sábado, agosto 02, 2014

EMMY HENNINGS, CAMILLE PAGLIA, ANN CRISPIN, ELSE LASKER-SCHULER & ANNE LISTER

 


EMMA, A ESTRELA BRILHANTE DO VOLTAIRE - Vinha de dois divórcios malsucedidos por estadias alternadas entre Berlim e Munique e era ela a profissional artista de cabaret, a mesma que começou tudo como empregada doméstica e que trabalhou na prostituição explorada por um ex-marido, até ser presa sob suspeita de roubo. Dizia-me sussurrante: Minha única profissão é aprender o que sou... E me contou que foi no cabaret Neopatético que seu espírito criativo, impulsivo e enigmático tomou vez, depois de atuar pelo teatro itinerante. Independente e desenraizada era a poeta que era o Dada em pessoa pelas ruas de Zurique fugindo da guerra. Ao mesmo tempo a vigarista, vagabunda, mãe e esposa era a atriz que brilhou no cabaré Simplicissimus conquistando corações, com seus braços arredondados sobre os quadris e emprestando o corpo às canções. A ingenuidade, simplicidade e natureza infantil fez dela a bailarina que elevou seu gesto além do palco e a cantar com sua comovente voz que saltava sobre cadáveres e zombava deles, a marionete autobiográfica em desacordo com a cultura materialista nas suas performances e exibições desenfreadas e violadoras de regras. A lembrança doída da filha criada pelos avós em Flesburg nos poemas de solidão e cativeiro, êxtases e aflições, doenças e mortes, drogas e sexo. Era uma ativista político-radical e antiguerra, enfrentando problemas de saúde mental, mergulhada na pobreza extrema e falta de moradia, suspiros de amor e rajadas de soluços em meio às canções obscenas. E era Dagny de tão inquieta quanto complexa ousando sensual e bombástica para as plateias, com seu jeito anárquico e estranhamente niilista, polinizando a cruzada de artistas refugiados internacionais. Era um pandemônio geral com suas nuances infinitas, hipnotizada pela morfina, a chama de sangue absinta, a avalanche que não passava de uma menina que era a própria histeria e com um apelo: A vida poderia ser arte, em vez de guerra... Era a estrela brilhante do Voltaire! Veja mais abaixo e aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Ó livros! livros! Eu devo muito a você. Vocês são o óleo do meu espírito, sem o qual a própria fricção contra si mesmo o desgastaria... Que conforto é este diário. Digo a mim mesmo e jogo o fardo sobre meu livro e me sinto aliviado. Estou sempre bem. Tomei meu destino em minhas próprias mãos, não acredite em nada até que eu mesmo conte a você. Sei muito bem o que o mundo inteiro irá pensar, mas o mundo inteiro pode estar errado. Se eu estivesse apta para outro mundo, com que prazer iria para lá. Pensamento da diarista, alpinista e viajante britânica Anne Lister (1791-1840), que manteve um imenso diário onde narrou os detalhes de sua vida cotidiana, incluindo seus relacionamentos lésbicos, suas preocupações financeiras, suas atividades industriais e seu trabalho dedicado ao Salão Shibden, razão pela qual é considerada a a primeira lésbica moderna.

 

ALGUÉM FALOU: Se meu sorriso não estivesse submerso em meu semblante, eu o suspenderia sobre seu túmulo. Por favor, levante seus céus nevados da minha alma... Seus sonhos de diamante cortar minhas veias... Frases da poeta alemã Else Lasker-Schuler (1869-1945). Veja mais aqui e aqui.

 

