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quinta-feira, agosto 27, 2015

MACEIÓ, DIAS GOMES, CONFÚCIO, PROUST, NERVO, ECKHOUT, DORI, ESQUETE PSICÓLOGOS & OS MENINOS DO BRASIL.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? MACEIÓ - A cidade emerge no meu riso matinal e o sol faz paradeiro na minha alma desafortunada. Os meus passos reviram ruas e redimem meus pesares, remorsos e alucinações. Tudo é lindo nessa paradisíaca paragem! Tudo muito lindo premiando o meu devaneio. E eu recito loas pelas beiradas da ideia, pelas abissais paralelas do meu exílio atrevido na minha presença castigada. Nesse lindo cenário eu vou de corpo e alma e me sou todo. Vou pelas transversais, avenidas e perpendiculares, a reconhecer a punição da vida no que de vário se faz real pelo esplendor do mar, onde se lavam culpas que eram festa no negrume do asfalto, onde se pezunham esperanças na imensidão do espaço, onde se constroem todas as avenças e desavenças de nada. É outro dia sempre e a gente a sonhar com o estrondo da felicidade mesmo que tudo seja apenas feito de partidas e chegadas no desencontro dos anseios. É outro dia sempre e a gente com o plano de voo circunscrito na incerteza, como se a regra desse jogo fosse sempre o confronto da distância entre começar e acabar, sem ter prorrogação na morte súbita indesejada. É outro dia e sempre a cidade emerge na minha finitude atlântica que bordeja pelas apaziguadoras ruas breves da Mangabeiras e se arrasta na expectativa da Jatiúca, aderna pelo emaranhado da Ponta Verde, singra pela beira-mar da Pajuçara e dá nos cotovelos rentes com a fabularia do Jaraguá. É lá onde me eternizo nas cinzas. Adiante está a lama do Salgadinho empestando a Avenida onde uma guerra oculta cospe mulheres paridas e deserdadas dos arredores do Tabuleiro dos Martins e homens ciclópicos que ululam desmemoriados de tudo sem nada, oriundos do longe mais distante das bandas de lá além do Mundaú e que povoam a superfície perversa da exclusão. E me refaço porque é outro dia e sempre me esforço subindo a rodoviária até o Farol onde contemplo de tudo: a fantástica panorâmica, o silêncio dos roncos cansados, a espera dos madrugadores por condução, a perspectiva que bate as botas em Cruz das Almas e o meu desejo que escorre descendo o Riacho Doce e se esquece dos pleitos que se tornaram causas inúteis revogadas previamente pelos tribunais de então. Mas é outro dia sempre e as crianças no meio fio da madrugada com seu cobertor de mar e de noite com sonhos incertos no barulho do trânsito indômito. É outro dia e um punhado de adultos amontoam o teatro cristão com o berreiro dos desentoados em preces devotadas com seus sotaques e timbres nas rezas por seus dissabores, por remoetas embaçadas, por sacrifícios ostentatórios, pela salvação das almas da ignomínia. E tudo parece um abstrato aceno de paradoxais festeiros na celebração da tragédia pelas mesquinharias políticas, pela soberba nos limites onde o canavial impera ao lado dos alguns poucos privilégios de gados e miséria nos pastos de outro tabuleiro, onde amadurece a desimportância da oportunidade e todos são escravos do passado mesmo que se achem senhores de si e do futuro, mesmo que a vida seja um lapso de tempo nas causas perdidas. Mesmo assim a cidade emerge e meu coração se avexa com o tumulto do dia e se esboroa pela tarde e faz aconchego na noite que anuncia outro dia para um mais que desejoso amanhã. Amanhã que já será hoje, hoje que já é ontem e tudo que esquecerá. E esquecendo não veja criança estendida na calçada da manhã, nem pedinte mendigando no semáforo, nem velho sendo xingado nas filas, nem violência como efeito da desigualdade, porque os adultos precisam acordar ciosos de si a vingarem o humano à revelia dos mandos no sonho de todos os sonhos. A verdade é que a cidade emerge nos meus olhos e já é outro dia. Mesmo assim continuo atrevido e teimoso de sonhos, enquanto o meu coração bate buliçoso e atônito pelas ruas de Maceió, entoando uma elegia para os que ainda ousam sonhar. (Maceió, uma elegia para os que ousam sonhar © Luiz Alberto Machado. In: Poesia de Alagoas. Recife: Bagaço, 2007); Veja mais aqui e aqui.

 Imagem: Tapuya Woman Holding a Severed Hand and Carrying a Basket Containing a Severed Foot (1641), do pintor, desenhista, artista plástico e botânico holandês Albert Eckhout (1610-1665).


Curtindo o álbum Mundo de dentro (Horipro Inc/Universal, 2010), do músico, cantor e compositor Dori Caymmi.

