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sábado, agosto 15, 2015

KHAYYÃM, CREMA, STANISLAVSKI, VARTAN, SCOTT, CRANE, MORTIMER & A VIAGEM NOTURNA DO SOL.

VAMOS APRMAR A CONVERSA? A VIAGEM NOTURNA DO SOL – Empolgado com a recepção da minha primeira peça teatral O Prêmio, a publicação do meu conto na revista Ponto de Encontro (Curitiba-PR) e com o lançamento do meu primeiro livro de poesias, Para Viver o Personagem do Homem (Nordestal, 1982), resolvi fazer uma segunda incursão na arte teatral, resultado da participação em cursos realizados na Federação de Teatro Amador de Pernambuco (Feteape) e no Sesc, me aprofundando na construção da personagem e na criação do papel de Stanislavski, no teatro de Brecht, na Ópera Bufa de Maiakovsky, no teatro gitano de Lorca, nos ensinamentos e propostas estéticas de Ariano de Suassuna, mas práticas com conteúdos de Viola Spolin e Ingrid Koubela, no acesso à Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire e, por consequência, o Teatro do Oprimido de Augusto Boal com leituras e práticas das Técnicas Latino-Americanas de Teatro Popular e os exercícios e jogos para o ator e não-ator, entre outras leituras e estudos. Foi aí que me veio a ideia de construir um texto denominado A Viagem Noturna do Sol, uma colagem de ideias e textos baseados em Hermilo Borba Filho, Osman Lins, Jorge Luis Borges, Guimarães Rosa e Fernando Pessoa. E quando fiz a primeira lavratura geral do texto, passei às mãos do meu amigo José Manoel Sobrinho que, após lê-lo, o inscreveu num Festival de Leitura Dramática que estava acontecendo no Recife. Ele reuniu os integrantes da sua companhia TTTres Produções, acrescido da participação de Cintia Persichetti, Nilo Cavani e outros atores, e realizou uma leitura pública no festival, que aconteceu na Sala Clênio Wanderley, na Casa da Cultura, em Recife, em 1983. Sala lotada, lá estava eu na última fila da plateia, degustando a interpretação dos atores para o resultado desse meu texto. Com a leitura, fiquei um misto entre maravilhado e cônscio da necessidade de algumas adequações no texto, mas, no cômputo geral, tudo muito positivo. Ao final da leitura, aplausos. E eu que pensava estar incógnito no ambiente, fui convocado pela trupe e pela plateia, a prestar esclarecimentos sobre o texto. Fui até o palco e fiz uma explanação de uns trinta minutos, respondi indagações da plateia e de alguns atores, e encerramos as atividades do dia, reunindo o diretor e elento para bebemorarmos. Evidentemente que o entusiasmo tomou conta da gente e logo nos aboletamos numa mesa de bar para trocar ideias no meio da confraternização. A trupe foi tão generosa comigo que, além de me incentivar a manter o texto e rever alguns pontos que necessitavam de adequações, me proporcionaram a inspiração de novas ideias para novos textos. Foi uma festa que mais se ampliou quando me exigiram sacar do violão, isso porque eu estava realizando com Fernandinho Melo, Caca e Sérgio Campelo, uma temporada do meu show CantarOlinda. No meio cantaconversada, eu soltei uma ideia que me perseguia desde uma das minhas apresentações das sextas no bar Roda Viva, em Campo Grande, que dei o nome de Efervescência do Brotar. Oxe, José Manuel tascou na lata: - Isso dá espetáculo! E já foi rabiscando cenário, cenas, iluminação, indumentária, tudo que levava a um musical. Páginas rascunhadas, ele já marcava para o início da semana seguinte ensaios no Sesc Santo Amaro, com os atores cantando minhas músicas comigo, o que fez a noite entrar pela madrugada com muita empolgação. Ele fechou todo o espetáculo na cabeça e nos rascunhos cada vez mais revistos e acrescentados, e bebemoramos efusivamente até nos despedirmos com tudo acertado. E teria tudo isso vingado, não tivesse sido eu vítima, dias depois, de um atropelamento por uma colisão entre veículos em plena Avenida Arquiteto Luiz Nunes, na Imbiribeira. E vamos aprumar a conversa e veja mais aqui e aqui.


Imagem: Renaissance of Venus, do pintor e desenhista britânico Walter Crane (1845-1915).


