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domingo, março 07, 2021

MARISA REZENDE, TERESA NAZAR, JUANA DE IBARBOROU, JEFFREY EUGENIDES & CLÓVIS PEREIRA

 

 

TRÍPTICO DQC: SOS Brasil! - Ao som do álbum Amazônia (Carmo, 1990), de Egberto Gismonti. - Salve toda gente de Pindorama! Os dias não estão tão simpáticos assim, não mesmo. É que aqui a coisa vai de mal a pior já faz um bom tempo. Pudera, já se vão uns cinco anos desandando e empiorando a cada amanhecer. Nunca me passou pela cabeça que a gente, depois de tanta luta de décadas pela plenitude democrática, de uma hora para outra, ao invés de seguir adiante, o Brasil deu marcha à ré de ficar só nisso: dirigindo pelo retrovisor. Ainda me pergunto como é que pode na última eleição, entre tantos candidatos, o pior foi escolhido. Isso sem contar com golpes, um atrás do outro: roubaram nossos sonhos. Como é que pode? Pois foi, para completar o Kid Coisonário com a sua tresloucada trupe sentou-se em Brasília, patrocinado pela elite infame dos seculares sátrapas do nepotismo oligarca, imprensa vendida e salafrários trampolineiros da mão invisível a serviço da opressiva dominação das transnacionais corporações e lá tome voto regido a mentiras e orações. Queria mais? Sabia eu lá que haveria tantos Fabos, Cafos & similares ilegíveis do Mobral onipresente e do bestiário da Planolândia daqui (tão tóxicos e corrosivos da peçonha e as suas nada brilhantes inteligências que precisam de tratamento psiquiátrico por seus desequilíbrios mentais e estupidez à flor da pele, nenhum inimputável, diga-se de passagem), e aboletados com suas tronchuras tão levianas quanto ressentidas na Operação da Praga Duradoura e que se multiplicaram a cada ninhada, dando cria aos montes, não havendo direito qualquer perspectiva de erradicá-los no moribundo Brasil que virou o Corcunda Recalcitrante das Mil e Uma Noites: quem não suspeito? De quem a culpa, ora essa, tantas vidas perdidas e todo mundo ligado no Big Shit Bôbras, voyeurs e ególatras umbigocentristas, que não tem quem seja capaz de dar um breque na desabalada descida: Êêêêêê, boi do cu-cagado! Fico cá comigo pensando quem poderá sobreviver aos bregues detratores e aos esbarrões das ameaças furiosas das cabeçadas e patrioteiras carteiradas deles, como se isso fosse possível, digo logo, longe disso, são desumanos porque indiferentes, o que já é meio caminho andado para a barbárie. Meio caminho nada, já é. Quem conseguiria persistir humano se tudo virou como se fosse aqueles suntuosos casarões de outrora demolidos pela especulação imobiliária, o que me dá a impressão de pegar no sono e, de um dia pro outro, o país deixar de existir de tão esturricado no abismo e tragado pelo sensacionalismo do noticiário. Eita, pau! Já dizia acertadamente Sérgio Augusto: Nesta terra em que se corrompendo tudo dá! Parece mesmo um nó cego, senão insolúvel. Pois é, eu mesmo fico com a cara daquele escritor britânico, Kenneth Grahame (1859-1932): É o meu mundo e não desejo nenhum outro. Sim, mas ele alerta no seu The Reluctant Dragon (Egmont, 2008): A fera terrível deve ser exterminada, o interior deve ser libertado dessa praga, desse terror, desse flagelo destruidor. Mas são muitos e tantos, um exército de acéfalos com as fileiras engrossadas não sei como. Otimista por natureza, lá vou enfrentando a destruição como posso e não é nada, a desgraça com efeito em cadeia parece indestrutível, valha-me! Como sair do Fecamepa, SOS Brasil! Salve-se quem puder!

 


DOIS: Escapar da tirada de fino e bala perdida - Imagem: a arte da artista visual, escritora e professora Teresinha Soares, ao som do Canticum Naturale, per soprano e orchestra (1972), de Edino Krieger, com a soprano Evi Zeller & Philharmonisches Orchester Südwestfalen. – Por conta disso, lembrei-me que minha vó dizia insistentemente que a mãe havia jogado meu umbigo no rio, coisa que me levou a me afeiçoar tanto por água. Lá no quintal dos meus avós havia um brejo e eu menino só vivia pela beirada. E ela: Menino sai daí, tu ainda morre afogado, desgraçado! Um bocado de década se passou e nem morri de mesmo, exceto duas ou três vezes que fui do outro lado e voltei mais compenetrado que nunca, não me passando por aquele do Dente quebrado, do escritor venezuelano Pedro Emílio Coll (1972-1947), nem me aventurando por rios caudalosos ou mares tempestuosos. Ao contrário, me peguei muitas vezes naquela do escritor estadunidense Michael Hart (1947-2011): Muitas vezes foi dito que se Jesus voltasse à terra, ele ficaria chocado com muitas das coisas que foram feitas em seu nome e horrorizado com as lutas sangrentas entre diferentes seitas de pessoas que se dizem seus seguidores. Aí sim: quantos não vejo em nome dele tramar falcatruas, enrolar fieis e mandar na ver ajeitado no pé do cipa, pois é. Nem polícia, nem Justiça nem ninguém dá cabo deles: estão todos enrolados até o pescoço e em nome de Jesus, cruz-credo! Bem, olho pros lados e vejo: verdadeira perdição. Então, pensei na minha vó: de que poderia mesmo eu morrer, com tantos meteoros passando e tirando fino, tantos satélites pendurados, aeronaves para cima e para baixo, afora outras tantas ameaças, sobretudo do monstro invisível com a morte rondando aqui e acolá, ora, ora. Bem, dum sopapo da vida ou duma disfuncionalidade orgânica qualquer, não sei, vou escapando: passam triscando por mim, alguns arranhões e rugas, apenas. No mais, ileso e resiliente.

