segunda-feira, junho 26, 2017

GILBERTO GIL, TCHELLO D’BARROS & BIRITOALDO VAI AO INFERNO

BIRITOALDO VAI AO INFERNO - Biritoaldo, como sempre, em palpos de aranha. Que coisa! Ah, se tem uma coisa líquida e certa na vida dele, só uma, é que ele é o revestrés em pessoa: consegue ser o erro do errado, incorrigível, sempre em apuros. Desta! Devotou santo de todo hagiológio, rezou e se sacrificou de todo jeito, imprimiu todo tipo de auto-sofrimento para alcançar a graça e nada. Recorreu a todo tipo de fé religiosa, até as mais heterodoxas, e deu de cara com a igreja do maldito. Oxe! Ta doido!?! Deu um carreirão danado de quase bater no fim do mundo e, sem saída, ficou sem saber pra onde ir. Chorou, esmurrou sua própria face e peito, destruiu-se e não conseguiu ver nada além de suas próprias cinzas. Amaldiçoou-se aos prantos. Quanto mais determinado em seguir adiante, ir em frente, mais parecia que andava às voltas feito parafuso de não sair do lugar de antes: oxe! Quanto mais ando, não saio do lugar. Vôte! Havia esgotado todos os recursos, tinha procurado padrinho de batizado, de crisma, de consideração, até de ocasião, voltou com as mãos abanando da casa de supostos parentes, sabia não tê-los, mas deu uma de João-sem-braço. Que é que há, hem? Quanto mais engato primeira, mais parece que estou em marcha à ré! Depois de pelejar de todo jeito, perdeu a paciência: já que por bem não saio do canto, vou pro outro lado. E seguiu todas as instruções, chegando numa encruzilhada e mandou ver na oração da cabra preta. Logo ocorreu uma transformação ao seu redor: que porra é essa, meu? Arrependeu-se e quis correr, mas foi contido por uma força superior e estranha: que droga é nova, hem? Quis dar pra trás, já era tarde; invocou, lascou. E agora? Já que está dentro, deixa rolar. E foi. Estava atento quando levou uma dedada de quase arrebentar as pregas do furico: epa! Virou-se e deu de cara com um sujeito posudo, meia idade, sisudo, embecado, risinho no canto da boca: está mangando de mim, né, desgraçado? O que você quer, inútil? O riso falso com dentes cerrados, todo engomadinho, educadíssimo na grãfinagem, era visível seu fingimento, olhar de lobo pronto para devorar a presa, um jeito assaz desconfiável. Quanto mais se aproximava e falava, mais previa a armadilha: o que você quer, ínfimo? Isso é um desacerto! Diga, alma penada, o que quer? Eu quero mudar de vida. Viu apenas um estalar de dedos e estava no centro de um caleidoscópio: tudo sucedia, cenas, lembranças, acontecimentos, tragédias, tudo que ocorrera na vida, ali repassado em um instante de nada, a vida toda em questão de segundos. Olhos arregalados, sem entender nada, de queixo caído. Tremendo, conseguiu balbuciar que a sua vida era um inferno, quero mudar de vida, quero ir pro céu. É verdade, sua vida é o inferno, veja! Êpa! E viu: isso aí sou eu e é a minha vida! Exatamente! Foi ai que ele viu que sua alma não valia nada, coisa alguma: se vivo no inferno, onde mesmo que fica o céu? O céu não existe. Quem é você? Sou o que você quiser! Sou Jesus, Drácula, Nosferatu, Cabrunco, Coisa-Ruim, Salvador, Deus, o que você quiser. Escolha. Quero mudar de vida, quero ser rico, feliz, tudo, mas você não me engana. É? É. Veja! E aquela coisa obrou milagres de todo jeito, assim do nada. Está vendo aquele aleijado, veja! Venha homem de pouca fé! Jogue fora a muleta! Não posso. Obedeça, homem de pouca fé. Temeroso, ele soltou a muleta e num instante estava curado. Viu? Sou bondoso, curo, salvo. Também sou sanguinário, veja! Apontou para baixo e a cidade aos poucos incendiava, ouvindo-se gritos e lamúrias, a fumaça com o fedor de carne queimada. Está vendo aquela mulher linda? Sim. Vou sangrá-la! Veja! E puxou a beldade pelos cabelos e, na marra, encarcou com força, ela aos gritos sangrou, desfaleceu e morreu. Agora veja! Em seguida, tocou nela com um dos dedos e ela levantou-se, ilesa, lindamente encantadora e apaixonada, beijando as mãos dele, agachando-se a beijar seus pés com lambidas, ajoelhando-se para cheirar seu sexo como uma insaciável. Viu? Estalou os dedos e ela sumiu. Está vendo aquele, veja! Oxe! Lá ia o sujeito caminhando na boa, de repente, agarrou-se à barriga com uma diarréia incrível, de ver-se a merda escorrer saindo pelas bocas da calça até faze uma poça de merda rala no chão, numa catinga desgraçada. Estalou o dedo, tudo sumira. Está vendo aquela rainha? Vou destroná-la e tomar o lugar dela. Veja como serei amado por todos os súditos, vou espremê-los, torcê-los, matá-los aos poucos e ainda vão me adorar, veja! Assim fez e aconteceu. E depois fez a terra girar ao contrário e vi o dia de ontem, o ano passado, tudo de novo. E fechou o céu em noite escura de breu, relâmpagos, trovões. Com um estalar dos dedos, abriu-se tudo e o sol brilhava num dia azulado sem nuvens. Tenho poder, incrédulo? Provei? Agora é a sua vez, mequetrefe. Oxe! Eu quero é mudar de vida! Ah, você quer sofrer ou ser feliz pra sempre? Escolha! O que faço? Trabalhe pra mim e me prometa a alma do primogênito. Como assim? A sua alma não serve mais pra nada, tem que ser a do primogênito. Ah, tá! Melhor, me livrei dessa! Você terá que propagar que sou o melhor, falar em meu nome sempre de bem, trabalhar pra mim e assim com um templo em meu nome você enricará, se casará, será feliz, e quando o primeiro filho nascer, ele será meu. Só isso? Prometa! Dê-me cá seu dedo, vá, um talho e o pacto de sangue, vamos! Agora prometa com seu sangue e tudo será seu! Peraí, meu sangue assim de graça? Ora, ora. Você quer ou não quer mudar de vida? Um talho no dedo e dou de cara um bilhete premiado da loteria, documentos, chaves de muitos carros e casas, palacetes, templos, reinado, súditos e mulher, muitas mulheres, quer? Se quiser, ainda faço de você um Johny Depp! Vai dar trabalho, mas nada comigo é impossível! Na vera? Ora, ora! Quer ou não quer? Assim procedeu conforme o ajustado. Fez pregação, comícios, logo arregimentou almas pro seu culto, enriqueceu, casou e viveu feliz, o tempo passava. A cada dia mais trilionário, até o dia que a mulher engravidou, o bucho cresceu e, na horagá, quase não deu tempo de chegar na maternidade, o bruguelo saindo às pressas. Na hora do parto, ele nem se lembrava mais do pacto, quando deu de cara com o cobrador: o que é que você está fazendo aqui? Hora de cumprir a sua parte do trato. Vamos. Oxe, eu já tinha me esquecido, vamos conversar que mudei de ideia. Agora é tarde. Não, rapaz, que é que isso? Vamos conversar, pra tudo tem jeito na vida. Não brinque comigo, seu traste. De repente tudo escureceu. Ao abrir os olhos, ouviu uma lorota: tomou uma, hem? Onde estou? E eu é que sei? Você toma das suas, fica variando e ainda fica perguntando onde é que está? Baixou a cabeça, mãos agitando os olhos para enxergar melhor, era uma senhora idosa, futucando com um cajado. Eita! será uma bruxa? Vai, levanta, dormir no meio da rua embriagado é coisa feia, vagabundo. Vai-te, xô! Mas Dona Véia... véia é a puta que pariu! Ufa! Escapei dessa fedendo. Será? Tenho que fazer o teste da goma. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