Curtindo o cd/dvd da turnê Live à la salle Pleyel (2013), da cantora francesa Sylvie Vartan.

HOLÍSTICA INTEGRANDO ANÁLISE E SÍNTESE – O livro Saúde e plenitude: um caminho para o ser (Summus, 1995), do antropólogo e psicólogo Roberto Crema, trata acerca da abordagem holística na integração do método, a partir do método hermenêutico de Dilthey, o métido sintético de Jung, a logoterapia de Frankl, o monumento vivo da síntese Krishnamurti, o espaço vivencial e o homem integrado, os novos desafios e novas lideranças para o facilitador holocentrado, metaprincípios para uma abordagem transdisciplinar em terapia, a metapatologia, a metaterapia, o circulo de superação, a antropologia da vastidão, além da normose, cuidando do totem humano, individuação, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho Aprendendo a amar: A abordagem transdisciplinar holística é iniciática, introduzindo-nos a um universo mais amplo, com o despertar da consciência sintética harmonizada com a analítica e a consequência integração, no cotidiano, da vivência ordinária com a do numinoso. Jung considerava o numinoso uma experiência inclusiva, de luz e sombra; o sagrado que, ao mesmo tempo, nos fascina e aterroriza. A autêntica viagem ao âmago do Ser nos conduz ao encontro do mais luminoso e, também, do mais sombrio. Quando abrimos as cortinas, permitindo que a Luz penetre em nossa casa, ao mesmo tempo são iluminados os nossos vasos de flores e os lindos quadros e enfeites, bem como os ninhos de ratos e as baratas nas paredes. Sem dúvida, o encontro terapêutico é uma das moradas do numinoso [...] leva-se muito tempo para se aprender a Amar. Talvez este seja o mais essencial dharma humano e estamos encarnados para realiza-lo. Desde o Bing-Bang nos empenhamos neste a-b-c, atenção-vida-calvário, que nos ensina a amar, através de uma gradativa abertura da intelingencia e do coração. Na medida que amamos, naturalmente servimos. Afinal, nada nos pertence, a não ser o que doamos. Cada momento é pleno e traz o néctar de seus ensinamentos. Se a Escuta é bastante, somos nutridos e abençoados por uma consciência de abundancia e de gratidão que leva-nos à compreensão do privilegio impar de sermos humanos, filhos unigênitos da Grande Vida. Estamos condenados a Amar. Aos trancos e barrancos, com gritos e deslumbramentos, dia virá em que cada ser humano aprenderá a plenamente amar, a plenamente Ser. Neste dia, uma nova estrela brilhará no firmamento e tudo o que existe e respira entoará, numa só Voz, o mesmo ALELUIA, Louvor ao Ser que É. Assim seja. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.


IVANHOÉ – O romance histórico do Romantismo Ivanhoé (182), do escritor britânico Walter Scott (1771-1832), narra a luta entre saxões e normandos e as intrigas de João Sem Terra para destronar Ricardo Coração de Leão. Este foi um romance lido e relido durante minha adolescência, proporcionando-me momentos aprazíveis. Da obra destaco o trecho: [...] O sol se punha sobre umas das ricas clareiras ervosas da floresta a que nos referimos no começo do capítulo. Centenas de carvalhos copados, de troncos curtos, amplos ramos, que haviam presenciado talvez a majestosa marcha dos soldados romanos, lançavam braços nodosos sobre o espesso tapete do mais delicioso relvado; em alguns sítios, misturavam-se às faias, aos azevinhos, aos arbustos de várias espécies, e faziam-no de maneira tão cerrada e completa que inteceptavam os raios horizontais do sol poente; em outros, afastavam-se, formando amplas paisagens, em cujo emaranhado a vista se deliciava ao estender-se, enquanto a imaginação as considerava como caminhos que conduziam a cenários ainda mais agrestes de rústica solidão. Os raios rubros do sol lançavam uma luz fraca e pálida, que permanecia suspensa em parte sobre os ramos quebrados e os troncos musgosos das árvores, deles iluminando, em remendos resplandescentes, as partes do relvado para as quais abriam caminho. Um espaço aberto, consideravelmente amplo, no meio dessa clareira, parecia ter sido reservado, antes, aos gritos da superstição druídica, pois, no alto de uma colina, tão regular que parecia artificial, ainda permanecia parte de um circulo de pedras brutas não trabalhadas, de grandes dimensões. Sete mantinham-se de pé; as outras haviam sido removidas do lugar, provavelmente pelo zelo de algum convertido ao cristianismo, e jaziam, algumas, caídas perto de onde estavam antes, e outras sobre as fraldas da colina. Somente uma grande pedra rolara para o fundo de um pequeno riacho, e, detendo o curso de um ribeirinho, que deslizava suavemente em torno da colina, dava, obstruindo a passagem, uma voz débil e múrmura ao plácido regato, silencioso nos outros lugares. [...] Veja mais aqui e aqui.

