quarta-feira, agosto 19, 2009

RAFAEL ALBERTI, ANATOLE FRANCE, PAULO FRANCIS, THOMAS COUTURE, HUNT, A MULHER & MANOEL MAURICIO DE ALBUQUQERQUE

 
A arte do pintor e professor francês Thomas Couture (1815-1879)


DITOS & DESDITOSO que é admirável não é tecido de imensidade das estrelas, mas sim que o homem o tenha mensurado. Pensamento do escritor francês e Prêmio Nobel de 1921, Anatole France (1844-1924). Veja aqui.

A MULHER – [...] A concepção da mulher, talhada especialmente para o privado (e incapaz para o público), é a mesma em quase todos os círculos intelectuais do final do século XVIII. [...] Esta é representada como o inverso do homem. É identificada por sua sexualidade e seu corpo, enquanto o homem é identificado por seu físico e energia. O útero define a mulher e determina seu comportamento emocional e moral. Na época, pensava-se que o sistema reprodutor feminino era particularmente sensível, e que essa sensibilidade era ainda maior devido à debilidade intelectual. As mulheres tinham músculos menos desenvolvidos e eram sedentárias por opção. A combinação de fraqueza muscular e intelectual e sensibilidade emocional fazia delas os seres mais aptos para criar os filhos. Desse modo, o útero definia o lugar das mulheres na sociedade como mães. O discurso dos médicos se unia ao discurso dos políticos [...] Os revolucionários limitaram o papel das mulheres ao de mãe e irmã - dependendo, para suas identidades, dos maridos e dos irmãos; Sade as converteu em prostitutas profissionais ou em mulheres cujo papel principal é sua disposição em se deixarem acorrentar pelos homens, tendo como única identidade a de objetos sexuais. Nessas duas representações do privado, as mulheres não possuem qualquer identidade própria - pelo menos é o que desejam os personagens masculinos, pois, na verdade, elas são apresentadas como destruidoras em potencial, como se fosse mais do que evidente que jamais aceitariam voluntariamente os papéis que lhes são designados [...] A concepção da mulher, talhada especialmente para o privado (e incapaz para o público), é a mesma em quase todos os círculos intelectuais do final do século XVIII. [...] Esta é representada como o inverso do homem. É identificada por sua sexualidade e seu corpo, enquanto o homem é identificado por seu físico e energia. O útero define a mulher e determina seu comportamento emocional e moral. Na época, pensava-se que o sistema reprodutor feminino era particularmente sensível, e que essa sensibilidade era ainda maior devido à debilidade intelectual. As mulheres tinham músculos menos desenvolvidos e eram sedentárias por opção. A combinação de fraqueza muscular e intelectual e sensibilidade emocional fazia delas os seres mais aptos para criar os filhos. Desse modo, o útero definia o lugar das mulheres na sociedade como mães. O discurso dos médicos se unia ao discurso dos políticos [...]. Trechos extraídos de Revolução Francesa e Vida Privada, de Lynn Hunt, extraído da obra História da vida na privada: Da Revolução Francesa à Primeira Guerra (Companhia das Letras, 1991), organizada por Michelle Perrot. Veja mais aqui.

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DE MIM - [...] O gênio não é, como disse Aristóteles, a capacidade infinita de nos olharmos sem remorsos. Drummond tem vários remorsos. Me parece. Talvez o defeito seja meu. Mas o que querem? Sou um produto da classe média, neto de estrangeiros, zona sul, Rio, no final do Estado Novo, que secou as energias intelectuais de uma geração. [...]. Trecho da crônica publicada no Pasquim de 1971, do jornalista, crítico de teatro e escritor Paulo Francis (1930-1997).

PRÓLOGO - Não haviam feito anos nem a rosa nem o arcanjo. / Tudo, anterior ao batido e ao pranto. / Quando qualquer luz ignorava ainda / se o mar nasceria menino ou menina. / Quando o vento sonhava melenas que pentear / e craveiros o fogo que acender e bochechas / e a água alguns lábios parados aonde beber. / Tudo, anterior ao corpo, ao nome e ao tempo. / Então, eu me lembro que, uma vez, no céu... Poema do dramaturgo e escritor espanhol Rafael Alberti (1902-1999).


