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quinta-feira, setembro 12, 2013

MARIA FIRMINA DOS REIS, EPHRAIM KISHON, NAZIK AL-MALAIKA, BOB WILSON, GERDA TARO, CHASTEL & ADAMOV

 


DA MERCEARIA AO ATIVISMO – Homenagem à Nellie Weekes (1896-1990) – Era ela Muriel Odessa, nascida em Saint Michael, nas Índias Ocidentais, entre doze irmãos da família Walcott, cujos pais formavam um casal possuidor de mercearia. Dedicou-se desde muito jovem à enfermagem e atuou, também, como parteira. No início da sua luta foi levada a fundar escolas femininas de enfermagem e culinária, visando aprimorar o atendimento à comunidade barbadense. Era ativa no coral de Animação de Doentes e Incapacitados, usando da musicoteria para alegrar os pacientes dos orfanatos, hospitais, centros prisionais e até em residências. Como as mulheres não eram politicamente ativas em Barbados, ela, então, dedicou-se ao ativismo político pelos direitos das mulheres e na campanha por melhores salários e bem-estar social para professores e enfermeiros. Ela se tornava Nellie e com sua crença declarada na igualdade enfrentou duras críticas. Com a concessão do direito ao voto às mulheres participou de pleitos eleitorais nos quais saiu derrotada sucessivamente. Não desistiu e fundou a Liga Feminina do Partido Trabalhista de Barbados, tornando-se a primeira vice-presidente. Na sua militância passou a questionar temas atinentes ao salário mínimo, defendendo melhoria de vida para bombeiros, policiais, enfermeiros, professores e carteiros, afora defender o ensino da história africana. Atuou ativamente na Aliança Feminina de Barbados, assistindo as vítimas de estupro e seus familiares. Sua luta prosseguiu até que foi vitimada com a amputação das suas pernas, tornando-se inesquecível o pioneirismo de sua luta.

 


DITOS & DESDITOS - Tenho a necessidade de contar a história de misérias anônimas... Pensamento da fotógrafa, jornalista e anarquista alemã Gerda Taro (1910-1937). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: O homem só poderia conhecer a sua lei, medir os seus limites, passando para o outro lado. A única coragem é falarmos na primeira pessoa. Pensamento do dramaturgo vanguardista francês Arthur Adamov (1908-1970).

 

ALGUÉM MAIS DISSE: O artista isolado, que trabalha para si na solidão de seu estúdio, não existe... Pensamento do historiador de arte francês André Chastel (1912-1990).

 

MAIS OUTRO: A razão pela qual você trabalha como artista é ficar aberto e fazer perguntas... Pensamento do encenador, coreógrafo, escultor, pintor e dramaturgo estadunidense Bob Wilson, que também se assina Robert Wilson, mais conhecido por sua obra como experiências inovadoras e de vanguarda.

 

