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sexta-feira, fevereiro 08, 2013

BRECHT, MORAVIA, STUART HALL, RICOEUR, KARL MARX, LITERATURA ERÓTICA & TERRA NETWORKS


LITERATURA ERÓTICA - BIBLIOTECA EROTOLÓGICA: NA GRÉCIA ANTIGA – Encontra-se, com base em Tannahill (1980), que o caráter sexual só entra em jogo por volta do século 2 a.C., quando o falo começou a ser usado como arma de sedução. Sem cerimônias, os gregos mostravam-no para conquistar donzelas e efebos e se exercitavam nus nas arenas esportivas. Além disso, na Grécia antiga são encontrados relatos de Homero, Hesíodo, Plutarco e Pausânias, sobre deuses e heróis lúbricos que passavam grande parte de seu tempo na cama e altercando, ao executarem façanhas de coragem. Encontra-se na mitologia grega Afrodite, a deusa do intercurso sexual, tendo nascido dela, conforme Hesíodo (2005), dois filhos: Hermafrodite, de sua união com Hermes e equipado com características físicas de ambos os sexos, e Príapo, de uma união com Dioniso e com características físicas indiscutivelmente masculinas e em permanente estado de ereção. Também na mitologia grega encontra-se Teseu, o herói particular dos atenienses, que seduziu quase tantas donzelas quantos os monstros que liquidou, durante a longa e complicada saga da sua vida. No séc. VII a.C., é encontrada a poesia da grega Safo (630-612 a.C), que viveu na cidade de Lésbia de Mitilene, considerada a Décima Musa: “Volte, eu te imploro, envolta em tua túnica branca como lei. Ah! Que intenso desejo espera tua deslumbrante forma! Nenhuma mulher deixaria de estremecer a essa sedução”. Para Carpeaux (1978), Safo é a maior expressão das poetisas gregas, que inventou uma coroa de lendas que apontam-na reunida no centro de um circulo de mulheres dadas ao amor lésbico e que se suicida por amor a uma jovem que não compreendeu a paixão da poeta envelhecida no séc. VI a.C. Os gregos cultuavam as hetairas – as servas de Afrodite - para o prazer, concubinas para as suas necessidades diárias. Elas eram eximias em todas as coisas e eram bem-sucedidas, atuando como espiãs ou agentes secretas para reis desde o séc. VI a.C. Algumas delas se destacaram como Targélia que foi agente secreta para Ciro, rei da Persia, como também Taís de Ayenas que foi amante de Alexandre, o Grande. A respeito delas, o filósofo grego Aristóteles assinalava que as prostitutas costumavam ondular as coxas durante o intercurso, o que proporcionava prazer a seus parceiros, ao mesmo tempo em que dirigia o fluido seminal para fora da zona de perigo. Isto quer dizer que, desde então, havia as praticas do intercurso anal. Há registro nesta época da predominância do Hedonismo defendido pelo filosofo socrático e fundador da escola cirenaica, Aristipo de Cirene (435-356ª.C), acreditando que alcançar o prazer e evitar a dor eram a finalidade da vida e o critério da virtude, sendo, pois, o prazer, para ele, o prazer do momento que passa. No séc. III a.C., é encontrada a Literatura Sotádica, oriunda do poeta grego arcaido, Sotadès, um autor obsceno de poesia satírica, cujo método poético também se chamava palíndromo, que podia ser lido da direita para esquerda, como da esquerda para a direita. Entre os gregos, encontra-se a Antologia Palatina reunindo poetas que abrangem 17 séculos e que escreveram mais de 6 mil epigramas. Entre eles encontram-se o poeta alexandrino Dioscórides (fins do sec. III a. C), o filosofo e poeta epicurista Filodemo (110-35 a;C), Rufino que era autor dos versos: “A jovem de pés de prata lavava os pomos dourados dos seios banhando-lhes a carne leitosa; a carnadura das nádegas redondas palpitava, mais ondulosa e mais fluida do que a água. Sua mão espalmada tentava encobrir o Eurotas, mas não todo, não tanto quanto poderia”; e Marco Argentário que é autor dos versos: “Teta com teta, apoiando meu peito sobre o dela, uni meus lábios aos doces lábios de Antígona e a carne possuiu a carne. Do resto nada digo: dele somente a lâmpada foi testemunha..” Lisístrata do dramaturgo e maior representante da comédia antiga grega, Aristófanes (447 a.C.- 385 a.C.), também é uma das obras do erotismo antigo, tratando de uma jovem que incita a greve de sexo para pôr fim à guerra de Peloponeso. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.


DITOS & DESDITOS - Os homens fazem a sua própria história, mas não o fazem como querem... a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. O amor em primeiro lugar realmente ensina um homem a acreditar no mundo objetivo fora de si mesmo. Não só faz do homem o objeto, mas o objeto de um homem. Se a aparência e a essência das coisas coincidissem, a ciência seria desnecessária. A razão sempre existiu, mas nem sempre de uma forma razoável. O povo que subjuga outro forja suas próprias cadeias. O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções. A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas. O trabalhador só se sente à vontade no seu tempo de folga, porque o seu trabalho não é voluntário, é imposto, é trabalho forçado. O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a. Aos oprimidos é permitido uma vez a cada poucos anos decidir quais representantes específicos da classe opressora devem representá-los e reprimi-los. Vamos, caia fora! Últimas palavras são para tolos que não falaram o bastante! Eu não sou nada, mas devo ser tudo. Cerque-se de pessoas que lhe fazem feliz. Pessoas que lhe fazem rir, que lhe ajudam quando você está precisando. Pessoas que realmente se importam. Eles são os que valem a pena manter em sua vida. Todo mundo está apenas passando. Pensamento do economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista alemão Karl Marx (1818-1773). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: Se não se sabe o que significa a prova da memória na presença viva de uma imagem das coisas passadas, nem o que significa partir em busca de uma lembrança perdida ou reencontrada, como se pode legitimamente indagar a quem atribuir esta prova e esta busca? Pensamento do filósofo francês Paul Ricoeur (1913-2005). Veja mais aqui.