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Quem desiste jamais saberá o gosto de qualquer vitória, A linguagem & as outras ciências de Roman Jakobson, Nos caminhos de Swan de Marcel Proust, a pintura de Henry Asencio, a arte de Regina José Galindo, a fotografia de Thomas Karsten, Tortura nunca mais, a música de Secos & Molhados & Luiza Possi aqui.

E mais:
Proezas do Biritoaldo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Se nada acontecesse, nada valeria, A opinião pública & publicada de Michel Maffesoli, O escritor e seus fantasmas de Ernesto Sábato, a música de Gilberto Gil, a pintura de Edvard Munch & Howard Chandler, Beatriz Segall, o cinema de Eliane Caffé, a fotografia de Ludovic Florent, a arte de Isabel Câmara & Leo Lobos aqui.
Novelas de aprendizado de Autran Dourado, Tônio Kroeger de Thomas Mann, a música de Gilberto Gil, Luiza Possi & Celia Demézio aqui.
Educação, professor & inclusão, Emir Ribeiro & Velta aqui.
Estratégias de aprendizagem aqui.
Papel do professor na aprendizagem aqui.
A arte de Maria Dapaz aqui.
Vamos aprumar a conversa: Fernando Fiorese, Pensamento complexo de Edgar Morin, O pirotecno Zacarias de Murilo Rubião, As criadas de Jean Genet, o cinema de Rainer Werner Fassbinder & Hanna Schygulla, a música de Alanis Morissete, a arte de Marilyn Monroe & a pintura de Thomas Gainsborough aqui.
Pax Profundis de Cagliostro, Arte & Gestalt de Janie Rhyne, A teus pés de Ana Cristina César, O professor filósofo de Marquês de Sade, Beijo no asfalto de Nelson Rodrigues, a coreografia de Márcia Haydée Salavarry Pereira da Silva, a pintura de Darel Valença Lins, a música de Bicho de Pé & Programa Tataritaritatá aqui.
Uivo & outros poemas de Alllen Ginsberg aqui.
Do que fui pro que sou, Borges e os orangotangos eternos Luís Fernando Veríssimo, Moby Dick de Herman Melville, o cinema de Matheus Nachtergaele & Xico Sá, Novíssima arte brasileira de Katia Canton, a pintura de Andre Kohn, a música de Robertinho de Recife & a arte de Simone Gutierrez aqui.
Da inocência e da injustiça milenar, A crise do entendimento de Maurice Merleau-Ponty, Histórias do tempo de Lya Luft, a música de Yo-Yo Ma, o cinema de Milos Forman & Natalie Portman, a cerâmica de Deise Furlani, a pintura de Patrick Palmer, a arte de Oswaldo Guayasamin & Ilya Kabakov aqui.
Se um dia o sonho da vez, Os nascimentos de Eduardo Galeano, Expressões sistemática de Gilbert Ryle, a poesia de Elizabeth Bishop, a gravura de W. G. Collingwood, a arte de Rosa Esteves & Carla Shwab, a pintura de Lavinia Fontana, a música de Dandara & Paulo Monarco aqui.
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HUMANIDADES EXTEMPORÂNEAS: TCHELLO D’BARROS
A arte do poeta, artista plástico e ator catarinense Tchello D´Barros. Veja mais aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: GILBERTO GIL
Especial do premiado músico, cantor, compositor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, nomeado pela UNESCO em 1999 como Artista pela Paz. Imagem: arte da pintora, designer e cantora Leonora Weissmann. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


PS: A MÚSICA DE ALAGOAS – Foi um sucesso o Especial Música de Alagoas, no último domingo, com músicas de Hermeto Pascoal, Djavan, Íbys Maceioh, Mácleim, Júnior Almeida, Cris Braun, Naldinho Freire, João Albrecht, Elaine Kundera, Basílio Sé, Leureny Barros, Eliezer Setton & Carlos Moura. Mais de 3 mil acessos e, por isso, alcançamos a marca dos mais de 1 milhão 670 mil acessos! Obrigado aos artistas alagoanos que desfilaram e a todos vocês que prestigiaram mais uma iniciativa deste blog. Obrigado, obrigado, obrigado. Vamos sempre juntos, beijabraçãos paratodos & tataritaritatá!

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sábado, junho 24, 2017

PRA QUEM VEM OU VAI, MESMO CAMINHO, DIFERENTES VIVÊNCIAS.

