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domingo, julho 31, 2016

WALMIR AYALA, ANNA MUYLAERT, IRA LOSCO, FERREIRA GULLAR, DUBUFFET, MICHAEL MAPES, KÁROLY LOTZ, ANCHIETA FERNANDES & VANGUARDA NORDESTINA

SÓ A POESIA TORNA A VIDA SUPORTÁVEL - Tudo nasce do amor, tudo é fruto do amor. Todos nós nascemos por um ato de amor: do olhar às carícias, do gozo ao embrião, da prenhez ao parto. É o amor a essência de tudo. O amor conduz à poesia: a poesia da vida, das coisas, de tudo. Há poesia em cada ato, gesto, realização: a poesia da Natureza, a poesia do design das máquinas, a poesia da moda, a poesia da culinária, há poesia em tudo. E nela a descoberta e o sentimento, o olhar penetrante a visualizar nas essências os seus antecedentes, as suas consequências: a compreensão dos caminhos nas linhas das mãos, a impressão digital, o caleidoscópio, o Aleph, as entrelinhas, os sutis detalhes do perceptível e as pistas do oculto, os interstícios, as sinapses, o dito e o inaudito, o belo e o doloroso, o suntuoso e o miserável, o mínimo de nada, o habitável e o ermo, um pingo da chuva, uma gota de água, um grão de areia; o guizo da cobra, o que se identifica e o desfocado, o calor humano e as intenções, a franja na testa e o segredo das saias, as surpresas da esquina, a memória da pedra, a sede do peixe, as peçonhas e os antídotos, o elixir, as nanocoisas, o que é e o que não é. Cada coisa, por mínima que seja, tem sua razão de existir e ser, nada há por acaso. Evidente que nas ações humanas há poesias maiores e expressivas, como as menores e descabidas: depende dos propósitos e da consciência de se cometê-la. Independente disso, ela é ubíqua, em todo momento e lugar: viver não basta, só a poesia torna a vida suportável. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: a arte do pintor húngaro Károly Lotz (1833-1904).

Curtindo o álbum The Fire (2013), da cantora maltesa Ira Losco.

PESQUISA:
As obras criativas que circulam no interior dos sistemas informacionais do nosso tempo cada vez mais confirmam a identificação da poética contemporânea com o seu processo semiótico em si, independente das limitações da língua. A sua principalidade é desenvolver como sêmia (linguagem especifica) núcleos de invenção funcionando na articulação da ciência comunicacional da Semiologia. Assim, uma poética pode aparecer nocinema, nas artes gráficas, num objeto-poema, num ambiente, num ato conteudizante. [...].
Trecho extraído da obra Por uma vanguarda nordestina (Fundação José Augusto, 1976), do poeta multimídia internacional Anchieta Fernandes.

LEITURA
Na adolescência eu queria escrever poemas eternos. / Poemas que não envelhecessem. / Aspirava os pensamentos abstratos, as ideias transcendentes, / jogava palavras como anzóis atrás de uma baleia azul. / Eu queria a estação permanente dos fatos, / aquela zona de mistério que transforma os acontecimentos / em reflexos cíclicos / de uma realidade essência. / Eu desprezava a transitoriedade, dava-me engulhos o trivial, / pousava meu dente na polpa indizível da transcendência. / Hoje eu pouso o coração da poesia na bandeja das coisas que passam, / eu sei que, como todas as civilizações, / a nossa tem um fim, e já durou demais. / Eu sinto o cheiro de seu sangue congelado, / adivinho o pus acumulado sob sua pele túrgida. / Sei que seremos de repente uma sobrevivência arqueológica. / Porisso não ambiciono mais, para o meu poema, esta imaginária / duração, / esta idade virtual com pés de efêmero tato. / Não desejo para o gênero humano poemas capazes de sobreviver / à sua legítima história, / mergulho no cotidiano com um alívio e uma surpresa que me renovam / a vida. / Não quero mais fazer poemas que não se am tributo do instante, / quero tocar o perecível e segurar entre os dedos sua respiração / oscilante. Faço poemas transitórios e fugazes. / Os poemas eternos eu deixo para a vida eterna.
Poema Arte Poética, extraído da obra Estado de Choque: a poesia de Walmir Ayala (Galeria Parnaso/Massao Ohno, 1980), do poeta, teatrólogo, romancista e critico de arte Walmir Ayala (1933-1991).

PENSAMENTO DO DIA:
[...] Cada dia, um maior número de pessoas no mundo inteiro toma conhecimento de que a aventura do homem, em que pese a sua aparente diversidade, é uma só, e que um maior número de pessoas assume a responsabilidade de participar dela. A arte é uma dessas formas de participação.
Trecho extraído da obra Vanguarda e subdesenvolvimento: ensaios sobre arte (Civilização Brasileira, 1984), do premiado e aplaudidíssimo poeta, crítico de arte, tradutor e ensaísta maranhense Ferreira Gullar. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte bruta do pintor e escultor francês Jean Dubuffet (1901-1985).

Veja mais sobre Zine Nascente Poético, John R. Searle, Bob Dylan, Ignácio de Loyola Brandão, Antonio Machado, Fernando Arrabal, Emir Kusturica, Nataša Tapušković & Lil Dagover aqui.

DESTAQUE:
Pros filmes Que horas ela volta (2015) e Mãe só há uma (2016), da premiada roteirista e diretora de cinema e televisão Anna Muylaert.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Reclining nude female (2015), do artista plástico, fotógrafo e escultor estadunidense Michael Mapes.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra – Peace on Earth
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...