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segunda-feira, agosto 28, 2017

EDUCAÇÃO & CECÍLIA MEIRELES, VALLEJO, CALASSO, ELIPHAS LÉVI, PEÑUELA, NEOCONCRETO, SOCORRO DURÁN & BIBLIOTICA FENELON.

ETERNO RETORNO – Quantas vezes ao amanhecer saí de casa na trilha do sol sem saber pra onde, lugar algum na ideia e a zanzar equilibrista do tempo pra voltar ao crepúsculo e me recolher à escuridão, quem não esteve inúmeras vezes perdido sem saber se ia ou voltava optando pro retorno cabisbaixo, o mesmo percurso sempre de volta ao útero pra me agasalhar, terra pra deitar a cabeça, chão pra esquentar o frio. Muitas e tantas vezes acordei sobressaltado, entre compromissos e pesadelos, sempre perdi a hora, desvirando a ampulheta e a vida inteira para seguir o curso regular do mundo, entre dores e prazeres, entre o choro e a derrisão, o patético e o risível, o arcaico e o inédito, o tímido e o insolente, não sei, meia noite, meio dia, tudo meio a meio, cada qual sua infâmia execrável. Pelas buscas nos caminhos muitos das tantas opções, quantas vezes me deparei com todas as quartas e quintas intenções a romper o mais profundo segredo, como acerto de contas pra me reconciliar com o passado e seguir em frente pronde der. Até agora, desconfio que me surjam a qualquer momento outros antípodas ou antagônicos, que venham, penso tanta coisa que nem sei, talvez seja um meio pensamento que subjaz das minhas cavernas mais remotas só para me atormentar e eu sei, vou superar. Ser-me uma questão aberta é o que quero, o vazio na cabala das minhas ideias com a insidia do impostor, como quem já anestesiado da dor parte pra vingança de viver o instante como se tudo se repetisse sem cessar ao eterno retorno e refaço-me na agonia de não mais ser-me como antes, outro agora, a vida revirada aos hecatombes. Aprendi que artista é aquele que olha o passado, pula academia, suja-se na terra e segue em frente sem futuro. É evidente que chore e se envergonhe muitas vezes de si mesmo, eu também chorei olhando pra frente: funâmbulo sobre vigas-mestras em falso. Quem sabe, um nômade que corre todos os riscos, como se fosse Édipo decapitado pela própria crença dos pecados, como se a culpa fosse a presença inexorável da morte de plantão, vigilante e eu nem ligo, me esqueço do mundo, sem testemunhas nem espectadores pro meu monólogo, como se amputado todos os meus membros e órgãos, servido por próteses defeituosas e me fizesse o outro que sou meu próprio juiz e algoz e a minha incompletude, talvez, tudo e nada disso, mesmo que minhas palavras sejam abissais, o meu poema definitivo, para que eu me cale com o silêncio de um palco vazio. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

BIBLIOTECA PÚBLICA FENELON BARRETO
A simpática equipe de funcionários da Biblioteca Pública Municipal Fenelon Barreto, em Palmares – PE, comandada por João Paulo. Veja mais aqui e aqui.

A EDUCAÇÃO NO BRASIL – [...] O Brasil tem como grande desgraça a ser combatida a pseudo-autoridade do “medalhão”. O “medalhão”m homem de “pose”, dado à “intelectualidade”, falador e gesticulador, dizendo coisas floridas e ocas, tem sido nosso pior inimigo em política, em literatura, em arte, em ciência, em administração. [...]. Trecho extraído da obra Crônicas de educação (Nova Fronteira, 2001), da escritora, pintora, professora e jornalista Cecília Meireles (1901-1964). Veja mais aqui e aqui.

