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sábado, julho 05, 2014

ANN LECKIE, URSULA ANDKJÆR OLSEN, TAOS AMROUCHE & DIC’ARTES

 


DAS BRONCAS ROENDO O JUÍZO – Já vi de tudo: gente desenvultar depois de décadas; chutar a bola e correr pra comemorar um gol contra; cair de costa e quebrar o nariz; sujeito pára-raio: eita! Num é que o relâmpago pegou-lo do nada! O Brasil andar prá trás (ah, sempre!); olhar pra cima e cair no buraco – eita! Pegar carona pra casa da peste; errar o caminho e acertar na veia; jogar na loteria e acertar no jogo da velha; dar salto solto e bundacanasca, plantar bananeira e se esfolar no arame farpado; botar maior lábia e findar perebento de relar o couro no muro; bater pé firme no chão e se estrepar com a lapada no lombo pelo desafio; levar na cara o cuspe dado pra cima; penar pra fazer tudo certo pra se lascar enrolado na bronca. Ora, ora. Do jeito que o desembesto vai, não terá quem pegue a causa. O que tem de gente fabricando tempestade, uivando no bombo e andando como quem segura o peido, não tá no gibi, avalie! Cada um por conta própria nas ondas do desprezo, cada qual seu caritó de boca aberta e queixo caído. A coisa está mais praquela do ninguém tem nada a ver com isso! E antes que eu me esqueça: Vamos aprumar a conversa, gente! Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Se você vai fazer um ato de desafio desesperado e sem esperança, você deve fazer um bom ato. As coisas acontecem do jeito que acontecem porque o mundo é do jeito que é. Afinal, qual era o sentido da civilização senão o bem-estar dos cidadãos? São as pessoas sem dinheiro e sem poder, que querem desesperadamente viver, para essas pessoas as coisas pequenas não são nada pequenas. Pensamento da escritora estadunidense Ann Leckie. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Grande parte do nosso trabalho na vida consiste em fugir de uma tarefa dolorosa ou desagradável. A melhor maneira de aprender é fazendo. O trabalho duro vence o talento quando o talento não trabalha duro. A chave do sucesso é a perseverança. Pensamento da médica e acadêmica estadunidense Alice Hamilton (1869-1970), uma das principais especialistas na área de saúde ocupacional, pioneira na toxicologia e a primeira mulher nomeada para o corpo docente da Universidade Harvard.

 

JACINTO PRETO - [...] Aqui está o que a senhorita Anatole me acusa: - Uma personalidade muito forte. - Uma escala de valores diferente da sua. - Opiniões, pensamentos, maneiras de falar que são específicas para mim. - Negar a vontade (!). - Falar de Rousseau e Gide em todos os momentos... Pensei encontrar em vocês - jovens com altos ideais - a verdadeira compreensão e não aquela que se prende às aparências... [...]; Trecho da obra Jacinthe noire (Joëlle Losfeld, 1996), da escritora e cantora argelina Taos Amrouche (1913-1976). Veja mais aqui.

 

