terça-feira, janeiro 29, 2008

WALTER BENJAMIM, CARL ROGERS, CÂMARA CASCUDO, FERNANDO VERISSIMO, FREINET, ROSZAK, GEIR CAMPOS, ELLEN TROTZIG, EPOMINA, ÍSIS NEFELIBATA & BIG SHIT BÔBRAS


 A arte da artista plastic norueguesa Ellen Trotzig (1878-1959)


BIG SHIT BÔBRAS: LIDERANÇA, A SEGUNDA EMBOANÇA.- Arte: Derinha Rocha. - O FECAMEPA, o festival que transformou o escambau no mais revolucionário modelo educacional do universo, tem a honra de apresentar: o BIG SHIT BÔBRAS! E com vocês, o mais requintado, o inimitável, o apoteótico galã número 1 da Alagoinhanduba AMFM, Zé Peiudo! - Gente da minha gente -, aparece Zé-Peiúdo todo engalanado e com uma voz pastosa de quem comeu e não gostou -, vamos ao primeiro momento de decisão dentro do sobrado onde estão reunidos os mais audaciosos participantes do maior reality show da paróquia, o Big Shit Bôbras! Como vão todos? - Maiômeno -, delatou Zé-Corninho? - Mais ou menos, Zé-Corninho, por que? - Issaqui é um fartura! - Tem de tudo, né? - Hum... de tudo? Só tem porquera e farta de desorganização. - Você quer dizer falta de organização? - De desorganização mermo.... - Cala boca, viado -, gritou Robimagaiver -, esse cara num sabe de nada! Isso é um bocó da peste. - Ô seu Zé-Peiudo!? -, chamou Mamão. - Diga Mamão! - Quano é qui a genti vai forunfar liberado, hem? -, perguntou Mamão. - Cala boca, abestalhado! -, gritou Vera -, olhai, seu Zé-Peiudo, diga logo ao que veio que a gente tem mais o que fazer. - Bom, bom -, disse Zé-Peiudo -, pois bem, estão todos reunidos aí? - Sim, todos! - Então vocês terão que escolher o líder de vocês. - Opa, isso é comigo -, adiantou-se Doro. - Sai pra lá, rafamé, o nosso líder é o Padre Bidião -, exigiu Afredo Bocoió. - Nada disso, eu sou o líder! -, sentenciou Zé Bilôla. - Ôxe, que macharia mais retardada, a líder sou eu, Vera, a maioral! -, sapecou Vera com o apoio e aplauso das outras mulheres. - Então, meus amigos e amigas – retomou Zé Peiúdo -, temos, então, 4 concorrentes: o Doro, o padre Bidião, o Zé Bilôla e a Vera. Vamos começar a votação. - Já instou inleito! -, disse o Doro. Começa então a maior corta-brocha, todo mundo se achando no direito de liderar a todos, um horror. Como ninguém se entende na derriça, Zé Peiúdo tenta resolver a querela com voto em secreto, mas a mundiçada não aceitou. - Quem quiser votar que declare seu voto! -, sacudiu Vera. - Assim nós inleitores nos sintiremos acuados, ora! -, argüiu Zé-Corninho. - O voto, como em qualquer lugar do mundo, é secreto! -, bateu o martelo Zé-Peiúdo e saiu distribuindo uma cédula de votação a cada um para que fossem individualmente à cabine de votação. Um ré-pra-trás da gota! Ao cabo de umas 3 horas, os trastes deram por votados. Zé Peiúdo então, abriu a urna e começou a contagem mencionando o nome dos contendores. Resultado: Vera, 13 votos, Padre Bidião, 5 votos, Doro 3 votos, Zé Bilôla, 3 votos. - Eita, se tem 12 homi e 12 mulé, por que a Vera tevi 13 votos? -, perguntou Doro. - Alguém cagou fora do caco -, disse Robimagaiver. - E eu já desconfio de quem seja.... -, desconfiado Doro fitava de soslaio pro Zé-Corinho. - Num foi eu não -, se defendeu Zé- Corninho. Um a um dos marmanjos tiveram conferência detalhada das feições pelo Doro e o Ribimagaiver, menos o padre Bidião que era insuspeito. As mulheres comemoravam a vitória. E no meio da conferência, obviamente, a culpa recaiu mesmo exatamente no Zé-Corninho que, pela segunda vez consecutiva, melava o voto. - Foi você seu corno! -, disse Robimagaiver já metendo uns bofetes bem dados no dissidente, apoiado por Mamão, Afredo, Doro e Zé Bilôla. - Minha gente, vamos se organizar -, chamou na grande o Zé Peiúdo -, e agora a líder Vera que ganhou 10 pontos, o quarto mais ajeitado da casa, o direito de escolher um parceiro para furunfar, indicar 3 nomes pro primeiro paredão, direito a não fazer nada e mandar todos cumprirem suas tarefas, isenta do quizz, imunidade para fazer o que bem entender, fiscalização das condutas e castigar os infratores, agora vai dar a sua primeira determinação. Com vocês, a líder Vera! - Meus amigos, amigas, eleitores e radiouvintes, quero agradecer a minha mãe por ter me parido, ao meu pai por ter me educado, aos meus avós por terem me mimado, aos meus tios e tias por me ajudarem a ser quem sou, aos meus amigos e amigas por dividirem comigo a vida toda, menos os meus 3 ex-maridos que são tudo uns feladasputas! Também quero agradecer a rádio Alagoinhanduba AM/FM, na pessoa do seu ilustre locutor, o safado do Zé Peiúdo que já me tentou umas 5 vezes mas tasquei-lhe processo de assédio nas costelas para ele aprender a ter vergonha na cara à base de óleo de peroba e chamo atenção das minhas colegas, amigas e eleitoras: macho tem que se foder de rachar o tampo. E vou começar com a minha primeira determinação assim: todos os homens deste sobrado têm que ficar nu, de 4 com o fiofó pra cima, com uma vela de 7 dia acesa e enfiada no bocal da quartinha até queimar as pregas dos nojentos. Pronto esta é a minha primeira determinação. Virou um escarcéu! Zé Peiúdo estava entre corado de vergonha e lívido de decepção pelas denúncias da Vera. Mas se riu meio amarelado com a determinação: - Isso é um vitupério! -, mangou o locutor. O bafafá não chegou a um consenso, mulheres e homens trocavam de posição, fixando a maior discórdia já vista. Ao lado de Vera somente Rolivânio, Penisvaldo, Vaginalda e Bucetildes que, depois disso, formaram a maior panelinha. O restante, tudo do contra. Vera exigiu cumprimento da sua determinação. Não houve acordo. Zé Peiúdo partiu para votação, se juntaram e novamente depositaram seu voto na urna. Resultado: 5 votos pró-Vera, 21 do contra. Foi a primeira desmoralização da liderança. Ela perdeu, então, mais da metade dos poderes. - Isso é uma sacanagem, fui traída! -, gritou Vera puta-da-vida! Aí fechou a conta e mandou ver. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIAA narrativa revelará sempre a marca do narrador, assim como a mão do artista é percebida, por exemplo, na obra de cerâmica. Pensamento do filósofo, ensaísta e critico literário alemão Walter Benjamim (1892-1940). Veja mais aqui e aqui.