A arte do pintor e professor francês Thomas Couture (1815-1879)


PEQUENA HISTÓRIA DA FORMAÇÃO SOCIAL BRASILEIRA – Uma leitura efetuada na quarta edição da obra “Pequena história da formação social brasileira”, do professor Manoel Maurício de Albuquerque é, substancialmente, passar a considerar uma obra assaz importante, muito esclarecedora e reveladora de observações que demonstram o desenvolvimento brasileiro, a partir da sondagem dos antecedentes históricos que circundam muito antes do nascimento e exploração da colônia até os governos militares que se apossaram ditatorialmente com o golpe de 1964, tendo seu término com o governo do general Figueiredo. O livro é enriquecido por uma abordagem econômica, jurídico-política e ideológica, acrescido de um rol bibliográfico ao término de cada parte analisada, assaz extensa e profunda, formato este que caracteriza a natureza dos estudos desenvolvidos pelo autor da obra. O professor Manoel Maurício de Albuquerque ao longo da sua vida desenvolveu uma série de estudos e pesquisas nas áreas de geografia humana, ocupação, colonização e desenvolvimento da república brasileira, bem como longos anos de estudo de história numa teoria de justiça social, inclusive muitos desses estudos resultando na perseguição política, destituição de cargos, prisão e tortura durante o regime militar totalitário da década de 60/70, quando o historiador foi vítima, como de fato ocorreu com diversos intelectuais e artistas progressistas que se opunham ou que realizavam trabalhos conscienciosos que, evidentemente, se tornavam contrários à ditadura militar brasileira da época. Além disso, o historiador professor também, escreveu artigos, ensaios e livros com temas pouco pesquisados, interpretações novas apontando linhas originais de pesquisa, trazendo sempre reveladoras observações acerca da História do Brasil. É conveniente, então, ressaltar, que a obra do professor Manoel Maurício de Albuquerque, por se encontrar antenada com as transformações contemporâneas, numa observadora visão dos antecedentes que constituíram o registro histórico ao longo dos séculos e, assim, com uma perspectiva realista, é, indubitavelmente, de suma importância para uma análise e avaliação do Brasil de ontem, o Brasil que é hoje e o país que se ver para amanhã. Na obra “Pequena história da formação social brasileira” o autor efetua uma abordagem, inicialmente, da estrutura econômica da etapa escravista, bem como das estruturas jurídico-política e ideológica com seus agentes sociais desta etapa, fase esta que ele inscreve como sendo etapa que envolve a colonização, o escravismo; depois a etapa colonial, chegando à etapa do capitalismo, após uma observação da transição para o Estado Nacional, a Monarquia, até a era Capitalista que culmina com a República, os anos 80 com o governo do general João Baptista Figueiredo. Cada etapa é acrescida de uma avaliação e análise profunda com os antecedentes e conseqüências históricas, acrescida de uma bibliografia sumária que mostra o tom de seriedade, profundidade, atualidade e firmeza com que o autor analisa as transformações históricas brasileiras. A primeira etapa abordada é a escravista subordinada à política mercantilista colonial, observando as práticas escravistas tanto indígenas como africana, as atividades produtivas, o extrativismo vegetal e mineral, principalmente o extrativismo do pau-brasil, bem como a agro-manufatura da cana-de-açúcar e de outros produtos agrícolas, passando pelas relações de produção feudal subordinada às práticas escravistas, considerando a pecuária, a manufatura, o comércio, as práticas tributárias, as ideologias, estrutura e agentes socioeconômicos que se impuseram por todo século inaugural da exploração colonizadora brasileira. Nesta parte inicial dos estudos, o autor aborda desde a apropriação do excedente através do monopólio comercial, bem como pela imposição de uma estrutura econômica especializada e dependente por via fiscal, pelo aparelho eclesiástico, até chegar nas práticas escravistas e a escravidão indígena para a africana nas atividades produtoras escravistas, tais como o extrativismo vegetal e de outras práticas extrativas, a partir do pau-brasil e o seu processo de produção, bem como o da agro-manufatura da cana-de-açúcar, as áreas produtoras, a expansão da cultura canavieira, a sua crise e recuperação, além da observação de outros produtos de origem agrícola, passando pelo extrativismo mineral sob o mercantilismo metalista preponderante à época. Neste ínterim, o autor discorre sobre os problemas da prata e a mineração no Brasil recém-descoberto e explorado a partir de bandeiras que tentavam sair do litoral para alcançar o interior com escravização indígena, o sertanismo de contrato, o extrativismo do ouro e do diamante com efeitos desse processo