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sábado, fevereiro 14, 2015

ULRIKE DRAESNER, JODI PICOULT, HILDA DOOLITTLE & DEBBY BOONE

 

AS MUITAS HILDAS IMAGISTE... - Ela nasceu na comunidade moraviana de Bethlehem, filha de um notável astrônomo e de uma pintora de forte espiritualidade – sempre se sentiu rejeitada pela mãe e se decepcionara com o pai por abandonar tudo pela poesia. Ainda jovem o Hilda's Book de Pound e os estudos no Bryn Mawr College, escola que abandonou por conta da saúde precária e as baixas notas. Assumia-se Edith Gray para publicar historietas infantis no The Comrade. Tornou-se H.D. Imagiste no meio dos seus muitos pseudônimos. Casou-se, teve uma filha no meio de tragédias: seu irmão foi abatido no front da guerra, o que levou seu pai a ter um derrame fatal. Era a única mulher entre irmãos exemplares, desajeitada, desconfortável com seu corpo e altura, em conflito contra as normas da sociedade: a prova de falência como mulher. Dedica-se à escrita com Sea Garden e The God. Com um relacionamento aberto, engravida de um compositor. Contrai a gripe espanhola depois de uma gestação de alto risco e quase morre. O casamento degringola com as ameaças de interná-la em um sanatório. Foi salva pela herdeira milionária que custeou seu tratamento, salvou-lhe a vida e o bebê, rejeitando o lugar feminino no universo doméstico: nascia a escritora - Notes on Thought and Vision. Foi morar no Greenwich Village e de lá foi pra Europa. Era o início da imagista original em Londres – a máscara andrógina da sua sexualidade experimental, uma artista expatriada com engajamento na vanguarda. O horror da primeira guerra perseguia e fez o imagismo perder sentido: era a hora de novos questionamentos: relembrava o irmão morto na guerra, o infarto do pai com a notícia. Escreve ficções autobiográficas e aprisionada em sua reputação: As pessoas acham que sabem mais do que eu sobre o que sou ou o que devo ser... E eu digo: quem é H.D.?... Logo perdera também a sua mãe e, quase ao mesmo tempo, engravidara. Era a vez de fundar a revista Close-up e a produtora The Pool Group, na qual atua, mais os escritos de Translations, Hymen, seguindo-se de Heliodora and Other Poems e Hippolytus Temporizes. Viagens pelo Egito, Grécia e os Estados Unidos. Foi se estabelecer na Suíça, quando nasceram os manuscritos de Paint it Today, Asphodel e Palimpsest, inspirada pela poesia japonesa, as leituras Safo e da literatura grega, estilo de escrita com vernaculidade austera. Enfrentou a neurose que bloqueava artistas e encontrou na psicanálise a cura para os males da era moderna. Vivia no meio de casamentos de fachada, triangulações amorosas, escritos em prosa e os conflitos entre desejos hetero e homossexuais: o filme Bordeline, depois Red Roses for Bronze. Vai para Viena fazer terapia: ela estava paranoica com a ascensão do nazismo. Ela queria: virar toda a maré do pensamento humano... e vieram Kora and Ka, Nights e The Hedgehog. Sentimentos despedaçados e a segunda guerra: Minhas descobertas não são essencialmente uma panaceia. Minhas descobertas são a base para uma relevante filosofia... Aparecem os manuscritos de The Walls Do Not Fall e Tribute to the Angels. Um colapso nervoso e a internação numa clínica, com Trilogy, Flowering of the Rod e By Avon River. Os colapsos, as alucinações e o furor de sua bissexualidade. Vivia personificações de Perseu inconformada com o estereótipo feminino e no diário: Jamais me senti completamente satisfeita com nenhum de meus livros, publicados ou não... A vida pessoal sucumbindo a colapsados acontecimentos. Escreveu um odiento poema de repúdio contra o mestre velho e não o publicou enquanto ele estivesse vivo: Eu trocaria os meus anos de vida pelos dele; não seria um número tão generoso quanto eu desejava, mas faria alguma diferença... O inconsciente é uma maneira inusual de pensar... Mais no diário: Advento e Escrito na parede – memórias de antes do tudo. E foi a vez do Tribute to Freud. Retorna à terapia e o manuscrito de End to Torment: A Memoir of Ezra Pound, New Directions. Voltou aos Estados Unidos: foi a primeira a receber a medalha de honra da Academia Estadunidense de Letras e Artes, quando estava estéril criativamente no consultório psicanalítico. Era a hora do Bid Me to Live e o retorno para a Suíça - Helen in Egypt, New Directions. Ali sofreu um ataque cardíaco, com seu epitáfio nos versos de seu poema Let Zeus Record: Então, você pode dizer, \ Flor grega, êxtase grego \ Reivindica para sempre\ Alguém que morreu\ Após a medida perdida\ De uma canção intricada... Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Dance até a terra dançar... Não precisamos saber, apenas ser: deixar de lado a confusão de palavras gastas, razão e vaidade... Se você nem mesmo entende o que as palavras dizem, como pode esperar julgar o que as palavras escondem?... As palavras eram sua praga e suas palavras eram sua redenção... Escrever. Amar é escrever. Pensamento da poeta estadunidense Hilda Doolittle (1886-1961). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Todos nós temos maneiras comuns de nos identificarmos uns com os outros, e acho que quando você aborda a música dessa forma orgânica, é quase indescritível como ela conecta humanos e corações. Pensamento da cantora, atrz e escritora estadunidense Debby Boone. Veja mais aqui.

