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sábado, julho 11, 2015

GÓNGORA, SÉRGIO BUARQUE, ROBERTO CARDOSO, CARMEN MIRANDA, BÜCHNER, OLINSKY, COYPEL, ORPEN & FOLIA CAETÉ!!!!


Ivan Gregorewitch Olinsky (1878-1962).

(Milão, 1873) & Lo Schiavo (1887) do compositor do Romantismo brasileiro, Antônio Carlos Gomes (1836-1896), com a Orquestra Sinfonica Nacional da Rádio Mec, regente Nino Stinco (Funarte/Atração Fonográfica/Instituto Itaú Cultural, 1982/1998). Veja mais aqui e aqui.

O TRABALHO DO ANTROPÓLOGO – O livro O trabalho do antropólogo (Paralelo 15, 1998), do antropólogo brasileiro Roberto Cardoso de Oliveira (1928-2006), aborda temas como o olhar, o ouvir e o escrever no trabalho do antropólogo, o movimento dos conceitos na antropologia, a "crise" dos modelos explicativos, 0 lugar- e em lugar- do método, a dupla interpretação, tradições intelectuais, antropologias periféricas e centrais, a etnicidade como fator de estilo, o relativismo cultural, moralidade, eticidade e globalização, o diálogo intolerante, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] Talvez a primeira experiência do pesquisador de campo - ou no campo esteja na domesticação teórica de seu olhar. Isso porque, a partir do momento em que nos sentimos preparados para a investigação empírica, o objeto, sobre o qual dirigimos o nosso olhar, já foi previamente alterado pelo próprio modo de visualiza-lo. Seja qual for esse objeto, ele não escapa de ser apreendido pelo esquema conceitual da disciplina formadora de nossa maneira de ver a realidade. Esse esquema conceitual – disciplinadamente apreendido durante o nosso itinerário acadêmico, do termo disciplina para as matérias que estudamos -, funciona como uma espécie de prisma por meio do qual a realidade observada sofre um processo de refração - se me é permitida a imagem. E certo que isso não é exclusivo do olhar, uma vez que esta presente em todo processo de conhecimento, envolvendo, portanto, todos os atos cognitivos, que mencionei, em seu conjunto. Contudo, e certamente no olhar que essa refração pode ser melhor compreendida. A própria imagem ótica – refração chama a atenção para isso. Imaginemos um antropólogo no início de uma pesquisa junto a um determinado grupo indígena e entrando em uma maloca, uma moradia de uma ou mais dezenas de indivíduos, sem ainda conhecer uma palavra do idioma nativo. Essa moradia de tão amplas proporções e de estilo tão peculiar, como, por exemplo, as tradicionais casas coletivas dos antigos Tiikuna, do alto rio Solimões, no Amazonas, teriam o seu interior imediatamente vasculhado pelo "olhar etnográfico", por meio do qual toda a teoria que a disciplina dispõe relativamente as residências indígenas passaria a ser instrumentalizada pelo pesquisador, isto e, por ele referida. Nesse sentido, o interior da maloca não seria visto com ingenuidade, como uma mera curiosidade diante do exótico, porem com um olhar devidamente sensibilizado pela teoria disponível. Ao basear-se nessa teoria, o observador bem preparado, como etnólogo, iria olhá-la como objeto de investigação previamente construído por ele, pelo menos em uma primeira prefiguração: passaria, então, a contar os fogos - pequenas cozinhas primitivas -, cujos resíduos de cinza e carvão irão indicar que, em torno de cada um, estiveram reunidos não apenas indivíduos, porem pessoas, portanto seres sociais, membros de um único "grupo domestico"; 0 que lhe clara a informação subsidiaria que pela menos nessa maloca, de conformidade com o numero de fogos, estaria abrigada uma certa porção de grupos domésticos, formados por uma ou mais famílias elementares e, eventualmente, de indivíduos "agregadas" – originários de outro grupo tribal. Conhecera, igualmente, o numero total de moradores - ou quase - contando as redes dependuradas nos mourões da maloca dos membros de cada grupo domestico. Observara, também, as características arquitetônicas da maloca, classificando-a segundo uma tipologia de alcance planetária sobre estilas de residências, ensinada pela literatura etnológica existente. Ao se tomar, ainda, os mesmos Tukuna, mas em sua feição moderna, o etnólogo que visitasse suas malocas observaria de pronto que elas diferenciavam-se radicalmente daquelas descritas por cronistas ou viajantes que, no passado, navegaram pelos igarapés por eles habitados. Verificaria que as amplas malocas, então dotadas de uma cobertura em forma de semiarco descendo suas laterais ate ao solo e fechando a casa a toda e qualquer entrada de ar - e do olhar externo -, salvo por portas removíveis, acham-se agora totalmente remodeladas. A maloca já se apresenta amplamente aberta, constituída por uma cobertura de duas aguas, sem paredes - ou com paredes precárias -, e, internamente, impondo-se ao olhar externo, veem-se redes penduradas nos mourões, com seus respectivos mosquiteiros - um elemento da cultura material indígena desconhecido antes do contato interétnico e desnecessário para as casas antigas, uma vez que seu fechamento impedia a entrada de qualquer tipo de inseto. Nesse sentido, para esse etn6logo moderno, ja tendo ao seu alcance uma documentação histórica, a primeira conclusão será sobre a existência de uma mudança cultural de tal monta que, se, de um lado, facilitou a construção das casas indígenas, uma vez que a antiga residência exigia um grande dispêndio de trabalho, dada sua complexidade arquitetônica, por outro, afetou as relações de trabalho, por não ser mais necessária a mobilização de todo o dia para a edificação da maloca, ao mesmo tempo em que tornava o grupo residencial mais vulnerável aos insetos, posto que os mosquiteiros somente poderiam ser uteis nas redes, ficando a família a mercê desses insetos durante todo o dia. Observava-se, assim, literalmente, a que o saudoso Herbert Baldus chamava de uma espécie de "natureza morta" da aculturação. Como torna-la viva, senão pela penetração na natureza das relações sociais? [...]. Veja mais aqui.