PELAS RUAS ONDE ANDEI - Bom dia, não há resposta. Insisto e sou ignorado, como se o desdém não recebesse migalhas ou ninharias. Cumprimento e ouço a resposta inaudita estampada na face: eu lá te conheço, traste! Depois de muitas investidas, uma linda garota corresponde ao meu sorriso; saúdo alegremente e ela estranha: sai-te, parece mais que é doido! E se perde no meio do vaivém das pessoas. Ofereço o meu olhar de quem espera e todos se desviam como se estivessem entre o absurdo e a surpresa. Ofereço uma flor e se desvencilham. Dou minha repleta de carinho e ternura, tem esmola agora não! Abro os braços: qualé, meu? Ou desculpas pra escapulir, ou evasivas breves só por gentileza e simpatia, mais nada. Dias assim, de norte a sul, leste a oeste, será que sou invisível? Boa tarde e não me ouvem, ou fazem que. Mil dias em um instante e a teia dos anos só o nó da solidão aos sobressaltos do imprevisível pela imprecisa largura no comprimento infinito, entre a ausência e o vazio. Sou entrada franca na privação do aconchego, catando um gesto que seja pra aliviar a dor encruada pelas placas em todas as direções. E sem o menor escrúpulo procuro uma mão amiga, como se sentisse o cheiro do quintal da infância, como se ouvisse o ruído agradável das pisadas nas folhas secas pelo chão. Dia sim, dia não, quando chove ou faz sol e estou no meio da calçada de ruas vazias de gente viva, como um salão escuro entre os que passam e a saudade dos que não vejo há tempos, lembranças quase apagadas pelos que nunca botei os olhos e levadas pelo asfalto com o ronco dos motores com seus vidros fechados que passam salpicando os passantes blindados sob um véu mortuário da indiferença e sisudez, com seus receituários médicos, suas listas pra feira do supermercado, seus carnês de pagamentos, seus relógios atrasados. Lá vou eu remos às ondas, asas ao ar, com meus fantasmas galhofeiros e tagarelas que caçoam de mim entre aparições e desaparecimentos, o mundo escancarado de ponta-cabeça e os meus semelhantes estão fechados em si, sem dar confiança e a destituir qualquer afeto ao massacre da indiferença, consumindo as coisas e os outros, tudo quanto puderem levar aos bolsos e bolsas, corço fechado, alma precavida, para que ninguém perceba seus temores e clamores na ilusão das posses do que pensa ser real no efêmero da vida. Tardes assim me dão a impressão do cortejo tão sobrecarregado com as enxurradas de problemas e discussões que mofaram as faces conhecidas em estranhos que sepultaram suas lembranças e vivências no jazigo, ignorando tudo e todos, ignorando a mim e o amor que sinto pela humanidade, o que penso do ser humano. Anoitece em mim e o fogo-fátuo são os quadris parideiros da moça linda reboladeira a me chamar atenção com sua pele pálida nas pernas e coxas destacadas pela saia justa e os seios proeminentes no decote, lábios salientes nos olhos negros desconfiados, a me olhar como inoportuno por admirá-la, e sorrio e ela vira a cabeça, segue adiante como se fugisse de doença contagiosa ou de uma catástrofe, e eu sem me dar conta da minha deformidade de apenas amar o ser humano e de com ele querer a vida ao estreito do braço e coração. O máximo que consigo de meus supostos interlocutores é algum xingamento, ofensa, chega pra lá, ou oferta intrusa, custa dez reais a dúzia, quer comprar? É aqui o terminal do ônibus? Sim, ali. Tá, obrigada. Onde fica o hospital? Ali. Obrigado. Desculpe, piiiiii, sai da frente! De repente: Você viu o João? Que João? João Antônio! Se vi, não sei quem é! Ah, que pena, preciso encontrar o João. Podemos procurá-lo, como ele é? Adianta não. Adianta, sim, como é ele? Ah, vou atrás dele. Posso ir com você? Não. Ah, tá. O meu coração cada vez mais se precipita pelo buraco negro que me leva ao isolamento de outra dimensão. Queria tanto conversar, trocar ideias, abraçar, por que será que ninguém mais se dá ao bate papo espontâneo, assim surgido do nada, entre estranhos que não precisem ser apresentados por nomes, idades, profissões, conversar por conversar, sem pedir licença, sem saber qual motivo nem quando terminar. Ao contrário, mais parece que o mundo acabou e todos vão no maior vexame pela emergência de se salvar. Noites assim, não queria mais voltar pra casa, inevitável. As pessoas não me enxergam, melhor invisível no meu quarto, vou pra casa, quase abissal madrugada, o cansaço e o sono, preciso dormir e conversar comigo mesmo. É melhor, quem sabe, pelo que se diz tudo cede à luz do dia, pode ser amanhã. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Dos bichos de todas as feras e mansas, O romance da Besta Fubana de Luiz Berto, Cantadores de Leonardo Mota, a escultura de Antoni Gaudí, a música do Duo Backer, a militância de Brigitte Mohnhaupt, a arte de Natalia Fabia & a xilogravura de J. Borges aqui.