até a Revolução Industrial e sua conseqüência no Brasil em formação a partir do sal e das relação de produção feudal subordinadas às práticas escravistas, inclusive abordando a questão da pecuária, a pesca da baleia, as manufaturas, o comércio colonial, as frotas anuais, as companhias de comércio com seus tratados, o contrabando, as práticas tributárias, as ideologias e a estrutura econômicas que permearam todo período num cenário que compreende o descobrimento e a colonização do Brasil. Observa-se, pois, que o Brasil ao ser descoberto não se encontrava no centro de um planejamento prévio de Portugal, vez que este país apenas estava procurando riquezas para se apossar, não tendo, pois, uma política de colonização consistente, razão pela qual se iniciou com conflitos com os indígenas, em virtude da monocultura da cana-de-açúcar, uma vez que não encontravam aqui, os lusitanos, o que explorar, além do pau-brasil e da cana-de-açúcar exportada. Como o invasor se localizara no litoral, havia a necessidade de se conhecer o interior, principalmente por causa das fugas dos indígenas, dos suspeitos religiosos e dos que fugiam da dureza de sustentação dos colonizadores. Resta, pois, observar dessa primeira parte, que o colonizador, tentando proteger as costas brasileiras da invasão dos holandeses, espanhóis, franceses e ingleses, desenvolveu um modelo escravista, tanto indígena como africano, baseado no pau-brasil e na cana-de-açúcar, tudo atendendo os interesses da metrópole. Depois da avaliação econômica da etapa do escravismo, o autor parte para a análise da estrutura jurídico-política e ideológica com seus agentes sociais na etapa colonial, considerando, inclusive, o descobrimento, o processo em que se deu a viagem de Cabral e a sua chegada às terras brasileiras, a exploração do litoral, o arrendamento do pau-brasil, passando para as políticas externas da colonização, inclusive a política de Maré Clausum e a competição estrangeira, a expedição de Martim Afonso de Sousa, o sistema das capitanias hereditárias, o governo geral, as disputas, os tratados, a crise e todo aparato de acontecimentos que culminaram com o período colonial brasileiro, que vai desde antes de 1500 até a chegada da família real portuguesa em 1808, ao Rio de Janeiro. Nesta etapa há recortes destacados pelo autor que são extraordinariamente esclarecedores como o fato do tópico “O Estado do Brasil e o Estado do Maranhão”, onde ele aborda os conflitos franceses e lusitanos que já vinham com questões com os espanhóis, desembocando na sedimentação do sistema de capitanias hereditárias. Com isso, o autor vai abordando a forma de realização do governo geral a partir da Bahia, a promissora capitania de Pernambuco, a disputa colonialista, o assédio holandês, francês e espanhol na região, os tratados, notadamente o de Haia, de 1661, de Limites como os de Utrecht, de 1713 e 1715, de Madri, de Santo Ildefonso, de 1777, até a crise do sistema colonial com a Revolta de Beckman, de 1684 até 1645; a Guerra dos Emboabas, de 1707 até 1709; a Guerra dos Mascates, de 1710 até 1714; a Revolta de Vila-Rica, de 1720; a Conspiração Mineira, de 1789; a Baiana, de 1798; a Revolução Pernambucana de 1817 que culminou com a punição dos pernambucanos e instalação da capitania de Alagoas; enfim, todo um cenário de turbulência que se insere no desenvolvimento histórico, social e econômico do Brasil Colônia e vai definindo toda a estrutura de formação do país. Neste período que compreende desde o descobrimento até a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, na fuga da sanha de Napoleão, estabelece o período de formação brasileira compreendido por mais de trezentos anos de colonização exploradora, que se baseou na extração do pau-brasil, exploração da cana-de-açúcar e na investida em diversas regiões à procura de metais e minerais, eclodindo com o ouro de Minas Gerais. A chegada da família real ao Brasil confere uma mudança na colônia que vai adquirindo não apenas a fonte inesgotável explorada, como vai ganhando um status de centro de desenvolvimento, a partir da criação de universidades, uma Constituição Federal, além de outras benéficas e importantes ações tomadas. Em seguida, o autor trata da estrutura econômica da etapa escravista subordinada ao capitalismo mundial, compreendendo o período que vai de 1808 até 1870, abordando desde o livre escambismo e o protecionismo alfandegário vigentes à época, culminando com os Tratados de 1810 e a dominância inglesa, a produção agrícola e suas transformações, o estrativismo mineral, as atividades industriais e de serviços, as finanças, imigração e colonização; a transição do sistema escravista para o capitalismo, compreendendo pois, a chegada e desenvolvimento das atividades da família real portuguesa no Brasil. Segue, pois, o capítulo da