OS CAMINHOS DO SERTÃO – O livro Monções (1945 - Companhia das Letras, 2014), do historiador, jornalista, escritor e professor Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), aborda temas como os caminhos do sertão, o transporte fluvial, o ouro, sertanistas e mareantes, as estradas móveis, o comércio de Cuiabá, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho inicial: Durante os primeiros tempos da colonização do Brasil, os sítios povoados, conquistados à mata e ao índio, não passam geralmente de manchas dispersas, ao longo do litoral, mal plantadas na terra e quase independentes dela. Acomodando-se à arribada de navios, mais do que ao acesso do interior, esses núcleos voltam-se inteiramente para o outro lado do oceano. Em tais paragens, tratam os portugueses de provocar um ambiente que se adapte à sua rotina, às suas conveniências mercantis, à sua experiência africana e asiática. O processo evolui graças à introdução da cana-de-açúcar, destinada a produzir para mercados estrangeiros. A lavoura do açúcar tem seu complemento no engenho. Ambos — lavoura e engenho — chamam o negro. Incapazes de ajustar-se a esse processo, os antigos naturais da terra são rapidamente sacrificados. Aqueles que não perecem, vítimas das armas e também das moléstias trazidas pelo conquistador, vão procurar refúgio no sertão distante. Vencida porém a escabrosidade da Serra do Mar, sobretudo na região de Piratininga, a paisagem colonial já toma um colorido diferente. Não existe aqui a coesão externa, o equilíbrio aparente, embora muitas vezes fictício, dos núcleos formados no litoral nordestino, nas terras do massapê gordo, onde a riqueza agrária pode exprimir-se na sólida habitação do senhor do engenho. A sociedade, constituída no planalto da capitania de Martim Afonso, mantém-se, por longo tempo ainda, numa situação de instabilidade ou de imaturidade, que deixa margem ao maior intercurso dos adventícios com a população nativa. Sua vocação estaria no caminho, que convida ao movimento; não na grande propriedade rural, que cria indivíduos sedentários. É verdade que essas diferenças têm caráter relativo e que delas não é lícito tirar nenhuma conclusão muito peremptória. A mobilidade dos paulistas estava condicionada, em grande parte, a certa insuficiência do meio em que viviam; insuficiência para nutrir os mesmos ideais de vida estável, que nas terras da marinha puderam realizar-se, ao primeiro contato entre o europeu e o Novo Mundo. Distanciados dos centros de consumo, incapacitados, por isso, de importar em apreciável escala os negros africanos, eles deverão contentar-se com o braço indígena — os “negros” da terra; para obtê-lo é que são forçados a correr sertões inóspitos e ignorados. Em toda parte é idêntico o objetivo dos colonos portugueses. Diverge unicamente, ditado por circunstâncias locais, o compasso que, num e noutro caso, dirige a marcha para esse objetivo. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