O MÉTODO NATURAL - [...] Observem, diante de um livro ou de uma página de jornal, a criança que aprendeu a ler segundo o método tradicional; faz um grande esforço de reconhecimento das peças a desmontar que combina laboriosamente. A mecânica funciona: lê de uma maneira certa, sem erros de pronúncia. Mas perguntem-lhe o sentido daquilo que leu: terá de reler o texto para o compreender, porque o lera da primeira vez para o decifrar. [...] E que não se julgue que este é um erro menor. Este divórcio entre a mecânica e o pensamento corre o risco, pelo contrário, de definiivo. Está na origem de uma nova forma de analfabetismo, para a qual ainda não se criou a denominação apropriada: as crianças, os adolescentes e os homens que são afetados por ele sabem decifrar mas nada compreendem do que lerem. [...]. Trecho extraído de O método natural: a aprendizagem da língua (Estampa, 1977), do pedagogo e pedagogista francês Celestin Freinet (1896-1966). Veja mais aqui.

CONHECIMENTO, INFORMAÇÃO & TECNOLOGIA - [...] Os computadores podem ser altamente vantajosos para canalizar uma grande quantidade de informação através de programas científicos e técnicos. Mas, mesmo nesse caso, devemos ter em mente que há ideias fundamentais de tipo não-matemático (podemos chamá-las de insights ou, talvez, de artigos de fé) que governam todo o pensamento científico... Quase toda ciência moderna foi desenvolvida a partir de uma série de ideias metafísicas e estéticas como: o universo consiste de matéria em movimento (Descartes); a natureza é governada por leis universais (Newton); conhecimento é poder (Bacon). Nenhuma dessas idéias é uma conclusão adquirida através de pesquisas científicas; nenhuma delas é o resultado de processamento de informações. Pelo contrário, são premissas que tornam possível a pesquisa científica e conduzem à descoberta de dados seguros. Novamente, são ideias-mestras sobre o mundo, e, enquanto tais, transcendem a informação. Elas emergem de uma dimensão da mente, de uma capacidade para insights que talvez tenha afinidade com o poder artístico e inspiração religiosa [...]. Extraído de O culto da informação (Brasiliense, 1988), do professor e pesquisador estadunidense Theodore Roszak (1933-2011). Veja mais aqui.

O AMOR DE EPOMINAEpomina, também registrada como Peponila, era esposa do governador e aristocrata gaulês da tribo dos lingões e chefe dos éduos, Julio Sabino, ativo no Império Romano à época da Revolta Batava de 69. Sob alegação de ser um descendente dos Césares, após o suicídio de Nero, ele tentou tomar vantagem e estabelecer um Estado gaulês independente. Mesmo formando a colização com outros líderes e aderindo à Revolta Batava, ele foi derrotado pelos sequanos e pelas legiões liderada por Galo. Ele consegue fugir e ocultar-se. Sua esposa julga-o morto, a princípio, e já estava disposta a acompanhar o esposo ao outro mundo, quando recebe noticias dele. Procurando- às ocultas, encontraram-se e combinaram viver, doravante, de modo a não despertar as suspeitas dos inimigos. Continuará fingindo estar viúva, mas não deixará de encontra-lo. E assim vivem durante dez anos, tendo filhos e educando-os no esconderijo, sempre oculto à argúcia dos funcionários romanos. Mas lá um dia, suspeitou-se de tanta viagem dela e, seguindo-a, deu-se com o esconderijo deles. Apesar de toda a dedicação dessa heroína do amor conjugal, Vespasiano não quis comover-se e dar final no caso. Mandou matar os dois, despachando-os juntos. A história foi registrada pelo filósofo grego Plutarco e, posteriormente, aparece como heroína na obra Os miseráveis, de Victor Hugo. Veja mais aqui.

OS COMPADRES CORCUNDASEra uma vez, dois compadres corcundas, um Rico outro Pobre. O povo do lugar vivia zombando da corcunda do Pobre e não reparava no Rico. A situação do Pobre, que era caçador, andava meio mal. Certo dia, sem conseguir caçar nada, já tardinha, sem querer voltar para casa, o Pobre resolveu dormir ali mesmo no mato. Quando já ia pegando no sono ouviu uma cantiga ao longe, como se muita gente cantasse ao mesmo tempo. Saiu andando e andando no rumo da cantiga que não parava. Depois de muito andar, chegou numa clareira iluminada pelo luar e viu uma roda de gente esquisita, vestida de diamantes que brilhavam com a lua. Velhos, rapazes, meninos, todos cantavam e dançavam de mãos dadas, o mesmo verso, sem mudar: – “Segunda, Terça-feira, Vai, vem! Segunda, Terça-feira, Vai, vem!” Tremendo de medo, escondeu-se numa moita e ficou assistindo aquela cantoria que era sempre a mesma durante horas e horas. Depois ficou mais calmo e foi se animando. E como era metido a improvisador, entrou no meio da cantoria entoando: – “Segunda, Terça-feira, Vai, vem! E Quarta e Quinta-feira, Meu, bem!” Imediatamente todos ficaram em silêncio, e o povo espalhou-se à procura de quem havia falado. Pegaram o corcunda e o levaram para o meio da roda. Um velhão, então, perguntou com voz delicada: – Foi você quem cantou o verso novo da cantiga? – Sim, fui eu, Senhor! – Quer vender o verso? – perguntou o Velhão. – Olha, meu senhor, não a vendo. Melhor, dou-lhes de presente, porque gostei demais do baile animado. O Velho achou graça e todo aquele povo esquisito riu também. – Pois bem – disse o Velhão – uma mão lava a outra. Em troca do verso eu te tiro essa corcunda e esse povo te dá um Bisaco novo! O Velho passou a mão nas costas do caçador Pobre e a corcunda , como numa mágica, sumiu. As pessoas lhe deram um Bisaco novo e disseram que ele deveria abrir somente quando o sol nascesse. O Caçador meteu-se na estrada e foi embora. Assim que o sol nasceu abriu o bisaco e o encontrou cheio de pedras preciosas e moedas de ouro. No outro dia comprou uma casa com todos os móveis, comprou uma roupa nova e foi à missa porque era domingo. Lá na igreja encontrou o compadre Rico, também corcunda. Ele quase caiu de costas, ficou muito surpreso com a mudança. Mais espantado ficou quando o compadre, antes pobre e agora rico, contou tudo que aconteceu ao compadre Rico. Cheio de ganância, o Rico resolveu arranjar ainda mais dinheiro e livrar-se da corcunda nas costas. Esperou uns dias e depois se meteu no meio do mato. Tanto fez que ouviu a cantoria e foi na direção da toada. Achou o povo esquisito dançando numa roda e cantando: – “Segunda, Terça-feira, Vai, vem! Quarta e quinta-feira, Meu, bem!” O Rico não se conteve. Abriu o par de queixos e foi logo berrando: – “Sexta, Sábado e Domingo, Também!” Como antes, todos ficaram em silêncio. O povo esquisito voou para cima do homem atrevido e o levaram para o meio da roda onde estava o Velhão. Esse gritou, furioso: – Quem mandou se meter onde não é chamado, seu corcunda besta? Você não sabe que gente encantada não quer saber de Sexta-Feira, dia em que morreu o filho do alto?! O corcunda Rico olhou sem reação e nada disse. O Velhão continuou exclamando em voz alta: – Gente encantada não quer saber de Sábado, o dia em que morreu o filho do pecado, e nem de Domingo, dia em que ressuscitou quem nunca morre! Não sabia disso? Pois fique sabendo! E para que não se esqueça da lição, leve a corcunda que deixaram aqui e suma-se da minha vista, senão acabo com seu couro! O Velhão passou a mão no peito do corcunda Rico e deixou ali a corcunda do compadre Pobre. Depois, deram uma carreira no homem, que ele não sabe como chegou em casa. E assim viveu o resto de sua vida: Rico, mas com duas corcundas, uma na frente e outra atrás. As corcundas tornaram-se seu fardo, para ele deixar de ser ambicioso. Extraído da obra Contos tradicionais do Brasil (Global, 2006), do historiador, antropólogo, advogado e jornalista Luís da Câmara Cascudo (1898-1986). Veja mais aqui.