 


TRÊS: A VÊNUS DO QUINTAL - Imagens: arte da artista multimídia argentina Teresa Nazar (1936-2001), ao som de Cismas para trio de cordas, contrabaixo e piano (1997), da compositora Marisa Rezende, na interpretação da pianista Thais Nicolau & Quarteto Radamés Gnattali, no Festival de Música Contemporânea Brasileira (2018) – Ah, sim, pois foi exatamente pelo periodo em que era eu menino lá da beira do brejo, que se deu a descoberta duma estátua enterrada no quintal. Foi isso mesmo, verdade. Uma estátua enorme de Vênus, acho. Fiquei tão excitado com aquilo de querer ficar ao seu lado o tempo todo – ora, desde menino eu conversava com plantas, paredes e amigos invisíveis, ela seria real e em tamanho natural, muito melhor. Não deu, logo me tomaram e esconderam não sei onde, a ponto de, com o passar do tempo, esquecê-la, não antes chorar de sonhar dias, meses, anos. Pois bem, agora, depois de todos mortos, lá vou eu com questões de inventário, formais de partilha e me deparo com o quarto dos pertences dos meus antepassados. Nunca que poderia adivinhar que a família pudesse guardar tanta tranqueira. Tudo amontoado num dependência duma casa que sequer sabia existir. Pois bem, lá fui eu ver o que sobrara do espólio: meio mundo de coisa empoeirada e coberta por teias de aranha, nada mais. Um verdadeiro monturo. Quase desisti da conferência, não fosse na mínima vasculhada rápida, lá escondida estava ela, tal e qual a La Vénus d'Ille (1837), de Prosper Merimée: Apenas devemos fazer as tolices que nos agradam. E, talqualmente aquela do poeta francês Jules Barbier (1825-1901): E afinal era só uma boneca de olhos de esmalte. Isso mesmo quando se repetia no intervalo entre o primeiro e o segundo ato do seu texto operístico Les contes d'Hoffmann (1881), musicado por Jacques Offenbach: É ridículo: ninguém se apaixona por uma boneca! Tudo baseado na história da boneca de Hoffmann, que até virou filme dirigido por Michael Powell e Emeric Pressburger: Olympia não passava de uma enorme boneca mecânica. Pois sim, depois de remover todas as catrevagens, quase tudo direto pro lixo de imprestável, exceto a estátua que guardei no meu quarto. Ficou lá, encardida mas limpinha, como se fosse um troféu. Dia vai, dia vem, eu chegava, olhava para ela e ali ficava por horas até adormecer. Um dia lá, cheguei tão cansado que só deu tempo de me banhar e me recolher, nem olhei para ela, nem nada, tratei de dormir, mas o sono foi interrompido, ouvi alguém falar Juana de Ibarborou: O amor é fragrante como um ramo de rosas. Amoroso, todas as fontes são possuídas. A minha surpresa? Era ela, a Vênus Galateia do meu quintal, viva nudez no meu quarto. Como pode? Disse-me Jeffrey Eugenides: Essa obrigação de ser feliz paradoxalmente nos deixa cada vez mais infelizes. No final, não foi a morte que a surpreendeu, mas a teimosia da vida. Como é? Não entendi! Ela fitou-me firme e decididamente, abraçou-me deitando-se em minha cama como se fosse Maria Bonita governando Lampião, afinal, todo dia é Dia da Mulher e eu atravessasse com ela toda primavera. Era verão quando ela saiu e não mais voltou, nem disse adeus. Hibernei, só voltarei ao final do outono. Até mais ver.

 

A ARTE DE CLÓVIS PEREIRA



A arte do compositor, arranjador, pianista e regente Clóvis Pereira, autor de frevos, caboclinhos, maracatus e obras para coro e orquestra e de peças sinfônicas. Em sua homenagem a obra Clóvis Pereira: no reino da pedra verde (Cepe, 2016), do jornalista, pesquisador e crítico musical Carlos Eduardo Amaral, abordando a vida e uma coletânea importante para a música erudita pernambucana, além de informações sobre o lançamento das composições, formação instrumental, bem como iconografia e dados coletados com o próprio músico. Na primeira parte da obra é contada a trajetória do garoto pobre de Caruaru, apaixonado por música e cinema, ao respeitado professor universitário, com cursos na Berklee College of Music, em Boston, Massachussets, nos EUA, hoje gozando de uma confortável aposentadoria, e finalmente podendo conviver no dia a dia com a família, mulher, filhos, netos. A segunda parte é um catálogo da sua obra, envolvendo uma listagem e classificação das partituras e discos; consultas presenciais e online a bibliotecas do Recife, do Rio de Janeiro e de João Pessoa; entrevistas com músicos que interpretaram peças do compositor ou tiveram peças arranjadas por ele; e redação final. Veja mais aqui e aqui.


