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domingo, novembro 21, 2021

ALASDAIR GRAY, ELSE LASKER-SCHULER, EDWARD ELGAR &TONY ANTUNES.

 

 

TRÍPTICO DQP – Mameluquices mulatíndias... - Ao som do Concerto para Cello e orquestra em Si menor, Op. 85 (1919 – CBS, 1976), do compositor inglês Edward Elgar (1857-1934), na interpretação da violoncelista Jacqueline du Pre com a Orquestra Sinfônica de Londres, regência de Daniel Barenboim. – Videncruzilhada, tomei a direção da venta, como sempre. Andejo e só dei fé duma hestória: a ameaça nas imediações de uma certa bonitona, a mais bela de todas quanto já tivesse. Hem? Todos os homens, não tinha um só que a visse e não endoidasse de paixão. Mesmo? Disseram chegada das bandas da Paraíba e tinha lá um feitiço que era segredo só dela. Oi? Aos cochichos: ela vira a onça que matou a menina que foi criada pela velha. É? Ninguém escapa. Como assim? Era uma vez uma menina que cresceu e queria ganhar o mundo, mas não tinha nada. Pediu a velha que lhe desse e, a coitada, só tinha um carvão: eu quero. Com a posse, pé na estrada. Depois de muito andar ela encontrou um ferreiro que do carvão precisava e ela deu. Depois pediu de volta, era tarde, gastou-se e não mais havia. O ferreiro então deu um machado e ela ganhou o mundo. Adiante estava um cancão e precisava do machado para bater pau e ela deu pra ele tirar mel. Foi pá e pei, nisso o machado se quebrou e ela queria de volta: só tenho mel. Então, me dê. Picou a mula e, noutra volta, se deparou com a lavadeira com a trouxa no rio comendo feijão. Ao ver-lhe o mel às mãos dela, pediu e ela deu. Acabou-se o que era doce e ela queria de volta: deu-lhe um pão de milho e picou a mula. Lá na curva da rodagem, um velho pediu-lhe esmola e ela deu o pão de milho, logo devorado. E agora? Só tenho esse ferrão de acuar gado. Ora, quero. E na beira dum cercado, um vaqueiro aperreado para juntar a boiada, ele pediu pra ela e, sem cerimônia, deu: cutucou daqui, dali, e o ferrão partiu-se. E agora, quer uma vaca? Quero. Para lá e para cá com sua vaquinha, a onça apareceu e devorou: Onça, eu quero minha novilha de vaca, novilha que o vaqueiro me deu. Vaqueiro quebrou ferrão, o ferrão que o velho me deu. O velho comeu o pão de milho, o milho que a lavadeira me deu. Lavadeira comeu o mel, o mel que o cancão me deu. Cancão quebrou machado, machado que ferreiro me deu. O ferreiro gastou meu carvão, carvão que minha madrinha me deu. A onça nem pestanejou, lambeu os beiços e a menina no bucho, palitando os dentes, ancha. Foi aí que a fera, sem sabe como, virou uma moça bonita que vive por ai zanzando e seduzindo todos aqueles de juízo, só para endoidecê-los... Ouvia eu atento o relato, enquanto alguém desconhecido mencionou o poeta italiano Arturo Graf (1848-1913): A sabedoria e a razão, falam; a ignorância, ladra. Estranhei, desconfiado. Logo outro do meio deles sapecou Goethe: Não há nada mais terrível que a ignorância. Não falto algum injuriado, até quem invocasse Confúcio: A ignorância é a escuridão da mente! Outro mais desabusado cuspiu Pitágoras: Se me perguntar o que é a morte, respondo: a verdadeira morte é a Ignorância. Quantos mortos entre os vivos! Lá estava eu no meio de uma saraivada discordante de gente pia e incrédula, nem sabiam o que diziam, nem nada, só jogavam conversa fora, repetiam o que ouviram desde infância, apenas... Reproduziam do jeito deles, segundo eles... Foi aí que me apareceu o escritor escocês Alasdair Gray (1934-2019) que me puxou do lado: Não quero enfrentar este mundo, vamos voltar ao inferno que estou imaginando... Eu deveria ter mais amor antes de morrer. Eu não tive o suficiente... Depois de me conduzir para uma esquina na saída da localidade, ele me disse em tom confidencial: Trabalhe como se estivesse nos primeiros dias de uma nação melhor. E se despediu me livrando de zunzunzum tão discordante. Aproveitei a deixa, segui meu caminho...


