de bebida, apressado já abrindo a braguilha e demovendo minha calcinha, de sentir seu membro quente e rijo entre as minhas coxas e intimidades, quando o paciente moveu uma das mãos e pegou a minha, levando-a até o seu ventre, ao que gritei e se assustaram, o médico e paciente. Apressadamente me recompus e saí chorando. A minha desilusão não parou por aí nessa noite, descobri o papel de cafetina exercido pela enfermeira-chefe para se manter no cargo e no emprego, a me aconselhar simpatia e bom grado às investidas dos donos, médicos e pacientes. Não aguentei e, mesmo assim, fui ultrajada, injuriada e demitida por me recursar dessa prática. Eu me vi no olho da rua, sem horizonte, sem futuro, sem nada. O meu sonho havia sido pisado e jogado no lixo. Tive de refazer a vida, graças a um concurso público, pude conhecer o inferno de um hospital geral público. Plantões longos, intermináveis: uma criança que engoliu moedas, um marmanjo acometido de priaprisma, uma senhora em estado de choque, uma jovem suicida sofrendo o mal de amor, um ancião com fratura na espinha dorsal de uma queda, um jovem com um tiro na nuca, um casal vítima de atropelamento, um motoqueiro semimorto, um médico se entupindo de medicamentos e bebidas para suportar seu trabalho, ocorrências diversas, acidentes e fatalidades. O mundo me ensinava ainda mais. Ninguém se encosta para ajeitar na ajuda, só atraso de vida. Quando a bondade aparece, vá ver: é só tapeação. E a desilusão é uma porta que se abre constantemente para desmantelar qualquer condição de dignidade e respeito. A minha profissão me fez desumana, insensível. Procuro por mim mesmo e não me encontro: essa não sou eu. Apesar da voz melíflua, da minha maternidade latente e da ternura que carrego ao peito, a dureza do cotidiano laboral me faz ser o que não sou: um robô cumprindo ordens e tratando indiferentemente cada necessitado. Essa não sou eu. Doi-me mais o desencanto dos amores desfeitos, das paixões mal-resolvidas, da incompreensão dos homens. Agora doi mais o coração de uma mulher. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui
Imagem: A arte do escultor, performer e artista plástico alemão Joseph Beuys (1921-1986). Veja mais aqui.

Curtindo o álbum Cello Music of the fin de siecle in Vienna (Camerata, 2000), com obras dos compositores Johanna Müller-Herman (1868-1941), Karl Weigl (1881-1949) e Anton Webern (1883-1945), na interpretação de Othmar Müller (cello) e Leonore Aumaier (piano).

PESQUISA
69 histoires de désir (Electa), do professor e pesquisador francês Jean-Manuel Traimond, em obras que estão na História da Arte da França, Alemanha e Espanha.

LEITURA 
A artista do corpo (Companhia das Letras, 2001), do escritor, dramaturgo e ensaísta estadunidense Don DeLillo. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
O ser humano não é somente o ser pelo qual se revela a negatividade no mundo. É também o que pode tomar atitudes negativas com relação a si, da obra O Ser e o Nada: ensaio de ontologia fenomenológica (Vozes, 1997), do filósofo, escritor e crítico francês Jean-Paul Sartre (1905-1980). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais Erich Fromm, Dalton Trevisan, Plinio Marcos, Camões, Florence Nightigale, Bebel Gilberto, Dante Gabriel Rossetti, Coles Phillips, Edward Lear, Isabelle Huppert, Claude Chabrol & Katharine Hepburn aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A enfermeira Tataritaritatá!
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

segunda-feira, novembro 26, 2007

GANDHI, DELILLO, RIVETTE, ROGGERI, ANDREA BELTRÃO, BALIBAR, ORGANIZAÇÕES, GENA MARIA & MUITO MAIS!!!