A TEORIA CENTRADA NA PESSOA - O psicólogo norte-americano Carl Rogers (1902-1987), é o criador da abordagem psicoterapeuta Terapia Centrada na Pessoa e elaborou uma teoria da personalidade com base em único fator motivacional semelhante ao conceito de autorrealização de Maslow, não resultando do estudo de pessoas emocionalmente saudáveis, mas da aplicação da sua teoria nos seus pacientes dos centros de aconselhamento da universidade. Essa teoria expressa a visão de Rogers sobre a personalidade humana e a coloca na responsabilidade pela melhora na pessoa ou no paciente, não no terapeuta, assumindo que as pessoas seriam capazes, consciente e racionalmente, de mudar os próprios pensamentos e comportamentos do indesejável para o desejável. Não acredita no individuo permanentemente reprimido por forças inconscientes ou por experiência da infância. Para ele, a personalidade é moldada pelo presente e pela maneira como o individuo percebe a circunstância. A maior força motivadora da personalidade é o impulso para a realização do self. Embora essa anciã pela autorrealização seja inata, pode ser incentivada ou reprimida por experiências da infância e por aprendizagem. Por isso, enfatizava a importância da relação entre mãe e filho por ela afetar o senso de self em evolução da criança. Se a mãe satisfaz a necessidade de amor do bebê, que ele chamou de atenção positiva – o amor incondicional da mãe pelo bebê -, ele provavelmente terá uma personalidade saudável. Se a mãe condiciona o amor pelo filho a um comportamento adequado (atenção positiva condicional), ele internalizará essa sua atitude e desenvolverá condições de valor. Nesse caso a criança se sentirá valorizada somente sob determinadas condições e tentará evitar comportamentos considerados reprováveis. Consequentemente, a noção de si mesma não se desenvolverá plenamente. A criança não será capaz de expressar todos os aspectos de si própria porque aprendeu que alguns desses comportamentos produzem rejeição. Desse modo, o principal requisito para o desenvolvimento da saúde psicológica é a atenção positiva incondicional na infância. A autorrealização consiste no mais alto nível da saúde psicológica, uma vez que as pessoas plenamente funcionais ou psicologicamente saudáveis apresentam características como mente aberta para aceitar qualquer tipo de experiência e de novidades, tendência a viver plenamente cada momento, capacidade para se orientar pelos próprios instintos e não pelas opiniões ou razões de outras pessoas, senso de liberdade em pensamento e ação, algo grau de criatividade e a necessidade continua de maximizar seu potencial. Ele descrevia as pessoas plenamente funcionais como sendo realizadas e não realizadas, para indicar que a evolução do self está em constante andamento. Essa ênfase está assentada na espontaneidade, na flexibilidade e na capacidade continua de crescimento. O CAMPO DA EXPERIÊNCIA – Há um campo de experiência único para cada individuo, este campo de experiência ou campo fenomenal contém tudo o que se passa no organismo em qualquer momento e que está potencialmente disponível à consciência. Inclui eventos, percepções, sensações e impactos dos quais a pessoa não toma consciência, mas poderia tornar se focalizasse a atenção nesses estímulos. É um mundo privativo e pessoal que pode ou não corresponder à realidade objetiva. Dentro do campo de experiência está o self que é uma gestalt organizada e consistente num processo constante de formar-se e reformar-se à medida que as situações mudam. O sel ideal é o conjunto das características que o individuo mais gostaria de poder reclamar como descritivas de si mesmo. Assim como o self, ele é uma estrutura móvel e variável que passa por redefinição constantemente. A congruência é definida como o grau de exatidão entre a experiência da comunicação e a tomada de consciência. Ela se relaciona às discrepâncias entre experienciar e tomar consciência. A incongruência ocorre quando há diferença entre a tomada de consciência, a experiência e a comunicação desta, sendo definida como habilidade de perceber com precisão e ao mesmo tempo como inabilidade ou incapacidade de comunicação precisa. As forças positivas em direção à saúde e ao crescimento são naturais e inerentes ao organismo.  Uma vez que todos os indivíduos possuem a capacidade de experienciar e de se tornarem consciente de seus desajustamentos. Comportamentos ou atitudes que negam algum aspecto do self são chamados de condições de valor. A personalidade e a identidade são uma gestalt continua. O valor dos relacionamentos é de interesse central porque a interação com o outro capacita um individuo a descobrir, encobrir, experienciar ou encontrar seu self real de forma direta. O casamento é um relacionamento não usual, é potencialmente de longo prazo, intensivo e carrega dentro de si possibilidade de manutenção do crescimento e do desenvolvimento, seguindo as mesmas leis que mantêm a verdade dos grupos de encontro, da terapia e de outros relacionamentos: dedicação e compromisso; comunicação-expressão de sentimentos; não aceitação de papéis; e tornar-se um self separado. O individuo saudável toma consciência de suas emoções, sejam ou não expressas. Sentimentos negados à consciência distorcem a percepção de e a reação às experiências que os desencadearam. As três maneiras de conhecer, de verificar hipóteses acessíveis ao individuo psicologicamente maduro é o conhecimento subjetivo que é o discernimento entre amar e odiar, entender e apreciar uma pessoa, uma experiência ou um evento; o conhecimento objetivo é uma forma de testar hipóteses, especulações e conjeturas em relação a sistemas de referência externos; o conhecimento interpessoal ou conhecimento fenomenológico que é a essência da terapia centrada no cliente: uma prática da compreensão empática. Veja mais aqui.
REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 2002.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna.São Paulo: Cengage Learning, 2012.