DA MINHA CAIXA DE JOIASI - eu pinto brilho \ eu pinto brilho \ ao redor de tudo o que precisa brilho pintado ao redor dele \ sem a cobertura necessária \ sem o ouro necessário \ sem a prata necessária \ sem ter o que é necessário \ eu pinto isso \ e ninguém pode tirar isso de mim II - a criança que é tirada do cofre \ e não volta mais\ está em dívida, perdeu a falta de dívida e \ não é mais apenas\ um presente\ eu acalmo, diminuo, alivio \ sua vontade de\ seja um presente novamente \ (só você) III - o dom que vem antes da possibilidade do dom como \ um raio \ e o peito é \como uma pira \ como um oceano \ como uma pira em cima de um oceano\ o fato de que o presente vem antes do humano \ que o humano vem depois do presente\ no momento da culpa\ caindo dentro de sua culpa \ caindo fora de sua inocência IV - pessoas dizendo a outras pessoas para superarem \ seus sentimentos\ e eles estão errados V - estar 1:1 com o seu sentimento \ quando você sabe que não é o único sentimento presente \ em uma determinada situação, \ não é o único sentimento possível\ estar 1:1 com o seu sentimento, \ mesmo quando você sabe que não é o único sentimento presente, \nem o único sentimento possível \ em uma determinada situação\ deixe os outros serem 1:1 com os deles VI - distribuir pequenas doses de ódio para treinar o sistema \ quando a próxima dose chegar \ como um diamante \ vindo de fora \ de um ser inesperado, \ tudo estará pronto \ o cenário está \ pronto para receber \ distribuo pequenos diamantes \ em seus canais\ treinar \ para encontrar as configurações \ etc. VII - o que eu quero dizer é: \ quão difícil é deixar os outros sentirem o que eles sentem \ quão difícil é deixar os sentimentos dos \ outros estarem presentes \ na sala \ sem mudá-los\ quando você tiver conseguido isso, só então \ você deve cumprimentá-los com as \ mãos em concha\ aceite-os um por um \ enquanto eles chegam como \ diamantes de ódio vindos de veios de ouro \ leve-os para a floresta, para o oceano, para o céu, para a cozinha \ coloque-os na terra \ coloque-os na água \ coloque-os no vento \ coloque-os no fogo \ coloque-os em seus lugares e diga: \ esse sentimento nunca deve ser mudado VIII - talvez diga: \ vamos dar forma a esse sentimento, fazê-lo brilhar mais claro do que \ nunca\ esse sentimento deve brilhar em seu cenário. Poemas da escritora dinamarquesa Ursula Andkjær Olsen.

 

OUTRAS DIC’ARTES

 

 Imagem: foto Márcia Novo.
Ouvindo Márcia Novo cantando Possivelmente, parceria musical de Nilson Chaves & Felipe Cerquize:

Caso você queira
eu faço um mundo novo.
Posso girar ao contrário,
contrapondo o sentido horário,
até que me torne um menino
entregue ao meu contradestino.
Caso você queira,
eu faço brotar mil gerânios
no inverno de Leningrado.
O mundo está todo errado.
Quase tudo é possível:
a surpresa esperada,
o brilho da Lua nova,
Idiomas sem palavras,
céu azul de madrugada.
Caminhar sobre água corrente,
refrescar-se no sol do Atacama.
Ver no gelo incandescente
a paixão de quem não ama.
Caso seja seu desejo,
torno nosso amor possível.
por mais que seja improvável
por mais que isto seja incrível.


FELIPE CERQUIZE – Conheci o poetamigo, compositor e engenheiro químico Felipe Cerquize faz uma data. Não sei bem quando, sei que foi, acho, por volta de 1997 quando entrei internet, ou por aí. Batemos o centro da nossa amizade quando conheci o seu livro Rhumor (1996) e, logo depois, o seu ótimo cd com músicas autorais Léguas (1999). Trata-se de um escritor premiadíssimo: já arrebatou duas vezes o FEUC de Poesia (2003/2007), o Balada do Impostor (2007), o 140 Letras (2009), o internacional Nósside (Itália/2010), o IV Festival de Música das Rádios MEC e Nacional (2012), entre outras indicações e prêmios. Em 2005 ele lançou o livro Contos sinistros e, em seguida, lançou o Conversa Rimada em parceria com Luhli (premiado pela UBE/2007). Em 2011, foi a vez dele lançar o livro Pelos caminhos da estrada real e, por consequência, em 2012, lançou o cd Minas Real. E isso não fica por aí, pois, ele é parceiro do primeiro time da Música Brasileira: da Ana Terra, do Cláudio Nucci, do Fernando Brant, do saudoso poetamigo Anibal Beça, do George Israel (Kid Abelha), do Márcio Borges, do Murilo Antunes, do Tavito, do Sérgio Ricardo, do Roberto Menescal, do Mano Melo & etc e tal. Que timaço invejável! Para se ter ideia ele possui mais de 500 obras (e só não é meu parceiro musical por completa incompetência e desorganização minha, vez que duas letras dele que eu trabalhava foram pro beleléu quando pifou o HD do meu PC, destá!). Mas hoje é aniversário dele e, como sempre, eu na fila do gargarejo aplaudindo de pé este grande talento e desejando felicidades e sucesso universais!!!! Parabéns, amigo Cerquize! Veja mais aqui.