ORGANIZAÇÕES MECÂNICAS VERSUS ORGÂNICAS - Após haver efetuado leitura sobre os capítulos "Mecanização assume o comando: as organizações vistas como máquinas" e "A natureza entra em cena: as organizações vistas como organismos", do livro "Imagens da Organização", de Gareth Morgan, efetuo as seguintes considerações a respeito. Inicialmente o autor aborda sobre o mecanicismo, alegando que a máquina assumiu, ao longo dos anos, importante papel quando sua utilização aumentou o limiar das habilidades produtivas e moldaram quase todos os aspectos da vida humana. Com a máquina, o trabalho tornou-se rotinizado, eficiente, confiável e previsível, passando-se a esperar que as pessoas reproduzissem suas atividades em determinada hora e desempenhassemm um conjunto predeterminado de serviços de forma repetitiva, ocorrendo, então, a introdução de uniformidade, de extensão e de padronização dos regulamentos, com especialização crescente das tarefas; o uso de equipamento padronizado; a criação de linguagem de comando e o treinamento sistemático que envolvia exercício de guerra e disciplina. Considerando a organização como um processo racional e técnico, a imagem mecanicista tende a subvalorizar os aspectos humanos da organização, como também a ver superficialmente o fato de que as tarefas enfrentadas pelas organizações são, muito freqüentemente, mais complexas, imprevisíveis e difíceis do que aquelas que podem ser desempenhadas pela maioria das máquinas. As forças mecanicistas da organização funcionam quando: existe uma tarefa contínua a ser desempenhada; o ambiente é suficientemente estável para assegurar que os produtos oferecidos sejam os apropriados; se quer produzir sempre exatamente o mesmo produto; a precisão é uma meta; e as partes humanas da máquina são submissas e comportam-se  como foi planejado que façam. As organizações estruturadas de forma mecanicista têm maior dificuldade de se adaptar a situações de mudança porque são planejadas para atingir objetivos predeterminados; não são planejadas para a inovação. A organização mecanicista da organização tende a limitar, em lugar de ativar o desenvolvimento das capacidades humanas, modelando os seres humanos para servirem aos requisitos da organização mecanicista em lugar de construir a organização em torno dos seus pontos fortes e potenciais. Os enfoques mecanicistas da organização tem se comprovado incrivelmente populares, em parte devido à sua eficiência no desempenho de certas tarefas, mas também devido à habilidade que têm de reforçar s sustentar padrões particulares de poder e controle. Com o mecanicismo vem a teoria da administração clássica e da administração científica. Postulantes dessas idéias advogam  firmemente a burocratização, devotando as suas energias à identificação de princípios pormenorizados e métodos através dos quais esse tipo de administração poderia ser atingido. Enquanto os teóricos clássicos em administração focalizavam a sua atenção ao planejamento da organização total, os científicos visavam o planejamento e à administração de cargos individualizados. A teoria clássica trata do planejamento das organizações burocráticas. Henry Fayol, F. W. Mooney e Cel. Lyndall Urwick, interessavam-se por problemas práticos de administração e procuravam sistematizar as suas experiências a respeito das organizações de sucesso para que fossem seguidas por outros. Para eles a administração é um processo de planejamento, direção, coordenação e controle. Utilizavam por base uma combinação de princípios militares e de engenharia. Possuía um padrão de cargos precisamente definidos e organizados de maneira hierárquica através de linhas de comando ou de comunicação. Projetavam organizações como se projetassem máquinas. Visavam uma operação tão precisa quanto possível dentro de padrões de autoridade, procurando assegurar que, quando os comandos fossem expedidos de cima da organização, deveriam fluir através da organização de forma precisamente determinada, para também criar um efeito precisamente determinado. Esses princípios são básicos tanto à burocracia centralizada, como à forma modificada, encontrada na organização departamentalizada e na qual as várias unidades são autorizadas a operar de maneira semi-autônoma, sob uma supervisão e controle mais gerais do que específicos por parte daqueles que, em última análise, detêm a autoridade final. Reconheceram a necessidade de conciliar os requisitos contraditórios da centralização e da descentralização para preservar uma flexibilidade apropriada nos diferentes setores de grandes organizações. Sugerem que as organizações podem ou devem ser sistemas racionais que operam de maneira tão eficiente quanto possível. Reconheceram que era importante atingir um equilíbrio ou harmonia entre os aspectos humanos e técnicos da organização, especialmente através dos procedimentos apropriados de seleção e treinamento, mas a sua principal orientação foi fazer com que os seres humanos se adequassem às exigências da organização mecanicista, utilizando-se de técnicas administrativas do tipo: APO, PPBS e SIG's. A administração científica teve em  Frederick Taylor o seu maior expoente e maior inimigo do trabalhador. Os princípios de sua administração científica ofereceram a base para o modo de trabalhar por toda a primeira metade do século passado, predominando até hoje. Os seus princípios básicos são: 1. Transfira toda a responsabilidade da organização do trabalho do trabalhador para o gerente; os gerentes devem pensar a respeito de tudo o que se relaciona com o planejamento e a organização do trabalho, deixando aos trabalhadores a tarefa de implementar isso na prática; 2. Use métodos científicos para determinar a forma mais eficiente de fazer o trabalho; planeje a tarefa do trabalhador de maneira correta, especificando com precisão a forma pela qual o trabalho deva ser feito; 3. Selecione a melhor pessoa para desempenhar o cargo, assim especificado; 4. treine o trabalhador para fazer o trabalho eficientemente; 5. fiscalize o desempenho do trabalhador para assegurar que os procedimentos apropriados de trabalho sejam seguidos e que os resultados adequados sejam atingidos. Ao aplicar esses princípios, Taylor defendeu o uso de estudos de tempos e movimentos como meio de analisar e padronizar as atividades de trabalho. Tornando os trabalhadores