CONFÚCIO & CONFUCIONISMO - Considerado o maior gênio filosófico-religioso da China e fundador da literatura chinesa K’ung Fu-tsu ou Confucius (551-479aC), ele pregava a existência de cinco virtudes: jen, o amor pelos outros; yi, a justiça temperada pelo amor; li, regras adequadas de conduta, de polidez e de cerimonias; chih, autoconsciência da vontade do céu, sabedoria; ch’i, sinceridade desinteressada. Seu ensinamento exerceu profunda influencia durante cerca de dois mil anos na história chinesa, sendo apenas suprimido o seu culto oficial com a revolução de 1911. Durante a dinastia Han (206-220dC), foram compilados os Cinco Clássicos de Confucio, abrangendo as meditações sobre ttransformações, poesia, história, ritos e primavera e outro; o I ching, Shih ching, Li chi, Ch’um ch’iu e os Quatro livros. Assim o Confucionismo é o nome dado pelos estudiosos ocidentais ao Ju kia, escola de letrados, sistema de pensamento elaborado na China por Confúcio e seus seguidores, compreendendo elementos éticos, políticos e religiosos. Transformado em doutrina política oficial do império chinês de 136aC, manteve essa posição privilegiada até 1912. Os ensinamentos confuncianos básicos estão contidos em nove livros, agrupados em duas coleções, os Cinco Clássicos e os Quatro Livros. Os Cinco Clássicos são repositórios de antigos documentos e tradições que remontariam às próprias origens da civilização chinesa e que teriam sido compilados pelo próprio Confúcio. São o I ching ou Livro das Mutações que compreende sessenta e quatro símbolos compostos de linhas horizontais, continuas ou interrompidas, combinadas como hexagramas (6 a 6), e que correspondem às sessenta e quatro situações diferentes que se podem apresentar na vida humana. O Shu ching ou Livro da história, que compreende crônicas e relatos que remontam às origens lendárias da civilização chinesa; o Li chi ou Livro da etiqueta, repositório de ritos e regras de etiqueta; Ch’um ch’iu ou Anais da primavera e outono, crônica do Estado de Lu, terra natal de Confúcio, compreendendo o período entre 722-481aC. Veja mais aqui, aqui e aqui. 

O CASO DREYFUS, PROUST E A PSICOLOGIA SOCIAL – No livro Representações sociais: investigações em psicologia social (Vozes, 2007), de Serge Moscovici, o autor destina um capítulo da obra para tratar acerca da literatura de Marcel Proust no capítulo denominado O caso Dreyfus, Proust e a Psicologia Social, do qual destaco o trecho: [...] Todo leitor de Proust está familiarizado com nomes como Albertine e Charlus, sabe que existe um estilo Swann e um estilo Guermantes. O que dizer do caso Dreyfus? O leitor tem uma impressão que ele é mencionado apenas de passagem como um episódio somado a muitas tramas e acontecimentos. [...] A fim de tomar pé e ter acesso ao centro do mundo proustiano, temos primeiro de descobrir sua força diretora. Essa força, contudo, a gravidade peculiar ao universo proustiano, que atrai e repele os personagens entre si, não é nem o poder, nem o status social, como nos universos de Balzac ou de Zola: é o reconhecimento social. [...] Proust supõe uma vontade de reconhecimento que é tão forte como a vontade de poder de Nietzsche. Para ser socialmente consagrado, todos são capazes de heroísmo, abnegação ou baixeza. Não é uma fachada, mas uma tendência fundamental, uma busca. A busca é muito arriscada e o reconhecimento é lento em chegar se aos grupos, dos quais se espera que venha, continuam mudando a toda hora. [...] o mundo de Proust é um mundo em transformação. Os grupos e as ordens sociais continuam sendo insensivelmente feitos e refeitos. Os cataclismos estão em ação nas profundezas. Ao contrario dos acidentes da história, eles evocam as sublevações da cosmologia, quando o único laço entre o antes e o depois é a permanência de um nome: Swann, Guermantes ou Charlus. Portanto, o reconhecimento não está nunca definitivamente garantido, seguro. A todo momento temos de lutar para mante-lo novamente. [..] É um prazer acompanhar o gênio de Proust ao longo da investigação da astronomia social, em que, como no adagio latino, não há nada para ostentação, mas tudo para a consciência. [...] Hoje, quase um século depois do fato, o sentimento, para o leitor de Proust, ainda persiste, mesmo se já mais ou menos acostumado a tais coisas. Na verdade, quem de nós não se engajou em reflexões semelhantes com referencia ao que aconteceu na Alemanha ou em outros lugares, quando trevas mortais se ergueram e ameaçaram destruir a civilização? De qualquer modo, tais são os Gedankenexperiments que gostaria de apresentar a vocês. Tive a intenção de mostrar as várias formas que as minorias dissidentes podem assumir sob circunstâncias específicas. E também exemplificar até que ponto, com que precisão, a psicologia social nos permite uma nova leitura da literatura. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