avaliação da estrutura jurídico-política da transição para o Estado Nacional que ocorreu entre 1808 até 1822 quando se dá a independência, partindo da sede da monarquia no Brasil, passando pela política externa, notadamente da ocupação da Guiana Francesa, de 1809 até 1817; da banda oriental do Uruguai, de 1811 até 1821; do processo de independência, a regência de D. Pedro até a consolidação e o reconhecimento externo. Quando em 1808 chegou a família real portuguesa, vê-se que uma série de acontecimentos tornaram o país turbulento, articulado com a turbulência externa, a ponto de deflagrar a campanha pela independência de Portugal, fato que ocorre em 1822, registrando, assim, a 7 de setembro daquele ano, a independência do Brasil de Portugal. Daí parte para a abordagem da estrutura jurídico-política da etapa nacional monárquica, que compreende o período de 1822 até 1889, onde fica patenteada a hegemonia do sudeste em detrimento das outras regiões, sobretudo do Nordeste, e a reação ocorrida ao império unificado que praticamente inexistia, culminando com a organização política do império. Partindo da independência de 1822, passando pelo período de Império até a República instaurada em 1889, todo um processo conservador teve primazia ao longo dos anos, apoiado pelas oligarquias que, vendo seus interesses na iminência da contrariedade, efetuavam mudanças, a exemplo do processo republicano, bem como com a culminância do movimento de 1930, onde o populismo e um Estado Novo se inseria com ditadura e nova Constituição, além de mudanças radicais, implemento nas atividades industriais, reformulação social e todo um aparato de coisas na retomada de um Brasil reformado, com reformas na educação, saúde, política, legislação, que, enfim, desembocam na década de 1950. Fato marcante foi a assembléia constituinte que desemboca na primeira Constituição, a de 1824; outorgada por D.Pedro I, caracterizada por se manter aos princípios do liberalismo moderado, por fortalecer o poder pessoal do imperador com a criação do poder Moderador acima dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e por determinar que as províncias passassem a ser governadas por presidentes nomeados pelo imperador. Segue, portanto, a abordagem para o advento da Confederação do Equador, marcando o conflito entre os pernambucanos e a hegemonia do Sudeste inviabilizando a proposta unicista; passando pela abdicação, a transição regencial de 1831 até 1840; o ato adicional de 1834; o reforçamento do poder da monarquia unitária de 1835 até 1850, culminando com a Revolução Farroupilha que se deu no Rio Grande do Sul e durou de 1835 até 1845. Observa-se que, sincronicamente ao incidente gaúcho, outros movimentos ocorreram como a Cabanagem que eclodiu na região amazônica e durou de 1835 até 1840; a Balaiada, no Maranhão de 1838 até 1841; a Sabinada na Bahia, de 1837 até o ano seguinte. Não se restringindo a estes conflitos, até a maioridade do imperador ocorreram uma série de movimentos, dentre eles o movimento liberal de 1842, a revolta Praieira, em Pernambuco, a questão cisplatina e a guerra contra as províncias unidas do Rio da Prata, o congresso do Panamá, as questões dinásticas portuguesas, do tráfico, de fronteiras, consolidando a estabilização monárquica e o parlamentarismo que perdurou de 1850 até 1870, com as intervenções contra os governos de Oribe e Rosas, entre 1851 e 1852; contra Aguirre, em 1864; a guerra da Tríplice Aliança, de 1864 até 1870; a ofensiva paraguaia de 1864 até 1866; a contra ofensiva aliada, de 1866 e 1870; as fontreiras e as questões com a Grã-Bretanha, que redundam em ações que possibilitam uma maior ofensiva dos republicanos, culminando, com a transição do império para a república, iniciado em 1870 e, consolidado, em 1889, sob a influência do positivismo comteano. Neste cenário, chega-se à etapa capitalista, compreendendo os séculos XIX e XX, onde o autor efetua uma análise da estrutura econômica de então, a partir do liberalismo econômico que se inicia em 1889, com a proclamação da república e se efetiva até 1930, quando se dá a criação do Estado Novo. Neste período ocorre a segunda Constituição Federal, trazendo um modelo constitucional de espírito liberal, também inspirado na tradição republicana dos Estados Unidos da América, onde estabeleceu a liberdade partidária e instituiu eleições diretas para a Câmara, o Senado e a Presidência da República, com o mandato de quatro anos. Nesta Constituição de 1891, o voto tornou–se universal e não secreto para homens acima de 21 anos sendo vetado o voto das mulheres, dos analfabetos, dos soldados e dos religiosos. Nesta etapa, o autor começa abordando a economia agrária a partir do café e toda a sua oligarquia, passando pela borracha amazônica, o açúcar do Nordeste, Rio de Janeiro e São Paulo, bem como