 


sexta-feira, setembro 29, 2017

THIAGO DE MELLO, HANS BELLMER, MARIO SETTE, SÉRGIO AUGUSTO, RONILDO MAIA LEITE & SIDNEY WANDERLEY

LINGUA FALOU, CU PAGOU! - Denilzinho era um arretado: servidor, jeitoso, estibado. Precisasse, pau pra toda obra; solidário até com morte de formiga. Diziam: esse vive de cara pra lua! Isso porque ninguém nunca via nele cara feia ou dizer não: sempre pronto para ajudar e resolver o que fosse para o bem de quem chegasse. E o melhor: com o maior dos sorrisos. Dinheiro? Sacava dos bolsos: tome! Carro emprestado, chaves dispostas na hora! Adoeceu? Estava pronto para palavras amigas e providenciar remédios, indiferente de quanto custassem. Eu num disse? Um sujeito pra lá de gente boa mesmo. Mas... Ninguém é perfeito: quando virava um copo, vixe! O cabra se transformava no pior cricri dos chatos de galochas. Era só às gaitadas: fulano? Aquilo é um corno safado da gaia mole! Sicrano? Aquilo é uma pestilência da mais gangrenosa! Beltrano? Um viado safado do cu afolosado! E mulher? Ah, a mulher de casa é feito galinha de granja: cheirosinha, limpinha, toda jeitosinha, mas insossa, aguada; já a mulher da rua, a puta nojenta, oxe, é feito carne de galinha de capoeira: fedorenta de inhaca da peste, melada, cagada, mijada, fodida, cuspida e mal paga, mas, ainda assim, é a maior sustância, suculenta, vixe! Chega dá vontade de comer de se empanzinar todo! Ô coisa boa! E repetia isso até diante da sua distinta senhora que, pudica das mais religiosas, abria um sorriso amarelo por educação e fazia que nem ouvia, resignada, serviçal pra tudo a bem do marido, vivia só pra ele providenciando iguarias e bebidas, o rei da casa que ela obedecia e devotava toda sua vida, arrumando da varanda à cozinha, ajeitando do jardim ao quintal, roupa engomada, tudo pronto antes mesmo dele pedir, e nos trinques todo dia e o dia todo. Isso até o dia que Denilzinho, depois de muitas e tantas, tomou uma de emborcar trocando as pernas na beira da cama, resmungando o flagra da infidelidade marital: ué, mulher, o que é que é isso? E ela, sem fazer a menor cerimônia, cuspiu na lata dele com a cara mais lisa: Oxe, homem, de tanto você dizer, eu fui fazer um teste pra vê se era mesmo galinha de granja, ora, pra seu governo o macho aqui me certificou que sou mesmo é galinha de capoeira. E das boas! Gostei e quero mais! Tai, língua falou, cu pagou! Teibei! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o compositor, músico e cantor Ivan Lins ao vivo + Quem saberia perder + Java Jazz; aa premiada violinista alemã Viviane Hagner interpretando Grétry Violon Concert Henri Vieuxtemps & Israel Philharmonic with Zubin Mehta; o violonista e compositor Nando Lauria interpretando músicas dos  álbuns Novo Brasil & Points of view; e a belíssima cantora Julya Cristal interpretando música do seu álbum A journey to Shamnalla &  Forever more. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Glamour não é um dote natural, mas um artifício burilado pela pericia de técnicos em plástica, elegância, iluminação e marketing. Glamour, portanto, se adquire – mas nem todos podem comprá-lo. Sua aquisição exige sacrifícios, sobretudo de ordem física [...] Não é menos árdua a sua conservação. [...] As recompensas são tais e tantas que poucos atores se confessaram arrependidos das concessões a que se sujeitaram, trocando de cara, nome e, não raro, até de biografia. [...]. E entendemos o desespero daquela personagem da peça Angel City, de Sam Shepard, que a certa altura desabafa: “Eu odeio minha vida. Queria que ela fosse um filme. Eu odeio o que sou. Eu queria estar vivendo um filme, mas não estou e nunca estarei”. Trechos do ensaio Minha tela tem estrelas (Bravo, abril/2004), do escritor e jornalista Sérgio Augusto. Veja mais aqui.

