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domingo, junho 06, 2021

COMTE-SPONVILLE, ELENI KARAINDROU, VASCO PRATOLINI, KIM KASHKASHIAN, CLÓVIS PEREIRA, TINA MARIA ELENA & RECIFE


  

TRIPTICO DQP – Um ladrão no espelho... - Ao som performático da violista e professora estadunidense Kim Kashkashian. - De novo, nada refletido. Acho mesmo que não mais existo, falta alguém me avisar, parece. Já saindo: Ei! Quem é você? Sou um ladrão. Pronto, essa é boa! Aí encarei: Por acaso você é Ahmed da Corporação dos Ladrões de Marrakesh saído dos insólitos de Raymond Bernard ou do racxasa do Panchatantra? Não. Então o que está fazendo no meu espelho, hem? E começou uma história bonita, cheia de subterfúgios contando a respeito dum caso lá d’O cocheiro, a mulher e o amante. Muita conversa para boi dormir, imagine. Fiz de ouvinte e lembro haver mencionado que vivia numa região de Klondike, perto do Estreito de Bering, era muito rico, possuía de tudo e que, se eu quisesse ir para lá, era só afanar, requestar, trapacear ou coisa que valha, submeter-se ao monsenhor Dassy de Tharn, e poderia desfrutar do que é controle total e o melhor da vida. Ora, ora. Conheço essa história, mas logo pra cima de mim? Sempre tive naquela do velho Machado de Assis: A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito; e ouvia no pé do ouvido desde menino, meu pai citar Catão: Os ladrões de bens particulares passam a vida na prisão e acorrentados; aqueles de bens públicos, nas riquezas e nas honrarias. E, vigente até hoje principalmente no Brasil, o que dizia Lao-Tsé: Quanto maior o número de leis, tanto maior o número de ladrões; e o impagável Marquês de Maricá sacramentando na boa: O roubo de milhões enobrece os ladrões. Afora a experiência de adolescente presenciar a prisão de um amigo de infância, Roberto Ladrão, hoje trabalhador numa casa lotérica e, ao que dizem, completamente regenerado, queria mais o quê? Pelo visto, nenhuma chance. Calma lá! Nenhum diálogo, pode cair fora do meu espelho. Eu vou roubar sua alma! Vôte! Tenho tudo, mas não tenho vida, preciso da sua alma para poder desfrutar de tudo que acumulei! Agora, deu! E veio pra cima de mim com o papo d’A arte de furtar e saiu sapecando O sermão do bom ladrão e tetei, borogodó, cacacá, pra lá e pra cá. Peraí, meu, vá arrumar uma boa lavagem de roupa que eu tenho mais o que fazer, viu? Não adianta, só vou quando conseguir. Então, fique aí ou vá ver se eu estou lá na esquina, que é melhor, tá? Tichausis. É cada uma que me aparece!

 


Dois baques e nenhuma saída, Terezinha... - Ao som do Concert in Istanbul (2012), da compositora grega Eleni Karaindrou, imagens da artista franco-dinamarquesa Tina Maria Elena Da primeira vez, éramos estudantes do primário, ela na outra sala, qualquer fresta eu pregava o olhar nela e ao se dar conta da minha fixação ou virava de lado ou olhava pro céu. Assim foram os quatro anos naquela escola infantil, de lá saí pro ginásio de nunca mais vê-la. Da segunda vez, na esquina da faculdade, ela viúva de um amigo meu e eu sequer sabia, que coisa! Rolou um papo longo e, depois, um clima que se prolongou da sexta por todo final de semana. Parecia que ela queria se redimir da rejeição infantil, não sei. E foi só, desaparecera de sequer saber seu paradeiro depois de um tanto de buscas. Conversamos de tudo de nossas vivências, mas como sou desligado, não peguei seu telefone, nem sei onde trabalhava ou estudava, perdi. Estava naquela do André Comte-Sponville: Esperar um pouco menos, amar um pouco mais. É, quem sabe. Da terceira vez... Não houve, apenas uma carta como a d’Aquela moça do Vasco Pratolini, quase. Lembrei dela e levei flores, no coração o que foi de nós e nosso.

 