RUBAIYAT – O livro Rubaiyat, do poeta, matemático e astrônomo persa dos séculos XI e XII, Omar Khayyãm (1048-1131), construído com poemas cujas estrofes de duas linhas com dois hemistíquos cada formando um quarteto, canta a existência humana, a brevidade da vida, o êxtase e o amor. Entre os poemas destaco os trechos: Volte em minha voz a métrica do Persa / A lembrar que o tempo é a diversa / Trama de sonhos ávidos que somos / E que o secreto Sonhador dispersa. / Volte a afirmar que é a cinza, o fogo, / A carne, o pó, o rio, a fugidia / Imagem de tua vida e de minha vida / Que lentamente se nos vai de logo. / Volte a afirmar o árduo monumento / Que constrói a soberba é como o vento / Que passa, e que sob o olhar inconcebível / De Quem perdura, um século é momento. / Volte a advertir que o rouxinol de ouro / Canta só no sonoro / Ápice da noite e que os astros / Avaros não prodigam seu tesouro. / Volte a lua ao verso que a tua mão / Escreve como torna no temporão / Azul a teu jardim. A mesma lua / Desse jardim há de te procurar em vão. / Sejam sob a lua das ternas / Tardes teu humilde exemplo as cisternas, / Em cujo espelho de água se repetem / Umas poucas imagens eternas. / Que a lua do Persa e os incertos / Ouros dos crepúsculos desertos / Voltem. Hoje é ontem. És os outros / Cujo rosto é o pó. És os mortos. / 3 - Olha com indulgência aqueles que se embriagam; / os teus defeitos não são menores. / Se queres paz e serenidade, lembra-te / da dor de tantos outros, e te julgarás feliz. / 4 - Que o teu saber não humilhe o teu próximo. / Cuidado, não deixes que a ira te domine. / Se esperas a paz, sorri ao destino que te fere; / não firas ninguém. / 8 - Há muito tempo, esta ânfora foi um amante, / como eu: sofria com a indiferença de uma mulher; / a asa curva no gargalo é o braço que enlaçava / os ombros lisos da bem amada. / 27 - Olha, um dia a alma deixará o teu corpo / e ficarás por trás do véu, entre o Universo / e o desconhecido. Enquanto não chega a hora, / procura ser feliz. Para onde irás depois? / 49 - Um jardim florido, uma bela mulher, e vinho. / Eis o meu prazer e a minha amargura, / o meu paraíso e o meu inferno. / Mas quem sabe o que é Céu e o que é Inferno? / 65 - Tantos carinhos, tantas delícias, / tanta ternura no começo do nosso amor. / Mas agora o teu prazer / é dilacerar o meu coração. Por quê? / 80 - O que realmente possuo? / O que restará de mim depois da morte? / É tão breve a vida, uma fogueira: / Chamas, e depois, cinzas. / 99 - Quando eu não mais viver, não haverá mais rosas, / nem lábios vermelhos, nem vinhos perfumados; / não haverá auroras, nem amores, nem penas: / o Universo terá acabado, pois ele é o meu pensamento. / 119 - É grande a tua dor? Não lhe dês atenção. / Lembra-te dos outros que sofrem inutilmente. / Procura uma linda mulher; mas cuidado, evita amá-la, / e ela, que não te ame. / 120 - Rosas, taças, lábios vermelhos: / brinquedos que o Tempo estraga; / estudo, meditação, renúncia: / cinzas que o Tempo espalha. Veja mais aqui.