servidores ou acessórios das maquinas, completamente controlados pela organização e pelo ritmo de trabalho. Os cinco princípios de Taylor levam ao desenvolvimento de "escritórios-fábrica" nos quais as pessoas desempenham responsabilidades fragmentadas e altamente especializadas, de acordo com um sistema complexo de planejamento de trabalho e avaliação de desempenho. Enquanto acelera a substituição de habilidades especializadas por trabalhadores não qualificados. O sistema de Taylor racionalizava o ambiente de trabalho para que este pudesse ser tocado por trabalhadores substituíveis. A teoria da administração clássica e a administração científica foram, cada uma delas, lançadas e vendidas aos administradores como a melhor maneira de organizar. Exemplos de modelos tayloristas atuais são as franquias, principalmente a McDonald's, centralizando o planejamento e o desenvolvimento de produtos ou serviços e descentralizando a implementação de maneira altamente controlada. Por outro lado, as empresas que se modelam orgânicas são concebidas como sistemas vivos, que existem em um ambiente mais amplo do qual dependem em termos da satisfação das suas várias necessidades, atuando em áreas mais competitivas e turbulentas, tais como empresas de alta tecnologia, nos campos aeroespacial e microeletrônica. Ela emergiu nos últimos 50 anos, inspirada na biologia, na qual as distinções são colocadas entre moléculas, células, organismos complexos, espécies e ecologia são colocadas em paralelo com aquelas entre indivíduos, grupos, organizações, populações de organizações e a sua ecologia social. Surgiam as organizações enquanto sistemas abertos com: objetivos, estruturas e eficiência ficam em segundo plano em relação aos problemas da sobrevivência e outras preocupações mais biológicas. A teoria emergiu apoiada na idéia de que indivíduos e grupos, da mesma forma como os organismos biológicos, atuam mais eficazmente somente quando as suas necessidades são satisfeitas. A idéia de integrar as necessidades individuais e organizacionais transformou-se numa poderosa força, e psicólogos organizacionais como Chris Argyris, Frederick Herzberg e Douglas McGregor, começaram a mostrar como as estruturas burocráticas, os estilos de liderança e a organização do trabalho de maneira geral poderiam ser modificados para criar cargos enriquecidos e motivadores que encorajariam, as pessoas no exercício de suas capacidades, de autocontrole e criatividade. Foi feito com que os empregados se sentissem mais úteis e importantes, dando a eles cargos significativos, bem como autonomia, responsabilidade e reconhecimento tanto quanto possível; o enriquecimento do trabalho combinado com um estilo de liderança mais participativo, democrático e centrado no empregado. Ao se planejar ou administrar qualquer tipo de sistema social, deve-se ter em mente a interdependência entre a parte técnica e as necessidades humanas. Quando se reconhece que os indivíduos, os grupos e as organizações têm necessidades que devem ser satisfeitas, a atenção volta-se para o fato de que isto depende de um ambiente mais amplo a fim de garantir várias formas de sobrevivência. Este é o enfoque sistêmico de Ludwig von Bertalanffy, fundamentando-se no princípio de que as organizações, como os organismos estão abertos ao seu meio ambiente e devem atingir uma relação apropriada com este ambiente caso queiram sobreviver. Bertalanffy concebeu os princípios da Teoria Geral dos Sistemas como um meio de interligar diferentes disciplinas científicas. Diversos conceitos foram desenvolvidos a partir da visão orgânica da organização, tais como o conceito de homeostase, que diz respeito à auto-regulação e à capacidade de conservar um estudo equilibrado, regulando e controlando o funcionamento do sistema e tomando por base a retro-alimentação negativa, segundo a qual um desvio da norma engendra ações destinadas a corrigi-lo; o princípio da eqüifinalidade, parte da idéia de que num sistema aberto podem existir numerosos meios diferentes de se atingir um estado final; o enfoque sociotécnico do trabalho, que enfatiza a importância de balancear os requisitos humanos e técnicos; a teoria dos sistemas abertos, encorajando mais genericamente o balanceamento de subsistemas; a teoria da contingência e da prática do desenvolvimento organizacional, definindo os sistemas abertos que necessitam de cuidadosa administração para satisfazer e equilibrar necessidades internas, assim como adaptar-se a circunstâncias ambientais, além de advogar que não existe a melhor forma de organizar. A forma adequada, portanto, depende do tipo de tarefa ou do ambiente dentro do qual se está lidando; a utilização da adhocracia, termo cunhado por Warren Bennis para caraterização organizações que são por definição temporárias, aproximando-se da forma de organização orgânica de Burns e Stalker, como uma forma altamente adequada para o desempenho de atividades complexas e incertas em ambientes turbulentos; a visão da população-ecologia da organização, colocando a teoria da evolução de Darwin exatamente no centro da análise organizacional. Assim, esclarece o autor, que as organizações como organismos da natureza, dependem, para sobreviver, da sua habilidade de adquirir adequado suprimento de recursos necessários aos sustentos da existência. Como a evolução ocorre através da modificação de membros individuais de uma espécie, os ecologistas populacionais argumentam que é mais importante compreender a dinâmica evolutiva no nível da população. Ambas as visões da população-ecologia e contigencial concebem as organizações como existindo num estado de tensão ou de luta com os seus ambientes. Ambas presumem que as organizações e os ambientes sejam fenômenos separados. Concluindo a perspectiva de Garreth Morgan, uma organização eficaz depende de se encontrar o equilíbrio ou a compatibilidade entre estratégia, estrutura, tecnologia, envolvimento e necessidades das pessoas, bem como do ambiente externo, seja ela mecanicista ou orgânica. A forma adequada, portanto, depende do tipo de tarefa ou do ambiente dentro do qual se está lidando. A administração deve estar preocupada acima de tido em atingir boas medidas. Resumidamente, estas são as principais ideias que se encontram articuladas e subjacentes ao enfoque contingencial da organização. Veja mais aqui e aqui.


