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sexta-feira, março 31, 2017

TRUFFAUT, SABINE MEYER, PATRÍCIA GASPAR, FANNY ARDANT, CIDA LISBOA & FREYARAVI


A NOITE FREYA, O DIA IARAVI – Imagem: foto/arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez. - Quando a tarde se entregou à noite naquele primeiro dia, a doce e linda índia Iaravi se transformara na deusa das deusas, Freya, a filha de Skadi e Njord. E com o seu poder convocou-me ao culto da sua sexualidade sob o domínio de sua beleza exuberante e sua sedução nos seios desnudos, manto de penas de falcão aos ombros e coberta de joias para me enfeitiçar. E súdito beijei seu pés, suas pernas, coxas, ventre, seios e faces, e celebrei a fertilidade da Senhora das Runas Sagradas, a deusa do amor e da morte, a que protege todos os lares, e que também reina na magia e na adivinhação. Com as duas mãos sobre minha cabeça, obrigou-me a beijar e a lamber seu sexo, a gritar que seu nome é o da concubina, deusa do sexo e da sensualidade, da beleza e da atração, da luxúria, da música e das flores, celebrando a primavera e a renovação. E me esfregava o clitóris, os lábios vaginais, a vulva em minha face, me batizando com seu gozo agoniado e me tornando sacerdote, Senhor Freyr no ritual do acasalamento a me deitar no seu corpo entre cervejas, porcos, maçãs e cevadas. Era a sua enlouquecida orgia até cair lavada de suor sobre o meu corpo pegando fogo e se queimar com a minha quentura e me exigir que a beijasse e ao beijá-la e envolvê-la com meus carinhos e cobiça, ela se mostrava ora Perséfone desmaiando de prazer, ora Afrodite me provocando todos os desejos. No meio da sua loucura, ela me chamava de Odur e sussurrava que sou o seu Sol e seu grande amor. De repente ela se ergueu sobre mim feito a mulher vanir nua e livre pela natureza e em paz para escutar as emoções do coração e não dar a mínima satisfação dos seus atos, e me fez montaria louca por todos ao vales e campos sem fim, até alcançar os confins do mundo e completamente fora de si, na mais insana galopada veloz, gozou a chorar: de suas lágrimas brotaram ouro, ah deusa da riqueza, a me dispor os quatro elementos e os quatro quadrantes. E me disse, recompondo-se: toma, é tudo teu. De tudo me apossei nela nua, agora transformada numa Valkiria, líder entre todas, com suas armas de guerra, montando novamente em mim como se fosse o seu javali Hildisvín, a conduzir as almas dos mortos em combate para reinar sobre as batalhas e a me capturar presa sua entre as pernas e coxas, até vê-la Disir que retornou da morte para me proteger de qualquer ataque e, num relance, já Volva movendo-se livremente com meu pênis feito seu cajado com ponteira de bronze, seu capuz e luva de pele animal e sua capa de penas e seu colar astral como um pássaro pelos nove mundos empregando o Seidhr em total transe na minha carne e sexo, a me lamber as faces e poetar sugando minha pele braços e troncos, até cantar as canções de Galdr para me felar impune como sacerdotisa Volla, a invocar a runa de Odur que sou para que ela retorne à vida para mais uma vez gozar completamente grata e satisfazer todos os meus desejos no presente e no futuro e para todo o sempre, nua e rendida, completamente entregue para que eu desfrute de todos os seus poderes e dotes, e assim juntos gozamos o mais pleno de todos os gozos. Eis que o dia já amanhecia e no primeiro raio de Sol era ela, índia caingang, Iaravi, me lambendo a pele dos pés à cabeça, completamente destronada e servil, para ser nua e inteira Freyairavi. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aquiaqui.

Curtindo os álbuns com o talento da clarinetista clássica alemã Sabine Meyer.

Veja mais sobre:
Nênia de Abril & Sérgio Campos, Octavio Paz, Jorge Tufic & Rogel Samuel, Joseph Haydn, René Descartes, Nagisa Oshima, William Morris Hunt && Programa Tataritaritatá aqui.