CULTURA – [...] A cultura é uma produção. Tem sua matéria- prima, seus recursos, seu “trabalho produtivo”. Depende de um conhecimento da tradição enquanto “o mesmo em mutação” e de um conjunto efetivo de genealogias. Mas o que esse “desvio através de seus passados” faz é nos capacitar, através da cultura, a nos produzir a nós mesmos de novo, como novos tipos de sujeitos. Portanto, não é uma questão do que as tradições fazem de nós, mas daquilo que nós fazemos das nossas tradições. Paradoxalmente, nossas identidades culturais, em qualquer forma acabada, estão à nossa frente. Estamos sempre em processo de formação cultural. A cultura não é uma questão de ontologia, de ser, mas de se tornar. [...]. Trecho extraído da obra Da Diáspora: identidades e mediações culturais (EdUFMG, 2003), do teórico cultural e sociólogo jamaicano Stuart Hall (1932-2014). Veja mais aqui.

TERROR DE ROMA – [...] Era um moço baixo, com a cabeça grande e quase sem pescoço, o rosto cheio, os olhos esbugalhados e os lábios salientes. Seguro de si e antipático, como deu para ver de cara. Mecanicamente, abaixei os olhos em direção aos seus pés, olhei para os seus sapatos e vi que eram novos, daqueles que eu gosto, de estilo americano, com a sola de borracha e com as costuras tipo mocassim. Não parecia nada assustado e isto me dava nos nervos, daí a minha cara pulsava mais do que nunca por causa do cacoete. Ele perguntou: “E vocês quem são?” “Polícia”, respondi,” vocês não sabem que é proibido ficar se beijando em lugar público? Estão violando a lei... e a senhorita, por favor, venha até aqui... é inútil tentar se esconder.” Ela obedeceu e se colocou ao lado do amigo. Era, como eu já disse, um pouco mais alta do que ele, esguia, usando um corpete e uma saia preta rodada que descia até o meio da perna. Era muito bonitinha, com uma cara de santa, os cabelos pretos e longos, os olhos negros e grandes, e parecia muito séria, sem maquiagem, tanto que se eu não a tivesse visto se beijando, não acharia nunca que ela fosse capaz disso. “A senhorita não sabe que é proibido ficar se beijando em lugar público?”, disse a ela para dar um ar de seriedade ao meu papel de policial. “E depois, a senhorita, tão distinta, que vergonha... beijando no escuro, num jardim público, como uma prostituta qualquer”. A moça quis protestar, mas ele a proibiu com um gesto e então, dirigindo-se a mim, prepotente: “Ah, eu estou violando a lei?... Então me mostrem os seus documentos”. “Quais documentos?” “Os documentos de identidade que provam que vocês são realmente policiais.” Tive o pressentimento de que ele fosse policial: não ficaria surpreso, conhecendo o meu azar. Disse, porém, com violência: “Chega de conversa... Vocês cometeram um delito e têm que pagar”. “Mas pagar o quê”, falava desembaraçado, como um advogado, e se via que ele não estava com medo. “Mas que policiais... policiais com estas caras? Ele com esta capa e você com estes sapatos... Ei, vocês acham que eu sou imbecil?” Ao ouvir ele me lembrar dos meus sapatos que, efetivamente, rasgados e deformados como estavam, não podiam ser os de um policial, fui tomado por uma espécie de fina. Tirei do impermeável o revólver e o empurrei forte contra a sua barriga dizendo: “está bem, não somos policiais.., mas você vai soltando o dinheiro mesmo assim e não quero saber de histórias”. Lorusso até agora tinha ficado ao meu lado sem dizer nada, de boca aberta, estúpido como era. Mas quando ele viu que eu tinha terminado de representar despertou. “Entendeu?”, disse, colocando a chave inglesa debaixo do nariz do homem. “Vai soltando o dinheiro se não quer que eu dê com isto na sua cabeça.” Esta intervenção me irritou mais do que os modos soberbos do homem. A moça, ao ver aquela ferramenta de ferro, deu um pequeno grito e eu lhe disse com gentilezas porque eu sei ser gentil quando eu quero: “Senhorita, não ligue para ele e se retire para aquele canto lá atrás, deixe que nós resolvemos.., e você jogue fora este ferro”. Então disse para o homem: “Então, dê o dinheiro”. É preciso dizer que o rapaz, por mais que fosse antipático, era corajoso; mesmo agora que eu mantinha o revólver afundado na sua barriga, não demonstrava medo. Colocou simplesmente a mão no peito e puxou a carteira: “Está aí a carteira”. Eu apalpei ao colocá-la no bolso e percebi, no tato, que tinha pouco dinheiro: “Agora me dê o relógio”. Ele tirou e me deu o relógio. “Aí está o relógio.” Era um relógio de pulso, de pouco valor, de aço. “Agora me dê a caneta.” Ele tirou a caneta do bolsinho: “Aí esta a caneta”. A caneta era bonita: americana, com a pena fechada dentro do cilindro, aerodinâmica. Então eu não tinha mais nada para lhe pedir. Nada, exceto aqueles seus belos sapatos novos que tinham me impressionado desde o princípio [...]. Trecho do conto extraído da obra Contos romanos (Berlendis & Vertecchia, 2002), do escritor e jornalista italiano Alberto Moravia (1907-1990). Veja mais aqui.