MANIFESTO NEOCONCRETO – [...] Não concebemos a obra de arte nem como “máquina” nem como “objeto”, mas como um “quase-corpus”, isto é, um ser que, decomponível em partes pela análise, só se dá plenamente à abordagem direta, fenomenológica. Acreditamos que a obra de arte supera o mecanismo material sobre o qual repousa, não por alguma virtude extraterrena: supera-o por transcender essas relações mecânicas (que a Gestalt objetiva) e por criar para si uma significação tácita (M. Pority) que emerge nela pela primeira vez. Se tivéssemos que buscar um símile para a obra de arte, não o poderíamos encontrar, portanto, nem na máquina nem no objeto tomados objetivamente, mas, como S. Lanoer e W. Wleidlé, nos organismos vivos. Essa comparação, entretanto, ainda não bastaria para expressar a realidade específica do, organismo estético. É porque a obra de arte não se limita a ocupar um lugar no espaço objetivo – mas o transcende ao fundar nele uma significação nova - que as noções objetivas de tempo, espaço, forma, estrutura, cor etc não são suficientes para compreender a obra de arte, para dar conta de sua “realidade”. A dificuldade de uma terminologia precisa para exprimir um mundo que não se rende a noções levou a crítica de arte ao uso indiscriminado de palavras que traem a complexidade da obra criada. A influência da tecnologia e da ciência também aqui se manifestou, a ponto de hoje, invertendo-se os papéis, certos artistas, ofuscados por essa terminologia, tentarem fazer arte partindo dessas noções objetivas para aplicá-las como método criativo. Inevitavelmente, os artistas que assim procedem apenas ilustram noções a priori, limitados que estão por um método que já lhes prescreve, de antemão, o resultado do trabalho. Furtando-se à criação espontânea, intuitiva, reduzindo-se a um corpo objetivo num espaço objetivo, o artista concreto racionalista, com seus quadros, apenas solicita de si e do espectador uma reação de estímulo e reflexo: fala ao olho como instrumento e não olho como um modo humano de ter o mundo e se dar a ele; fala ao olho-máquina e não ao olho-corpo. É porque a obra de arte transcende o espaço mecânico que, nela, as noções de causa e efeito perdem qualquer validez, e as noções de tempo, espaço, forma, cor estão de tal modo integradas - pelo fato mesmo de que não preexistiam, como noções, à obra - que seria impossível falar delas como de termos decomponíveis. A arte neoconcreta, afirmando a integração absoluta desses elementos, acredita que o vocabulário “geométrico” que utiliza pode assumir a expressão de realidades humanas complexas, tal como o provam muitas das obras de Mondrian, Malevitch, Pevsner, Gabo, Sofia Taueber-Arp etc. Se mesmo esses artistas às vezes confundiam o conceito de forma-mecânica com o de forma-expressiva, urge esclarecer que, na linguagem da arte, as formas ditas geométricas perdem o caráter objetivo da geometria para se fazerem veículo da imaginação. [...] Trecho do Manifesto Neoconcreto (1959), assinado por Ferreira Gullar, Amílcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark, Lygia Pape, Reynaldo Jardim & Theon Spanúdis.

MAS ANTES QUE SE ACABE – Mas antes que se acabe / toda essa felicidade, perde-a, detendo-a, / toma-lhe a medida, antes que ela ultrapasse o teu gesto; / ultrapassa-a, / ver se ela cabe estendida em tua extensão. / Bem lhe sei pela chave, / conquanto não saiba, às vezes, se esta felicidade / anda só, apoiada em teu infortúnio, / ou se vibra, só para te dar gosto, em tuas falanges. / Bem a sei única, sozinha, / de uma sabedoria solitária. / Em tua orelha a cartilagem está bela / e te escrevo por isso, te medito: / não te esqueças, em teu sonho, de pensar que és feliz, / que a felicidade é uma coisa profunda, quando acaba, / mas quando começa, assume / um católico aroma de haste morta. / Mofando de tua morte, / o chapéu até as orelhas, / alvo, te desvias ao ganhar tua batalha de escadas, / soldado do talo, filosofo do grão, mecânico do sonho. / (Me percebes, animal?) / me deixo comparar por meu tamanho? / Não respondes e me olhas silencioso / através da idade da tua palavra.) / Desviando assim tua felicidade, tua língua / voltará a chamá-la, a despedi-la, ; felicidade tão desgraçada de durar. / Antes, se acabará violentamente, / dentada, pedernalina estampa, / e então ouvirás como medito, / e então saberás, ao tocá-la, como a tua sombra / é esta minha sombra desvestida / e então farejarás como eu sofri. Poema Mas antes que se acabe dos Poemas Humanos (1932-1937), extraídos da Poesia completa (Philobiblion, 1984), do poeta vanguardista e dramaturgo peruano César Vallejo (1892-1938). Veja mais aqui.

AS PENAS DO MUNDO - [...] A poesia, sempre arraigada na dor que subjaz aos enganos da clarividência, pode surgir, de repente, da simples alteração do sentido comum de uma palavra ou de uma imagem e gerar desordens consideráveis em qualquer tipo de situação, porque, no fundo, a poesia sempre foi uma arma eficaz para desmantelar a pasmaceira semântica que se instala, com excessiva freqüência, no cérebro humano quando este se defronta com qualquer evento que não se encaixa no habitar da normalidade. Os atentados poéticos, contudo, não têm o objetivo de aniquilar pessoas nem demolir edifícios. Mesmo sendo agressivos, eles afetam exclusivamente o engessamento das linguagens, a rigidez e a intransigência dos códigos fortes inventados pelos seres ditos racionais para fixar fronteiras em arrogantes cartografias. As rupturas poéticas, por conseguinte, rumam na direção dessa inteireza planetária que se vislumbra, desde o tempo em que nossos mais remotos ancestrais escreviam signos rudimentares, nos sentimentos limpos que se moldavam nos favos da colméia de uma identidade primordial. Desfeita tal colméia e rotulados os restos que dela ficaram com as palavras “teu” e “meu”, os processos de comunicação se tornaram cada vez mais complexos e neles se presevaram resíduos de certas hecatombes que se opõem à poesia deixando amargo sabor de que a dor, como confessa César Vallejo em Poemas Humanos, cresce no mundo a cada instante, cresce em velocidade de trinta minutos por segundos [...].  Trechos do artigo As penas do mundo (Bravo, nov-2001), de Eduardo Peñuela Canizal.

