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quarta-feira, setembro 02, 2015

GAUTIER, SÉRAPHINE, HERZOG, ASAM, EDUCAÇÃO AMBIENTAL, PEQUENO CIDADÃO, PSICODRAMA, NASCENTE & BRINCARTE DO NITOLINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? NASCENTE – A edição nº 13 do tablóide Nascente, jul/ago-1998, dedicada aos protetores da natureza, traz o editorial Voto Moral, com o desenho o Soltador de Pássaros de Ângelo Meyer e na sessão Bate Papo, uma entrevista com Beto Guedes: Política é um prato cheio de nada. Nas Notas Literárias, editada pelo escritor Ari Lins Pedrosa, uma entrevista com Gilberto Mendonça Teles. O artigo Por um nordeste tecnificado, do agricultor Gilberto França, o lançamento do cd Coisas de Pernambuco da banda Shampoo, a miss de São Miguel dos Campos, Macicleide Barbosa na lente de André Fon, um cartun de Zinei e uma homenagem à cidade histórica, heroica e monumento nacional Cachoeira (BA). Na sessão Registro o projeto Poesia em Cartaz da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, o lançamento nº 26 da revista Dimensão, editada por Guido Bilharinho, exposição de fanzines e publicações da Expozine (SP), o lançamento do livro Santo Souza: um poeta órfico (SE), a Coletânea Nacional de Poesia organizada por Benilson Pereira da Associação Capixaba de Escritores (ES), lançamento do livro Tudo é um momento, da poeta e professora Ilza Bezerra (AL); a 8ª edição da Antologia Literária Internacional Del’Secchi, editada pelo poeta Roberto de Castro Del’Secchi (RJ), a revista poética Albatroz (AL) e dicas de concursos e prêmios nacionais. Na sessão Tabuletas o sexto episódio das Proezas do Biritoaldo: Quando Cupido acerta no alesado, Deus faz, o diabo ajunta. E na sessão Nascente Poético poemas de Almandrade (BA), Humberto Del Maestro (ES), Paulo Gonçalves (MG), José Flavio J. Citelli (SP), Luciano de França (PE), Aloisio Bezerra (CE), Denise Teixeira Viana (RJ), Paulo Guggiana (RS), Luiz Alberto Vilar (AL), Marcio Souza Andrade (MG), Jorge Luiz (AL), Diógenes Tenório Junior (AL), Aparecida Ventura (PE), Gessy Carísio de Paula (MG), Danilo Sampaio (SE), Ana T. (SP), Abilio Pacheco (PA), Edjane Leal Cruz (PE), Rogério Xavier (AL) e Helder Morais Miranda (SP). Veja mais aqui e aqui.


Imagem da pintora francesa Séraphine Louis (1864-1942).