AOS QUE VIERAM DEPOIS DE NÓS - Realmente, vivemos tempos sombrios! A inocência é a loucura. Uma fonte sem rugas de nota insensibilidade. Aquele que ria inda não recebeu a terrível notícia que está para chegar. Que tempos são estes, em que é quase um delito falar de coisas inocentes. Pois implica silenciar tantos horrores! Esse que cruza tranquilamente a rua não poderá jamais ser encontrado pelos amigos que precisam de ajuda? É certo ganho o meu pão ainda. Mas acreditai-me: é pura causalidade. Nada do que faço justifica que eu possa comer até fartar-me. Por enquanto as coisas me correm bem (se a sorte me abandonar estou perdido). E dizem-me “Bebe, come! Alegra-te pois tem o quê!” Mas como posso comer e beber, se ao faminto arrebato o que como, se o copo de água falta ao sedento? E todavia continuo comendo e bebendo. Também gostaria de ser um sábio. Os livros antigos nos falam sabedoria: é quedar-se afastado das lutas do mundoe, sem temores,Deixar correr o breve tempo. Mas evitar a violência, retribuir o mal com o bem, não satisfazer os desejos, antes esquecê-los é o que chamam sabedoria. Eu não posso fazê-lo. Realmente, vivemos tempos sombrios. II: Para as cidades vi-me em tempos de desordem, quando reinava a fome. Misturei-me aos homens em tempos turbulentos e indignei-me com eles. Assim passou o tempo que me foi concedido na terra. Comi o pão em meio às batalhas. Deitei-me para dormir entre assassinos. Do amor me ocupei descuidadamente e não tive paciência com a Natureza. Assim passou o tempo que me foi concedido na terra. No meu tempo, as ruas conduziam aos atoleiros. A palavra traiu-me ante o verdugo. Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes se sentiam, sem mim, mais seguros – espero. Assim passou o tempo que me foi concedido na terra. As forças eram escassas. E a meta achava-se muito distante. Pude divisá-la claramente, ainda quando parecia, para mim, inatingível. Assim passou o tempo que me foi concedido na terra. III - Vós, que surgireis da maré em que perecemos, lembrai-vos também quando falardes das nossas fraquezas, lembrai-vos dos tempos sombrios de que pudestes escapar. Íamos, com efeito, mudando mais frequentemente de país do que de sapatos, através de luta de classes, desesperados, quando havia só injustiça e nenhuma indignação. E, contudo sabemos que também o ódio contra a baixeza endurece as feições; que também a cólera contra a injustiça enrouquece a voz. Ah, os que quisemos preparar terreno para a bondade não pudemos ser bons. Vós, porém, quando chegar o momento em que o homem seja bom para o homem, lembrai-vos de nós com indulgência. Extraído da obra O círculo de giz caucasiano (Cosac&Naify, 2002), do dramaturgo, encenador e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Veja mais aqui.


PRIMEIRO PROBLEMA – Há quase 12 anos sou o cliente CRMCZ 000000023 do Terra Networks S/A com pagamento mensal por boleto bancário vencível todo dia 20 de cada mês. Ocorre que, não sei-porquê-nem-pra-quê, há cerca de 8 meses atrás, o Terra achou de alterar assim, do nada, para o dia 10 o vencimento do meu boleto. Ué, eu não pedi pra mudar, ora! Quase fui pego de calças curtas, contudo, como sempre pago antes da data prevista, passei a efetuar meus pagamentos com a empresa por volta do dia 7, mesmo mandando alterar para o dia 20, como sempre foi. Isso porque depois de tudo isso, mesmo com a minha insistente condição de colocar no meu cadastro e para as atendentes do Terra o dia 20, mesmo assim, todo dia 15 eu recebo, desde esse dia, uma cobrança de duplicata em aberto. E olhe que todas são pagas antes da data, ou seja: cobrado mesmo tendo pago. Relevei.

AGORA A AVALANCHE DE PROBLEMAS - Tudo vinha normalmente quando em dezembro de 2012 eu quase me passo e no 14 daquele mês abri o boleto e fui pagar. Ufa! Mas não deu. O código de barras não batia. Insisti e o banco dizia a mesma coisa repetidamente: código de barras não confere. Acessei o site para buscar a 2ª via do boleto, não estava disponível. Foi aí que liguei pro 40035797, narrei o ocorrido, e depois de uma lenga-lenga chegamos ao final.

- Por que o senhor não paga pelo cartão de crédito? -, perguntou-me a atendente.

Aí expliquei que há quase 12 anos eu pagava pelo boleto bancário e preferia essa modalidade.

- Por que o senhor não pega débito em conta? -, insistiu ela. E mais uma vez argumentei que desejava a forma que eu havia escolhido desde o início da nossa relação.

- Por que o senhor não efetua um depósito identificado? -, novamente ela implicou comigo e novamente fiz que entendesse minha opção pelo boleto.

Depois de um blablablá ela emitiu uma segunda via vencível para o dia 18 de dezembro, aí pensei, agora nem é os 20 que eu quero, nem os 10 que a empresa quer, conforme o protocolo 614919047761. Ficou 18, então. Acessei minha caixa de mail, abri o novo código de barras, acessei o banco online e efetuei o pagamento. Conforme fui orientado, enviei o comprovante de pagamento pelo mesmo mail que recebi do ClienteTerra. Pronto, estava solucionado, pelo menos pra mim, né? Vamos lá.