A CRIAÇÃO DE UM PAPEL – O livro A criação de um papel (Civilização Brasileira, 1984), do ator, diretor, pedagogo e escritor russo Constantin Stanislavski (1863-1938), trata do período de estudo, o primeiro contato com o papel, o estudo das circunstâncias externas, a criação de circunstancias interiores, avaliação dos fatos, o período de experiência emocional, impulsos interiores e ação interior, objetivos criadores, a partitura de um papel, o tom interior, o superobjetivo e a ação direta, o superconsciente, o período da encarnação física, Otelo de Shakespeare, a criação da vida física de um papel, aferição do trabalho executado, o Inspetor Geral de Gogol, das ações físicas à imagem viva, improvisações, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho inicial: O trabalho preparatório sobre um papel pode ser dividido em três grandes períodos: estudá-lo; estabelecer a vida do papel; e dar-lhe forma [...] Como na linguagem do ator, conhecer é sinônimo de sentir, ele, na primeira leitura da peça, deve dar rédeas soltas às suas emoções criadoras. Quando mais calor afetivo tiver, quanto mais palpitante e viva for a emoção que possa instilar numa peça ao primeiro contato, tanto maior será a atração exercida pelas secas palavras do texto sobre os sentidos, sua vontade criadora, sua mente, sua memoria emotiva. Tanto maior será a sugestividade dessa primeira leitura para a imaginação criadora de suas faculdades visuais, auditivas e outras, no que se refere a imagens, quadros e evocações sensoriais. A imaginação do ator adorna o texto do autor com fantasiosos desenhos e cores de sua própria paleta invisível [...] Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

EL APONDO – O filme El Apondo (1976), dirigido pelo cineasta e diretor de televisão Arturo Ripstein, é baseado no romance homônimo do escritor mexicano José Revueltas (1914-1976), com música de Gonzalo Curiel, fotografia de Alex Phillips Jr, e contando a história de três prisioneiros numa cela de castigo, entre os quais se deflagra um protesto que provoca uma briga sangrenta. Ao mesmo tempo, um homem disciplinado e sexualmente impulsionado a manter sua família isolada de tudo e aprisionada dentro de casa, com o objetivo de protegê-la da natureza do mal dos seres humanos, enquanto inventa com sua esposa um veneno de rato. O destaque da fita é para a atriz de teatro, cinema e televisão mexicana María Rojo que tornou-se senadora pelo Partido da Revolução Democrática entre 2006 e 2012. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
The Gate of Goodbye (1916), do fotógrafo inglês Francis James Mortimer (1874-1944).


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Noite Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa & Verney Filho. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: colagem do pintor, antologista, historiador e poeta do Surrealismo português Mário Cesariny (1923-2006)
Veja mais aqui 