O TERROR DAS FÁBULAS - [...] Se observarmos o uso comum das palavras, logo nos damos conta de que a palavra mito sobrevive principalmente em duas acepções. De um lado, a que remete a um absoluto, a algo de prodigioso além do qual não se pode ir. É nisso que pensa o publicitário quanto escolhe a expressão “O mito integral” para designar o carro a ser glorificado. “Mítico”, aqui, é portanto algo envolto pela aura do extremo. O segundo significado é bem o oposto: por todos os lados vemos cercados por pessoas que declaram não acreditar no “mito” de alguma coisa, que combatem e o condenam ao desprezo publico. Aqui mito assume simplesmente o significado de “mentira”: uma mentira geralmente imaginosa, acompanhada de algo pathos, que a mente livre deve afastar e derrotar. Por trás da banalidade desoladora dessas duas acepções da palavra mito, creio que se oculte uma longa história, tudo menos banal. Melhor, diria que nela se escancara a própria voragem da história. [...] o mito é justamente um conhecimento do simulacro através do simulacro. O relato mítico não só não se opõe ao “oceano infinito da dessemelhança”, mas parece exaltá-lo, como se pudesse ultrapassar a barreira variada do aparecer. [...] O primeiro sintoma do terror das fábulas foi assim a elaboração de uma certa reconstrução teórica de sua origem. A função de tal pratica exorcista era primeiramente obliterar o fato de que o próprio mito nascia como uma teoria omnicompreensiva e auto-suficiente. [...] os perigos da imitação: as histórias míticas, por sua natureza, induzem a alma a imitá0las, como se pertencessem inevitavelmente à circulação dos simulacros. [...] os gestos dos mitos sejam modelos para as ações humanas nos é assegurado, pela primeira vez, na Ilíada. [...] quando observamos ao nosso redor o espetáculo do mundo, já nos encontramos dentro de um mito. [...] Aquelas histórias são uma paisagem, são a nossa paisagem, simulacros hostis e convidativos que ninguém inventou, que continuamos a encontrar, que de nós esperam somente serem reconhecidos. Assim, agora podemos confessar-nos o que era, o que é aquele antigo terror que as fabulas continuam a incutir. Não é nada diferente do terror que é o primeiro dentre todos: o terror do mundo, o terror perante seu enigma mudo, enganador, opressivo. Terror diante deste lugar da metamorfose perene, da epifania, que inclui primeiro nossa mente, onde assistimos sem trégua à dança dos simulacros. [...] é o próprio mito que já nos interpreta [...]. Trechos de O terror das fábulas, extraída da obra Os 49 degraus (Companhia das Letras, 1997) do escritor e ensaísta italiano Roberto Calasso. Veja mais aqui.
  