TALVEZ, SILENCIOSAMENTE, EM PAZ – O livro Poesias Completas (Curiosidades, 1947), do poeta mexicano Amado Nervo (1870-1919), reúne seu trabalho poético, entre os quais, inicialmente destaco Em paz: Perto do meu ocaso, eu te bendigo, ó Vida, / porque nunca me deste esperança falida / nem trabalhos injustos, nem pena imerecida. / Porque vejo no fim de meu rude caminho / que fui eu o arquitecto de meu próprio destino; / que se os méis ou o fel eu extraí das cousas / foi que nelas pus mel ou biles amargosas: / quando plantei roseiras, não colhi senão rosas. / Às minhas louçanias vai suceder o inverno; / mas tu não me disseste que Maio fosse eterno! / Julguei sem fim as longas noites de minhas penas; / mas não me prometeste noites boas apenas, / e, afinal, tive algumas santamente serenas... / Amei e fui amado, o sol beijou-me a face. / Vida, nada me deves! Vida, estamos em paz! Também o seu belíssimo poema Silenciosamente: Fitarei os teus olhos em silêncio, / tomarei em silêncio as tuas mãos, / silenciosamente, / quando o sol-poente / nos banhe em seus vermelhos / raios soberanos, / pousarei minha boca em tua fronte / e assim nos beijaremos como irmãos. / Quero ternuras castas e cordiais, / rostos que sejam doces, compassivos, / mãos líricas, discretas, fraternais! / olhos claros, uns olhos pensativos. / Quero regaços onde, ao lume aceso, / encontre na velhice a paz dos oratórios: / lábios virgens que rezem como eu rezo / e pupilas que chorem como eu choro. Por fim, o seu não menos belo poema Talvez: Talvez já não lhe importe meu gemido / lá nesse indiferente Éden calado / no qual o espírito desencarnado / vive como dormido... / Talvez nem saiba o que tenho chorado / e o que tenho sofrido. / Em profundo quietismo, / sua alma, que antes me amara sobretudo, / já desliza glacial por esse abismo / de perpétuo mutismo, / esquecida de si, de mim, de tudo... Veja mais aqui.

O SANTO INQUÉRITO – A peça teatral em dois atos O santo inquérito (Bertrand Brasil, 1987), do escritor e dramaturgo Dias Gomes (1922-1999), é baseado num episódio histórico e lendário de Branca Dias - a Joana D’Arc nordestina que acabou entrando para o folclore nacional como mulher de excepcional beleza e hábitos não convencionais, acusada de judaísmo e de práticas imorais, acabando por ser condenada à fogueira da Inquisição. O texto possui a motivação histórica da Inquisição, no sentido de iluminar um tempo presente, de modo que o espectador possa interagir no espetáculo, refletindo sobre a sua própria realidade, para poder transformá-la, uma vez que a personagem Branca Dias poderia evocar outros heróis nacionais mortos e torturados, não apenas pela ditadura militar, deflagrada em 1964. Da peça destaco o trecho do Primeiro Ato: (O palco contém vários praticáveis, em diferentes planos. Não constituem propriamente um cenário, mas um dispositivo para a representação, que é completado por uma rotunda. É total a escuridão no palco e na platéia. Ouve-se o ruído de soldados marchando. A princípio, dois ou três, depois quatro, cinco, um pelotão. Soa uma sirene de viatura policial, cujo volume vai aumentando, juntamente com a marcha, até chegar ao máximo. Ouvem-se vozes de comando confusas, que também crescem com os outros ruídos até chegarem a um ponto máximo de saturação, quando cessa tudo, de súbito, e acendem-se as luzes. As personagens estão todas em cena: Branca, o Padre Bernardo, Augusto Coutinho, Simão Dias, o Visitador, o Notário e os guardas) PADRE BERNARDO - Aqui estamos, senhores, para dar início ao processo. Os que invocam os direitos do homem acabam por negar os direitos da fé e os direitos de Deus, esquecendo-se de que aqueles que trazem em si a verdade têm o dever sagrado de estendê-la a todos, eliminando os que querem subvertê-la, pois quem tem o direito de mandar tem também o direito de punir. É muito fácil apresentar esta moça como um anjo de candura e a nós como bestas sanguinárias. Nós que tudo fizemos para salvá-la, para arrancar o Demônio de seu corpo. E se não conseguimos, se ela não quis separar-se dele, de Satanás, temos ou não o direito de castigá-la? Devemos deixar que continue a propagar heresias, perturbando a ordem pública e semeando os germes da anarquia, minando os alicerces da civilização que construímos, a civilização cristã? Não vamos esquecer que, se as heresias triunfassem, seríamos todos varridos! Todos! Eles não teriam conosco a piedade que reclamam de nós! E é a piedade que nos move a abrir este inquérito contra ela e a indiciá-la. Apresentaremos inúmeras provas que temos contra a acusada. Mas uma é evidente, está à vista de todos: ela está nua! BRANCA - (Desce até o primeiro plano) Não é verdade! PADRE BERNARDO - Desavergonhadamente nua! BRANCA - Vejam, senhores, vejam que não é verdade! Trago as minhas roupas, como todo o mundo. Ele é que não as enxerga! (Padre sai, horrorizado) [...] Veja mais aqui e aqui.
 