De pura honestidade altar sagrado, / cuja base formosa e gentil muro / de branco nácar e alabastro duro / foi pela mão divina fabricado; / pequena porta de coral torneado, / claros luzeiros de mirar seguro, / que à esmeralda fina o verde puro / haveis para redomas usurpado; / soberbo teto, cujos frisos de ouro, / ao claro sol, enquanto em torno gira, / ornam de luz, coroam de beleza; / ídolo belo, a quem humilde adoro: / ouve piedoso o que por ti suspira, / canta os teus hinos e os teus dotes reza. Também o seu Romance: A mais bela jovem / do nosso lugar, / hoje viúva e só / e ontem por casar, / vendo que seus olhos / à guerra se vão, / a sua mãe diz /que escuta seu mal: / Deixai-me chorar / à beira do mar. / Pois que em tenra idade / me lograstes dar / tão curto o prazer, / tão longo o pesar, / e me cativastes, / mãe, a quem se vai / carregando as chaves / sem me libertar: / Deixai-me chorar / à beira do mar. / De hoje em diante os olhos / tornem-me em chorar / o gostoso ofício / do doce mirar, / pois que não se podem / melhor ocupar, / se se vai à guerra / quem lhes era paz: / Deixai-me chorar / à beira do mar. / Não me ponhais freio / nem queirais culpar; / que uma coisa é justa, / a outra é de mais. / Se me quereis bem, / não me façais mal; / muito pior fora / morrer e calar: / Deixai-me chorar / à beira do mar. / Minha doce mãe, / quem não chorará, / mesmo tendo o peito / como um pedernal, / e não dará gritos / vendo já murchar / os mais verdes anos / de meu alvorar? / Deixai-me chorar / à beira do mar. / Que se vão as noites, / pois se foram já / os olhos que os meus / faziam velar; / vão-se antes de tanta / solidão mirar, / dês que há no meu leito / metade a sobrar. / Deixai-me chorar / à beira do mar. Por fim o belíssimo A doce boca que a provar convida: A doce boca que a provar convida / um humor entre perlas destilado, / sem ter inveja do licor sagrado / que a Júpiter ministra o garção de Ida, / amantes, não toqueis, se quereis vida, / porque a meio de um lábio e outro corado / Amor está, de seu veneno armado, / qual entre flor e flor serpe escondida. / Não vos burlem as rosas que, na Aurora, / direis que aljofaradas e olorosas / caíram do purpúreo seio ameno: / serão maçãs de Tântalo, e não rosas, / que logo fogem do insinuado agora; / e somente do amor resta o veneno. Veja mais aqui e aqui.