outras agrícolas para chegar no setor industrial que culmina com o intervencionismo estatal em 1930. Com a passagem dos anos 20 e chegando à década 30, o autor passa a observar os antecedentes das finanças brasileiras, a partir do encilhamento, a imigração, a colonização, a viação, para abordar a estrutura jurídico-política da etapa republicana, com a sua ditadura e solução federalista que culminaram a Constituição de 1891, observando assim, as ocorrências da última década do século XIX e as duas primeiras do século XX. É neste período que ocorreram tensões sociais, tais como a Campanha de Canudos, a política dos governadores e a dominância dos grandes Estados; até chegar a segunda república, com o Estado Novo e Getúlio Vargas, passando pela busca de redemocratização e instabilidade populista, o autoritarismo e a resistência. Na visão de Manoel Maurício de Albuquerque, a implantação do Estado Novo representava principalmente o resultado da aliança da grande propriedade agrária com uma burguesia industrial historicamente frágil. E durante o Estado Novo, foram realizadas várias iniciativas para atender-se ao crescente setor industrial: o 1o Plano Nacional de Eletrificação; a criação do Conselho Nacional do Petróleo, para controlar os poços descobertos no recôncavo baiano; a Companhia Siderúrgica Nacional localizada na cidade de Volta Redonda, dentre outras. Estas medidas relacionam-se com o aumento da indústria, propiciada pela Segunda Guerra Mundial, num processo de substituição das importações brasileiras de gêneros alimentícios, matérias-primas e produtos da indústria leve. Os contingentes de trabalhadores para essa industrialização eram fornecidos pela liberação de mão-de-obra rural, sobretudo do Nordeste, que migrava, em maioria, para o Sudeste. Na ditadura, a participação da indústria na economia como um todo, continuou a aumentar. Com a indústria, crescia o fosso entre o Norte agrícola e o Sul industrializado, e como a crise de 1929 tivera como efeito secundário a quase paralisia da imigração estrangeira, surgiu um novo dado na vida do país: a mão-de-obra necessária para mover o parque industrial recém criado passou a ser fornecida por migrações internas. Em busca de trabalho, os moradores do campo, sobretudo no Nordeste, passaram a se dirigir para cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que se tornaram metrópoles industriais. Essa massa de origem rural, sem qualquer proteção, encontrou uma legislação trabalhista que apesar de tudo, garantia alguma coisa ao trabalhador. Controlada pelo Estado, através do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e pelos fracos sindicatos, essa massa, será a base do Populismo e do Trabalhismo. Nesta época ocorreram também várias reformas político, administrativas: criação do Ministério da Aeronáutica, dos Institutos de Aposentadoria e Pensões (ISPS), do Instituto Brasileiro do Café, o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), com a finalidade de dar ao Estado um aparato burocrático, racionalizador da administração pública além da CLT. Nesse período, o país passa por três Constituições. A primeira, de 1934, uma Constituição burguesa liberal que, conforme o professor Manoel Maurício de Albuquerque, não toca no problema da terra, porque é precisamente na posse dela que se baseia o seu domínio. Além disso, observa o autor, que mantém na Constituição abordada, o formato de república federativa, diminuindo–se o grau de autonomia dos estados, estabelecendo eleição indireta para Presidente da República, com mandato de seis anos. A segunda Constituição deste período é a de 1937 que, dentre seus principais aspectos, valem destacar, assim, a centralização política com o fortalecimento do poder do presidente; a extinção do legislativo, cujas funções passaram a ser exercidas pelo executivo; subordinação do judiciário ao executivo; indicação dos "interventores" (governadores) dos estados pelo presidente; e a instituição da legislação trabalhista. Enfim, a terceira que compreende a Constituição de 1946, que, no conjunto, era a mais democrática até então, vez que restabelecia os direitos individuais, extinguindo a censura e a pena de morte, definindo o voto como secreto e universal, além da existência e da independência dos três poderes, com a devida importância destinada ao legislativo. É na década de 50 que Juscelino imprime uma política desenvolvimentista, uma nova capital federal e um endividamento que se manterá sempre se avolumando com o passar dos anos, passando pela renúncia de Jânio Quadros, a posse conturbada e deposição de João Goulart, até o golpe militar de 1964, quando uma iniciativa totalitária se faz sob o propósito de rearrumação do país, reordenamento, nova Constituição, nova modelagem pautada no tecnicismo, no conservadorismo e no aproveitamento da