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sábado, junho 20, 2015

EAGLETON, DAZAI, HERMILO, OFFENBACH, ADJANI, BONNAT, JORNALISMO & PSICOLOGIA


AS ILUSÕES DA PÓS-MODERNIDADE – A obra As ilusões do pós-modernismo (The Illusions of Postmodernism, 1996 – Zahar, 1998), do filósofo e crítico literário britânico Terry Eagleton, tratando da temática sob a perspectiva dos primórdios, ambivalências, histórias, sujeitos, falácias e contradições. Da obra destaco o trecho inicial: A palavra pós-modernismo refere-se em geral a uma forma de cultura contemporânea, enquanto o termo pós-modernidade alude a um período histórico específico. Pós-modernidade é uma linha de pensamento que questiona as noções clássicas de verdade, razão, identidade e objetividade, a ideia de progresso ou emancipação universal, os sistemas únicos, as grandes narrativas ou os fundamentos definitivos de explicação. Contrariando essas normas do iluminismo, vê o mundo como contingente, gratuito, diverso, instável, imprevisível, um conjunto de culturas ou interpretações desunificadas gerando um certo grau de ceticismo em relação à objetividade da verdade, da história e das normas, em relação às idiossincrasias e a coerência de identidades. Essa maneira de ver, como sustentam alguns, baseia-se em circunstâncias concretas: ela emerge da mudança histórica ocorrida no Ocidente para uma nova forma de capitalismo — para o mundo efêmero e descentralizado da tecnologia, do consumismo e da indústria cultural, no qual as indústrias de serviços, finanças e informação triunfam sobre a produção tradicional, e a política clássica de classes cede terreno a uma série difusa de "políticas de identidade". Pós-modernismo é um estilo de cultura que reflete um pouco essa mudança memorável por meio de uma arte superficial, descentrada, infundada, autorreflexiva, divertida, caudatária, eclética e pluralista, que obscurece as fronteiras entre a cultura "elitista" e a cultura "popular", bem como entre a arte e a experiência cotidiana. O quão dominante ou disseminada se mostra essa cultura — se tem acolhimento geral ou constitui apenas um campo restrito da vida contemporânea — é objeto de controvérsia. Embora essa distinção entre pós-modernismo e pós-modernidade me pareça útil, não lhe dediquei especial atenção neste livro. Optei por adotar o termo mais trivial "pós-modernismo" para abranger as duas coisas, dada a evidente e estreita relação entre elas. Como aqui interessam-me mais as idéias do que a cultura artística, não me detenho em obras de arte isoladas. Tampouco analiso teóricos específicos, o que pode causar estranheza a alguns. Minha preocupação reside menos nas formulações rebuscadas da filosofia pós-moderna do que na cultura, no meio ou mesmo no modo de ver e reagir do pós-modernismo. Tenho em mente menos os vôos filosóficos mais elevados sobre o assunto do que aquilo em que um tipo específico de aluno provavelmente acredita hoje; e embora considere muitas das coisas que eles crêem falsas, tentei dizer isso de uma forma tal que pudesse convencê-los de que não era assim que pensavam originalmente. Ao fazê-lo, acuso vez por outra o pós-modernismo de fabricar alvos imaginários, de caricaturar as posições de seus adversários, acusação esta que bem poderia retirar por conta própria. Mas isto se dá, em parte, porque aspiro precisamente a essas marcas "populares" do pensamento pós-moderno, e, em parte, porque o pós-modernismo constitui um fenômeno tão híbrido, que qualquer afirmação sobre um aspecto dele quase com certeza não se aplicará a outro. Portanto, pode acontecer de um determinado teórico haver, em sua obra, questionado ou mesmo rejeitado algumas das visões que atribuo ao pós-modernismo de um modo geral; todavia, elas constituem um tipo de sabedoria reconhecida, e nesse sentido não me considero culpado de paródia excessiva. Ao contrário, embora predomine uma análise negativa do tema, tentei admitir o lado bom do pós-modernismo sempre que possível, chamando atenção tanto para seus pontos fortes como para os fracos. Não se trata apenas de se posicionar a favor ou contra o pós-modernismo, conquanto, na minha opinião, haja mais motivos para se opor a ele do que para apoiá-lo. Da mesma forma que se dizer "pós-modernista" não significa unicamente que você abandonou de vez o modernismo, mas que o percorreu à exaustão até atingir uma posição ainda profundamente marcada por ele, deve haver algo como um pré-pós-modernismo, que percorreu todo o pós-modernismo e acabou mais ou menos no ponto de partida, o que de modo algum não significa que não tenha havido mudanças. [...] Uma palavra, enfim, que sirva de consolo aos adversários. Tentei criticar o pós-modernismo sob o aspecto político e teórico, em vez de simplesmente apelar ao senso comum. No entanto, parece-me inevitável que conservadores que invectivam o pós-modernismo por razões que considero as mais indignas endossem alguns dos meus argumentos. Os radicais e os conservadores, afinal de contas, necessariamente compartilham um terreno comum, caso contrário haveria entre eles um conflito sobremaneira mais grave. Os radicais, por exemplo, são tradicionalistas, assim como os conservadores; o que os distingue é que eles aderem a tradições inteiramente diferentes. Conviria àqueles pós-modernistas que sustentam que os radicais devem abster-se de criticar uns aos outros para não acirrar o ânimo dos reacionários lembrar as limitações de uma política baseada mais no oportunismo que na verdade, por mais que prefiram o último termo posto entre alarmantes aspas. Se, com efeito, os leitores conservadores se virem apoiando sinceramente a transformação socialista da sociedade depois de lerem este livro, ficarei muito satisfeito. [...] Veja mais aqui.

