quarta-feira, março 12, 2008

TEILHARD DE CHARDIN, BERKELEY, COSEY FANNI TUTTI, VITÓRIA RÉGIA, LITERATURA DE CORDEL & FECAMEPA

 
A arte da artista performática, músico e escritora inglesa Cosey Fanni Tutti. Veja mais aqui.


QUANDO O NÓ SE DESATA, BOTE BANCA PORQUE O AFOLOSADO É A MAIOR MOLEZA, VIU? - Gentamiga, como as flatulências dos Fabos das altas esferas da patriamada pipocam de instante em instante, a gente tem que andar precavido das ventas porque, senão, a gente pode ser enrolado numa boca-de-caieira dessa, da gente mesmo ficar azuretado com a cara de tacho do como é que é à toa, viu? Sacumé? Cheio de nó pelas costas. Apois, tá certo. Indagorinha dei de cara com outra dessas cavernosas sacadas dos deputantes & cinicadores do Congresso Nacional. Os caras são nó-cego mesmo, não param de fabricar bostências fedorentas a torto e a direito. Não bastam estar nos maiores estalidos de peido-de-véia que fedem mais que uma pandorenta carniça pelos escândalos vituperados, pela CPMF revalidada por não sei mais quantos anos, pelo corporativismo da justiça que solta seus apaniguados enrolados com coisas escusas, pelas sandices & arrumadinhos em nome de democracias fajutas, pelas afanações que resultam na miséria do povo, enfim, por tudo que faz desta Nação qualquer coisa próxima da contraproducência, retardamento e a bixiga-lixa do retrocesso, agora a gente não sabe mais o que fazer. Tá tudo desenquadrado! Até a Lei 8.313/91 dita Rouanet que foi concebida para ser destinada à promoção e ao incentivo de investimentos nas áreas culturais, agora é alvo também da sede por bufunfa dos religiosos. Verdade! Deu na Folha de São Paulo, numa irrisória e quase insignificante nota que a Comissão de Educação do Senado aprovou projeto de lei do senador Marcelo Crivella, do PRB-RJ, contemplando os templos religiosos entre os beneficiários da lei de incentivo à cultura. O projeto ainda vai a plenário para ser votado na Câmara. Mas pelo andar da carruagem, se a gente não fizer zoadeiro com chiado de indignação, os caras lá fazem vista grossa e pei buft! Já era. O argumento do indigitado senador da igreja Universal é de que os templos religiosos estão entre os elementos constituintes do patrimônio cultural. E como o lobby dos sectários faz coro grosso no Congresso Nacional, a coisa periga vingar. Ave! Vai ser talqualmente os empata-foda conservadores que engancham as discussões acerca do reconhecimento do matrimônio homossexual, do aborto e doutras necessárias acomodações do tempo contemporâneo. Instado a respeito, o padre Bidião suspendeu suas escrevinhações para se manifestar: “A gente precisa é tirar Jesus da cruz! Deixá-lo viver em paz! Infelizmente esse papa tá chegando e vai ser o maior atraso de vida! Vai ser o mesmo que Bushit fez pros mamoeiros da cana, pois, enquanto Bushit veio dar fôlego e mercado pros caras que só querem dinheiro alimentando a desgraça, o paparebento vai tomar o restinho de verba que ainda dá um oxigeniozinho pros artistas brasileiros. Deus tem que intervir. E eu vou dar pano pras mangas: vou entrar na briga! Se segurem que lá vou eu! Tenho dito”. Por isso mesmo, gente, quando o nó se desata é a hora de meter bronca porque o afolosado já está que é a maior moleza. E se a gente está numa peínha de nada, ou esperneia ou se descabela. Então, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui



PENSAMENTO DO DIA - [...] Os males de que estamos a sofrer tiveram a sua base na própria criação do pensamento humano. [...] As palavras dele refletem os perigos de um mundo dominado por um cérebro insensível que parece dizer “Eu sou tudo”, enquanto o coração, frequentemente menosprezado, diz: “Sem todos os outros não sou nada”. As sete orientações da cardiocontemplação comentadas são modos através dos quais poderemos fazer com que a Mente, constituída de cérebro, coração e corpo, nos auxilie a propiciar a significação e o equilíbrio para o trabalho do cérebro. Procedendo assim poderemos estar mais aptos a seguir a sugestão de Thoreau: “Se construístes castelos no ar, não há razão para julgardes perdido o vosso trabalho. Colocai agora o alicerce sob eles”. [...]. Pensamento do filósofo, paleontólogo e teólogo francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955). Veja mais aqui.