mentalidade pragmática norte-americana rumo ao desenvolvimento que se ensaia no Milagre Brasileiro da década de 1970 e estertora nos abusos autoritários das décadas anteriores exigindo o processo de redemocratização instituído nos anos 80. É com o golpe militar de 1964, que mais uma Constituição, a de 1967, é promulgada pelo Congresso Nacional durante o governo Castelo Branco, institucionaliza a ditadura do regime militar de 1964, mantendo o bipartidarismo criado pelo Ato Adicional no 2 e estabelecendo eleições indiretas para Presidência da República, com mandato de quatro anos. No período da abertura política, várias outras emendas preparam o restabelecimento de liberdades e instituições democráticas, até que ocorre a Constituição de 1969, endurecendo cada vez mais o regime. Outorgada por três Ministros Militares, embora, formalmente, essa Constituição tenha tomado o aspecto de emenda à Carta de 1967, esta Constituição promoveu uma maior centralização do poder político nas mãos do Executivo Federal, descaracterizou o federalismo, privilegiando a União em detrimento dos Estados Membros e dos Municípios. Devido a uma doença, houve uma reunião onde foi decidido que três ministros militares iriam assumir o governo com tempo indeterminado. E, apresentado como imperativo da Segurança Nacional, foi promulgado a 31 de agosto de 1969 o Ato Institucional nº 12. Ficando determinado o real impedimento por motivo de saúde, foi promulgado o AI nº 16. Enquanto não se realizassem a eleição e a posse do Presidente e Vice; marcadas para as datas de 25 a 30 de outubro de 1969, a chefia do Poder continuaria a ser exercida pelos ministros. Submetendo o texto já refundido da Constituição com as modificações que julgaram convenientes, foi promulgada a Emenda Constitucional nº 1, de 17 de outubro de 1969, e que alterava profundamente a redação da Constituição de 24 de janeiro de 1967. verificando-se, pois que, no mesmo dia da posse do Presidente Médici, entrou em vigor a Emenda nº 1, à Constituição de 1967, promulgado no dia 17 de outubro de 1969, pelos Ministros Militares que respondiam pelo Governo. De acordo com os seus termos, 58 artigos foram acrescentados ou substituíram outros, do texto anterior. Alguns de caráter fundamental, como o que estabeleceu a duração de 5 anos para o mandato do Presidente da República. A Emenda facilitou a criação de partidos políticos; aumentou a possibilidade de intervenções nos Estados e Municípios; determinou que, em vez de vetar as decisões do Congresso Nacional, poderá o Presidente da República pedir seu imediato reexame. Grande parte da reforma atingiu pontos relativos ao funcionamento e atribuições de órgãos do Poder Legislativo. A lúcida e profunda abordagem efetuada pelo professor Manoel Maurício de Albuquerque demonstra que o Brasil sempre fora dominado por forças conservadoras que, inclusive, pode-se constatar na contemporaneidade, quando desde o descobrimento pelos portugueses em conflito ora com espanhóis, franceses, holandeses, ingleses, sempre estiveram com a preocupação de como colonizar o Brasil que sempre fora assolado por essas outras nações em conflito com os lusitanos. Demonstra-se que não havendo um planejamento dos portugueses, pois os mesmos se viam às voltas com problemas na própria Europa, o autor deixa claro que sempre o poder conservador predominou desde a prática escravista, tanto indígena como negreira, bem como na expulsão de holandeses, na exploração de vegetais e minerais, na condução dos rumos de exploração entregues aos degredados e privilegiados para resolverem os conflitos da colônia. O autor baliza sua abordagem sempre com enfoque que passa por uma análise estrutural que sintoniza a visão econômica a jurídico-político e à ideológica com seus agentes sociais, consolidando, pois, uma visão segura de que o país sempre esteve envolto pelas turbulências da insatisfação, por causa do atendimento de interesses corporativos que satisfaziam, apenas, aos privilegiados de Portugal. Conflitos desde a colonização, exploração, defesa do espaço e manutenção da colônia se sobressaíram, tendo, inclusive, problemas entre o governo geral e a capitania de Pernambuco, entre outras capitanias menos expressivas por três séculos, culminando com uma crise que começa com a chegada da família Real Portuguesa em 1808, ao Rio de Janeiro, favorecendo o Sudeste em detrimento das outras regiões brasileiras. Se havia desentendimentos anteriores que estavam muito longe de sair da esfera conflituosa, com esse fato, agravou-se ainda mais, podendo-se, conforme visto em toda extensão da obra, que o país veio ficar mais ou menos equilibrado alguns anos após a promulgação da Constituição de 1988, onde, mesmo com a supremacia dos conservadores contemporâneos, a sociedade civil conseguiu que sua voz fosse ouvida.