JEAN COCTEAU - Quando assisti pela primeira ao filme O sangue de um poeta (Le sang d´um poete, 1930), do escritor, cineasta, dramaturgo, desenhista e ator surrealista francês, Jean Cocteau (1889-1963), fiquei impressionado com o enredo enigmático e metafórico, as tramas sobre um mundo interior de poeta com seus medos e obsessões, a temática da morte e as dificuldades da criação artística, a música de Georges Auric e a lindeza da atriz Elizabeth Lee Miller (1907-1977, Lady Penrose). O filme conta a história de um artista sem nome que é transportado através do espelho para outra dimensão, viajando por diversos cenários bizarros, repletos de imagens surreais vindas em sequencias sem lógica aparente que o tornaria a representação máxima do cinema e da poética surrealista. Tudo começa quando um pintor vai desenhar um rosto e a boca desse desenho passa a ter vida, o que estranhamente o faz tentar apagá-la e, ao final vê-la impressa na sua própria mão. Tentando libertar-se da boca, só consegue ao passá-la para uma estátua que ganha vida e o aconselha a sair da sala pelo espelho onde aparecem diversas portas e em cada fechadura uma cena: um hermafrodita, um fumador de ópio, uma menina que aprende a voar, um revolucionário mexicano, um anjo negro, um casal que joga cartas, a estátua que surge com uma lira. Todo filme é impregnado por uma atmosfera onírica e um forte componente simbólico, como um conjunto de alegorias que levam ao significado da sua sensibilidade poética: “todo o poema é um brasão que tem de ser decifrado”. Pois, para ele: “O poeta lembra-se do futuro” e “A poesia é uma religião sem esperança”. Esse foi o primeiro filme da trilogia Órfica de Cocteau que incluiu depois Orphée (1950) e Le Testament d´Orhée (1960). Dele, um fragmento do seu belíssimo poema O mentiroso: “Gostaria de dizer a verdade.  Gosto da verdade. Mas ela não gosta de mim. A verdade é esta: a verdade não gosta de mim. Mal acabo de dizê-la, ela muda de rosto e volta-se contra mim. Tenho o ar de mentir e todos me olham de revés. E, no entanto, sou uma pessoa simples e não gosto da mentira. Juro. A mentira traz sempre complicações assustadoras. [...] Sou tomado de angústia, de receio, de medo do ridículo, e minto. Minto. Não há nada a fazer. Demasiado tarde para voltar atrás. Depois de se começar a mentir, tem de se continuar. E não é cômodo, juro. É tão fácil dizer a verdade. É um luxo de preguiçoso. [...] Chamam-me mentiroso e não respondo. Poderia responder: vocês mentem. Mas não encontro a força necessária para isso. Deixo-me insultar e rebento de raiva. E é esta raiva que se acumula, que se amontoa em mim, que me enche de ódio. [...] Vocês mentem com certeza! Vocês mentem todos. Mentem constantemente e gostam de mentir e de acreditar que não mentem. Vocês mentem a si próprios. Isso é que é grave. Porque eu não minto a mim próprio. Eu tenho a franqueza de confessar que minto, que sou um mentiroso. Mas vocês, vocês são uns cobardes. Escutam-me e pensam: coitado! E aproveitam-se da minha franqueza para dissimular as vossas mentiras. [...] É certo que a verdade tem o seu peso e consegue espantar-me. A verdade. As duas equivalem-se. Talvez a mentira lhe ganhe... embora eu nunca minta. O quê? Se já menti? Claro que sim. Menti quando lhes disse que mentia. Menti quando lhes disse que mentia ou quando lhes disse que não minto? Mentiroso, eu? No fundo, já não sei. Sinto-me confuso. Que tempo o nosso! Serei um mentiroso? Pergunto--lhes. Sou antes uma mentira. Uma mentira que diz sempre a verdade. Veja mais aqui