A COMADRE - O veraneio terminou mal. A ideia dos dois casais amigos, amigos de muitos anos, de alugarem uma casa juntos deu errado. Tudo por culpa do comentário que o Itaborá fez ao ver Mirna, a comadre Mirna, de biquíni fio dental pela primeira vez. Nem tinha sido um comentário. Mas um som indefinido. – Omnahnmon! Aquilo pegara mal. A própria Mirna sorria sem jeito. O compadre Adélio fechara a cara, mas decidira deixar passar. Afinal era o primeiro dia dos quatro na praia, criar um caso naquela hora estragaria tudo. Eram amigos demais para que um simples deslize – o som fora involuntário, isto era claro – acabasse com tudo. E, ainda por cima, a casa já estava paga por um mês. Naquela noite, no quarto, a Isamar pediu satisfação ao marido. – Pô, Itaborá. Qual é? – Não pude controlar, puxa. – Na cara do Adélio! – Eu sei. Foi chato. Mas saiu. Que eu posso fazer? – Nós conhecemos a Mirna e o Adélio há o quê? Quase dez anos. – Mas eu nunca tinha visto a bunda da Mirna. – Ora, Itá! – Não entende? A gente pode conviver com uma pessoa dez, vinte anos, e ainda se surpreender com ela. A bunda de Mirna me surpreendeu, é isso. Me pegou desprevenido. – Vai dizer que você nunca nem imaginou como era? – Nunca. Juro. Nem me passou pela cabeça. E de repente estava ali, toda. Toda ali. – Pois vê se te controla. Pelo resto do veraneio o Itaborá fez questão de nem olhar para o fio dental da comadre. Quando os quatro iam para a praia, se apressava para caminhar na frente. Se por acaso as nádegas da comadre passassem pelo seu campo de visão, olhava para o alto, tapava o rosto com o jornal, assobiava. Um dia, o Itaborá e o Adélio sentados no quintal, a Mirna recém-servira a caipirinha, de biquíni, e se dirigia de volta para casa, e o Itaborá suspirou. – O que foi – perguntou o Adélio, agressivo. – Essa política econômica – disse o Itaborá. – Sei não. Não levo fé. – Ah – disse o Adélio. Até o fim do veraneio ficou aquela coisa chata entre os quatro. O Itaborá não podia tossir que todos olhavam, desconfiados. Extraído da obra O marido do doutor Pompeu (Circulo do Livro, 1987), do escritor, cartunista, tradutor, roteirista e autor teatral Luis Fernando Veríssimo. Veja mais aqui.

TAREFA - Morder o fruto amargo e não cuspir / mas avisar aos outros quanto é amargo, / cumprir o trato injusto e não falhar / mas avisar aos outros quanto é injusto, / sofrer o esquema falso e não ceder / mas avisar aos outros quanto é falso; / dizer também que são coisas mutáveis... / E quando em muitos a noção pulsar / — do amargo e injusto e falso por mudar — / então confiar à gente exausta o plano / de um mundo novo e muito mais humano. Extraído da obra Tarefa (Civlização Brasileira/Massao Ohno/INL, 1981), do escritor, jornalista e tradutor Geir Campos (1924-1999).


Seleção art by Ísis Nefelibata



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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, janeiro 28, 2008

OSWALD DE ANDRADE, RUBEM BRAGA, OLGA MOLINA, SAVIANI, GINSBERG, CONSTITUIÇÃO 88, APRENDIZAGEM, EDUCAÇÃO ESPECIAL & INCLUSÃO



EDUCAÇÃO ESPECIAL E INCLUSÃO – Abordar a temática da educação especial e da inclusão num trabalho acadêmico, leva a considerar a partir da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabeleceu as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), notadamente na observância do art. 59, correspondente à educação especial, como sendo a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais (PNE). Um trabalho dessa natureza traz a justificativa em razão do que preceitua o art. 205 da Constituição Federal e a LDB 9394/96, quando da definição pelo pleno desenvolvimento do educando destinado ao preparo para a vida e o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, num processo de atendimento educacional para todos indistintamente, destinando o foco para as discussões atinentes à educação especial e ao educando PNE, carecendo de uma integração para melhor desempenhar seu papel na sociedade e na vida. Assim, terá por objetivo analisar de que forma a Educação Especial possibilita a inclusão de PNE, levantando os pressupostos da Educação Especial, analisando de que forma é desenvolvida por meio da observação acerca da qualificação do professor na sala de aula da Educação Especial, considerando os recursos oferecidos pela escola para o desenvolvimento das atividades pedagógicas em salas com PNE e avaliando as perspectivas dos profissionais no processo de inclusão na Educação Especial. Abordará, portanto, o papel da educação, o processo de inclusão e o papel do professor nessa temática, utilizando-se uma metodologia que se desenvolverá em duas etapas: a primeira delas, bibliográfica, reunindo leituras e considerações a respeito das expressões conceituais dos mais importantes estudiosos do assunto e, na segunda etapa, desenvolver uma pesquisa de campo utilizando-se de instrumento questionário que envolva o universo de professores de um educandário, onde os respondentes possam consignar suas opiniões para identificação da realidade. O que se tem encontrado nesse tocante é a a necessidade requerida pelos respondentes de se efetuar maior capacitação dos profissionais e na exigência da escola dispor de melhores recursos para o processo em questão para o desenvolvimento da educação especial no alcance da perspectiva da educação inclusiva. Segue algumas bibliografias básicas para o desenvolvimento do estudo. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ANTONIO, Wilma Alves Oliveira. Formação do professor em educação especial. Maceió: UFAL, 1999.
ARROYO, Miguel. Educação no Brasil: para quem? Para onde? Brasília: Revista de Educação da CNTE, 3:III, dez/1996.
BORDENAVE, Juan Diaz & PEREIRA, Aldair Martins Pereira. Estratégias de ensino-aprendizagem, Petrópolis, Vozes, 1977.
BRASIL. Resolução n.º 2, de 11 de setembro de 2001. Brasília: CNE/Câmara de Educação Básica, 2001.
______. Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/Secretaria de Educação à Distância, 1999.
______. Deficiência mental. Brasília: MEC/Secretaria de Educação à Distância, 1998.
______. Parâmetros curriculares nacionais. Bases legais. Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação, 1999.
CARNEIRO, Moaci Alves. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva. Petrópolis: Vozes, 1998.
CARVALHO, Erenice Natália. Adaptações curriculares: uma necessidade. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
CARVALHO, Rosita Edler. O direito de ter direitos. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
_______. Integração e inclusão: do que estamos falando? In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999b.
_______. Removendo barreiras para a aprendizagem. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999c.
D'ANTINO, Maria Eloisa Famá. Integração, deficiência mental e educação. In: Deficiência mental & Deficiência física. Brasília: Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação a distância, 1998.
DORNAS, R. Diretrizes e bases da educação nacional. Belo Horizonte: Modelo, 1997.
FERREIRA, Nilda T. Cidadania. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
GADOTTI, Moacir. Perspectiva atuais da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
GARCIA, Rosalba. Polícias públicas de inclusão: uma análise no campo da educação especial brasileira. Florianópolis: UFSC, 2004.
GIROUX, Henry. Teoria crítica e resistência em educação. Petrópolis: Vozes, 1986.
GOFFREDO, Vera Lúcia. Educação: direito de todos os brasileiros. In: Educação especial: Tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
______. A escola como espaço inclusivo. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999b.
______. Como formar professores para uma escola inclusiva. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999c.
MACHADO, Fernanda. O professor e a inclusão. Monografia de especialização em Educação Especial. Maceió: UFAL, 2000.
MACHADO, Luiz Alberto. Educação por água abaixo. Jornal Gazeta de Alagoas. Opinião, p. 4, edição 16/08/1997.
MANTOAN, Maria Tereza Egler. Todas as crianças são bem-vindas à escola. Campinas: LEPED/FE/Unicamp, 2001.
MELLO, Guiomar Namo. Cidadania e competitividade: desafios educacionais do terceiro milênio. São Paulo: Cortez, 1998.
MERCADO, Luís Paulo Leopoldo. Formação continuada de professor e novas tecnologias. Maceió:Edufal, 1999.
RODRIGUES, David (Org.). Educação e diferença: valores e práticas para uma educação inclusivA. Porto: Porto, 2001.
SANTOS, Monica Pereira. A família e o movimento pela inclusão. In: Educação especial: tendências atuais. Brasilia: MEC/SEED, 1999.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Educação para o trabalho e a proposta inclusiva. In: Educação especial: tendências atuais. Brasília: MEC/SEED, 1999.
YUS, Rafael. Temas transversais. Porto Alegre: Artmed, 1998.