REFERÊNCIA
ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de. Pequena história da formação social brasileira.  4ª. Edição. Rio de Janeiro: Graal, 1986. Veja mais aqui, aqui e aqui.


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segunda-feira, agosto 17, 2009

ANDRÉ BRETON, ADRIAN MITCHELL, INVENÇÃO DO NORDESTE, DEBENEDETTI, MAX DUPAIN, COAGRO & LITERÓTICA

 
A arte do do fotógrafo australiano Max Dupain (1911-1992).

LITERÓTICA: A VARANDA – A lua reinava com a chegada da noite naquelas paragens. Era cheia na penumbra e transversal dos beijos estalados com sabor de cerveja e mar. No escurinho, frente a frente, mergulhamos no confronto dos corpos e ela beijoqueira começou a uivar com seus olhos de faroleiro errante. Primeiro naufraguei no seu decote e embarquei lépido rumo à plataforma do amor e nele fiz morada para sempre sem abrir mão de cavoucar todos os acidentes geográficos de sua assimetria provocadora. E fui, com uma mão entre a pele da cintura e o elástico do biquíni rompendo os vales do ventre umedecido. A outra alisando impune o dorso da coxa divisando a mina púbica de todos os desejos florescidos. Essa a nossa balada, o momento perfeito. Foi quando ela transida pela loucura da sedução infringiu todos os limites. Investigou, virando a cabeça, inspecionando lado a lado, conferindo os mínimos detalhes do ambiente para ver a existência de alguma presença afora a nossa, algum testemunho ou atrapalho flagrante. Enquanto fazia sua minuciosa conferência por toda dimensão territorial, eu me rendia ao toque de suas mãos inquietas e usurpadoras. Era porque enquanto ela inspecionava tudo, as suas mãos percorriam minha carne agitando minhas veias., vasculhando meu ventre e, depois da conferência geral, foi se ajeitando comodamente até que ajoelhou-se no piso forrado da paixão como uma Juliete Binoche arrepiada com a intimidade desnuda embaixo da saia levantada que dava comodamente com a vagina nua assentada e esfregada no meu pé como se fosse a sela do corcel onde ela rebolava e se arrastava à medida que se preparava para uma prece em frente da minha vela viva e empunhada pelo seu bulício. Parecia que estava insatisfeita de tudo e como quem quer mais do que possui, aos murmúrios lancinantes do cio, ela arremessou a vida no alvo do meu sexo premiado e dele fez o pavio de sua busca para alimentar o hábito de querer no hálito de sua alma requerente com o trabalho de quem faz por amor na labuta dos amantes, fazendo-o da pira iluminada com a sua língua acendedora de lampião no breu. Acolhedora atirou-se incansável e frenética e foi recolhendo todo meu edifício vistoso, andar por andar, lentamente, centímetro por milímetro, delicada e vorazmente implorando por misericórdia porque queria mais e muito mais do que havia até então se apropriado. Ela rangia os dentes, boca cheia dágua da baba escorrer pelo canto. E mais agitada ia acomodando o meu rijo tridente pelos vãos dos seus lábios que apontam os jardins do Éden. E ruminava contornando toda cúpula, torre e superfície acesa descortinando a lâmina afiada da minha espada porque sua boca movediça tratava de dar cabo de toda dimensão da minha estatura agora untada por sua saliva e batom vermelho que é a rosa em flor de lótus com mil pétalas estelares para toda a cobiça e se apossava com todo gosto e me destrinchava reavendo o que perdi na existência e não me restava mais nada do que aquilo tudo da dádiva dela. Foi aí que seguiu desmedida e sussurrava amolegando o meu guidon energizado, completamente abocanhado por sua faminta determinação. E gemia com a lareira do seu ventre grudado na minha pele. E prostrada sobre o meu ventre ela encarava a minha serpente de gumes afiados e que descobre todos os seus mistérios e que a faz mais que o esplendor do veludo sobre o meu mel. E lambia os lábios abastados como quem se prepara para o banquete de gratidão, como quem se arma para o bote benfazejo ao paladar e se arregalava quando suas mãos arregaçavam com mil beijos de sua gula profana que invadia e lambuzava, segurava e sobejava o meu sobejo e vicejava afogada na mira, retendo para si entre os dedos esgoelada e sugava e eu crescia. E afagava com o rosto, e tomava insaciável o falo como quem mede o palmo na palma da mão, ah, fodoral. Aí ela fechava o cerco e nada perco porque o meu cajado luzidio é o pico salivado pela sua sede e fome como quem escava o poço da garganta quando emerso da sua arma mais estreito transponho a abertura do seu empenho que se sujeitava a caprichar no vai-e-vem e a confiscar minha vigília como quem persegue a sua vingança, como quem rompe o senso de quem quer consolo a qualquer preço, como quem quer colo a qualquer custo e comendo bolo no maior rolo e eu aceso nos seus beiços que são novelos que me envolve na alquimia que me faz fruta madura quando a noite não cabe mais e retomo sem me deter e puxo, repuxo com força e quero atravessar sua laringe até onde mais der porque as suas margens esborraram com a lambida caleidoscópica onde toda cornucópia é mais que abundante e faustosa e tudo é imenso e absorve a minha manivela por inteiro porque ela engole o cabo e eu no seu reduto de cadela rosnando no osso de carne como quem saboreia um picolé delicioso e eu no auge vou como quem perde o leme, esquece a rota e ela me leva ao tálamo da sua presença ampla, vasta e totalmente viva entre as sombras que tenho porque fecho os olhos e ela sorve meu sêmen completamente embriagada e deliciando o néctar do meu gozo vivo nas galáxias de sua divina abóbada palatina que é a taça do desejo de sua mais que viçosa alma de nenhum fastio e transcendente precipício das chamas no maremoto da saliva que é o véu e que inventa o abismo delicioso que colhi e decifrei com toda e nenhuma direção e consinto que se sirva enquanto eu vulnerável vou sucumbindo à paixão do amor mais que desejado. Estava eu entregue e sob o seu jugo enquanto ela, olhar de sonsa, jeito de manhosa que não tem nada a ver com isso, risinho safado oculto no olhar, satisfação de tímida e nua reluzente, danada de gostosura e me tratando por herói, me fazendo amo e querendo ainda ser estraçalhada pela minha voraz vontade de esganá-la por inteiro com meus beijos, carícias e esfregões. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS - O mais admirável no fantástico é que o fantástico não existe; tudo é real. Pensamento do escritor francês André Breton (1886-1966). Veja mais aqui.

A INVENÇÃO DO NORDESTE – [...] O Nordeste, assim como o Brasil, não são recortes naturais, políticos ou econômicos apenas, mas, principalmente, construções imagético-discursivas, constelações de sentido. [...] O Nordeste, na verdade, está em toda parte desta região, do país, e em lugar nenhum, porque ele é uma cristalização de estereótipos que são subjetivados como característicos do ser nordestino e do Nordeste. [...] Trecho extraído da obra A invenção do Nordeste e outras artes (Massangana/Cortez, 2009), do historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr.

