Mostrando postagens com marcador Hazel Henderson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hazel Henderson. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, março 27, 2019

HAZEL HENDERSON, MILLÔR FERNANDES, RUTH RACHOU, CABRA CABRIOLA & VIVA O TEATRO!


TEATRO EM ALAGOINHANDUBA - Uma trupe mabembe resolveu dar as caras por Alagoinhanduba. Tinha o grupo por objetivo uma apresentação teatral para o público daquela localidade. Logo a companhia deu conta das adversidades depois de muito pelejar para uma temporada por lá: Isso é o fim do mundo! Quase era mesmo. Após bater muita perna entre lojas e transeuntes, era hora de reorganizar as ideias: E agora? Criatividade na ponta da língua e nos passos. Por sorte ou quase isso, o prefeito Zé Peiúdo tomava umas e outras com o eleitorado na esquina: Ah, vocês são de triate, é? É. Engolem espada, equilibram no cabo, cospem fogo? Não. Ah, já sei: viram bicho, se envultam e outras palhaçadas, né? Não. A gente faz teatro, não circo. Hem? Ué, vocês fazem mesmo o quê? A gente representa! Que droga é nove? Ah, feito atua feito cinema, novela, só que ao vivo e em cores. Ah, então tem muito tiro e briga? Não. Nem karatê, boxe, faroeste, sarrafada geral? Não. Tem safadeza de furunfado? Não. Oxe, então não presta, não faz nada que a gente gosta. Pronto, agora deu o créu. Nunca viu teatro? A gente gosta de coisa com trapezista, contorcionista, dança, essas coisas que tem piada e esculhambação! É? Dá um treino aí pra gente vê como é que é! Temos que nos aprontar. Ah, meu, se é bom é assim na hora, oxe! Assim não dá, nem a pulso! Lá pras tantas tentaram se entender, o que não foi muito fácil. Se o prefeito de maus fígados era alheio e cheio da má vontade, o povo dali não era muito diferente: A gente nunca viu dessas coisas não. Aí restava se virar e tentar salvar pra não perder a viagem, arrastando malas. Os atores começaram por agir ali mesmo com uns esquetes improvisados na hora: uma birutada geral. Foi juntando gente, bulindo um com o outro, simulando desafios e repentes, o povo na maior gaitada, ao final passaram o chapéu e amealharam umas moedas e algumas cédulas. O prefeito escapuliu de ninguém nem vê-lo se picar tão de mansinho. Juntando com as reservas das algibeiras, deu para um lanche e se arrancharem como podiam numa pensão lá longe. Logo de manhã, molharam o bico com café, pão e ovos, e zarparam prontos para um espetáculo infantil no meio de rua: O lobisomem zonzo. A garotada logo apareceu, juntou bruguelo como a praga: Bicho feio! Bicho feio! E eles tiveram que interagir com a meninada. Não deu outra: implicaram com os personagens, se misturaram com trocas maliciosas de gentileza, foi um horror. Escaparam para o almoço no primeiro pavilhão e, logo no início da tarde, refizeram a cena. Mais gente se aglomerou, foi um teitei medonho: O apurado não vai dar pros gastos. Insistiram e, na boquinha da noite, voltaram pro mesmo local e encenaram uma peça pros adultos: O prêmio – a história de um presepeiro que queria ganhar só por que queria sozinho na loteria. Ah, todo mundo queria saber se o maloqueiro ganhava mesmo. Foi um deus nos acuda! É que tiveram por cenário um tablado improvisado, enquanto corria a cena por batentes e meio-fio. No meio da trama não pouparam esforços e acunharam com uma serração, afiando a língua sobre pirangueiros, má gestão pública, cornagem, trambiques e safadezas, coisas do Brasil de ontem, hoje e anteontem, e a plateia se viu revelada naquele improviso: Serra-véia, serra-gente! Teve gente que queimou ruim, outros deram corda, uma tijolada passou raspando pela cabeça de um, dois estranhos trocaram tapas, foi lapada, mal-estar, pilhéria e caçoadas. A coisa tomou jeito, a zombaria ficou mútua: toma lá dá cá. No clímax da cena, limavam tudo e o palco arreou, maior desabamento. Foi um apupo, haja mangação. O povo no maior corre-corre e a tragicomédia entrou pela perna de pinto e saiu pela perna de pato. E viva o teatro! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] A globalização da produção e do consumo acarretou muito desperdício de energia no transporte e muita destruição da biodiversidade. Quando os manuais de economia forem corrigidos e todos os custos sociais e ambientais da produção forem incluídos nos preços aos consumidores, perceberemos que a produção e o comércio locais e regionais são mais eficientes. O comércio mundial pode deixar de transportar bens e passar a intercambiar serviços – porque é melhor trocar receitas do que tortas e biscoitos. Nós, humanos, adoramos compartilhar arte, poesia, literatura, filmes, ideias e invenções uns com os outros. Isto é comércio mundial sustentável, que ajuda a desenvolver a solidariedade e consciência humanas. [...] Precisamos corrigir o PIB e incluir nele todos os custos e benefícios sociais e ambientais. [...] Não pode haver consumo ético a menos que todos os custos sociais e ambientais sejam incluídos nos preços. A publicidade deveria ser regulamentada para ser veraz e não manipular os cidadãos apelando para o medo, a cobiça, a inveja e a vaidade, mas conscientizá-los a respeito dos imperativos da sustentabilidade. [...] Para promover uma economia humana justa e sustentável, temos de deixar de lado Wall Street, Londres, Frankfurt e Tóquio, os chamados “centros financeiros”. Eles se revelaram como corruptos e destruidores da riqueza real nas comunidades e nos ecossistemas. Já que agora podemos nos comunicar de tantas formas novas, podemos deixar para trás o dinheiro e os grandes bancos e fazer comércio em nível local usando apenas a informação. [...] A riqueza do mundo são os bens ecológicos do ecossistema da Terra e a produtividade desses sistemas naturais de vida (compostos por milhões de diversas espécies interagindo com os solos, os oceanos, a atmosfera), absorvendo os desperdícios dos humanos e processando os elementos de que os humanos necessitam para sobreviver: ar, água, fotossíntese, etc. Toda essa vida da biosfera interage com os humanos, quer seja ou não usado dinheiro para garantir tais transações. Os sistemas monetários que os humanos inventaram são apenas tão acurados para uma adequada promoção de tais transações, quanto ao nível de conhecimento humano e a evolução de nossos sistemas de valores (em prol da reciprocidade e cooperação com nossas espécies e todas as formas de vida). [...] Alguns critérios universais para a qualidade de vida incluem as exigências básicas de manutenção da vida para a existência humana, por exemplo, comida adequada, água, ar, etc. A Declaração Universal dos Direitos Humanos apresenta uma visão mais ampla, incluindo todas as espécies de direitos: políticos, sociais, econômicos, etc. Porém, para muitos lugares, coisas específicas são importantes, baseadas em regimes, culturas locais, valores, condições, etc.[...].
Trechos extraídos da entrevista Não podemos ignorar nossas realizações cooperativas e seus heróis e heroínas (Terra Habitada: velho desafio para a humanidade – HIU, 2005), concedida pela economista futurista, consultora e iconoclasta inglesa, Hazel Henderson, autora dos livros Transcendendo a Economia (Cultrix, 1991), Construindo um mundo onde todos ganhem (Cultrix, 1996), Além da globalização: modelando uma economia global sustentável (Cultrix, 1999) e se expressa: As mulheres sabem quanto tempo, amor e esforço leva para educar uma criança. Quando surge uma guerra, tudo isso é reduzido a nada... então, é muito importante a participação ativa das mulheres na resolução dos conflitos. Se essas mulheres tivessem sido dotadas de poder e representação plena nas negociações, a paz já estaria estabelecida há décadas. Temos o poder de alterar nosso destino. Essa também é minha visão. Na verdade, esse tem sido o meu trabalho nos últimos 30 anos. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A dança para mim é a vida. É um processo de amadurecimento, de crescer dentro de você e em relação às pessoas. É um aprendizado eterno. Para mim, a dança é a vida também. Talvez não tão religiosa como a Martha Graham menciona, mas é um ato de vida, um processo de vida muito bom e muito importante.
O livro Ruth Rachou (Casa Amarela, 2008), de Bernadette Figueiredo e Izaías Almada, traz a biografia da bailarina, atriz, coreógrafa, diretora e professora Ruth Rachou, que é a pioneira do pensamento moderno da dança no Brasil, formando uma geração de artistas
Veja mais aquiaqui.