Três boatos e uma verdade: o Recife isolado do mundo. - Ao som de Três Peças Nordestinas, do compositor, arranjador, pianista e regente Clóvis Pereira, com a Orquestra da ULBRA, regência Tiago Flores. – A carta dela veio acompanhada de dois livros, três boatos e só uma verdade. O primeiro boato dava conta de que o mar ia engolir o Recife, maior torada de aço. Pense num papo chato, esse. O segundo era também de longas datas e de deixar os cabelos em pé: que a barragem de Tapacurá estava para se romper. Não tinha quem não dissesse: Vai ser um estrago da porra! Abri o livro e lá estava: Tapacurá: viagem ao planeta dos boatos (CEPE, 2015), do escritor e jornalista Homero Fonseca. Aí, o terceiro, foi verdade. E tanto que consta das páginas do Memorial da redação (FCCR/SJPEP, 1989), do jornalista Fernando Menezes, O dia em que o Recife ficou isolado do mundo: No começo dos anos 1960 [...] Um DC-7 da Panair, que regressava de Lisboa, o chamado “Voo da Amizade” cairia um pouco antes da pista. As primeiras notícias davam conta de mais de 60 mortos (na verdade foram 67), havia sobreviventes feridos em vários hospitais, sobretudo no Hospital da Aeronáutica [...] Assim foi naquele 1º de novembro de 1961, uma lição viva e aprendida, um episódio que o tempo apagou. Nele se confirmou uma regra clássica e a competência de dois grandes profissionais [...]. Folheei ambos os volumes e, cá comigo, passava na minha cabeça qual seria o meu delírio comunista e, confesso, meio embatucado com a papa que virou o exército brasileiro, se bem que desde menino nunca fui muito achegado às fardas policiais – passei a infância e a adolescência toda na repressão do golpe de 1964 -, sempre olhei de soslaio e com um bocado de antipatia. Isso só foi um tanto debelado das minhas chaturas, ao conhecer de perto alguns oficiais graduados nas faculdades, que me deram até lição de humanidade. Mas depois do golpe lavajatista e da jogada pro Coisonário, nossa, meu país virou uma bandeira rasgada no meio de um genocídio da pior melecagem, infelizmente. Até mais ver.

 

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sábado, maio 26, 2012

CLARICE, RAYMOND BERNARD, FREUD, JAPIASSU, PSICANÁLISE & FECOM!


FELICIDADE CLANDESTINA – [...] Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. [...] Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. [...]. Trecho extraído da obra Felicidade clandestina e outros contos (Rocco, 1998), da premiada escritora e jornalista Clarice Lispector (1920-1977). Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA: Nada é impuro entre dois seres que se amam, pensamento do filósofo e escritor místico francês, Raimond Bernard. Veja mais aqui.

A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS[...] Não tenho coragem para me erguer diante dos meus semelhantes como um profeta e aceito a censura de que não posso oferece-lhes consolação, no fundo, é o que todos os homens estão pedindo [...]. Trecho extraído da obra A interpretação dos sonhos (Círculo do Livro, 1989), do médico neurologista e criador da Psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939). Veja mais aqui e aqui.

O SABER & A LIBERDADE – [...] saber é um dever, um risco que cada indivíduo deve correr conscientemente para ter acesso ao estatuto de sujeito livre e racional [...]. Trecho extraído da obra Desistir de Pensar? Nem Pensar! (Letras& Letras, 2001), do epistemólogo e professor doutor em Filosofia pela Université des Sciences Sociales de Grenoble (França) e pós-doutorado pela Universitsé des Sciences Humaines de Strasbourg (França), Hilton Japiassu. Veja mais aqui e aqui.

FUNDAMENTOS DA TÉCNICA PSICANALÍTICA – O livro Fundamentos da técnica psicanalítica, de R. Horácio Etchegoyen, é dividido em seis partes. A primeira delas trata da introdução aos problemas da técnica; segunda sobre transferência e contraferescência; a terceira, da interpretação e outros instrumentos; a quarta, da natureza do processo analítico; a quinta, das etapas da análise; e a sexta sobre as vicissitudes do processo analítico. REFERÊNCIA: ETCHEGOYEN, R. Horacio. Fundamentos da técnica psicanalítica. Porto Alegre: Artmed, 2004. Veja mais aqui e aqui.

INTERFACES DA PSICANÁLISE – O livro Interfaces da psicanálise, de Renato Mezan, trata dos momentos da história psicanalítica a partir da origem e contexto da interpretação dos sonhos, as ideias de Freud, o inconsciente de Karl Abraham, a psicanálise no século e as subjetividades contemporâneas, a psicanálise e a cultura, a universidade e a epistemologia da psicanálise. REFERÊNCIA: MEZAN, Renato. Interfaces da psicanálise. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2002.

MANUAL DA TÉCNICA PSICANALÍTICA – O livro Manual da técnica psicanalítica: uma re-visão, de David Zimerman, é dividido em cinco partes. A primeira parte trata da evolução técnica analítica. A segunda parte trata sobre os fenômenos no campo do vínculo analítico; a terceira, as características clínicas e manejo técnico das diferentes psicopatologias. A quarta, as terapias analíticas especiais; e a quinta, situações específicas sobre vínculos e configurações vinculares, reflexões sobre a supervisão psicanalítica, o manejo técnico dos sonhos e um glossário de conceitos e termos propostos. REFERÊNCIA: ZIMERMAN, David. Manual de técnica psicanalítica. Porto Alegre: Artmed, 2004.


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TATARITARITATÁ NA FECOM – O primeiro dia da Feira do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Alagoas (Fecom), foi realizado em clima de festa no estande da Câmara de Dirigentes Lojistas de São Miguel dos Campos (CDL/SMC) com a presença inestimável de empresários, representantes classistas e sociedade em geral que prestigiaram o espaço. Confira tudo no Blog CDL Notícias.




TATIANA DE ROSNAY, VERONIKA KIVISILLA, NIALL FERGUSON & MARIA LAURA LOPES

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