Imagem: Nude orientalista, do pintor francês Léon Bonnat (1833-1922)

Curtindo dvd da ópera-bufa Orphée aux Enfers (Pioneer Classics, 1997), do compositor e violoncelista do Romantismo franco-germano Jacques Offenbach (1819-1880), performed in French conductor Marc Minkowski & Orchestre de l'Opéra national de Lyon & Orchestre de chambre de Grenoble Chorus & Choeur de l'Opéra national de Lyon Pluton-Aristée.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA: PSICOLOGIA & JORNALISMO – Dando andamento às atividades do Projeto de Extensão Infância, Imagem e Literatura: uma experiência psicossocial na comunidade do Jacaré – AL, realizado pelos graduandos dos cursos de Psicologia, Jornalismo e Publicidade do Centro Universitário Cesmac e orientado pelo Professor Ms Cláudio Jorge Morais Gomes, realizou-se nesta sexta-feira, dia 19, visita à comunidade Recanto da Ilha - Jacaré -, na cidade de Marechal Deodoro, Alagoas. Na ocasião ocorreram diversos contatos com moradores no sentido de viabilizar um evento voltado para as crianças da localidade, cumprindo o cronograma de atividades do projeto. Na ocasião diversos moradores foram contactados, os quais manifestaram satisfação na realização do evento e, ao mesmo tempo, expressaram a sua realidade destacando a presença de alguns problemas que estão ocorrendo no local. Veja detalhes aqui.

PRIMEIRO CADERNO DE MEMÓRIAS – O livro Não humano (1948- Eucleia, 2011), do escritor japonês Osamu Dazai (1909-1948), é um romance autobiográfico narrando sobre os sentimentos da geração jovem à margem da sociedade, individualizada e tecnológica. O protagonista da história enfrenta desde a infância a solidão extrema pela incompreensão a respeito dos seres humanos, temendo e se escondendo de todos, tornando insuperável e tormentosa a inadequação a uma vida normal, carregada de desespero e de conturbadas relações com mulheres para despontar na alienação com consequências trágicas. Da obra destaco o trecho inicial: Vi três fotografias do homem. A primeira, a que se pode chamar uma fotografia da infância, mostra-o com cerca de dez anos de idade, um pequeno rapaz rodeado por muitas mulheres (as suas irmãs e primas, suponho). [...] O rosto na segunda fotografia é assustadoramente diferente do primeiro. Nesta foto, ele é estudante, embora não seja claro se a imagem remonta ao ensino secundário ou à faculdade. De qualquer modo, ele é, agora, extraordinariamente atraente. Mas, mais uma vez, o rosto não consegue, inexplicavelmente, dar a impressão de pertencer a um ser humano vivo. Veste um uniforme de estudante e um lenço branco espreita do bolso de peito. Está sentado numa cadeira de vime com as pernas cruzadas. Mais uma vez, sorri; porém, desta vez não com o sorriso de macaco encarquilhado, mas com um sorrisinho bastante astuto. [...] A fotografia que resta é, de todas, a mais monstruosa. Nesta é completamente impossível adivinhar a idade, embora o cabelo pareça estar parcamente listrado com cinzento. Foi tirada num canto de uma sala extraordinariamente suja (podes ver, nitidamente, na imagem, como a parede está a desfazer-se em três sítios). [..] A minha vida tem sido vergonhosa. Não consigo sequer imaginar como deve ser viver como um ser humano. Nasci numa aldeia no nordeste, em Tohoku, e já era bastante crescido quando vi o meu primeiro comboio. Subia e descia a ponte da estação, desconhecendo que a sua função era permitir às pessoas atravessarem de uma via para outra. Estava convencido que a ponte fora feita para dar um toque exótico e fazer do recinto da estação um local de agradável diversão, como um parque estrangeiro. Andei assim iludido durante bastante tempo e para mim era, de fato, um enorme divertimento subir e descer a ponte. Pensava que fora um dos serviços mais elegantes proporcionados pelos caminhos-de-ferro. Quando, mais tarde, descobri que a ponte nada mais era do que uma estrutura prática, perdi todo o interesse nela. [...] Veja mais aqui.