Eis que no dia 26 de dezembro, minhas contas de mails lualma, luizalbertomachado e lalbertomachado, todas mantidas no Terra Networks, estavam bloqueadas, nem recebia, nem emitia mail. Fui ver, estava com o pagamento do dia 18/12/2012 em aberto. Ora, mas nem me avisaram? Aí liguei novamente pro 40035797 e novo teitei foi encetado pela atendente: Por que o senhor não paga com cartão de crédito? Por que não no débito automático? Por que o senhor não faz um depósito identificado? E fui respondendo calma e tranquilamente que a opção que eu queria era essa de boleto bancário e que eu já havia efetuado o pagamento, enviado o comprovante e que estava tudo certo desde o dia 14/12/2012. Além do mais, cortaram meus mails e nem avisaram, ora! Ela me perguntou quantos mails eu havia recebido informando o problema pelo Terra e eu lhe respondi taxativamente: nenhum. Ela então solicitou que eu reenviasse o comprovante pro ClienteTerra, ao que foi atendida, conforme protocolo 319719439496. Pronto, agora vai!

Aí já veio o boleto de janeiro de 2013, paguei e tudo beleza. Nada. No dia 18 de janeiro de 2013, novamente minhas contas de mail foram suspensas. Novo constrangimento, novos problemas, principalmente pra mim que vivo do trabalho da internet. Nossa, de novo! Por que? Adivinha? Exatamente, pagamento de 18/12/2012 em aberto. Aí liguei pro 40035797 e a atendente me falou que enviou trocentos mails e eu não respondia acerca do modo inadequado que eu enviei o mail. Como é? Num é que era verdade? Só pude constatar porque o Anti-Spam do Terra é tão bom que coloca os mails deles próprios lá. Como eu ia adivinhar? Tinha até mail meu mesmo enviado para mim que estava lá entre os spamers. Pode? Nunca tinha acessado a pasta de Anti-Spam! No máximo só mandava limpar, pois, se era spam selecionado pelo próprio Terra, então não vale a pena nem verificar, excluir tudo e mandar ver. Aí depois daqueles perguntinhas me aconselhando a pagar pelo cartão de crédito, ou débito automático, ou mesmo depósito identificado, tive que repetir mais uma vez que desejaria que a minha opção se mantivesse pela forma de pagamento escolhida. Assim foi, assim ficou e ela me orientou a enviar o comprovante de pagamento anexado no mail de resposta no formato jpeg ou pdf (sob o argumento de que eles não leem o mail, só conferem o anexo e pronto) e que enviasse pro Locpag do Terra que eu não seria mais importunado e tudo seria resolvido, conforme o protocolo 33332574940. Assim fiz, assim foi feito.

Pensa que resolveu? Eis que no último dia 06 de fevereiro de 2013 minhas contas de mail amanheceram suspensas novamente. Por que será? Acesso o site do Terra, não posso, estou com débito em aberto. Aí ligo pro 40035797 e falo com a atendente a qual me pediu para que eu reenviasse o mail enviado pro locpag agora para novamente ClienteTerra. Enviei. Liberaram o mail lualma, mas deixaram o luizalbertomachado e o lalbertomachado bloqueados.

Fui respirar porque havia perdido a manhã todinha com isso. Mas, quando foi de tarde, eu disse: vou resolver isso. Acessei novamente o site Terra pelo lualma (só ele funcionava porque os demais estavam bloqueados) e lá estava em aberto a famigerada duplicata de 18/12/2012, 51 dias em atraso. Aí disse pra mim: se amanhã minhas contas amanhecerem bloqueadas, eu cancelo meu serviço no Terra. Dito e feito. Às 14hs do dia 07/02/2013, todas as minhas contas estavam bloqueadas. Aí começou minha via crucis. Liguei pro 40035797 e solicitei o cancelamento das minhas contas no Terra. Imediatamente o mail lualma foi restabelecido, deixando os demais bloqueados. Ai a atendente me informou que meu cadastro era pessoa física, mas que eu tinha um Terra Empresarial e que eu tinha que ligar para 40035799 para resolver. Aí liguei pro numero mencionado, me atenderam, me deram um chá de cadeira de 14 minutos, fiquei só escutando o locutor dizendo isso e aquilo e nada, desculpe, senhor, estávamos conferindo. O senhor terá que ligar pro 40035797 porque seu contrato é pessoa física. Peraí, tão brincando comigo. Acessei o site e fui pro atendimento ao consumidor, tasquei no chat e perguntei se poderiam resolver meu problema, responderam: ligue pro 40035797. Mas eu não consigo falar com esse número, chama e ninguém atende. Responderam: ligue 40035799 e mais uma vez disse que ligava e não atendia. Responderam finalmente: aguarde um momento e ligue novamente. Passei a tarde toda ligando até que tive um estalo e acessei a ouvidoria. Aí mandei um mail pro ClienteTerra narrando o acontecido e manifestando minha insatisfação optando pelo cancelamento das minhas contas com a empresa Terra Networks. Como não havia retorno algum nem por telefone, nem por chat online, nem por mail, enviei o mesmo mail com o meu problema e solicitação pro OuvidoriaTerra. Até agora não recebi nem telefone, nem mail, nem nada. Fazer o que? No país do Fecamepa direito do consumidor é coisa pra se valer sempre!