PERSONAS SEXUAIS - [...] A sociedade é um sistema de formas herdadas que reduzem a nossa humilhante passividade em relação à natureza. [...] O reencontro com a mãe é um canto de sereia que assombra o nosso imaginário. Antes havia felicidade e agora há luta. Memórias obscuras da vida antes da separação traumática do nascimento podem ser a fonte das fantasias arcadianas de uma era de ouro perdida. [...] A natureza está sempre jogando paciência consigo mesma. [...] Em algum nível, todo amor é combate, uma luta contra fantasmas. Só somos a favor de algo quando somos contra outra coisa. As pessoas que acreditam estar tendo encontros sexuais agradáveis, casuais e descomplicados, seja com amigos, cônjuges ou estranhos, estão bloqueando da consciência o emaranhado da psicodinâmica no trabalho, assim como bloqueiam os confrontos hostis de sua vida onírica. [...] O artista não faz a sua arte para salvar a humanidade, mas para salvar a si mesmo. Qualquer comentário benevolente de um artista a esse respeito nada mais será do que lançar uma cortina de fumaça, escondendo o rastro sangrento de seu ataque à realidade e aos outros. [...] A Bíblia foi criticada por fazer da mulher o sujeito caído no drama cósmico do homem. Mas ao considerar um conspirador masculino, a serpente, como inimigo de Deus, Gênesis se esquiva e não leva sua misoginia suficientemente longe. A Bíblia se desvia defensivamente do verdadeiro oponente de Deus, a natureza ctônica. A serpente não está fora de Eva, mas dentro dela. Ela é o jardim e a serpente. [...]. Trechos extraídos da obra Sexual Personae: Art and Decadence from Nefertiti to Emily Dickinson (Vintage, 1991), da professora e acadêmica Ph.D, ensaísta crítica social e de arte estadunidense, Camille Paglia. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ARMADILHA DO PARAÍSO - [...] Ninguém mais. Eu não me importo com mais ninguém. Ninguém chega perto, de agora em diante. Eu não me importo com o quão bonita ela é, quão inteligente ou quão doce ela é. Nenhum amigo, nenhum amante… ninguém vale esse tipo de dor. De agora em diante, sou só eu... Sozinho. [...] Ter uma boa memória é ser abençoado e amaldiçoado… [...]. Trecho extraído da obra The Paradise Snare (Random House Worlds (May 5, 1997), da escritora Ann Crispin (1950-2013), que na obra Time for Yesterday (Simon e Schuster, 1999), expressou que: [...] Lembre-se de que em qualquer mundo o vento eventualmente desgasta a pedra, porque a pedra só pode desmoronar; o vento pode mudar. [...] Durante suas visitas, o Vulcano descobriu que D'berahan era na verdade uma portadora, não uma mulher. Mas você se refere a si mesmo como “ela”, ele disse a ela. Por favor, me ensine o termo correto em seu idioma. [O pensamento/conceito/palavra que você entendeu está correto] foi a resposta divertida. [Entre o meu povo, temos apenas uma maneira de expressar todos os gêneros... como "doadores de vida". Seus tradutores universais traduziram isso como “ela”, e por isso somos todos conhecidos... homens, mulheres e portadores. Não somos todos doadores de vida?] [...].

 

A ÚLTIMA ALEGRIA (Segundo poema) - A chuva bate nas janelas.\ Uma flor brilha em vermelho.\ Ar frio sopra contra mim.\ Estou acordado ou morto?\ Um mundo está longe, longe\ Um relógio bate quatro vezes lentamente.\ E eu não sei por quanto tempo\ em seus braços eu caio. Poema da escritora e performer alemã Emmy Hennings (1885-1948), a estrela brilhante do Cabaré Voltaire e associada ao Dadaismo. Veja mais aqui e aqui.

 

OUTRAS DIC’ARTES

 

JAMES BALDWIN – Para quem foi tratado por “negro sujo” por seus compatriotas e chegar a dizer que “Ser negro significava, exatamente, ser ignorado e ficar simplesmente à mercê dos reflexos que a cor da pele de um homem provocava nos demais”, traz o tom vigoroso e combativo que um escritor de relevo tem de enfrentar na sociedade. A esse respeito, tive oportunidade de ler dois livros do escritor norte-americano James Baldwin (1924-1987): Go tell it on the mountain (Vá, diga isso à montanha) e Gionanni. Para se ter uma mínima ideia da sua arte, destaco de Giovanni: “[...] Muita coisa já foi escrita a respeito de amor que se transforma em ódio, do coração que esfria com a morte do amor. Trata-se de um processo notável, muito mais terrível do que qualquer coisa que eu tenha lido a respeito, mais terrível do que tudo quanto possa dizer. [...] Isso porque sou – ou fui – uma dessas pessoas que se orgulham da força de vontade, de sua capacidade de tomar uma decisão e levá-la adiante. Essa virtude, como a maioria das virtudes, é a própria ambiguidade. Quem acredita ter vontade firme e ser dono de seu próprio destino somente pode continuar a crer nisso quando se torna especialista em enganar a si mesmo. As decisões de gente assim não são realmente decisões, pois para tomá-las, quando verdadeiras, sentimos estar à mercê de um numero incontável de outras coisas, e não passam de complexos sistemas de evasão, ilusão, destinados a fazer com que nós e o mundo pareçamos ser o que nem um nem outro é [...]”. Veja mais aqui.