APRESENTAÇÃO DO BUMBA-MEU-BOI – O livro Apresentação do Bumba-meu-boi (Guararapes, 1982), do escritor Hermilo Borba Filho (1917-1976), é dividido em duas partes: a primeira trata acerca da história e da formação do espetáculo folclórico; e na segunda, a apresentação do espetáculo O boi misterioso de Afogados, com seus personagens. O livro é rico em informações, fotos, partituras e explicações a respeito do folguedo. Da obra destaco o trecho inicial: Auto ou drama pastoril ligado à forma de teatro hierático das festas de Natal e Reis, o Bumba-meu-boi é o mais puro dos espetáculos populares nordestinos, pois embora nele se notem algumas influencias europeias, sua estrutura, seus assuntos, seus tipos e a música são essencialmente brasileiras. [...] A origem do Bumba-meu-boi perde-se no passado. Não resta dúvida de que se trata de uma aglutinação de reisados em torno do reisado principal que teria como motivo a vida e a morte do boi. O reisado, ainda hoje, explora um único assunto proveniente do cancioneiro, do romanceiro, do anedotário de determinada região, mas no caso do nosso espetáculo, eles se juntaram para a formação de cenas isoladas, culminando com a apresentação do Boi, mantendo uma linha muito tênue, a do Capitão, que é servido em suas peripécias por Mateus, Bastião e Arlequim; os diálogos – mistura de improvisação e tradicionalismo – assemelham-se à técnica empregada pelos comediantes da velha comedia popular italiana [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

VIAGEM DO CORAÇÃO – O drama filme Viagem do coração (Bom vouyage, 2003), dirigido pelo cineasta e cenarista francês Jean-Paul Rappeneau e com música de Gabriel Yared, conta a história de um acontecimento ocorrido no início da Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha invade a França e ocupa Paris. Intelectuais, parlamentares, médicos e jornalistas se refugiam num hotel em Bordeaux, uma cidade livre do nazismo, quando estes se vêem obrigados a conviver com espiões e criminosos, surgindo toda espécie de intrigas e alianças políticas, bem como tórridos romances, como o vivido por um jovem que precisa escolher entre uma atriz famosa e uma estudante, enquanto se posiciona frente a questões políticas. O destaque da película fica por conta da lindíssima atriz francesa Isabelle Adjani. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Desenho da desenhista e artista plástica pernambucana Silvia Pontual (In. Poemas de Ascenso Ferreira. Nordestal, 1981).

Veja mais sobre:
Quando tudo é manhã do dia pra noite, Agonia da noite de Jorge Amado, Posthuman bodies de Halbertam & Livingstone, a música de Bizet & Adriana Damato, Folclore musical de Wagner Ribeiro, a pintura de Aleksandr Fayvisovich & Bryan Thompson, a fotografia de Christian Coigny, a arte de Mirai Mizue & Luciah Lopez aqui.