THE BOYS FROM BRAZIL – O filme The Boys from Brazil (Os meninos do Brasil, 1978), dirigido pelo cineasta estadunidense nascido no Japão, Franklin J. Schaffner (1920-1989), é baseado no livro homônimo do escritor, dramaturgo e autor de canções estadunidense Ira Levin (1929-2007), contando a história do caçador de nazistas Ezra Lieberman que segue a pista de criminosos da guerra nazista até a América do Sul, onde descobre e tenta impedir o plano diabólico do cientista do III Reich Josef Mengele, que tenta criar clones de Adolf Hitler. O filme foi premiado com Oscar de Melhor Ato, Melhor Edição e Melhor Trilha Musical, o Globo de Ouro de Melhor Ator, no Saturn Award o prêmio de Melhor Filme de Ficção, entre outros prêmios. O filme é protagonizado pelos premiados atores Gregory Peck e Lawrence Olivier e um grande elenco, com roteiro adaptado de Herywood Gould na novela homônima de Ira Levin. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Nas comemorações do Dia do Psicólogo (27/08- Lei Federal 4.119/64), apresentação do Esquete pelos alunos do curso de Psicologia do Centro Universitário Cesmac, na disciplina Técnica de Entrevista, ministrada pelo professor Ms Everton Calado (Na foto da esquerda para direita: Cidinha, Gustavo, Luiz Alberto, Zenir, Taiana & Edjane).


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa SuperNova, a partir das 21 hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. E para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sexta-feira, fevereiro 20, 2009

FRANÇOIS VILLON, IRA LEVIN, MUSSET, JEAN DELUMEAU, HUMANISMO & EDUCAÇÃO HUMANISTA

 


HORA MARCADA - Meu pai, minha mãe, benção. Licença, eu vou sandálias soltas de carona num triz de raio pra capital. Não sei se é tão cedo ou se já vou tarde. Sei que vou me esgueirando sem arranhões nem remorsos na poeira dos porões de dias infindos, sem dores nem repúdio estrada afora. Vou num vento qualquer, canaviais, ribanceiras, Araruna, Gameleira, Cucaú, Estreliana, Ribeirão, Escada. No entroncamento do Cabo vou proutro litoral, Pontezinha, Candeias, Prazeres, logo vou pela Imbiribeira escapando de navalhas, golpes e cassetetes. Em Afogados eu me refaço em canções entre choros, grunhidos e labaredas. Pela Via Sul, lá vou eu carne e tutano, quantos dias, sei lá, polegadas de emoção, o Recife é lindo na plenitude dos olhos, a expectativa de Sol paratodos. Vou-me embora com o Una no peito e na eterna vigilância dos nós insones para desatar pelas lajes e mármores, foices e sirenes, ideologias e esgotos, insultos e desencontros, edifícios e indiferenças. Não vou errar dos mortos soterrados nas gavetas e molduras, Deus os guarde e vão comigo até mesmo se eu for para Olinda. É hora de ir da nascente pro mar, sem absolvição nem covardia, sem perdões nem sombras do que fui ou possa vir a ser, devires e pisos falsos. Essa é a hora, nunca chorem por mim, vou cantando a balada de quem vai embora, quem sabe, um dia eu possa voltar, não sei. (Raízes & Frutos – Bagaço, 1985). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


DITOS & DESDITOS - O homem é um aprendiz, a dor é a sua mestra, e ninguém se conhece enquanto não sofreu. Pensamento do poeta, novelista e dramaturgo francês Alfred Musset (1810-1857). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: Ser feliz ou infeliz - isso é realmente a coisa mais importante? Conhecer a verdade seria um tipo diferente de felicidade - um tipo mais satisfatório, eu acho, mesmo que fosse um tipo triste. Pensamento do escritor, dramaturgo e compositor estadunidense Ira Levin (1929-2007).

