quarta-feira, maio 07, 2008

A EDUCAÇÃO NO POSITIVISMO DE AUGUSTE COMTE




A EDUCAÇÃO NO POSITIVISMO DE AUGUSTE COMTE - A educação para o filósofo Auguste Comte, o criador da doutrina da educação universal na filosofia, é chamada de educação positiva, aquela que visa a informar o aluno sobre a ordem, isto é, como o mundo funciona, formando seu caráter, tornando-o mais bondoso. Na educação, isso acarreta ênfase na aferição da eficiência dos métodos de ensino e do desempenho do aluno. Para ele a educação é necessária para se atingir o verdadeiro ensino integral, enciclopédico. Para o Positivismo, a educação resume-se no ensino enciclopédico, útil e verdadeiro, sem teologismo nem metafísica. Isto supõe a subordinação do espírito de detalhe ao de conjunto, da análise à síntese, do progresso à ordem, do egoísmo ao altruísmo, dando à educação um fundamento e um conteúdo ético, que pudesse ser aceito por todos. O seu programa consiste em formar uma consciência moral e social que, desde as bases, pudesse ser inspiradora de todos os idealismo humanos. Isto porque o racionalismo científico é característico do Positivismo, do ponto de vista pedagógico, mas não exclui o valor da instrução humanística, cujas decisões válidas apresentou. Para August Comte, a ciência é a escola da disciplina, porque é organismo de força intelectiva da qual a lógica, o método e as ciências especiais, são leis. O plano geral da educação positivista coloca a arte antes da ciência, com o culto religioso acima do dogma, de maneira a prevenir as dificuldades essenciais. Segundo Comte, na teoria e na prática deve prevalecer o sentimento como fonte normal da sistematização. O objetivo educacional positivista é modificar o mundo para adaptá-lo às necessidades humanas e aperfeiçoar o homem. A participação da inteligência nessa práxis transformadora consiste em esclarecer, reunindo para isso os elementos destinados às previsões. As características desta educação são as seguintes: em primeiro lugar, ela é viável aos dois sexos; a segunda, é que ela está subordinada ao desenvolvimento biológico, já que o estudo do homem e do mundo exterior constituem necessariamente o duplo e o eterno sujeito de todas as concepções filosóficas positivistas; a última característica, é que ela se relaciona à interconexão das leis dos três estados (estado teológico-ficticio, estado metafísico-abstrato e estado positivio-cientifico), com as etapas mentais do desenvolvimento da criança, combinando a estática social com a dinâmica social, ou seja, as leis da ordem com as do progresso. Em sendo o principio fundamental do Positivismo o da primazia da educação para a solução do problema social, devendo o proletariado participar da riqueza intelectual, tanto quanto os detentores do capital (o patriciado), Comte divide a educação positivista em espontânea (educação física e moral, e educação estética) e sistemática (educação intelectual). A educação espontânea – Neste sistema educacional, a primeira fase, que se estende do nascimento à puberdade, deve ser ministrada apenas pela mãe, que deve dirigi-la de modo “inteiramente espontâneo, ao mesmo tempo, física, intelectual e moral” Esta educação exclusivamente familiar deve constituir sobretudo na cultura dos sentidos, no desenvolvimento da destreza natural, pelos jogos, e na aquisição de bons hábitos. Dos sete aos oito anos até a puberdade, a educação, sem cessar de ser doméstica e dirigida pela mãe, mas não mais inteiramente espontânea, tornar-se-á estética, formando-lhe a base do ensino, a poesia, a música e o desenho ou a pintura.. Durante esse período, a cujo ensino, predominantemente artístico, será preciso acrescentar o estudo das línguas; a criança não deve ainda ouvir falar de qualquer das sete ciências da classificação comteana. A educação física e moral – O fulcro da educação positivista está em ver em cada mãe a dirigente perpétua dos filhos. Até a puberdade, devem eles depender, exclusivamente, das mães; e durante o resto da existência, a mãe deve supervisionar sua educação. Assim, nessa primeira fase, a educação deve ser essencialmente afetiva, embora o cultivo do físico da criança deva prevalecer. Aqui, a educação física consistirá menos em um exercício grosseiro