E mais:
As astúcias do juiz Teje-Preso aqui e aqui.
Preconceito, ó! Xô pra lá, Diários de viagem de Franz Kafka, Cantos de Giacomo Leopardi, A revolta de Atlas de Ayn Rand, a música de Leoš Janáček & Cheryl Barker, o cinema de Alessandro Blasetti & Sophia Loren, Jacques Lacan & Maguerite Anzieu: o caso Aimée, a arte de Liliana Castro, a pintura de Helmut Breuninger & Hermann Fenner-Behmer aqui.
Todo dia é dia da mulher, O processo de Franz Kafka, a música de Leoš Janáček, a pintura de Anna Chromý, a arte de Ibys Maceioh & Karyme Hass aqui.
O trânsito e a fubica do Doro aqui.
O dia da criação de Vinícius de Morais aqui.
Lagoa da prata, Conheço o meu lugar de Belchior, O folclore no Brasil de Basílio de Magalhães, Chão de mínimos amantes de Moacir da Costa Lopes, Culturas e artes do pós-humano de Lucia Santaella, a fotografia de Tatiana Mikhina, a arte de Joseph Mallord William & Wesley Duke Lee aqui.
A lenda do açúcar e do álcool, Educação não é privilégio de Anísio Teixeira, História da filosofia de Wil Durant, a música de Yasushi Akutagawa, Não há estrelas no céu de João Clímaco Bezerra, Cumade Fulôsinha de Menelau Júnior, Maria Flor de João Pirahy & a arte de Madison Moore aqui.
Cruzetas, os mandacarus de fogo, Concepção dialética da história de Antonio Gramsci, O escritor e seus fantasmas de Ernesto Sábato, Sob os céus dos trópicos de Olavo Dantas, a pintura de Eliseo Visconti & Benício, a fotografia de Rita-Barreto & a arte de Rosana Sabença aqui.
O passado escreveu o presente; o futuro, agora, Estudos sobre teatro de Bertolt Brecht, Sociolinguistica de Dino Preti, a música de Adriana Hölszky, Nunca houve guerrilha em Palmares de Luiz Berto, a pintura de Dimitra Milan & Vera Donskaya-Khilko, a escultura de Antonio Frilli & a arte de Thomas Rowlandson aqui.
O feitiço da naja: a tocaia & o bote, Sistemas de comunicação popular de Joseph Luyten, Palmares & o coração de Hermilo Borba Filho, Porta giratória de Mário Quintana, a música de Vanessa Lann, o teatro de Liz Duffy Adams, a pintura de Joerg Warda & a arte de Luciah Lopez aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
(Imagem: Leitora nua, do artista plástico Kim Roberti).
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sexta-feira, julho 12, 2013

LUKÁCS, GASSEL, RIZAL, DAZAI, RENIA SPIEGEL & LITERÓTICA

DOIS POEMETOS DE AMOR DEMAIS PARA ELA – I – BEIJU - Ela dá de ombros e eu só escombros nos assomos dela. É quando revela secreta, peito nu, alma aberta, toda delícia, verdadeira sevícia no meu bocejo. Ela me dá um beijo e se mostra atiçada e vem toda ouriçada pra cima de mim. E assim acende o beiju abalando Bangu e toda redondeza. E se faz minha presa e, também, a caçadora, a total predadora e rendida de graça. Quando meu beijo perpassa, ela rasteja lagartixa que bem muito se espicha sobre meu território. E no seu envoltório, se arrasta, rasteja, arrebata, viceja e me faz mais feliz. II - GULA VORAZ - Quando ela quer, em mim se advinha: o ventre em colher larga a sianinha. Ela então se aninha, ficando de conchinha, em marcha-à-ré. É quando ela quer, olhos de oásis. Nada mal-me-quer, nem para análise. E quando ela quer e seus lábios de espera vencem a primavera e todo verão. Tudibão! E quando ela quer de manhã - que mulher! - ela cunhã vem com todo terém, manda ver. Benzadeus, seu ser: uma gracinha. Quando as linhas da sua palma envolvem minhas mãos até minha alma. E logo de chegada dá logo um treino: me beija como quem quer me dar todo o seu reino, ah que talento nato. E me faz de novato, marinheiro de primeira viagem. E cai na vadiagem de invadir meus recantos. Dou-lhe asa enquanto ela se faz mais mulher. É quando mais ela quer com o dorso agoniado. E dos seus flancos alados se faz deusa que dança. Balança estrutura, lança, vence e apura, convence e arromba todas as fechaduras, sou todo seu por abrigo. E diz que esse é o castigo, domado da vontade ao postigo que vai dar na sua inquietude de quem perdeu latitude, tudo o mais e que só eu sou todo seu ademais. Zas-trás! Grudo nela, ah, tudo nela a ver comigo. E maldigo, erramos a conta, nem damos conta que arrasou geral. No mais alto astral ela se esparrama e se lambuza na lama do meu corpo, verdadeiro mar revolto que nunca foi tão maravilhoso eito, nunca antes do maior proveito, que jamais dissipasse toda permanência e, por coincidência, lavasse o fogo na face e mais se debatesse quando irrompesse o gozo, a única atmosfera. É ela na vera toda louvada e lavada grata e sem nexo. Até ser no meu sexo crucificada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aquiaqui.

