domingo, fevereiro 08, 2009

EMPREENDEDORISMO E EMPREENDEDOR





EMPREENDEDORISMO - O empreendedorismo tem origem, segundo se apreende de Chiavenato (2005), Gerber (1990), Leite (2002), Degen (2000), Dornelas (2003) e Fillion (1999), na palavra francesa entrepreneur, que significa aquele que assume riscos e começa algo de novo. E segundo tais autores, existem estudos que assinalam que a palavra empreendedorismo apareceu no início do século XVI, com o sentido de designação para as pessoas envolvidas em coordenações de operações militares. Para Dornelas (2001, p. 28), o empreendedorismo tem início com: Richard Cantilon, importante escritor e economista do séc. XVII, é considerado por muitos como um dos criadores do termo empreendedorismo, tendo sido um dos primeiros a diferenciar o empreendedor – aquele que assumia riscos – do capitalista – aquele que fornecia capital. Foi nesta época que o termo designava as pessoas que se associavam com proprietários de terras e trabalhadores assalariados, como também para denominar outros aventureiros tais como construtores de pontes, empreiteiros de estradas ou arquitetos. No entanto, historicamente, segundo Dornelas (2001, p. 27), vem de muito antes: A palavra empreendedor (entrepreneur) tem origem francesa [...] Um primeiro exemplo de definição de empreendedorismo pode ser creditado a Marco Pólo, que tentou estabelecer uma rota comercial para o Oriente. Defende, então, o autor que desde este tempo que se pode delinear o início do processo empreendedor, observa que na Idade Média, o termo já significava “[...] aquele que gerenciava grandes projetos de produção”. Para este autor, os indícios iniciais do empreendedorismo, portanto, vem de muitos anos, manifestado no séc. XVII, já desenvolvido por Thomar Edison no séc XVIII e sedimentado nos debates ocorridos nos séculos XIX e XX, quando passou a ser feita a distinção entre empreendedor e administrador. Já Dolabela (1999) defende que foi por volta de 1800, quando o economista francês Jean Batist Say utilizou o termo empreendedor em seu livro “Tratado de Economia Política” como sendo aquele responsável por reunir todos os fatores de produção, descobrindo o valor dos produtos a reorganização de todo capital que ele emprega, o valor dos salários, o juro, o aluguel que ele paga, bem como os lucros que lhe pertencem. Ou seja, para Say (1983, p. 121) o empreendedorismo é desenvolvido pelo empreendedor que “[...] é o responsável por reunir todos os fatores de produção e descobrir no valor dos produtos... a reorganização de todo capital que ele emprega, o valor dos salários, o juro, o aluguel que ele paga, bem como os lucros que lhe pertencem”. Say (1983) também apresentou os requisitos empreendedores no julgamento, perseverança e um conhecimento sobre o mundo assim como sobre os negócios, além de possuir a arte da superintendência e da administração. Dolabela (1999) assinala que foi na Inglaterra onde esforços foram dedicados no sentido de melhor explicitar o empreendedorismo, notadamente nos trabalhos realizados por Adam Smith e Alfred Marshall. Foi Adam Smith quem caracterizou o empreendedor como um proprietário capitalista, um fornecedor de capital e, ao mesmo tempo, um administrador que se interpõe entre o trabalhador e o consumidor. Já para Alfred Marshall era alguém que se aventurava e assumia riscos, reunindo o capital e o trabalho requerido para o negócio, supervisionando seus mínimos detalhes, caracterizando-se pela convivência com o risco, a inovação e a gerência do negócio. Foi o economista Joseph Schumpeter, em 1950, quem aprofundou os estudos e definiu o empreendedorismo no sentido de expressar uma pessoa com criatividade e fazer sucesso com inovações. Depois disso, recebeu tratamento de K. Knight, em 1967, sendo, posteriormente, objeto dos estudos de Peter Drucker, em 1970, e de Pinchot, em 1985. O empreendedorismo, segundo Dornelas (2001), foi se desenvolvendo dentro dos movimentos administrativos que se expressaram durante o séc. XX, tais como o movimento da racionalização do trabalho, na década de 1930, o movimento das relações humanas, nas décadas de 1940 e 1950, o movimento do funcionalismo estrutural, na década de 1960, o movimento dos sistemas abertos, nos anos 70, e o movimento das contingências ambientais. No