Imagem: Female nude, do pintor suíço Émile Chambon (1905-1993).


Curtindo o álbum Padre Antonio Soler: Fandangos & Sonates (Transart, 2010), da pianista argentina Marcela Roggeri. Veja mais aqui.

EPÍGRAFEQuando um só homem atinge a plenitude do amor, neutraliza o ódio de milhões, frase atribuída a Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948), o grande Mahatma Gandhi que foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano atuou como advogado na África do Sul defendendo a minoria hindu e liderando a luta de seu povo por seus direitos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PROBIDADE ADMINISTRATIVA – A Lei Federal n.º 8.429, de 02/06/1992, a Lei de Improbidade Administrativa, apelidada também de "Lei do Colarinho Branco", é o diploma de normação das diversas formas de improbidade administrativa. A improbidade administrativa é o designativo técnico e jurídico para a chamada corrupção e má gestão administrativa, que, sob diversos tipos de ação e omissão dos agentes públicos, promove o desvirtuamento da condução das coisas públicas, afrontando os princípios constitucionais que regulam a atuação da administração pública, em especial aqueles previstos no art. 37 da CF. A probidade administrativa na gestão do patrimônio público, que abrange, não só os bens e direitos de valor econômico (erário) mas também de valor estético, histórico ou turístico, espécie de interesse difuso, pois bem de todos indivisível, cuja violação afeta a sociedade em geral. A probidade administrativa, princípio constitucional, intimamente relacionado com os princípios fundamentais da legalidade e da moralidade, significa, pois, a honestidade, a decência, a honradez no trato do patrimônio público. Veja detalhes aqui e aqui.