ELIZABETH LEE MILLER – A atriz estadunidense Elizabteh Lee Miller (1907-1977) do filme Sangue de um poeta, de Jean Cocteau, também era fotógrafa de moda e fine art, modelo de sucesso e correspondente de guerra da revista Vogue durante a II Guerra Mundial. Por suas atividades a Lady Penrose virou filme em 1995, num documentário feito por Sylvain Roumette com o título de Lee Miller: Trhough the Mirror, um filme narrado por seu único filho, o pintor Roland Penrose em que ele revela o diário da mãe, a vida dela com Cocteau e Picasso, a nudez no início da carreira para Man Ray, as capas das revistas Vogue e Blitz, películas e fotografias.



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segunda-feira, janeiro 14, 2008

EMERSON, CERQUIZE, EDUCAÇÃO, SPENCER JOHNSON, MONTY ALEXANDER, JOSÉ MOURA & MUITO MAIS!!!



A ESCOLA, A SOCIEDADE E A FORMAÇÃO HUMANA – Diante da interrogação de que a deve preparar os jovens para se adequarem à sociedade ou participarem dela transformando-a, leva-nos, a partir de estudos sobre o papel desta escola, mediante os paradigmas mais recentes que se encontram norteando o conhecimento humano, quando a educação assume um papel relevante na pauta da política mundial, a posicionarmo-nos sincronizados com o que se estabelece a partir das definições colhidas nas transformações em voga. Em confronto com o paradigma secular mecanicista e as proposições do escolanovismo, do tecnicismo e do tradicionalismo pedagógico, vem se delineando no Brasil, desde o final da década de 50 e início dos anos 60, uma modelagem educativa voltada à emancipação e participação crítica do docente e do aluno, interagindo para viver em sociedade e transformando-a em nome da consciência individual sintonizada com os anseios da coletividade. Tal modelo pedagógico veio encontrar amparo após a promulgação da Constituição de 1988, a denominada Carta Cidadã, e mais especificamente após a instituição da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, objetivando, através do que preceitua tal legislação, a construção da Escola Cidadã. Nos últimos anos tem se questionado a cidadania, buscando se alcançar o pleno gozo dos direitos sociais, civis e políticos do cidadão para que este possa, cônscio de seus direitos e deveres, participar da sociedade de forma a poder transformá-la, de acordo com os princípios dos ideais democráticos. Neste sentido a escola vem se tornando objeto de estudo para alcance de resultar num processo de desenvolvimento do seu papel, fins e objetivos, além de suas próprias contradições, devendo, outrossim, segundo a nova modelagem que se insinua no cenário nacional, formar para a cidadania, estando a serviço da comunidade que a mantém e, por conseguinte, da sociedade. Com isso espera-se da escola que contribua para a construção da cidadania, que vai além da reivindicação da igualdade formal, para exercer de forma responsável a defesa dos interesses da coletividade. Para que isto se efetive, a escola precisa atuar sob amplos aspectos na atual panorâmica, qual seja num cenário policultural, numa época de globalização da economia e das comunicações, de acirramento das contradições entre os povos e nações, do ressurgimento do racismo e de triunfo do individualismo, necessitando, assim, de um projeto destinado à diversificação, à uma ética e uma cultura da diversidade, assimilando as metamorfoses vigentes. Nesse contexto global, duas dimensões devem ser destacadas, tais como a dimensão interdisciplinar, experimentando a vivência de uma realidade global que se inscreve nas experiências do aluno, do professor e do povo, articulando o saber, o conhecimento, a vivência, a escola, a comunidade, o meio ambiente, com o objetivo de se traduzir na prática um trabalho coletivo e solidário; e uma dimensão internacional capaz de engajar os jovens no mundo da diferença e da solidariedade entre diferentes, preparando o cidadão para participar de uma sociedade planetária, local como ponto de partida e intercultural como ponto de chegada. A partir disso a escola não deve apenas transmitir conhecimento, porém preocupar-se também com a formação global dos alunos, numa visão onde o conhecer e o intervir no real se encontrem articulados com o desenvolvimento de habilidades e competências. Para isso é preciso trabalhar com as diferenças, reconhecê-las e aceitar que para se conhecer a si próprio é preciso conhecer o outro. O paradigma em implantação na escola deverá ter foco nas competências a serem desenvolvidas nos saberes, ao lado de um currículo que esteja disposto como um conjunto integrado e articulado de situações meio, pedagogicamente concebidas e organizadas para promover aprendizagens profissionais significativas que resultem no desempenho eficiente e eficaz. Para tanto, o caminho a seguir é o de uma escola pluralista com currículos multiculturais e temas transversalizados, capazes de trazer no eixo vertebrador do processo a inter/transdiciplinaridade, globalizando o ensino e enriquecendo o conteúdo disciplinar. Tal procedimento requer não só a qualificação do profissional docente, quanto a reestruturação infra-estrutural curricular, implantação de gestão democrática nas diretrizes, discussão e debates envolvendo diretores, técnicos, professores, pais e alunos, além de uma ampla rediscussão dos objetivos da própria ação educativa. Mediante isto, não existe mais espaço para a escola se conduzir meramente como depositária de conhecimentos, a exemplo de uma educação bancária depositando conteúdos no recipiente intelectual do educando para moldá-lo numa sociedade conservadora e conformista, em que as verdades se encontram sacralizadas e definitivas. Ao contrário, a escola precisa acordar para a democracia, para a participação, enfrentando as contradições de sua realidade e ao conjunto de paradoxalidades pertinentes aos processos múltiplos expostos pela globalização e pelo desenvolvimento tecnológico, incentivando o comportamento crítico e ação participante do indivíduo no seu meio, emancipando-o para uma consciência interativa entre os desejos individuais e os anseios da coletividade e, concomitantemente, poder transformá-la para a liberdade, a justiça e a equidade social. Veja mais aqui, aqui e aqui.