E mais:
A mulher escandinava aqui.
Aprumando a conversa pela democracia e legalidade aqui.
Educação profissional aqui.
Segure a onda, Fecamepa, Direitos do Consumidor & outras loas aqui.
A velhice não é o fim do mundo, William Butler Yeats, Antonio Nóbrega & Spencer Tunic aqui.
A criança em mim resiste, John Cage & Martine Joste, Marta María Pérez Bravo & Valentim da Fonseca e Silva aqui.
Vamos aprumar a conversa, Arthur Schopenhauer, Catherine Ribeiro & Natalia Goncharova aqui.
A vida passa e a história se repete, Alfredo Volpi, Xheni Rroji, Avigdor Arikha, Edith Wharton & Gillian Leigh Anderson aqui.
Diálogo entre ninguém e coisa alguma, Cláudio Santoro & Lilian Barreto, Jussara Salazar, Viktor Lyapkalo & Aprumando a conversa aqui.
A sociedade em rede de Manuel Castels, Karen Horney, Carmen Miranda, Edson Cordeiro, Amelinha, Mônica Waldvogel, Branca Tirollo, Frevo & Folia Tataritaritatá aqui.
Três poemetos de amar outra vez, Bertolt Brecht, Boris Pasternak, Bigas Luna & Penélope Cruz, Francesco Hayez, Vanessa da Mata, Abigail de Souza & Programa Tataritaritatá aqui.
Os assassinos do frevo, José Saramago, Hannah Arendt. Luis Buñuel & Catherine Deneuve, Sérgio Mendes, Frederico Barbosa & Gilson Braga aqui.
Alagoas e o império colonial português aqui.
A viagem de Joan Nieuhof & Pernambuco nos séculos XVI e XVII aqui.
Caio Prado Júnior, Manuel Diegues Júnior, Educação & Pedrinho Guareschi aqui.
Celso Furtado, Sociedades Sustentáveis, A questão ambiental & Economia Popular aqui.
Planejamento e atendimento, A arte do guerreiro, A pedagogia do sucesso, Educação e a crise do capitalismo real, EaD, Currículo, cultura & sociedade aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
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A arte da atriz, autora, diretora e roteirista Patrícia Gaspar que atuou no teatro, entre outras peças teatrais, em Futilidades Públicas (2002), Mulheres que bebem vodka (2010) e Carícias (2006), como também no cinema, em filmes como Doméstica (2001) e A dama do cine Shangai (1996), entre outros longas e curta-metragens.

DESTAQUE:
Entre os muitos e tantos filmes que assisti do cineasta francês François Truffaut (1932-1984), destaco desta vez quatro seus filmes, o primeiro Vivent dimanche (De repente, num domingo, 1983), que conta a história de uma mulher secretária de um agente imobiliário, secretamente apaixonada por ele e vai ajudá-lo a sair de um problema que ele é acusado de dois assassinatos. O destaque deste filme fica por conta da atuação da belíssima atriz do cinema e teatro francês Fanny Ardant. O segundo La femme d’à Coté (A mulher do lado, 1981), que conta a vida de um casal que leva uma vida tranqüila em uma cidade interiorana, quando se instalam entre os vizinhos, um outro casal no qual a mulher já se envolveu em um amor tumultuado com o marido do primeiro casal. Ambas já sabiam desse envolvimento até a situação de que os ex-amantes vão renovar suas relações em segredo. Este também um filme em que se destaca a atuação da atriz Fanny Ardant. O terceiro, L’amou em fuite (Amor em fuga, 1979), conta a história de uma casal que decide divorciar-se, quando ele encontra na escadaria da Corte o seu primeiro amor, então uma advogada de renome. Trata-se de um filme em que o cineasta traz à cena outros dos seus filmes em sequências de flashback. Destaque para a beleza das lindas atrizes Claude Jade e Marie-France Pisier. Por fim, o filme Une Belle Fille Comme Moi (Uma jovem tão bela como eu, 1972), baseado no romance homônimo de Henry Farrell, contando a história de um jovem sociólogo preparando uma tese sobre mulheres criminosas, quando conhece uma acusada de ter assassinado o seu amante e se encontra na prisão e, a partir de então, tenta provar sua inocência. O destaque dessa obra fica por conta da bela atriz Bernadette Lafont. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
descubro-lhe o desejo
e o verso vem logo atrás
no meu empenho louco
de fazer poesia
rabiscos do meu mundo alheio
maneiras de dizer: te amo
(O Verso Em Si)
Poemas/imagens/arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja mais aquiaqui e aqui.