A ESCRAVA – [...] Custava-me, confesso, estar por longo tem­po em comunicação com aquele homem, que encarava sua vítima, sem consciência, sem horror. – Peço-lhe mil desculpas, se a vim incomodar. – Pelo contrário, retorqui-lhe. O senhor pou­pou-me o trabalho de o ir procurar. – Sei que esta negra está morta, exclamou ele, e o filho acha-se aqui: tudo isto teve a bondade de comunicar-me ontem. Esta negra, continuou, olhando fixamente para o cadáver – esta negra era alguma coisa monomaníaca, de tudo tinha medo, andava sempre foragida, nisto consumiu a existência. Morreu, não lamento esta perda; já para nada prestava. O Antônio, meu feitor, que é um excelen­te e zeloso servidor, é que se cansava em procurá-la. Porém, minha senhora, este negro! – designava o pobre Gabriel, com este negro a coisa muda de figura: minha querida senhora, este negro está fugi­do: espero, mo entregará, pois sou o seu legítimo senhor, e quero corrigi-lo. – Pelo amor de Deus, minha mãe, gritou Gabriel, completamente desorientado – minha mãe, leva-me contigo. – Tranquiliza-te, lhe tornei com calma; não te hei já dito que te achas sob a minha proteção? Não tem confiança em mim? Aqui o senhor Tavares encarou-me estupefato – e depois perguntou-me: – Que significam essas palavras, minha que­rida senhora? Não a compreendo. – Vai compreender-me, retorqui, apresentan­do-lhe um volume de papéis subscritados e com­petentemente selados. Rasgou o subscrito, e leu-os. Nunca em sua vida tinha sofrido tão extraordinária contrariedade. – Sim, minha cara senhora, redarguiu, ter­minando a leitura; o direito de propriedade, conferi­do outrora por lei a nossos avós, hoje nada mais é que uma burla... A lei retrogradou, Hoje protege-se escanda­losamente o escravo, contra seu senhor; hoje qual­quer indivíduo diz a um juiz de órfãos. Em troca desta quantia exijo a liberdade do escravo fulano – haja ou não aprovação do seu senhor. Não acham isto interessante? – Desculpe-me, senhor Tavares, disse-lhe: Em conclusão, apresento-lhe um cadáver e um homem livre. Gabriel ergue a fronte, Gabriel és livre! [...]. Trecho do conto A escrava (Revista Maranhense, 1887), da escritora Maria Firmina dos Reis (1822-1917), que publicou em 1859 o primeiro romance abolicionista do Brasil, contando a história de um triângulo amoroso no qual os personagens são pessoas negras que contestam o sistema escravocrata. Ela é autora do poema O MEU DESEJO (A um jovem poeta guimaraense): Na hora em que vibrou a mais sensível \ Corda de tu’alma ─ a da saudade, \ Deus mandou-te, poeta, um alaúde,\ E disse: Canta amor na soledade.\ Escuta a voz do céu, ─ eia, cantor,\ Desfere um canto de infinito amor.\ Canta os extremos d’uma mãe querida, \ Que te idolatra, que te adora tanto!\ Canta das meigas, das gentis irmãs,\ O ledo riso de celeste encanto;\ E ao velho pai, que tanto amor te deu,\ Grato oferece-lhe o alaúde teu.\ E a liberdade, ─ oh! poeta, ─ canta,\ Que fora o mundo a continuar nas trevas?\ Sem ela as letras não teriam vida,\ Menos seriam que no chão as relvas:\ Toma por timbre liberdade, e glória,\ Teu nome um dia viverá na história.\ Canta, poeta, no alaúde teu,\ Ternos suspiros da chorosa amante;\ Canta teu berço de saudade infinda,\ Funda lembrança de quem está distante:\ Afina as cordas de gentis primores,\ Dá-nos teus cantos trescalando odores.\ Canta do exílio com melífluo acento,\ Como Davi a recordar saudade;\ Embora ao riso se misture o pranto;\ Embora gemas em cruel saudade…\ Canta, poeta, ─ teu cantar assim,\ Há de ser belo, enlevador, enfim.\ Nos teus harpejos, juvenil poeta,\ Canta as grandezas que se encerram em Deus,\ Do sol o disco, ─ a merencória lua,\ Mimosos astros a fulgir nos céus;\ Canta o Cordeiro, que gemeu na Cruz,\ Raio infinito de esplendente luz.\ Canta, poeta, teu cantar singelo,\ Meigo, sereno como um riso d’anjos;\ Canta a natura, a primavera, as flores,\ Canta a mulher a semelhar arcanjos,\ Que Deus envia à desolada terra,\ Bálsamo santo, que em seu seio encerra.\ Canta, poeta, a liberdade, ─ canta.\ Que fora o mundo sem fanal tão grato…\ Anjo baixado da celeste altura,\ Que espanca as trevas deste mundo ingrato.\ Oh! sim, poeta, liberdade, e glória\ Toma por timbre, e viverás na história.\ Eu não te ordeno, te peço,\ Não é querer, é desejo;\ São estes meus votos ─ sim.\ Nem outra coisa eu almejo.\ E que mais posso eu querer?\ Ver-te Camões, Dante ou Milton,\ Ver-te poeta ─ e morrer. Veja mais aqui.

 

BALEIA ENJOADA – [...] Vamos passar por todos os tipos de prazeres que uma viagem dessas proporciona. Você está viajando com uma mulher? - Sim. - Então, um prazer a menos. Restante: paisagens, teatros, museus e visitas familiares. [...] E tenha sempre em mente que você não é um ser humano, mas apenas um turista comum. não se deixe enganar pela gentileza externa: ela não vai atrás de você, mas da sua carteira. [...]. Trechos extraídos da obra Seasick Whale: An Israeli Abroad (Deutsch, 1965), do escritor, roteirista, dramaturgo e diretor de cinema húngaro-israelense Ephraim Kishon (1924-2005). Veja mais aqui.