Imagem: A arte de Nicolletta Tomas.


Curtindo o álbum Impressions in blue (Telarc, 2008), do pianista de jazz jamaicano Monty Alexander. Veja mais aqui.

EPÍGRAFEA imperfeição nas maneiras é normalmente imperfeição de discernimento, frase atribuída ao escritor e filósofo estadunidense Ralf Waldo Emerson (1803-1882). Veja mais aqui e aqui.

QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO – O livro Quem mexeu no meu queijo (Record, 2001), do psicólogo e escritor Spencer Johnson, trata da história que se passa em Chicago, por ocasião de um encontro de ex-alunos, durante um almoço de confraternização. Os amigos sob a emoção de se reencontrarem depois de anos afastado, resolvem trocar conversas acerca do que fizeram e o que alcançaram até então. Na conversa a palavra mudança adquire um tom mais contundente, tendo em vista a experiência que cada um dos amigos passou durante os anos até chegarem ao momento daquele encontro. Em virtude da ênfase dada aos aspectos de mudança que norteou a vida de cada um, um deles, o Michael, resolve contar a história de um livro que mudou a sua vida: “Quem mexeu no meu queijo?”.  Mediante a curiosidade dos amigos presentes, ele começa a narrativa acerca de dois ratos, Sniff e Scurry e dois duendes, Hem e Haw. Estes são os personagens da história que vai sendo narrada, considerando que todos estão em busca de queijo dentro de um labirinto. Cada uma das duplas saía a seu modo buscando alcançar os seus objetivos, objetivos esses simbolizados no queijo que consolidaria a felicidade de todos. Os ratos por serem menos inteligentes, agiam de acordo com as necessidades e não ficavam quietos até encontrar o seu alvo. Já os duendes mais inteligentes, saiam distinguindo isso daquilo para melhor alcançarem êxito na sua empreitada. Os quatro conseguem encontrar um grandioso estoque de queijo, fato que mudam suas vidas a ponto de instaurarem estabelecimento na redondeza, visando maior proximidade da fonte da felicidade de cada um. Os dias passam e cada vez mais satisfeitos vão se dando conta de que é preciso explorar cada vez mais da fonte que se parece inesgotável. No entanto, os ratos vão logo percebendo que a fonte está secando, enquanto que os duendes exploram sem o menor cuidado. Quando menos se espera a fonte secou e os ratos, menos inteligentes mas sempre avaliando o consumo ofertado pela fonte e, quando ela se esgotou, logo saíram por força da necessidade em busca de nova fonte de satisfação. Já os duendes à margem de qualquer sensibilidade, apesar de mais inteligentes, na sua exploração predadora nem se deram conta do esgotamento, fato que os pegaram de surpresa. Quando se deram conta, não havia mais nada o que explorar. E se lamentaram, sofreram, se martirizaram e condenaram a falta de sorte deles. Um dos duendes, Haw, não suportando a espera de rever aquele estoque farto de queijo novamente ali mesmo, passou a instar do amigo, Hen, se não seria mais interessante se eles saíssem para buscar de um novo estoque de queijo mais adiante no labirinto. Enquanto um tentava buscar novas alternativas e partir para as buscas, o outro preso às crenças e esperanças, temia enfrentar o labirinto e se perder, preferindo ficar onde estar porque o milagre poderia ocorrer e tudo ficaria resolvido então. Mesmo com Haw insistindo, Hen se acomodava e ali ficava desestimulando qualquer iniciativa de busca dentro do labirinto. Eis que os dias passam e cada vez mais se agravando a situação dos duendes, a ponto de Haw tomar a iniciativa de enfrentar o labirinto e perseguir seus ideais. Hen desestimulado desacreditava da decisão de Haw que, determinado, perseguiu o labirinto, enfrentando seus medos, sua insegurança, seus sofrimentos. Ocorre que Haw empreende uma viagem ao desconhecido buscando alcançar os seus anseios, enquanto sofria, temia, resistia, recuava e, ao mesmo tempo, perseverava na esperança de encontrar os amigos ratos mais adiante. E assim se deu depois de uma longa, laboriosa e extenuante incursão no interior do labirinto, encontrando os dois amigos ratos num estoque enorme e farto de queijo. Concluída a história, um dos amigos à mesa começou, então, a avaliar, em poucas palavras, sua experiência pessoal mediante o que foi narrado na história, o que levou um a um a refletir a respeito. Assim, todos contam um pouco de seus problemas e imediatamente percebem que a história mudará suas vidas. Verificou-se que um deles estava no centro de alguma dificuldade justamente pelo desconhecimento de como agir adequadamente às mudanças. Em suma, a obra “Quem mexeu no meu queijo?”, de Spencer Johnson tem por objetivo mostrar através de personagens imaginários, dois ratos e dois duendes, as partes simples e complexas dos seres humanos diante das situações e circunstâncias: medo, desprendimento, angustia, tristeza, alegria, enfrentamento, motivação, desmotivação, dentre outras. E traz como foco central a abordagem da flexibilidade do ser humano frente às mudanças que ocorrem em todos os sentidos no decorrer da vida. É uma obra de fácil entendimento e trata-se de uma narrativa que traz à tona a questão do enfrentamento da mudança tão vigente nos tempos atuais de globalização. Veja mais aqui.