O POETA DRAMÁTICO – Com o texto O poeta dramático e a história (Estética Teatral, 1980), o escritor e dramaturgo alemão Karl Georg Büchner (1813-1837), tornou-se autêntico precursor do drama moderno, tendo influenciado fortemente o teatro do expressionismo e naturalismo. Por seu espírito revolucionário, promoveu a insurreição e dedicou ao teatro suas ideias satíricas contra o Romantismo. No texto ele expressa que: O poeta dramático, para mim, não é mais do que um historiador, mas sobrepõe-se a este último pelo fato de criar para nós a história uma segunda vez e ainda porque, em vez de nos oferecer uma relação seca, mergulha-nos imediatamente na vida de uma época; em vez de características, mostra-nos caracteres e figuras em vez de descrições. O seu mais alto dever é o de se aproximar o mais possível da história, tal como aconteceu de fato. Mas a história não foi concebida pelo bom Deus, como uma leitura para jovens donzelas e não é preciso polemizar comigo se o meu drama não tem este objetivo. Eu não posso fazer de Danton e dos bandidos da revolução paradigmas da verdade! Se eu quisesse representar a sua libertinagem, seria necessário que eu fosse libertino, se eu pudesse mostrar o seu ateísmo, seria preciso que eu os fizesse falar com ateus. [...] O poeta não é um professor de moral. Inventa e cria figuras, faz reviver épocas passadas, e as pessoas podem daí extrair os mesmos ensinamentos que do estudo da história ou pela observação do que se passa à sua volta na vida corrente. Se é isso que se pretende, não se devia estudar a história, porque nela encontram relatadas muitas coisas inconvenientes, e devia-se maldizer um Deus que criou um mundo em que reina o deboche. Se, por outro lado, me viessem dizer que o poeta não deve mostrar o mundo tal como é, eu responderia que não pretendo fazer melhor que o bom Deus, que certamente fez o mundo tal como devia ser. Pelo que diz respeito aos chamados poetas idealistas, eu acho que eles não produziram senão marionetes, de nariz voltado para o céu, e falando com uma grandiloquência afetada, mas não homens de carne e sangue, nos quais eu possa captar a dor e a alegria e cujos fatos e gestos me chamam de horror ou de admiração. Veja mais aqui. 

Alfred E. Green (1889-1960) e música de Edward Ward (1900-1971), contando a história entre um sujeito que se passa por agente teatral com a sua namorada, e tem 24 horas para pagar a conta do hotel, enquanto tenta coloca-la para um teste no Club Copacabana. A partir de então, ela vai atuar em dois papéis para enganar o produtor do clube, quando uma delas faz mais sucesso e outro produtor quer contratá-la. Surge uma confusão até chegar a invenção da morte de uma delas, envolvendo polícia e muitos problemas. O filme é estrelado pelo ator e comediante Grouxo Marx (1890-1977) e pela atriz do rádio, teatro de revista, cinema e televisão, e cantora luso-brasileira Carmen Miranda (1909-1955). Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do pintor francês Charles-Antoine Coypel (1694-1752)

Veja mais sobre:
O dono da razão, A canção do exílio de Murilo Mendes, Identidade & etnia de Carlos Rodrigues Brandão, A socioantropologia de Maria Sérgio Michaliszyn, a pintura de Francisco Zúñiga & Mônica Alves Torres, a arte de Jules Pascin & a música de Ju Martins aqui.