AS MULHERES DE IGARASSU – Duarte Coelho [...] donatário da capitania de Pernambuco, fundara à margem de um rio do mesmo nome a vila de Igarassu [...] Ali vinham ter as embarcações que chegavam de Portugal, trazendo colonizadores, mercadorias, víveres, e, pouco a pouco, a localidade crescia. [...] Os gentios, porém, que de começo se haviam mostrado cordatos, auxiliadores, deram em se insurgir contra os portugueses, declarando “guerra aos brancos”. [...] Durava já dois anos o assedio e, por isso, andavam os homens fatigados das vigílias sempre receosos de um ataque súbito dos indígenas. As mulheres, então, ofereceram-se para substituí-los nas sentinelas, durante as longas noites, e foram aceitas nesse arriscado mister, sem que dessa medida o inimigo viesse a ter mínima ciência. E afinal, uma vez, quase pela madrugada, sorrateiramente os índios ensaiaram tomar a vila de assalto, atacando o forte que defendia do lado do rio. As mulheres avistando aqueles vultos que escalavam as muralhas, rojaram-se sobre eles de espadas em punho, acutilando, ferindo, matando, com todo animo. Todavia, mais fracas e em menor numero, iam sendo subjugadas. E foi quando uma delas, por dar aviso aos homens que dormiam, teve uma fuzilante ideia. Apoderou-se de um tição, chegou-o ao ouvido de uma peça e disparou-a. o tiro reboou no silêncio da noite. Os soldados despertaram, correram aos seus postos, salvando a vila de uma capitulação. Trechos extraídos da obra Terra pernambucana (FCCR, 1981), do professor, jornalista e escritor Mario Sette (1886-1950). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A GUERRILHEIRA & O MAGRICELA BARBUDO - [...] Entre um gole e outro, costumava dizer, já agora aos berros: - Mulher casada que faz amor somente com o marido, para mim não passa de uma virgem... E dava cafunés dengosos na cabeça da esposa, que os olhos abaixava em sinal do mais bíblico respeito. Numa almofada distante, um magricela barbudo acompanhava o baixar de olhos, como na missa. Noite alta, até o gogó ele encheu o copo do uísque. Sem gelo, engoliu à maneira dos caubóis. Claro, entrou em coma profundo. Quando voltou a si, todos estavam ao redor das coloridas almofadas. Menos o magricela barbudo. Dirigiu-se ao quarto. Foi quando descobriu que, toda sexta-feira, o barbudinho se entregava ao dialético prazer de desvirginar a guerrilheira amada. Trecho extraído da obra A guerrilheira perfumada: crônicas do amor diário (Raiz, 1990), do jornalista e escritor Ronildo Maia Leite (1930-2009).

UM TRIPLO TIBUNGO HERÁCLITO – Três meninos mergulharam no rio / o rio mergulha na tarde / a tarde mergulha no tempo / que envelhece os meninos / que engole os sonhos e os que sonham / que altera o curso do rio / para que três outros meninos / em outra tarde, outro rio / renasçam em outros mergulhos. Poema extraído de Artesanias da palavra (Grafmarques, 2001), do professor e poeta Sidney Wanderley. Veja mais aqui, aqui e aqui.

EPITÁFIO DE THIAGO DE MELLO
O canto desse menino
Talvez tenha sido em vão.
Mas ele fez o que pôde.
Fez sobretudo o que sempre
Lhe mandava o coração.
Poema recolhido da obra Faz escuro mas eu canto (Civilização Brasileira, 1985), do premiadíssimo poeta amazonense Thiago de Mello. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
A literatura de Cervantes aqui, aqui e aqui.
A pintura de Caravaggio aqui.
A música & entrevista de Ivan Lins aqui, aqui e aqui
O pensamento de Miguel de Unamuno aqui e aqui.
A arte musical de Viviane Hagner aqui.
O cinema de Michelangelo Antonioni aqui.
A arte musical de Nando Lauria aqui.
O teatro de Plinio Marcos aqui, aqui e aqui.
A arte da cantora Julia Crystal aqui, aqui e aqui.
O teatro de Mário Bortolotto aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor e gravurista alemão Hans Bellmer (1902-1975).
Veja mais aqui.

sexta-feira, outubro 15, 2010

BELL HOOKS, NORMAN MAILER, OCTAVIA BUTLER, MARY DUFFY, SÉRGIO AUGUSTO, VALUNA & SAÚDE NO BRASIL


A arte da escritora, empresária, palestrante motivacional e especialista em moda feminista estadunidense Mary Duffy.