domingo, agosto 09, 2015

PIAGET, ANDREYEV, CLAUDEL, FERNANDA, FAFÁ, CESARINY, BRINCARTE DO NITOLINO, MEIMEI CORRÊA & DOMINGO ROMÂNTICO!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? PROGRAMA DOMINGO ROMÂNTICO – Sou péssimo com datas, meu calendário é a maior loucura! Confundo datas com muita facilidade e, por causa disso, já paguei mico, passei batido, pisei na bola, passei em branco por muita coisa, a ponto de ser tratado por indiferente ou metido a besta. Não, confesso, sou mesmo é atrapalhado com datas. Contudo, por volta de 2010 ou 2011, por aí, conheci o Programa Domingo Romântico, apresentado, à época, pela querida Meimei Corrêa, na Rádio Cidade FM, de Campos Gerais, nas Minas Gerais. Foi uma surpresa conhecê-lo, porque na hora exata que sintonizei a emissora online, estava tocando uma música minha, em parceria com Mazinho – Jucimar Luiz de Mélo Siqueira: Entrega. Uma surpresa pra lá de agradabilíssima. Passei, então, a sintonizar todo domingo até que constatei tratar-se uma especial programação, a ponto de chegar a escrever: Um espaço de democratização musical tem se tornado referência em todo país. Diferentemente da programação das emissoras comerciais e até de redes públicas de radiodifusão, o programa tem se destacado por veicular tanto clássicos da música brasileira e sucessos internacionais, como tem promovido novos e novíssimos nomes da música atual de todas as regiões do país. Meritório o apoio da radialista que comanda o programa aos membros do Clube Caiubi de Compositores, como também dos valores emergentes de Minas Gerais e de todo o território brasileiro. Além disso, há espaço para poetas e escritores das mais diversas tendências literárias, todos contemplados pela voz e interpretação da locutora. Assim, a iniciativa congrega a melhor e a mais nova música do Brasil e do exterior, abrindo espaço para que a poesia esteja numa mesma veiculação. Louvável iniciativa de uma radialista que se encontra realizando seu trabalho numa emissora do interior mineiro, mais precisamente na cidade Campos Gerais. Aí, um ano depois, na mesma pisada, me vi dando pontapé inicial numa parceria que dura até hoje – diga-se de passagem: e que parceria! Uma parceria que me levou a rabiscar essas simples palavras: Às dez da manhã de domingo, ela vai toda de sol: altaneira com a voz da alma. Tricordiana, dá seu coração de mãe para agasalhar solidariamente todas as lágrimas preteridas pela justiça. Empunha a garra da mulher para lutar pela dignidade de todo ser humano. E profissionalmente indefectível se expõe verdadeira com aquilo há muito esquecido por todos: a ética, a cidadania e a resiliência. Ainda bem que ela vem Três Corações para iluminar os Campos Gerais. Entretanto, é exatamente às dez da manhã de domingo que ela é Meimei sorrindo acima de todas as coisas. Nesse instante ela faz todas as horas do dia de labuta incansável em um só momento de catarse, prazer e reflexão. E dela se ouve as canções que alentam as almas, os versos que inflamam a vontade de um mundo melhor, as palavras que soam para apaziguar os infelizes e incendiar os desejosos de vida. E o que se faz pelas dez da manhã de domingo vira pras onze de segunda provando que a vida prossegue nas doze horas da terça quando todos merecem um prato de comida pra resistir nas treze horas da quarta, porque é preciso ter o direito de viver e deixar viver pelas quatorze horas da quinta que mergulha na sexta para anunciar o final de semana que o sábado vai festejar prum novo domingo. E quando o coração de Meimei é domingo, não é só um dia, nem só um momento: é a introspecção extrospectiva de segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos e séculos de risos e choros de todas as pessoas do mundo num só coração. Isso é Meimei Correa. Quando assim me expressei, ela já tinha anos de estrada com esse programa. E agora ela comemora 11 anos de resistência e paixão pela iniciativa de todo domingo estar a postos para veicular músicas, recitar poemas e, sobretudo, levar entretenimento com seu coração apaixonado de vida. Da minha parte, o prazer é redobrado: não só comemorar os 11 anos do programa Domingo Romântico, mas de saudar efusivamente a altaneira expressão de uma mulher que se tornou a voz do domingo e do meu coração! E vamos aprumar a conversa na festa vendo mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagem: a arte do pintor, antologista, historiador e poeta do Surrealismo português Mário Cesariny (1923-2006)


Curtindo o álbum Fafá, frevo e folia – Coração Pernambucano (Independente, 2013), da cantora e atriz Fafá de Belém.

BRINCARTE DO NITOLINO – Neste domingo, a partir das 10hs, realizamos mais uma edição do programa Brincarte do Nitolino Especial de Dia dos Pais, no blog MCLAM do programa Domingo Romântico. Na programação comandada pela Ísis Corrêa Naves muitas atrações: Nitolino, Paulo Zola & Francis Monteiro, Meimei Corrêa, Juquinha My Bonnie, Evelyn Queiroz & Rachel Lucena, Livia Luminato, Batráquios do Brejinho, Sabiá lá na gaiola, Juquinha Linguinha, Trombinha Branca, Pirulito que late late, Nita, Danyel Pessoa, Lobisomem Zonzo, Salada de frutas, Cara do Brasil & muito mais músicas, poesias, brincadeiras e histórias para a garotada. No blog, sempre novidades a respeito de educação, psicologia, direito das crianças e adolescentes, teatro, literatura e músicas voltadas ao universo infanto-juvenil. Para conferir, ligue o som e acesse aqui ou aqui.