Curtindo o álbum Pequeno Cidadão (2009), da banda formada por Arnaldo Antunes, Taciana Barros, Edgard Scandurra, Antonio Pinto e seus filhos.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia da reprise do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, nos horários das 10hs e das 15hs, no Projeto MCLAM, com apresentação de Isis Corrêa Naves. Na programação muitas atrações: Olavo Bilac, Chico Buarque & Vinicius de Morais, Nara Leão, Toquinho, Os Saltimbancos, MPB-4, Alceu Valença, Fagner, Boca Livre, As Frenéticas, Walter Franco, Rosa Clement, Nita & Meimei Corrêa, Milton Nascimento, Turma da Mônica & muito mais poesia, brincadeira, histórias e entretenimento pra garotada. E no blog dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Música, Teatro e Literatura infantil. Para conferir online clique aqui ou aqui.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL – O livro A questão ambiental: diferentes abordagens (Bertrand Brasil, 2007), organizado por Sandra Batista da Cunha e Antonio José Teixeira Guerra, aborda temas como a natureza e o espaço, dialética da relação sociedade/natureza, produção de valor e articulação do espaço, técnica e produção do espaço, crise ambiental no século XX, os desastres e a tomada de consciência, atuação dos movimentos ambientais, movimentos ecológicos no Brasil, política e gestão ambiental, sustentabilidade e educação ambiental, perícia ambiental, turismo sustentável planejamento e gestão, encostas e a questão ambiental, canais fluviais, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho constante do estudo Sustentabilidade e educação ambiental de Mauro Guimarães: [...] O sentido de educar ambientalmente hoje vai além de sensibilizar a população para o problema. Não basta mais apenas sabermos o que é certo ou errado em relação ao meio ambiente. Precisamos até mesmo superar a noção de sensibilizar, que na maior parte das vezes é entendida como compreender racionalmente. Só a compreensão da importância da natureza não é o bastante para ser levada à sua preservação por nossa sociedade. Sensibilizar envolve também o sentimento de amar, o ter prazer em cuidar, como cuidamos dos nossos filhos. É o sentido de doação, de integração, de pertencimento á natureza. É preciso, ainda, e sobretudo, a mobilização, o pôr a ação em movimento. É incorporar (razão e emoção) à questão ambiental no cotidiano de nossa ação como prioridade. É uma mudança de atitude nossa com nós mesmos, em uma nova visão de mundo. Nossa com os outros e o ambiente que nos envolve, em uma ação solidária. É tudo isso em nossa luta polítca, como seres sociais que somos, pela conquista de um novo modelo de sociedade que preze a relação do equilíbrio com o meio ambiente, que passa obrigatoriamente pela justiça social, ou seja, é a construção de uma nova sociedade ambientalmente sustentável. É preciso, portanto, o exercício pleno de nossa cidadania em um processo de conscientização (consciência + ação). [...]. Veja mais aqui e aqui.

A MULHER QUE VEIO DO OVO – No livro Folktales from Germany (University Chicago, 1966), de Kurt Ranke, encontro a narrativa A mulher que veio do ovo, da qual destaco os seguintes trechos: Um jovem saiu em busca de uma esposa, pois não gostava de nenhuma das donzelas de sua aldeia. Bem, então procure, se você precisa – disse-lhe a mãe, mas certamente a fome o trará de volta, ou a sede! Enquanto o rapaz atravessava a flores, seu estomago logo deu sinal de fome e sua garganta ficou seca. Viu um ninho de passarinho no alto de uma árvore e subiu até lá, em busca de ovos para comer. Encontrou três e, assim que estava de volta ao chão, quebrou um deles. Para sua surpresa, uma linda donzela surgiu à sua frente. Dê-me água, ela disse, e eu serei sua, assim como você será meu. O rapaz não tinha água, e a moça desapareceu. Ele quebrou o segundo ovo, e surgiu uma virgem ainda mais radiante. Dê-me água, ela declarou, e eu serei sua, assim como você será meu. Antes que ele conseguisse encontrar água, ela desapareceu. Mais triste, porém mais experiente, ele procurou água antes de abrir o último ovo. Encontrou um poço num jardim, encheu uma taça com água e então quebrou o terceiro ovo. Uma virgem tão linda quanto o Sol e a Lua apareceu, vestida numa túnica dourada. No mesmo instante o rapaz apaixonou-se por ela. Dê-me água, ela disse, e eu serei sua, assim como você será meu. O rapaz ofereceu-lhe a taça de água, e ela bebeu, dizendo: Agora, eu sou sua e você é meu. O rapaz desejava imensamente que a linda mulher voltasse com ele para casa, então lhe disse: Se você esperar aqui, junto do poço, buscarei uma carruagem para você! [...] A mulher que veio do ovo saltou para dentro do poço, tornou-se um peixe e nadou até sumir de vista. A bruxa vestiu sua filha medonha com a túnica dourada, instruiu-a quanto ao que dizer quando o rapaz voltasse e partiu. Pouco depois chegou o rapaz com a carruagem. Quando viu aquela mulher feia, recuou. O que aconteceu com você?, ele perguntou, você era tão linda quando eu parti! Infelizmente, explicou a filha da bruxa, você me deixou exposta ao sol e eu fiquei preta! Mas se você me levar para casa tomarei banho e voltarei a ser tão linda quanto antes. [...] A esposa feia começou a andar de um lado para o outro. Voltou-se para o marido e perguntou: O que você está fazendo aqui, com todas essas mulheres? Por que não descansa e dorme um pouco? Quero ouvir a história dela, insistiu o marido, e assim a mulher que veio do ovo descreveu as três virgens e o modo como o rapaz dera uma taça de água à última. Então, ela disse, ele saiu para buscar uma carruagem com a qual levaria sua esposa. Nesse momento, acordei, concluiu a linda mulher, e não sei como o sonho terminou. Tente lembra-se, insistiu o marido, e a mulher que veio do ovo retomou a história, descrevendo como a bruxa susbtituira sua filha feia pela jovem noive. Ouvindo isso, o marido agarrou a filha da bruxa e trancou-a no quarto. Depois, foi até a casa da bruxa. Perguntou a ela: O que você acha de uma pessoa que rouba a esposa de um homem, tenta mata-la e a substitui por uma sapa medonha? A bruxa respondeu: Ora, essa pessoa deveria ser trancada num barril cheio de pregos e jogada do alto da maior das montanhas. Assim como a falsa esposa. E foi exatamente isso que o marido fez. Então, ele se casou com sua verdadeira esposa na igreja, e os dois viveram felizes para sempre. Veja mais aqui.