 Imagem: Ninfas del mar, de Raul Villalba (hoje, na mitologia grega, é o dia consagrado ao Festival das Ninfas)


Ouvindo o álbum Chegada (2005), de Naná Vasconcelos.


RONALD AUGUSTO – Conhecer o trabalho do escritor, músico, editor e ensaísta Ronald Augusto foi uma das gratas surpresas que tive nos últimos tempos. Para quem não sabe, ele é integrante do conselho editorial da excelente Sibilia – Poesia e Critica Literária e do grupo OsPoets (ao lado de Alexandre Brito e Ricardo Silvestrin), autor dos livros No assoalho duro (2007), Cair de Costas (2012) e Decupagens Assim (2012), entre outros. Também edita os blogs Poesia-pau e Poesia Coisa Nenhuma que passei horas navegando e curtindo cada post. Muito bons. Dele destaco Macajuba: “no zinco jovem (continuidade / persistência) grasna o antigo granizo / as bátegas de água do céu ferindo / o chão de folhas secas coberto soam / como o crepitar do fogo precipitado / no empenho de devastar o mundo / o mundo vigas empenadas ainda / que inclinando a esgalhada cabeça / verdoenga respeitosamente / frontispício de ramos sem interruptores / ainda que mudando sua doença em dança / não logra o indulto a palma e nem uma / pequena parte de sua margem oposta: / um mundo adulto mais magro / de homens menos doutores menos nomes / elpenores raimundos momos sem fundo / preguiçosas dobras de pele elefantina / (alfinetes de ouro como estímulo) / * / continuísta a incúmplice realidade em / decupagem / de lâmina objetiva marca a película / de luz ainda cinza do ar / a essa altura uma garoa e agora um friúme / o firmamento repousa coeso a / velha montanha masculina / e o vale / o primeiro círculo do firmamento / * / bosque de ex-outono clareira em ocre / o movimento da luz no momento da / incontornável signifixação mundo / conservado enterrado vivo num aquário / onde a água envidraça-se / de uma a outra borda”. 


MONIQUE BARCELLOS – Lançando em 2013 o seu livro Instintiva em prosa e verso, a jornalista, escritora, artista plástica, professora e blogueira Monique Barcellos reuniu poemas e narrativas num mesmo volume para consolidar suas múltiplas atividades criativas. Para quem transita pela assessoria de imprensa, radiodifusão (ela já tocou o programa de entrevistas Som de Rua), produção de reportagens e projetos socioculturais, comprova simplesmente a sua versatilidade e talento. Daqui nossos parabéns!


WANDERLÚCIA WELERSON SOTT MEYER – A escritora, pedagoga, psicóloga e professora Wanderlúcia Welerson Sott Meyer mantêm dois blogs maravilhosos em que divulga seus textos e impressões. Entre suas publicações destaco o seu texto Reflexões interiores: “Dos avessos que percebo entre realidades que não procuro a ilusão talvez, seja porta entreaberta refletindo possibilidades. Temo que tomada por verdades que nem ao menos sei se permanecem, a dureza das ações cotidianas possa envolver o coração em um estado de torpor indefinido. Há reações que a alma desconhece, contudo, convive por não encontrar caminhos e saídas. Ao tempo, caberá o discernimento das escolhas que nem sempre são individuais. Circunstâncias de vida que direcionam sem consulta prévia, conduzindo vontades exteriores, adaptações que silenciam os anseios e entorpecem os sentidos”.


LIA ROSATTO – Hoje tive a oportunidade conhecer o blog Intervalo, da poetamiga Lia Rosatto, reunindo poemas dos mais extraordinários poetas da literatura de língua portuguesa, principalmente. Passeando pelos posts, encontrei alguns versos dela, entre os quais destaco Palavras inesperadas: “Que sentimentos são esses / invadem minha alma / tira calma / quantas vidas habitam meu ser / transformam calmaria em tempestade / como conter / todos os sentidos / mar agitado / noite escura / lua semi nua”.


Veja mais sobre:
Os encantos de Valkyria Freya, Paulo Freire, Daniel Goleman, a literatura de Pierre Michon,o teatro de Mario Viana,o cinema de Ferenc Moldoványi, a música de Vânia Abreu, a pintura de Carolyn Weltman, a arte de Alexis Texas, Merari Tavares, Saúde no Brasil, Fracasso Escolar & Professor e aluno aqui.