 

O reencontro na ruína... – Imagem: arte do fotógrafo francês Lucien Clergue (1934-2014). – Andanças noitedia e se era ou não onça, na vera, não sei. O que sei de mesmo é que ao depará-la deu-se o reencontro: era a Vênus do Quintal. Lembra? Ora, se. E logo me disse toda cantatriz mexicana María Félix (1914-2002): Minha lenda começou a ganhar forma sem mover um dedo. A imaginação do público fez tudo por mim... E sorriu sedutoramente como se me revelasse seus segredos, abraçando-me para cochichar ao meu ouvido: Quando eu quiser, será pela porta grande. Não entendi a última frase sussurrada, sei apenas que levou por insólitas paisagens que mais pareciam as cenas do The Black Crown (1951) do Luis Saslavsky: era o milagre, disse-me e confessou: havia perdido a memória há muito tempo e só agora tomou ciência da razão disso: havia matado o marido. Ao me reconhecer tomara ciência de tudo. Para ela parecia que eu a havia curado, não sei, fato inexplicável. Logo fez-se em mim a La Doña – María Bonita. E me narrou detalhadamente sua turbulenta vida amorosa, casamentos desfeitos, de como se tornou a María de Todas las Marías e o motivo de todos cantarem para ela Je l'aime à mourir de Cabrel. Nada disso jamais poderia eu saber, há muito tempo ela havia se tornado apenas uma deliciosa lembrança que eu guardara para que a vida valesse a pena. Não sei se estava ali condenado ou absolvido, sabia apenas que estava agora enredado nos braços da Inés Rojas do La fièvre monte à El Pao, de Buñuel. De fato, em mim a febre aumentava mesmo porque a República do Pecado misturava histórias que me puxavam e, depois de tudo, era como se não mais confiássemos um no outro, enquanto fugíamos da ilha do ditador à beira de uma guerra civil, até chegarmos a uma praia deserta para me dizer que ela era a Diana do Safo’63 de Alcoriza e nos refugiamos ali. Sabia lá o que seria de nós ali isolados de tudo e de todos, só sei que ela me contou que lera a emocionante carta de Kierkegaard para Regine e se emocionou o panegírico apaixonado de Charlotte e Adam. Uma lágrima desceu e a enxuguei com o polegar. Fitou-me, chorosa e desabafou: havia detestado a leitura do Geschlecht und Charakter (Losada, 2004), do misógino filósofo austríaco Otto Weininger (1880-1903), repetindo o que ele escrevera: Nenhum homem que pense profundamente sobre as mulheres mantém uma opinião elevada sobre elas. Ou os homens desprezam as mulheres ou nunca pensarão seriamente a respeito delas. Nossa! E prosseguiu protestando o fato de como ele se dedicara à entrega total aos imperativos da genialidade, suicidou-se aos 23 anos. Que tragédia! Para ela, a única coisa de relevante que ele deixara, tão somente foi o impacto que exerceu sobre Wittgenstein: Ver o mundo corretamente em silêncio. Quase sorrindo mencionou o silêncio dos versos do The Second Coming de Yeats: Falta convicção aos melhores / enquanto os piores estão cheios de apaixonada intensidade. Abraçamo-nos com a paradisíaca paisagem. Com o passar dos dias aquele lugar era o espetáculo dela nua e tive que veemente discordar do filósofo suicida que sentenciara: Uma figura feminina absolutamente nua deixa uma impressão de algo deficiente, uma coisa incompleta que é incompatível com a beleza. Ah, não! Prefiro o feitiço dela, mesmo que seja uma completa desconhecida, monstro disfarçado ou anátema indesvencilhável.