AS PAIXÕES - [...] as paixões que estão na mente do outro são em si mesmas invisíveis para mim. Posso no entanto percebê-las pela vista, embora não de forma imediata, mas através das cores com que elas tingem a face. Muitas vezes enxergamos a vergonha ou o medo na aparência de um homem, vendo as mudanças no seu rosto, que cora ou empalidece. [...]. Pensamento extraído das Obras filosóficas (UNESP, 2010), do filósofo idealista irlandês George Berkeley (1685-1753). Veja mais aqui.

A LENDA DA VITÓRIA RÉGIA - A enorme folha boiava nas águas do rio. Era tão grande que, se quisesse, o curumim que a contemplava poderia fazer dela um barco. Ele era miudinho, nascera numa noite de grande temporal. A primeira luz que seus pequeninos olhos contemplaram foi o clarão azul de um forte raio, aquele que derrubara a grande seringueira, cujo tronco dilacerado até hoje ainda lá estava.  – Se alguém deve cortá-la, então será meu filho, que nasceu hoje”, falou o cacique ao vê-la tombada depois da procela. Ele será forte e veloz como o raio e, como este, ele deverá cortá-la para fazer o ubá com que lutará e vencerá a torrente dos grandes rios…” Talvez, por isso, aquele curumim tão pequenino já se sentisse tão corajoso e capaz de enfrentar, sozinho, os perigos da selva amazônica. Ele caminhava horas, ao léu, cortando cipós, caçando pequenos mamíferos e aves; porém, até hoje, nos seus sete anos, ainda não enfrentara a torrente do grande rio, que agora contemplava. Observando bem aquelas grandes folhas, imaginou navegar sobre uma delas, e não perdeu tempo. Pisou com muito cuidado – os índios são sempre muito cautelosos – e, sentindo que ela suportava o seu peso, sentou-se devagar, e com as mãozinhas improvisou um remo. Desceu rio abaixo. É verdade que a correnteza favorecia, mas, contudo, por duas vezes quase caiu. Nem por isso se intimidou. Navegou no seu barco vegetal até chegar a uma pequena enseada onde avistou a mãe e outras índias que, ao sol, acariciavam os curumins quase recém-nascidos embalando-os com suas canções, que falam da lua, da mãe-d’água do sol e de certas forças naturais que muito temem. Saltando em terra, correu para junto da mãe, muito feliz com a façanha que praticara: – Mãe, tenho o barco. Já posso pescar no grande rio?” – Um barco? Mas aquilo é apenas um uapê; é uma formosa índia que Tupã transformou em planta.” – Como, mãe? Então não é o meu barco? Você sempre me disse que eu um dia haveria de ter meu ubá…”  – Meu filho, o teu barco, tu o farás; este é apenas uma folha. É Naia, que se apaixonou pela lua…” – Quem é Naia?”, perguntou curioso o indiozinho. – Vou  contar-te… Um dia, uma formosa índia, chamada Naia, apaixonou-se pela lua. Sentia-se atraída por ela e, como quisesse alcançá-la, correu, correu, por vales e montanhas atrás dela. Porém, quanto mais corriam, mais longe e alta ela ficava. Desistiu de alcançá-la e voltou para a taba. – A lua aparecia e fugia sempre, e Naia cada vez mais a desejava. – Uma noite, andando pelas matas ao clarão do luar, Naia se aproximou de um lago e viu, nele refletida, a imagem da lua. – Sentiu-se feliz; julgou poder agora alcançá-la e, atirando-se nas águas calmas do lago, afundou. – Nunca mais ninguém a viu, mas Tupã, com pena dela, transformou-a nesta linda planta, que floresce em todas as luas. Entretanto uapê só abre suas pétalas à noite, para poder abraçar a lua, que se vem refletir na sua aveludada corola. – Vês? Não queiras, pois, tomá-la para teu barco. Nela irás, por certo, para o fundo das águas. – Meu filho, se te sentes bastante forte, toma o machado e vai cortar aquele tronco que foi vencido pelo raio. Ele é teu desde que nasceste. – Dele farás o teu ubá; então, navegarás sem perigo. Deixa em paz a grande flor das águas…” Eis aí, como nasceu a história da vitória-régia, ou uapê, ou iapunaque-uapê, a maior flor do mundo. Lenda recolhida por Irene Machado (Scipione, 1994). Veja mais aqui, aqui e aqui.

MOIRÃO TROCADO DE LOURIVAL BATISTA & SEVERINO PINTO - Lourival: Eu, da graça, faço o riso, / e, do riso, faço a graça! Severino Pinto: E da massa, faço o pão, / e do pão, eu faço a massa! Lourival: Você desgraçou a peça: / que u’a misturada dessa / não há padeiro que faça! Extraído da Antolohia ilustrada dos cantadores (Fortaleza, 1976), de Francisco Linhares e Otacilio Batista. Veja mais aqui.


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