E mais:
A poesia de Benhjamim Péret, Dolls & Cátia Rodrigues aqui.
Paixão, a literatura de Francis Scott Fitzgerald & Djuna Barnes, o teatro de Sarah Kane, o cinema de Ken Loach, a música de Regina Carter, a pintura de Pal Fried & Carolyn Weltman & Jane Graverol, a fotografia de Wang Huaxiang, Jurema Barreto de Souza, Gestão em Saúde, A relação entre professor & aluno aqui.
A música de Kylie Minogue, a poesia de Cláudio Manuel da Costa, o teatro de Michael Frayn,o cinema de Michel Gondry, a fotografia de Jeanine Toledo, a pintura de Carl Larsson, Lucilene Machado, Kate Winslet, Hope 2050, aecamepa, Administração Hospitalar & Síndrome de Burnout, Transtornos & Distúrbios da Aprendizagem aqui.
O alvo do pódice, Cervantes, Márcia Tiburi, Giovanni Sartori, a literatura de Rick Moody, o teatro de Mário Prata & Fernando Rojas, o cinema de István Szabó, a música de Ferruccio Busoni & Gertrud Schilde, a pintura de Omar Ortiz & Emerico Imre Toth, Rachel Weisz, Ádila J. P. Cabral, A Trajetória da Mulher & O cérebro na escola aqui.
Solfejo de uma ária amanhecida & a pintura de Max Klinger aqui.
Cecília Meireles, Pablo Milanés. Pedrinho Guareschi & O mistério da Consciência, o cinema de Jean-Luc Godard, a pintura de Johan Christian Dahl, Juliette Binoche e Myriem Roussel, Costinha, O sufrágio feminino & Programa Tataritaritatá aqui.
Leibniz, Manoel Bentevi, Alceu Valença, Helena Cristina & Programa Tataritaritatá aqui.
Hermann Hesse, a poesia de Wislawa Szymborska, a literatura de Evelyn Lau, a música de Christoph Willibald Gluck & Daniella Alcarpe, a fotografia de Bárbara Angel aqui.
Franz Kafka, a pintura de Anna Chromý, a música de Leoš Janáček & Karyme Hass & Ibys Maceioh aqui.
Adolfo Casais Monteiro, Roberto Burle Marx, a música de Astor Piazzola, a poesia de Antonio Miranda, Adriana Garambone & Doro na Copa do Mundo aqui.
O cinema de Jean Cocteau & Elizabteh Lee Miller, a música de Márcia Novo & Felipe Cerquize aqui.
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sexta-feira, agosto 01, 2014

ELLIOT ARONSON, MALIKA OUFKIR, CAROLEE DEAN, MUYESSER ABDUL'EHED & ANNIE VIVANTI

 