 


Prexelândio absoluto.... - Despertei atordoado com a barulheira de uma multidão. Que será? Ao tomar pé da situação, entre os desencontros de ontem, reencontros de amanhã, reconheci uma voz de antanho: do poeta e radialista Tony Antunes (que também se assina professor Gleidistone) e recitava no palco Prexelândios de uma vida. Aplaudi ao final e foi quando percebi que estava sozinho e entre gente que nunca antes tivera sequer visto. Havia um certo desconforto só quebrado que, depois, ele encostou-se com a surpresa e um exemplar do seu Digitais absolutas: poemas escolhidos, para recitar-me o seu poema As letras: As letras que fazem nascer / minhas palavras / são portadoras / de criação infinita. / Nos calcanhares letrados da mente / surgem idiomas / com asas de fênix / reluzindo luz e conhecimento. / Abrindo os olhos à leitura, podemos então / ser descobridores de mágicas metáforas / em semânticas de vida / de luz e / de amor. Aplaudi com um firme aperto de mão de frater e um abraço caloroso com os versos do seu poema Meus quirodáctilos: ... sei do meu passado / não sei do meu porvir. / Sou viajante do cosmo / nos planetas mentais / do tico e do teco / do tosco e do taco / de tudo e de todos. Foi aí que conversamos animadamente por um bom espaço de tempo, até ela reaparecer e nos despedimos com a promessa de revermos em breve. Ela me levou de volta para o seu aconchego que sequer sabia onde que poderia ser, enquanto dizia-me de um poema O fim do mundo, da poeta alemã Else Lasker-Schuler (1869-1945): Há um lamento no mundo, / Como se não mais houvesse o bom Deus, / E a sombra que cai, cortina de chumbo, / Pesa mausoléus. / Vem, escondamo-nos mais de perto... / A vida jaz nos corações / Como nos féretros. / Ei, beijemo-nos até não mais poder / — Pulsa uma saudade no mundo, / E é disso que temos de morrer. Ao final do poema, estávamos no meio do mundo e eu não sabia onde era nem queria saber. Então, abraçou-me com o fervor de sempre, sem que eu soubesse jamais se onça ou benfeitora, apenas: precisamos viver, enquanto podemos respirar. Até mais ver.

 

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quarta-feira, janeiro 06, 2016

ARDÊNCIA, LACAN, PITÁGORAS, LATORRE, LAFORGUE, NINA KOZORIZ, RACHEL LEVKOVITS & MUITO MAIS!!!!


CRÔNICA DE AMOR POR ELA: ARDÊNCIA (Imagem: arte de Meimei Corrêa) Ela chegou com todo o verão: um calor de dezembro de elevadíssimos graus a incendiar minhas noites de frio e a promessa de um amor vivo além de todas as fronteiras. E me trouxe seus olhos ternos para que eu enxergasse a vida e todas as coisas no meio das labaredas de seu fogo inextinguível a me convidar pra vida por todos os meios de existir. E a sua boca de sol para iluminar meus caminhos com versos de fêmea que sabe o amor e eu a vi e supus que se fizesse viola para eu compor poemas e canções entre os relâmpagos etéreos da sua apaixonante criatura. E os seus seios macios dos mais ternos sentimentos pro meu abrigo e a cuidar do meu descuidado jeito doido varrido de não temer as hostilidades alheias, acalentando meus murmúrios e acariciando com a sua delicadeza e ternura o meu coração atormentado de desespero. E me deu seu sorriso enluarado com o brilho de todas as estrelas no céu para iluminar minhas noites de completa solidão. E me ensinou o outono com o sal de sua pele a me dar a face da felicidade com todos os pomares de sua vitalidade maternal. E me abrigou do inverno para que eu não tenha mais que cair da minha sazonal sorte e despencar pelos tropeços das desgraças. E me trouxe a primavera com toda pujança do seu encanto e com todo gracejo a morrer de rir com minhas besteiras exaltadas de meter as mãos pelas pernas errando de tudo até de mim quando sou mais que nada na ausência de tudo. E me fez amar essa parte de Deus que ela é num pedaço de vida maior que o universo e senti-la porta aberta no frescor do vento com seus preparativos diligentes para o amor. E seguimos juntos por todas as nascentes para revirar céus e terras no entusiasmo da minha incompletude e a me embriagar com os festejos de sua plenitude a me falar das coisas de hoje e amanhã adoçando as amarguras das minhas mais insossas desventuras. E meu corpo passou a viver sua vida. E minhas mãos a guardar os seus seios e a procurar a formosura do seu ventre para me banhar são e salvo de todos os males. E a sua entrega altruísta me fez poeta no meio de nossas noites e dias imorais, a recitar poemas aos nossos fogosos prazeres dos desejos mais intensos de dois amantes, a fazer uma canção para quem ama de verdade. Assim foi e será: dos dois, uma só vida. (Luiz Alberto Machado. Veja mais aquiaqui e aqui).