A MULHER & O MEDO – [...] A atitude masculina em relação ao ‘segundo sexo’ sempre foi algo contraditório, oscilando da atração a repulsão, da admiração à hostilidade [...] na sexualidade feminina, tudo é obscuro [...] Essa ambiguidade fundamental da mulher que dá a vida e anuncia a morte foi sentida ao longo dos séculos e principalmente expressa pelo culto das deusas-mães. A terra é o ventre nutridor, mas também o reino dos mortos sob o solo ou na água profunda. É cálice de vida e de morte. [...] o medo da mulher não é uma invenção dos ascetas cristãos [...] a “diabolização da mulher”, aquela que é um “mal magnífico, prazer funesto, venenosa e enganadora [...] acusada pelo outro sexo de ter introduzido na terra o pecado, a desgraça e a morte [...] a caverna sexual [...] a fossa viscosa do inferno [...] o pecado por excelência [...] Nessas condições, pode-se legitimamente presumir, à luz da psicologia das profundezas, que uma libido mais do que nunca reprimida transformou-se neles (pregadores, teólogos e inquisitores) em agressividade. Seres sexualmente frustrados que não podiam deixar de conhecer tentações profetaram em outrem o que não queriam identificar em si mesmos. Colocaram diante deles bodes expiatórios que podem desprezar e acusar em seu lugar. [...]. Trechos extraídos da obra História do medo no ocidente: 1300 – 1800 (Companhia das Letras, 1989), do historiador francês Jean Delumeau.

BALADA DO CONCURSO DE BLOIS - Morro de sede quase ao pé da fonte, / Quente qual fogo, mas batendo os dentes; / Em meu país vivo além do Horizonte; / Junto a um braseiro tremo e fico ardente; / Nu como um verme. O traje: um presidente; / Rio no pranto e espero sem esperança; / Conforto acho na desesperança, / E alegro-me sem ter prazer algum; / tenho o poder sem força ou segurança; / E sou bem vindo a todos e a nenhum. / Só me é certo algo com que eu não conte; / nada é obscuro, exceto o que é evidente; / E sem dúvidas, fora as que defronte, / Tomo a ciência por mero acidente; / Conquisto tudo e fico dependente / Digo "Boa noite" se a aurora avança; / Deito-me sem controle em confiança; / Tenho alguns bens, mas sem vintém algum; / Sou um herdeiro mas sem ter herança, / E sou bem-vindo a todos e a nenhum / Descuido-me de tudo e suo a fronte / Para ter bens, sem ter um pretendente; / Com quem mais me afague, me confronte, / Quem mais me é veraz é quem mais mente; / É meu amigo que diz procedente / De um cisne alvo e um corvo a semelhança; / Em quem me nega enxergo uma aliança; / A patranha e a verdade acho comum;  / recordo tudo sem a menor lembrança / E sou bem-vindo a todos e a nenhum. / Príncipe brando: se isso não vos cansa, / De tudo eu sei, e a mente não alcança; / Sou faccioso e sigo a lei comum. / Que faço? o Quê? dos meus bens a cobrança, / E sou bem-vindo a todos e a nenhum. Poema do poeta maldito do romantismo francês, François Villon (1431-1463), pseudônimo de François de Montcorbier ou des Loges, que além de poeta medieval, era ladrão, boêmio e ébrio.