AFINIDADES SECRETAS – No livro Poésies complètes (1845), do escritor, jornalista e critico literário francês Théophile Gautier (1811-1872), encontro o poema Afinidades secretas, num tradução de Érico Nogueira: Sobre o frontão de um templo antigo, / dois blocos de mármore, olhando /o azul-anil do céu castiço, / esculpiram um sonho branco; / incrustadas no mesmo nácar, / depois que Vênus lá chorou, / duas pérolas segredaram / e o fundo do mar escutou; / por um jardim do verde Líbano, / irisada de gotas d'água, / a rosa não disse aos espinhos / o que eles não disseram à rosa; / sobre as cúpulas de Veneza, / dois pássaros brancos pousaram, / os mesmos que amor, com destreza, / deixou num tronco eternizados. / Mármor, pérola, rosa, ave, / tudo se vai, tudo se move; / funde a pérola, o mármor cai, / a rosa murcha, a ave foge. / Cada parcela, ao ir-se embora, / deságua no magma extremo / onde Deus bate na bigorna / a forma de tudo, e o desenho. / É mui lenta a metamorfose / do mármor branco em branca face, / da rosa em lábios cor-de-rosa, / do canto alado em verso táctil. / É o canto que reaparece / no coração de dois amantes, / e a perla que agora umedece / na boca de riso brilhante. / Daí nascem as simpatias / à doçura irrenunciável / que faz uma alma baldia / rever-se na cara metade. / Cedendo ao apelo do olfato, / à visão do brilho, ou da cor, / voa o átomo para o átomo, / como a abelha para a flor. / Ah, a memória dos devaneios / sob o frontão ou sobre o mar, / de frases partidas ao meio, / junto da fonte, à luz do luar, / de beijos e de asas que batem / em cúpulas de ouro puro, / e de moléculas que ardem, / e vão-se buscando no escuro. / Desperta o amor estiolado, / o que passou passa de novo, / rebenta a rosa sobre o lábio, / um olho pousa em outro olho. / Sobre o nácar, ou num sorriso, / a perla revê sua brancura; / num rosto delicado, liso, / o mármor o amor emoldura. / A voz da ave enfim ressoa, / eco abafado de um gemido, / todo obstáculo esboroa, / e o estranho se torna em amigo. / Ó tu, por quem eu ardo e passo, / que fonte, frontão ou roseira, / que cúpula viu nosso abraço, / perla ou mármor, flor ou abelha? Veja mais aqui e aqui.

PSICODRAMA NAS INSTITUIÇÕES – O livro Psicodrama nas instituições (Cadernos de Psicodrama – Ágora, 1990), organizado por Luiza Cristina Azevedo Ricotta, aborda temas como atendimento conjunto pais-crianças, trabalho ambulatorial, uma leitura relacional das perturbações emocionais da criança, fases do duplo, do espelho e da inversão, matriz de identidade, átomo social, co-consciente e co-inconsciente, espontaneidade e conserva cultural, conceito de saúde e doença no psicodrama, família, atendimento vincular em psicodrama, atualidades nos métodos terapêuticos psiquiátricos, psicodrama e psicoterapia breve, psicoterapia de psicóticos em instituições, a vitimização física e sexual da família e o papel da instituição, ensino de psicopatologia, assistência psicológica no programa da mãe participante, da análise à ação psicodramática, desenvolvimento do papel profissional, entre outros assuntos. Este livro complementa uma série de estudos realizados na área. Veja mais aqui e aqui.