 

DEZENOVE MINUTOS - […] Se você desse seu coração a alguém e essa pessoa morresse, ela o levaria com ela? Você passaria o resto da eternidade com um buraco dentro de você que não poderia ser preenchido? [...] Você não precisa de água para sentir que está se afogando, precisa? [...] Uma fórmula matemática para a felicidade: Realidade dividida pelas Expectativas. Havia duas maneiras de ser feliz: melhorar sua realidade ou diminuir suas expectativas. [...] Se você passasse a vida se concentrando no que todos os outros pensavam de você, você esqueceria quem você realmente é? E se o rosto que você mostrasse ao mundo fosse uma máscara... sem nada por baixo? [...]. Trechos extraídos da obra Nineteen Minutes (Washington Square Press, 2008), da escritora estadunidense Jodi Picoult, que na obra Keeping Faith (William Morrow Paperbacks, 2006), expressou que: […] A verdade nem sempre liberta; as pessoas preferem acreditar em mentiras mais bonitas e bem embrulhadas [...]. No livro Second Glance (Washington Square Press, 2008), ela expressa que: […] O amor não é um porque, é um não importa o quê. [...]. No livro Change of Heart (Atria, 2008) assinala: [...] No espaço entre sim e não, há uma vida inteira. É a diferença entre o caminho que você trilha e o que você deixa para trás; é a lacuna entre quem você pensou que poderia ser e quem você realmente é; é o espaço para as mentiras que você contará a si mesmo no futuro. [...]. No livro Vanishing Acts (Washington Square Press, 2005) escreve: [...] São necessárias duas pessoas para que uma mentira funcione: a pessoa que a conta e a que acredita nela. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS - POEMA INACABADO, VERSÃO FINAL - você sabe como é quando você \ começa a girar (as folhas caindo) ele pergunta \ com uma calma gentil e polida: wulkan. \ a disposição das bordas a porcelana \ todas as coisas na casa ele disse \os colocam em mente suas próprias necessidades: fotos \ de batizados, iniciais em linho \ os edredons volumosos o \ sonho azul de uma cômoda com \ pavão saltitante o vinho do ano do casamento – o \ deles, isto é, ainda quente seus lábios alemães \ nas taças perto da pia. tínhamos vergonha \ não de pegar, mas de olhar \ foi assim que chegamos.\ wulkan. figura antiga para a vida. \ o humano empilhando-se em camadas \ atadas completamente cinza prolífico \ e quente, endurecido – sentado em malas prontas \ em novas casas por 30 anos: fugindo \ para o que outros fugiram. eles serraram \ a cama os outros para combustível o único \ saco recuperado a perna de pau \ de um irmão morto, eu posso ver \ suas mãos, avó, avô, pai, \ suas unhas, eles não perderam \ tudo mantiveram quase todas \ as partes de seus corpos mantiveram algo \ da alma – talvez \ alguns de nós deitem e façam amor \ na grama europeia, uma torre se ergue \ é apenas de ferro e reconstruída \ o que é normal, um bonde \ passa e o coração, wulkan \ bate seus cascos suavemente contra as paredes \ em um antigo \ estábulo polonês. ESCONDIDO - como um cavalo altivo (e língua estrangeira) balançando \ e rígido lamentavelmente não no táxi, mas na minha casa \ agora entrou eram outras mulheres que meu marido \ despiu. o quarto incrustado \ com paredes fibrosas então \ você não podia andar você tinha que voar os outros \ (em voo) o tinham fundido ao telefone quando \ eu na escuridão dessa confusão total me tornei \ o príncipe que não suportava olhar nenhum, enfeitado com um \ casaco de pônei manchado. eu vou te mostrar, meu marido disse, a \ variedade de suas próprias armadilhas internas hiper-real você é \ a parede a poltrona a cobra e muito verdadeiro \ o jeito que sua pequena alma empalidece mais uma vez, \ segue seus próprios olhos grandes e inchados através do flokati \ você está realmente tentando forçar isso? pensei no \ velho jogo da toupeira, um de nós descendo as colinas escuras \ o outro controlando o DVD do computador. era sobre \ uma coisa cega forçada de volta para seu buraco que praticamente \ sufoca, mas ainda remando ternamente tenta rastejar \ ao redor da terra. Poemas da escritora alémã Ulrike Draesner, autora de obras tais como: Gedächtnisschleifen (1995), Esfinge Bläuliche (2002) e Spiele (2005), entre outras.