PICADINHO


Imagem: a arte do pintor, ilustrador e escultor francês Gustave Doré (1832-1883). Veja mais aqui.

Curtindo o Concerto nº 1 in G minor Op. 26 (1865-1867), do compositor alemão Max Bruch (1838-1920), ao violino de Chloe Hanslip & a London Symphony Orchestra.

EPÍGRAFE - Ex digito gigas, expressão atribuída ao filósofo grego Pitágoras nos registros de Plutarco, significando que pelo dedo se conhece o gigante, ou seja, por um ato, ou por uma atitude, pode-se formar uma ideia do caráter de uma pessoa. Veja mais aqui e aqui.

ESTÁDIO DO ESPELHO – No livro Percursos de Lacan (Zahar, 1987), Jacques-Alain Miller fala a respeito do estádio do espelho de Jacques Lacan: Que é o estádio do espelho? Resume-se no interesse lúdico que a criança dá mostras, entre os seis e os dezoito meses, por sua imagem especular, aspecto pelo qual a criança se distingue, certamente, do animal. Reconhece a sua imagem, se interessa por ela, e esse é um fato que, podemos admitir, é observável. Lacan [...] terminou considerando que o essencial não era nem a ideia de estádio, nem a observação. Quis explicar esse interesse singular da criança, e para isso recorreu à teoria de Bolk, segundo a qual o lactente humano é de fato, desde a origem, em seu nascimento, um prematuro, fisiologicamente falando. Por isso está numa situação constitutiva de desamparo; experimenta uma discordância intra-orgânica. Portanto, segundo Lacan, se a criança exulta quando se reconhece em sua forma especular, é porque a completeza da forma se antecipa com relação ao que logrou atingir; a imagem é, sem dúvida, a sua, mas, ao mesmotempo é a de um outro, pois está em déficit com relação a ela. Devido a esse intervalo, a imagem de fato captura a criança – e esta se identifica com ela. Isso levou Lacan à ideia de que a alienação imaginária, quer dizer, o fato de identificar-se com a imagem de um outro, é constitutiva do Eu (moi) no homem, e que o desenvolvimento do ser humano está escandido por identificações ideais. É um desenvolvimento no qual o imaginário está inscrito, e não um puro e simples desenvolvimento fisiológico. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A DESCONHECIDA – No conto A desconhecida (Cultrix, 1962) do escritor chileno Mariano Latorre (1886-1955), destaco o trecho: [...] O jovem sentiu-se repentinamente aliviado. Foi como se sua angustia desaparecesse na onde quente do sangue que voltava a estremecer em suas veias com o rítmico compasso da saúde. Assobiava baixinho uma ária que aparecia, sem saber por que, naquele momento. Tratou em seguida de entabolar conversa com essa mulher que tão inesperadamente se revelara a ele; tentou reconstruir suas feições, o timbre másculo de sua voz o seu rosto como se a tivesse de pé diante dele; e dos fragmentos que pudera colher ou imaginar, nada de concreto tirava. Desprovida de seus atributos materiais, tinha algo de geral, de abstrato, que não conseguia localizar. Às vezes era a recordação de alguma mulher conhecida anteriormente; outras, a de um retrato entrevisto numa vitrina de fotografias ou em revistas. Procurava recordar o sabor daqueles beijos frenéticos que, como uma cuva de fogo, caíram sobre sua boca; e somente podia afirmar que era uma mulher corpulenta de carnes duras e pele áspera, de formas crescidas e uma cabeleira espessa que supôs preta, com um leve cheiro de umidade; lembrou-se depois do sapato sujo que vira à tarde ao sair das termas; e sorriu; eram agora imagens de vida comum, de camponesas retesadas, em seus vestidos de percal e de cachos indômitos que apareciam em sua memoria. Sorriu com benevolência; e adormeceu, sem recordações, sem angustia, num sonho animal com esta pergunta no umbral do subconsciente: - Quem será esta mulher? [...]. Veja mais aqui.