O ROMANCE DO NOVECENTO - [...] O homem já não sabe (ou não sabe ainda, não reaprendeu a entender) quem é. Não sabe porque a trégua entre ele e a sociedade, entre ele e o mundo, partiu-se. [...] Além disso, o homem não está mais de acordo com o mundo, entendido como essência, tanto é verdade que até a física está alterando todas as suas hipóteses sobre a estrutura da matéria e sobre a evolução dos fenômenos [...].
Trecho extraído da obra Il romanzo del novecento (Garzanti, 1987),  do jornalista e critico literário Giacomo Debenedetti (1901-1967).

UM POEMA - Beatriz tem três anos / No alto da escada / Peço-lhe a mão. Sim. / Dá-me a mão. / Escondo-a até ao pulso / Com a minha palma, / Um pequeno volume consolador. / Tomamos todo o tempo / Para descer a íngreme / escada alcatifada / Desejando eu em silêncio / Que a escada não tenha fim.  Poema do poeta e novelista britânico Adrian Mitchell (1932-2008).

 A arte do do fotógrafo australiano Max Dupain (1911-1992).



COISAS DE MACEIÓ – COAGRO

Estava eu doidinho da silva precisando de um produto inseticida para aplacar o pandemônio dumas baratinhas sacais que reinavam nos meus livros.

Um vizinho solidário com minha agonia, indicou-se uma série de empresas que poderiam me atender. Liguei uma a uma, até me indicar a Coagro.

Quando me falou da empresa, empunhamos a lista telefônica e descobrimos o número da loja da Avenida Durval de Gois Monteiro, uns 20 ou 30 quilômetros de onde eu estava. Aí liguei.

- Alô? -, disse eu.

- Dois minutos -, disse o sujeito que atendeu.

Nisso passou uns 5 minutos. Desliguei e tornei a ligar. Atenderam.

- Alô? -, disse eu, de novo.

- Dois minutos -, disse-me de novo quem atendeu.

Aí apelei!

- Porra, cara, tô ligando e vocês não atendem? -, disse isso e fui logo jogando reclamação braba.

Daí uns minutos o cara com voz embrulhada disse que a moça que atendia o telefone não estava e que eu aguardasse mais.

Aí minha paciência foi a zero.

O pior: o colocou o telefone no gancho.

Liguei de novo. Chamou, chamou e nada. Insisti. Quando já desistiu, uma moça atendeu.

- Minha filha, por favor, tem Maxforce IC? -, solicitei meio cordial.

- Tem -, respondeu-me de pronto.

- Quanto é?

- R$ 31,77.

- Vocês entregam em domicilio?

- Não.

- Onde vocês ficam?

- Na Avenida Durval de Gois Monteiro....

- Tá, vou pegar um táxi e chego já aí.

Fui, liguei para empresa de táxi, 15 minutos depois chegou. Me aboletei no banco de trás e mandei o endereço. Fomos. Logo pegamos um engarrafamento da porra na Avenida Fernandes Lima. Coisa duns 40 minutos empancado. Mas 1 hora de depois estava eu entrando na Coagro. Dirijo-me até o balcão e solicito do vendedor.

- Estou precisando de Maxforce IC.

- É pra já -, respondeu-me o vendedor.

Dirigimo-nos até a gôndola quando um certo cidadão instou do vendedor e começaram a conversar. Tive paciência. Mas quando falaram da cachaça de mais tarde, aí cheguei junto e puxei o vendedor que se lembrou que eu existia. Foi, então, que ele começou a passar o dedo sobre os produtos.

- Tem o Maxforce comum.

- Eu quero o IC.

- Esse não tem.

- Como?

- Não tem, ora.

- Mas eu liguei praqui há 1 hora atrás, falei com uma moça e ela me disse que tinha e que custava R$ 31,77.

O vendedor então olhou direitinho e encontrou a tabuleta dizendo: Maxiforce IC, R$ 31,77. Aí ele olhou para mim com uma cara zombeteira e disse:

- Tá aqui na plaqueta: Maxforce IC, R$ 31,77, mas não tem o produto, tá em falta.

- Mas rapaz, eu liguei, perguntei se tinha, me disseram que tinha e quanto custava, ainda me disseram que tinham para pronta entrega, peguei um táxi, vou gastar R$ 40 nessa travessia toda que vim da Mangabeiras e você me diz com a cara mais cínica que não tem?

- Não tem, ora. Quer que eu fabrique? -, disse-me desafiador.

Aí, perdi a esportiva e ?!¨$#$&*&*%&$?!!!!!$%#@!@*%$##@!@!#$#@!!##@@!%&*+%$#!@!, tudo isso comigo mesmo enquanto encarava a lata do sujeitinho sarcástico.

Aí contei até 10 e considerei: em Maceió onde a qualidade? Respondem: O que é isso? Ah, lembrei, ainda nem chegou. Pra gente já foi pro beleléu.

Ó, Maceió, é três mulé prum homi só....” larilarilará.

Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!!

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