dos músculos, e mais na cultura dos sentidos, da destreza, a fim de preparar a criança para a observação e para a ação. Contudo, o Positivismo não dispensa o papel do pai na educação doméstica, como auxiliar da ação materna, pelo criterioso exercício da autoridade. O pai, aconselha Comte, deve educar seus filhos pelo exemplo, pela auto-disciplina, pela atitude correta, pela união de sentimentos, pois o lar sem normas de conduta respeitadas por todos, converter-se-á em foco de desordem e a anarquia da família lhe dará cidadãos desajustados e nocivos à sociedade. Para o Positivismo, o regime pessoal é socialmente instituído pela subordinação do egoísmo ao altruísmo, segundo a lei viver para outrem. O homem isolado não existe, o que existe é a sociedade. O individuo só pode ser encarado como elemento do organismo comunitário, ensina Comte.. O primeiro dever é, pois, viver, mas viver dignamente, viver às claras, concorrendo para a conservação e o aperfeiçoamento da Humanidade. A educação estética - Se a evolução afetiva caracteriza primeira infância e elabora espontaneamente o principal elemento da lógica – os sentimentos -, a segunda infância assinala-se pelo surto estético, que vem aclarar os sentimentos com o segundo elemento lógico: as imagens. A educação estética, que vai dos sete aos catorze anos, começa, também, a sistematizar-se por uma série gradual de estudos regulares, até então interditos, ou seja, a leitura, a escrita, o canto, o desenho, e o ensino das línguas modernas.
A educação sistemática - Depois da elaboração dos sentimentos, na primeira infância, e do desenvolvimento da educação estética, por meio do concurso das imagens, finalmente a adolescência completa esse preparo espontâneo, instituindo a lógica universal pelo uso sistemático do terceiro elemento: os sinais, nesta terceira fase, em que será desenvolvido o ensino abstrato, de vez que o cérebro, já educado durante a infância estará apto para o estudo das leis científicas. A característica geral da educação desta fase é desenvolver a razão abstrata, sistematizando os conhecimentos gerais adquiridos na infância. Assim, o ensino deverá consistir principalmente no estudo das leis naturais que regem o mundo e o homem, instruindo-o para a vida ativa. E, o que é muito importante neste momento, a aprendizagem de um ofício, habituando-o para o serviço efetivo na sociedade. O adolescente também inicia o conhecimento de sua própria personalidade e sua função no organismo social. A educação sistemática seguira escrupulosamente a hierarquia das ciências positivas e a ordem lógica de sua filiação, que caracteriza a ordem universal. Comte criticou as classificações propostas nos dois últimos séculos, como as de Bacon e de D’Alembert, que não só desconheciam a matéria, como pecavam pela falta de um critério positivo homogêneo e constante. A base da classificação de Comte, da generalidade decrescente, é um princípio cartesiano, partindo-se dos objetos mais simples para os mais complexos.
O problema básico da educação, para Augusto Comte, é o problema da vida humana, ou seja, dentro de sua concepção, a subordinação do egoísmo ao altruísmo. Esse desiderato só será alcançado pela reação da sociedade sobre o indivíduo, pela influência da vida comunitária, sobre a vida individual. Em outros termos, a sociedade terá sempre que influir no educando. Alegando que ainda não prepondera um sistema educativo que ligue a família à sociedade, que vise sempre o social na educação do indivíduo, e que, nos contatos sociais, os pendores egoistas provocam antagonismos individuais que tendem a neutralizá-los, Comte entende que a educação deve ter por fim sistematizar essa reação geral da sociedade sobre a vida individual, preparando especialmente a conduta do individuo. Toda dificuldade educativa está, para ele, em vencer a preponderância dos instintos inferiores. Comte demonstra, assim, a necessidade social de uma educação positiva, sistemática, a fim de preparar o individuo como cidadão consciente. Individuo que se acha intimamente ligado à família, que por sua vez se liga à pátria e, por esta, à Humanidade, que o completa comunitariamente. Veja mais aqui e aqui.



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