E mais:
O culto da rosa: canção à flor, mulher amada, Totalidade & infinito de Emmanuel Lévinas, Mundo fantasmo de Bráulio Tavares, a música de Wojciech Kilar, A arte do teatro de Gordon Craig, Erotic Symphony de Jess Franco & Susan Hemingway, a pintura de Paul Delaroche, as gravuras de Paul-Émile Bécat & a poesia de Fernanda Guimarães aqui.
Poemas de Paul Verlaine & Denise Levertov, a pintura de Paul Delaroche, a fotografia de Patricia Hampl, a música de Marcoliva & a poesia de Lourdes Limeira aqui.
Alegoria da loucura, O livro do cortesão de Castiglione & Coríntios aqui.
Fecamepa, Gestalt-terapita de Friederich Perls, Contos e novelas de Jean de La Fontaine, a poesia de Laurindo Rabelo, Auto da alma de Gil Vicente, Crônica da cidade amada de Carlos Hugo Christensen, a música de Diversões Lúdicas, a pintura de Ignaz Epper, Brincarte do Nitolino & Cia Ópera na Mala aqui.
Espectro da fome de Josué de Castro, A ilíada de Homero, a música de Mercedes Sosa, Conversation Noturne de Martha Angerich, a pintura de Tamara de LempickaEliezer AugustoAna Botafogo & a poesia de Genesio Cavalcanti aqui.
Outra globalização de Milton Santos, À sombra das raparigas de Marcel Proust, As nuvens de música de Véronique Gens & Stark Naked Orchestra, Cleópatra & Elizabeth Taylor, a poesia de Clevane Pessoa de Araújo Lopes, a pintura de Camille Pissarro & Howard Chandler Christy aqui.
Primeiro de maio, o pensamento de Mahatma Gandhi, Kark Marx, Adam Smith, David Ricardo, O trabalho & os dias de Hesíodo, a pintura de Tarsila do Amaral, a música de Chico Buarque & Milton Nascimento aqui.
As drogas & as campanhas antidrogas, O pensamento de Milton Friedman, On the Road de Jack Kerouac, A droga é só um pretexto de Francis Curte, Bioética de Javier Gafo Fernández, a música do Yes, a pintura de Carlos Schwabe & Félicien Rops aqui.
A vida, a terra, o homem & a bioética, A condição humana de Hannah Arendt, Grande sertão veredas de João Guimarães Rosa, Pau Brasil de Oswald de Andrade, a poesia de Patativa de Assaré, Dos confins do sertão de Elomar Figueira de Mello, Cronologia pernambucana de Nelson Barbalho, a arte de Fernand Khnopff, a pintura de Shere Crossman & Antonio Cláudio Massa aqui.
Que país é esse, Brasilsilsilsilsilsil, As coroas & máscaras de Eduardo Galeano, Não verás país nenhum de Ignácio de Loyola Brandão, Aos trancos & barrancos de Darcy Ribeiro, Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda, a poesia de Castro Alves & Affonso Romano de Sant’Anna, Samba do crioulo doido de Sérgio Porto, Ary Barroso, Juca Chaves, Dias Gomes & Ferreira Gullar, Gonzaguinha & Ivan Lins, Chico Buarque & Ruy Guerra, Canto das Três Raças, Flávio Rangel & Millôr Fernandes, Maurício Tapajós & Aldir Blanc, Joyce & Fernando Brant, Renato Russo & Cláudia Alende aqui.
Credibilidade da imprensa brasileira, História da imprensa brasileira de Nelson Werneck Sodré, Beijo no asfalto de Nelson Rodrigues, Cervantes & Millôr Fernandes, Notícias dum Brasil de Eduardo Gudin & a jornalista Enki Bracaj aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nude Reading on the Seashore (1930), do artista plástico irlandês William Orpen (1878-1931)
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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sexta-feira, julho 11, 2014

SVEVO, RANA AL-TONSI, AI YAZAWA, JAMES WOOD & MARILYN STRATHERN

 