LOCUÇÕES DOS PIERRÔS & OUTRO LAMENTO – Entre as poesias do poeta francês nascido no Uruguai Jules Laforgue (1860-1887), destaco duas que foram traduzidas por Augusto de Campos e inseridas no ABC da Literatura (Cultrix, 1977), de Ezra Pound. A primeira, Locuções dos Pierrôs: Teu olhar, / Huri, / tem o ar de um memento mori / que diz no fundo: - Ah, deixa estar... Mas direi tudo de uma só vez. / E por que parto, à fé de honrado / bardo / francês. / Teu coração tem fiador honesto, / o meu vive, de duplicatas / levadas / a protesto. E o poema Outro lamento: Essa que me vai pôr ao corrente da fêmea! / Eu lhe direi, então, com ares indiscretos: / “A soma dos ângulos de um triângulo, minh’alma, / É igual a dois retos”. / E se lhe sai este grito: “Deus meu, como te amo!” / - Deus reconhecerá os seus. Ou est’outro, incisivo: / - “Meus teclado têm alma, só tu serás meu tema”. / Eu: “Tudo é relativo”. / Com todo o olhar, sentindo-se banal agora: / “Não me amas nem um pouco, e eu não sou nada feia!” / Mas eu, com um olhar que em si mesmo se alheia: / “Bem, obrigado, e a senhora?” / - “Ah, qual de nós é o mail fiel? Apostemos!” – “Só se quem perde ganha”. Ou lágrimas d’amor: / - “Ah! Tu te cansaras primeiro, estou certa...” / “- Primeiro as damas, por favor”. / Enfim, se ela um dia morre nos meus livros, / doce; como quem decifra um mistério, / terei eu: “Ora essa, ainda há pouco estava viva! / Mas então era sério?”. Veja mais aqui.

TEATRO ELIZABETANO – Na obra Teatro Vivo (Civita, 1976), organizada por Sábato Magaldi, encontro que: Numa época em que, exceto na Espanha, o teatro religioso tendia a acabar e o drama-culto difundido pelo humanismo renascentista fechava-se nas elites, William Shakespeare (1564-1616) construiu uma literatura teatral bastante vinculada aos aspectos populares do teatro medieval. Assim como mártires e santos haviam povoado as peças cíclicas medievais, novos heróis seculares, como Ricardo III, passaram a ser revividos de maneira episódica similar. A estrutura medieval admitia a mistura de efeitos cômicos e trágicos, e a peça-crônica utilizaria a mesma formula. Desse modo se explica porque Shakespeare criou uma personagem como Fallstaff para uma peça séria (Henrique IV) e porque as unidades de tempo, lugar e ação nunca chegaram a ser rígidas. O drama medieval, que consistia principalmente em festas públicas e pantominas, fora transformado pelos humanistas num trabalho de arte literária. Shakespeare adotou essa inovação conservando ainda a separação medieval entre palco e plateia, além da mobilidade de ação do drama religioso. Mas no conteúdo e na tendência, seu teatro foi determinado pelas estrutura política e social da época – a época do realismo político, que leva o conflito dramático da própria ação à alma do herói. [...]. Veja mais aqui e aqui.

TWISTED – O filme de suspense Twisted (A marca, 2004), escrito por Sarah Thorp e dirigido pelo cineasta estadunidense Philip Kaufman, conta a história de uma policial em ascensão que resolve um caso de grande repercussão envolvendo um serial killer e, por isso, é transferida para a divisão de homicídios e promovida ao posto de inspetora. A parir de então se desenrola uma trama envolvente com destaque para atuação da atriz e ativista política Ashley Judd. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica russa Nina Kozoriz
Veja mais aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à escritoramiga, compositora, artista plástica e empresária francesa radicada no Rio de Janeiro, Rachel Levkovits, Veja aqui e aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Veja as homenageadas aqui.


sexta-feira, junho 05, 2009

INCLUSÃO SOCIAL, IMPRENSA, RIVETTE, LOUZEIRO, PITÁGORAS, YAZBEK, EDNALVA TAVARES, DORO & MUITO MAIS!