DEDICATÓRIA:
A edição de hoje é dedicada à produtora, radialista e compositora

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

terça-feira, fevereiro 16, 2016

AS PERNAS NO CINEMA & O SEMINÁRIO DE OBJETIVO DE LACAN



AS PERNAS NO CINEMA – Muitos e diversos filmes tratam das pernas das mulheres. Todavia, destaco alguns deles aqui, primeiramente o filme Domicílio conjugal (1970), do cineasta francês François Truffaut (1932-1984), em que as belas pernas da atriz francesa Claude Jade são bem destacadas nas cenas. Do mesmo cineasta O homem que amava as mulheres (L’Homme Qui Aimait Les Femmes, 1977), em que é efetuada uma apologia às pernas das mulheres, abusando das cenas em que a câmara é colocada bem perto do chão, acompanhando o andar delas e mostrando desde o início das saias ou de seus vestidos até os sapatos. Outro belíssimo filme é Le genou de Claire (O joelho de Claire, 1970), dirigido pelo cineasta Éric Rohmer, conta a história de um diplomata de carreira que de férias e às vésperas do seu casamento, recebe a visita de uma ex-namorada, através da qual, conhece uma jovem que possui uma irmã, Claire, que será cobiçada por ele, com a fantasia de acariciar o seu joelho. Veja mais aqui e aqui.


O SEMINÁRIO – A RELAÇÃO DE OBJETO, DE JACQUES LACAN -  O livro O seminário: a relação de objeto, de Jacques Lacan, trata da teoria da falta de objeto, o esquema Z, o objeto perdido e reencontrado, pérolas, o objeto, a angustia, o furo, o fetiche e o objeto fóbico, as três formas da falta de objeto, o que é um obsessivo, a tríade imaginária, o falicismo e o imaginário, realidade e wirklichkeit, o objeto transicional do senhor Winnicott, o significante e o Espírito Santo, a imagem do corpo e seu significante, a usina do isso, a dialética da frustração, a frustração e o verdadeiro centro da relação mãe-filho, retorno do Fort-Da, a mãe do simbólico ao real, a criança e a imagem fálica, a fobia da pequena inglesa, da análise como bundling e suas consequências, a perversão a olho nu, a verdadeira natureza da relação analítica, a solução fetichista, o paroxismo perverso, perversão transitória de um fóbido. Na segunda parte trata das vias perversas do desejo, abordando sobre o primado do falo e a jovem homossexual, Freud, a menina e o falo, o significante Niederkommt, as mentiras do inconsciente, o serviço da dama, o mais-além do objeto, bate-se numa criança e a jovem homossexual, intersubjetividade e a dessubjetivação, a imagem molde da perversão, a simbólica do dom, frustração, amor e gozo, esquema permutativo do caso, a insistência simbólica da transferência, pai potente e impotente, o amor, a falta e o dom, Dora entre questão e identificação, metonímia perversa e metáfora neurótica. Na terceira parte trata do objeto do fetiche, abordando a função do véu, o falo simbólico, como realizar a falta, a lembrança encobridora, fixação na imagem, alternância das identificações perversas, estrutura do exibicionismo reativo, a identificação ao falo, o travestismo e o uso da roupa, mostrar diferente dar a ver, girl/Phallus, o objeto e o ideal em Freud, frustração de amor e satisfação da necessidade, o falo e a mãe insaciável, o dom se manifesta no apelo, a substituição das satisfações, a erotização da necessidade, o espelho do júbilo à depressão, papel significante do falo imaginário. Na terceira parte trata da estrutura dos mitos na observação da fobia do pequeno Hans, abordando sobre o complexo de Édipo, a equação pênis/criança, o ideal monogâmico na mulher, o outro entre a mãe e o falo, o pai simbólico é impensável, a bigamia masculina, sobre o complexo de castração, critica da Aphanaisis, o pai imaginário e real, o ser amado, a angustia, o engodo ao pênis que agita, os animais da fobia, o significado no real, a rede da carta roubada, sozinho com Mariedl, a criança metonímica, o preto diante da boca, a fobia estrutura o mundo, para que serve o mito, funções e estrutura do mito, o Krowall e o orgasmo infantil, a fantasia das duas girafas, o enraizado, o perfurado, o amovível, a transposição simbólica do imaginário, como se analisa o mito, dar a ver e ser surpreendido, o professor bom Deus, o método de Claude Lévi-Strauss, nua e de camisola, captura no mecanismo permitatorio, o significante e o chiste, regra de ouro, valor combinatório do significante, Hans no país das maravilhas, malicia e ingenuidade, o que se vai pelo buraco, circuitos, por que o cavalo, do cavalo à estrada de ferro, o vaivém de Hans, Wegen e Wagen, permutações, não trote de mim, o barraco que desaba, seja um verdadeiro pai, a pinça, transformações, o phalus denathus, descarga do significante, a angustia do movimento, cair e morder, o canivete na boneca, as calças da mãe e a carência do pai, o lounf e a roupa, o desaparafusamento da banheira, beija-a um pouco mais, a suplência ao pai, infecunda castração materna, a ideia de Anna, ensaio de uma lógica de borracha, o pai na geladeira, o feixe e a foice, a metáfora paterna, a mãe desdobrada, uma paternidade imaginária, me dará sem mulher uma progenitura, da intersubjetividade ao discurso, o objeto em função de desaparafusamento e Anna senhora do cavalo. Na quinta e última parte, trata sobre o envio abordando de Hans-o-fetiche a Leonardo-no-espelho, a saída pelo ideal materno, Hans filha de duas mães, o abutre era um milhafre, o outro tornado pequeno outro e a inversão imaginária de Leonardo. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