CÉU CAETÉ DE TUPÃ – INTRODUÇÃO DE VOO: O SOL NASCE PARATODOS! - “Lá se foi tudo quanto a ave fiou”... - Amanhecia e todo dia um pássaro de mil cantos pousava à minha janela. Quando era janeiro os seus zis cantos ensinavam a mim o que são todas as manhãs e o maior exemplo de justiça que se podia imaginar. Foi assim que eu vi o alvorecer no seu gorjeio, a me ensinar os oito minutos e meio que levava o Sol para tocar minha pele. O toque solar aquecedor representava a reluzência indiscriminada para todos e tudo. É que o fulgir do Disco Alado sempre me deu o privilégio de constatar a maior e mais verdadeira liberdade, mesmo que eu tivesse o prisma de Newton ou as citações da Cidade de Campanela. Aí a primeira lição: "o amor à coisa pública aumenta na medida em que se renuncia ao interesse particular... ninguém deve apropriar-se das partes que cabe aos outros". O Etéreo Brilhante dissipava todas as mais esdrúxulas e tempestuosas vicissitudes inopinadas em mim, porque dava vida para serviço dos homens e tudo o mais que estivesse sobre a crosta terrestre. Sem saber aprendia dos maias o que pouco se apreende: que tudo que se nasce durante a noite, só se realiza ao amanhecer. A segunda lição, a modéstia que o Vigoroso Iluminador me dava: o ser humano, um ser subalterno e acidental. Pois, irradiante me ensinava que os deuses são matinais para honrar a alma, seguindo com sua majestade do oriente ao ocidente a caminho da constelação de Lira. Ali eu sentia o dever de ter a mesma atitude de Manco Capac, o inca primeiro: olhos abertos a me inquirir sobre as criaturas da ignomínia e sua vileza. Curaca silente tirava as sandálias e sentia o chão, voltado para o Leste. E aplaudia o espetáculo dos clarões da aurora dourando a vida de todos e de tudo. E beijava os primeiros raios na catarse do momento e os guardava no meu relicário para entregá-los às mãos puras, como aqueles que "contemplam-no como a imagem de Deus, chamam-no de excelso rosto do Onipotente, estátua viva, fonte de toda luz, calor, vida e felicidade de todas as coisas". Era a comunhão para seguir todos os dias e o dia todo fiel contrito pelas supremas hierofanias solares e aprendendo do Livro dos Mortos: "o ontem me criou. Eis hoje. Eu crio amanhãs". Veja mais aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - O passado sempre é novo. Ele se altera constantemente, assim como a vida segue em frente. Partes da vida que parecem ter afundado no esquecimento reaparecem, enquanto, por outro lado, outras afundam por serem menos importantes. O presente conduz o passado como se este fosse membro de uma orquestra. Ele precisa desses tons somente e de nenhum outro. Assim, o passado parece às vezes curto, às vezes longo; às vezes soa, às vezes cala. Só influenciam no presente aquelas partes do passado que tenham a capacidade de esclarecê-lo ou obscurecê-lo. Pensamento do escritor e dramaturgo italiano Italo Svevo - pseudônimo de Aron Hector Schmitz, depois italianizado para Ettore Schmitz (1861-1928). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Num mundo onde os conceitos são tantas vezes implementados de forma ad hoc, parcialmente explorados antes de serem substituídos por outros, é imensamente revigorante encontrar uma atenção tão séria e sustentada aos blocos de construção da investigação – e às responsabilidades assim incorridas. Designs on the Contemporary é uma obra de profunda importância para a filosofia da antropologia. Em conjunto com outras obras de Rabinow, cria uma configuração incomparável, uma configuração de pensamento sem igual. Pensamento da antropóloga e acadêmica britânica Marilyn Strathern. Veja mais aqui.