OS VIVOS E OS MORTOS – Uma vez, passando Jesus por um campo de sepulturas, encontrou um jovem estava de joelhos e chorava junto a uma delas. Ao vê-lo, Jesus se compadeceu da sua dor e, aproximando-se, disse-lhe: - Jovem, por que choras? Voltando-se, o jovem estendeu a mão e respondeu: - Minha mãe está aqui há três dias. – Não, meu filho – disse-lhe Jesus – tua mãe não está aqui. aqui só estão depositados todos os despojos últimos que ela abandonou. Por que choras, pois, sobre esses despojos? Levanta-te, caminha, que tua mãe te espera. O desesperado jovem moveu tristemente a cabeça e disse: - Não, esperarei aqui até que venha a morte, e ela virá. Então, eu o sei, irei reunir-me à minha mãe. Replicou Jesus: - A morte espera a morte e a vida vai em busca da vida! Não entristeças com uma dor egoísta e estéril a alma daquela que te precedeu; não retardes a sua marcha para com Deus com teu desespero e com a tua inércia. O amor de tua mãe vive ainda em seu coração e tu não o perderás nunca se o fizerdes viver dignamente em ti. Jovem, em vez de chorares a tua mãe, ressuscita-a! não me olhes com admiração, nem julgues que me divirto com tua dor. Aquela cuja perda lamentas, está sempre perto de ti; um dos véus que separava as vossas almas acaba de cair; ficou ainda um, entretanto. E estais separado hoje unicamente por este véu, deveis viver um para o outro. Tu trabalharás para ela, e ela rogará por tu. – Como trabalharei para ela? – perguntou o órfão. – Agora que ela está debaixo da terra, não tem mais necessidade de coisa alguma. – Enganas-te, meu filho – disse Jesus. Tu confundes a alma com o vestuário. Por isso digo-te: levanta-te e caminha, porque a alma de tua mãe se levantará e caminhará contigo, e tu a ressuscitará em ti, frutificando o seu pensamento e o seu amor. Ela tem um corpo na Terra – é o teu. Tu tens uma alma no Céu – é a dela. Se este corpo e esta alma caminharem juntos, tua mãe reviverá. Acredita-me, filho, o pensamento e o amor não morrem nunca e aqueles que tu supões mortos, vivem mais do que pensas e cada vez mais se amam. Filho, os verdadeiros mortos são aqueles que não pensam e não amam, pois trabalham para a corrupção, e a corrupção por sua vez os consumirá. O jovem, então, levantou-se, suas lágrimas cessaram de correr e ele contemplou a face do Cristo, cujos olhos eram resplandecentes de imortalidade. Tomando o jovem pela mão, disse Jesus: - Vem. O Cristo conduziu o jovem ao alto de uma colina, que dominava a cidade e de onde esta podia ser vista. E disse: - Contempla, filho, a verdade cidade das sepulturas. Lá, nesses palácios que entristecem os horizontes é que estão os mortos que necessitam ser chorados. Moço que choravas e cujas lagrimas secaram-se ante as minhas palavras, chora e sofre agora por esses mortos. Sofre por aqueles que se julgam vivos e que não passam de cadáveres atormentados. Jovem, mantém-te disposto e cuida para não morrer da verdadeira morte, que hoje te mostro! Vive para aqueles a quem amas e não chores por aqueles que tenham alcançado mais um grau na escala da vida. Choras, antes, pelos que não pensam em ti e não te amam. Em verdade te digo, que a humanidade não tem mais do que um corpo e uma alma. Um membro que há não é sensível ao bem-estar e à dor dos outros membros, está em verdade morto, e será suprimido em breve. Texto Os vivos e os mortos (Lótus Branco, 1917), do escritor e ocultista francês Eliphas Lévi (1810-1875).

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A LITERATURA DE SOCORO DURÁN
Para amar uma terra,
É preciso conhecer suas raízes,
Ver com o olhar do coração
E enxergar com a alma
Os tesouros ao seu lado,
Às vezes despercebidos.
Sobretudo respeitar seu povo,
Sua identidade,
Valores e tradições.
Extraído da obra O casamento da Doida do Bambu com o Neguinho do Tibungo (Autor, 2016), da escritora e professora Maria do Socorro Barros y Durán. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, dezembro 21, 2015

POUND, TERTULIANO, KIRINUS, CALASSO, LENDAS ÁRABES & MUITO MAIS!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? PERDOAR UMA TRAIÇÃO - Em vários momentos da vida presenciamos ou somos vítimas de atos de traição, coisa corriqueira a qual ninguém está ileso. A cena da peça shakespeariana Júlio Cesar (1599), com a sua famosa frase “Até tu, Brutus”, tem se perpetuado ao longo dos anos. Nas empresas, nas escolas, nas instituições, em qualquer lugar, pode-se presenciar o pé na goela de uns e outros, puxando a língua e enfiando o outro buraco abaixo. É a lei da concorrência, da competitividade. E vencer em detrimento de todos, a glória da conquista, da vitória de um sobre quem quer que seja. Pra se ter ideia, na semana passada eu vi um amigo completamente desorientado com o desenlace de um idílio que se dava como para sempre. Era que ele e a sua amada personificavam satiríase e ninfomania, às maiores juras de amor eterno. Carne e unha, o mundo nem ninguém mais existiam: só eles. Trancafiados em sua paixão, os dois seguiram por anos até que um dia ele faliu, ela pulou fora – disse-me ele completamente transtornado pela indignação que, na verdade, ela acabou num dia e, no outro, já perdia a caçola com outro. E completamente atordoado começou a dizer de forma atrapalhada que ela, ainda por cima, para justificar seu procedimento, o culpava por tudo, ao mesmo tempo em que lamentava as saudades e que sentia falta dele e que o mantinha no coração como um segredo só deles, que o outro atual não soubesse. Triste, mas até o amor não resiste à falta de dinheiro. E repetia ele completamente desconsolado: era tudo mentira e sedução. Procurei ao máximo manifestar apoio e solidariedade, ao mesmo tempo em que repassava os tristes fins de amores como o de Abelardo e Heloisa, Tristão e Isolda, e tantos e muitos outros que já trouxe aqui em edições passadas. Alguns findam comumente como a tragédia que envolveu o assassinato do escritor Euclides da Cunha, ou nas manchetes de jornais em que homens acometidos por excesso passional trucidam a amada por julgá-la ser dele e mais ninguém. Casos e casos ilustram os inquéritos policiais e processos judiciais. Não há como mensurar a dor de quem se sente traído. O que me resta dizer, que tudo isso é do umbigocentrismo que tornou agudo o individualismo possessivo, transformando as pessoas em reféns de consumo e posse. Acumular, desde as mais remotas eras, tem sido a tônica: mais poder, mais dinheiro, ser maior e melhor, almejando um gigantismo (que não é nada mais que ser menor que o próprio tamanho), que só satisfaz aos infelizes egoístas e a sua claque de baba-ovo, não se percebendo o que Freud chamava de conflito entre o princípio do prazer e o princípio da realidade. Passam-se anos e milênios e não aprendemos a sermos superiores. Então é preciso saber que perdoar é uma das mais nobres formas de valorizar o verdadeiro sentido da vida. E vamos aprumar a conversa aqui.