 

SACADOUTRAS

 

Imagem: da exposição Pictórico Frevo do artista plástico pernambucano Rinaldo Lima.

Ouvindo Ninho de Vespa (Independente, 2013), da SpokFrevo Orquestra.



MOMENTO DE REFLEXÃO: “O brasileiro tem fome de ética e passa fome por falta de ética!” – do sociólogo e ativista dos direitos humanos, Herbert de Souza – Betinho (1935-1997), que dedicou sua ação ao projeto de Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Veja mais aqui e aqui.

O REI MENOS O REINO – O poeta, tradutor e ensaísta brasileiro Augusto de Campos, foi um dos criadores da poesia concreta brasileira, ao lado do seu irmão, o poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2003) e do poeta, ator, ensaísta, professor e tradutor Décio Pignatari (1927-2012). Esse movimento tem como marco estético o ano de 1956, com uma pesquisa de formas e de linguagens nunca empreendida antes. Augusto publicou seu primeiro livro O rei menos o reino (1951), seguindo-se Poetamenos (1953), Cidade/City/Cité (1964), Equivocábulos (1970), Colidouespaço (1971), Viva Vaia (1971), Poesia, Antipoesia, Antropofagia (1978), Despoesia (1994), Não (2004), além de traduzir Mallarmé, James Joyce, Ezra Pound, Maiakóvsky, Cummins e Arnaut Daniel, entre outros. Sendo um dos fundadores da revista Noigandres, definiu o movimento: “Com recursos drásticos como a abolição ou a redução da sintaxe discursiva e a ênfase na comunicação visual, criamos uma poesia Elemental e Elemental, simultaneamente sofisticada e primitiva, para virar a mesa da poesia. Ao mesmo tempo, adotamos uma língua geral, ou melhor, um código geral, que obrigava à leitura do texto no original, mas facilitava o acesso ao idioma com um vocabulário reduzido. Em suma, fizemos com a nossa língua uma espécie de esperanto poético, que nos permitia intervir literariamente em dimensão internacional e inverter a situação, passando de influenciados a influenciadores. O fato é que, depois da Exposição de 1956, em São Paulo, japoneses e ingleses, tchecos e iugoslavos (europeus e americanos) começaram a expor poemas concretos e a publicar antologias dessa poesia, em que figuravam como paradigmas os nossos poemas, tornados facilmente acessíveis com pequenos glossários de português básico”. Veja mais aqui e aqui. 