INCLUSÃO SOCIAL PELO TRABALHO - Através de uma leitura ao artigo do Washignton Novaes "Inclusão social pelo trabalho", vê-se que o autor aborda uma tentativa de discutir estratégias de desenvolvimento voltadas para a maior integração dos empreendedores de pequeno porte na economia nacional. E faz isso examinando o panorama do trabalho no país, na possibilidade de encarar pequenos produtores e empreendedores como arquitetos potenciais do futuro, dando tratamento desigual aos desiguais, conforme preceitos constitucionais vigentes consagrados. Observa o autor o desafio da qualificação, propiciando acesso à tecnologia, ao crédito e ao mercado onde objetiva propor estratégias prioritárias em favor de pequenos produtores e empreendedores, articulado com os arts. 170 e 179 da Constituição Federal vigente, que já prevê incentivo ao empreendedorismo privado e tratamento diferenciado para microempresas e empresas de pequeno porte, que contribuem com 20% PIB, com medidas mediante simplificação, redução ou eliminação de obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias. Alerta o autor que tais idéias já se encontram no Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento - PNUD que foi adaptado para a realidade brasileira no diploma legal, visando contemplar a diversidade de formas de trabalho na economia informal e nas pequenas empresas. Para ele, as estratégias de crescimento se concentram unicamente na promoção do crescimento econômico decorrente de ganhos na produtividade do trabalho, onde o desemprego e subemprego persiste, enquanto há necessidade de uma alternativa sugerida que é a de aproveitar todas as possibilidades de crescimento puxado pelo emprego. Os caminhos sugeridos estão na consolidação e expansão da agricultura familiar, na promoção das micro e pequenas empresas e na ampliação de oportunidade de trabalho para os autônomos do meio urbano. Inclui-se, também, atenção nos setores de obras públicas e infra-estrutura, nos serviços sociais, educacionais e sanitários, construção habitacional e na gestão dos recursos naturais. Ao abordar o contexto geral do crescimento e desenvolvimento econômico e social, passando pelas complexidades da economia real através da distinção da economia doméstica, proto e precapitalista, capitalista de mercado e solidária, o autor advoga a criação de um projeto ambicioso na formulação de um estatuto do trabalhador autônomo e do artesão, que não têm representação política nem sindical, muito menos políticas públicas voltadas para eles; na moralização da terceirização na agenda de políticas públicas. Ele apresenta as condições indispensáveis para propiciar a saída da informalidade, quais sejam na aprimoração do sistema fácil que está sendo implantado pelo SEBRAE, no aperfeiçoamento do Simples tributário que cobra um imposto único e módico das micro e pequenas empresas; lançar o simples previdenciário para autônomos, de modo a proteger grande contingente de excluídos; facilitar o acesso das pequenas e microempresas ao crédito por meio de organizações capazes de converter a vantagem da agomeração em redução de custos na transação bancária, devido à queda do risco; permitir a formação de cooperativas de crédito de empresas; facilitar o acesso ao mercado, por vários caminhos; e criar tecnocentros de difusão do conhecimento tecnológico, para facilitar o acesso das micro e pequenas empresas às tecnologias disponíveis. Depois aborda a redescoberta e a reinvenção do Brasil rural, a partir do potencial de desenvolvimento sustentável nesse setor, aproveitando o desenvolvimento e resgatar a dívida social.  Observa, assim, que a agricultura familiar deve ser encara como alavanca do desenvolvimento rural, exigindo, além de acesso à terra, acesso ao conhecimento, às tecnologias apropriadas, às infra-estruturas, ao crédito e aos mercados, ressaltando que é extraordinário o potencial inaproveitado do desenvolvimento rural brasileiro, além de observar que a biodiversidade, a biomassa e a tecnologia poderiam assegurar ao Brasil uma liderança mundial na construção de uma civilização sustentável e moderna. Daí, parte então, para a consolidação e expansão dos empreendimentos formais de pequeno porte que buscam sobreviver fazendo uso de uma competitividade espúria, quer dizer, pagando salários mais baixos, impondo jornadas mais longas, fazendo uso predatório dos recursos naturais, atrasando ou buscando formas de escapar do pagamento de impostos e dos encargos sociais, quando deveriam ser assistidas no desenvolvimento de uma competitividade genuína que lhes permita aumentar gradualmente os salários, estar em dia com os encargos sociais e impostos, superar o imediatismo e adquirir uma perspectiva de longo prazo na gestão do negócio e na previsão de investimentos. Para isso, necessita da aplicação do princípio do tratamento desigual aos desiguais, bem como a necessidade de fomentar todas as formas de empreendedorismo compartilhado, de forma a superar o caráter isolado e pulverizado em que as MPE enfrentam nos mercados. A partir disso, elenca alguma razões dessa precariedade nas elevadas taxas de juros, na rede de microcrédito bastante reduzida, ortodoxia em relação ás subvenções ao crédito, carecendo enfrentar com desafio a proposta de um conjunto de medidas que reduza ao mesmo tempo riscos e custos administrativos, com implantação de cooperativas de poupança e crédito e de associações de poupança e crédito rotativo, e de consórcios. Enfim, aborda o desenvolvimento territorial integrado e sustentável, conectando horizontalmente suas dimensões verticais que remetem às cadeias produtivas e a outros territórios, citando, o DLIS - Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável com estratégias locais de desenvolvimento por meio da participação das comunidades e os inúmeros conselhos e fóruns de desenvolvimento. Por fim, rumando a um novo modelo para a economia brasileira, através de um Estado enxuto, dotado de canais de participação e mecanismo democráticos de governança desempenhando funções essenciais para a consecução do interesse público. Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: Nu, do artista plástico chinês Xue Yanqun. Veja mais aqui e aqui.