E mais:
Entre nós, vivo você, Cancão de fogo de Jairo Lima, as gravuras de Lasar Segall, a música de Sivuca, Cartilha do cantador de Aleixo Leite Filho, a arte de Luciah Lopez, a xilogravura de J. Borges & José Costa Leite aqui.
Pechisbeque, A realidade das coisas de Tales de Mileto, 1984 de George Orwell, Legado & Grito de Renata Pallottini, a música de Bach & João Carlos Martins, O País de Cucanha, As casadas solteiras de Martins Pena, o cinema de Sidney Lumet & Sophia Loren, a arte de Antoni Gaudí & Jean-Jacques Henner, a pintura de Sam Francis & Theo Tobiasse aqui.
A chegada dela pro prazer da tarde, O escritor e seus fantasmas de Ernesto Sábato, o teatro de Nelson Rodrigues, O discurso e a cidade de Antonio Cândido, a arte de Betty Lago, Disco Voador – OVNI & Programa Tataritaritatá aqui.
Todo ser vivo é um poema de Gandhi, a arte de Maurren Maggi, 1984 de George Orwel & Rick Wakeman aqui.
A paixão, uso & abuso aqui.
O sabor da princesa que se faz serva na manhã aqui.
Orçamento & finanças públicas, Os quadrinhos de Sandro Marcelo & Campana aqui.
As flô de puxinanã & outros poemas de Zé da Luz aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o cabra se envulta, já num t'aqui mais quem falou aqui.
Primeira Reunião: Espera, Glosas críticas de Karl Marx, Sóror Saudade de Florbela Espanca, a música de Maki Ishii, Teatro Pedagógico de Arthur Kaufman, Musicoterapia de Rolando Benezon, o cinema de Silvio Soldini & Licia Maglietta, João do Pulo & a pintura de Carl Larsson aqui.
Vamos aprumar a conversa: Entrega, A metamorfose de Franz Kafka, O individuo na sociedade de Emma Goldman, Auto da barca do inferno de Gil Vicente, a música de Isaac Albéniz, a pintura de Fritz von Uhde, a fotografia de Freddy Martins, o cinema de Sam Mendes & Annette Bening aqui.
Desejo & cantora Sônia Mello, Deus & o Estado de Mikhail Bakunin, Reflexos ouvindo insetos de Po Chu Yi, Os Museus de Bertha Lutz, a música Paulo Bellinati, Teatro Espontâneo & Psicodrama, Mata Hari, a pintura de Murilo La Greca & a arte de Melinda Gebbie aqui.
Canto a mim mesmo de Walt Whitiman aqui.
Brincarte do Nitolino & Declaração dos Direitos da Criança, Folhas da relva de Walt Whitman, O rapto de Prosérpina, a música de Richard Strauss & Diana Damrau, Função do Teatro de Francis Fergusson, o cinema de Reinaud Victor & Sandrine Bonnaire, a pintura de Alessandro Bronzino, a escultura de Gian Lorenzo Bernini, Marx & Charb aqui.
Andejo da noite e do dia, A poesia de Mayakovsky, A era dos extremos de Eric Hobsbawm, A felicidade paradoxal de Gilles Lipovetsky, a escultura de Nguyen Tuan, a música de Caetano Veloso & Gal Costa, O amor é tudo de Martha Medeiros, a pintura de Shanna Bruschi & Jeremy Lipking, a poesia de Gisele Sant'Ana Lemos & Diana Balis aqui.
Perfume da inocência, O amor & o matrimônio de Carmichael Stopes, Epigrama de Automédon de Cízico, a literatura de Robert A. Johnson, a fotografia de Beth Sanders, a arte de Chris Buzelli & Rebeca Matta, a pintura de Peter Blake & a música de Maria Leite aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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RÁDIO TATARITARITATÁ
Neste sábado, 24/06:
Gal Costa, Chico Buiarque, Geraldo Azevedo, Caetano Veloso, Lenine, Milton Nascimento, Adriana Calcanhoto, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Alceu Valença, Ivan Lins & Elza Soares.

A MÚSICA DE ALAGOAS
Neste domingo, 25/06:
Hermeto Pascoal, Djavan, Íbys Maceioh, Mácleim, Júnior Almeida, Cris Braun, Naldinho Freire, João Albrecht, Elaine Kundera, Basílio Sé, Leureni Barbosa & Carlos Moura.
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Viva São João!

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sexta-feira, junho 23, 2017

O VAZIO DE LIPOVETSKY, FERNANDO ARRABAL, A ESCRITORA DE YAZBEK, NAIR BENEDICTO & QUADRILHA DA PAIXÃO

A QUADRILHA DA PAIXÃO – Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez - Lá vem ela faceira feito linda roseira a se exibir no jardim. Uma camisa xadrez aberta entre os seios que são do tamanho das minhas mãos. Um nó na cintura sobre o umbigo provocador qual beijo jogado pra mim, uma saia rodada cheia de rendas, laços e fitas, a realçar suas coxas e pernas incendiando a minha libido. Solta aos passos de dama casamenteira, olhos vivos com todo viço e eu enamorado na sua franja ornada com duas tranças laterais, a imprimir-lhe sedução juvenil nas bochechas rosadas. E o batom encarnado nos lábios me convidando ao prazer, a me levar sorridente pra esquentar a carne nas fogueiras juninas, saboreando roletes de cana, milho assado, queijo de coalho, canjica e arroz doce, sorvendo caldo de cana e uma pinga com a fruta vez: caju, manga, ciriguela, jaca ou cajá, carambola, acerola, laranja e limão. Ah, como é bom nela brincar o meu São João. E seus dedos aveludados alisam o meu gibão de vaqueiro, chapéu e colete de couro, a se engraçar com as perneiras e alpercatas que correram mato, pastagens, caatingas do que sou e fui, tudo da cor de ferrugem ao curtimento, pra que sua pele macia me toque como voz entoando meu aboio pra que o gado invisível e todos os bichos dos campos estejam no céu de estrelas que alumiam mais que presentes no nosso festejo. Ah, como é bom nela brincar o meu São João. En avant tous, en arrière, gritaram! Todos respondiam, pra frente pra trás, casais dando as mãos aos passos marcados: ananvantú, anarriê, alavantú, anarriê. Dancê! Balancê! Changê! Autre fois! Dancê! Mão na mão, passo a passo, lá vou eu no cumprimento às damas e cavalheiros, pelos túneis e caminho da roça, olha a cobra! É mentira! Caracol, desviar, coroação de damas e cavalheiros, grande roda, damas ao centro, o passeio. Era o salvo-conduto: na cintura dela eu me agarrei ao seu rebolado, encangado na sua garupa fui mandando direção por atalhos, moitas, grotas e grotões, do que ela não sabia da mata, do litoral, agreste e sertão que sou, alma nordestina na sua pele de sul que vou passageiro porque ela reina em mim, na água, no fogo, na terra e no ar! E me ajoelhei aos seus pés atrás do oitão, descalçando a sua sandalhinha como quem cuida amante do seu bem-querer. E jurei por toadas o amor do coração entre suas pernas e coxas, pra ter sua saia como cobertor pras noites de frio em plena invernada. A chuva ameaça cair, pouco importa, ah, como é bom nela brincar o meu São João. As fogueiras queimam ao chuvisco, o cheiro de comida boa no ar. Um vento frio e me abrigou em seu ventre, a me fazer seu senhor e feitor no seu corpo de todas as montanhas e plantações, como se fosse uma roda gigante a nos embalar no gira girar de céus e paraísos, pra que eu tenha sempre a certeza de que sou o dono na posse do amor. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui & aqui.