HUMANISMO E A EDUCAÇÃO HUMANISTA - O humanismo caracterizou-se como um movimento filosófico ocorrido no século XIV e XV, representando um aspecto revolucionário meritório de registro na história, pelas influências exercidas até o presente momento. Por esta razão, o presente estudo procura investigar as questões que marcaram as antecedências e conseqüências do humanismo na modernidade, procurando encontrar as suas bases teóricas para entendimento de sua influencia, inclusive, ainda, na atualidade. Indaga, portanto, de que forma se processou o humanismo no contexto educacional, observando-lhe as tônicas filosóficas, políticas, culturais e econômicas. O humanismo, tendo por base as idéias expressas por Nunes (1980), Muzukami (1986) e Paviani e Dal Ri Junior (2000), é a doutrina ou conjunto de tendências de caráter filosófico que, durante o Renascimento italiano dos sécs. XIV e XV, se orientou no sentido de reviver os modelos artísticos, literários e científicos da Antiguidade greco-latina, considerada como exemplo de afirmação da independência do espírito humano. Do ponto de vista histórico, conforme Muzikami (1986), o humanismo está intimamente ligado ao Renascimento, sendo então mais amplo e complexo por ser a descoberta do homem enquanto o homem com reafirmação de todas as categorias do humano, em todas as preocupações artísticas, filosóficas e morais. Neste sentido, salienta Paviani e Dal Ri Junior (2000), que o humanismo foi uma reação do espírito renascentista contra a filosofia medieval e o cristianismo, tornando-se um processo histórico europeu de retorno à cultura e às letras clássicas a partir da Itália, alcançando a Alemanha, a Inglaterra, os Paises Baixos, a França e, depois, Espanha e Portugal. O humanismo europeu, conforme Nunes (1980), entrou em conflito com a ortodoxia cristã e, mesmo com sua redução e transformação, influenciou o pensamento posterior, adquirindo uma forma humanitarista. Os antecedentes do humanismo estão localizados com a crise do feudalismo e florescimento do mercantilismo no sec. XVI, o poderio católico do pensamento clássico do teocentrismo, o surgimento da imprensa de Gutemberg que tirou o jugo dos livros da igreja, possibilitando a publicação e a difusão de obras; o descobrimento de novos mundos na busca do desconhecido; um cenário de guerra e fome que levou a mudanças intensificadas pelos apelos ao sobrenatural e sentimentos religiosos, resultando em choque com as idéias dominantes. Com isso, o humanismo construiu uma nova verdade não mais baseada na fé, mas na razão e no pensamento antropocentrista. E, por esta razão, o humanismo é considerado a raiz do pensamento moderno, trazendo uma concepção de que Deus e o mundo são a mesma coisa, trazendo à tona a ciência não teorética, nem especulativa, nem matafísica, mas técnica e empírica. Daí ocorre a Renascença com uma concepção afirmada e vivida do imanentismo naturalista ou humanista, sistematicamente consciente e se equivale à reforma religiosa protestante, destruindo, assim, o grande edifício religioso, teológico e filosófico da unidade cristã e o Absolutismo. Em razão disso, o humanismo é considerado uma época de transição, por essas razão foi nele que começaram a surgir novas idéias, novas maneiras de se enxergar o mundo, preparando-o para o Renascimento e logo depois o Classicismo, tendo por conseqüência a expansão dos valores burgueses e a formação do capitalismo. Tem-se, pois, seu inicio no sec. XV, prossegue com os estudos do homem como agente político, moral e técnico-artistico dominando a natureza e a sociedade nos séc. XVI e XVII, e chega com a idéia de civilização no sec. XVIII, influenciando até o tempo presente. O pensamento moderno surgido com o humanismo surge com as idéias do pensamento de Descartes e de Galileu, sendo que este último dedicou seus estudos aos fenômenos naturais, experimentalmente provados e matemáticamente conexos. Por isso, influencia o empirismo e racionalismo dos séculos seguintes. Também os pensamentos de Montaigne com seu empirismo pode ser categorizado como integrante da segunda geração de humanistas, ao lado da defesa de Copérnico com sua teoria heliocentrista que deu inicio à revolução cientifica moderna e rompendo com o sistema geocêntrico formulado por Ptolomeu. E, com isso, considera-se como transformações importantes da época a demonstração da validade do modelo heliocêntrico, a formulação da noção de um universo infinito, a concepção do movimento dos corpos celestes, a valorização da observação e do método experimental e a utilização da matemática como linguagem da física. Com a ascensão do racionalismo humanista estão fundamentadas as noções modernas de valorização do novo, do indivíduo, do progresso, que formaram uma revolução cientifica na redescoberta do ceticismo antigo baseado na temática sofista de que o homem é a medida de todas as coisas, e a Reforma Protestante, rompendo com a tradição escolástica e aristotélica, e rejeitando a autoridade institucional. O rompimento proporcionado pelo ideário humanista foi incisivo na rejeição à tradicional escolástica, onde predominava o saber adquirido e a autoridade imposta pela hierarquia e pelos costumes, favorecendo, com isso, o espontâneo e virtuoso na natureza humana. A partir de então, tudo passou a se explicar pela ciência e pela razão, tendo por base o neoplatonismo que exalta os valores humanos numa nova dimensão. Mediante o exposto, entende-se que o humanismo trouxe à tona a critica, a pesquisa e a observação, baseada