REFERÊNCIA
LACAN, Jacques. O seminário: a relação de objeto. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.


Veja mais sobre:
Aijuna, o mural dos desejos florescidos aqui.


E mais: 
Imre Madách, Franz West, Pierre Rode, Vera Ellen, Anne Chevalier, Sarah Clarke & muito mais aqui.
Crônica de amor por ela aqui.
O Recife do Galo da Madrugada aqui.
Utopia, Charles Dickens, Alfred Adler, Carybé, Rogério Duprat, Hector Babenco, Sonia Braga & Tchello D’Barros aqui.
A psicanálise de Karen Horney & o papo da tal cura gay aqui.
A hipermodernidade de Gilles Lipovetsky & a trajetória Tataritaritatá aqui.
Três poemetos da festa de amor pra ela aqui.
Poetas do Brasil aqui, aqui e aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA;
Veja Fanpage aqui e mais aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui& maisaqui e aqui.




sexta-feira, janeiro 22, 2016

MALFATTI, QUINTANA, VOLTAIRE, TRUFFAUT, CASCUDO, SPIELMANN, MOREAU, GERUSA LEAL & MUITO MAIS!!!!


TODO DIA É DIA DA MULHER - A campanha todo dia é dia da mulher nasceu em 2006 – na verdade, em 1996 quando escrevi a Crônica de amor por ela e se transformou em Folia Tataritaritatá em 2013 -, e tem duas razões muito simples. A primeira delas, é que não apenas se reduz à comemoração de dois dias, o 08 de março – Dia Internacional da Mulher, e o 30 de abril – Dia Nacional da Mulher, que se deve prestar homenagens a esse ser tão maravilhoso. Em segundo, é que também não é apenas a atitude estúpida masculina a responsável pela totalidade da injustiça cometida contra todas as mulheres. Evidente que o machismo idiota representa a maior parcela e mais representativa violência no âmbito da injustiça, contudo deve ser acrescentada, também, a responsabilidade cometida pela estrutura em que foi formada toda humanidade, notadamente aquela assentada no patriarcalismo – e nesse balaio entra toda sociedade, desde autoridades, sistema de saúde, educação, enfim, a sociedade como um todo também é responsável pelas atrocidades que são cometidas contra as mulheres. É evidente que isso está assentado na trajetória da mulher desde as mais remotas eras até o momento atual, registrando uma série de acontecimentos que vão desde a imposição da sua submissão ao homem na sociedade patriarcal, à sua fragilidade na questão de gênero, à sua exaltação ao posto de musa e rainha de poetas e sonhadores, à determinação dos seus afazeres domésticos e criação dos filhos, afora discriminações, ultrajes e violências. Ao longo dos tempos, a mulher sempre foi encarada religiosamente como a culpada pelo pecado, foi submetida a ser apenas a costela do homem e sua fiel companheira na criação dos filhos, na manutenção dos afazeres domésticos e condução da família. Não raro, a mulher se dedicou à luta da sua autonomia contra as discriminações de gênero e na busca por uma igualdade de condições. Dentro dessas lutas ela também se envolveu com outras questões democráticas, como o direito de voto, justiça social, anistia, melhores condições de trabalho, entre outras, engajando-se, inclusive, nas lutas dos homens e de toda humanidade. As lutas das mulheres não só reivindicavam os seus direitos, incorporavam o direito de todos, crianças, idosos, analfabetos, natureza, enfim, todo ser humano e planeta Terra. No meio dessas manifestações, a mulher foi, mesmo nas mais legítimas reivindicações gerais de suas propostas e da sociedade em geral, sempre discriminada, desafiada, ultrajada, maltratada e até violentada pelas mais torturantes iniciativas totalitárias e opressoras. Vítima de uma violência das mais trágicas, a mulher perseguiu ao longo dos milênios com seus anseios e lutas por sua afirmação, pelo feminismo, pela democratização, pelo direito de todos e pela justiça social. Esta é a prova inconteste de que existem diversas formas de violência praticadas contra a mulher, desde a discriminação