ONDE HÁ FUMAÇA, HÁ FOGO - Quando escrevi a crônica "No reino do mamoeiro", não só estava dando o meu depoimento pessoal por haver nascido numa cidade encravada na zona da mata sul de Pernambuco, onde predomina, até hoje, o fausto arrodeado de miséria por todos os lados dos parques industriais açucareiros do Nordeste. Muitos desses empreendimentos na gangorra do balança mais num cai, quase vendendo a imagem já de massa falida. Outros, nem tanto, quase. Um testemunho que se alonga desde o Rio Grande do Norte até Alagoas. Não só isso, reitero, também fora resultado de leituras várias, desde Gilberto Freire, passando por José Antonio Gonsalves de Mello, por Manuel Diégues Júnior, por Sérgio Buarque de Holanda, bem como, de Costa Porto, no seu "Os tempos da Praieira", alegando que "Iniciado o programa povoador em moldes sérios, com o donatarialismo de 1534, a visão de Duarte Coelho logo percebeu que o futuro da terra estava na agroindústria canavieira (...) o solo litorâneo foi sendo distribuído de sesmarias, desenvolvendo-se o plantio dos canaviais e as instalações dos primeiros engenhos".  E desde a época em que o próprio Duarte Coelho, em carta a el-Rei D. João III, somente instalava "os que são poderosos para isso: daí porque os senhores de engenho constituíam o grupo privilegiado do tempo, a aristocracia, o elemento de prol, de maior prestiígio social, os bons e melhores". Surgindo daí os feudos que mais tarde reduziriam a realidade vivida até hoje nas regiões canavieiras nordestinas. É sabido que os portugueses quando aqui chegaram, vieram com o cristianismo, trazendo na verdade, exploração e fortuna para os exploradores, ou melhor, como bem diz Anísio Teixeira: "não vinham organizar nem criar nações, mas prear.... esta obra destruidora e predatória nunca se confessava como tal, revestindo-se, nas proclamações oficiais, como falso espírito de cruzada cristã". E foi com esse espírito que nasceu a cultura da cana-de-açúcar no Nordeste brasileiro e dele vive até hoje. Um outro exemplo pode-se encontrar em Oscar Mendes, nos seus ensaios críticos reunidos no livro "Tempo de Pernambuco", onde registra as memórias de um senhor de engenho, Júlio Belo, que assim se referiu sobre a usina: "(...) É o monopólio, o açambarcamento das terras, quase sem tolerância de uma distribuição mesmo pouco equitativa dos lucros da agricultura (...) É quase o espírito da avareza. (...) uma grande dama muito gorda e ventruda, uma imensa saia de cauda e brocardos, um formidável chapéu de cano, muito desembaraçada e impertinente, orgulhosa e autoritária - representaria bem essa importantíssima personagem coletiva - a Usina". Também, Moacir Medeiros de Santana, no seu "Contribuição à história do açúcar em Alagoas", já detectava os desmandos dos usineiros, desta feita a poluição dos rios provocados quando "A usina, fazendo neles o despejo da tiborna, poluiu suas águas, provocando a destruição dos peixes (...) Ademais, a poluição vem de propiciar o desenvolvimento da malária, pela eliminação dos peixes larvófagos, faculta também o aparecimento de endemias como a amebíase e a esquistossomose". E mais adiante assinala que: "Não constitui realidade a existência de usineiros que aplicam fora de suas fábricas de açúcar os lucros por ela proporcionados? Não