 

QUEM SOU EU? - A noite pergunta quem sou eu? \ sou seus segredos-ansioso, negro, \ profundo eu sou seu silêncio rebelde \ Eu velei minha natureza, com silêncio, \ Envolvido meu coração em dúvida \ E solene, permaneceu aqui contemplando, enquanto as idades me perguntam, \ Quem sou eu ? \ O vento pergunta quem sou eu? \ Eu sou seu espírito confuso, que o tempo deserdou \ Eu, gosto disso, nunca descansando continuar a viajar sem fim \ continuar a passar sem pausa devemos chegar a uma curva \ nós pensaríamos que é o fim do nosso sofrimento \ e então-vazio \ O tempo pergunta quem sou eu? \ Eu, como ele, sou um gigante, \ abraçando séculos \ Eu volto e concedo-lhes a ressurreição \ Eu crio o passado distante \ Do encanto da agradável esperança \ E eu volto para enterrá-lo criar para mim um novo ontem cujo amanhã é gelo. \ O eu me pergunta quem sou eu? \ Eu, como ele, estou desnorteado, olhando para as sombras \ Nada me dá paz \ Continuo perguntando-e a resposta permanecerá velado pela miragem \ Vou continuar pensando que chegou perto mas quando o alcanço \ - dissolveu-se, morreu, desapareceu. Poema da da poeta iraquiana Nazik Al-Malaika (1923-2007). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 


Imagem: Agostinho de Hipona, do pintor flamengo do Barroco, Peter Paul Rubens (1577-1640)

PARAFRASEANDO AGOSTINHO
Dois homens conversam refletindo sobre a vida: um vê o sol brilhando no amanhecer; o outro, desgraças numa eterna noite.

AGOSTINHO DE HIPONA: Aurelius Augustinus, dito de Hipona e mais conhecido como Santo Agostinho (354-430), foi teólogo, escritor e filósofo católico, sendo um dos mais importantes pensadores no desenvolvimento do Cristianismo ocidental. Influenciado pelo neoplatonismo de Plotino desenvolveu abordagens filosóficas e teológicas, defendendo o trinitarismo e a cláusula Filioque, influenciando católicos, calvinistas e luteranos, tornando-se umas das bases da Reforma Protestante.  Veja mais aqui.

ANÁLISE PSICODRAMÁTICA – O livro Análise psicodramática: teoria da programação cenestésica (Ágora, 1994), de Victor R. C. Silva Dias, trata sobre a teoria da programação cenestésica, evolução do psiquismo, psicoterapia, análise psicodramática, dinâmica e montagem de cenas, triangulação e ciúme, evolução do núcleo narcísico, evolução da identidade sexual, defesas intrapsíquicas e conscientes, vínculos compensatórios, saúde mental e moral, entre outros assuntos. Veja mais aqui e aqui.

LICENCIAMENTO AMBIENTAL E PERCEPÇÃO DA COMUNIDADE NO TURISMO – Para desenvolver trabalho acadêmico sobre esta temática, torna-se indispensável uma abordadgem acerca do Turismo com uma abordagem histórica no planeta e no país, por meio de uma revisão da literatura que contemple o desenvolvimento ambiental local, os impactos ambientasi do turismo, o licenciamento ambiental, realizando, com isso, um estudo de caso para observar a percepção da comunidade sobre a atividade. Veja mais aqui e aqui.

DIREITOS DO TRABALHADOR DOMÉSTICO – Para realizar um trabalho acadêmico sobre a temático dos direitos do trabalhador doméstico, será de bom alvitre realizar uma abordagem conceitual acerca do trabalho, a sua legislação e os princípios normatizadores do direito do trabalho, passando para abordar os direitos do trabalhador doméstico, os direitos trabalhistas e previdenciários, a estabilidade provisória, a igualdade dos direitos trabalhistas, a Resolução da OIT e os trabalhadores domésticos e a EC 72/2013. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais sobre:
Boi de fogo aqui.

E mais:
Poetas do Brasil, Gregório de Matos Guerra, Sheryl Crow, Dalinha Catunda, Yedda Gaspar Borges, Iracema Macedo, Fidélia Cassandra, Jade da Rocha, Psicodiagnóstico, Controle & Silêncio Administrativos aqui.
Eliete Cigarini, Abuso Sexual, Condicionamento Reflexo & Operante aqui.
Poetas do Brasil, Satyricon de Petrônio, Decameron de Boccaccio, Jorge de Lima, Laura Amélia Damous, Sandra Lustosa, Arriete Vilela, Sandra Magalhães Salgado, Celia Lamounier de Araújo & Simone Moura Mendes aqui.
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Tarsila do Amaral, Psicopatologia & Transtornos de Consciência, Direito, Consumidor & Internet aqui.
José Saramago, Hannah Arendt, Luís Buñuel, Sérgio Mendes, Catherine Deneuve, Frederico Barbosa, Barbara Sukova, Os Assassinos do Frevo & Gilson Braga aqui.
Skinner, Walter Smetak, Costa-Gavras, Olga Benário, Kazimir Malevich, Irene Pappás, Camila Morgado & Pegada de Carbono aqui.
Marcio Baraldi & Transversalidade na Educação aqui.
Padre Bidião & as duas violências aqui.
A literatura de Rubem Fonseca aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o banguelo vê esmola grande fica mais assanhado que pinto no lixo aqui.
Big Shit Bôbras & o paredão: quem vai tomar no cu aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA;
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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quarta-feira, março 05, 2008