AGUIRRE, A CÓLERA DOS DEUSES – O drama histórico Aguirre, a cólera dos deuses (Aguirre, der Zorn Gottes, 1972), dirigido pelo cineasta alemão Werner Herzog e música de Popol Vuh, conta a história da expedição de Pizarro, colonizador espanhol, na Amazônia, em 1560, em busca do El Dourado. O filme discute a violência e a rebeldia do europeu diante dos habitantes do Novo Mundo, em busca de El Dorado, a lendária cidade de ouro, em 1541-1542, tomando por base a narrativa do diário do Frei Gaspar de Carvajal (que participou da expedição ao El Dorado), na verdade o filme deixa de lado o aspecto histórico e se concentra mais nas teses costumeiras do diretor Herzog, preocupado em mostrar os efeitos mentais e emocionais sofridos por homens em situações-limite, confrontados com a natureza primitiva e desconhecida. A expedição armada espanhola atravessa os Andes e chega até ao Rio Orenoco, chefiada por Don Pedro Urzúa e pelo segundo-em-comando, o cruel e ambicioso Lope de Aguirre. Logo ao chegar ao rio, Aguirre se rebela e aprisiona Urzúa, declarando um dos expedicionários, Dom Fernando de Gúzman, como o Imperador de El Dorado. A medida que seguem o curso fluvial em uma balsa, Aguirre se perde cada vez mais em sua própria ambição e sucumbe a enlouquecidos sonhos de glória. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Imagem: detalhe da escultura Assumption of the Virgin (1717-1725), do arquiteto e escultor alemão Egid Quirin Asam (1692-1750).


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. E para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Aprume aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sexta-feira, agosto 01, 2014

ELLIOT ARONSON, MALIKA OUFKIR, CAROLEE DEAN, MUYESSER ABDUL'EHED & ANNIE VIVANTI

 