O VAZIO DE LIPOVETSKY
[...] Não há como não ver que a indiferença e a desmotivação de massa, a progressão do vazio existencial e a extinção progressiva do riso são fenômenos paralelos: por todo lado surge a mesma desvitalização e a mesma erradicação das espontaneidades pulsionais, a mesma neutralização das emoções, a mesma auto-absorção narcísica [...] A sociedade, cujo valor cardeal passou a ser a felicidade e massa, é inexoravelmente arrastada a produzir e a consumir em grande escala os signos adaptados a esse novo éthos, ou seja, mensagens alegres, felizes, aptas a proporcionar a todo momento, em sua maioria, um prêmio de satisfação direta [...] quanto mais as grandes opções deixam de se opor drasticamente, mais a política se torna uma caricatura com cenas de luta livre a dois ou a quadro; quanto mais a desmotivação política aumenta, mais a cena política parece um strip-tease de boas intenções, de honestidade, de responsabilidade e se metamorfoseia em episódio burlesco [...] A impulsividade extrema e desenfreada dos homens, correlativa das sociedades que precedem o estado absolutista, foi substituída por uma regulamentação de comportamentos, pelo autocontrole do indivíduo, enfim, pelo processo de civilização que acompanha a pacificação do território realizada pelo Estado moderno. [...] Nos nossos dias a violência desaparece maciçamente da paisagem urbana e se torna a maior proibição das nossas sociedades. [...] O indivíduo renuncia à violência não apenas porque apareceram novos bens e novas finalidades particulares mas também porque, no mesmo rastro, o outro se encontra privado de substância, tornando-se um figurante vazio de risco [...]. A violência entra no ciclo de reabsorção dos conteúdos; de acordo com a era narcísica, a violência perde sua substância em uma culminância hiperrealista sem programe sem ilusão. Uma violência hard, desencantada [...].
Trecho da obra A era do vazio: ensaio sobre o individualismo contemporâneo (Relogio D'agua, 1983), do filósofo, professor e teórico da Hipermodernidade Gilles Lipovetsky, tratando sobre o narcisismo e as novas relações sociais, a apatia, indiferença e susbstituição do princípio da sedução ao da convicção, expondo em um prólogo e seis capítulos temas como o enfraquecimento da sociedade,d os costumes, do indivíduo contemporâneo na era do consumo de massa, da emergência de um modo de sociabilização e de individualização inédito, numa ruptura como que foi instituído a partir dos séculos XVII e XVIII. Na obra ele traz o conceito de sociedade pós-moderna, o vazio, a sedução vigente e suas consequências, a indiferença pura, a anemia emocional, suicídio e depressão, homo politicus x homo psychologicus, o corpo reciclado e o teatro discreto, o apocalipse now, os mil watts, a solidão e o vazio. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Quadrilha das paixões mais intensas, Vaqueiros & cantadores de Luís da Câmara Cascudo, Terra de Caruaru de José Condé, A setilha do cantador Serrador, a música da Orquestra Armorial, O casamento da Maria Feia de Rutinaldo Miranda Batista, a xilogravura de J. Miguel & Costa Leite, as gravuras de Roberto Burle Marx, a arte de Vermelho & Severino Borges aqui.

E mais:
Viva São João, Quadrilha & Nordeste de Ascenso Ferreira, a música de Luis Gonzaga, Tratada da lavação da burra de Ângelo Monteiro, Terra de Caruaru de José Condé, Viva São João de Artur Azevedo, Noite de São João de Sérgio Silva & Dira Paz, a gravura de José Barbosa, Brincarte de Nitolino, a pintura de Rosangela Borges & Valquíria Barros aqui.
Vamos aprumar a conversa, Augusto Matraga de João Guimarães Rosa, Princípios de uma nova ciência de Giambattista Vico, Canto do último encontro de Anna Akhmátova, a música de Rozana Lanzelotte, Devassos no paraíso de João Silvério Trevisan, a arte de Dercy Gonçalves, o cinema de Roberto Santos, o documentário Moacir arte bruta de Walter Carvalho, a pintura de Eliseo d'Angelo & Vilmar Lopes aqui.
O que são as coincidências & outros ditos inauditos, Haverá amor de Anna Akhmatova, Cântico dos cânticos de Salomâo, a música de Carl Reinecke, Chico Buarque & Elza Soares, a arte de Naldinho Freire aqui.
O catecismo de Zéfiro & o rol da paixão aqui.
História & literatura do teatro aqui.
Vamos aprumar a conversa, Divina comédia de Dante Alighieri, Ensaios de Ralf Waldo Emerson, Macunaíma de Mário de Andrade, a música de Mikko Härki, o teatro de Luigi Pirandello, História de O de Guido Crepax & a pintura de Mark Gertler aqui.
Pensando o ritual de Mario Perniola, Entre nós de Emmanuel Lévinas, Teatro em tempo de síntese de Maria Helena Kühner, a música de Sivuca, o cinema de Wolf Maia & Maria Clara Gueiros, a pintura de Emanuel Leutze, a fotografia de Dorothea Lange, Livro das incandescências de Jaci Bezerra & Programa Tataritaritatá aqui.
Brincarte do Nitolino, Parque humano de Peter Sloterdijk, Viagem ao fim da noite de Ferdinand Céline, a pintura de Georges Rouault, a música de Ivete Sangalo, Aprendizagem do autor de Antonio Januzelli – Janô, o cinema de Mark Robson & Barbara Parkins, arte de Sharon Tate & Isadora Duncan aqui.
E lá vou eu noutras voltas, Variações sobre o corpo de Michel Serres, Tarde demais de Antonio Tabucchi, A jangada de Ulisses de Vianna Moog, a música de Mundo Livre S/A, a fotografia de Raoul Hausmann, a pintura de Aja-ann Trier & a arte de Matthew Guarnaccia aqui.
As mulheres mandam ver nas olimpíadas & a arte de Hubert B. W. Ru aqui.
A festa das olimpíadas do Big Shit Bôbras – o Big Bode do Brasil, Sonhos e pesadelos da razão de Oswaldo Giacoia Junior, Gasolina & Lady Vestal de Gregory Corso, Intelectuais à brasileira de Sergio Miceli, a música de Wanda Sá, a pintura de Augusta Stylianou & Nancy L Jolicoeur, a arte de Banksy & Natalia Gal Stabile aqui.
O sonho do amor, As bodas de Fígaro de Beaumarchais, a Psicologia de Afonso Lisboa da Fonseca, a música de Ana Cascardo, a pintura de Sandra Hiromoto, Luciah Lopez, a arte de Ana Viera Pereira & Ana Maia Nobre aqui.
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GUERNICA & LA MUERTE DE FERNANDO ARRABAL
Entre as obras do poeta, dramaturgo, roteirista e diretor de cinema Fernando Arrabal, primeiramente destaco L'arbre de Guernica (1975), drama surreal de guerra, contando a história de um pintor excêntrico que se aloja em um castelo quando começa a guerra, realçando o amor no meio da crueza da Guerra Civil Espanhola, reproduzindo de forma ficticia o conflito geral em toda a Espanha, culminando com a aniquilação da cidade de Guernica. O destaque fica por conta da belíssima atriz italiana Mariangela Melato (1941-2013). O segundo, o drama Viva la Muerte (1971), contando a história de um jovem que teve o pai entregue às autoridade por suspeita de comunista, por sua própria mãe simpatizante fascista. O destaque do filme fica por conta da sequencia de desenhos do artista, ator e romancista francês Roland Topor (1938-1997) e atuação da atriz francesa Anouk Ferjac. Veja mais aqui e aqui.