BLANCHOT, ORIDES FONTELA, KARITA MATTILA, HOMERO, REZENDE MARTINS, AGOSTINHO, PSICOLOGIA TURISMO & HOTELARIA

 Curtindo os CDs/DVDs Karita Mattila at the Finnish National Opera in Helsinki (2006), com o pianist Martin Katz & a opera Tosca de Pucccini (Erato, 2010), com a soprano e atriz finlandesa Karita Mattila. Veja mais aqui.

O DESEJO NA MADRUGADA - Ela dormia nua embaixo do lençol, de lado, eu acompanhando o seu sono, seu respirar macio, seus suspiros. Vez em quando lambia os lábios ou mordia o lábio inferior. Ela sempre linda, alisava seus cabelos, contornava com a ponta dos dedos os seus ombros, beijei-os, enquanto contornava a sua face aveludada, seu jeito angelical de menina sapeca, a testa, as sombrancelhas, alisava seu perfil, entre lábios, queixo, pescoço, carícias nos seios à mão cheia, o ventre, o sexo umedecido. Removi o lençol e beijei seus pés, calcanhares e expus minha língua entre suas pernas, coxas espremendo o ventre. Ao alcançar-lhe o joelho, senti-lhe a pele arrepiada e mais lambia como quem percorre o caminho do seu esconderijo mais desejado. Beijei-lhe os lábios vaginais, enquanto ela juntava os pés para se esfregarem ao meu pênis rijo, e lhe lambia a fonte, e sorvia seus sabores mais íntimos, a chupar-lhe o sexo exposto pra minha gula insaciável. E puxou-me pelo pescoço até o ventre para que respirasse afogueada a agonia da tesão, para alcançar-lhe os seios, mordicando com meus lábios seus mamilos, brincando de lá e loa, ela me puxando à força pros seus beijos loucos, forçando com as pernas meu sexo contra o seu, esfregando-o contra o seu desejo, instigando-me penetrá-la para resfolegar enlouquecida o prazer de ser possuída naquele momento mágico da nossa paixão. E lhe enfiei o meu membro mansamente a deslizar lento enquanto aos beijos nos procovámos e ela inquieta, remexedora, arreganhada, querendo mais da minha inteira compleição dentro até alcançar-lhe a fundura abissal do seu gozo por orgasmos infindáveis por manhas e dengos que ela me assanhava, mãos selvagens aos apertos e esfregões até nos redimir no uníssono prazer mútuo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIA – Todo agir humano pressupõe uma interpretação das situações objetivas vividas no passado e no presente, e uma vontade conformnada mediante intenções, metas, objetivos. A história exprime, assim, a cultura dimensionada no tempo. Essa cultura se constitui pela cadeia da memória. Pensamento do sociólogo, filósofo, historiador e professor Rezende Martins.Veja mais aqui.