RESPOSTA OUVIDORIA TERRA NETWORKS EM 18/02/2013:
Prezado Sr. Luiz,
Encaminhamos o comprovante de pagamento da fatura 18/12/2012 para o nosso Departamento Financeiro para que os mesmos façam a quitação da cobrança em questão.
Informamos que o serviço Terra BL Família R$ 54,95 foi cancelado em 07/02/2013, permanece ativo o serviço de E-mail Protegido R$ 11,91.
Caso mantenha o interesse em cancelar o serviço, siga o roteiro abaixo:
- Acesse o endereço http://central.terra.com.br
- Digite seu nome de usuário principal e senha nos respectivos campos e clique em "Ok";
- Na parte inferior da tela, clique em "Finalizar contrato".
- Digite o CPF/CNPJ do titular do cadastro Terra e, no segundo campo, o número que aparecerá na imagem logo abaixo. Clique em "Ok";
- Selecione, na tela seguinte, os serviços que deseja cancelar, clicando na caixa correspondente;
- Clique em "Ok", após verificar as informações da tela;
- A etapa seguinte leva em torno de um minuto para ser processada. Aguarde e após clique em "Ok" para continuar o cancelamento;
- Na tela seguinte você visualizará a confirmação de cancelamento on-line, podendo imprimi-la como comprovante. Para isso, clique em "Imprimir".

Atenciosamente,
Auristela Quadros
Equipe de Ouvidoria
Serviço de Atendimento Nacional
0800 777 5757 Fax (51) 3287-9087


PROCEDIMENTO DE CANCELAMENTO ADOTADO EM 18/02/2013
Cancelamento online
Alterações efetuadas com sucesso!
Data de Cancelamento: 18/02/2013
Você está em dia com o Terra
O contrato do plano e do(s) serviço(s) acima requeridos foram cancelados nesta data.
Lembramos que o período contábil que adotamos é do 21 ao dia 20 com vencimento no dia 10 ou 20 do mês seguinte, conforme seu contrato.
Sendo assim, dependendo da data em que o cancelamento está sendo realizado, ainda podem ocorrer duas cobranças.
(1) a cobrança referente ao período de faturamento terminado do último dia 20, terá vencimento no próximo vencimento do seu contrato, dia 10 ou 20;
(2) a cobrança proporcional dos dias transcorridos desde o último dia 21 até o dia de hoje. Essa cobrança será faturada no próximo dia 20 e a sua cobrança será emitida com data de vencimento para o dia 10 ou 20 do mês subsequente, de acordo com a data de vencimento do seu contrato.
Este é o seu comprovante de cancelamento. RECOMENDAMOS A IMPRESSÃO DESTE DOCUMENTO.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 
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segunda-feira, maio 04, 2009

ELIOT, STUART HALL, TODOROV, MARK TWAIN, MAHMOUD DARWISH, DONOSO CORTÉS, LATUFF & MOVIMENTO SINDICAL.

A arte do cartunista e ativista político Carlos Latuff.