ARTISTA DO CORPO – No livro A artista do corpo (Companhia das Letras, 2001), do escritor, dramaturgo e ensaísta estadunidense Don DeLillo, trata sobre uma praticante de body art que se refugia num casarão distante, onde encontra um homem misterioso capaz de imitar seu marido que é cineasta e que havia se suicidado. Da obra destaco o trecho: [...] À noite ela ia até a porta do quarto dele e ficava vendo-o dormir. Ficava ali uma hroa e depois se conectava com a internet para ver os carros começando a surgir na estrada de duas pistas por onde se entrava e saída de Kotka, na Finlândia, ficava olhando até que ela própria conseguisse dormir, finalmente, com o nascer do dia nórdico. [...]. Veja mais aqui.

MEU AMOR – Entre os poemas da poeta e editora do blog Meus Poemas, Gena Maria, destaco o seu belíssimo Meu amor: Meu amor, sei que pensa em me deixar / mas,um dia vai voltar arrependido do que me fez / e pedindo perdão por sua ingratidão / Mas, agora que me quer distante / e pensando em me deixar... / Vejo, que já chorei um mar de lágrimas / E deixei de lado minhas mágoas / só por que te amo demais! / Saiba amor, que não sei viver sem você / Nada serei se me deixar... / E depois de tudo que vivemos / Do imenso amor que tivemos / Não desejo que se arrependa / Pois, fiz da minha vida a sua / E antes que seja tarde, volte / e entenda que de tudo farei / para que sejas feliz! Veja mais aqui. 

MEMÓRIA DA ÁGUA – Em 2002, tive a oportunidade de assistir no Teatro Alfa, em São Paulo, à montagem do espetáculo Memória da Água, de Shelagh Stephenson, dirigido por Felipe Hirsch, contando a história de três irmãs que lembram seus laços durante o funeral da mãe, quando o reencontro, com evocações e cobranças, ambientado em uma pequena cidade do litoral inglês, possui o mesmo poder da água que sempre retem e depois dissolve as substancias nela colocadas. O destaque do espetáculo ficou por conta das atrizes Andrea Beltrão, Eliane Giardini e Ana Beatriz. Veja mais aqui e aqui.

QUEM SABE? – A comédia dramática Quem sabe? (2001), do do cineasta francês Jacques Rivette, conta a história que envolve um diretor de teatro e sua amante e estrela que se veem enredados numa complexa trama de amores novos e antigos, enquanto a peça na qual trabalham – Como me queres, de Pirandello – faz uma carreira desastrosa. O destaque do filme fica por conta da atuação da atriz e cantora francesa Jeanne Balibar. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz e cantora francesa Jeanne Balibar.

VEJA MAIS:
Pietro Ubaldi, Eça de Queiroz, Joni Mitchell, Molière, Publílio Siro, Bernardo Bertolucci, Thandie Newton, Giovanni Battista Tiepolo & Meimei Corrêa aqui

João Guimarães Rosa, Mstislav Rostropovich, Maria Helena Kühner, Affonso Romano de Sant´Anna, Marilda Vilela Yamamoto, Roberto Farias, Albert Marquet & Gloria Swanson aqui

Lição pra ser feliz, Brincarte do Nitolino, Rajneesh, Graciliano Ramos, Fernando Pessoa, Adriana Calcanhoto, Aristófanes, Buster Keaton, Victor Gabriel Gilbert & Mikalojus Konstantinas Ciurlionis aqui.
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui e aqui.


MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...