APRENDIZAGEM – A aprendizagem é o processo por meio do qual a experiência e a prática geram uma alteração relativamente permanente no comportamento efetivo ou potencial. Do ponto de vista do desenvolvimento, o conhecimento humano reúne as habilidades que se acumulam durante toda vida. Em vista disso, a aprendizagem é interativa porque ocorre por meio da interação ativa com o ambiente, sendo, portanto, a maneira pela qual se dá a capacidade de uso de aprendizagens anteriores que dependem de circunstancias atuantes no momento presente. CONDICIONAMENTO REFLEXO, CLÁSSICO OU RESPONDENTE – Também denominado de reflexo aprendido, foi criado pelo fisiologista russo Ivan Pavlov, é um tipo de aprendizagem associativa e é seletivo deixando evidenciado que para que ele ocorra são necessários repetidos emparelhamentos. O condicionamento clássico é usado para modificar uma reação indesejada. Os intervalos são importantes para estabelecer uma resposta condicionada. O emparelhamento intermitente se dá quando ocorre um estímulo condicionado (EC) e um estímulo não condicionado (ENC), reduzindo tanto a velocidade de aprendizagem como a intensidade final da resposta. John Watson utilizou-se desse tipo de condicionamento para tratar do pequeno Albert. Mary Cover Jones demonstrou uma maneira de perder os medos pelo método utilizado por Watson. Ela foi pioneira nesse procedimento ao emparelhar a temida imagem de um rato com o agradável ato de comer doces. Joseph Wolpe adaptou o método de Jones para tratamento de certos tipos de ansiedade, deduzindo que os medos irracionais são aprendidos ou condicionados, também podem ser desaprendidos por meio do condicionamento. Esse procedimento gerou a terapia da dessensibilização. Essa teoria compreende o sistema de profundo relaxamento muscular, elaborando uma lista de situações que instigam diversos graus de medo ou ansiedade, que vão desde as intensamente produzidas até as que são pouco assustadoras. Martin Seligman concebeu o conceito de predisposição, segundo o qual algumas coisas imediatamente se tornam estímulos condicionados a reações de medo porque possui predisposição biológica para aprender essas associações. Por meio desse conceito ele explica o fato de certas respostas condicionadas serem adquiridas tão facilmente. A facilidade com a qual se desenvolve a aversão condicionada ao sabor, ilustra a ocorrência da predisposição. Assim, a aversão ao sabor é a sensação de náusea ou repulsão que são adquiridas de forma muito rápida. Também denominado de Efeito de Sauce Bearnaise por Martin Seligman, basta um emparelhamento de um sabor com o mal estar para que ele seja evidenciado. CONDICIONAMENTO OPERANTE OU INSTRUMENTAL – Esse tipo de condicionamento consiste em aprender a emitir ou a inibir uma certa resposta em razão das consequências que ela pode ter. os comportamentos operantes são diferentes das respostas envolvidas no condicionamento clássico porque são emitidos voluntariamente, ao passo que estas são produzidas por estímulo. Edward Lee Thorndike concebeu a abordagem experimental denominada de Conexionismo, evidenciando conexões entre estímulos e resposta (E – R), alegando que a aprendizagem envolve uma reflexão inconsciente, utilizando-se de uma caixa-problema para demonstração de sua teoria. A sua conclusão levou ao entendimento de que tendências de respostas mal sucedidas tornam-se menos frequentes, enquanto as de êxito eram incorporadas. LEI DO EFEITO – Para Thorndike, essa lei compreende que todo ato que atua numa dada situação produz satisfação, ficando associada a essa situação, de maneira que quando a situação se repetir, o ato terá maior probabilidade de novamente ocorrer. As conexões E – R são fortalecidas se forem seguidas de recompensas e enfraquecidas se acompanhadas de punição. Inversamente, se causa desconforto terá maior probabilidade de não se repetir. LEI DO EXERCICIO OU DE USO E DESUSO – Segundo essa lei, toda resposta dada numa situação particular fica associada a essa situação. Quanto mais usada, mais fortemente a resposta associada. Inversamente, o desuso prolongado da resposta, enfraquece a associação. A melhoria só ocorre se for seguida de uma informação retroativa positiva ou recompensa. A pratica sem conhecimento das consequências do ato não possui efeito sobre a aprendizagem. INSIGHT E MÉTODO TOP-DOWN - Wolfgang Kohler estudou macacos antropoides sobre a capacidade de resolução de problemas dos chipanzés. As soluções exigiam o método indireto, o experimento denominado de insight dos chipanzés. O insight é a habilidade para conceituar um problema de um modo único que permita a resolução. A solução do problema era empilhar caixotes colocando um sobre o outro até alcançar o cacho de banana. O método top-down enfatiza a natureza estruturada, planejada e conceitual em vez da tentativa e erro. A aprendizagem anterior pode ser frequentemente utilizada para ajudar a solução de problemas por insight, tendo sido demonstrado por Harry Harlow que concluiu a atividade de aprender a aprender, estabelecendo um contexto de aprendizagem relacionada ao problemas. A aprendizagem por insight é particularmente importante para os seres humanos que precisam aprender não apenas coisas corriqueiras, mas também das ideias éticas e culturais tão complexas quanto o valor do trabalho árduo, a ajuda ao próximo, entre outros. Outros importantes nomes do condicionamento instrumental foram Hull, Tolman, Spence e Skinner. Foi Edward Chace Tolman um dos pioneiros da aprendizagem cognitiva, argumentando que não é necessário exibir a aprendizagem para que ela tenha ocorrido. Ele batizou de aprendizagem latente a aprendizagem que não é aparente porque ainda não foi demonstrada. Essa aprendizagem encontra-se armazenada internamente a ainda não reflete no comportamento. Os psicólogos propuseram que esse tipo de aprendizagem fica armazenado sob a forma de uma imagem mental, ou mapa cognitivo. Quando chega o momento adequado, o sujeito é capaz de se lembrar da imagem armazenada e colocá-la em uso. REFORÇO – É um tipo de consequência do comportamento que aumenta a probabilidade de determinado comportamento se repetir. Relação entre o organismo e o ambiente na qual o organismo emite uma resposta por meio do comportamento e produz alterações no ambiente. O reforço são estímulos cuja apresentação aumenta a probabilidade de um comportamento. Quando uma consequência aumenta a probabilidade de ocorrência de um comportamento operante, é