momento presente, assinala Dornelas (2001, p. 29), “[...] não se tem um movimento predominante, mas acredita-se que o empreendedorismo irá, cada vez mais, mudar a forma de se fazer negócios no mundo”. Já Leite (2002), Degen (2000), Dornelas (2003) e Fillion (1999) chamam atenção para David McClelland que, em 1961, na Universidade de Harvard, desenvolveu estudos sobre a questão da motivação e desenvolveu uma teoria sobre a motivação psicológica, baseado na motivação contribuindo significativamente para o entendimento do empreendedor. A teoria defendida por McClelland, segundo Degen (2000), defendia as motivações humanas dependem das necessidades de realização, poder e afiliação: de realização na necessidade de provar limites e realizar coisas; de poder exercido sobre outros; e de afiliação no estabelecimento, manutenção e restabelecimento de relações emocionais com outras pessoas. Isto porque, psicologicamente, as pessoas podem ser divididas em dois grandes grupos, de acordo com McClelland (apud Degen, 2000, p. 132), “uma minoria que, quando desafiada por uma oportunidade, está disposta a trabalhar arduamente para conseguir algo, e uma maioria que, na realidade, não se importa tanto assim”. Isto quer dizer que nos estudos relacionados com o empreendedor, existem muitas diferenças na conceituação; porém, percebe-se um consenso em que o que distingue o empreendedor das outras pessoas é a maneira de como ele percebe as mudanças e lida com as oportunidades. Por esta razão, Dornelas (2001), Lucas Júnior (2003) e Araújo (2004) defenderem ser o momento atual denominado de era do empreendedorismo, tendo em vista que são os empreendedores que estão eliminando barreiras comerciais e culturais, encurtando distâncias, globalizando e renovando os conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e novos empregos, quebrando paradigmas e gerando riqueza para a sociedade. Neste sentido, Dornelas (2001) enfatiza que, desde 1990, que vem se desenrolando o crescimento do empreendedorismo no mundo, destacando iniciativas no Reino Unido, na Alemanha, na Finlândia, em Israel, na França e, notadamente no Brasil. Ou seja, para o autor, em toda esfera planetária vem crescendo o interesse pela modelagem empreendedora adotada em governos nacionais e organizações multinacionais, tornando-se o combustível do desenvolvimento pelo dinamismo empresarial e crescimento econômico, criando emprego e prosperidade no contexto organizacional. Assim, buscando uma conceituação, conforme visto anteriormente a palavra é oriunda das expressões entrepreneur e entrepreneurship que, segundo Bueno (2005, p. 58), o empreendedorismo tem sido utilizado nos estudos relativos “ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação, sendo definido como [....] o processo de iniciar um empreendimento, organizar os recursos necessários, e assumir as recompensas e os riscos associados”. E, segundo Dolabela (1999, p.46), “O empreendedorismo é visto também como um campo intensamente relacionado com o processo de entendimento e construção da liberdade humana”, tornando-se, portanto, a melhor maneira de usar tempo, talento e energia. Para Filion (1991), o empreendedorismo parte de contextos culturais que se desenvolvem em torno de empreendedores.  E o desenvolvimento do empreendedorismo, segundo Birley e Muzyka (2001), tem sido destacado pelas mudanças econômicas que propiciam solo fértil para esta modalidade de gestão organizacional, pelas constantes alterações que proporcionam oportunidades para novos negócios. Além disso, ressaltam os autores, que a globalização tem exigido um comportamento empreendedor pelo aumento da competição que oferece uma vantagem para a flexibilidade. Associando tal cenário à emergência tecnológica proporcionando oportunidades e nichos de mercados, vê-se, portanto, de que forma a atualidade propicia o processo de gestão empreendedor. Desta forma, Dolabela (1999, p. 29) entende que: O empreendedorismo oferece graus elevados de realização pessoal. Por ser a exteriorização do que se passa no âmago de uma pessoa, e por receber o empreendedor com todas as suas características pessoais, a atividade empreendedora faz com que trabalho e prazer andem juntos, por esse motivo deve-se motivar e estimular a introdução da cultura empreendedora