PICADINHO

Venus at a forest pool, do pintor e professor francês Thomas Couture (1815-1879)


Curtindo Luzia (Polygram, 1998), do guitarrista e compositor flamengo espanhol Paco de Lucía (1947-2014).

O PROBO ORGASMO – No livro 49 degraus (Companhia das Letras, 1997), do ensaísta italiano Roberto Calasso, encontro O probo orgasmo em que ele fala de Wilhelm Reich: O casamento místico entre marxismo e psicanalise, a denuncia dos erros da família, a reabilitação dos esquizofrênicos, o orgasmo como panaceia: todos esses temas, pelos quais durante anos nos batemos e debatemos sem cessar, com pedantismo [...] Profeta, cientista, crítico da sociedade, charlatão cósmico – Reich era sobretudo um visionário desesperadamente dominado por uma única visão, que considerava ser, como é óbvio, a chave do universo. Tinha, além disso, um dos vícios mais graves que podem enganar um visionário: o literalismo, o culto dos fatos, da real thing, da medida quantitativa, da formula resolutória. Assim, não lhe bastou introduzir uma noção inconveniente como a do orgasmo no centro da psicanalise. [...] Pretendeu ir mais longo, com passo de elefante: quis acreditar que a palavra biologia ou qualquer aparelho de medida estranho garantissem sozinhos uma abordagem segura para os segredos do mundo, permitindo-lhe tocar, ver, quantificar a fantástica e inapreensível energia orgânica que pensava ter descoberto [...]. E veja mais aqui.

JOSÉ E A MULHER DE PUTIFAR – Entre as Lendas Religiosas Árabes (Cultrix, 1962), reunidas por Jamil Almansur Haddad, encontro a de José e a mulher de Putifar: Foi na época de El Raiân que entrou no Egito um jovem vindo da Síria, que seus irmãos, astuciosamente, haviam conseguido vender. As caravanas da Síria acampavam-se no lugar que hoje tem o nome de El Maouqef. O jovem, parado ali, foi posto à venda. Era José, filho de Jacó. Putifar comprou-o para dá-lo de presente ao rei. Quando o levou ao palácio, sua mulher Zuleika, que era sua prima, viu-o e disse: “Deixai-o para nós; educa-lo-emos, e ele nos servirá”. Então, aconteceu-lhe o que Deus conta no Corão. Ela ocultou o seu amor até que não pode resistir mais. Então se retirou com José, enfeitou-se para ele, e fez-lhe saber que o amava; e se consentisse no que ela quisesse, dar-lhe-ia riquezas consideráveis. Ele recusou-se. Ela imaginou que o venceria, e não cessou de persegui-lo, não obstante a resistência, até que o seu marido apareceu, enquanto ele se esquivava da conquistadora. El ‘Aziz era eunuco e não podia aproximar-se de mulheres. José desculpou-se perante ele, mas ela falou: “Eu dormia e ele veio agarrar-me à força”. Mas testemunhas vieram e declararam que a culpa era da mulher. “Deixai disso”, disse Putifar a José, ou melhor – “deixai dessas desculpas”. Depois disse à sua mulher: “Pede perdão por tua culpa...”. [...] “Não é possível”; - disse Zuleika – “mas já que ele se recusa, eu proibir-lhe-ei qualquer entretenimento; aprisiona-lo-ei e tomarei tudo o que lhe dei”. José respondeu: “Prefiro a prisão ao que se pretende de mim”. Então, ela jurou por seu deus – era uma estatua de esmeralda verde, de nome Mercúrio – que se ele não obedecesse, faria executar imediatamente as suas ameaças. Ordenou que lhe tirassem as vestimentas régias, o vestissem de lã, e pediu a El ‘Aziz aprisiona-lo para fazer cessar as acusações lançadas contra ela. Seu marido ordenou que ele fosse preso. Veja mais aqui.