 

COMO FUNCIONA A FICÇÃO - […] A literatura difere da vida porque a vida é amorfa e cheia de detalhes e raramente nos direciona para eles, enquanto a literatura nos ensina a perceber. A literatura nos torna melhores observadores da vida; podemos praticar na própria vida; o que, por sua vez, nos torna melhores leitores dos detalhes da literatura e vida. [...] A vida, então, conterá sempre um excedente inevitável, uma margem do gratuito, um reino em que há sempre mais do que necessitamos: mais coisas, mais impressões, mais memórias, mais hábitos, mais palavras, mais felicidade, mais infelicidade. [...] A frase pulsa, entra e sai, em direção à personagem e afastando-se dela - quando chegamos a “amontoados”, somos lembrados de que um autor nos permitiu fundir-nos com sua personagem, que o estilo magniloquente do autor é o envelope dentro do qual este contrato generoso é carregado. [...] A casa da ficção tem muitas janelas, mas apenas duas ou três portas. [...] a ficção é ao mesmo tempo artifício e verossimilhança, e que não há nada difícil em manter unidas essas duas possibilidades [...]. Trechos extraídos da obra How Fiction Works (‎Vintage, 2009), do crítico literário, ensaísta e escritor inglês James Wood.

 

NANA - [...] mesmo quando a lua parece estar minguando... na verdade ela nunca muda de forma. Nunca se esqueça disso. [...] As pessoas dizem que o amor pode ser desenvolvido, mas no final a única pessoa que você ama são elas mesmas. é por isso que você escolhe amar alguém que pode lhe agradar mais. [...]. Trechos extraídos de Nana (Cokie – 21 vols, 2006), da escritora e ilustradora japonesa Ai Yazawa.

 

ESTERILIDADE FINAL - Às vezes \ O céu não fecha suas cortinas\ À medida que a primeira noite longa e desolada desce\ Somos pacientes de terceira classe\ Ou, os menos vulneráveis\ Somos vítimas da sabedoria\ No momento em que a janela se abre\ E o ar abre caminho\ Sem expiração apropriada\ Nós sabemos agora\ O que os anos fizeram conosco\ A cama que está vazia há anos\ De todos os cadáveres e mártires\ Deve finalmente ficar estéril\ Então pode ficar alto\ E observe sua alma cair infinitamente\ Sobre braços estranhos.\ Tudo que eu cheiro\ É o fedor de um ferro\ Abandonado em roupas gastas\ Até que pegaram fogo\ E um círculo molhado\ E dentes brancos\ Sem dúvida sem sorrir\ E sonhos que morrem\ Quando não há mais varandas para sair\ E eu tenho escrito poemas há algum tempo\ eu não sei exatamente\ Se esta é a minha dor, ou a deles. MAS EU SEMPRE PERCO - Através de uma das portas de fuga\ Foi onde eu me encontrei\ Uma fada está me arrastando de uma luz para outra\ E nada me acompanha\ Mas risos\ Somos fragmentos incompletos\ Gestos escondidos um atrás do outro\ Os fragmentos da incerteza\ Brilho\ Na ausência\ Eu trouxe os olhos para casa\ Os olhares para a privação\ Não avistei ninguém\ Estou cheio de fraturas\ O que me assusta é que estou tremendo\ Super-heróis sozinhos\ Realize tudo\ A maneira normal\ Todas as mulheres que cometem suicídio são parecidas\ Todas as mulheres que não cometeram suicídio são parecidas \ Alguém abriu uma janela\ Para trazer uma grande pilha de papel colorido para dentro de casa\ O circo está na minha carteira\ Os animais dançam à noite\ Ria sem fazer barulho\ Eles não têm ideia de como se esconder em um circo\ A luta na minha cabeça é interminável\Um telefone está tocando\ As novas descobertas do mundo\ Dor, solidão e desespero\ Você vai dormir em meus braços\ E você sairá do meu corpo como um pardal\ Existe uma maneira de entrar em contato com o céu?\ Eu travo guerras contra mim mesmo\ E eu sempre perco. SOLIDÃO - Há outros que habitam este coração assim como eu;\ Eu os amo eternamente.\ E há loucos em bicicletas que confundi com mágicas\ a quem esta viagem não capturou;\ minha sorte não conseguiu me colocar entre eles.\ E aí está você,\ empoleirado nos mapas do mundo\ acendendo um fogo\ falando comigo sobre a solidão\ em uma costa que parte e retorna\ como alguém sem vontade de sair de casa.\ Para meu único amigo:\ Queria que você estivesse aqui,\ para que pudéssemos dar uma longa caminhada\ junto. Poemas da escritora egípcia Rana al-Tonsi, autora das obras A Rose for the Last Days (Merit House, 2002), A Homeland Called Desire (Merit House, 2005), Short History (Arab Renaissance House, 2006), Kisses (Merit House, 2010), Happiness (Prut, 2012) e When I'm Not in the Air, Poetry (Jamal,  2014).