A ESCRITORA DA ENTREVISTA DE SAMIR YAZBEK
[...] Sinceramente, eu acho que o mundo em si. De repente ficou muito difícil viver, simplesmente isso. E eu me lembro que há pouco tempo não era assim. Antigamente, havia uma crença comum de que nós iríamos melhorar como humanidade, que hoje eu já não encontro mais. Ficou muito pior do que eu imaginava. E do que muita gente imaginava. As pessoas, os lugares, a literatura, a competição entre os colegas, como se fôssemos executivos. Os leitores que não lêem. E se lêem, não têm o que dizer. E se têm o que dizer, normalmente dizem superficialidades. Acho que foi por tudo isso que eu fui me retraindo. E aí, no começo, como forma de entender o que acontecia comigo e com o mundo, eu achei importante falar sobre isso, mas agora eu queria expandir esse horizonte, eu me sinto presa. Parece que eu fui ultrapassada pelos acontecimentos e que não faz mais sentido pensar como eu pensava. Ou seja, ou eu encontro uma nova forma de escrever, ou então eu vou viver esse eterno tormento de estar sempre insatisfeita comigo mesma. [...] Ter medo do silêncio? Como é que eu posso ter medo do único amigo que me acompanha do início ao fim? A diferença é que esse de agora está preenchido de algo. Algo cujo nome eu desconheço, mas existe. Existe porque eu sinto que existe. Que mais eu preciso dizer?
Trechos da peça teatral A entrevista (2004), extraída da coletânea O fingidor, A terra prometida, A entrevista (Cultura/Fundação Padre Anchieta, 2006) do dramaturgo e diretor teatral Samir Yazbek. Veja mais aqui.

O QUARTO DIA DE LUCIAH LOPEZ
Minha vontade era de estar contigo, sem importar-me com interpretações que venham a ser feitas sobre isso -, não me sinto a caminho do Gólgota pelo fato de amar demasiadamente. Basta a realidade mais divertida do que uma completa incredulidade na existência do Amor. E se me olhas resolutamente nos olhos, posso saber onde reside a felicidade, e, contrariando a própria vida e suas maledicências eu me percebo um novo ser, quando em suas mãos vivencio o crescimento da minha alma. Encerra-se a solidão e eu sou capaz de fazer versos...
Quarto dia, poema/arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
[...] Eu queria documentar a realidade da Amazônia naquele momento, o modo como grandes projetos interferiam na vida das aldeias, como, por exemplo, a usina de Tucuruí. Naquela época eu não achava que o caminho certo para difundir esse trabalho seria o livro. O audiovisual funcionava muito melhor para promover a discussão. Uma coisa era ter o livro pronto, outra coisa era mostrar isso diretamente para as pessoas. Eu sempre me interessei muito pela relação da fotografia com a educação. Eu publiquei muita coisa, tanto no Brasil como no exterior, mas nunca achei que uma revista faria a matéria que eu queria. Então encontrei no audiovisual um modo bastante eficiente de fazer essa junção. Dávamos muitas palestras em escolas, por exemplo. [...] O áudio sobre a Amazônia teve trilha sonora do Hermeto Paschoal. Fiz audiovisuais de outros assuntos importantes também: “O Prazer é nosso”, “Não Quero ser a Próxima”, “E agora, Maria”, todos ligados diretamente à questão da mulher. Também fiz outros focados na questão da terra e na ecologia. [...].
Trechos da entrevista concedida pela fotógrafa e fotojornalista Nair Benedicto, à publicação O índio na fotografia brasileira (2012), por ocasião do lançamento do seu Vi ver: fotografias de Nair Benedicto (Brasil Imagem, 2012), dividido em duas partes: Amazônias (imagens do desmatamento promovido pela construção da Transamazônica e o surgimento das cidades abrigando os migrantes) e Desenredos (com imagens das ruínas e lixões urbanos do garimpo em Serra Pelada e nas terras ianomâmis, entre outras). Veja mais aqui.
 

quinta-feira, junho 22, 2017

IRREALIDADE DE UMBERTO ECO, BREVIÁRIO DE SHAW, QUARTETO GUARNIERI, ENEIDA PAES LIMA, JUDY BURGARELLA & PREVIDÊNCIA SOCIAL SUPERAVITÁRIA