VALUNA: A RODAGEM DE BADALEJO, A BODEGA DE ÁGUA PRETA - Como já fui por todas as águas de rio, agora vou contar uma história de quem não sei: quando minha irmã nasceu, tinha eu apenas dois anos de idade e já era os pés da doida, um fabricante do passaporte da minha mãe pro hospício, de tão treloso inheto a virar tudo de cabeça pra baixo. Por conta das minhas travessuras, fui gentilmente separado do lar, indo pro maior município do estado, Água Preta. À primeira vista, não era tão grande assim o lugar, mas diziam que era mesmo. Quando lá cheguei, a primeira constatação: se era o maior município, como todos diziam, lá só tinha uma rua só: a que entrava e saía; e com um detalhe: a que entrava era a mesma que saía; tanto que uma placa dava ao visitante o pé da situação: de um lado, seja bem-vindo; do outro, volte sempre. Ninguém se perdia lá. Nem eu. E lá, entre meus avós paternos, Arlindo e Benita, dei de cara com o paraíso: a bodega e o engenho. Na verdade, como primeiro neto da família e centro de todas as atenções, eu estava onde meu avô estivesse: uns dias da semana no engenho Badalejo, no qual tive a primeira noção do reino encantado de todas as coisas; os outros, na bodega com minha avó Benita, pela qual tive acesso à fábrica de todos os brinquedos. Pronde meu avô fosse, lá estava eu reinando impune. No engenho, era o dia todo para futucar os animais na estrebaria – bois, vacas, cavalos, éguas, os bichos dali, o que fosse, não tinham sossego comigo, armado de fiapos de vassoura, enfiava na venta deles -, e os curaus por plateia pras invencionices de tagarela: bebedor de água de chocalho, parecia mais que eu contava as mil e uma noites reinventada ali na hora, reencarnando Sherazade pra peãozada, isso do início da tarde mormaçada até cair de sono num canto. Entrava eu pela perna de pinto, saía pela perna de pato e num tinha fim que desse na historia emendada com tantas outras, dos cabras todos ficarem tudo admirado com meu blábláblá. Quando não, esgueirava pela rodagem pegando bigu no carro de boi pra cima e pra baixo. Só parava mesmo quando meu avô me colocava na garupa do cavalo e, atravessando rios e morros, dava na bodega da minha avó: nunca o mundo fora tão generoso comigo. Dos refrigerantes e ponches de todos os tipos, aos lanches de todos os sabores: rapadura, confeitos, pirulitos, biscoitos, bolos, doces e salgados. Era a hora que eu parava no tamarelado, ocupando a boca em provar de tudo quanto fosse guloseima. Enfim, foi no trâmite duns dois ou três anos de infância passados por lá, que aprendi a mentir imitando os violeiros e repentistas que apareciam na quinta que era o dia da feira, até o domingo, entretido com as glosadas no improviso dos motes. Foi justo nesse tempo que senti a dor da lapada do chicote no toitiço pela compra desproposital de um tabuleiro de pirulito – a dor que nunca me saiu da alma; que, tantas vezes, quase morri afogado no brejo do quintal, no meio de pitus e cundudas no maior espalhafato; que levei uma carreira dum boi brabo no meio da festa da padroeira de quase não parar nunca pé na bunda até o fim do mundo – e ele atrás de mim; foi aí que conheci a força de cascudos, beliscadas e outros puxavanques, por ter a mania de querer me enfiar embaixo da toalha das tias quando elas saíam seminuas do banho; e a confundir o dia pela noite no arrepiado dos tremores com as histórias de trancoso, crimes, lendas e envultamentos do povinho bom daquelas paragens. A vida valia tanto que eu não perdi mais a graça do jeito infantil de ver todas as coisas e tudo, e tinha desse tudo além da conta ajustada: era com o coração que se vivia o tanto que podia o prazer de viver. E de Água Preta eu batia o chão na pisada forte como se fossem os revoltosos de Araticum de Barreiros que chegaram à Cachoeira para enfrentar paisanos governistas. Eu mesmo fui com a força de Cocal pelas margens até o Barra, quando deu o ataque de Almécega, um tumulto brabo de eu escapulir por Santa Terezinha e Liberal, pelo córrego Costurinte, Camocim Mirim, Cassuipe, Pirangi, Córrego Limoeiro, Jacuípe, Canoa Grande e Rachada, João Murato, Roncador, Jundiá, Carassú, Carimã, oxe, esse menino vai parar onde que mesmo, hem? No Rio Formoso, 11 de junho, lembrava dos combates durante a ocupação holandesa. De lá para Cucaú e Saué, brincando com o tamanduá e tab-moi-inda-ré. Eu nem sabia que Tamandaré era um pajé que fez uma fonte que inundou o mundo e se abrigou no alto de uma palmeira com sua mulher. Quando as águas baixaram, o casal deu origem aos tupinambás. Quando os invasores europeus chegaram às terras, encontram a tribo caetés. Foi mesmo? Ora, fui pros Carneiros, Campas, do Pontal do Lira e Boca da Barra. Ah, eu que fui peixe também fui sésseis! Hem? Ostras, sururus, unhas-de-velho, taioba, maçunin, aratus, caranguejos, guaiamuns, isso sem falar de xaréus, manjubas, carapebas, cobras e saguis! Vixe! Danou-se! Tudo isso entre coliformes fecais, efluentes e esgotos, venenos fertilizantes, agrotóxicos, e eu nem aí na Formosa e Barra de Sirinhaém, Ibiratinga, Trapiche e Santo Amaro. Era 6 de janeiro, festa da boa e me acordei porque a vida passava na praça e eu pela aldeia de Benfica, do então Morgado do Cabo, era da Pedra do Conde dos caititus, porcos do mato, e uma antiga aldeia de índios que ficou então conhecida pelo nome de Barreiros Velhos, o mesmo lugar onde uma escolinha sumiu com o professor no redemoinho do tempo. Já era 19 de julho e ia já para Carimã e de lá para Puiraçi, o Abreu, Gravatá e a Várzea. Em plena tarde de 11 de abril, justo nesse mar que aprendi a namorar menina dengosa que eu vi passar no Porto do Gravatá, coisa mais maravilhosa da tribo caingang, coisa de endoidar coração Puiraçu do meu chão caeté, quadris em ondas como quem vem do engenho Morim da Baronesa – como rebola macio chega dá vontade da gente pegar bigu de nunca mais soltar! -, seios de mar com suas piscinas naturais nas coroas das marés e eu só queria mergulhar, timbungue, timbungar suas águas cristalinas, ah, seios de mar, eu quero navegar, eu quero mergulhar! E eu atarantado de amor por seus pés à beira-mar buscava os corais entre pernas e coxas, eu ia me espremer entre elas, torres do paraíso sumindo as marés como quem vai do rio pra morrer afogado nos seus beijos de sereia enfeitiçadora e eu à-toa como quem vem do riacho Meireles sem saber de nada de seu riso estival iluminando além dos vales e morros da minha prisão, de seus olhos manhãs no negrume dos meus dias por seus braços estendidos dali de Barreiros a me levar pelas correntezas do rio Persinunga, perdido em suas margens e sem saber das abusões da mata que me trouxe Cumade Fulôsinha até a praia do Gravatá em Abreu do Una, e eu não sabia nada do Museu do Una na Várzea – ou será São José? -, sabia só do jangadeiro que eu era, rapaz solto na buraqueira da Coroa Grande que se enamorou com quem ouviu falar do Gato Branco ao Bola de Ouro que passou, não existia mais, só o gingado da menina sestrosa, tão linda formosa assim tão jeitosa embalando meu coração. Ela era Água Preta no que fui e nos tornamos ali, meio dia em ponto, yin & yang – ah, Yaravi, Fieetó. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