O LIVRO POR VIR – [...] E porque as Sereias, que eram apenas animais, lindas em razão do reflexo da beleza feminina, podiam cantar como cantam os homens, tornavam o canto tão insólito que faziam nascer, naquele que os ouvia, a suspeita da inumanidade de todo canto humano. Teria sido então por desespero que morreram os homens apaixonados por seu próprio canto? Por um desespero muito próximo do deslumbramento [...] Isto não é uma alegoria. Há uma luta muito obscura travada entre toda narrativa e o encontro com as Sereias, aquele canto enigmático que é poderoso graças a seu defeito. […] O que chamamos de romance nasceu dessa luta. Com o romance, o que está em primeiro plano é a navegação prévia, a que leva Ulisses até o ponto de encontro. Essa navegação é uma história totalmente humana. Ela interessa ao tempo dos homens, está ligada à paixão dos homens, acontece de fato e é suficientemente rica e variada para absorver todas a forças e toda a tenção dos narradores. Quando a narrativa se torna romance, longe de parecer mais pobre, torna-se a riqueza e a amplitude de uma exploração, que ora abarca a imensidão navegante, ora se limita a um quadradinho de espaço no tombadilho, ora desce às profundezas do navio onde nunca se soube o que é a esperança do mar [...] É verdade que Ulisses navegava realmente e, um dia, em certa data, encontrou o canto enigmático. Ele pode portanto dizer: agora, isto acontece agora. Mas o que acontece agora? A presença de um canto que ainda estava por vir. E o que ele tocou no presente? Não o acontecimento do encontro tornado presente, mas a abertura do movimento infinito que é o próprio encontro, o qual está sempre afastado do lugar e do momento em que ele se afirma, pois ele é exatamente esse afastamento, essa distância imaginária em que a ausência se realiza e ao termo da qual o acontecimento apenas começa a ocorrer, ponto em que se realiza a verdade própria do encontro, do qual, em todo caso, gostaria de nascer a palavra que o pronuncia [...] é a realidade do espaço próprio da linguagem, do qual somente o poema – livro futuro – é capaz de afirmar a diversidade dos movimentos e dos tempos, que o constituem como sentido ao mesmo tempo que o reserva como fonte de sentido [...]. Trechos extraídos da obra O livro por vir (Martins Fontes, 2005), do escritor, ensaísta e crítico de literatura Maurice Blanchot (1907-2003), abordando na primeira parte – O canto das sereias -, o encontro do imaginário, a experiência de Proust, o segredo da escrita, a espantosa paciência; na segunda parte, A questão literária, trata sobre Não haverá chance de acabar bem, Artaud, Rousseau, Joubert e o espaço, Autor sem livro, escritor sem escrito, versão de Mallarmé, Claudel e o infinito, a palavra profética, o segredo do Colem, O infinito literário: o Aleph, o malogro do demônio: a vocação; na terceira parte, Uma arte sem futuro, abordando sobre o extremo, Broch, os sonâmbulos: a vertigem e a lógica, a morte de Virgilio: a busca da unidade, A volta do parafuso, Musil, a paixão da indiferença, a experiência do outro estado, a dor do diálogo, a claridade romanesca, a busca de si mesmo, o jogo dos jogos, o diário íntimo e a narrativa, a narrativa e o escândalo; e na quarta e última parte, Para onde vai a literatura?, trata sobre o desaparecimento da literatura, a busca do ponto zero, onde e quem agora, morte do último escritor, o livro por vir, Ecce liber, um novo entendimento do espaço literário, o poder e a glória.

CANTO DAS SEREIAS – [...] Primeiro, encontrarás as duas Sereias; elas fascinam todos os homens que se aproximam. Se alguém, por ignorância, se avizinha e escuta a voz das Sereias, adeus regresso! Não tornará a ver a esposa e os filhos inocentes sentados alegres a seu lado, porque, elas o fascinam, sentadas na campina, em meio a montões de ossos de corpos em decomposição, cobertos de peles amarfanhadas. [...]. Trecho do poema épico Odisseia (sec. VIII aC), do poeta grego Homero (928aC-898aC). Veja mais aqui e aqui.

QUATRO POEMAS – MEIO-DIA: Ao meio-dia a vida / é impossível. / A luz destrói os segredos: / a luz é crua contra os olhos / ácida para o espírito. / A luz é demais para os homens. / (Porém como o saberias / quando vieste à luz / de ti mesmo?) / Meio-dia! Meio-dia! / A vida é lúcida e impossível! TÓPICOS DE UMA CALEIDOSCÓPICA ESCRITA: O fluxo obriga / qualquer flor / a abrigar-se em si mesma / sem memória. CORUJA: Vôo onde ninguém mais - vivo em luz / mínima / ouço o mínimo arfar - farejo o / sangue / e capturo / a presa / em pleno escuro. MÃOS: Com as mãos nuas / lavrar o campo: / as mãos se ferindo / nos seres, arestas / da subjacente unidade / as mãos desenterrando / luzesfragmentos / do anterior espelho / com as mãos nuas / lavrar o campo: / desnudar a estrela essencial / sem ter piedade do sangue. Poemas extraídos da obra Poesia reunida (1969-1996 – Cosac Naify, 2006), da poeta Orides Fontela (1940-1998). Veja mais aqui.

A arte da soprano e atriz finlandesa Karita Mattila no DVD da ópera Salomé (Sony, 2011), do compositor Richard Strauss, baseado na obra de Oscar Wilde, no Metropolitan Opera. Veja mais  aqui.