Curtindo o álbum (dois cds) Responde a roda outra vez (Independente), reunindo cantadores populares e folclóricos de Pernambuco, entre eles, Dona Honorina, Dona Terezinha, Dona Maria Felipe, Zé Felipe, entre outros. Veja mais aqui.

EPÍGRAFEDe todas as artes, a educação é a mais espiritual, porque se aplica às almas em via de evolução e condiciona o futuro da humanidade, extraído dos pensamentos do filósofo grego Pitágoras. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A IMPRENSA NA ATUALIDADE – No artigo A verdade sobre os Illuminati (O Rosacruz, outubro/1981), Do filósofo e místico Ralph M. Lewis, destaco o trecho: [...] Hoje em dia, temos o mesmo tipo de difamação e destruição da reputação de pessoas, pela chamada imprensa “marrom”. Esta imprensa dá enorme publicidade a qualquer acusação feita por indivíduos ou grupos contra alguma instituição ou pessoa. Tais acusações, naturalmente, são feitas segundo o devido processo legal. Em outras palavras, um processo legal é instaurado, contendo todas as nefandas acusações. E como elas estão contidas num processo legal, a informação que envolvem é de propriedade pública, e a imprensa tem o direito de publicá-la. Dado o caráter sensacional das acusações, elas são destacadas pela imprensa, e levada à atenção de milhares, talvez milhões de leitores. Quando, entretanto, tais acusações são refutadas num tribunal, ou de algum outro modo legitimamente desmentidas, a imprensa em geral ignora a inocência da vítima e nada publica sobre esse desmentido das mesmas. Em consequência, os leitores só se lembram da falsa impressão das graves e malévolas acusações. Quando é dada alguma publicidade ao desmentido, sua importância é menosprezada a tal ponto que ele é “escondido” em alguma página interna do jornal. O motivo desta prática, tão comum, é que a conclusão do julgamento e a vitória do queixoso, como notícia, têm menor valor publicitário do que a acusação original. Consequentemente, o inocente queixoso (ou organização), repetimos, fica conhecido para muitas pessoas somente em função das acusações difamatórias originais, divulgadas pela imprensa. Veja mais aqui, aqui e aqui.