na abordagem da importância do ser humano sobre todas as coisas e revolucionando, inclusive a educação, pois foi nessa época que surgiu grandes e significativas mudanças de conceitos e pelas novas perspectivas que possibilitaram a estruturação do pensamento humano moderno. Na esfera educacional, segundo Nunes (1980), o humanismo processou uma série de mudanças significativas que começaram com os tempos modernos, com novos valores burgueses, como o otimismo, o individualismo, o naturalismo e o antropocentrismo. No período renascentista, conforme Aranha (2006) e Moser (2008), a educação escolar passou por modificações em seu modelo tradicional, que estava embasada na Escolástica e na concepção cristã. Aparecem os primeiros colégios, associados a uma nova concepção de infância e família. A sociedade toma consciência da necessidade de proporcionar o acesso à educação e da criação de universidades para difundir e aprimorar as novas descobertas de modo científico e racional, seguindo sempre a concepção humanista para afastar o misticismo do período medieval. Para Nunes (1980), com o humanismo diversas modificações profundas ocorreram tanto na sua concepção, como nos meios usados para a consecução dos seus objetivos. Deu-se, então, com o inicio de se buscar um modo claro e definido à formação integral do homem, o seu desenvolvimento intelectual, moral e físico, em contraste com a educação medieval que se esmerava na formação religiosa e intelectual e dava às escolas superiores um alcance prático, um objetivo profissionalizante, uma vez que as faculdades de teologia preparavam mestres, assessores de papas e bispos. Os objetivos da educação renascentistas, conforme Nunes (1980), era o de atingir homens livres e dignos., referindo-se à formação do homem, do ser humano abstrato, contudo,  na prática, era essencialmente aristocrática e só aceitável aos ricos. A reforma protestante proposta por Lutero, conforme Freitag (1994), promoveu um projeto de criação de escolas públicas que foi implantado na Alemanha, revelando-se uma proposta inovadora de ensino que defendia o acesso de todos ao conhecimento e a proposta curricular embasada nas Ciências Humanas e no estudo da História para a formação ser qualitativa. A Contra-Reforma realizada pela Igreja Católica diante do surgimento da reforma protestante, resultou na Companhia de Jesus, criada por Ignacio de Loyola, em 1540, com a proposta jesuítica de ampliar o catolicismo mundialmente por meio da catequização dos povos americanos e asiáticos, possuindo uma metodologia fundamentada num sistema de rotinas e celebrações religiosas freqüentes, promovendo, assim, o desenvolvimento da educação católica. Conforme Freitag (1994), as escolas jesuíticas eram rígidas, enfocando a memorização, enfatizando a escrita, leitura e práticas profissionais, como a marcenaria, a ferraria e a agricultura. Com suas características confessional e catequizadora, tiveram papel importantíssimo na instrução da população e também na fundação de diversas cidades. A educação no ideário humanista, conforme Bruniera (2007), assumiu o caráter de formação, caracterizada por acesso à cultura humana e interpretação dessa cultura por outras gerações. Tal processo seria possível se o ensino acolhesse a re-significação do legado e não se resumisse a seguir um receituário. Este esforço humanista consistiu em conceber a educação tendo como ponto de partida uma aproximação das verdadeiras proposições dos autores clássicos. A intenção era que, como leitores, pudessem se apropriar do pensamento da Antiguidade e também criar seus próprios textos, deixar seu próprio legado. Sendo assim, o homem crê ter a capacidade também de criar e dessa forma começam a investigar e a estudar a natureza, para tentar desvendar os mistérios do universo. O humanismo influenciou Jean-Jacques Rousseau, importante teórico da educação que, segundo Cabral (1978), criadas pelo confronto das antinomias do individuo versus sociedade, natureza versus cultura e sociedade versus educação positiva, rompendo com a sociedade em favor de si mesmo, considerando a sociedade como uma coisa sacralizada, traduzindo que os problemas da sociedade foram criados pelos homens e que devem ser resolvidos por eles. Defendia com isso a necessidade de re-educação do homem, optando pela educação negativa. O humanismo ainda influenciou Dewey que, conforme Aranha (2006), defendia que educar deve ser mais que reproduzir conhecimento, incentivando a preparação das pessoas para a transformação com o desejo do desenvolvimento continuo. Neste sentido, para Dewey (1979), a educação é vista como uma constante reconstrução da experiência, um processo de formar atitudes fundamentais de natureza intelectual e sentimental, perante a natureza e os outros homens. O humanismo também influenciou Freinet que, conforme Morais (1997), entendeu o humanismo como ética humana que, na educação, é operada como a capacidade que todo educador tem de desenvolver plenamente todas as capacidades do estudante, aprimorando todas as atividades na concepção do bem-estar e da dignidade do ser humano. Nesta proposta, o aluno é entendido como um ser autônomo e racional capacitado para opinar, criticar e escolher sobre a orientação das atividades segundo seu interesse. A educação humanista de Freinet, conforme Morais (1997), tem por objetivo a democratização, a pluralidade, a abertura, o criticismo e o alcance da vida humana dignamente plena por meio da apropriação da cidadania e da