nas escolas, para que mais e mais os jovens aprendam a ter atitudes empreendedoras na área que escolherem para atuar. Com isso, a noção conceitual para empreendedorismo, pelo que ficou entendido na presente revisão da literatura, traz a idéia de diversos aspectos, dentre eles, de aceitação para assumir riscos e fracassos, criação de novo negócio pela paixão de realizar e utilização de recursos disponíveis criativamente na transformação do ambiente social e econômico. Nesta condução, Barretto (1998, p. 11), define: Empreendedorismo é a habilidade de criar e construir algo a partir de muito pouco ou do quase nada. Não é uma característica de personalidade, embora seja algo distinto, tanto nos indivíduos como nas instituições empreendedoras. O empreendedorismo é tido como um comportamento ou um processo para iniciar e desenvolver um negócio ou um conjunto de atividades com resultados positivos; portanto, é a criação de valor através do desenvolvimento de uma organização. Vê-se, portanto, que as características estimadas para o espírito empreendedor estão pautadas na originalidade, iniciativa, otimismo, autoconfiança, conhecimentos, flexibilidade, diligência, comprometimento, tolerância de erros, prudência e facilitador de negociações. Desta forma, encontra-se as características empreendedoras quando busca por oportunidades e iniciativas, tendo persistência, agindo com comprometimento, exigindo qualidade e eficiência, estando disposto para correr riscos calculados, estabelecendo metas, buscando informações, planejando e monitorando sistematicamente, trabalhando persuasão na rede de contatos e demonstrando independência e autoconfiança. Com base nos estudos até então realizados, detecta-se a preocupação com as características da personalidade empreendodora, sugerindo que estes, em geral, querem alguma coisa deferente da vida quando comparados aos gerentes tradicionais, pois, parecem dar mais importância à liberdade de alcançar e maximizar seu potencial. Assim sendo, no empreendedorismo, o ser é mais importante que o saber: este é a conseqüência das características da personalidade do empreendedor, o que, de acordo com Gerber (1990, p. 131), significa dizer que: A personalidade empreendedora transforma a condição mais insignificante numa excepcional oportunidade. O empreendedor é o visionário dentro de nós. O sonhador. A energia por trás de toda atividade humana. A imaginação que acende o fogo do futuro. O catalisador das mudanças. É a personalidade criativa, sempre lidando com o desconhecido, perscrutando o futuro, transformando possibilidades em probabilidades, caos em harmonia. Já Kaufmann (1990, p. 51), enfatiza que a capacidade empreendedora “é a capacidade de inovar, de tomar riscos inteligentemente, agir com rapidez e eficiência para se adaptar às contínuas mudanças do ambiente econômico”. Enquanto que para Filion (1991, p. 16), um empreendedor “é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões”, além de ser ainda uma pessoa criativa, marcada pela capacidade de estabelecer e atingir objetivos, mantendo um nível de consciência do ambiente em que vive utilizando-a para detectar oportunidades de negócios. Degen (1989, p. 66) conceitua como “ser empreendedor significa ter, acima de tudo, a necessidade de realizar coisas novas, pôr em prática idéias próprias, características de personalidade e comportamento que nem sempre é fácil de se encontrar”. O mesmo autor afirma ainda que, “as pessoas que têm necessidade de realizar se destacam porque, independentemente de suas atividades, fazem com que as coisas aconteçam”. Já De Mori, (1998, p. 43) define empreendedores como “pessoas que perseguem o benefício, trabalham individual e coletivamente. São indivíduos que inovam, identificam e criam oportunidades de negócios, montam e coordenam novas combinações de recursos (funções de produção), para extrair os melhores benefícios de suas inovações num meio incerto”. Por esta razão que Dolabela (1999) reúne as características empreendoras num modelo que compreende aquele que influencia, tem iniciativa, autoconfiança, autonomia, otimismo e necessidade de realização; trabalha sozinho e possui processo visionário individual. Tem perseverança para vencer obstáculos, considera o fracasso um resultado como outro