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sexta-feira, julho 17, 2015

LÉVINAS, CRAIG, BRÁULIO TAVARES, WOJCIECH, DELAROCHE, BÉCAT, FERNANDA GUIMARÃES, MEIMEI CORRÊA & O CULTO DA ROSA.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? O CULTO DA ROSA (canção à flor, mulher amada) – Era uma vez e o tempo presente nos prazeres tardios, ah minha alma da vida inventando horizontes, rainha das flores de Safo se desmanchando em doçura nua com seu buquê de açucena na pele quente que semeia a beleza e acode a minha alegria. Era uma vez, duas vezes com todo encantamento da sua nudez que enche a maré de suspiros apertados e eu sentinela viro o inseto que leva o grão de pólen como o pombo com as águas de céu e inferno para ser o adepto mais fiel do seu coração beija-flor. Era uma vez, duas, três vezes e ela nua bole e eu mexo o flagrante anímico de Deus, tiro o doce e deixo o leite na herbácea perene, deusa dos meus sonhos, perfume mais fino que possa existir no teor mais metafísico dessa imanência. Ah e dela sinto o mais leve olor ao alcançar o gineceu de beleza incomparável, de variedade trepadora na instalação do etéreo emanar na manhã e divina de jardim perfumado de desejo. É ela que me leva pelo aroma da de Sharom, a santificada por Salomão no Cântico dos Cânticos. É ela que possui a realeza da de Hélios e a das sessenta pétalas dos jardins de Midas que figuraram nas armas dos heróis da guerra de Tróia. É ela que vem de sobra e fartura no meu verso aprumado com as que desapareceram dos jardins suspensos da Babilônia, como a das águas que Vênus embalsamou o corpo de Aquiles, como a que coroou o soldado romano depois da queda de Cartago. É ela nua que vaza e faz paga como quem deve com toda a essência da que é Príncipe Negro, o negro que é vermelho bem escuro. É ela destinatária de tudo que vem se aninhar em mim com o cheiro da santa de Viterbo, como a que fora proibida pelo pai de dar esmolas aos pobres. É ela nua radiante que me retém com o incenso da Chá, Sinensis, a mais antiga oriunda da China, como a Azimutal Sideral que auxiliou a navegar o Índico sob as estrelas de distâncias polares no rumo do horizonte. É ela que me detém com jeito atrevida e nua como a seiva da dos gregos, nos rumos da Torre dos Ventos, chamada Rhodon, ou como a Rústica de Giulio Cesare Cortese; ou como a que o lapidário inspirado homenageia a Holanda ou Antuérpia pra encher os olhos do polidor de diamantes. Ela que vem nua e linda como a Mística, como a santificada de Isabel, como a Santa-Maria, como a da chuva do Vaticano, como a das meninas recém-nascidas. Ela que vem nua e linda com todas as honras de rainha para que eu, Tagore inflamado, saiba: "passando de folhas para flores porque começaram a amar..." É ela nua e linda que vem se aninhar em mim com o orvalho da do Ouro do Papa Gregório II; como a da Rainha Josefina, como a das pedras no quintal, como a que o rodólogo, exímio amante, multiplica com sua dedicação. É ela que nua e linda vara as noites no nosso proscênio de gestos fartos, com toda a sedução da Azul utópica, como a de Hildesheim, de mil anos, como a da guerra de York e Lancaster, como de Joaquim Fontes que está comigo. É ela que vem no olho do furacão acontecendo nos meus dias como a Gallica, de propriedades medicinais; como a de Malherbe, como a dos tesouros da moura encantada que não desmente o que promete nem retoma o que dá. É ela que me oferece toda safra de algodão dos seus mimos com a graciosidade da Malvácea Aurora em sua metamorfose durante todo o dia até sabê-la Amor-de-Homem. É ela inquieta e nua que não cessa nem sacia a enchente do meu gozo com toda a maravilha da Brinco-de-Rainha, como a Malva, como a Super-Star, como a do monte dos Alpes, como a Altéia que me cura com seu amor e ainda me farta a fome, a Geléia Rosela, a Caruru Azedo. É ela que acontece na peleja e me detém no truque de toda formosura da de Lima, a primeira santa nativa do continente americano, simples deidade peruana. É ela com toda teimosia de carnaval na manhã clara que me enfeitiça como a de Bokor e a jovem princesa apaixonada pelo oficial japonês no extinto cinema cambojano. É ela que me embriaga como a da cachaça com erva doce, canela em pau, cravo e calda grossa de açúcar: a do Sol. É ela que me seduz como a dos ventos do lirismo erótico da poetisa uruguaia Juana Hernandez de Ibarbourou, a Juana de América. É ela que me deixa ao deus-dará como a de Yeats, o homem que sonhava com o país das fadas e escrevia versos para quando ficar velho. É ela que se enrosca roçando a minha pele como a acetinada de Engandi, nos versos que viraram estudo psicozoológicos do guatemalteco Arévalo Martinez. É ela a de Cem Folhas do poeta galego Ramon Cabanillas, a da Cruz do poeta russo Blok, a de Luxemburg com o sonho abatido à bala. É ela a do Povo de Drummond, a de Raoom, a rosa rosa, todas numa só que é uma só: a rosa é ela. (O Trâmite da Solidão – Nascente, 1993). Veja mais aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