CABRA-CABRIOLA
Havia uma mulher que tinha três filhos de tenra idade, e saindo sempre à noite para angariar meios de subsistência para eles, recomendava-lhes muito insistentemente, que se prevenissem contras as astúcias da Cabra Cabriola, não abrindo a porta senão a ela própria, cuja voz e toada e particular perfeitamente conheciam. Certa noite, porém, chegado o monstro, bate à porta, e ignorando o acordo estabelecido, pede como se fosse a mãe das crianças, que a deixem entrar; mas, falando naturalmente com a sua voz forte, grossa e horrível, nada conseguiu das suas artimanhas, e saiu desesperada bramindo: "Eu sou a Cabra Cabriola, / Que come meninos aos pares, / E também comerei a vós, / Uns carochinhos de nada...". Retrocede depois, oculta-se, e aguarda a volta da mulher, e com semelhante artifício aprende-lhe a toada, e repara bem no seu metal de voz. No dia seguinte vai à casa de um ferreiro, manda bater a língua da bigorna, e conseguindo assim modificar a sua voz tornando-a mesmo igual à da mãe dos meninos, vem à noite, espreita a sua saída e depois, bate à porta cantarolando a conhecida toada: "Filhinhos, filhinhos / Abri-me a porta,/ Qu´eu sou vossa mãe;/ Trago lenha nas costas, / Sal na moleira,/ Fogo nos olhos,/ Água na boca,/ E leite nos peitos/ Para vos criar..." E as pobres crianças na persuasão de que era a sua própria mãe que assim lhes falava, abrem pressurosas e alegres a porta, e inopinadamente acometidas pela esfaimada Cabra Cabriola, são devoradas por ela.
Lenda extraída da obra Folclore pernambucano (Imprensa Nacional, 1908), de Francisco Augusto Pereira da Costa. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
&
A obra do escritor, dramaturgo, tradutor, desenhista, humorista e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