chamada de reforçadora. Quando diminui essa probabilidade é chamada de punidora. Essas relações constituem a base da lei do efeito ou princípio do reforçamento, considerando que comportamentos sempre recompensados têm grande probabilidade de se repetir, ao passo que comportamento sempre punidos tendem a ser eliminados. Os reforçadores positivos aumentam a probabilidade de ocorrência de um comportamento por adicionar algo recompensador à situação. Os reforçadores negativos provocam o mesmo efeito ao subtrair da situação algo desagradável. Quando uma ação é imediatamente seguida de um reforçador, tendemos a repeti-la, mesmo que ela não tenha, na verdade, produzido esse reforço. Tal comportamento é chamado de supersticioso. A punição é caracterizada por qualquer evento que diminua a probabilidade de nova ocorrência do comportamento que o precede. Às vezes, depois que a punição é aplicada algumas vezes, não é necessário continuá-la porque a simples ameaça de que ela venha o ocorrer é suficiente. Esse processo é chamado de treinamento de esquiva. A contingencia é a possibilidade de que algo se realize ou não, sendo, portanto, uma eventualidade, acaso, casualidade, possibilidade. No condicionamento operante, as contingências ocorrem entre as respostas e as consequências. As contingências entre repostas e crecompensas são chamadas de esqueças de reforçamento. A contingência de reforço ocorre quando as alterações no ambiente aumentam a probabilidade do comportamento que as produzem voltar a ocorrer na relação do organismo e o meio. A contingência de três termos é a unidade básica do controle do comportamento operante. Fórmula: estímulo discriminativo – resposta – consequência. Na contingência tríplice todos os comportamentos operantes, do mais simples, ao mais complexo, são analisados de acordo com a contingencia tríplice: uma ocasião, uma resposta e uma consequência. Fórmula: O – R – C. Os tipos de estímulos são neutro, condicionado e incondicionado. Possuem relação com o comportamento e as características físicas ou a natureza de um estimulo não podem qualifica-lo como reforçador. Para determinar um reforço ou reforçador deve-se considerar a relação entre o comportamento e a consequência, bem como se ela afeta um determinado comportamento no aumento de sua possibilidade de ocorrência. Os tipos de reforço são naturais e artificiais. Os naturais são aqueles em que a consequência reforçada é um produto direto do próprio comportamento. Os artificiais ou arbitrários são aqueles em que a consequência reforçada é um produto indireto do comportamento. Os efeitos do reforço são aumentar a frequência de um comportamento reforçado, diminuição da frequência de outros comportamentos e diminuição da variabilidade na topografia (forma) da resposta do comportamento reforçado. No processo de modelagem o reforço ocorre por meio de aproximações sucessivas em relação à resposta desejada. O determinante do comportamento operante é a sua consequência que não ocorre no vácuo, os eventos antecedentes também influenciam a probabilidade ocorrência de um comportamento operante. Estímulos associados ao reforço aumentam a probabilidade do comportamento ocorrer quando apresentado e os estímulos que sinalizam a extinção ou punição diminuem sua ocorrência. Assim o comportamento operante é aquele que produz mudanças no ambiente e que é afetado por eles. O comportamento operante discriminado é aquele que se emitidos em um determinado contexto, produzirão consequências reforçadoras. A discriminação operante é o processo comportamental básico no qual as respostas específicas ocorrem apenas na presença de estímulos específicos. No condicionamento discriminado o estimulo fornece contexto, dando chances para que a resposta ocorra. CONTROLE DE ESTÍMULOS – O ambiente apenas altera a probabilidade de ocorrência do comportamento. Assim, o controle de estímulos refere-se à influencia dos estímulos antecedentes sobre o comportamento, considerando-se o efeito que o contexto tem sobre o comportamento. Os estímulos discriminativos são os estímulos que são apresentados antes do comportamento e controlam sua ocorrência. Sinalizam que uma dada resposta será reforçada. Os estímulos delta sinalizam que uma resposta não será reforçada, sinalizando indisponibilidade do reforço ou extinção. O treino discriminativo consiste em reforçar um comportamento de um estímulo discriminativo e extinguir a presença de um estímulo delta, chamando-se reforçamento diferencial. Um controle discriminativo de estímulos é estabelecido quando determinado comportamento tem alta probabilidade de ocorrer na presença de um estímulo discriminativo e baixa probabilidade na presença de estímulos delta; APRENDIZAGEM COGNITIVA – Essa aprendizagem se refere aos processos mentais que acontecem no interior do ser humano quando aprende algo. A aprendizagem latente é qualquer conhecimento adquirido que ainda não foi demonstrado no comportamento. Um dos tipos de aprendizagem latente é o conhecimento da disposição espacial e das relações, que geralmente fica armazenado sob a forma de um mapa cognitivo. Um contexto de aprendizagem é um conceito ou procedimento que fornece a chave para a resolução de um problema, mesmo quando as exigências do problema sejam ligeiramente diferentes das exigências daqueles que já foi resolvido no passado. Os teóricos da aprendizagem social argumento que se aprende muito por meio da observação de outras pessoas que servem de modelos de comportamento ou simplesmente escutando algo. Esse processo é chamado de aprendizagem por observação ou vicária. O principal propositor da teoria da aprendizagem social é Albert Bandura que se refere como teoria cognitiva social. Essa teoria dá ênfase às expectativas, aos insights e às informação ampliando a compreensão sobre como as pessoas aprendem. De acordo com ela, os seres humanos empregam sua capacidade de observação e pensamento para interpretar suas próprias experiências, bem como as de outras pessoas, ao decidir seu modo de agir. Essa importante perspectiva pode ser aplicada à aprendizagem de muitas coisas diferentes, desde habilidades e tendências comportamentais até atitudes, valores e ideias. Veja mais aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 2002.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
MORERIA, Marcio; MEDEIROS, Carlos. Princípios básicos de análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna.São Paulo: Cengage Learning, 2012.