Imagem: Jeune fille dans une vasque, do pintor francês Paul Delaroche (1797-1856)

Curtindo September Symphony / Lament for choir a cappella (2003), do compositor polonês Wojciech Kilar (1932-2013), com a Warsaw Philharmonic Choir/Henryk Wojnarowski & Warsaw Philharmonic Symphony Orchestra/Antoni Wit.

TOTALIDADE E INFINITO – A obra Totalidade e infinito (Edições 70, 2008), do filósofo francês Emmanuel Lévinas (1906-1995), apresenta a sua tese de crítica do Mesmo e valorização da alteridade como formadora do sujeito e fundamentadora da ética, na condução de um novo humanismo a partir da noção de rosto numa alteridade absoluta – o Humanismo do Outro Homem, com a proposta de que a ética é a condução primeira e a dimensão fundadora do humano sob a perspectiva do método fenomenológico, bem como a responsabilidade como o grande vestígio do humano no mundo e a estética da proximidade-vulnerabilidade enquanto sensibilidade na sustentação e no despertar da espiritualidade. Ao valorizar a ética e a dimensão do outro como pressupostos básicos da filosofia, denuncia o autor a incapacidade da racionalidade além do egoísmo e do interesse de preservação de si no vício da mesmidade. Ele discute a questão de que o infinito se opondo à totalidade, negando a síntese da consciência universal e propondo o entendimento pela individualização humana a partir da ética, como sendo a filosofia primeira, na relação entre o homem e outro, o rosto ético. Veja mais aqui e aqui.

MUNDO FANTASMO – O Mundo fantasmo primeiramente surgiu em livro publicado em Portugal, em 1994, pela Editorial Caminho, sendo, depois, publicado com o título Mundo fantasmo: a espinha dorsal da memória, em 1996, pela Editora Rocco, e, por fim, transformado em blog que reúne artigos publicados diariamente no Jornal da Paraíba, de Campina Grande – PB, pelo escritor, compositor e pesquisador paraibano Bráulio Tavares. Além de ter o privilégio de acompanhar suas publicações no blog em referência (e que recomendo o acesso bastando clicar aqui), dele tive a oportunidade ler, entre outros livros, Os martelos de Trupizupe (Engenho e Arte, 2004), ocasião em que fui agraciado pela generosidade de sua irmã Clotildes Tavares, com a oportunidade de entrevista-lo para o meu Guia de Poesia. Para conferir sobre a entrevista, o livro e tudo o mais clique aqui, aqui, aqui, aqui e veja mais aqui.