 

OUTRAS D’ARTES MAIS…

 

 Ouvindo a ópera O Guarani, de Carlos Gomes, com Quinteto Violado.


ANTONIO CARLOS GOMES – O compositor brasileiro Antonio Carlos Gomes (1836-1896), destacou-se como o grande nome da ópera brasileira por seu estilo surrealista. Quando criança Nhô Tonico perdeu a mãe assassinada, trabalhava numa alfaiataria na adolescência enquanto já iniciava a composição de valsas, quadrilhas e polcas, compondo sua primeira missa aos 18 anos de idade: Missa de São Sebastião. A partir daí lecionava piano e canto enquanto se apresentava nos concertos, chegando a ser agraciado com a Imperial Ordem da Rosa, concedida pelo imperador. Dele registra-se um episódio chistoso por causa dos seus longos cabelos, quando apareceu o anúncio: “Tônico para cabelos” e que foi transformado para “Tonico, apara os cabelos”. Veja mais aqui. 


SERGIO BUARQUE DE HOLANDA -  O historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) é autor da importante obra denominada Raízes do Brasil, dela destacamos esse trecho: "O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas vontades particularizadas, de que a família é o melhor exemplo. Não existe, entre o circulo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma oposição". Veja mais aqui.


GIVALDO KLEBER – Hoje aniversaria o meu amigo discotecário, produtor e programador do Instituto Zumbi dos Palmares, Givaldo Kleber Albuquerque Lima. Ele é autor do texto Cazuza, o último dos românticos, publicado no livro Miradas literárias: leituras de textos brasileiros, organizado pela professora Enaura Quixabeira Rosa e Silva (Edufal, 2004) e também do poema Sede de nós, inserido no livro Poesia no Campus, organizado por Eraldo Souza Ferraz: “Vamos jogar nossos corpos na chuva! / Vamos jogar a mesmice pro ar! / Vamos deixar nossas roupas molhadas, / nossas vidas jogadas, / nossas almas lavadas! / Vamos correr, / nos lambuzar, / nos abraçar, / nos engalfinhar / feito crianças na lama... / Vamos, sim, / saciar nossa sede, / de chuva, / de aventura, / de nós...”. Aqui nossos votos de parabéns, feliz aniversário amigo Givaldo!!!!!


JOANA RAMOS –Tive acesso ao trabalho da cantora e compositora Joana Ramos através do Clube Caiuby de Compositores. Foi exatamente daí que soube que ela começou com a banda Samba das Moças, formado em 2008, voltada para a valorização da cultura da batucada do samba de roda do Recôncavo Baiano. Foi nessa banda que ela dividiu o palco com Alcione, Margareth Menezes, Maria Betânia, Caetano Veloso, entre outros nomes da música brasileira. A sua belíssima canção Lugar do amor, parceria dela com Priscila de Freitas, traz a sua encantadora voz meritória de aplausos de pé. Daqui nossos parabéns de feliz aniversário e sucesso!!!!


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Boi de fogo aqui.

E mais:
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Anna Pavlova, a Psicanálise de Freud & Adoção aqui.
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José Saramago, Hannah Arendt, Luís Buñuel, Sérgio Mendes, Catherine Deneuve, Frederico Barbosa, Barbara Sukova, Os Assassinos do Frevo & Gilson Braga aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...