MOVIMENTO SINDICAL NO BRASIL - Os sindicatos são organizações criadas pelos trabalhadores para representar seus interesses e enfrentar as dificuldades geradas no mundo do trabalho. Na medida em que um conjunto de categorias profissionais distintas passam  a construir entidades associativas para melhorar suas condições de trabalho e de vida, sua ação coletiva engendra o que se convencionou chamar Movimento Sindical. Trata-se de um movimento que possui um conjunto de características comuns que permitem identificá-lo como um fenômeno político mundial, nascido nos primórdios da sociedade capitalista industrial e que sobrevive até o presente. O Movimento Sindical se materializa através da ação das múltiplas entidades sindicais de trabalhadores, através de associações, sindicatos, federações, confederações, centrais, e ganha conformações variadas, dependendo das formas como estas instituições se organizam, dos objetivos que movem suas lideranças e seus membros e das ações que eles desenvolvem. O Movimento Sindical no Brasil se constitui, desde seu surgimento até a atualidade, num dos mais expressivos representantes dos interesses dos assalariados, particularmente aqueles de renda baixa e média, ou seja, a maioria da força de trabalho nacional. Neste sentido e visando descrever de forma breve a trajetória desse movimento no país, destacando suas origens, o projeto ideológico que orienta suas lideranças e militantes, as reivindicações básicas apresentadas, as principais formas de organização interna, as formas predominantes de ação sindical e seus resultados mais destacados. As primeiras organizações sindicais surgiram no Brasil na metade do século XIX, no contexto de uma economia agro-exportadora, quando ainda predominavam relações de trabalho escravistas. Elas representavam os trabalhadores urbanos, livres e vinculados especialmente ao setor terciário. Com a abolição da escravatura em 1888, até a primeira década do século XX, novas categorias profissionais do setor terciário e secundário criaram sindicatos. Embora organizados de fato desde metade do século XIX, as primeiras leis que legalizaram a vida dos sindicatos somente surgiram no século XX. Restrições e perseguições por parte de muitos empregadores, repressão por parte do aparato policial do Estado e dificuldades materiais para sua sobrevivência foram as principais limitações enfrentadas. O significado dos sindicatos para os trabalhadores era o de um organismo de representação dos seus interesses e  de  defesa  contra  a  exploração  e   violência sofridas, sem deixar de cumprir também, nas primeiras décadas, a função mutualista. O projeto ideológico do Movimento Sindical foi construído a partir da visão de mundo que possuem suas lideranças e seus ativistas, repercutindo sobre a definição dos objetivos estratégicos que o organismo deve perseguir e as ações táticas desenvolvidas para atingir estes objetivos. A ideologia pode atuar como um mecanismo estabilizador do “status quo” ou como propulsora da sua transformação. Na história do Movimento Sindical brasileiro estes dois aspectos da ideologia, o estabilizador e o transformador do sistema, encontram-se presentes, ora coexistindo, ora conflitando entre si. Os projetos ideológicos transformadores traduziram-se, no seio do Movimento Sindical, em inúmeras correntes sindicais de cunho revolucionário ou reformista. As correntes revolucionárias mais destacadas foram o anarquismo (principalmente o anarco-sindicalismo), o socialismo e o comunismo. Elas tinham em comum a constatação de que os problemas que os trabalhadores enfrentavam no mundo do trabalho resultavam do modelo de sociedade - a capitalista - que engendrava relações desiguais entre as classes sociais fundamentais, no caso a burguesia e o proletariado, decorrentes da posição distinta que ambas ocupavam em relação aos meios de produção. Para eles, a burguesia, proprietária dos meios de produção, impunha ao proletariado, proprietário da força de trabalho, as suas condições no mundo do trabalho, exploração versus dominação. A possibilidade de ruptura dessa situação residia na transformação profunda da sociedade - passagem do capitalismo a uma sociedade igualitária, socialista ou comunista, pela via revolucionária. As correntes reformistas podem ser relacionadas a dois grupos: um, o dos socialistas e comunistas, que possuíam a mesma visão apresentada pelas correntes revolucionárias sobre a sociedade capitalista, aspiravam aos mesmos objetivos, mas defendiam a transformação social através da via pacífica: a reforma e não a revolução. O outro grupo dos reformistas, os trabalhistas, aspiravam reformas no âmbito do mundo do trabalho, não envolvendo-se em projetos de reforma mais ampla da sociedade. Ambos defendiam a liberdade de organização partidária, a aproximação do partido em relação aos sindicatos e a conquista de adeptos para eleger representantes no Legislativo que defenderiam os interesses dos trabalhadores. A partir dos anos 70 do século XX, as mudanças que ocorreram ao nível da orientação ideológica da ação sindical podem, assim, ser identificadas, de um lado, as correntes classistas, predominantemente reformistas, liderando gradativamente a maioria dos sindicatos, com expressiva capacidade mobilizatória, em torno de reivindicações que revelam preocupação em transformar o mundo do trabalho e a sociedade em que vivem os trabalhadores; e, de outro, as correntes trabalhistas, cuja capacidade mobilizatória varia de sindicato a sindicato, as quais concentram sua preocupação na busca de melhorias nas condições de trabalho, sem maiores questionamentos sobre a sociedade vigente. A partir de meados dos anos 1990, reaparecem posturas estabilizadoras, com denominações diversas, no interior do movimento sindical brasileiro, identificadas através do comportamento de lideranças sindicais preocupadas em atender aos apelos empresariais de parceria no mundo do trabalho e de eliminação do conflito trabalhista, num quadro de naturalização das medidas de flexibilização das relações de trabalho. A diversidade de projetos ideológicos que a trajetória do Movimento Sindical brasileiro abrigou, repercutiu, e ainda repercute, sobre as formas de organização e ação escolhidas, bem como sobre as relações que os sindicatos desenvolvem com outros atores ou instituições sociais e políticas. Nos anos 80 e 90 o Movimento Sindical defrontou-se com um país que recém saía de uma longa experiência autoritária e ele foi um dos sujeitos históricos mais decisivos para impulsionar o processo de redemocratização do país, com inegáveis repercussões favoráveis sobre sua vida interna e externa. Agora, no final dos anos 1990, vê-se frente a novos e inesperados desafios. Como preservar e ampliar suas conquistas trabalhistas, num cenário onde crescem as