A arte da escritora, empresária, palestrante motivacional e especialista em moda feminista estadunidense Mary Duffy.

DITOS & DESDITOS - Normalmente os machos adultos que são incapazes de fazer conexões emocionais com as mulheres que escolhem para ter intimidade estão congelados no tempo, incapazes de deixarem-se amar por medo de que o objeto de seu amor vá abandoná-los. Se a primeira mulher que amavam apaixonadamente, a mãe, não foi fiel ao seu vínculo de amor, então como podem confiar que sua parceira o amará verdadeiramente? Muitas vezes, em seus relacionamentos adultos estes homens agem de novo e novamente para testar o amor de sua parceira. Enquanto o adolescente rejeitado imagina que ele já não pode receber o amor de sua mãe, porque ele não é digno, como um homem adulto ele pode agir de maneiras que são indignas e ainda demanda da mulher em sua vida que ela lhe ofereça amor incondicional. Este teste não cura a ferida do passado, limita-se a reencenar e, em última análise, a mulher vai se tornar cansada de ser testada e terminar o relacionamento, reencenando assim o abandono. Este drama confirma para muitos homens que não podem depositar a sua confiança no amor. Eles decidem que é melhor colocar a sua fé em ser poderoso, em ser dominante. Pensamento da escritora, professora feminista, artista e ativista social estadunidense Bell Hooks - Gloria Jean Watkins, que assim se expressa: Honrar a nós mesmas, amar nossos corpos, é uma fase avançada na construção de uma autoestima saudável. Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: Na indústria de universotários o diploma é de somenos: o nó górdio dessa questão é a qualidade expressiva, a clareza das ideias, a inteligibilidade do texto. Se brilhante e sedutor, larga na pole position. A despeito da decadência de nosso ensino e dos já folclores vexames de nossas provas de redação. O jornalismo ainda é o melhor hospital das letras. Pensamento do escritor e jornalista Sérgio Augusto. Veja mais aqui.

DO AMOR & RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS - As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade o amor é recompensa por você ter resolvido os seus problemas. Bravura é fazer algo que envolva um risco sério sem a certeza de que você vencerá. Morrer não deve ser tão difícil. Até hoje, todos foram bem-sucedidos. Pensamento do escritor e jornalista estadunidense Norman Mailer (1923-2007).

UM POEMA - Tudo o que você toca / Você muda. / Tudo o que você muda / Muda você. / A única verdade que persiste / É a mudança / Deus é mudança. Poema da escritora afro-estadunidense Octavia Butler (1947-2006), autora de frases lapidares como: Não sabia que as pessoas podiam ser condicionadas com tanta facilidade a aceitar a escravidão. Comecei a escrever sobre poder porque era algo que eu tinha muito pouco. Boas histórias são boas histórias, não importa como estejam categorizadas.