social, até o espancamento físico, estupros, maus tratos, assédios e assassinatos. É essa a violência que parte da própria sociedade e é mais terrível no seio da família, quando praticada nos domínios do lar pela supremacia de mando do seu marido. Com o passar dos tempos, a violência contra a mulher começou a ser combatida no mundo inteiro e seus direitos passaram a ser exigidos nas sociedades democráticas. A partir da Revolução Francesa, com o surgimento dos direitos, a luta das mulheres direcionou-se entre as reivindicações de classe e questões políticas que se adensaram na Revolução Industrial, articulou-se com o Marxismo, fez frente aos movimentos sufragistas e se delinearam nos movimentos feministas. No Brasil, a luta das mulheres não foi diferente dos cenários europeus e norte-americanos, culminando com a promulgação da Constituição Federal de 1988, quando esta estabeleceu a igualdade de gêneros, o principio da dignidade humana e o exercício da cidadania pela instituição do Estado Democrático de Direito, quando a mulher viu-se contemplada com seus direitos garantidos. A partir dessa Carta Magna, muitos institutos legais regulamentaram suas previsões, visando coibir a violência contra a mulher. Estes institutos podem ser constatados a partir da instituição das Delegacias de Defesa da Mulher, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e a edição da Lei Maria da Penha, esta exclusivamente voltada para coibir a violência, entre outros tantos diplomas legais atinentes ao atendimento dos direitos da mulher. Mesmo com esse aparato legal, o problema ainda persiste – é porque não é só de lei que vive a Justiça e o Direito, muito menos o ser humano, mas de educação, consciência, respeito à diferença e solidariedade. (Luiz Alberto Machado).

Veja mais:
SAMIRA, A RUIVINHA SARDENTA 
SULINA, A OPULÊNCIA DA BELDADE
 
PICADINHO


Imagem: Female nude, do pintor austríaco Hans Temple (1857-1931)


Curtindo o álbum Brazilian Breath (Aosis Records, 2001), da saxofonista, flautista, compositora e arranjadora Daniela Spielmann.

EPÍGRAFE – Os homens usam o pensamento só para justificar suas injustiças, e o discurso para esconder seus pensamentos, frase recolhida do livro Dialogues d'Euhémère (1777), do escritor, dramaturgo e filósofo iluminista francês Voltaire (François Marie Arouet/1694-1778). Veja mais aqui, aqui e aqui.

COMUNICAÇÃO – No livro O que é comunicação (Nova Cultural/Brasiliense, 1986), do intelectual paraguaio que estudo a comunicação, Juan Diaz Bordenave (1926-2012), encontro que: Alguém fez, uma vez, uma lista dos atos de comunicação que um homem qualquer realiza desde que se levanta pela manhã, até a hora de deitar-se, no fim do dia. A quantidade de atos de comunicação é simplesmente inacreditável, desde o bom dia à sua mulher, acompanhado ou não por um beijo, passando pela leitura do jornal, a decodificação de números e cores do ônibus que o leva ao trabalho, o pagamento ao cobrador, a conversa com o companheiro de banco, os cumprimentos aos colegas no escritório, o trabalho com documentos, recibos, relatórios, as reuniões e entrevistas, a visita ao banco e as conversas com seu chefe, os inúmeros telefonemas, o papo durante o almoço, a escolha do prato no menu, a conversa com os filhos no jantar, o programinha da televisão, o dialogo amoroso com sua mulher antes de dormir, e o ato final de comunicação num dia cheio dela: boa noite. A comunicação confunde-se, assim, com a própria vida. Temos tanta consciência de que comunicamos como de que respiramos ou andamos. Somente percebemos a sua essencial importância, quando, por um acidente ou uma doença, perdemos a capacidade de nos comunicar. Pessoas que foram impedidas de se comunicar durante longos períodos enlouqueceram ou ficaram perto da loucura. A comunicação é uma necessidade básica da pessoa humana, do homem social. Veja aqui.