pressões dos empregadores para desregulamentar as relações contratuais, salariais e sindicais em geral, e forçar a individualização das relações capital-trabalho? Se foi a exuberância demonstrada pelo Movimento Sindical a principal responsável pela conquista de múltiplas reivindicações dos anos 1970 e 1980 – formalizadas como direitos de todos os trabalhadores através da Carta Constitucional de 1988 – tem sido também esta exuberância o principal obstáculo para a derrubada de várias dessas conquistas e daquelas acumuladas pela história deste Movimento. A pressão para reduzir ou eliminar estas conquistas é provocada pela combinação de esforços desenvolvidos neste sentido pelos diversos grupos de pressão do empresariado com a anuência ou indiferença do Estado e do Congresso Nacional. As repercussões da hegemonia da ideologia liberal, facilitada, de um lado, pelo insucesso de muitas experiências socialistas no final dos anos 80 e início dos anos 90 e, de outro lado, pelas conseqüências do processo de conformação de uma nova ordem econômica, política e social têm provocado, entre outras mudanças, profundas alterações nas relações trabalhistas e no papel do Estado como mediador das relações capital-trabalho, as quais são constantemente debatidas, avaliadas e reavaliadas pelo Movimento Sindical. As pressões que o Movimento Sindical brasileiro sofreu neste sentido, desde a promulgação da Constituição de 1988, têm provocado reações distintas por parte das múltiplas correntes sindicais que o Movimento abriga, gerando, ora o agudizar das rivalidades, ora a construção de ações conjuntas em campanhas pontuais. Independentemente da diversidade na avaliação do momento atualmente vivido pelos trabalhadores, os dirigentes e militantes sindicais não têm medido esforços para estudos, discussões, elaboração de propostas e empreendimento de ações conjuntas para serem desenvolvidas tanto nos espaços tradicionais de atuação sindical, quanto nos novos espaços que se geraram de intervenção das organizações sindicais – os espaços institucionais: conselhos, comissões e fóruns municipais, estaduais e nacionais - que, certamente, constituem-se em elementos revitalizadores do Movimento e, inclusive, provocadores do repensar de seu papel frente aos novos desafios que o final deste século está lhe impondo. Pelo que se vê, nos anos noventa, diante dos movimentos de abertura da economia brasileira ao exterior e de redefinição do papel do Estado, a base da ação sindical sofreu profunda alteração. Pela primeira vez, o movimento sindical enfrenta uma reestruturação capitalista de grandes dimensões, bem como as conseqüências do projeto de integração competitiva que colocam em questionamento as formas tradicionais de ação, sobretudo quando contrastadas com a década de oitenta. O processo de maturação de uma terceira Revolução Industrial e Tecnológica abre distintas alternativas de conformação de relações sociais fundadas no conhecimento e na interligação das informações. A permanência de parcelas sociais cada vez mais marginalizadas das novas possibilidades de relações sociais não deixa de expressar, de um lado, o insucesso do atual padrão de incorporação sócio-econômico. O desenho do homem necessário às práticas do século XXI pouco tem a ver com o trabalhador do século XX. Um novo trabalhador está surgindo, mais polivalente, qualificado e com a visão de todo o processo de produção, podendo, inclusive, inserir-se num mundo que supere a relação desfavorável entre o tempo livre e o de trabalho, bem como a dicotomia entre o trabalho repetitivo e criativo e o rendimento insuficiente e inadequado. As unidades empresariais desverticalizam a produção, externalizam parte do processo produtivo, introduzem novos materiais e usam técnicas inovadoras de produção e gestão da mão-de-obra, o que significa a transformação não apenas da natureza quanto do significado do trabalho. O declínio da presença do trabalho na produção e o surgimento de novas ocupações nos serviços tornam superadas várias habilidades e profissões. Novas habilidades e conhecimentos são requeridos para o exercício de novas funções, com grande instabilidade de currículos, ensino e treinamento. Além disso, o mercado de trabalho, o emprego, a renda e as relações de trabalho tendem a passar por transformações significativas, colocando-se em situação muito diferente da verificada nos últimos cinqüenta anos. A fase de segurança na renda e no mercado de trabalho dá lugar a maior instabilidade. As circunstâncias atuais de gestão e consolidação do processo de transformação nas sociedades contemporâneas em plena idade da transformação estão conduzindo a resultados desbalanceados e desagregadores. Os ganhos de produtividade e a ampliação da riqueza não estão redundando em condições de vida e trabalho melhores para todos. Crescem as desigualdades entre pobres e ricos, empregados e desempregados, homens e mulheres, jovens e velhos. Além das alterações no mundo do trabalho provocadas pela reestruturação na forma de uso e remuneração da força de trabalho, difundem-se os procedimentos de modernização conservadora nos vários países. Desta forma, tentou-se aqui ressaltar os desafios que emergem do novo quadro de mudanças no mundo do trabalho na década atual. Além disso, procurou-se apresentar da maneira simplificada exemplos da atuação sindical nos espaços públicos e institucionais que, de algum modo, significam uma reformulação frente à postura tradicional das entidades dos trabalhadores no Brasil. Em outras palavras, buscou-se modestamente refletir algumas das formas de atuação recente do movimento sindical com o objetivo de identificar o caminho, sempre difícil e contraditório, de democratização das decisões do aparelho de Estado e de realização crescente da cidadania. Veja mais aqui e aqui.
REFERÊNCIAS
BALTAR, P. Mercado de trabalho e exclusão social no Brasil. In: Crise e Trabalho no Brasil . São Paulo: Scritta, 1996
BRASIL. Trabalho e Reestruturação Produtiva. São Paulo: DIEESE 1994.
_______.  O desemprego e as políticas de emprego e renda. São Paulo: DIEESE, 1994.
_______. Anuário Estatístico do Brasil. Brasília: IBGE, 1995.
CACCIAMALI, M. Mercado de Trabalho brasileiro: um dos palcos para reprodução das desigualdades. São Paulo: FEA/USP, 1996.
HOBSBAWN, E. A era dos extremos. São Paulo: Cia. das Letras, 1994
LEITE, M. O trabalho em movimento. Campinas, Papirus, 1997.
PEDROSO, Elizabet M. Os sindicatos de trabalhadores e o movimento sindical no Brasil. In: Política Brasileira: regimes, partidos e grupos de pressão. Porto Alegre: Edipucrs, 1999.
POCHMANN, M. Mudança e continuidade na organização sindical brasileira no período recente. In: Crise e trabalho no Brasil. São Paulo: Scritta, 1996.
POLANY, K.  A grande transformação. Rio de Janeiro: Campus, 1980
  