qualquer, pois aprende com os próprios erros; sabe fixar metas e alcançá-las; luta contra padrões impostos; diferencia-se; tem alto comprometimento; crê no que faz; é um sonhador realista; aceita o dinheiro como uma das medidas de seu desempenho; conhece muito bem o ramo em que atua; traduz seus pensamentos em ações, define o que aprender para realizar suas visões; é pró-ativo, pois define o que quer e onde quer chegar; cria um método particular de aprendizagem: aprende a partir do que faz; tem capacidade de influenciar pessoas com as quais lida; assume riscos moderados: gosta do risco, mas faz tudo para minimizá-lo; é inovador e criativo (inovação relacionada ao produto, diferente da invenção, que pode não dar conseqüência a um produto); e tem tolerância a incerteza. Conforme Dolabela (1999), as habilidades requeridas de um empreendedor, são técnicas, que envolve saber escrever, ouvir as pessoas e captar informações, ser organizado, saber liderar e trabalhar em equipe; gerenciais, que incluem as áreas envolvidas na criação e gerenciamento da empresa (marketing, administração, finanças, operacional, produção, tomada de decisão, planejamento e controle); e características pessoais, quais sejam: ser disciplinado, assumir riscos, ser inovador, ter ousadia, persistente, visionário, ter iniciativa, coragem, humildade e principalmente ter paixão pelo que faz.  Para o autor, pesquisas recentes realizada nos Estados Unidos mostram que o sucesso nos negócios depende principalmente dos próprios comportamentos, características e atitudes, e não tanto do conhecimento técnico de gestão quanto se imaginava até pouco tempo atrás. Desta forma, o empreendedorismo possibilita o envolvimento das diversas funções, atividades e ações associadas na iniciativa de criação de novo negócio, requerendo sempre além do comprometimento de tempo e esforço para o crescimento empresarial, da ousadia de decisões que enfrentem riscos sem o desânimo pelos erros ou falhas que possam ocorrer. No Brasil, segundo Wever e Britto (2003), foi precisamente na década de 1990 que o empreendedorismo tomou forma, notadamente com a criação de organismos tais como as entidades Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, órgão oferece suporte e consultorias para resolver pequenos problemas pontuais do negócio envolvendo micro e pequenas empresas, e a Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro – SOFTEX, criada com o intuito de levar as empresas de software do país ao mercado externo, por meio de várias ações que proporcionavam ao empresário de informática a capacitação em gestão e tecnologia. Neste tocante, Dornelas (2001) traz a expressão de que os agentes federais responsáveis pelo desenvolvimento e operação do Programa Brasil Empreendedor foram as instituições creditícias do Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e Caixa Econômica Federal. Também foi de suma importância a participação do SEBRAE com suas agências, desenvolvendo ações voltadas para a capacitação empresarial dos empreendedores em busca de recursos financeiros, por meio de treinamentos nas áreas de marketing, análise financeira e de gestão empreendedora para a preparação de um plano de negócios básico, possibilitando às micro, pequenas e médias empresas adequação para o acesso às linhas de crédito. O Brasil, segundo Dornelas (2001) participa do Global Entrepreneurship Monitor – GEM, desde 2000, que uma pesquisa internacional liderada pela London Business School e o Babson College (EUA) cuja proposta é avaliar o empreendedorismo no mundo a partir de indicadores comparáveis. O GEM tem tido uma presença crescente no Brasil por meio dos seus relatórios, sumários e estudos derivados que contribuem para o estabelecimento de uma nova linguagem do empreendedorismo. Atesta a consolidação da pesquisa no Brasil o alargamento da freqüência com que formuladores de políticas e tomadores de decisão, públicos e privados, colocam demandas à equipe no momento de agir em prol do desenvolvimento dos negócios. Tal aumento de interesse também se verifica nos meios de comunicação e entre estudiosos do empreendedorismo. Conforme Dornelas (2001), com base no Global Entrepreneurship Monitor - GEM, parceria do Bobson College de Boston (EUA) e da London Busines School (Inglaterra), com apoio