UM POEMA DE POUND – No livro Poesia (Hucitec/EdUnB, 1983), do poeta, músico e crítico literário estadunidense Ezra Pound (1885-1972), organizado por Augusto de Campos, encontro o belo poema Alba: Enquanto o rouxinol à sua amante / gorgeia a noite inteira e o dia entrante / com meu amor observo arfante / cada flor / cada odor, / até que o vigilante lá da torre / grite: / “Levanta, patife, sus! / Vê, já reluz / a luz, / depressa, corre, / que a noite morre...”. Veja mais aqui e aqui.

INCOMPATIBILIDADE ENTRE A VERDADEIRA RELIGIÃO E O TEATRO – No livro A Moda Feminina / Os espetáculos (Verbo, 1974), do prolífico autor das primeiras fases do cristianismo, Tertuliano (160-220dC), encontro o trecho sobre a incompatibilidade entre a verdadeira religião e o teatro: Considerai, servos de Deus, o que as exigências da fé, um bom sistema doutrinal e um estatuto disciplinar, entre outros, podem fazer para nos livrar do engodo dos erros mundanos, nomeadamente das representações teatrais; vós que andais muito perto de Deus como tendes testemunhado e confessado, examinai isto de novo para que ninguém resvale no pecado por ignorância ou fazendo vista grossa. Tão grande é o poder de arraste dos prazeres que chega a abrir ocasião de pecas nas trevas da ignorância, e a fazer que a consciência se iluda a si mesma. Talvez alicie às duas coisas a mais que um pensar o dos pagãos vezeiros em arguir conosco nesta questão pro este modo: que nenhum detrimento advem à religião que é coisa espiritual, e menos à consciência, uma tal ou qual avidez de olhos e ouvidos para o que se arma lá fora; nem Deus se vai ofender, por outra parte, com o deleite que o homem haja, nem é crime algum gozar dele em seu tempo e lugar; contanto que se mantenha o temor de Deus e se lhe prestem as honras devidas [...]. Veja mais aqui.

COISAS DE CINEMA – No livro História da riqueza do homem (LTC, 1986), do jornalista e escritor marxista estadunidense Leo Huberman (1903-1968), encontro o trecho em que ele fala: Os diretores dos filmes antigos costumavam fazer coisas estranhas. Uma das mais curiosas era seu hábito de mostrar as pessoas andando de carro, depois descerem atabalhoadamente e se afastarem sem pagar ao motorista. Rodavam por toda cidade, divertiam-se, ou se dirigiam a seus negócios, e isso era tudo. Sem ser preciso pagar nada. Assemelhavam-se em muito à maioria dos livros da Idade Média, que, por páginas e páginas, falavam de cavaleiros e damas, engalanados em suas armaduras brilhantes e vestidos alegres, em torneios e jogos. Sempre viviam em castelos esplendidos, com fartura de comida e bebida. Poucos indícios há de que alguém devia produzir todas essas coisas, que armaduras não crescem em árvores, e que os alimentos, que realmente crescem, tem que ser plantados e cuidados. Mas assim é. E tal como é necessário pagar por uma corrida de táxi, assim alguém, nos séculos X e XII, tinha que pagar pelas diversões e coisas boas que os cavaleiros e damas desfrutavam. Também alguém tinha que fornecer alimentação e vestuário para os clérigos e padres que pregavam, enquanto cavaleiros lutavam. Além desses pregadores e lutadores existia, na Idade Média, um outro grupo: os trabalhadores. A sociedade feudal consistia dessas três classe – sacerdotes, guerreiros e trabalhadores, sendo que o homem que trabalhava produzia para ambas as outras classes, eclesiástica e militar. [...]. Veja mais aqui.

AS PREVISÕES DO DORO PARA 2016 – As previsões para 2016 do mestre Dorus está bombando na rede. Além de trazer as orientações de procedimentos quanto ao amor, saúde e dia a dia de cada signo, o cara-de-pau ainda dá de troco duas simpatias: a da virada do ano e a Tiro e Queda. Aproveite para conferir e dar boas risadas aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do artista plástico brasileiro Wesley Duke Lee (1931-2010)

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à escritora peruana do Brasil (ou brasileira do Peru, tanto faz!) Glória Kirinus. Veja aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sábado, maio 29, 2010

BOLERO, UPDIKE, NELSON, CALASSO, TRIO IMAGENS, FREDERICO BARBOSA, IRMA ÁLVAREZ, AERCIO KAUFFMAN & MUITO MAIS!!!!