 


DITOS & DESDITOS - Aquele que muito ama também tem muito que sofrer. Os que estão morrendo não precisam de remédios, os que ficam, sim. O exemplo pode encorajar outros que apenas temem começar. O gênio não tem país. Floresce em todos os lugares. O gênio é como a luz, o ar. É a herança de todos. Morro sem ver a aurora iluminar minha terra natal. Você que tem que ver, dê as boas-vindas - e não se esqueça daqueles que caíram durante a noite! Pensamento do escritor, jornalista, oftalmologista e revolucionário nacionalista filipino José Rizal y Alonso (1861-1896). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU - Contanto que eu possa fazê-los rir, não importa como, eu ficarei bem. Se eu conseguir, os seres humanos provavelmente não se importarão muito se eu permanecer fora da vida deles. A única coisa que devo evitar é me tornar ofensivo aos olhos deles: Eu devo ser nada, o vento, o céu. Pensamento do escritor japonês Osamu Dazai (1909-1948), Veja mais aqui.

 

ARTE, ESTÉTICA & SOCIEDADE – [...] Se estamos em condições de reconhecer o percurso do gênero humano e utilizá-lo para nosso desenvolvimento individual, devemos isto à arte, às realizações do reflexo artístico; do mesmo modo, não seriamos capazes de avançar individualmente se nosso desenvolvimento não estivesse fixado, interpretado, criticado pela nossa memória individual e pela consciência que emerge desta base. [...] As forças sociais que o artista apreende, figurando o seu caráter contraditório, devem aparecer como traços característicos dos personagens representados, ou seja, devem possuir uma intensidade de paixão e uma clareza de princípios que não existem na vida burguesa cotidiana; e ao mesmo tempo, devem se manifestar como características individuais de um indivíduo concreto. [...]. Trechos extraídos da obra Arte e Sociedade: escritos estéticos 1932-1967 (EdUFRJ, 2009), do filósofo, crítico literário e pensador marxista húngaro Georg Lukács (1885-1971), que em outra de suas obras, Introdução a uma estética marxista (Civilização Brasileira, 1970), acrescenta que: [...] A vida reproduz sempre o velho, produz incessantemente o novo, a luta entre o velho e o novo penetra em todas as manifestações da vida [...] Já que a arte representa sempre e exclusivamente o mundo dos homens, já que em todo ato de reflexo estético o homem está sempre presente como elemento determinante, já que na arte o mundo extra-humano aparece apenas como elemento de mediação nas relações, ações e sentimentos dos homens, deste caráter objetivamente dialético do reflexo estético, de sua cristalização na individualidade da obra de arte, nasce uma duplicidade dialética do sujeito estético, isto é, nasce no sujeito uma contradição dialética que, por sua vez, revela também o reflexo de condições fundamentais do desenvolvimento da humanidade. Trata-se aqui da relação entre homem e humanidade. [...], Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