CIDADE DE DEUS -No primeiro capítulo da obra “A cidade de Deus”, Agostinho de Hipona, remete sua posição na defesa da Cidade divina, contra os inimigos impiedosos ou adversários perversos que blasfemam contra Cristo, sinalizando pela ingratidão das trevas eternas. No segundo capítulo, autor chama atenção para o fato de que em havendo guerras nunca os vencedores perdoaram os vencidos, submetendo-os à escravização e dominação. No capítulo terceiro, o autor chama atenção ao erro romano de adotar deuses na ingratidão perversa dos blasfemadores de Cristo, atribuindo-lhe os males quando este perdoou a todos. No capítulo quarto, o autor chama atenção para o templo de Juno, em Tróia, comparando-o com as basílicas dos apóstolos, quando o primeiro, a ninguém protegeu dos gregos; enquanto que o segundo, a todos protegeu dos bárbaros, demonstrando a injustiça que se faz ao atacar a imagem do Cristo. No quinto capítulo, o autor demonstra o posicionamento de César com relação ao estilo comum dos inimigos destruidores de cidades vencidas, quando Roma detém em seu poder os seus próprios inimigos. No capítulo sexto, é observado a forma como os romanos tomaram as cidades sem que perdoassem os vencidos refugiados nos templos. No sétimo capítulo, ele chama atenção à crueldade na destruição de Roma, quando ceifaram vítimas impiedosamente, demonstrando, pois, que quando houve clemência, este se deu em nome de Cristo. No oitavo capítulo, ele chama atenção para as desgraças infligidas tanto a bons como a maus, bem como a graça alcançada pelas pessoas, assinalando “[...] Assim, malgrado partilharem das mesmas angústias, bons e maus não se misturam, por estarem confundidos nas provações. A semelhança dos sofrimentos não elimina a diferença entre os sofredores e a identidade dos tormentos não estabelece identidade alguma do vício e da virtude. Sob a ação da mesma chama, o ouro brilha, fumega a palha. [...] Não interessa tanto o que a gente sofre, mas como sofre. Remexidos de igual maneira, o lodo exala horrível mau cheiro, o unguento, suave perfume” (p. 64), observando, pois, que o sofrimento para todos ocorre de maneira igual, e somente a graça é alcançada pela bênção divina. No capítulo nono, ele relata as causas dos corretivos que flagelam por igual bons e maus, assinalando que: “[...] Embora as pessoas de bem odeiem a vida do mau e tal aversão as preserve do abismo que espera os réprobos, à saída deste mundo, essa fraqueza indulgente com as mortais iniquidades, por medo a represálias contra as próprias faltas, faltas leves e veniais, diga-se de passagem, essa fraqueza, salva da eternidade dos suplícios, é de justiça que seja com o crime castigada pelos flagelos temporais, é de justiça que, no envio providencial das aflições, sinta o amargor da vida que, embriagando-a com doçuras, a dissuadiu de oferecer aos maus a taça salutar da amargura”. Assim sendo, observa ele que outra causa de serem as pessoas de bem submetidas aos flagelos temporais, é querer Cristo revelar ao espírito humano a força de sua piedade e permitir ao homem demonstrar o amor desinteressado que lhe tem. No décimo capítulo, reflete Santo Agostinho sobre o fato de que prejuízo algum causa aos santos a perda das coisas temporais, considerando que: “[...] mesmo que tenha havido, quem, nos tormentos, confessasse a santa pobreza, confessava, sem dúvida alguma, Jesus Cristo. Vítima de bárbara incredulidade, nenhum confessor da santa pobreza poderia sofrer, sem alcançar celeste recompensa” (p. 70). No capítulo onze, Santo Agostinho trata acerca da vida temporal, defendendo que “[...] A morte não representa nenhum mal, se sucede a vida santa” (p. 70), chamando a atenção que a morte do pobre dedicado ao bem e sendo bom, é melhor que a morte de um rico que descansa na riqueza mas que será atormentado na vida eterna. No capítulo doze, o autor trata do sepultamento do corpo humano que de nada priva o cristão, embora lhe seja negado com ultraje, mas que na Cidade divina todos serão recompensados. No capítulo treze, o autor trata acerca do sepultamento do corpo dos santos, defendendo que “[...] a falta de coisas necessárias à mantença da vida, como o alimento e o vestuário, provação cruel, mas impotente contra a inalterável paciência do homem virtuoso, longe de desarraigar-lhe do coração a piedade, a exercita e fecunda” (p. 73), chamando atenção para a paciência, a virtuosidade e crença em Deus para que todos os males sejam superados. No capítulo catorze, o autor fala acerca do cativeiro dos santos a quem jamais faltou consolo divino, adiantando, pois, no capítulo seguinte, sobre o régulo de quem fica exemplo de cativeiro espontaneamente sofrido por motivos religiosos, que, apesar de tudo, não lhe puderam ser de proveito, porque adorava deuses, considerando que: “[...] Como, porém, se agitou o caso dos cristãos levados cativos, que os imprudentes e impudentes escarnecedores da religião salvadora reflitam em tal exemplo e se calem. [...] e em mãos dos inimigos esgotado, em prolongada agonia, todos os refinamentos de inaudita crueldade, com que direito exprobrar a fé cristã pelo cativeiro de vários fiéis, que, à espera infalível da pátria celeste, se sabem estrangeiros no próprio lar” (p. 76), chamando atenção para o fato de que mesmo submetidos aos horrores da guerra e do cativeiro, sempre haverá consolo na Cidade divina. No capítulo dezesseis, trata também dos padecimentos das santas virgens no cativeiro, chamando atenção para “[...] fique assentado que a virtude, principio essencial de vida santa, de sua sede, a alma comanda os membros do corpo e o corpo é santificado pelo uso de vontade santa. Enquanto essa vontade permanecer constante e firme, advenha o que advir ao corpo ou do corpo, se impossível evitá-lo sem pecado, somos inocentes do que lhe acontece. Das violências, porém, de que o corpo é passível algumas há capazes de nele produzirem outra sensação, diferente de dor” (p. 77), observando que a dedicação à Cidade divina, leva o sofrimento ao prazer da glória eterna. No capítulo dezessete trata da morte voluntária por medo à desonra ou à pena. Em seguida, aborda a violência e libido alheia que no corpo, forçado, contra a vontade, sofre a mente, defendendo que “A santidade corporal, com efeito, não consiste na integridade dos membros preservados de todo contato, porque em muitas circunstâncias ficam expostos a violências, ferimentos e com freqüência sua saúde exige operações horríveis de ver.