SABEDORIA E ILUSÕES DA FILOSOFIA – O livro Sabedoria e ilusões da filosofia (Difusão Européia do Livro, 1969), do biólogo, psicólogo e epistemólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), trata da abordagem interdisciplinar da sua investigação epistemológica, realizada com base na sua teoria do conhecimento denominada de epistemologia genética – genêse psicológica do pensamento humano, e a partir de sua própria trajetória intelectual, discutindo as relações entre a ciência e a filosofia, com o objetivo de demolir o falso ideal de um conhecimento supracientífico e combatendo as ambições da psicologia filosófica, notadamente a psicologia bergsoniana e fenomenológica. Da obra destaco trechos do Capítulo I – Narração e análise de uma desconversão: Parece fora de dúvida que a filosofia teve por mira, constantemente, um duplo alvo cujos diferentes sistemas procuraram de diferentes maneiras a unificação mais ou menos completa: um alvo de conhecimento e outro de coordenação dos valores. Uma primeira maneira é pré-crítica: a filosofia atinge um conhecimento integral e coordena assim diretamente os valores morais, etc., aos conhecimentos particulares ou científicos. Uma segunda maneira caracteriza a crítica kantiana: o conhecimento filosófico propriamente consiste, por uma parte, em determinar os limites de todo conhecimento e por outra parte em fornecer uma teoria do conhecimento científico, o estabelecimento de tais limites deixando o campo livre à coordenação dos valores. Um terceiro grupo de soluções (sem procurar, no momento, ser exaustivo) apresenta duas tendências: de um lado, uma dissociação de certos ramos da filosofia promovidos à categoria de disciplinas autônomas (a psicologia, a sociologia, a lógica, e cada vez mais a epistemologia tornando-se interna às ciências); do outro, uma coordenação dos valores fundada em uma reflexão organizadora que procede (e aí são inúmeras as variedades) pelo exame crítico da ciência e pela pesquisa de um modo específico de conhecimento, seja imanente a essa crítica, seja resolutamente situado à margem ou acima do conhecimento científico. [...] Eu tinha chegado a duas ideias, centrais segundo meu ponto de vista, que aliás nunca mais abandonei depois. A primeira é que, todo organismo possuindo uma estrutura permanente, que se pode modificar sob as influências do meio mas não se destrói jamais enquanto estrutura de conjunto, todo conhecimento é sempre assimilação de um dado exterior a estruturas do sujeito (em oposição a Le Dantec que, fazendo inteiramente da assimilação biológica no amplo sentido o pivô da sua doutrina, via no conhecimento uma ―imitação orgânica dos objetos). A segunda é que os fatores normativos do pensamento correspondem biologicamente a uma necessidade de equilíbrio por autorregulação: assim a lógica poderia corresponder no sujeito a um processo de equilibração [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A MENTIRA: MEMÓRIAS DE UM LOUCO – No livro Le Mensonge (Phébus, 1994), do escritor russo Leonid Andreyev (1871-1919), estão reunidas oito narrativas enraixadas na realidade social da Rússica no início do séc. XX, com a temática da mentira pela incapacidade de comunicação entre os homens. Da obra destaco A Mentira (Memórias de um Louco), da qual trago o techo a seguir: [...] V - Um dia, isso já faz tanto tempo, vi, numa jaula de feras, uma pantera negra, que não se assemelhava em nada com as demais, que dormitavam vagamente ou lançavam olhares ferozes sobre os espectadores. Ela caminhava de um canto a outro da jaula, seguindo, com matemática exatidão, uma linha invariável e virando, a cada vez, à mesma barra, a sua coxa negra, que possuía estranhos reflexos dourados. Com o focinho subtil abaixado, olhava direito diante de si, sem voltar-se nunca. Desde manhã até à noite, a multidão ali se apinhava, resmungava, gritava, diante da jaula; alguns espectadores sorriam, mas a maior parte olhava séria, quase triste, aquela viva imagem de um infinito desespero. E mais de um, depois de se afastar, atirava, involuntariamente, um último olhar à pantera, como que sentindo algo de comum entre o seu próprio destino e o do infeliz bicho prisioneiro. Quando, mais tarde, os homens e os livros me falavam do eterno, recordava-me sempre da pantera e experimentava a impressão de já conhecer a eternidade, com todo o seu séquito de dores. Agora, em minha jaula de pedra, eu também me tornei igual àquela fera. Caminho e penso. Caminho através da cela, de um canto a outro, seguindo uma única direção. Uma única linha também seguem os meus pensamentos, que eram tão pesados que me parecia carregar sobre os ombros não só a cabeça mas também o mundo. E todos eles consistem numa só palavra, grande, dolorosa, perversa. Essa palavra é: – Mentira! Novamente ela ricocheteia silvando por todos os cantos e esvoaça em redor da minha alma. Mas deixou de ser uma pequena víbora, para assumir o aspecto de um enorme dragão, que, com os seus dentes de aço, me dilacera. E quando escancaro a boca para gritar de dor, uma única e idêntica palavra me sai da garganta, sempre: "Mentira!" Essa abominável palavra, continuadamente, murmurando-me aos ouvidos, acaba por exasperar-me. Batendo os pés, grito: – A mentira não existe mais! Matei-a! E tapo os ouvidos para não ouvir a resposta que me poderiam dar todos os cantos da cela. Mas ela, a pouco e pouco, insinua-se igualmente: – Mentira! Como vêem, eu estava inteiramente errado! Matei a mulher, sem antes, por meio de rogos, astúcia, ou fogo, lhe haver arrancado a verdade. E assim vou pensando, caminhando de um canto a outro da cela. Como tudo é negro, lá em baixo, para onde ela levou consigo a mentira e a verdade! Mas não importa, irei para lá da mesma forma. Irei ter com ela onde estiver, ainda mesmo no mais negro antro de Satã. Ajoelhar-me-ei a seus pés e dir-lhe-ei, em prantos: – Revela-me a verdade! Mas, meu Deus! Também isto é uma mentira! Lá em baixo existem apenas trevas e vácuo. Ela já não mais lá se encontra e nem tampouco em outro lugar. Somente a mentira vive; a mentira é imortal, é imortal: sinto-a no mais insignificante átomo de ar que respiro. Ela, a cada sopro, penetra-me, penetra-me no peito, e tortura-o, tortura-o! Oh, que loucura para um homem procurar a verdade! Que sofrimento atroz! Socorro! Tenham compaixão de mim! Socorro! Veja mais aqui.