CHAMAM-ME MULHER NO MOMENTO ÍNTIMO - O destaque poético de hoje é da poetamiga cearense Fernanda Guimarães que é graduada em Serviço Social e atua na área de Turismo, e que há anos acompanho na rede suas publicações nas mais diversas antologias, portais, revistas e sites da internet, inclusive reunindo seu trabalho literário no Recanto das Letras. Dela destaco primeiramente o seu poema Chamam-me mulher: Chamam-me mulher! Essa que atrevida, pluraliza-me, / Quando me penso solidão. Essa que me acolhe e instiga, / Saltando dos abismos e espelhos / Declarando-me aos meus silêncios. / Chamam-me mulher! Essa que tantas almas tem, / Mas que incontida pelo sentir / Revira-me e sabe-me em afetos. Essa que é dona de mim / Sem certidões ou posses. / Chamam-me mulher! Essa que impulsiva me seduz / Com os sons femininos da poesia / E acesa, oferece-me ao verso. Essa que atravessa desertos / E faz-se oásis para o universo. / Chamam-me mulher! Essa que chega antes do tempo, / Remexendo o relógio dos conceitos. / Essa que deixa dores ao vento / E seca lágrimas no colo do sol / Ofertando-me as mãos do recomeçar. / Chamam-me mulher / Essa que permite o mundo / Em seus braços repousar / E em cada sussurro do alvorecer / Fecunda-se sempre de vida / No útero do amor eterno. Também meritório de destaque o seu Momento íntimo: Não me peças a palavra exata / Vivo para além de todas as letras / Pudesses adivinhar os gestos / Quando entre um verso e outro / Suspira o olhar em eterna busca / Não me falarias em certezas / Perscruta-me sempre o indizível / Precipício sorrateiro e invisível / Onde as mãos lançam-se vazias / Ávidas por mim mesma / Mãos alheias, vezes suaves / Estendidas a recolher / As preces que eu não disse / Mãos que me aprisionam / Em muros farpados / Arranhando-me a pele dos sentidos / Mãos que me afagam / E acolhem sem perguntas / Os lamentos que não senti / É apenas meu este silêncio / Esse confessar íntimo de palavras / Quando desgarradas de mim / As mãos sussurram meus gritos inaudíveis / E entrelaçam meus dedos e voz / Conjugando os meus sons / Ecos desafinados do meu desconhecer / Esses que como cordas tensas / Perambulam notas graves / Buscando o tom que mais revele / Esta dissonante incompreensão / Impalpabilidade de mim por mim mesma / Neste momento em que sou apenas só / E minhas mãos são pedras / Da minha própria vidraça / Estilhaçando as lágrimas / Que meus olhos não puderam chorar. Veja mais aqui.

A ARTE DO TEATRO – O livro A arte do teatro (1905 - Estética Teatral, 1980), do ator, encenador, cenógrafo e um dos pilares do Simbolismo Teatral, Edward Gordon Craig (1872-1966), expressa a ideia de que “A arte é a antítese do caos, que não passa de uma avalanche de acidentes”. Na obra destaco os trechos de O ator e a surmarionnette: [...] O diretor de teatro moderno procura uma suntuosa encenação. Não recua perante qualquer esforço para dar ao publico a impressão da realidade transportada para a cena. Não para de nos repetir que os cenários e a encenação são de uma importância capital. E isso por várias razões, entre as quais a principal é que pressente um grave perigo na interpretação harmoniosa e bela; vê formar-se um grupo de pessoas que não é partidário dessas faustosas encenações; não ignora que na Europa se esboçou um movimento neste sentido; que se pretende que as peças clássicas podiam ser representadas diante de um simples telão de fundo. Movimento importante que se estende de Cracóvia a Moscou, de Paris a Roma, de Londres a Berlim e a Viena. Os diretores de teatro veem chegar esse perigo; dizem a si próprios que no dia em que o publico se aperceber, no dia em que os espectadores tiverem experimentado o prazer de uma peça sem cenários irão mais longe e reclamarão uma peça sem atores; e, finalmente, irão tão longe, que serão eles, espectadores, e não os diretores os reformadores da Arte do Teatro. [...] Com esse objetivo, é necessário aplicarmo-nos a reconstruir essas imagens, e não contentes com um boneco, precisamos de criar uma Surmarionnette. Esta não rivalizará com a vida, mas irá além dela; não figurará o corpo de carne e osso, mas o corpo em estado de êxtase, e enquanto emanar dela um espírito vivo, revestir-se-á de uma beleza de morte. Essa palavra morte vem naturalmente ao bico de pena por aproximação com a palavra vida que os realistas reclamam constantemente. Alguns verão nisso uma afetação da minha parte, aquelas sobretudo que não sentem o poder e a alegria misteriosa das obras de arte serenas. Se um Rubens, um Rafael nada deixaram senão de apaixonado e ardente, muitos outros artistas, pelo contrário, vindo antes ou depois deles, tiveram por ideal a medida e, apesar disso, mais do que todos os outros, estes artistas testemunharam um vigor viril na sua arte. Veja mais aqui.