existem usineiros que nem mesmo aparecem em suas usinas? (...) por outro lado, a espontaneidade com que alguns usineiros se desfazem de seus estabelecimentos agro-industriais é prova da falta de preparo e de desamor à faina açucareira". A bem da verdade, portanto, a minha crônica tomou corpo mais substancialmente com as leituras nos originais preliminares do livro "Onde há fumaça, há fogo - crônicas de uma usina de açúcar", do agrônomo pernambucano, José Moura, recentemente publicado pelas Edições Catavento, em Maceió. Fui acompanhando a evolução dos escritos até a redação final, onde pude mais me assenhorear do tamanho do desvario que envolve o cultivo e a industrialização dessa gramínea.    O livro é interessante, verdadeiro e até hilário, tendo em vista que o homem é um animal que costuma rir de sua própria desgraça. E tudo começa com uma usina fictícia, denominada Boa Safra que, com certeza, representa o protótipo de qualquer parque industrial do setor açucareiro nordestino. No início, o óbvio: a botada, a hora mais cheia de euforia, alimentando a expectativa de dias melhores para toda população e escondendo a frustração que dela resultará nos anos vindouros. A botada não foge a regra: é festa! Até padre vem benzer, abençoando os donos e chamando a responsa dos trabalhadores em colaborar, em todos os sentidos, com a iniciativa dos donos que merecem todos os lucros financeiros que deus disporá em sua justiça divina. Amém. A esse chamamento, todos os fiéis dedicam o ânimo da carne, a vida e a alma por dias ininterruptos de safra. Nos capítulos seguintes a organização fabril é esmiuçada nos seus mais variados e mínimos detalhes, com o conhecimento de causa daqueles que foram tragados por noites e dias, labutando no interior da hermética atividade industrial. Tanto é que mostra as jogatinas, os interesses, o comércio, as relações trabalhistas, a vigilância, o apadrinhamento, as falcatruas, o suborno, o mandonismo, até a pejada quando se anunciam os desastres da safra emendando-se com a entresafra. Daí, então, chega até a fazer uma comparação das usinas alagoanas com os países do planeta, ocasião real de levantar gargalhadas as mais folgadas pela constatação criativa de relação. Sem contar com os acidentes, perjúrios, disparates, cobiças e fraquezas que são reunidas no relato, sempre acompanhado de uma epígrafe apropriada, pinçadas do anedotário da arrogância. Não se trata de um libelo, pura e simplesmente, de forma alguma. O autor consegue tirar desse ambiente irrespirável situações jocosas, acontecimentos despropositais, lembranças inevitáveis e saudável desintoxicação do que tenha lanhado sua carne, consumido a sua vida e revogado todos os seus horizontes de esperança. Com o seu relato, o autor sai cônscio do sortimento de vivências que ilustram as experiências de quem sempre esteve do lado mais fraco da corda nem alcançando os restos das beiradas do rico bolo do desenvolvimento brasileiro. "Onde há fumaça, há fogo - crônicas de uma usina de açúcar" é um livro indispensável, principalmente neste momento em que se avizinha a hora do vamos ver da nossa cidadania. É fundamental para se conhecer o outro lado da moeda. É inestimável como contribuição corajosa. Portanto, recomendo a sua leitura.Veja mais aqui.