[...] enquanto a alma permanece pura, o corpo oprimido pela violência nada perde da santidade” (p.79), sustentando que se a vontade permanece casta, quando o corpo sucumbe, o crime não é da vítima, mas do opressor. No capítulo dezenove, trata acerca de Lucrecia que se matou por haverem-na estuprado e, no capítulo seguinte, aborda a questão de que não existe autoridade alguma que seja em qual for o caso, conceda ao cristão o direito de matar-se voluntariamente. Logo após, no capítulo vinte e um, trata dos homicídios não considerados criminosos, considerando que “[...] Algumas vezes, seja como lei geral, seja como ordem temporária e particular, Deus ordena o homicídio”, (p. 83), não sendo, pois, moralmente homicida quem deve à autoridade o encargo de matar, excetuando-se, pois o homicídio ordenado por lei geral e justa ou por ordem expressa de Deus, fonte de toda justiça. Do contrário, quem mata o irmão ou a si mesmo é réu do crime de homicídio. No capítulo vinte e dois, o autor trata acerca da morte voluntária que jamais pode ser atribuída à grandeza de ânimo e, logo no capítulo posterior, trata da espécie que pertence o exemplo de Catão que, não podendo suportar a vitória de César, se matou. Já no capítulo vinte e quatro, observa a questão de na virtude em que Régulo se avantajou a Catão, entendendo que “[...] esses ilustres e magnânimos defensores da pátria terrestre, adoradores, mas adoradores em verdade, de deuses de mentira, cujo nome não juram em vão, apesar das usanças e do direito de guerra permitirem matar o inimigo vencido, não querem, vencidos pelos inimigo, matar-se e preferem as humilhações do cativeiro à morte, que abordariam sem temor. Não é, por conseguinte, grande dever do cristão, servidor do verdadeiros Deus e suspiroso pela celeste pátria, abster-se de tal crime, quando, seja como provação, seja como castigo, a Providência o entrega por algum tempo ao poder dos inimigos” (p. 87), isto em virtude de que todos os seres humanos passam por privações e provações, mas que estarão, enfim, na Cidade divina gozando das benesses celestiais. No capítulo vinte e cinco, o autor defende que pecado algum deve ser declinado por outro e, logo em seguida, trata da razão de dever crer nas coisas ilícitas feitas pelos santos, observando a questão do suicídio da seguinte forma: “[...] Ninguém deve matar-se, nem para fugir das aflições temporais, para não cair nos abismos eternos, nem por causa dos pecados alheios, porquanto a fuga a crime alheio que nos deixa puros vai arrastar-nos a crime pessoal, nem por causa de pecados antigos, pois a penitência, ao contrário, tem necessidade da vida para curá-los, nem pelo desejo de vida melhor, cuja esperança está depois do falecimento, porque o porto de vida melhor no além-túmulo não se abre para os suicidas” (p. 90). E é no capítulo logo em seguida que aborda a questão da morte voluntária esquivando-se do pecado, onde assinala que “[...] Tendes grande e verdadeira consolação, caso vossa consciência vos dê sincero testemunho de não terdes consentido no pecado que se permitiu contra vós” (p. 91). No capítulo vinte e oito, o autor trata da razão por que o juizo de Deus se permitiu que a libido do inimigo se cevasse no corpo dos castos, observando que “[...] haverem muitos podido considerar a continência com dom corporal desses que duram enquanto o corpo se conserva puro de toda mancha estranha, não como bem dependente da força de vontade apenas, auxiliada pela graça divina, santificadora da carne e do espírito, não como bem cuja perda se torne impossível, sem consentimento interior. Talvez devam ser libertadas de tamanho erro. Quando pensam, com efeito, na sinceridade de coração com que serviram a Deus, inquebrantável fé guarda-as de acreditarem possa Ele abandonar quem o serve e invoca assim; sabem quanto lhe agrada a castidade e concluem, com evidente certeza, que jamais permitiria adviesse às santas semelhante infortúnio, se a santidade que lhes deu e nelas ama pudesse perder-se assim” (p. 92), passando, portanto, logo após, a considerar o que deve responder aos infiéis à família de Cristo, quando lhe lançam em rosto não havê-la Cristo livrado do furor dos inimigos e, por conseguinte, tratar da inconfessável prosperidade que deseja gozar quem se queixa dos tempos cristãos, observando que “[...] e o apetite ao domínio, de todas as paixões do gênero humano a que mais embriaga qualquer alma romana, depois de vencer alguns dos mais poderosos, encontra acabrunhados e abatidos os restantes e o oprime-os com o jugo da escravidão” (p. 95), levando em consideração, no capítulo a seguir, a gradação de vícios com que foi crescendo os romanos a paixão de reinar, uma vez que “[...] não fora revelada às nações a celeste doutrina que eleva ao céu, até mesmo acima dos céus, o coração humano purificado pela fé, lhe transforma o amor em humilde piedade e o liberta da soberba tirania dos espíritos de malícia” (p. 96). Por esta razão, aborda no capítulo trinta e dois a instituição dos jogos cênicos, em que são realizados os verdadeiros espetáculos da infâmia, libertinagem e vaidade, estando, pois, a Cidade divina incólume de tais blasfêmias e considerando o que aborda no capítulo logo em seguida, sobre os vícios romanos que a destruição da pátria não emendou, onde “[..] viceja por mercê de Deus, cuja clemência vos convida a vos corrigirdes pela penitência, de Deus, que já permitiu a vossa ingratidão escapar, sob o nome de servidores seus, nos monumentos de seus mártires, à sanha de vossos inimigos” (p. 98). Com isso, exalta no capítulo trinta e quatro, a clemência de Deus amenizando a destruição da Urbe e, no trinta e cinco, tratando dos falsos cristão existentes na Igreja e os filhos da Igreja encobertos entre os ímpios, sob a alegação de que “[...] A respeito da origem, progresso e do fim que as aguarda é que quero desenvolver meus pensamentos, com a divina assistência e para glória da Cidade de Deus, que o cotejo de tantos contrastes há de tornar mais resplandecente” (p. 99). No capítulo trinta e seis, o autor falará acerca do discurso subseqüente, tratando a necessidade de consolidação da Cidade de Deus que servirá a beatitude e a salvação de todos os cristão.