CORPO PORNOGRÁFICO – […] O corpo não obriga o espírito, ele o dá um contexto de expressão […] Eu invisto sobre a zona da carne, invisto e conquisto o que eu não poderia ter feito sem o músculo, o prazer viril do vigor. Eu quero uma afirmação mais absoluta, ainda jovial, um culto de mim, uma existência revolta frente aos outros, tangível, inevitável, visível, dessa visibilidade que salta aos olhos — vontade de dominação sexual que se exprime, cola na pele, nas formas. [....] Possuída da necessidade de modificar meu corpo pela potência, de criar para mim uma armadura de sedução de beleza dura e severa [...]. Eu encontrei instantaneamente em certos autores o compartilhamento espontâneo dessa característica de certa volúpia: Mishima, Montherlant, Nietzsche [...] Não saber aprender era uma faca de dois gumes que, nessa idade, me salvava do pior. A postura inconfortável da debilidade era um desastre menor do que a aprendizagem fastidiosa para meus impulsos mais íntimos. Conhecer a história da humanidade numa idade muito tenra era aceitar esses preceitos contra minha identidade e me acusar de uma existência anti-natural, invertida, culpada e que deveria ser consertada. Eu preferia não ouvir, para que as mensagens me contaminassem o menos possível. [...] Eu escrevo uma poética moderna de corpos andróginos e eu utilizo meus deleites. Ele nunca foi sujeito, esse corpo de mulheres viris na nossa literatura ou na nossa filosofia. Sua criação é contemporânea, ela soa como a chegada de um desejo por muito tempo impossível. É o motivo da festa ser considerável — cada vez que esse corpo se encontra em uma confrontação sensual — e não cessa de procurar para si uma ilustração retumbante. Nós chegamos a quebrar as clivagens, não somente nas estruturas de pensamento mas naquelas dos corpos, e o mundo finalmente se organiza para abrigas esses novos eventos. Como prova, começam a aparecer nas diferentes notícias esportivas, no interior de nossas casas, sobre as telas de tv, essas mulheres do futuro. [...] A ação disciplinada do corpo se esmigalha com o envelhecimento, a alma é que importa ser trabalhada. É o que permanece. Eu me confronto com essa dificuldade de exprimir corpo e palavras. Nos corpos como nos livros estão confinadas energias. Podemos nos perguntar se o que faz sentido hoje terá sentido amanhã. Antigamente tínhamos por perspectiva a perenidade das obras. Hoje, conhecemos a sucessão de seus mortos, nos vimos mitos desmoronarem e se instalarem montanhas efêmeras substituídas por outras, também falsas. A reflexão sobre o corpo e o texto fala também sobre a ambição: se o instinto quer que deixemos nossos traços na areia do mundo, precisamos nos confrontar com o que mina a validade desse instinto, o ultrapassar contínuo da vida. Nos resta apostar sobre um eternal humano que se revisitará através de nós, que se amará e se trairá nos retratos que o mostramos, essas imagens que nos nutrem. [...] Por que eu escolhi uma escrita que passa pelo simbolismo do sexo? Para que o pensamento tenha esse lado hard, para que ele faça parte de uma fantasmagoria estética [...] Eu acaricio esse corpo volumoso no texto, eu acaricio escrevendo meus músculos salientes. Eu acaricio o ombro, a nuca, o peitoral. Eu acaricio a pele firme, dura e tenra. Eu acaricio sua constrição em torno da fibra muscular, eu acaricio as veias que passam, atravessam o corpo, emergem em certos locais e depois mergulham no invisível, na opacidade da carne. Viva aparência que eu não hesitarei em exibir para gozar dela. Eu apareço ainda, escrevendo esse texto sem espelho, na ausência de espelhos mirando entretanto através dos conceitos uma imagem do meu corpo no que ele se assemelha a esse mesmo corpo real, físico. Beleza sem transparência do sangue que percorre o azul das veias. Beleza no rigor sombrio do músculo. E no traçado negro, anguloso das formas como um desenho em ponta seca que dirá somente a língua do desejo, onde cada figura será expressão de vontade, de fome, de tentação, de apetite, onde tudo seria reino da carne e o império colossal da distração regozijante. E quem diz prazer diz amplitude, força, maestria de onde explode o gozo. [...]. Trechos extraídos da obra Construction d’un corps pornographique. (Cercle d’Art, 2005), da escritora e fotógrafa Nathalie Gassel. Veja mais aqui.

 