do Kauffman Center for Entrpreneurual Leadersship (EUA), que pesquisou 21 países e verificou que, no Brasil, há uma ambiência empreendedora líder no mundo, transformando-se, segundo as pesquisas, na sociedade mais empreendedora do mundo, ganhando dos Estados Unidos, da Austrália, da Alemanha, do Canadá, da França, da Itália. Neste sentido, para Santos (2001, p. 23), há que se observar que “[...] se o país é líder em atividade empreendedora, apresenta resultados ruins nos pressupostos do empreendedorismo: educação, farto apoio financeiro, baixa burocracia, alta atividade do capital de risco, políticas públicas de fomento e noção de legitimidade social do empreendedorismo”, isto se deve ao fato de que as altas taxas de impostos, custo elevado dos financiamentos e o baixo nível de educação são fatores que debilitam o sucesso da atividade empreendedora. Embora intenso, o empreendedorismo brasileiro, Santos (2001) observa que ele carece de qualidade, o que, conseqüentemente, reduz a capacidade competitiva do país como um todo. Santos (2001) observa ainda que os programas Brasil Empreendedor, que capacitou, para obtenção de crédito; MEC Sebrae, que leva os princípios do empreendedorismo a professores e alunos; e o Programa de Desenvolvimento, Emprego e Renda - PRODER, que valoriza as vocações locais, organiza e capacita as comunidades de mais dos municípios, são fundamentais para modificar o perfil do país. Há ainda outras ações como o incremento ao microcrédito e a ampliação do capital de risco como fonte de financiamento à atividade produtiva. Neste sentido, Santos (2001) enfatiza que somadas à natural característica empreendedora do brasileiro, estas e outras iniciativas são capazes de contribuir decisivamente para dar liberdade para este país poder trabalhar. Alem do mais, para Filion(1991), para que se evidenciem ações mais concretas e exitosas, necessita que o Brasil realize algumas ações para desenvolvimento do empreendedorismo, muito embora existam programas que estão sendo planejados, mas que precisam ser implementados, quais sejam: Programa Nacional de Sensibilização ao Empreendedorismo, Programa Nacional de Educação Empreendedora para todos os níveis escolares, Fundação de Amparo ao Ensino do Empreendedorismo, Empresa estatal de amparo ao desenvolvimento do empreendedorismo, entidades de classe empreendedora e um Programa Nacional de Sensibilização ao Empreendedorismo. Defende Filion (1991) a necessidade do Brasil promover um programa nacional de educação empreendedora que abarque todos os níveis escolares, tendo em vista que é preciso preparar os jovens desde o primário a desempenharem papéis de empreendedores. Isto porque, o desenvolvimento do empreendedorismo começa pela educação, em todos os níveis do sistema escolar, como é o caso aliás de toda mudança de valores que diz respeito às atividades humanas. Enfatiza mais que todos os estabelecimentos de ensino deveriam contar com um programa de estudos em empreendedorismo, em particular nos campos da formação técnica e do nível superior, por se tratar do meio mais econômico e seguro de promover o desenvolvimento. Filion (1991) também defende a criação de uma Fundação brasileira de amparo a educação de empreendedores, visando facilitar o trabalho propiciando a manutenção de níveis de qualidade comparáveis nos diferentes Estados da Federação. A fundação teria por mandato promover um grande colóquio anual sobre o ensino do empreendedorismo em todos os níveis escolares. Ainda defende Filion (1991) a criação de uma empresa estatal de amparo ao desenvolvimento do empreendedorismo para propiciar a transferencia de know-how entre Universidades, a quem caberia promover cursos de curta duração, conselheiros em gestão, que tem experiência pratica e empreendedores. Por fim, Filion (1991) sugere a criação de entidades de classe empreendedora propiciando não apenas o foro para intercâmbios, como também a criação de grupos de pressão para defender os interesses desses pequenos atores sociais que, considerados isoladamente, não dispõem de poder de pressão, mas que são aqueles que fazem o desenvolvimento de um país. Após tal verificação, o presente estudo passa, então, a abordar a questão do comportamento empreendedor tão importante para o desenvolvimento do país.