O CABOCLO, O PADRE E O ESTUDANTE – No livro Contos tradicionais do Brasil (Itatiaia/Edusp, 1986), do historiador, antropólogo, advogado e jornalista Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), encontro a narrativa sobre O caboclo, o padre e o estudante: Um estudante e um padre viajavam pelo sertão, tendo como bagageiro um caboclo. Deram-lhe numa casa um pequeno queijo de cabra. Não sabendo como dividi-lo, mesmo porque chegaria um pequenino pedaço para cada um, o padre resolveu que todos dormissem e o queijo seria daquele que tivesse, durante a noite, o sonho mais bonito, pensando engabelar todos com seus recursos oratórios. Todos aceitaram e foram dormir. À noite, o caboclo acordou, foi ao queijo e comeu-o. Pela manhã, os três sentaram à mesa para tomar café e cada qual teve de contar o seu sonho. O frade disse ter sonhado com a escada de Jacob e descreveu-a brilhantemente. Por ela, ele subia triunfalmente para o céu. O estudante, então, narrou que sonhara já dentro do céu à espera do padre que subia. O caboclo sorriu e falou: - Eu sonhei que via seu padre subindo a escada e seu doutor lá dentro do céu, rodeado de amigos. Eu ficava da terra e gritava: - Seu doutor, seu padre, o queijo! Vosmincês esqueceram o queijo. Então, vosmincês respondiam de longe, do céu: - Come o queijo, caboclo! Come o queijo, caboclo! Nós estamos no céu, não queremos queijo. O sonho foi tão forte que eu pensei que era verdade, levantei-me, enquanto vosmincês dormiam, e comi o queijo... Veja mais aqui, aqui e aqui.

ESPARADRAPO – No livro Da preguiça como método de trabalho (Globo, 1987), do poeta, tradutor e jornalista Mário Quintana (1906-1994), encontro o poemeto em prosa Esparadrapo: Há palavras que parecem exatamente o que querem dizer. “Esparadrapo”, por exemplo. Quem quebrou a cara fica mesmo com cara de esparadrapo. No entanto, há outras, aliás de nobre sentido, que parecem estar insinuando outra coisa. Por exemplo: “incunábulo”. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

HORÁRIO DE VISITA – Tive oportunidade em 2003, de assistir em São Paulo, no Teatro do Centro da Terra, à montagem do espetáculo O horário de visita, de Sérgio Roveri, com direção de Ruy Cortez, contando a história de um casal sob o impacto de um trauma recente esperando a visita que poderá proporcionar o alivio para eles. Mas o inesperado traz, além dessa pessoa, uma segunda visita. A reunião, que deveria ser apaziguadora, transforma-se assim em um conturbado confronto de interesses. O destaque da peça teatral vai para a atriz Tuna Dwek. Veja mais aqui.

JULES ET JIM – O drama Jules et Jim (Uma Mulher para Dois, 1962), dirigido pelo cineasta francês François Truffaut (1932-1984),conta a história da amizade de dois homens e o amor de ambos pela mesma mulher na Paris do início do século XX. Trata-se de um judeu-alemão tímido e um francês extrovertido que se tornam grandes amigos. Eles têm muitos dos mesmos interesses, entretanto procuram alcançá-los de forma bastante diferenciada. Em uma viagem para uma ilha um pouco distante da Grécia, eles veem uma estátua com um sorriso sem igual e quando voltam à Paris conhecem uma mulher que se parece com a escultura. Logo os três boêmios se tornam um trio inseparável e eles têm muitos momentos agradáveis em passeios de bicicletas ou idas à praia, enquanto o cenário político mundial estremece com a possibilidade da Primeira Grande Guerra, estando o trio determinado em aproveitar a vida ao máximo e viver para o momento. O destaque do filme é para a atriz e cantora francesa Jeanne Moreau. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte da pintora, desenhista, gravadora e professora Anita Malfatti (1889-1964). Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à escritora pernambucana Gerusa Leal & Flor de Gelo. Veja aqui.

Veja aquiaqui.

Veja as homenageadas aqui.


DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...