A CABEÇA VISTA DA DIRETA E DA ESQUERDA – No livro Artes poétiques (Ernesth Torin, 1874), do poeta francês Paul Claudel (1868-1955), destaco dois poemas traduzidos por Carlos Drummond de Andrade. O primeiro deles, A cabeça vista da direita: De todo o corpo crucificado só a cabeça permanece flexível. / Os espinhos com que se teve o cuidado de cercá-lo tornam-lhe qualquer apoio impossível. / Durante três horas ela reinou e rezou, durante três horas contemplamos a face divina. / É natural que tombe por fim, pois que sua força se inclina. / Eis chegado o momento por nós pacientemente esperado: / Podemos encarar o Cristo, que não nos vê, seu olhar imobilizado. / Ei-lo no alto da cruz, tal como capitulou, tal como será. / Por mais que façamos dagora em diante, sabemos que não mudará. / Já não ergue a cabeça, permanece na transfixão de seus pés e na extensão definitiva de seus braços. / Não mudará nunca mais essa espécie de parcialidade. / Por mais que façamos, não volverá a outro canto a cabeça ao nosso voltada. / Ele medita (sabia tudo com antecedência) e suporta os quatro pregos para me esperar. / É tão fácil perceber que não está em condições de se libertar. / A morte que há em mim, e o amor que há nele não fazem mais que uma coisa só. / Sua inocência é meu pecado – há entre nós isso de vital, como um nó. / Se ele é o meu Redentor, onde se passaria isto, caso eu não tivesse pecado? / Os pregos doeriam menos ao corpo se eu próprio fosse menos culpado. / Firme é a cruz, mas como é de chumbo, com ela, o que pelo peso e pelo desejo se liga ao meu ser. / Tudo o que há nele de pesado tacitamente é meu, como um fruto que cumpre apenas recolher. Em seguida, A cabeça vista da esquerda: Está escrito no livro da Gênese, nessa história cheia de um mistério infinito, / que José quando se lê que encontrou os irmãos, depois de longa permanência no Egito / fez sair toda a assistência, antes de lhes manifestar a face: / (Egito, que em hebreu quer dizer trevas, é por excelência esta terra em que vivemos, escura e baixa) / pois não convinha que alguém estivesse presente naquele instante sagrado, / do irmão que se virou para nós e pediu para ser encarado. / Assim quis o Cristo, porque era forte o coração deles, ou talvez num amor imenso esteja o segredo, / A muitos e santas aqui em baixo só se mostrar do lado esquerdo / Tudo o que estes fazem, simula não ter não ter reparado. / Quando rezam, dir-se-ia que escuta outra coisa, e seu rosto permanece voltado. / Mas eles sabem, sorriem, e nenhum se lastima, / e voltam tranquilamente para a semeadura e a vindima, pois àquele que crê, a fé é suficiente. / O que a eternidade nos reserva, não é preciso vê-lo nesta vida presente. / Bons servidores, conheceis vosso dever, e é bastante. / A necessária luz é convosco e o caminho traçado de avante. / E quando vosso Criador se volta para vós, com seu olhar em que a cólera não mora, / Ele não quer nem que os homens nem que os anjos sejam testemunhas dessa hora. Veja mais aqui.