PENSAMENTO DO DIA - [...] o pecado capital da escola pública maldirecionada: assume o compromisso de ensinar toda a população a ler, mas cumpre o compromisso pela metade. Os alunos chegam a ler, mas apenas decodificando os textos, sem alcançar a compreensão verdadeira nem, muito menos, a capaciade de crítica. Iludem-se com o que lêem, porque está impresso, aceitam tudo que vêem escrito, não são autônomos diante do texto. [...] Trecho extraído de Ler para aprender: desenvolvimento de habilidades de estudo (EPU, 1992), da professora Olga Molina.

PROJETO ESCOLA – [...] ser democrático, no sentido de considewrar que os integrantes da ação educativa são capazes de assumir o processo de transformação da educação escolar, sob a ótica dos interesses das camadas majoritárias da população; ser abrangente, significando que todos os integrantes e os diversos componentes da organização escolar sejam avaliados; a atuação do professor e de outros profissionais da escola; os conteúdos e processos de ensino; as condições, dinâmicas e relações de trabalho; os recursos físicos e materiais disponíveis; a articulação da escola com a comunidade; ser participativo, prevendo a cooperação de todos, desde a definição de como a avaliação deve ser conduzida até a análise dos resultados e escolha dos rumos de ação a serem seguidos; ser contínuo, constituindo-se efetivamente em uma prática dinâmica de investigação que integra o planejamento escolar em uma dimensão educativa. Trecho extraído da tese de doutoramento sobre a temática Avaliação da apredizagem: natureza e contribuições da pesquisa no Brasil, no período de 1980 a 1990, apresentada à USP, em 1994, por Sandra Zákia Lian Sousa.

EDUCAÇÃO COMPENSATÓRIA – [...] programas acabam colocando sob a responsabilidade da educação uma série de problemas que não são especificamente educacionais, o que significa, na verdade, a persistência da crença ingênua no poder redentor da educação em relação à sociedade. Assim, se a educação se revelou incapaz de redimir a humanidade através da ação pedagógica, não se trata de reconhecer seus limites, mas de alargá-los: atribui-se então à educação um conjunto de papés que, no limite, abarcam as diferentes modalidades de política social. A conseqüência é a pulverização de esforços e de recursos com resultados paraticamente nulos do ponto de vis propriamente educacional. Trechos extraídos da obra Escola e democracia (Autores Associados,2008), do filósofo e pedagogo Dermeval Saviani. Veja mais aqui e aqui.


O SENHORCarta a uma jovem que, estando em uma roda em que dava aos presentes o tratamento de “você”, se dirigiu ao autor chamando-o de “o senhor”: - Senhora – Aquele a quem chamastes senhor aqui está, de peito magoado e cara triste, para vos dizer que senhor ele não é, de nada nem ninguém. Bem o sabeis, por certo, que a única nobreza do plebeu está em não querer esconder sua condição e esta nobreza tenho eu. Assim, se entre tantos senhores ricos e nobres a quem chamáveis “você” escolhestes a mim para tratar de “senhor”, é bem de ver que só poderíeis ter encontrado essa senhoria nas rugas de minha testa e na prata de meus cabelos. Senhor de muitos anos, eis aí, o território onde eu mando é no país do tempo que foi. Essa palavra “senhor”, no meio de uma frase, ergueu entre nós dois um muro frio e triste. Vi o muro e calei. Não é de muito, eu juro, que me acontece essa tristeza; mas também não era a vez primeira. De começo eram apenas os “brotos” ainda mal núbeis que me davam senhoria; depois assim começaram a me tratar as moças de dezoito a vinte, com essa mistura de respeito, confiança, distância e desprezo que é o sabor dessa palavra melancólica. Sim, eu vi o muro; e, astuto ou desanimado, calei. Mas havia na roda um rapaz de ouvido fino e coração cruel; ele instou para que repetísseis a palavra; fingistes não entender o que ele pedia e voltastes a dizer a frase sem usar nem “senhor”, nem “você”. Mas o danado insistiu e denunciou o que ouvira e que, no embaraço de vossa delicadeza, evitáveis repetir. Todos riram, inclusive nós dois. A roda era íntima e o caso era de riso. O que não quer dizer que fosse alegre; é das tristezas que rimos de coração mais leve. Vim para casa e como sou um homem forte, olhei-me ao espelho; e como tenho minhas fraquezas, fiz um soneto. Para vos dar o tom, direi que no fim do segundo quarteto eu confesso que às vezes já me falece valor “para enfrentar o tédio dos espelhos”; e no último terceto digo a mim mesmo: “Volta, portanto, a cara e vê de perto – a cara, a tua cara verdadeira – ó Braga envelhecido, envelhecido.” Sim, a velhice é coisa vil; Bilac o disse em prosa, numa crônica, ainda que nos sonetos ele almejasse envelhecer sorrindo. Não sou Bilac; e nem me dá consolo, mas, tristeza pensar que as musas desse poeta andam por aí encanecidas e murchas, se é que ainda andam e já não desceram todas à escuridão do túmulo. Vivem apenas, eternamente moças e lindas, na música de seus versos, cheios de sol e outras estrelas. Mas a verdade (ouvi, senhora, esta confissão de um senhor ido e vivido, ainda que mal e tristemente), a verdade não é o tempo que passa, a verdade é o instante. E vosso instante é desgraça, juventude e extraordinária beleza. Tendes todos os direitos; sois um belo momento da aventura do gênero humano sobre a terra. Detrás do meu muro frio eu vos saúdo e canto. Mas ser senhor é triste; eu sou, senhora, e humildemente, o vosso servo. Extraído da obra 200 crônicas escolhidas (Record, 1986), do escritor Rubem Braga (1913-1990). Veja mais aqui e aqui.

VERBO CRACKAR - Eu empobreço de repente / Tu enriqueces por minha causa / Ele azula para o sertão / Nós entramos em concordata / Vós protestais por preferência / Eles escafedem a massa. / Sê pirata / Sede trouxas / Abrindo o pala / Pessoal sarado / Oxalá eu tivesse sabido / Que esse verbo era irregular. Extraído de Memórias sentimentais de João Miramar (Civilização Brasileira, 1978), do escritor Oswald de Andrade (1890-1954). Veja mais aqui.


LIBELO/A PRIMAVERA DE GINSBERG/ANÁTEMA
Letra & Música de Luiz Alberto Machado

LIBELO

O que é legal?
O que é legal?
O que é legal?
O que é legal, porra?!!!!?

Está inscrito no artigo primeiro dos princípios fundamentais da Constituição da República Federativa do Brasil que:
A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.


O que é legal?
O que é legal?
O que é legal?
O que é legal, porra?!!!!?

Está inscrito no artigo quinto todos os direitos e deveres individuais!


E o que é legal?
O que é ilegal?
O que é ilegal?
O que é ilegal, porra?!!!!?

Ilegal é a saúde pública em petição de miséria!
A educação pública falida!
A Administração Pública corrupta!
A segurança pela hora da morte!
A justiça ineficiente!