PROCURA – Entre os poemas do escritor e compositor Felipe Cerquize, destaco a sua poesia Procura: Procuro por pessoas / que não sejam iluminadas / nem tenham medo da luz. / Procuro por objetos / que se fizeram discretos / ao longo de minha existência, / mas que foram sua essência. / Procuro pelos irmãos de verdade, / que não mudaram sua cordialidade / diante dos prêmios e castigos / que a vida lhes deu. / Tento encontrar feitos e fatos / relevantes para todos os desconhecidos, / Coisas que nunca fizeram sentido, / mas que poderiam me fazer feliz. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O TEATRO - A palavra teatro abrange ao menos duas acepções fundamentais: o imóvel em que se realizam espetáculos e uma arte específica, transmitida ao público por intermédio do ator. Teatro implica a presença física de um artista, que se exibe para uma audiência, onde o público e o ator estão um em face do outro, durante o desenrolar do espetáculo. O teatro é uma das expressões mais antigas do espírito lúdico da humanidade: em todas as épocas e entre todos os povos existe o desejo de desempenhar temporariamente o papel de outrem, fantasiar-se e falar à maneira dele. Esse 'outro' pode ser um deus, o que explica a origem de determinas representações em atos litúrgicos. Mas também pode ser o próximo, que se deseja ridicularizar: é uma das raízes dos jogos carnavalescos e da comédia, sem que se exclua, também para esta, uma origem litúrgica. Os personagens centrais de uma representação teatral são evidentemente os atores. A partir de 1890, foi incluído o papel do encenador ou diretor. Acima da arte do ator individual está o ideal do elenco, chefiado pelo encenador, que inspira e dirige a maneira de interpretação da obra no palco. Outros profissionais hoje integram a atividade teatral além dos atores e diretores do espetáculo, como cenógrafos, músicos, figurinistas e contra-regra. Veja mais aqui.

RICORDATI DI ME – O filme Ricordatio di mi (No limite das emições, 2003), dirigido por Gabriele Muccino, conta a história de uma família aparentemente normal, mas que cada componente esconde uma profunda insatisfação. Um quer se tornar escritor, outra aspira ser atriz, o filho é inseguro, a filha vive na obsessão de se tornar uma menina cruel, todos se sentem desesperadamente sozinhos e sem saber estabelecer relações autenticas entre a própria família. O destaque da fita é para atuação da atriz italiana Nicoletta Romanoff. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz italiana Nicoletta Romanoff.




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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá!
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