cultura. E, conforme o autor, a educação humanista é formadora de pessoas livres, construtores de um juízo sólido e de nobre caráter em seus alunos, praticando as virtudes e a sabedoria humana, exercitando as faculdades naturais, a espontaneidade e o interesse pelas coisas naturais. A escola, conforme Moser (2008), na abordagem humanista deve respeitar os alunos e oferecer condições para que ela se desenvolva possibilitando sua autonomia, utilizando a metodologia de que o educador deve desenvolver seu estilo próprio. A abordagem humanista, conforme Moser (2008), traz a idéia de ensino centrado no aluno, ênfase nas relações interpessoais e ao crescimento que desta resulta, no desenvolvimento da personalidade do indivíduo, dos seus processos e organização pessoal da realidade em sua capacidade de atuar como uma pessoa integrada. Nesta abordagem, a educação assume significado amplo, pois trata-se da educação do homem não apenas da pessoa em situação escolar em uma instituição de ensino, criando condições para que os alunos possam se tornar pessoas de iniciativa, de responsabilidade, de autodeterminação, de discernimento na solução de seus problemas e que tais conhecimentos os capacitassem a se adaptar as situações com mais flexibilidade. A importância do humanismo é refletida na atualidade onde se encontram diversas formas de humanismo, como o renascentista, o marxista, o positivista, seculares, religiosos, logosófico, entre outros. O humanismo renascentista é aquele, conforme visto, que propõe o antropocentrismo ocorrido durante a Renascença, confiando na capacidade renovadora do ser humano do discernimento. O humanismo marxista se baseia no entendimento de que o marxismo é a ciência da história e da economia, criticando o idealismo hegeliano que pregava o homem como ser espiritual, e opondo-se ao materialismo dialético de Engels. Os humanistas seculares são entendidos como empiristas e racionalistas, ateis e agnósticos que se preocupam com a ética e na dignidade do ser humano. O humanismo positivista proposto por Auguste Comte propõe a religião da humanidade a partir do ser humano, substituindo a moral, a política, a filosofia e epistemologia das entidades supranaturais, valorizando o pensamento cientifico, afirmando a historicidade do ser humano e rejeitando a metafísica e a teologia. O humanismo religioso é constituído por cristãos liberais e deístas, originário da cultura da ética, do universalismo e do unitarismo, defendendo que a maior parte dos humanos possui necessidades sociais e pessoas que são satisfeitas apenas pela religião. O humanismo logosófico ou novo humanismo proposto por Pecotche, parte do princípio de que a Logosofia dá a conhecer este humanismo em seu conteúdo essencial, exaltando a parte humana de Deus no ser humano e se baseia na superação humana e no ser pensante e sensível na consumação do processo evolutivo seguida por toda humanidade.
CONCLUSÃO - O humanismo foi um acontecimento histórico que se revelou como movimento filosófico que ocorreu no séc. XV, promovendo mudanças educacionais, sociais, políticas, culturais, econômicas e religiosas que desencadearam no Renascimento. Opôs-se às previsões medievais, instaurando o antropocentrismo, a racionalidade moderna e o capitalismo. Com o antropocentrismo desenvolveu a dignidade humana, com a racionalidade moderna deu inicio à cientificidade e com o capitalismo substituiu o escambo pelo dinheiro, criando o mercantilismo. Contribuiu, assim, para a reforma luterana que criou uma proposta de escola pública para todos, inclusive mulheres, e para a criação da Companhia de Jesus que era bastante rígida e fundamentava-se na concepção católica. De uma forma ou outra, todas essas transformações serviram para enriquecer e aprimorar a sociedade moderna nos mais variados segmentos sociais. Assimilando o ideário platônico, o humanismo rompeu com o aristotelismo, a escolástica e o tomismo predominante na época pelo poderio católico, formulando uma revolução educativa que influenciou Rousseau, Freinet e Dewey. Com base na revisão da literatura realizada, conclui-se que o humanismo foi um marco nas transformações das concepções da sociedade contemporânea. O papel fundamental do humanismo para a valorização do homem, possibilitou a liberdade de descobrir e investigar a natureza sem o misticismo religioso. Como surgiram pensadores e artistas com obras fantásticas, as grandes invenções que trouxeram progresso a toda a sociedade.
REFERÊNCIAS
Aranha, M. L. A. (2006). História da educação e da pedagogia. São Paulo: Moderna.
Bruniera, C. F. G. (2007) Retorno é proposto num tempo de declínio das tradições. Pedagogia & Comunicação, p. 3.
Cabral, M. I. C. (1978). De Rousseau a Freinet ou de teoria à prática: uma nova pedagogia. São Paulo: Hemus.
Dewey, J. (1979). Experiência e educação. São Paulo: Nacional.
Freitag, B. (1994). O indivíduo em formação: diálogos interdisciplinares sobre educação. São Paulo: Cortez.
Mizukami, M. G. (1986). Ensino: as abordagens do processo – abordagem humanista. São Paulo: EPU.
Morais, M. F. (1997). Freinet e a escola do futuro. Recife: Bagaço
Moser, G. (2008). História da educação. São Paulo: ASSELVI.
Nunes, R. A. (1980). Historia da educação no Renascimento. São Paulo: EDUSP.
Paviani, H.; Dal Ri Junior, A. (2000). Globalização e humanismo latino. Porto Alegre: EDIPUCRS.
Rousseau, J. J. (1992) Emilio ou da educação. Rio de |Janeiro: Bertrand Brasil. Veja mais aqui, aqui e aqui.


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