EROTIC SYMPHONY – O drama romanesco Erotic Symphony (Sinfonia Erótica, 1979), do cineasta, roteirista e produtor de cinema espanhol Jess Franco (Jesús Franco Manera, 1930-2013), reconhecido iconoclasta dos filmes horróticos e cultuado como cineasta do trash e do underground, produziu mais de duzentos filmes, entre os quais, esta sinfonia erótica baseada na obra de Marquês de Sade e que situações inusitadas transcorrem numa suntuosa residência em clima de sonho entre uma esposa rica, seu marido, o empregado e uma freira – Armand, Martine, Norma e Fiore – que se veem envolvidos num clima de erotismo, suspense e conspiração, tudo girando na ambição do marido para se apropriar da riqueza da esposa. O destaque da película - na verdade, o que mais me chamou atenção no filme foi conhecer a ousadia do diretor, o clima dado ao que li de Marquês de Sade e a atriz -, a atriz alemã nascida portuguesa Susan Hemingway (registrada como Maria Rosália Coutinho). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Gravuras do pintor, gravador e ilustrador francês Paul-Émile Bécat (1885-1960),

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Imagem: Ísis Nefelibata - arte de Meimei Corrêa
Aprume aqui, aquiaqui.


Veja mais sobre:
A esperança equilibrista, O espaço da cidadania de Milton Santos, Admirável mundo novo de Aldous Huxley, Os saberes da educação de Edgar Morin, a música de Vivaldi & Michala Petri, a fotografia de Andreas Feininger, a pintura de Gianluca Mantovani & Jose De la Barra, a arte de Daniele Lunghin & Dave Stevens aqui.

E mais:
Ah, se em todo lugar houvesse amor, Indivíduo reprimido de Herbert Marcuse, Ordem ao exército da arte de Vladimir Maiakovski, Testamento do teatro de Jerzy Grotowski, o cinema de Ken Loach & Eva Birthistle, Os saltimbancos de Chico Buarque, a pintura de Edgar Degas, O lobisomem Zonzo & Brincarte do Nitolino aqui.
A nuvem de calças de Maiakovski aqui.
Esfíngica amante aqui.
A liberdade de expressão, A natureza de Parmênides de Eléia, A filha de Agamenon de Ismail Kadaré, O poema sujo de Ferreira Gullar, O teatro essencial de Denise Stoklos, o cinema de o Ingmar Bergman & Liv Ullmann, a música de Badi Assad, a escultura de Emilio Fiaschi, a pintura de Gustav Klint & Vera Donskaya-Khilko, o Programa Tataritaritatá & muito mais aqui.
Aniversário de Aninha, A esritura & a diferença de Jacques Derrida, O narrador de Walter Benjamin, Bodas de sangue de Federico García Lorca, a música de Paulo Moura, a pintura de Cícero Dias & Rembrandt Harmenszoon van Rijn, a coreografia de Lia Robato, Greta Benitez & Brincarte do Nitolino aqui.
Cantando às margens do Una, Psicologia geral de Alexander Luria, Clonagem & células-tronco de Mayana Zatz, A criança de sempre de Reinaldo Arenas, a música de Heitor Villa-Lobos & Arthur Moreira Lima, a pintura de Joshua Reynolds & Carl Larsson, o cinema de Luchino Visconti & Alida Valli & Marcella Mariani, Ginger Rogers, a arte de Ana Paula Arósio & a poesia de Líria Porto aqui.
Maria Esperantina, orgasmo de uma noite & nunca mais, O sexo na história de Reay Tannahill, a poesia de Ascenso Ferreira, a literatura engajada de Ulrike Marie Meinhof, a música de Alceu Valença, a pintura de Xenia Hausner & a arte de Guazzelli aqui.
À procura da paternidade, Lenda, Mito & Magia, A trombeta do anjo vingador de Dalton Trevisan, Vivendo com as estrelas de Duília de Mello, a música de Cristina Braga & a pintura de Ernest Descals aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
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sábado, março 09, 2013

BIDÚ SAYÃO, FENOGLIO, ADA NEGRI, BEATRIZ GUIDO, HEATHER GRAHAM & VOZES DAS MULHERES

 