TEMPO DE MORRER – No livro Novas veredas da psicologia social (Educ/Brasiliense, 1995), organizado pela psicóloga e professora Silvia Lane (1933-2006) e pela socióloga e psicóloga Bader Burihan Sawaya, reúne onze ensaios penetrantes que analisam a complexidade das relações entre o homem e a sociedade, colocados numa nova dimensão pela globalização e pela busca de uma vida digna, apresentando os avanços da teoria laneana, proporcionados pelos resultados de pesquisas e pela influência da teoria de Vygotsky, de Agness Heller e de Wallon. Entre os ensaios, encontra-se Dimensão ético-afetiva do adoecer da classe trabalhadora, resultado de uma pesquisa participante de Sawaia numa favela de São Paulo, envolvendo um grupo de mulheres que, segundo a autora, “[...] sofrem a falta de amparo externo (falta de controle absoluto sobre o que ocorre) e a falta de amparo subjetivo (falta de recursos emocionais para agir)”, refletindo sobre o processo saúde-doença, a partir do referencial da Psicologia Social Comunitária sobre o sofrimento psicossocial e o tempo de morrer que, segundo a autora, “[...] é caracterizado pela falta de recursos emocionais, de força para agir e pensar e pelo desânimo em relação à própria competência. É um autoabandono aos próprios recursos internos, e a consciência de que nada se pode fazer para melhorar seu estado. É a cristalização da angustia. O comportamento emocional que caracteriza o tempo de morrer pode ser definido como um estado letárgico de apatia, que vai ocupando o lugar das emoções até anulá-las totalmente, um estado de tristeza passiva que transforma o mundo numa realidade efetivamente neutra, reduzindo o indivíduo ao zero afetivo. No tempo de morrer, o sofrimento é a vivência depressiva que condensa os sentimentos de indignidade, inutilidade e desqualificação. Ele é dominado pelo cansaço que se origina dos esforços musculares e da paralisação da imaginação e do adormecimento intelectual necessário à realização de um trabalho sem sentido e que não cumpre sua função de evitar a fome. Para a maioria delas, o inicio da vida não coincide com o momento do nascimento, mas com o inicio do tempo de viver que é a superação do tempo de morrer, ao qual estão aprisionadas desde o nascimento. Tempo de viver é o tempo de agir com mais coragem e audácia, é tempo em que se despertam as emoções, quer sejam elas positivas ou negativas. O tempo de viver não se confunde com o bem, ele é um tempo de convite à vida, mesmo sendo uma vida sofrida. E o momento da transformação das relações objetivas que aprisionam as emoções, a aprendizagem, a humanidade e a sensação de impotência se transforma em energia e força para lutar. Tempo de viver não é o tempo do desaparecimento da angustia, aliás nunca se chega a isto. Trata-se de tornar possível a luta contra ela, para resolvê-la e ir em direção a outra angustia [...] A frase mais reveladora do sofrimento psicossocial ouvida durante a pesquisa na favela foi a da vice presidente da Associação de Moradores: Bader, a gente tinha ideia, sabia que faltava água, luz, comida... mas não tinha força para lutar. As mulheres faveladas demonstraram que só a revelação da pobreza e de seus nexos não altera uma situação real. O pensamento não é autônomo, descolado do empírico. É no seu encadeamento com as condições materiais de existência que se vislumbram possibilidades de saltos qualitativos, em direção à consciência crítica”. Veja mais aqui.


THE WALL - O escritor, ator, produtor e diretor de cinema inglês, Sir Alan William Parker produziu o filme Pink Floyd The Wall (1982), baseado no álbum da banda. O roteiro foi escrito pelo vocalista e baixista da banda Roger Waters, com animação do cartunista político Gerald Scarfe e protagonizado pelo músico e ator Bob Geldof da banda punk The Boomtown Rats, que vive a personagem de um roqueiro que se encontra com comportamento depressivo. Trata da construção de um muro imaginário que reflete a superação da vida a qualquer obstáculo. O destaque de todo o filme são as cenas que ilustram as canções, notadamente o grande sucesso da banda Another brick in the wall. Veja mais aqui.


AOS VIVOS & PULSAR POÉTICO – Tenho acompanhado há bastante tempo o extraordinário trabalho da poeta, atriz, clown e produtora Graça Carpes, e tenho cada vez mais admirado seu talento. Ela edita o blog PulsarPoético do qual destaco o seu Aos Vivos: as pessoas vão embora assim / no sopro suave dos ventos / dobram a esquina do tempo / carregadas depois em / carreatas de / anjos dourados / os vejo / no céu em forma de nuvens / acenando e sorrindo / nem aí para as lágrimas que descem ao chão / egoísmo puro egoísmo / essa coisa de morrer / um brinde aos que nascem / e a tudo o que está vivo / inclusive / à memória dos que já tenham ido / e aos convívios / do agora / eu brindo. E como todo dia é dia mulher, hoje é dia de Graça Carpes. Veja mais aqui.