BOLERO – À meia luz, mão na mão, passo a passo. E a pele lua de algodão pousa leve como um pássaro levitando nos meus braços agudos. São dois passos lá demovendo todas as nuvens do meu sexo. Dois passos cá, uivando nua, possuída de vida que não troca nada de si por nada desse mundo, só a girar embalada pelo ensaio que se faz chama na fúria íntima e se alastra fogo vivo em nossa alma. Pro mundo é noite calma, enquanto em nossa carne a terra cresce ruidosa, desembestada, ciclone rompendo a órbita de todos os ventos que revolvem as entranhas nos campos magnéticos da celebração dos quadris. A dança e o perfume me recolhem insepulto de ontem na noite, capturado pela teia que arde e retorce nosso lençol de nada e eu como um deus sacudindo a vida pelas labaredas da boca, pelas chamas do ventre à medida do coração. A cada enleio sua manha enreda e desvencilha e torna a enredar, infindável urdidura na taça do meu sexo. E se adoça com os meus venenos até acender em sua mão lépida efervescente a fazer de mim lascivamente eletrizado até sentir-lhe a boca do útero e tudo adensa e cresce rodopiante mundo, enquanto sou Ravel extasiado e você bolero nas minhas veias até transbordar nossas emoções avassaladoras. A dança e o corpo nu inteirinho colado ao meu, fincado no salão do amor, inundando tudo, corpo saqueado no apelo do bolero e dançamos, rodeamos, rodopiamos, mão na sua e na cintura, o salão, o corpo inteiro e a noite inteira danças intensas até o último portal do prazer: começaria tudo outra vez. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


Imagem: Standing nude, de Norman Engel.


Curtindo o álbum ao vivo Tangos, do Trio Images, formado por Cecília Guida (violino), Henrique Müler (viola) e Achille Picchi (piano). Veja mais aqui.

EPÍGRAFE – Aos quinze / uma borboleta negra / pousou em mim / me descobri escuro / olhos vidrados na morte / gritos mancos no corredor / era só um bicgo / e eu o monstro voador, poema extraído do livro Louco no oco sem beiras (Ateliê, 2001), do poeta, crítico literário e professor Frederico Barbosa. Veja mais aqui, aqui e aqui.

OS 49 DEGRAUS – O livro 49 degraus (Companhia das Letras, 1997), do ensaísta italiano Roberto Calasso, trata sobre o caráter egípcio da arte, a opinião e o monologo fatal, petite musique, os leitores de Schereber, Brecht, o probo orgasmo, os fundamento da garrafa de um refrigerante, a sereia Adorno, epopeia da alucinação, iontrigas de caixeiro-viajante, iluminação profana, ordalio das palavras impossíveis, esconderijos, prelúdio, tumba apócrifa, a guerra perpétua, o terror das fábulas, entre outros assuntos. Veja mais aqui e aqui.

GERTRUDES E CLÁUDIO – O romance Gertrudes e Cláudio (Companhia das Letras, 2001), do escritor e critico literário estadunidense John Updike (1932-2009), conta a história que precede imediatamente os fatos de Hamlet, de William Shakespeare, na qual o autor narra a vida de Gertrudes, mãe do príncipe da Dinamarca, até o momento de seus casamento com Cláudio, tio de Hamlet. Da obra destaco o trecho: [...] Fosse como fosse, apesar daquela calamidade, o reino,c ercado de inimigos ativops, precisava ser administrado, e a pobre rainha tinha de ser consolada. Quem melhor para assumir tal responsabilidade que o irmão do rei, já que o príncipe, filho único, havia mais de dez anos vivia entregue a estudos inúteis, encerrado nos muros de Wittenberg? Veja mais aqui e aqui.