O PERFIL & COMPORTAMENTO EMPREENDEDOR – O empreendedor para Schumpeter (apud Dornelas 2001, p. 37), é compreendido como: O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos materiais. [...] É mais conhecido como aquele que cria novos negócios, mas pode também inovar de negócios já existentes; ou seja, é possível ser empreendedor dentro de empresas já constituídas. Isto quer dizer que, para o autor, o empreendedor é mais conhecido como aquele que cria novos negócios, mas pode também inovar dentro de negócios já existentes; ou seja, é possível ser empreendedor dentro de empresas já constituídas. E empreender, sob esta ótica, é o impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motor capitalista, constantemente criando novos produtos, novos métodos de produção, novos mercados e, implacavelmente, sobrepondo-se aos antigos métodos menos eficientes e mais caros. Depois de Joseph Schumpeter, segundo se observa em Filion (1999) e Gerber (1990), na década de 60, David McClelland, psicólogo da Universidade de Harvard, identificou nos empreendedores de sucesso um elemento psicológico crítico, denominado por ele de "motivação da realização" ou "impulso para melhorar", desenvolvendo então o treinamento da motivação para a realização, cuja finalidade era melhorar tal característica e torná-la aplicável em situações empresariais. Conforme Chiavenato (2005), várias pesquisas e estudos acadêmicos sobre empreendedores foram realizados de forma significativa nos últimos anos com o reconhecimento de que o empreendedores são os maiores propulsores do desenvolvimento econômico da maioria dos países. Esses estudos e pesquisas realizados em relação ao comportamento e à personalidade do empreendedor estão fundamentado na crença de que o eventual sucesso do novo empreendimento dependerá principalmente do comportamento do empreendedor. Chiavenato (2005) chama atenção para o trabalho pioneiro já mencionado anteriormente e realizado acerca das características comportamentais dos empreendedores conduzido por David McClelland, professor da Universidade de Harvard, em 1961, realizando vários estudos sobre a questão da motivação e desenvolvendo uma teoria sobre a motivação psicológica, baseado na crença de que o estudo da motivação contribui significativamente para o entendimento do empreendedor. Segundo sua teoria de motivação psicológica, Chiavenato (2005) anota que as pessoas são motivadas por três necessidades: necessidade de realização, poder e afiliação, vistas anteriormente. Chiavenato (2005) também  chama atenção para os estudos realizados por Collins, Moore's e Zalerznik´s que oferecem uma compreensão para os aspectos comportamentais relacionados ao empreendededor, tendo como base a crença de que a ação do empreendedorismo é uma ação imitada dos modelos copiados da infância. O estudo de Collins e Moore, publicado em 1964, segundo Chiavenato (2005), foi baseado em entrevistas e testes psicológicos com empreendedores, encontrando como ponto chave a autonomia, independência e autoconfiança dos empreendedores. Os estudos foram concluídos observando que a história dos empreendedores estava correlacionada com uma crise nos primórdios ou em eventos dramáticos vividos freqüentemente numa crise econômica, um perigo, ou uma situação difícil na qual o empreendedor sobreviveria acreditando em si mesmo. Também Abraham Zaleznik e Manfred Kets de Vries, segundo Chiavenato,(2005), perceberam os empreendedores como pessoas profundamente influenciadas por uma infância turbulenta e conflitante. Suas vidas eram freqüentemente sofridas com temas reais ou imaginários de pobreza, depravação, morte significativa e solidão. Por esta razão, os autores acreditam que o empreendedor é motivado por sentimentos persistentes de insatisfação, rejeição e impotência, derivados de conflitos relacionados com os pais. Kets de Vries (apud Chiavenato, 2005, p. 232), inclusive, traz os seis os principais elementos constituintes da personalidade empreendedora: meio ambiente turbulento; esquiva em relação as normas autoritárias dos pais; sentimento de rejeição; sentimentos dolorosos de raiva, hostilidade e culpa; identidade confusa (identificação com a personalidade causadora de dor); e adoção de modelos reativos para sentimentos dolorosos (culpa, rebelião e impulsividade). A partir disso e em busca do conceito, Fillion (1991, p. 132) diz que "Um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões". Também se encontra a concepção dos economistas, que entende empreendedor como sinônimo de empresário, ou seja, empreendedores são pessoas que exercem atividades empresariais, é uma função. Para Drucker (2000, p. 133), os empreendedores são pessoas que inovam: "A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio ou serviço diferente". Para este