ETERNAMENTE, ANNIE – Ela apareceu com o redemoinho de sua inquietude e excentricidade, desafios escandalosos: Eu sou mulher, quero te ver... E era aquela a inglesa que devorou os corações dos salões literários. Era aquela cosmopolita e inescrupulosa italiana vestida de cantora das virtudes errantes e ambições líricas. Era aquela sedutora exótica alemã, cultuadora de assuntos impróprios da nobreza mundana, transitando entre as notícias literárias e as críticas maldosas dos tablóides. Aquela divorciada estadunidense com o espelho da alma na escrita errante: Nasci com paixão pelas distâncias... E invocava Deus uma única graça: por mais longe que fosse, sempre houvesse quem a aguardasse... E se sentia em casa em qualquer ou nenhum lugar. Invadia com seus malabarismos salas, cafés-concertos e águas do Tâmisa, festas em jardins e fazendas texanas, almoços literários e recepções de gala: Sou mulher e venho de longe para te ver. Não sou italiana, mas sou uma profunda admiradora da sua língua e de você, o mais forte dos seus poetas. O infortúnio quer que eu escreva versos... Ah, uma mulher vestida apenas com um conjunto de diamantes, encantadora com seu ombro nu, seus olhos ameaçavam possuir-me era seu puro capricho, como se Anita, George, ou tantos cognomes, a sua reinvenção a me sequestrar como se eu fosse uma casa abandonada na floresta. E voava me pegando pela mão com a neblina amarrada à cintura, esse era o seu belo gesto, como quem amava batalhas perdidas e as recriava na sua autoinvenção camaleônica. E se fez Lirica com a tenacidade vaidosa na espinha dorsal, como se fosse a operística Marion artista di caffè-concerto, cantando versos da The Hunt for Happiness, a Perfect, En passant, Houp-là!, A Fad e The ruby ring, Winning him back e The True Story of a Wunderkind told by its mother. E era a Nancy do The Devourers, integrando a saga familiar do I divoratori (1911), ou mesmo a condessa russa Maria Tarnowska, com sua alter-ego Circe, que contava os trágicos estupros das meninas belgas do L'Invasore, e das guerras do Vae Victis e Zingaresca, do drama de Le bocche inutili, e do The Outrage, e da corrupta sociedade perversa de Naja tripudians. E me contava de Gioia, da Sorella di Messalina, de Sua altezza e da defesa apaixonada pela Terra di Cleopatra. Mais encenava na Perdonate Eglantina ou acusava a colonização egípcia no Mea culpa, e da Fosca, sorella di Messalina, e do Salvate le nostre anime, e do Il viaggio incantato. E seus olhos de Nereida, ora se assombravam com seus fantasmas diurnos, mais pronunciava o seu temperamento lírico para me contar que seu pai era um revolucionário de Mântua, de ascendência judaica e comerciante de seda; sua mãe era uma escritora alemã que conheceu Marx e outros intelectuais e que morreu de tuberculose quando ela tinha quatorze anos; e que teve uma educação pouco convencional em uma casa igualmente pouco convencional e foi o que lhe concedeu a força e independência para se recusar à intimidação da misoginia, tornando-se no mesmo instante Safo, Marcelline Desbordes-Valmore e Elizabeth Browning. Ora tão destemida como quem conhecesse a vaidade de tudo e não precisava encobrir notas de fantasia desinibidas com suposta profundidade ou moralidade intrínseca, mostrando-se tão irredentista quanto o ex-marido - um pecador ativista pela independência irlandesa, tão corajosa quanto aquela que defendia sua filha Vivien, uma violinista prodigiosa, que aos doze anos tocava violino no Albert Hall em Londres, e aos quarenta e oito suicidou-se. Dane-se a opinião dos outros... A sua autoconfiança a fazia uma fera tomada por seu temperamento apátrida e multifacetado no seu sentimentalismo latino. A obstinada fêmea expunha suas ideias autobiográficas amalgamadas de grande viajeira congênita do próprio chão e o seu itinerário existencial com o presente desenraizado como moto perpétuo, o frescor da espontaneidade, sua latejante e desordenada condição de viver sua fascinante jornada heterogênea e sua última temporada polifônica. Essa era a sua excepcional experiência de vida: A poesia será divina no dia em que as palavras se tornarem plásticas... Uma homenagem à escritora Annie Vivanti (1866-1942), perpétua em minha memória. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Os seres humanos não são animais racionais; estamos racionalizando animais que querem parecer razoáveis para nós mesmos. É possível dominar um problema ou habilidade sem ferir outra pessoa ou mesmo sem tentar conquistá-lo. Precisamos desafiar o nosso próprio pensamento. Pensamento do psicólogo estadunidense Elliot Aronson, inventor da Jigsaw Classroon, uma técnica de ensino cooperativo que facilita a aprendizagem ao mesmo tempo que reduz a hostilidade e o preconceito interétnicos.

 

ALGUÉM FALOU: Não importa o quanto aprendamos, sempre há mais conhecimento a ser adquirido. A este respeito, lembro-me de um pequeno poema que esteve em minha mente ao longo dos anos. Diz o seguinte: “Eu costumava pensar que sabia que sabia. Mas agora devo confessar. Quanto mais eu sei, eu sei, eu sei, eu sei, menos”... Pensamento da escritora marroquina Malika Oufkir. Veja mais aqui.

 

LEVE-ME LÁ – […] Palavras são como pessoas, eu acho. Coloque muitos deles muito próximos e eles causarão problemas [...] Enquanto você respirar, ainda há esperança. [...] Não tente enganar um mentiroso. [...] Até onde você pode seguir pelo caminho errado antes de não conseguir voltar ao caminho certo? [...] Eu carrego uma mensagem que não consigo ler. As palavras podem ser assustadoras ou macio ou doce. Pensei no que diz Não sei, Eu ainda carrego isso comigo, onde quer que eu vá [...] O tempo dá voltas e mais voltas o relógio girando, até o dia fatídico tempo dobra as mãos cansadas e para. [...] A mente só consegue lembrar o que está disposta a lembrar – porque se você é culpado, então a verdade não é o que o liberta. É o que deixa você trancado. [...]. Trechos extraídos da obra Take Me There (Simon & Schuster, 2010), da escritora estadunidense Carolee Dean.