A PREVIDÊNCIA SOCIAL É SUPERAVITÁRIA! – Esse papo de que a previdência social é deficitária não é de hoje. Desde que me entendo por gente que ouço falar e muito sobre o “rombo da previdência”. Quer dizer, essa é a manchete do noticiário nos últimos cinquenta anos, dando conta do colapso das suas receitas. O auê engrossou mesmo em 1995, quando foi decretada a sua completa insolvência, não havendo condições da cobertura dos benefícios e pensões por completa falência de custeio, ensejando adoção de medidas para solução da bronca. Bem, pelo menos é o que se ouvia dizer a respeito. Essa congestão se deu, segundo governantes e imprensa, pela edição da Lei 8213/91, que equiparou trabalhadores rurais aos urbanos – como se devesse fazer distinção entre um e outro -, sendo, por isso, responsável pela crise em todo sistema. Para quem se lembra do alarde todo dessa época, foram editadas a Emenda Constitucional 20/1998 e a Lei Complementar 9876/99 que, entre outras finalidades, estavam a de coibir a aposentadoria precoce e equilibrar as finanças do setor. Acontece, porém, que é preciso se levar em conta que foi exatamente em 1994, que se deu o advento da Desvinculação das Receitas da União (DRU), prevista nas disposições transitórias da Constituição Federal vigente, especificamente no seu art. 76, com permissão para transferir até 20% da arrecadação securitária para cobertura de outros gastos de outras áreas do governo. Peraí, como é mesmo? Isso mesmo. Há inclusive tramitando no Congresso Nacional o Projeto de Emenda Constitucional (PEC 87/2015) que pretende aumentar de 20% para 30% a DRU. Êpa! Pois é. Colocando o ponto nos iiiiis: o governo anuncia que a previdência social é deficitária, entretanto, promove renúncia fiscal com desonerações tributárias nas folhas de pagamento, afora por meio da transitória DRU (que já está de maior, lindinha, robusta e cobiçada com vinte e três aninhos de idade – que transitoriedade, hem?), cobrir despesas alheias à seguridade social. Peraí! Acompanhe o enredo: a previdência dá prejuízo e tiram da seguridade para outras áreas? Há quem diga que a falácia do déficit tenha sido mesmo para promover a previdência privada e viabilizar programas que privilegiem investidores e categorias profissionais. Como não parou por aí, com a edição da Lei 13135/2015, limitou-se a concessão do auxílio-doença, da pensão por morte, entre outros prejuízos com a restrição de benefícios, enquanto que a Lei 13183/2015, procedeu à nova forma de cálculo para a aposentadoria com a opção do fator previdenciário. Eita! Vamos lá, acompanhe direitinho: entre os que alardeiam pela condição deficitária está o argumento de que tudo isso aconteceu pelo fato da previdência pesar 4% do PIB, além do crescimento demográfico, aumento da população idosa, redução da formalidade empregatícia, ascensão da informalidade, aumento do salário mínimo, diminuição da arrecadação e todas as demais crises econômicas, entre outros e tantos muitos motivos. Vixe! Todavia no meio de tantos poréns, se alguém se der ao trabalho de dar uma simples espiadela no art. 194 da Constituição Federal – ela não foi feita só pra enfeitar as estantes ou invocada aleatoriamente por quem nem sabe o que nela está contido porque foi feita pros franceses e não para brasileiros -, terá a informação de que a previdência social faz parte do sistema de seguridade social, do qual também fazem parte tanto a saúde como a assistência social, com o seu financiamento previsto pelo art. 195 da CF/88 e regulamentado pela mencionada Lei 8212/91, reunindo as contribuições das pessoas jurídicas, dos contribuintes pessoas físicas, da receita de concursos de prognósticos e da importação de bens ou serviços do exterior. Sim. Acontece que arbitrariamente o governo considera apenas as contribuições dos empregadores e empregados, deixando de fora as demais contribuições sociais previstas, com o entendimento de cumprir o previsto no inciso XI do art. 167 da CF/88, pelo qual é vedada a utilização dos recursos oriundos do INSS-Folha, o que não tem correspondência porque não se vedou nem a CONFINS nem a CSSL no custeamento das despesas securitárias. Como é? Trocando em miúdos: haja artifícios para confirmar que a previdência já era. Confrontando esse argumento, estudos realizados entre os anos 1990/2010 até o momento presente, tanto pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência (ANFIP), como por estudiosos como Denise Gentil, Fernando Rubin, Isabella Alves, Márcio Schio, Rogério Matos, Fabiola Melo & Andrei Simonasse, dão conta que o sistema securitário sempre foi superavitário e, por consequência, se a previdência social faz parte da seguridade social, também é verdade que ela seja superavitária, nada mais lógico, não? Mesmo assim, as pesquisas realizadas foram mais adiante e aprofundada: consideraram o PIB, o INPC e a gestão das receitas e despesas do RGPS, chegando à conclusão de que a previdência social, mesmo com o uso indiscriminado da DRU, é reiteradamente superavitária. Entendeu agora? Então, o que precisa de mesmo é substituir as más gestões, adequar o sistema previdenciário às necessidades da atualidade, sem que se precise ceifar a população de hoje e do futuro com a estupidez de aumento na idade para aposentadoria, redução de benefícios ou qualquer outra medida restritiva em detrimento da população brasileira, bastando tão somente utilizar-se dos recursos da seguridade social em sua totalidade para os fins aos quais ela foi constitucionalmente atribuída, evidentemente com uma gestão configurada na previsão constitucional do art. 37, com clareza e transparência, sobretudo em respeito à efetividade dos princípios da dignidade da pessoa humana e da supremacia do interesse público. Viu? Agora uma pergunta: a quem interessa uma reforma previdenciária? Adivinha? Vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

A IRREALIDADE COTIDIANA DE UMBERTO ECO
[...] Quando todos os arquétipos irrompem sem decência, são atingidas profundidades homéricas. Dois clichês provocam o riso. Cem clichês comovem. Porque se percebe obscuramente que os clichês falam entre e celebram uma festa do reencontro. Como o cúmulo da dor encontra a volúpia e o cúmulo da perversão beira a energia mística, o cúmulo da banalidade deixa entrever uma suspeita sublime [...].
Trecho de Casablanca, ou o renascimento dos deuses, extraído da obra Viagem na irrealidade cotidiana (Nova Fronteira, 1993), do escritor, filósofo e bibliófilo italiano Umberto Eco (1932-2016), tratando das questões humanas contemporâneas e cotidianas, entre elas a ecologia, a deterioração dos meios, a hiperrealidade, a cultura “fake” americana e o horror do vácuo, o candomblé e os orixás, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Saúde no Brasil aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