autor, o empreendedor sempre está buscando a mudança, reage a ela e a explora como sendo uma oportunidade. A partir nisso, vem o entendimento de que empreendedor significa uma pessoa com criatividade para fazer sucesso com inovações e, conforme Dornelas (2001, p. 37), “[...] é aquele que detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados”, trazendo, pois, a identidade de iniciativa para criar um novo negócio, utilizando os recursos disponíveis de forma criativa, transformando o ambiente social e econômico onde vive, aceitando assumir riscos e a possibilidade de fracassar na paixão pelo que faz. Nessa mesma direção, empreendedor para Dolabela (1999, p.46) é tido como: Empreendedor não significa somente ter um acúmulo de conhecimentos, mas também valores, atitudes, comportamentos, formas de percepção do mundo e de si mesmo voltados para atividades em que o risco, a capacidade de inovar, perseverar e conviver com a incerteza são elementos indispensáveis. Isto quer dizer que todo empreendedor necessariamente deve ser um bom administrador para obter o sucesso, no entanto, nem todo bom administrador é um empreendedor. Traduz-se que, a partir de pesquisas, o perfil do empreendedor é aquele identificado num ser social que é produto do meio que habita, ou seja, na época e lugar. Os fatores do comportamento e as atitudes que constituem o perfil do empreendedor trazem as características de uma pessoa com aptidões desenvolvidas e constantemente aperfeiçoadas dentro de um sistema de aprendizagem especial, bastante diferente do ensino tradicional. O perfil empreendedor, com base dos ensinamentos de Degen (2000), Kaufmann (1990), Drucker (1987), Halloran (1994), Birley e Muzyka (2001), Bernhoft (1996), De Mori (1998), Lucas Júnior (2003), Almeida (2001), Nascimento (2001) e Araújo (2004), passa por uma série de comportamentos, atitudes e expressão pessoal que se manifestam a partir do espírito criativo e pesquisador, pela busca por novos caminhos e novas soluções e pela identificação das necessidades das pessoas. Além disso, tal perfil também passa pela incessante busca de novos negócios e oportunidades e pela preocupação sempre presente com a melhoria do produto. Entre outras qualidades, precisa ser otimista e buscar o sucesso, a despeito das dificuldades; assumir riscos, capacidade de conviver com eles e sobreviver a eles porque fazem parte de qualquer atividade; ter Iniciativa e ser Independente, sabendo comunicar-se e conviver com outras pessoas, dentro e fora da empresa; ser organizado e possuir conhecimento do ramo e manter contatos com empreendedores do ramo, associações, sindicatos, dentre outras organizações; identificar e aproveitar oportunidades, pesquisar, seja no trabalho, nas compras, nas férias, lendo revistas, jornais, televisão, Internet; e estar sempre atento a qualquer oportunidade de conhecer melhor um empreendimento; conhecer os pontos fortes e fracos. Filion (1991), no entanto, chama atenção para as características que fundamentam o perfil empreendedor. Buscando a personalidade empreendedora, observa-se que vários estudos investigaram as características da personalidade dos empreendedores e como eles diferem dos bem-sucedidos nas organizações empresariais. Neste sentido, entende-se que as atividades que o empreendedor desenvolve no seio organizacional para atingir seus objetivos estão na sua vinculação deste a cada uma dessas atividades, agindo com as características pessoais inovadoras e criativas e com as competências necessárias. As características encontradas em Wever e Brito (2003) estão resumidas nas principais, quais sejam: ser observador, conseguindo perceber o que é necessário num sistema onde possa recolher informações; ser criativo, tendo idéias para elaborar planejamentos e programas de execução; e persistência, perseverando no trabalho para alcançar metas e objetivos. As características encontradas em Dolabela (2002) e Araújo (2004), estão posicionadas no fato do empreendedor ser visionário, otimista, determinado, dinâmico, independente, apaixonado pelo que faz, líder dedicado e decidido, bem relacionado, planejam sempre e tudo, organizado, preparado, faz a diferença, sabe explorar ao máximo as oportunidades, assume riscos, cria valor, dentre outras. Já características encontradas no empreendedor, com base em Filion (1991), estão, inicialmente, em ter objetivos definidos que funcionem como um potente motor e que sejam capazes de impulsionar a empresa e as pessoas que nela trabalham. A segunda característica destacada por Filion (1991) está na visão global que significa enxergar oportunidades que pessoas normais não enxergam, procurando oportunidades no cotidiano das pessoas. Ou seja, manter a procura constante na transformação e antenado com as tendências