E EU ACREDITEI - Entre os poemas do poeta Aecio Kauffmann, destaco E eu acreditei: Amigo, sou qüera pronto / xiru, dos recomendados, / mas, virge..! que ando , já, tonto / cabreiro e sacaneado .. /Aporreado..A La fresca !. / Já tô é meio manguço, / qual pingo que não se afresca / se o índio, em cima é pinguço. / Mas vou tenteando a indiada / nos bretes da pensação- / que uns já não crêem em nada, / já estão em desolação. / É o aluguel do potreiro, / os trocos p'ra faculdade. / bolicho, mais o padeiro / sem sobras p'ra amenidades. / E amenidades, lês digo, / são coisas que ainda, enfim, / ficam por fora do umbigo: / o lenço, o laço e os carpins. / Aqui o vivente marca, / na gola, a pilcha- saideira, / que é traste que está na arca / e só sai nas domingueiras. / Que é quando tem batizado, / casório e/ou comunhão; / um cola atada, animado / e, as veis ,encomendação. / Falei da pilcha e, agora / me vou direito à farmácia. / Aqui a erva vai embora / p'ra quem não tem Anastácia / Que benze, sangra e receita / e faz até simpatia / p'ra dor de dente ou maleita / e cura melancolia. / Só não cura sangue morno / nem faz com que brote grana / nos bolsos,nem com suborno, / cá do milico sacana, / que acreditou...não devia / na " fala mansa "de oragos; confiando em cidadania / levou um chute nos pagosl / E, aqui , eu creio, se encaixa / ditado da Tia Nora /  "quem muito, filho, se abaixa / fica co'os glúteos de fora " / E, hoje, temos raladus, / vivendo às ordens do Rei.. / Estamos quase pelados / enquanto os  Alves e grei / Estufam as suas guaiacas / por graça das loteria, / enquanto ,nós os panacas, / marcamos bobeira e fria. / É um salve-se quem puder / " um tiroteio de morte " / no mínimo temos clister / e isto p'ra quem tem sorte. / Enquanto isto a cambada  / ,vai se ajeitando, rapaz. / e vão, de mão , na parada / se defendendo, no mais. / E a turma é barra pesada / e não dá chance a ninguém.. / A coca paga a mesada.. / Maconha é troco... é vintém. / Enquanto nós cá vivemos / na esperança de um dia /  repor o que já perdemos / ( nem falo de isonomia). / Vivemos destas notícias / que espalham, celeremente, / aqui e ali , nas milícias, / gozando, eu creio, co'a gente. / Um gajo dizia... o fato / sai hoje, até nos jornais / São cinco - p'ra dar impacto- /  de aumento cá p'ros baguais. / E, boca a boca , se espalha / A tal boa nova e então / É fogo, é fogo de palha.. / Mas ninguém o contesta não. / Uns já dizem, em segredo, / -foi medida provisória- / Outros, mais baixinho e á medo / levam fé na tal história. / Inda outros, em cochichos / já discutem porcentagens / Cinco é pouço! É nada ! `É micho ! / Mais de trinta é que vantagem. / E quem antes afirmava / Escorado por " falares" / Já agora argumentava / Dando ao fato veros ares. / Mil histórias, minha gente, / espoucaram desde então, / mas de aumento, minha gente, / niguém sabe, nem viu não. / O pior é que, por conta, / "decolaram voadores" /  p'robras de pequena monta / e alguns cheques p'ra doutores. / Não saiu.....Tem gente em alas; / co'a cabeça posta a prêmio.. / vão chamar o qüera às falas, / vão cortar-lhe o oxigênio. / O salseiro vai ser grosso / p'ro xiru que bancou fria. / Já que gajo deu endosso / e afirmou que o galo mia. / Vai pular que nem cabrito / p'ra explicar - se é que pode-que, no rito, o bom de grito / é o mais velho. / É o Mestre. É o Bode!! /  AECIO KAUFFMANN - Aecio Kauffmann Colombo da Silva por ele mesmo: "Sou dístimico.Idiopático. Esquizóide. Aristocrático. Tudo isto eu sou porque adoro a solidão. Se me alegro, vem logo um apelido, que é um tal de extrovertido. Se me zango... Dizem temperamental. Mas quem sabe o que é dialética vê que a síndrome é patética. Não tem razão afinal. Hiperomotivo "uma ova " sou o sou mesmo em trova um vovô bem bossa nova". Conheça mais do autor no Clube Caiubi de Compositores e no MySpace.Veja mais aqui.



ENGRAÇADINHA DEPOIS DOS TRINTA – A peça      Engraçadinha depois dos trinta, do dramaturgo, jornalista e escritor Nelson Rodrigues (1912-1980), conta a história que se passa no Rio de Janeiro, de 1959, de uma senhora que está casa, tem filhos e vive sob uma pesada atmosfera religiosa, na qual tenta esconder as lembranças de seu passado libidinoso. Mas um reencontro com um certo doutor, antigo admirador de seu pai e um eterno apaixonado por ela, faz com que relembre as loucuras da juventude, agora revivida por sua filha. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

ENGRAÇADINHA DEPOIS DOS TRINTA – O drama Engraçadinha Depois dos Trinta (1966), dirigido por J. B. Tanko, baseado na obra de Nelson Rodrigues, conta a história de um senhor que se encontra insatisfeito com seu casamento e passeia pela cidade em busca de flertes eventuais. É quando conhece uma estudante, mas ao ser apresentado a sua família, se encanta pela jovem mãe da moça. O destaque do filme fica por conta da atuação da atriz argentina naturalizada brasileira Irma Álvarez (1933-2007). Veja mais aqui.

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                                       Todo dia é dia da atriz Irma Álvarez (1933-2007).




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    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...