ROMANCE-REPORTAGEM – No livro José Louzeiro e o romance-reportagem (Rio de Janeiro, 1993), currículo e estudo crítico do professor de Teoria Literária da YFRJ, crítico e ensaísta Manuel Antônio de Castro sobre o romance-reportagem, destaco o trecho: [...] Há um eixo comum (justiça-ordem-política) que projeta sua ação em diferentes segmentos do todo social. Embora os temas se prestem tanto ao sensacionalismo como ao moralismo, José Louzeiro supera surpreendentemente essas armadilhas e, fiel à sua vocação de narrador, exige de nós um mergulho de reflexão na complexa realidade dessas instituições e contraditória presença no corpo social. Realiza, pois, um verdadeiro romance-reportagem. [...]. Veja mais aqui e aqui.

DOCES PALAVRAS – No livro Doces palavras (Janine, 1998), da escritora e produtora Ednalva Tavares, destaco incialmente Alegria: Mantenham-se alegres, leves e afortunados; / Absorvam as jóias do conhecimento. / Desenvolveam os poderes e os serviços. / Livrem-se dos pensamentos inúteis. Também Renúncia: Fortuna imperecível. / Renunciaremos: / ao corpo físico, / às posses físicas, / aos apegos, / à luxúria, / às dores do sucesso. E por fim, Contentamento: Tornar-se leve como um pássaro. / Doar conhecimento e alegria. / Buscar consciência da Alma / no esquecimento do corpo. Veja mais aqui.

A ENTREVISTA – Em 2006, tive oportunidade de assistir no Teatro Cultura Inglesa, em São Paulo, ao espetáculo A entrevista, de Samir Yazbek, contando a história de um homem que provoca um encontro-entrevista com uma escritora com quem teve um romance no passado e, como sempre acontece, há uma tênue fronteira entre a saudade e os velhos ressentimentos, com riscos de parte à parte. Destaque para atuação da atriz Ligia Cortez. Veja mais aqui.

CÉLINE ET JULIE VONT EM BATEAU – O filme Céline e Julie ir de barco (1974), do cineasta francês Jacques Rivette, faz referência à Alice no país das Maravilhas de Lewis Carroll, o Romance de certas roupas velhas, de Henry James, A invenção de Morel, de Buoy Casares e Os vampiros de Louis Feuillade, contando um mundo de magia e feitiços envolvendo uma dupla de mulheres que tenta resolver o mistério de uma casa. O destaque vai para a atuação das atrizes Dominique Labourier e Juliet Berto. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CONSELHO DO DORO - De repente o Doro aparece com o cardan freiado que só por causa de um fora da graciosíssima Katyalita. Deu-se assim. O Doro soube no caqueado do maior cochicho enredeiro que o sortudo do namorado da beldade deu pra acender a fluorescente. Ôxe, um desperdício, né? Um mulheraço daquele dando sopa prum cara que não mais aprecia o dicomer, ora, tinha que deixar a vaga para outro. Então, dando conta da vacância, achou por bem o zezulino de deixar moçoila aprochegada a par dessa destruidora informação. Na horagá ela ouviu tintim por tintim, cerrou as pestanas, mudou de cor, intrigou-se, ficou espionando direito com os olhos aboticados na conversa mole do apaideguado, quando ela voltou-se decidida para destampar a descompostura azeda: - O sinhô faça-me o favor de guardar seus conselhos para socar no cu da sua santa mãezinha, viu? E passe bem! Ela zarpou deixando o Doro com cara de quem perdeu o andar. - Vai que cola, hem?Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da modelo e fisiculturista Lisa Lyon.



Veja mais sobre:
Lagoa Manguaba & Deodorenses, Jorge de Lima, Dominguinhos, Nando Cordel, Arriete Vilela & Nitolino aqui e aqui.

E mais:
A Política aqui.
A poesia de Catulo da Paixão Cearense aqui.
Orientação sexual aqui.
Velta, a heroína brasileira aqui.
Sexo, sexualidade, educação sexual & orientação sexual para educação materna/paterna aqui.
A poesia de Braulio Tavares aqui e aqui.
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Os clecs de Eno Teodoro Wanke aqui.
A psicologia, os adolescentes & as DST/AIDS aqui.
Cidadania & Direito aqui.
Educação para vida e para o trabalho aqui.
A família, entidade familiar, paternidade/maternidade e as relações afetivas aqui.
Educação Ambiental aqui.
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