DERINHA ROCHA: FUNCIONÁRIA DO TJ-AL É VÍTIMA DE DESCASO DA HAPVIDA SAÚDE – A nossa Derinha Rocha (Valderes de Barros Rocha, 49 anos) é funcionária da Primeira Câmara do Tribunal de Justiça de Alagoas e webdesiner.
No final do mês de setembro, ela sentiu que algo não estava bem e recorreu de atendimento médico em virtude de uma série de manchas que lhes surgiram no braço. Depois nas pernas. Em seguida, por todo corpo.
Dias depois das consultas saíram os resultados laboratoriais: anemia aguda. Novos exames vieram, até a hora em que um mal-estar dominou e deu entrada na emergência do Hospital Maceió, em razão do convênio do seu Plano de Saúde São Lucas (leia-se HapVida Saúde), mantido religiosamente há mais de 10 anos.
Já internada recebeu o resultado dos exames anteriormente requisitados: leucemia mieloidal aguda.
Diante desse quadro clínico, todos os médicos amigos e os da própria emergência do Hospital Maceió, foram unânimes: o referido hospital não está equipado para atendimento da enfermidade. E a família logo recorreu à direção do hospital que se prontificou de remover a paciente para o Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, onde alguns médicos já acompanhavam Derinha há dias e aguardavam a transferência da paciente.
No dia seguinte a direção do hospital informou que o Plano de Saúde estava negociando com a Santa Casa de Maceió e dias foram e passaram. Com esse papo, engoliram já 10 dias e nossa Derinha cada vez mais desfalecendo e definhando.
A família se movimentou e requereu por escrito a transferência dela pra Santa Casa, tendo a direção se negado de atender, informando que o problema deveria ser resolvido na justiça. Por que? Nenhuma resposta. Trocando em miúdos: o HapVida Saúde embromava não autorizando ao Hospital Maceió a transferência para Santa Casa.
Cada dia que se passava, mais a nossa Derinha sofria e a família foi orientada pelos próprios médicos a recorrer à Justiça Alagoana. Assim o fez. Impetrou Ação Obrigação de Fazer, Processo n 0070511-43-2010.
Nossa Derinha, no último dia 14 de outubro, foi acometida de uma pneumonia e foi transferida do apartamento 1 do Hospital Maceió para a UTI do citado hospital. A família chora enquanto...



JUSTIÇA ALAGOANA - DECISÃO DA SEXTA VARA CIVEL DA COMARCA DE MACEIÓ – AL 14/10/2010– Processo nº 0070511-43-2010 – Ação Obrigação de Fazer – Autora: Valderes de Barros Rocha. Ré: Hapvida Assistência Médica Ltda. DECISÃO: A tutela antecipada é instituto previsto no art. 273 do Código de Processo Civil, criado a fim de proporcionar uma decisão de caráter emergencial, que tem por objetivo conceder ao autor um provimento imediato, que lhe assegure provisoriamente o bem jurídico a que se refere a prestação do direito material reclamada em litígio. O Código de Processo Civil estabelece os seguintes pressupostos, os quais devem estar presentes para concessão de liminar: a) exigência da prova inequívoca e verossimilhança (CPC, art. 273, caput), suficiente para o convencimento do Magistrado acerca da forte probabilidade das alegações formuladas na exordial serem verdadeiras, resultante do exame da matéria fática apresentada; b) A existência de situação de “fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação” (CPC, art. 273, l), ou, alternativamente, que seja evidenciado o “manifesto propósito protelatório do réu” (CPC, art. 273, II). Em análise dos fatos alegados e os meios de prova apresentados, verifiquei, após perfunctória análise, que, caso persistisse a negativa de cobertura de seu tratamento de saúde, a parte Autora, como também as pessoas que a cercam em sua relação social, viriam a ser, demasiadamente, prejudicada, haja vista que seu quadro clínico, comprovado nas fls. 23, requer o imediato internamento. Importante frisar ainda o dispor no art. 461, parágrafo 3º, do citado diploma legal, o qual determina que, sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou mediante justificação prévia, podendo esta ser revogada ou modificada, a qualquer tempo, em decisão fundamentada. Com relação aos pressupostos para a concessão da liminar, resta evidenciado o fumus bonis iuri, visto que a parte Autora trouxe aos autos os elementos de comprovação necessários para o suporte desta decisão. Quando ao preiculium in mora, está claro que este é alto, e caso não seja concedida a antecipação da tutela, a Autora poderá ter sua saúde comprometida. Assim, diante dos argumentos acima esposados, das provas suficientes e inequívocas acostadas aos autos, entendo verossímeis as alegações firmadas para DEFERIR, inaudita altera pars, a medida liminar requestada, para determinar à RÉ que adote, imediatamente, todas as providências necessárias à autorização para internação e tratamento da Autora no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Maceió, correndo sob a responsabilidade daquela todas e quaisquer despesas decorrentes do aludido tratamento emergencial, conforme prescrição médica, sob pena de multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais), a partir da intimação, no caso de a requerida descumprir qualquer das determinações. Em seguida, CITE-SE a requerida, para querendo, no prazo de 15 (quinze) dias, contestar os termos da inicial, sob pena de ser tido como verdadeiros os fatos ali expostos pela parte Autora. Publique-se, Registre-se e Intimem-se. Maceió, 14 de outubro de 2010. Edivaldo Bandeira Rios. Juiz de Direito.