O CANTO DA COTOVIA ATÉ VIVER SEM TEMPOS MORTOS – A trajetória da premiadíssima atriz de teatro, cinema e televisão Fernanda Montenegro (Arlette Pinheiro Esteves Torres – a dama dos palcos e da dramaturgia brasileira), começou aos quinze anos quando ainda no teceiro ano do curso técnico de secretariado, se inscreveu no concurso Teatro da Mocidade, promovido pela Rádio MEC. Por conta disso, o seu primeiro emprego foi de locutora de rádio. Ao lado da emissora, funcionava um grupo de teatro amador dos alunos da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, no qual passou a integrar participando da peça teatral Nuestra Natascha. A partir de então, em 1954, ela atuou em O canto da cotovia, seguindo-se Com a pulga atrás da orelha (1955), A moratória (1955), Eurídice (1956), Vestir os nus (1958), O mambembe (1959), A profissão da Srª Warren (1960), O beijo no asfalto (1961), Mary, Mary (1963), O homem do princípio ao fim (1966), A volta ao lar (1967), Oh! Que belos dias (1970), Computa, computador, computa (1971), Serie cômico... se não fosse trágico (1972), A mais sólida mansão (1976), É... (1977), As lágrimas amargas de Petra von Kant (1982), Fedra (1986), Dona Doida (1987), The flash and crash days (1993), Dias felizes (1995), Da gaivota (1998), Viver sem tempos mortos (2010), esta última lhe rendendo o prêmio de Melhor Atriz na 22ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo. Em mais de cinquenta anos de carreira, participou de dezenas de espetáculos teatrais, interpretando de tudo: da clássica tragédia grega à comédia de boulevard, do musical brasileiro a espetáculos de vanguarda, sendo, por isso, em 1999, condecorada com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito e, em 2013, além de ter sido eleita a 15ª maior celebridade mais influente do Brasil pela revista Forbes, também ganhou o Emmy Internacional como a melhor atriz por sua atuação no filme Doce de Mãe. Aqui nossa homenagem e aplausos de pé! Veja mais aqui.

CENTRAL DO BRASIL – Em complemento às homenagens para a dama dos palcos e da dramaturgia brasileira, Fernanda Montenegro, o premiadíssimo drama Central do Brasil (1998), com roteiro de Marcus Bernstein e João Emanuel Carneiro, baseado em história do diretor, o cineasta Walter Salles e inspirado no livro Alice nas cidades, de Wim Wenders, conta a história de uma mulher que trabalha na estação Central do Brasil escrevendo cartas para pessoas analfabetas. Uma de suas clientes aparece com seu filho, pedindo para que escrevesse uma carta para o seu marido, dizendo que seu filho quer visitá-lo. Ao sair da estação, a mãe do menino morre atrapelada por um ônibus, e ele, de apenas nove anos de idade, fica sem ter para ir, passando a morar na estação e iniciando uma amizade com a que escreve cartas, iniciando uma viagem pelo sertão nordestino. O filme arrebatou diversos prêmios, como o David Donatello de Melhor Atriz Estrangeira, bem como o Urso de Prata, o Prêmio do Festival de Havana e o National Bord of Review de Melhor Atriz principal, além de ter sido indicado nas categorias de melhor atriz para os prêmios Oscar, o Globo de Ouro, o Satellite Awards, o Chlotrudis e BAFTA. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA 
Cartaz comemorativo do Dia Internacional dos Povos Indígenas.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico comemorando 11 anos de existência e reprisando toda a programação da semana. A festa começa a partir do meio dia deste domingo, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...