 

UMA CARTA PARA A PRISÃO - Nos passos ocupados da noite ou do dia eles te levaram \ talvez eu tenha corrido para o canto da sua sala de aula \ ouvir em silêncio por algumas horas \ e quando meus pensamentos brilharam por um momento\ Eu vi suas profundezas. Poema da escritora, professora e ativista chinesa Muyesser Abdul'ehed, que denunciou publicamente os campos de trabalhos forçados de civis de etnia uiguire pelas autoridades chinesas, razão pela qual passou a morar na Turquia, a partir de 2013. Ela é autora da obra Missing you is painful (2012).

 


RICARDO MACHADO – Conheci a voz e o talento do dentista, cantor e compositor Ricardo Machado através da querida Meimei Corrêa e da incansável divulgadora Andréa Borges. 


Com formação erudita de cantor lírico, o tenor já lançou dois álbuns: A sombra confia ao vento (2011) e Ricardo Machado canta Stevie Wonder (2013), gravando Heitor Villa Lobos, Chiquinha Gonzaga, Luis Gonzaga, Pixinguinha, entre outros grandes nomes da música brasileira. Ele também desenvolve um excelente trabalho autoral, é parceiro do poeta e compositor Sérgio Natureza e edita o blog A sombra confia ao vento. Está preparando, inclusive a sua terceira incursão musical pelo cd, já com agendamento de estúdio para tal.


Hoje é o aniversário dele e a nossa homenagem começa aqui e culminará com sua participação especial no programa Brincarte do Nitolino, neste domingo, dia 03 de agosto, a partir das 10hs, comandado por Ísis Corrêa Naves. Parabéns, Ricardo, feliz aniversário! Aplausos de pé, muito sucesso procê, amigo. Confira o talento deste grande artista no YouTube. 

A MORALIDADE DE THEÓPHILE GAUTIER

Menina, sê ardente,
Mas prudente,
Se sentires calores
Sedutores
Embaixo do teu ventre,
Que não entre
Tua flor de donzela
Uma vela,
Pois logo o castiçal
– Por teu mal –
Lhe iria atrás, matreiro,
Quase inteiro.
Em templo tão estreito,
Vá com jeito
Teu dedo em sua gana,
E a membrana
Só rompa, do hímen teu,
O himeneu.
(Tradução José Paulo Paes)

THEÓPHILE GAUTIER - Pierre Jules Théophile Gautier (1811-1872) foi jornalista, escritor, poeta, dramaturgo e critico literário francês. Sua vida esteve envolvida com a maior parte dos acontecimentos políticos e sociais na França do século 19, o que acabou por lhe render grandes obras de diversidade artística. Apesar de ser um defensor do romantismo, a obra de Gautier é complexa para ser classificada, pois flertou com diversas tradições literárias e estilos, como o parnasiano, o simbolismo e o modernismo. Mas Gautier, ao longo de sua carreira literária, ficou mais famoso por escrever um gênero bastante apreciado no século 19: o fantástico. Gautier era admirado por vários e escritores como Baudelaire, Flaubert e Oscar Wilde.

NEURODESENVOLVIMENTO E TRANDISCIPLINARIDADE – O livro Neurodesenvolvimento e transdisciplinaridade: temas em neuropsiquiatria infantil, organizados por Mauro Muszkat, Claudia Berlim de Mello e Sueli Rizzutti, trata de temas como transtorno de ansiedade, transtorno bipolar, transtorno de conduta, deficiência intelectual, trantorno obsessivo-compulsivo e depressão. REFERÊNCIA: MUSZKAT, Mauro; MELLO, Caludia; RIZZUTTI, Sueli. Neurodesenvolvimento e transdisciplinaridade: temas em neuropsiquiatria infantil. São Paulo: Memnon, 2010. ROBERTS, Monty; O homem que ouve cavalos/violência não é resposta. Rio de Janeiro: BestBolso, 2011. Veja mais aqui.

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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...