DITOS & DESDITOS - No passado está a história do futuro. Pensamento do filósofo e diplomático espanhol Juan Donoso Cortés (1809-1853), o Marquês de Valdegramas.

ALGUÉM FALOU – [...] Nenhum poeta, nenhum artista de qualquer arte tem seu pleno significado sozinho. [...]. Trecho extraído da obra Notas Para Uma Definição de Cultura (Perspectiva, 1988), do poeta, dramaturgo, crítico literário inglês e Prêmio Nobel de 1948, Thomas Stearns Eliot (1888-1965). Veja mais aqui e aqui.

DIÁSPORA, IDENTIDADES & MEDIAÇÕES -  [...] a cor de um ser humano é sempre presumida, uma vez que a cor é uma categoria classificatória criada culturalmente. A atribuição ou a auto-atribuição de cor é a tentativa de situar o sujeito em um contexto social usando uma presumida aparência para posicionar o referido sujeito nas relações de poder como dominante, subalterno, igual ou diferente. [...]. Trecho extraído da obra Da Diáspora: Identidades e Mediações Culturais (UFMG/Brasília: UNESCO, 2003), do teórico cultural e sociologo jamaicano Stuart Hall (1932-2014). Veja mais aqui.

O EU & O OUTRO – [...] Quero falar da descoberta que o eu faz do outro. Pode-se descobrir os outros em si mesmo, e perceber que não se é uma substância homogênea, e radicalmente diferente de tudo o que não é si mesmo; eu é um outro. Mas cada um dos outros é um eu também, sujeito como eu. Somente meu ponto de vista, segundo o qual todos estão lá e eu estou só aqui, pode realmente separá-los e distingui-los de mim. Posso conceber os outros como uma abstração, como uma instância da configuração psíquica de todo o indivíduo, como o Outro, outro ou outrem em relação a mim. Ou então como um grupo social concreto, ao qual nós não pertencemos. Ou pode ser exterior a ela, uma outra sociedade que, dependendo do caso, será próxima ou longínqua: seres que em tudo se aproximam de nós, no plano cultural, moral e histórico, ou desconhecidos, estrangeiros cuja língua e costumes não compreendo, tão estrangeiros que chego a hesitar em reconhecer que pertencemos a uma mesma espécie. [...] a relação com o outro não se dá numa única dimensão. Para dar conta das diferenças existentes no real, é preciso distinguir entre pelo menos três eixos, nos quais pode ser situada a problemática da alteridade. Primeiramente, um julgamento de valor (um plano axiológico): o outro é bom ou mau, me é igual ou me é inferior. Há, em segundo lugar, a ação de aproximação ou de distanciamento em relação ao outro (um plano praxiológico): adoto os valores do outro, identifico-me a ele; ou então assimilo o outro, impondo-lhe minha própria imagem; entre a submissão ao outro e a submissão do outro há, ainda, um terceiro termo, que é a neutralidade, ou indiferença. Em terceiro lugar, conheço ou ignoro a identidade do outro (seria o plano epistêmico); aqui não há, evidentemente, nenhum absoluto, mas uma gradação infinita entre os estados de conhecimento inferiores e superiores. Existem, é claro, relações e afinidades entre esses três planos, mas nenhuma implicação rigorosa; não se pode, pois, reduzi-los um ao outro, nem prever um a partir do outro. Trechos extraídos da obra A conquista da América: a questão do outro (Martins Fontes, 2003), do filósofo e linguista búlgaro Tzvetan Todorov (1939-2017). Veja mais aqui e aqui.

A ITÁLIA & A PINTURA – [...] É impossível viajar pela Itália sem falar das pinturas, posso vê-las pelos olhos dos outros? Se eu não me embevecesse diante das magníficas pinturas espalhadas em todos os dias de minha vida, pelo monarca de todos os velhos mestres, a Natureza poderia vir a acreditar, às vezes, que não possuo, dentro de mim, nenhum tipo de apreciação pelo belo, sem sombra de dúvida. Parece-me que todas as vezes que, esplendorosamente, acho, por um instante, ter descoberto que uma pintura antiga é bonita e digna de ser elogiada, o prazer que ela me dá é um prova infalível de que ela não é uma pintura bonita e não é merecedora de um sábio elogio. Isso ocorre por mais vezes que eu possa mencionar, em Veneza. A cada momento, o guia pressionava meu formidável entusiasmo com a enfática afirmação: “Não é nada – ela é da Renascença”. “Eu não sabia que diabos de Renascença era aquela. Então, eu simplesmente dizia, Ah! Então é isso – eu não tinha reparado”. Eu não poderia me render ao fato de ser ignorante diante de um negro culto, descendente de um escravo da Carolina do Sul. Mas isso, geralmente, ocorria para minha satisfação própria; e , ao proferir aquele incômodo “não é nada” – é a Renascença”. Eu disse finalmente: Quem é este Renascença? De onde ele saiu? Quem lhe deu permissão para abarrotar a República com seus borrões execráveis?” Ficamos sabendo que essa Renascença não era um homem; essa renascença era um termo usado para significar o que havia de melhor, nada mais que um rejuvenescimento imperfeito da arte. O guia disse que após a época de Ticiano e no tempo de outros grandes nomes, com os quais nos familiarizamos, a alta arte decaiu; então, parte dela ergueu-se novamente – e uma quantidade de pintores inferiores surgiram e que essas pinturas desprezíveis foram feitas por suas mãos. Então eu disse, em meu calor, que eu “desejava que a qualidade da alta arte tivesse decaído há cinco séculos atrás”. As pinturas da Renascença servem-me muito bem, ainda que é eufemismo dizer que sua escola pintava o homem de fato e que não favorecia os mártires suficientemente. O guia de quem falei é o único que nos ensinou alguma coisa. Ele nasceu na Carolina do Sul, de pais escravos. [...]. Trecho extraído da obra The Innocents Abroad or The New Pilgrim’s Progress (Oxford University Press, 1997), do escritor e humorista norte-americano Mark Twain (1835 – 1910). Veja mais aqui.

UM POEMA - Sela-me com teus olhos. / Leva-me para onde estiveres – / Leva-me para o que és. / Restaura-me a cor do rosto / E o calor do corpo / A luz do coração e dos olhos, / O sal do pão e do ritmo, / O gosto da terra... a terra natal. / Protege-me com teus olhos. / Leva-me como uma relíquia da mansão do pesar. / Leva-me como um verso de minha tragédia; / Leva-me como um brinquedo, um tijolo da casa / Para que nossos filhos se lembrem de voltar. Poema do poeta árabe Mahmoud Darwish (1942-2008).


A arte do cartunista e ativista político Carlos Latuff.



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