MANDADO DE INTIMAÇÃO/CITAÇÃO – Ação: Procedimento Ordinário. Autor: Valderes de Barros Rocha. Réu: HAPVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA. Oficial de Justiça (0). Mandado nº 001.2010.;057611-8. Data da intimação: 14/10/2010.



DESCUMPRIMENTO JUDICIAL - HAPVIDA SAÚDE: MUITA FALTA DE CARINHO POR VOCÊ – Contrariando o lema deles de “Hapvida Saúde: muito mais carinho por você”, eu mesmo presenciei foi muita falta de carinho. Um verdadeiro desrespeito. Tenho acompanhado diariamente em visitas à paciente nas dependências do Hospital Maceió e só encontro o seguinte: a família chorando aflita, muito desencontro de informação entre os médicos e nenhuma manifestação da HapVida. Procuramos o diretor do hospital e - depois de horas de chá de cadeira -, o mesmo informou não ter recebido nenhuma determinação da operadora (HapVida). Procuramos a direção do plano de saúde e nenhuma pessoa da direção estava presentes, todos viajando. Fomos aconselhados pelo próprio corpo médico ingressar na justiça. Outros médicos visitantes, amigos da família, também sinalizaram desde o primeiro dia da internação que o hospital não possuía capacidade para atendimento da paciente e que a remoção deveria ser feita imediatamente, correndo o risco do quadro se agravar. Além do mais o Hospital alega falta de plaquetas para a paciente, quando há uma checagem diária e direta com o HEMOPAC pela família e este informa da disponibilidade das mesmas para a paciente, resultado de campanha feita por familiares e amigos com identificação da paciente na doação do sangue tipo O+..
Uma coisa é unânime entre os médicos: o hospital não tem condições de cuidar da enfermidade (além da leucemia, nossa Derinha está com o quadro se agravando e está agora acometida de pneumonia e reclusa na UTI do hospital) e com só 1 conselho: ela corre risco de vida e quanto mais rápido ela for transferida para a Santa Casa, mais rápida é a possibilidade de sua melhora.
Resultado: O mandado judicial foi expedido na tarde do dia 14 de outubro de 2010 e na mesma tarde o Oficial de Justiça intimou a HapVida. Os familiares procuraram das providências e a direção do hospital informou que a HapVida até o presente momento - 20hs24m do dia 15 de outubro de 2010 -, não houve uma sequer manifestação do HapVida Saúde. Não atenderam nem a solicitação de segunda via do contrato da enferma, nem uma cópia da guia de internação. Apenas a médica que se encontrava quando do horário de visitas, das 16 às 17 hs, mencionou para a família que o quadro dela estava se agravando e que todos os procedimentos haviam sido tomados para combater a pneumonia, uma vez que o hospital não tem condições de tratar da leucemia. Descaso? Coisas do Brasil.



NOSSA SOLIDARIEDADE: São 15 dias de sofrimento da nossa Derinha e seus familiares. Quase o mesmo tempo de internação no Hospital Maceió onde os procedimentos são apenas aplicar sangue/soro. A leucemia segue, agora a pneumonia. Que a Justiça seja feita! E que Deus salve Derinha Rocha!



ADENDO: RESULTADO DO DESCASO
SÁBADO, 16/10/2010 – Logo nas primeiras horas da manhã, o meu celular toca. Era Jarbinhas Barros, irmão da Derinha, informando que o quadro dela havia se agravado, necessitando com urgência da prospecção de plaquetas por aférese para tentar novos procedimentos. Providenciamos. Isso contando com a solidariedade de diversas pessoas. Uma correria se deu entre médicos e enfermeiros do Hospital Maceió. A primeira e única providência que tomamos ciência por parte da HapVida em todo caso, foi acrescentar mais um hematologista, totalizando 3 nos procedimentos. Os informes eram desanimadores. Por volta do meio dia, o diretor do hospital me chama e diz que uma hemorragia pulmonar agravou o quadro e as perspectivas eram mínimas. O desalento foi geral. Enfim, às 13:30hs, um dos médicos da equipe informou o falecimento de nossa Derinha. Estava completada a tragédia e o descaso. Ela, finalmente, descansou. Restou o desespero dos familiares.
DOMINGO, 17/10/2010 – O corpo foi velado na Capela 1, do Parque das Flores, Maceió, ocorrendo o seu sepultamento às 11 horas no cemitério em referência. Que Deus guarde nossa Derinha.

MISSA 7º DIA - No dia 22/10, às 19:30hs, missa de sétimo dia para nossa Derinha Rocha na Igreja da Rua Coronel Lima Rocha (vizinho ao Colégio Russel) - Pinheiro - Maceió.

DIA 08/11/2010 – A Hapvida Assistência Médica Ltda, por meio da sua advogada, Keyla Polyanna Barbosa Lima, apresentou contestação nos autos do processo Obrigação de Fazer/Não Fazer nº 0070511-43.2010.8.02.0001, movido por Valderes Barros Rocha (memória)contra a ré HapVida Saúde, na 6ª Vara Cível da Capital, do Foro de Maceió.

Uma homenagem para Derinha Rocha: VERS&PROSA PARA A MENINA AZUL




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