terça-feira, abril 12, 2016

UMA OU OUTRA COISA QUE EU SEI DE MIM


UMA OU OUTRA COISA QUE EU SEI DE MIM – Não fosse o vento revirando folhas, sonhos, temores, remorsos e esconjuros, não seria eu uma corrente de rio que se rebela da correnteza. E como tal, sou esse coração Brasil anômalo e desconfigurado no banco dos réus, a depor pro fisiologismo dos retrocessos históricos, o que mais se parece com o processo kafkiano no passo de gambero de Eco. E como a grande maioria esmagadora, vou apenas com meu discernimento confuso e nenhuma outra imunização, enfrentando a insalubridade desse tempo pós-moderno e as pestilências emergentes fabricadas no descaso, nos laboratórios e nos partidos políticos, tendo, por socorro, um simples cuidado todo à base de antibiótico e meizinhas, a ponto de imaginar a cara de quem sem ter saída alguma sapeca o tal do fazer o quê. Entre tratamentos e intermitentes recaídas, ainda tenho que enfrentar a indiferença e apatia dos glamourizados do reino da mediocridade, com todos os seus valores vazios, banalizações xiques, exibicionismo canhestra, carnavalizações e perplexidades pelas deformidades tantas, ferimentos muitos, pactos descumpridos e desfeitos nos confrontos com os tentáculos e opróbrios das tolices com suas válvulas de escape, parecendo mais que de tanto se esforçar pra subir no pau de sebo e alcançar o servil cordão da segurança contra os próprios abismos, perceber que mesmo sabendo que cada dia não é nada igual ao outro, mas que pela completa falta de imaginação e do desespero de não caber em si, vive só de repetir a história de um passado que sequer sabe que passou. Coisa de quem por conta das próprias tensões e ambiguidades, aprendeu apenas a acender vela pra todas as crenças e até nenhuma. Pudera, com a precipitação da ansiedade enrustida por todos os medos e temores disfarçados nos boatos, que não são apenas frágeis e inúteis alertas para levar ao pânico na maior paranoia, de ficar sem saber o que fazer e a um passo da irracionalidade, saco o xeque mate a cada momento, e me certifico que só dá mesmo pra dizer: fazer o quê, hem? Nem de longe dá pra imaginar o quanto isso mascara a verdadeira tragédia. Por isso voo tão paradoxal quanto incoerente, corrente rebelada dentro da correnteza. Pouco me importa, eu vivo. Metamorfose ambulante: dizer, desdizer, redizer. Melhor dizendo: nem dizer! Só esperando alguém abrir as comportas do coração, depondo o personagem, de férias da lógica e do racional, recitando o Poema em linha reta, de Pessoa. Vai? Então, eu escuto, fala! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui

Imagem: La ville de Paris, do pintor do Abstracionismo e Cubismo francês Robert Delaunay (1885-1941).


Curtindo box Mensagem (2 dvds & 3 cds), com os poemas do filósofo e poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), musicados por André Luiz Oliveira interpretados por grandes nomes da MPB, como Milton Nascimento, Caetano Veloso, Elba Ramalho, Gilberto Gil, Gal Costa, Belchior, Mônica Salmaso, Edson Cordeiro, Ná Ozzetti, Zeca Baleiro, Zizi Possi, Renato Teixeira, Zélia Duncan, Fagner, entre outros. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA
Quando a gente força a barra, é melhor tirar o pé da jaca, senão a roela fica remoída e a coisa fica deslizando de jeito que nem disco de embreagem dum mandú. Pense nisso. (LAM).

POEMIUDINHO
RIO UNA
Desdinfância sou Rio Una
Adulteza difusa nas linhas das mãos
No voo feito de mar da minha vida.
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Veja mais Brincarte do Nitolino & o projeto de extensão Infância, Imagem e Literatura: uma experiência psicossocial na comunidade do Jacaré – AL, István Mészarós, Hipermnestra, Charles Darwin, Montserrat Caballé, Raul Pompeia, Chico Anysio, Pedro Almodóvar, Antonio Salieri, Robert Delaunay & Pierre Le Gros aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Sleeping woman, by Anikeev Sergey.
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