ETERNAMENTE, ANNIE – Ela apareceu com o redemoinho de sua inquietude e excentricidade, desafios escandalosos: Eu sou mulher, quero te ver... E era aquela a inglesa que devorou os corações dos salões literários. Era aquela cosmopolita e inescrupulosa italiana vestida de cantora das virtudes errantes e ambições líricas. Era aquela sedutora exótica alemã, cultuadora de assuntos impróprios da nobreza mundana, transitando entre as notícias literárias e as críticas maldosas dos tablóides. Aquela divorciada estadunidense com o espelho da alma na escrita errante: Nasci com paixão pelas distâncias... E invocava Deus uma única graça: por mais longe que fosse, sempre houvesse quem a aguardasse... E se sentia em casa em qualquer ou nenhum lugar. Invadia com seus malabarismos salas, cafés-concertos e águas do Tâmisa, festas em jardins e fazendas texanas, almoços literários e recepções de gala: Sou mulher e venho de longe para te ver. Não sou italiana, mas sou uma profunda admiradora da sua língua e de você, o mais forte dos seus poetas. O infortúnio quer que eu escreva versos... Ah, uma mulher vestida apenas com um conjunto de diamantes, encantadora com seu ombro nu, seus olhos ameaçavam possuir-me era seu puro capricho, como se Anita, George, ou tantos cognomes, a sua reinvenção a me sequestrar como se eu fosse uma casa abandonada na floresta. E voava me pegando pela mão com a neblina amarrada à cintura, esse era o seu belo gesto, como quem amava batalhas perdidas e as recriava na sua autoinvenção camaleônica. E se fez Lirica com a tenacidade vaidosa na espinha dorsal, como se fosse a operística Marion artista di caffè-concerto, cantando versos da The Hunt for Happiness, a Perfect, En passant, Houp-là!, A Fad e The ruby ring, Winning him back e The True Story of a Wunderkind told by its mother. E era a Nancy do The Devourers, integrando a saga familiar do I divoratori (1911), ou mesmo a condessa russa Maria Tarnowska, com sua alter-ego Circe, que contava os trágicos estupros das meninas belgas do L'Invasore, e das guerras do Vae Victis e Zingaresca, do drama de Le bocche inutili, e do The Outrage, e da corrupta sociedade perversa de Naja tripudians. E me contava de Gioia, da Sorella di Messalina, de Sua altezza e da defesa apaixonada pela Terra di Cleopatra. Mais encenava na Perdonate Eglantina ou acusava a colonização egípcia no Mea culpa, e da Fosca, sorella di Messalina, e do Salvate le nostre anime, e do Il viaggio incantato. E seus olhos de Nereida, ora se assombravam com seus fantasmas diurnos, mais pronunciava o seu temperamento lírico para me contar que seu pai era um revolucionário de Mântua, de ascendência judaica e comerciante de seda; sua mãe era uma escritora alemã que conheceu Marx e outros intelectuais e que morreu de tuberculose quando ela tinha quatorze anos; e que teve uma educação pouco convencional em uma casa igualmente pouco convencional e foi o que lhe concedeu a força e independência para se recusar à intimidação da misoginia, tornando-se no mesmo instante Safo, Marcelline Desbordes-Valmore e Elizabeth Browning. Ora tão destemida como quem conhecesse a vaidade de tudo e não precisava encobrir notas de fantasia desinibidas com suposta profundidade ou moralidade intrínseca, mostrando-se tão irredentista quanto o ex-marido - um pecador ativista pela independência irlandesa, tão corajosa quanto aquela que defendia sua filha Vivien, uma violinista prodigiosa, que aos doze anos tocava violino no Albert Hall em Londres, e aos quarenta e oito suicidou-se. Dane-se a opinião dos outros... A sua autoconfiança a fazia uma fera tomada por seu temperamento apátrida e multifacetado no seu sentimentalismo latino. A obstinada fêmea expunha suas ideias autobiográficas amalgamadas de grande viajeira congênita do próprio chão e o seu itinerário existencial com o presente desenraizado como moto perpétuo, o frescor da espontaneidade, sua latejante e desordenada condição de viver sua fascinante jornada heterogênea e sua última temporada polifônica. Essa era a sua excepcional experiência de vida: A poesia será divina no dia em que as palavras se tornarem plásticas... Uma homenagem à escritora Annie Vivanti (1866-1942), perpétua em minha memória. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Os seres humanos não são animais racionais; estamos racionalizando animais que querem parecer razoáveis para nós mesmos. É possível dominar um problema ou habilidade sem ferir outra pessoa ou mesmo sem tentar conquistá-lo. Precisamos desafiar o nosso próprio pensamento. Pensamento do psicólogo estadunidense Elliot Aronson, inventor da Jigsaw Classroon, uma técnica de ensino cooperativo que facilita a aprendizagem ao mesmo tempo que reduz a hostilidade e o preconceito interétnicos.

 

ALGUÉM FALOU: Não importa o quanto aprendamos, sempre há mais conhecimento a ser adquirido. A este respeito, lembro-me de um pequeno poema que esteve em minha mente ao longo dos anos. Diz o seguinte: “Eu costumava pensar que sabia que sabia. Mas agora devo confessar. Quanto mais eu sei, eu sei, eu sei, eu sei, menos”... Pensamento da escritora marroquina Malika Oufkir. Veja mais aqui.

 

LEVE-ME LÁ – […] Palavras são como pessoas, eu acho. Coloque muitos deles muito próximos e eles causarão problemas [...] Enquanto você respirar, ainda há esperança. [...] Não tente enganar um mentiroso. [...] Até onde você pode seguir pelo caminho errado antes de não conseguir voltar ao caminho certo? [...] Eu carrego uma mensagem que não consigo ler. As palavras podem ser assustadoras ou macio ou doce. Pensei no que diz Não sei, Eu ainda carrego isso comigo, onde quer que eu vá [...] O tempo dá voltas e mais voltas o relógio girando, até o dia fatídico tempo dobra as mãos cansadas e para. [...] A mente só consegue lembrar o que está disposta a lembrar – porque se você é culpado, então a verdade não é o que o liberta. É o que deixa você trancado. [...]. Trechos extraídos da obra Take Me There (Simon & Schuster, 2010), da escritora estadunidense Carolee Dean.