quarta-feira, abril 04, 2018

EINSTEIN, HAZEL HENDERSON, SILLANPÄÄ, FRANCESCA WOODMAN, BROWNING, JARDS MACALÉ & CIDA MOREIRA

AS VOLTAS QUE ESSA VIDA DÁ – Imagem: Transitory ghosts and angels (2007), da fotógrafa estadunidense Francesca Woodman (1958-1981) - Nadilianinha foi à luta. Depois de assediada pelo padrasto, esporros da mãe ocupada na feira com a venda das verduras, sozinha e sem esperanças, foi no voo do namorado, promessas de paraíso. No caminho pra São Paulo fizeram farra, uma filha e um monte de dívidas. Ao chegarem lá, o namorado saiu pra procurar emprego e nunca mais voltou. Sozinha, grávida e entre desconhecidos, caiu na vida. Manicure, pedicure, ajudante de cabelereira, faxineira diarista, babá de crianças e animais, vendedora porta-a-porta de todo tipo de brebotes, rifas e quitutes, virava o dia pra cima e pra baixo, até o dia de não aguentar mais, deu à luz e ficou feliz com a filhinha nos braços. Ninguém para ajudar, improvisou uma tipoia na caixa dos peitos e saiu varrendo a rua, biscates e um trocado pra comer no final do dia. Ano após ano, pretendentes, afazeres e vaidade na ponta do nariz, dias e noites a fio, carregava a carga, amealhando algum trocado graúdo pra voltar com a cara lisa pra casa da mãe. O padrasto havia morrido, a genitora com uma mão na frente e outra atrás, atendeu o pedido. Com o retorno, reformou a casa e montou salão de beleza. Não era São Paulo, era a decepção de uma cidade interiorana nordestina. O dinheiro acabou, o salão quase às teias de aranha, precisava mudar. Ou arrumava um bom partido pra casar, ou caía na prostituição. Nenhum dos dois. Homem, pra ela, estava fora de questão. Recomeçou varrendo a rua e oferecendo serviços com todas as suas aptidões. Os olhares da cobiça masculina rondaram sua formosura, cada oferta de quase cair dura de tanta fortuna. Não foi na lábia dos enrolões, mandou ver, retomou a vida, correu atrás, fez de tudo virando noite na cozinha, varrendo chão, lavando banheiros, a cara com dignidade, nenhum amor-próprio, o desemprego, a carestia, a penúria. Partiu pro campo, um dia, dois, das cinco da manhã ao por-do-sol, não aguentou o corte da cana mais uma tarde, dores nas costas, impaciente, desesperada, a filha adolescia rebelde, a mãe caducando comia-lhe o juízo, prestes à loucura, para tudo. Chega. Olhou-se no espelho e se perguntou: Quem sou eu? As lágrimas lavaram as faces, já não era tão jovem quanto estimava, nem tão bela como pensara, cabelos grisalhos, rugas, cansada. As dores roubaram o seu sorriso. Refletida no espelho a cara da morte, nada mais. Sabia das escolhas: enlouquecer de vez ou mudar de vida. Há anos tanto fizera pra nenhum horizonte. Sentiu-se fracassada. Optou pela loucura. Lá vai ela doida levantando a saia como quem festeja os ventos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor, cantor e ator Jards Macalé: Amor, ordem e progresso, Ao vivo & Real grandeza; da cantora & atriz Cida Moreira: Summertimes, Abolerado blues & Álbum; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA[...] Estamos, portanto na encruzilhada dos caminhos. Ou tomaremos a estrada da paz, ou a estrada já freqüentada da força cega, indigna de nossa civilização. É esta nossa escolha e por ela seremos responsáveis! De um lado, liberdade dos indivíduos e segurança das comunidades nos esperam. Do outro, servidão dos indivíduos e aniquilamento das civilizações nos ameaçam. Nosso destino será aquele que escolhermos. [...]. Trecho da obra Como vejo o mundo (Nova Fronteira, 1981), do físico teórico alemão Albert Einstein (1879-1955). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

VER & VER - [...] Ao tentarem maximizar os lucros, as pessoas, as empresas e as instituições procuram ‘exteriorizar’ todos os custos sociais e ambientais [...] Sgnifica que elas excluem esses custos de seus balanços e os empurram para outros, transferindo-os para o sistema, para o meio ambiente e para as gerações futuras. [...]. Pensamento da economista futurista e iconoclasta inglesa, Hazel Henderson, extraído de Sabedoria incomum: conversas com pessoas notáveis (Cultrix, 1995), de Fritjof Capra. Veja mais aqui.

SANTA MISÉRIA - [...] Durante muito tempo, Jussi foi presa de ligeira perplexidade. A fazenda possuía salas vastas e limpas, havia mesmo aposentos nos quais nunca se entrava. Ele recebia suficientemente uma boa almentação. Mas, enquanto bebia café varias vezes por dia em Kinnila, aqui nunca lhe ofereciam, embora preparassem com frquencia. Com este regime, seu corpo anêmico fortificou-se muito rapidamente; ao contrario, sua inteligência ficava meio embotada, uma sonolência particular, expressão de saúde excessiva,prostrava todo o seu ser. Seus tendiam a arregalar-se com um ar embrutecido e frequentemente nada compreendia, quando se mandava ir aqui ou ali. Quando devia desincumbir-se de um encargo, lugares lhe eram estranhos e ninguém lhe ensinava, apenas lhe davam a ordem de ir. Não ousava pedir explicações, apenas acontecia-lhe ficar plantado no pátio até que a fazendeira se cansasse de esperar e saísse prontamente para ver “quanto tempo ele ia levar para procurar esta selha”. Jussi tê-la-ia levado de boa vontade numa corrida se soubesse e compreendesse a ordem da patroa. Foi a partir dessa época que ele foi marcado pela reputação de ser vagaroso e bronco, um pouco idiota. [...]. Trechos extraídos da obra Santa miséria (Delta, 1966), do escritor finlandês Frans Eemil Sillanpää (1888-1964), Prêmio Nobel de Literatura de 1939.