PSICOLOGIA APLICADA AO TURISMO E HOTELARIA - O livro A Psicologia aplicada ao turismo e hotelaria, segunda edição dos textos acadêmicos escritos por Fernando Brasil Silva, trata, em geral, da aplicação de critérios psicológicos por parte dos profissionais das áreas epigrafadas quando do atendimento de sua clientela. Em seu capítulo primeiro, é observado pelo autor a maneira geral de aplicação de princípios e conceitos psicológicos comparando os termos usuais pertinentes ao tema psicologia, seus desdobramentos e implicações, no sentido de localizar e fundamentar o profissional da área de turismo e hotelaria, assenhoreando-o para melhor desenvolvimento de suas atividades cotidianas. Enquanto isso, o capítulo segundo, o autor discorre sobre a questão da personalidade analisando-a em sua diversidade de traço e de como esta forma o caráter dos indivíduos, possibilitando, assim, ao profissional das áreas em referência, conhecer a dimensão que se faz necessário obter conhecimento sobre o assunto. Por fim, no quarto capítulo, é evidenciado perturbações comportamentais inerentes aos seres humanos, desde o orgulho até a insegurança, passando ainda pela arrogância, prepotência, entre outros comportamentos que acometem, invariavelmente, a clientela, apresentando modalidades de posturas mediante a confrontação de tais incovenientes, bem como a melhor maneira do profissional abordar seus clientes no caso de qualquer incidência que se incorra no ambiente de trabalho. O livro, assim, é de suma importância para aqueles que desenvolvem atividades nas áreas de turismo e hotelaria, no sentido de que estes, cônscio de tais formas de comportamento, possam melhor desempenhar e qualitativamente desenvolver suas atividades funcionais. REFERÊNCIAS: SILVA, Fernando Brasil. A psicologia aplicada ao turismo e hotelaria. São Paulo: Cenaum /Unibero, 2000



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