 

UMA CARTA PARA A PRISÃO - Nos passos ocupados da noite ou do dia eles te levaram \ talvez eu tenha corrido para o canto da sua sala de aula \ ouvir em silêncio por algumas horas \ e quando meus pensamentos brilharam por um momento\ Eu vi suas profundezas. Poema da escritora, professora e ativista chinesa Muyesser Abdul'ehed, que denunciou publicamente os campos de trabalhos forçados de civis de etnia uiguire pelas autoridades chinesas, razão pela qual passou a morar na Turquia, a partir de 2013. Ela é autora da obra Missing you is painful (2012).

 


RICARDO MACHADO – Conheci a voz e o talento do dentista, cantor e compositor Ricardo Machado através da querida Meimei Corrêa e da incansável divulgadora Andréa Borges. 


Com formação erudita de cantor lírico, o tenor já lançou dois álbuns: A sombra confia ao vento (2011) e Ricardo Machado canta Stevie Wonder (2013), gravando Heitor Villa Lobos, Chiquinha Gonzaga, Luis Gonzaga, Pixinguinha, entre outros grandes nomes da música brasileira. Ele também desenvolve um excelente trabalho autoral, é parceiro do poeta e compositor Sérgio Natureza e edita o blog A sombra confia ao vento. Está preparando, inclusive a sua terceira incursão musical pelo cd, já com agendamento de estúdio para tal.


Hoje é o aniversário dele e a nossa homenagem começa aqui e culminará com sua participação especial no programa Brincarte do Nitolino, neste domingo, dia 03 de agosto, a partir das 10hs, comandado por Ísis Corrêa Naves. Parabéns, Ricardo, feliz aniversário! Aplausos de pé, muito sucesso procê, amigo. Confira o talento deste grande artista no YouTube

A MORALIDADE DE THEÓPHILE GAUTIER

Menina, sê ardente,
Mas prudente,
Se sentires calores
Sedutores
Embaixo do teu ventre,
Que não entre
Tua flor de donzela
Uma vela,
Pois logo o castiçal
– Por teu mal –
Lhe iria atrás, matreiro,
Quase inteiro.
Em templo tão estreito,
Vá com jeito
Teu dedo em sua gana,
E a membrana
Só rompa, do hímen teu,
O himeneu.
(Tradução José Paulo Paes)

THEÓPHILE GAUTIER - Pierre Jules Théophile Gautier (1811-1872) foi jornalista, escritor, poeta, dramaturgo e critico literário francês. Sua vida esteve envolvida com a maior parte dos acontecimentos políticos e sociais na França do século 19, o que acabou por lhe render grandes obras de diversidade artística. Apesar de ser um defensor do romantismo, a obra de Gautier é complexa para ser classificada, pois flertou com diversas tradições literárias e estilos, como o parnasiano, o simbolismo e o modernismo. Mas Gautier, ao longo de sua carreira literária, ficou mais famoso por escrever um gênero bastante apreciado no século 19: o fantástico. Gautier era admirado por vários e escritores como Baudelaire, Flaubert e Oscar Wilde.

NEURODESENVOLVIMENTO E TRANDISCIPLINARIDADE – O livro Neurodesenvolvimento e transdisciplinaridade: temas em neuropsiquiatria infantil, organizados por Mauro Muszkat, Claudia Berlim de Mello e Sueli Rizzutti, trata de temas como transtorno de ansiedade, transtorno bipolar, transtorno de conduta, deficiência intelectual, trantorno obsessivo-compulsivo e depressão. REFERÊNCIA: MUSZKAT, Mauro; MELLO, Caludia; RIZZUTTI, Sueli. Neurodesenvolvimento e transdisciplinaridade: temas em neuropsiquiatria infantil. São Paulo: Memnon, 2010. ROBERTS, Monty; O homem que ouve cavalos/violência não é resposta. Rio de Janeiro: BestBolso, 2011. Veja mais aqui.

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ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...