tecnológicas e mudanças no mercado. Geralmente o empreendedor antevê as coisas, antecipa-se aos problemas para não deixá-los acontecer. A terceira característica assinalada por Filion (1991) está na iniciativa, tendo em vista que o empreendedor não possui a chamada "síndrome do empregado", pois não segue somente o que é estabelecido, ou resolve somente os problemas identificados, mas soluciona problemas e falhas antes delas acontecerem, realizando projetos pessoais pelo simples prazer de ver algo que é seu sendo implantado. A quarta característica anotada por Filion (1991) é a velocidade, que significa que muitas são as idéias e os projetos que podem surgir de acordo com a busca e criatividade, mas o aspecto velocidade poderá ser determinante para o êxito da atividade. A quinta característica observada por Filion (1991) é o planejamento que, segundo ele, nada mais é do que estabelecer objetivos secundários para se alcançar o objetivo principal. Ou seja, é a parte operacional do projeto, detalhado em pequenas ações pré-estabelecidas, com prazos definidos e com a possibilidade de avaliação periódica. Isto quer dizer que, conforme Filion (1991), para o empreendedor o planejamento é fundamental, pois, através dele ele cria a estratégia do projeto, fica atento aos riscos, e sabe da viabilidade ou não da sua idéia. A sexta característica arrolada por Filion (1991) é a polivalência que passa a exigir entendimento sobre toda organização e de tudo mesmo para que possa liderar seus colaboradores, ou ainda mesmo para avaliar o todo de seu projeto. A sétima característica informada por Filion (1991) é o envolvimento, uma vez que o empreendedor não possui horário fixo para trabalhar, só sabe a hora de parar quando o projeto é finalizado. A oitava característica é a persistência que, segundo Filion (1991), devem pautar os objetivos e metas uma vez que os empreendedores não desistem facilmente, sempre procuram uma forma de continuar apesar das eventuais dificuldades, pois nem sempre as coisas vão correr as mil maravilhas, mas o importante é persistir em busca do sonho sem desistir nunca. A nona característica identificada por Filion (1991) é a ousadia, inclusiva, característica básica de um empreendedor, pois é a busca de fazer coisas diferentes, que ninguém ainda fez, quebrando padrões de comportamentos, quebrando regras de trabalho em busca de uma maior produtividade. A décima característica é a persuasão que, conforme Filion (1991), está na ótica do empreendedor que todos podem ganhar com a sua idéia, criando uma legião anônima de colaboradores, enfim é saber vender a idéia. A décima primeira característica é a competência que, segundo Filion (1991), é a capacidade de realização e um grande quesito para o comportamento empreendedor, pois é necessário disciplina, preocupação, perfeição e cuidados com detalhes para que tudo possa correr da melhor maneira possível. Por fim, a décima segunda característica empreendedora está na autoconfiança que, segundo Filion (1991), acredita na idéia, tem motivação interna, é liderado pela paixão e possui a consciência de que seu sucesso está relacionado com a sua capacidade de sempre ter uma energia extra e eletrizante. Sua motivação interior extrapola os limites de seu corpo e mente, e freqüentemente é suficiente para contagiar a equipe. Na mesma condução, Timmons e Hornaday (apud Santos, 2001, p. 57), entendem como características empreendedoras ter um modelo que influencie, ter iniciativa, autonomia, autoconfiança, otimismo, necessidade de realização, trabalhar sozinho, ter perseverança e tenacidade, não reconhecer o fracasso porque é considerado um resultado como outro qualquer, aprende com os resultados negativos e com os próprios erros, tem grande energia por ser um trabalhador incansável, é capaz de se dedicar intensamente ao trabalho e sabe concentrar os seus esforços para alcançar resultados, sabe fixar metas e alcançá-las, luta contra padrões impostos, diferencia-se, tem a capacidade de ocupar um intervalo não ocupado por outros no mercado, descobrindo nichos, tem forte intuição, tem talento e uma certa dose de inconformismo diante das atividades rotineiras para transformar simples idéias em negócios efetivos, tem sempre alto comprometimento por que crer no que faz, cria situações para obter feedback sobre o seu comportamento e sabe utilizar tais informações para o seu aprimoramento, dentre outras. Vê-se, pois, por essas característica que o perfil empreendedor congrega liderança, habilidade, risco, vocação artística, inovação, criatividade, motivação e perícia para alcançar suas metas e objetivos.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Flávio. Como ser empreendedor de sucesso. Belo Horizonte, 2001.
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