UM POEMA - Mais uma vez a vontade de chorar toma conta de mim \ Quando me lembro dos dias que costumavam ser \ As tílias, a casa, as cegonhas e as borboletas \ Longe... em algum lugar... muito longe para os meus olhos \ Eu vejo e ouço o que sinto falta \ O vento que costumava embalar velhas árvores \ E ninguém mais me diz \ Sobre a névoa, sobre o silêncio \ A distância e a escuridão fora da porta \ Eu sempre vou ouvir essa canção de ninar \ Veja nossa casa e lagoa colocadas por \ E tílias contra o céu... Poema extraído do Diário (1942-2012), da escritora polonesa Renia Spiegel (1924-1942), impressionante narrativa da vida de um jovem judeu durante a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas invadiram a Polônia e os soviéticos pelo leste, deportando, aprisionando e assassinando judeus nas cidades como Przemsyl, onde Spiegel viveu e morreu. Sua história ficou conhecida devido ao seu diário pessoal, escrito entre seus 15 e 18 anos, onde conta a experiência de ser uma adolescente e viver na cidade, onde a situação do povo judeu rapidamente se deteriorou após a invasão. Ela foi levada para a rua junto dos pais de Zygmunt e eles foram executados a tiros em 30 de julho. Os pais e a irmã de Renia sobreviveram à guerra e emigraram para os Estados Unidos. Ela começou a escrever o diário em 31 de janeiro de 1939, quando tinha 15 anos de idade, com quase 700 páginas que foram mantidas em segredo e foi feito em um caderno escolar costuradas juntas. Em seus escritos, fala de seu dia a dia na escola, a vida em família, a dor de ficar separada da mãe, seu namoro com Zygmunt Schwarzer, o medo crescente da guerra e o medo de se mudar para o gueto. No diário constam escritos e pensamentos, desenhos e poemas, dos quais destaco mais os trechos: [...] Meu querido diário, meu bom e amado amigo! Passamos por momentos terríveis juntos e agora o pior momento está sobre nós. Eu poderia sentir medo agora. Mas Ele não nos deixou, e nos ajudará hoje. Ele vai nos salvar. Ouça, ó, Israel, salve-nos, ajude-nos. Você me manteve a salvo de balas e bombas, de granadas. Ajude-me a sobreviver! E você, minha querida mamãe, reze por nós hoje, reze muito. Pense em nós e que seus pensamentos sejam abençoados. [...] Poemas são algo extraordinário e único, eles conectam almas e enobrecem, elevam o amor. O passado não se foi há muito tempo; está presente em nossos corações, em nossas ações e nas lições que ensinamos a nossos filhos [...].

 

PROGRAMA DOMINGO ROMÂNTICO – O programa Domingo Romântico que vai ao ar todos os domingos, a partir das 10hs (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Na edição deste 14 de julho, a partir das 10hs na Cidade FM 87,9,  traz as comemorações de mais de 3 mil membros no grupo do programa no Facebook com muitas atrações, confira: Taiguara, Toquinho & Vinicius & Maria Creuza, Adriana Calcanhoto, Vangelis & Jon Anderson, Chico Buarque, Paul McCartney, Vinicius Cantuária, Emerson & Lake & Palmer, João Bosco, Banda de Pau e Corda, Oswaldo Montenegro, Djavan, Vanessa da Mata, Jimi Cliff, Maria Gadu, Rita Lee, Coldplay, Mariza Monte, Kenny G, Evanescence, Renato Russo, Caetano Veloso, Beto Guedes, Milton Nascimento, Elba Ramalho, Paula Fernandes, Sonia Mello, Roberta Sá, Marquinhos Cabral, Ozi dos Palmares, Mácleim, Taís Feijão, Fred Cury & Reynaldo Moysés & Companhia Original Soul of Blues, Claudia Jung, Eduardo Knaip & Sandra Regina Alves Moura, Adilson Ramos & Hermê Teixeira, Paulynho Duarte, Luiz Vieira & Mauro Henrique Salles, Charlie Bronw Junior, Barry White e Luciano Pavarotti, Nico Fidenco, Dalida e Alain Delon &  muito mais! Participe, comente, curta online & abrilhante a nossa festa neste 14 de julho, na programação da Cidade FM 87,9, a partir das 10hs. Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Domingo Romântico.
Quando? Neste domingo, 14/07, a partir das 10hs.
Onde? Cidade FM Apresentação Meimei Corrêa.
Veja outras edições do Domingo Romântico .

Veja mais sobre:
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E mais:
Fevereiro, carnaval & frevo, Galo da Madrugada, Roberto DaMatta, Mauro Mota, Capiba, Orquestra Contemporânea de Olinda, Mário Souto Maior, Valdemar de Oliveira, Zsa Zsa Gabor, Helena Isabel Correia Ribeiro, Rollandry Silvério & Márcio Melo aqui.
A troça do Fabo aqui.
William Burroughs, Henfil, Ernest Chausson, Liliana Cavani, Hans Rudolf Giger, Charlotte Rampling, Religi]ão & Saúde Mental, A multa do fim do mundo & Auber Fioravante Junior aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA;
Leitora Tataritaritatá
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SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...