E mais:
A filharada de Zé Corninho, O homem, a mulher & a natureza de Alan Watts, Travessia marítima de Thomas Mann, O casamento de Anne Morrow Lindbergh, a música de Charlotte Moorman, o cinema de Rainer Werner Fassbinder & Hanna Schygulla, Emmanuelle Seigner, a arte de Hansen Bahia & Attila Richard Lukacs aqui.
Vamos aprumar a conversa, Sociedade dos indivíduos de Norbert Elias, As brasas de o Sándor Márai, Babylon de Zuca Sardan, a música de Hermeto Pascoal & Aline Moreira, Anatomia do drama de Martin Esslin, o cinema de Fred Schepisi & Meryl Streep, a escultura de Pierre-Nicolas Beauvallet, a arte de Derek Gores & a pintura de Gilson Luiz Santos Braga aqui.
Se não chover... mas se chover..., Diário de um sedutor de Søren Kierkegaard & Marcha das Vadias aqui.
Três poemetos de amor pra ela: Abraçados, Presente & Dela aqui.
Vamos aprumar a conversa: aquele abraço!, A espada da deusa de Richard Wagner, Pigmalião de Bernard Shaw, O perfume de Patrick Süskind, a música de Richard Wagner, o cinema de Tom Tykwer & Karoline Herfurth, a pintura de Mary Cassatt, a arte de Susan Strasberg & a poesia de Pedro Du Bois aqui.
Primeira Reunião: Em mim, O anão de Pär Lagerkvist. Os últimos dias de Paupéria de Torquato Neto, A mais forte de August Strindberg, a música de Camille Saint-Saëns & Waltraud Meier, o cinema de Joann Sfar & Lucy Gordon, a arte de Lena Nyman & a pintura de Carl Heinrich Bloch aqui.
Brincarte do Nitolino, Holismo & evolução de Jan Christiaan Smuts, a poesia de Joseph Brodsky, o teatro de Gianfracesco Guarnieri, a música de Bob Dylan, o cinema de Leon Hirszman, a pintura de Jacopo Pontormo & a arte de Helena Ranaldi aqui.
Direitos de toda mulher, A gravidade & a graça de Simone Weil, Os direitos da mulher de Olympe de Gouges, Hibernação de Magdalena Isabel Monteiro, a música do Quarteto Radamés Gnattali, a escultura de Bruno Giorgi, a fotografia de Arne Jakobsen & a pintura de Jose Higuera aqui.
Minha nossa, quanta poluição, A teia da vida de Fritjof Capra, Máquinas e seres vivos de Maturana & Varela, Pedra filosofal de António Gedeão, a música de Sarah Brightman, a fotografia de Stefan Kuhn, a pintura de Patricia Awapara & a arte de Kézia Talisin aqui.
Tudo é Brasil, A colonização do imaginário de Serge Gruzinski, O general está pintando de Hermilo Borba Filho, Pasquale Cipro Neto, a escultura de Emilio Fiaschi, a música de Jamiroquai & a fotografia de Jennifer Nehrbas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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BREVIÁRIO DE SHAW
[...] Ser milionário, então, quer dizer ter mais dinheiro do que se pode gastar consigo mesmo, e sofrer diariamente as desatenções de pessoas a quem essa condição parece de extrema satisfação. Assim sendo, que há de fazer o milionário de seus fundos excedentes? A resposta que se dá habitualmente a essa pergunta é esta; garantir o futuro de seus filhos e dar esmolas. Ora, esses dois recursos, compreendidos como são geralmente, são uma coisa só e, por sinal, uma coisa muito prejudicial. Do ponto de vista da sociedade, não importa nada se a pessoa exonerada da necessidade de trabalhar para o próprio sustento pela generosidade de um milionário é o filho deste, o marido da sua filha ou simplesmente um mendigo qualquer. [...]. Não há amor mais sincero que o da comida. Cabe à mulher casar-se o mais cedo possível e ao homem ficar solteiro o mais tempo que pode. A minha especialidade é ter razão quando os outros não a têm. Quando um tolo pratica um ato de que se envergonha, declara sempre que fez o seu dever. Quem nunca esperou não pode desesperar nunca. Uma vida inteira de felicidade? Ninguém aguentaria: seria o inferno na terra. O pior crime para com os nossos semelhantes não é odiá-los, mas demonstrar-lhes indiferença: é a essência da desumanidade. Há duas tragédias na vida: uma, a de não alcançarmos o que o nosso coração deseja; a outra, de alcançá-lo. Os ingleses nunca hão de ser escravos: eles são livres de fazer tudo o que o governo e a opinião pública lhes permitem fazer. O lar é a prisão da moça e o hospício da mulher. O martírio... é a única maneira de ganhar fama sem ter competência. Quem deseja uma vida feliz com uma mulher bonita assemelha-se a quem quisesse saborear o gosto do vinho tendo a boca sempre cheia dele. Não faças aos outros o que queres que te façam; os gostos deles podem ser diferentes dos teus. Neste mundo sempre há perigo para aqueles que o temem. Há apenas uma única religião, embora dela exista uma centena de versões. Nunca espero nada de um soldado que pensa. Sou abstêmio apenas de cerveja, não de champanha. Não gosto de sentir-me em casa quando estou no estrangeiro. Cheguei à conclusão de que tudo é produzido para milhões, e nada para milionários.'Qual é a vantagem de poder pagar um sanduíche de miolos de pavão, quando só se encontram de presunto e de carne? A minha maneira de brincar consiste em dizer a verdade. É a brincadeira mais divertida do mundo. Um inglês pensa que é moralista, quando é apenas desagradável. [...].
Trechos extraídos da obra Socialismo para milionários, (Ediouro, 2004), do polêmico dramaturgo, escritor e jornalista irlandês Bernard Shaw (1856-1950), Prêmio Nobel de Literatura de 1925, ensaio irônico com visão mordaz sobre a humanidade, apresentando questões que transitam temas de grande importância, em que expressa o seu pensamento original, contestador e independente em estudo social e um libelo à liberdade. Veja mais aqui e aqui.

PRELÚDIO & FUGA DO QUARTETO CAMARGO GUARNIERI
Curtindo o álbum Prelúdio & Fuga (Yb Brasil, 2004), do Quarteto Camargo Guarnieri, formado por Elisa Fukuda (violino), Cláudio Micheletti (violino), Renato Bandel (viola) e Raïff Dantas Barreto (violoncelo), interpretando composições de Osvaldo Lacerda (1927-2011), Camargo Guarnieri (1907-1993) e Villa-Lobos (1887-1959). Veja mais aqui.

A ARTE DE ENEIDA PAES LIMA
A arte da professora, bailarina, coreógrafa, pesquisadora Eneida Paes e Lima.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora estadunidense Judy Burgarella.
Veja mais aqui.
 

RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...