Veja mais sobre:
Educação Infantil, Nauro Machado, Sergei Rachmaninoff, Abraham Maslow, Luz del Fuego, Edgar Leeteg, Lucélia Santos, A pesca das mulheres & J. Lanzelotti aqui.

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As trelas do Doro aqui.
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A menina morta, o pai assassino, Dalton Trevisan, Caetano Veloso, Ute Lemper, Jemima Kirke, Jeff Koons, Dani Acioli & Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é aqui.
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História sem fim, William Holman Hunt & Max Ernst aqui.
William Shakespeare, Hans Christian Andersen, Émile Zola, Giovani Casanova, Emmylou Harris, Harriet Hosmer, Rainha Zenóbia, Max Ernst & Contos de Magreb aqui.
A poesia de Maria Esther Maciel aqui.
Uma arenga de escritores: qualquer criança pode fazer, Bernard Shaw, Anton Walter Smetak, Costa-Gavras, Burrhus Frederic Skinner, Ivan Pavlov, Olga Benário, Kazimir Malevich, Irene Pappás, Herbert George Wells, Camila Morgado & Pegada de Carbono aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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sábado, agosto 05, 2006

LILITH, FECAMEPA, BALZAC, LANE, ERASMO, HORÁCIO, NETRENKO, TRUFFAUT, DIEHEL, ARDANT, SANDRA LUSTOSA & MUITO MAIS!



INTENÇÃO (Imagem: Abraço, da artista plástica Catarina Ribeiro) - Poder abraçar teu peito amigo, poder cruzar uma esquina, beber num bar. Poder lutar por um ideal antigo, carcomido, e expressar uma verdade linda bem sentida pra mostrar meu lugar, meu lar, meu lugar. Quantas avenidas se fizeram compridas no meu caminhar pra que as mulheres mal vestidas descolorissem o sonho que iria acabar. E o abraço no tempo não soprou o meu suspiro, construindo fantasias que iria encontrar na curva morna de viver no mais completo ardor. Eu tive um sonho e se fez menino e cresceu pelas correntes, pelos túneis e se fez amigo e eu vou abraçar e eu vou abraçar e eu vou abraçar. (Música e Letra, Luiz Alberto Machado). Música inserida nas temporadas do show Por um novo dia, 1987/1986. Veja mais aqui e aqui. 

 Imagem: Nu, do artista plástico russo Vladislav Nagornov.


Curtindo o álbum Opera Arias (Deutsche Grammophon, 2003), da soprano russa Anna Netrebko. Veja mais aqui.

EPÍGRAFE – Elephantus non capit murem, nec aquila muscas, frase usada por do teólogo e filósofo holandês Erasmo de Roterdã (1466-1536), significando o elefante desdenha o rato e a águia não apanha moscas. É baseada no provérbio latino Aquila non capta muscas, com o significado de que as pessoas importantes não cuidam de ninharias. Veja mais aqui.

A ALIENAÇÃO SOCIAL DO TRABALHO – No livro Novas veredas da psicologia social (Educ, 2006), organizado por Silvia T. Maurer Lane e Bader Burihan Sawaia, encontro o texto Avanços da psicologia social na América Latina, assinado pela professora e psicóloga Silvia Lane(1933-2006), com um trecho no qual ela aborda a questão atinente à alienação social produzida pelo trabalho, a partir das ideias propostas por Wanderley Codo: [...] a alienação produzida pelo trabalho traz na sua outra face a alienação mental, ou seja, o sofrimento psicológico. O trabalho criativo o homem, o trabalho repetitivo, rotineiro, sem sentido pessoal, o destrói psicologicamente. Nessa direção, seria importante analisar os efeitos da ideologia dominante que trata o trabalho como “um mal necessário”, como obrigação que dignifica o homem, e o lazer como “não fazer nada”, como ócio, negando o aspecto fundamental da atividade na constituição do psiquismo humano. [...] a categoria atividade, demonstrando o seu caráter fundamental na constituição do psiquismo – o homem, ao agir, ao produzir algo, se produz como ser consciente e singular. Por outro lado, a presença da emoção como uma mediação essencial para o movimento da consciência, para desencadear atividades e na produção da identidade, vem apontando para a importância dos conteúdos inconscientes. [...] Veja mais aqui e aqui.