Isso é ilegal!
Isso é ilegal!

Onde a dignidade humana?
Onde o exercício de cidadania?

O que é ilegal?
O que é ilegal, porra!!!!


A PRIMAVERA DE GINSBERG
(fragmento)

(...)
Nunca consultando a Constituição pelos atos de exceção ou disposições transitórias que mais confundem já dos tantos artigos e parágrafos dúbios de códigos civis ou penais ou sei lá mais, qual gramática complicada – para que tanta lei, me Deus, se apesar da compulsoriedade jamais será cumprida!!

Ou que por eloquência nossa, mais fácil falar a língua do inimigo como se nada tivesse acontecido;

Ou que por superioridade nossa no meio dessa misturada doida, prescindiríamos de leis e governos;

Ou que por universalidade nossa, adaptaríamos nossa vida à todas do planeta numa carnavalizante existência;

Ou que por sapiência nossa, misturaríamos de tudo para traduzir o sumo do bom e do melhor nos esquecendo da excrescência noturna com que alicerçamos nosso ontem, enlameamos nosso hoje e fabricamos um infecto amanhã;

Qual nada

Se todos os ardis nos iludem na página rotineira de uma novela televisiva;

Se todos os escroques nos remetem aos apuros com malabarismos sentimentais;

Se a todo momento expomos a mão à palmatória num vexame bisonho;

E isso nada tem haver com nosso bocejo perene, oh! plebe ignara!

Chamo de gato ao gato
E ao governante de patife!

Cada qual cuide de si

Pois todos os banquetes do palácio estão regados com nosso sangue de vítimas desmioladas, presas fáceis dos falastrões incorrigíveis, de gestos fesceninos, adeptos de gestapos e fiéis de Gog e Magog;

Qual nada

Cultivemos então nosso orgulho majestoso do jeitinho para tudo, jogando uma bola fenomenal e flertando a bundinha daquelas que seguem para a praia a procura de uma noite por maior prazer, beldades de uma geografia anatômica capazes de esbugalhar os olhos dos mais insensíveis;

Cultivemos nosso orgulho pelos bens adquiridos através do processo de Felipe da Macedônia, felizes por dar uma marretada no otário que sai todo dia de casa com um chapéu que é a porrada da ocasião, da tapeação e ainda sorrir por haver lesado um imbecil;

Pelos presentes de Artarxerxes aos nossos desafetos, fofoqueiros que se metem em tudo como um azarão a nos perseguir;

Pelos que fazem política como pó de Pirlimpimpim e nos conduzem numa nau à deriva, sabe lá, Deus, para onde!!!!

Pelos tolos que cumprem as leis violadas pelos sabidos;

Pelas leis que fazem vista grossa nas dilapidações e nos dão essa segurança de impunidade na rua;

Pelas leis que vão até onde o rei falso quiser – toda lei na mão do feitor!

Pelos que fazem a guerra e ainda se arvoram na petulância de anunciar que o fazem por amor à humanidade, filhos da puta!

Pelos que vivem de julgar a todos segundo seu próprio juízo e vomitam razões esquálidas na mais sectária das visões;

Pelos ambidestros sobre as farândolas dos falidos que cultuam o carnaval para se esbaldar da nossa desgraça e mangar da nossa besteira por santificá-los como bem sucedidos, quando não passam de um vesano sobre os nossos detritos e suas diatribes;

Pelos rabagás, os tais déspotas, cultores de tudo na base do balão de ensaio, postulantes às tendas de meninas fiéis católicas, que mal geram filhos e negam os peitinhos empinados para que não lhe caiam até a barriga desagradando seu patrão;

Por esta multidão andrajosa a exibir suas deformidades, dormindo no ponto, sequer desconfiando da sede do abismo com um riso banguela na hora mágica do gol;

Por essa gente que gosta de tanger gente na maior sem cerimônia;

Por essa gente que leva a riqueza dos outros na pontinha do dedo sem o menor rubor;

Pela história mentirosa que se ensina e a vergonhosa que segreda, quando aqui fenícios deixaram indícios suméricos mais valiosos na pré-cabrália e ninguém se deu conta do que seria, por isso deu no que deu!

• Será, então, um deus moreno, com um olhar tropical, indevidamente preterido, esperando, esperando, esperando por um novo milagre? ah! Para tanto há milagre de abril, cor anil, tão sutil, para ser hostil, com mentiras mil, ah!!!

• Ah! Se um Frínico tivesse aqui o poema da comoção popular!!!

A terra é redonda
E ainda, assim, cagam pelos quatro cantos de mundo!!

(...)
Mas podemos ainda felizes sambar nas praias do nosso lindo litoral nem nos dando conta de tais leviatãs

E ainda podemos sorver uma cerveja gelada no boteco da esquina sem nos incomodar com as cambadas e confrarias de nada no conluio dos interesses;

E ainda gritar de emoção num lance de gol desconhecendo enxames, matilhas ou pragas ou quadrilhas ou súcias ou varas ou glutões ou vilões dos nossos congressos, legiões de algozes duma ação de verdugos com bocarras exuberantes e seus guinchos de sanha aracnídeas, inimicíssimos de nós meridionais;

E ainda podemos remexer o esqueleto na Marquês de Sapucaí, pisando nossos remorsos, aplaudindo lúculus e gangsters e facínoras que financiam as atrofias das nossas vontades!!!!!

E ainda podemos melar os pés no pantanal mato-grossense, desconsiderando homicidas sobre os incipientes lerdos inofensivos que não tem nem deus nem nada para se amparar!!!!

E ainda podemos singrar as águas do São Francisco sem sabermos que somos verdadeiros suicidas na absolvição dos infratores no centro de uma hemorragia de idólatras no urinol!!!!

E ainda podemos passear pelas ruas de Olinda sem prevermos da gatunagem dos que se dizem dermatóglifos de nossa missão, quiromantes do nosso destino, redentores do nosso sofrimento, puta-que-o-pariu!!!!

Quem somos além de usuários de um reino diáspora com falcões nos plenários a nos mostrar o homem e o seu lobo, o predador e a sua presa, o desigual do forte sobre o fraco, deus meu?

Só a poesia tornará a vida suportável!!!!!!!!


ANÁTEMA


Pelo meio do mundo afora
pelo jeito que for e será
pelos ermos caminhos embora
e nos abismos me extasiar
ver o dia vir nascer das mãos
ver o sol se deitar nos olhos
é o meu destino de qualquer pagão
no sereno da noite me molho
e enxugo a pele
não me dera a vida uma escolha
e por sentir amada
na paixão minada, viver
pelo equívoco de quem desama
repudiando deus e todo mundo
vociferando o verso que a veia inflama
num anátema jamais profundo
pelo de dentro e o que vem de fora
pelo embuste que segreda a farsa
procuro pelo que evadiu agora
e no frigir já não vale mais nada
e a pancada insólita
se alastra na culatra
e não foi feita só de mera viva cortesia,
viver
não me resta aqui dizer mais nada
isso é página virada
precisa só viver

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.



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