POEMAFoi, talvez, uma só, uma vez, apenas: / encontramo-nos ambos, no caminho, / tu eras o pardal solitário num telhado / eu, a pandoleja erma, com a mesma plumagem. / Tua tarefa era repetida entre os gravetos e o barro, / e trabalhavas com os dedos, jogando a argula, amassando-a, esmerando-a, / depois riste: “Estes verão qualquer dia, / Smitg construído e Gibson demolido. / Minha missão era cantar, canta e cantar; / chilrei, trinei, trilei, e gorjeei, / “Kate Brown aqui estará, dentro em breve, / e a existência de Grisi amargurada!” / Não apanhei mais, por um gorjeio, / do que tu, ao riscares no barro; / querias um pedaço de mármore / e eu precisava dum mestre de música. / Muito meditamos, à nossa manieira, / bicamos uma migalha de pão, como os hindus, / pois o ar, envolvendo as telhas, / vinha zombeteiro, até às nossas janelas. / Brincavas como um menino do Sul / de boné e blusa – e ainda com uns tracinhos de barba / que arranjaste, esfregando o teu bico e os dedos / onde o barro aderira. / E não demorei a divisar / pequenos pontos que, na cerca florida, / me espreitavam, / forçando-me a cerrar a cortina, / para, assim tranqüila, atar os cordões do espartilho. / Não houve malícia! Nem foi miinha a culpa / se nunca volveste teus olhos para o alto. / Enquanto eu emitia um “mi” agudo, / que corria a escala cromática. / A primavera era uma súplica aos pardais em par, / moços e moças se entretinham em adivinhações, / e o alimento, em nosso caminho, era escasso: / havia, apenas, junco e agrião. / Por quê não atiraste, espetada / numa bolinha de barro, uma flor? / por quê não revelei a força / da gratidão num olhar nem a exaltei num canto? / Eu parecia livre de receios como um lince, / (e todavia, a recordação ainda dói). / Quando os modelos chagaram, uma menina / viva, subiu, correndo, a escadaria. / Mas, acredito que te considerei bondoso: / “Aquele estranho companheiro – como pode saber / que ela paga, com tanta alegria, / a afinação do seu piano?” / Poderia falar assim, mas não o faças nunca, / “Imaginemos que juntamos as nossas mãos, e as nossas fortunas / eu trago do caminho o teu piano / e tuas canções longas ou curtas”. / Não, não; nem serias diligente, / nem eu mais célebre – alguma coisa mais: / ainda tens de matar Gibson, / e Grisi ainda vive na opulência. / Mas tu encontrarás o Príncipe à mesa, / eu sou rainha nos bailes à fantasia, / casei-me com um lorde rico e velho, / e tu és um cavalheiro armado, da Real Academia. / Ambas as vidas ainda imperfeitas, como vês, / mostram-se em tudo desartucaladas, / não suspiramos profundamente, / nem rimos livremente nem sofremos fome, / não banqueteamos nem afligimos em busca da felicidade. / Ninguém te considera inculto, / e todos me acreditam inteligente: / isso teria acontecido uma única vez, / e, perdendo o ensejo, nós o perdemos para sempre. Poema do poeta e dramaturgo inglês Robert Browning (1812-1889).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa estadunidense Francesca Woodman (1958-1981).
Veja mais aqui.


Congresso Nacional de Estudos da Linguagem - II CONELI & muito mais na Agenda aqui.
&
Das manchetes ao inútil tudo é vendido e consumido, a literatura de Paulo Mendes Campos, a música de Art Farmer, Lee Morgan & Benny Golson, a fotografia de Ramses Marzouk, a pintura de Maurice de Vlaminck & Maria Áurea Santa Cruz aqui.
 

ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...