AUREA MEDIOCRITAS – No livro Os pequenos burgueses, do escritor do Realismo francês Honoré de Balzac (1799-1850), encontro o personagem Phellion mencionar: [...] Acima da porta, colocara uma tabuleta de mármore branco, na qual se liam em letras de ouro: Aurea mediocritas. Sob o meridiano traçado num quadro dessa fachada, tinha feito escrever: Umbra mea vita sit (que a sombra seja minha vida). A expressão Aurea mediocritas é do livro As odes, epodos e carme secular do poeta lírico e satírico romano Quinto Horácio Flaco (65-8aC), significando áurea mediocridade. Diz o poeta que essa condição média, garantia de tranquilidade, é preferível à riqueza e à lucidez exagerada, como um ideal da vida discreta. Veja mais aqui, aqui e aqui.

FLOR FEMININA & EXILADO PÁSSARO – Entre os poemas da poeta que participou ativamente do movimento cultural Noites da Cultura Palmarense, Sandra Lustosa, destaco aqueles que foram inseridos na antologia Poetas de Palmares, organizado por Juareiz Correya. Inicialmente Flor feminina: Espero setembro / mergulho nas delícias / gosto primaveril / me vêm lembranças / infantil, ingênua, pura / desvariando no verde dos ciprestes / cálidas margaridas / chorões e brincos de princesa / meus pés pisam flores rasteiras / no meio do gramado / bem-me-quer / gitiranas, papoulas / lilases que me perpetuam / nos sorrisos-de-Maria / bem-me-queres? / Sou flor feminina / pra orgulho do meu sexo / voluptuosa flor / abaixo do meu ventre. Também o poema Exilado pássaro: Um sentimento ausente / pássaro fugidio / exilado de mim / melodia estrangeira / cheiro de mar / sabor de nordeste / com impulso brutal / uma força arrasta / a tortura sonhadora / de prazer e desejo / que brota / do não sei quê / de seus olhos. Veja mais aqui.

LILITH – Tive oportunidade de assistir em 2004, no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, à montagem da peça Lilith, texto e interpretação de Camila Diehel, com direção de Elid Bittencourt, contando o mito da mulher insubmissa por meio de um poema cênico, daquela que teria sido a cria da terra junto com Adão. Ao tentar impor seu pensamento e querer igualar-se ao homem, ela foi expulsa do paraíso e acaba encontrando abrigo junto aos demônios do mundo inferior. Belíssimo espetáculo em que entra em cena a assustadora inocência dos instintos da mulher primeva, com sua fúria, revolta, medos e desejos. Veja mais aqui e aqui.

LA FEMME D’À CÔTE – O drama La femme d'à côté (A Mulher do Lado, 1981), do cineasta francês François Truffaut (1932-1984), conta a história que se passa numa cidade, na qual um clube de tênis ocorre trágicos acontecimentos que aconteceram quando um homem que é casado tem novos vizinhos e fica surpreso ao ver que a mulher do novo vizinho já esteve envolvida com ele, há oito anos atrás. Ambos comportam-se como se não conhecessem, mas, pouco depois, o caso deles recomeça. No meio de uma festa ele perde o controle de uma situação muito embaraçosa e o passado é relembrado, deixando toda a situação mais tensa. O destaque do filme vai para a atriz de teatro e cinema francês Fanny Ardant. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Como já dizia o Doro: Quando a crise esborra o bocal, é sinal que o pencó pegou e seja lá o que deus quiser!!!! Veja o Fecamepa aqui. 



 IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz de teatro e cinema francês Fanny Ardant.



Veja mais Convite para a Crônica de amor por ela, George Gershwin, Friedrich Hölderlin, Zygmunt Bauman, Sérgio Porto, Oswald de Andrade, Anaïs Nin, Pedro Almodóvar, Parmigiano, Kiri Te Kanawa, Lucélia Santos, Penélope Cruz Sanchez, Sumi Jo & Luciah Lopez aqui. 

E mais também Ludwig van Beethoven, Eric Richard Kandel, Hermeto Pascoal, Nina Kozoriz, Linda Lovelace & Amanda Seyfried aqui

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
REMELEXO
O seu dorso impávido desliza agudo peças insones águas do meu desejo arrebatado.
(LAM)

Nus, do pintor alemão Otto Lingner (1856-1917).
Veja aqui, aqui e aqui.


CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.
 

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...