BIDU, LA PICCOLA BRASILIANAAquela carioca era esbelta e pequena: uma festa para meus olhos. O cabelo ruivo repartido ao meio, só queria protegê-la. Mais que encantada me fez Procópio Ferreira no seu coração, mas com a coerção familiar, presenteou-me o seu canto lírico na ribalta do meu coração. Ah, Balduína de Le Nozze di Figaro, a sua presença delicadamente requintada, o seu tom etéreo prateado por árias e canções em que viveu Rosina d’O Barbeiro de Sevilha. Foi na Itália que Toscanini a fez brilhar no Scala de Milão e daí foi Mimì em La Bohème, foi Mélisande de Debussy, foi Susanna n’As Bodas de Fígaro, foi Micaela em Carmen de Bizet, vaiada escandalosamente por uma claque organizada. Indignada ela se foi para ser Manon de Massenet. E de lá foi brilhar no Metropolitan Opera House de Nova York, a soprano que cantou para militares feridos durante a Segunda Guerra Mundial, a mesma da ária e da cantilena das Bachianas Brasileiras nº 5, pela qual foi selecionada ao Hall of Fame. Era eu, a música, as joias e os casacos de pele, os passeios estivais de barco no litoral da cidade de Camden, o cuidado com os gatos, o jogo de cartas e o retorno aos palcos do Carnegie Hall, para me enlevar com a Floresta do Amazonas do Villa-Lobos e se despedir até se tornar samba enredo da Beija-Flor de Nilópollis na Marquês de Sapucaí. E lá foi toda Carmen Miranda sacudindo a passarela. Flertou com a minha máquina fotográfica: Faça-me parecer 69, querido, e eu te dou um beijo. A cantoratriz era a minha Beija-Flor e no mundo O Rouxinol Brasileiro. Veja mais abaixo.

 


DITOS & DESDITOS - O que não perdoo à morte, apesar da fé profunda que me faz acreditar num reencontro, é o não diálogo, o silêncio definitivo... O peronismo e depois a ditadura, a tortura e a guerra foram um tremor muito forte para nós. Acreditávamos na nossa torre de marfim, diferente da América Latina. Agora sabemos, para o bem ou para o mal, que somos a América Latina... Pensamento da escritora e roteirista argentina Beatriz Guido (1924-1988).

 

ALGUÉM FALOU: Cada um segue o seu próprio caminho - seu próprio destino, se você preferir. E somente ele é responsável pela sua escolha. Você tem a capacidade de encontrar todas as respostas - se você se permitir. Quando você se livra do impossível, o que resta é a única resposta, não importa o quão improvável. O mundo nem sempre é algo que nós possamos entender... Pensamento da escritora estadunidense Heather Graham Pozzessere.

 

 

BIDU SAYÃO - Você gosta dos meus olhos? Os olhos sempre foram bons... Nasci no Rio e fui batizada de Balduina, em homenagem à minha avó. Por alguma razão, ela se chamava Bidu e eu também. Eu era três quartos português e um quarto francês suíço. Meu pai morreu quando eu tinha 4 anos, então mamãe e meu irmão mais velho me criaram com muito rigor. Eu era uma criança difícil e tímida. Os homens da família eram todos médicos e advogados. Um 'artista' não era profissão. Quando eu tinha 8 ou 9 anos, fazia monólogos para entreter a família e os amigos. Eu não era bonita ou boa na escola. Comecei a cantar musiquinhas que meu tio me ensinava, mas eu queria atuar, não cantar. A família ficou horrorizada... Na época, meu credo foi estabelecido. A voz tem que ser como um colar de pérolas, igual de cima a baixo, aparentemente sem esforço, natural, flexível, usando todas as cores com expressividade e clareza de dicção. Bel canto não é só para Rossini; todos os compositores precisam de bel canto. Pensamento da célebre cantora lírica soprano brasileira Bidú Sayão (1902-1999), extraído de várias de suas entrevistas e do livro Bidu: Paixão e Determinação, do biógrafo Denis Allan Daniel: Ela, nos Estados Unidos e na Europa, era muito associada ao Brasil. A cantora fazia uma propaganda do país onde ia. Ela tinha muito orgulho de ser brasileira... Algumas pérolas que ela nos premiou: Projetamos no palco o que somos na vida privada... Eu era amiga de todos os meus rivais... Eu sempre dizia que a ópera para mim é como mágica, ilusão, poesia, paixão, humanidade e fantasia. Se você tem tudo isso, então você faz ópera e é delicioso. Caso contrário, pode ser muito chato... No Brasil eu nasci e no Brasil morrerei... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

UM ASSUNTO PRIVADO – [...] Já não podia viver sem saber e, sobretudo, não podia morrer sem saber, numa época em que miúdos como ele eram chamados mais a morrer do que a viver. Ele teria desistido de tudo por aquela verdade, entre aquela verdade e a inteligência da criação ele teria optado pela primeira. [...] Suficiente. Não fale mais comigo. Você me faz chorar. Suas lindas palavras só servem, só podem me fazer chorar. Você é mau. Você fala assim comigo, procura esses temas e os desenvolve só para me ver chorar. Não, você não é ruim. Você está triste. Pior do que triste, você é sombrio. Pelo menos você chorou também. Você é triste e feio. E eu não quero ficar triste, como você. Eu sou bonita e alegre. Eu era [...]. Trechos extraídos da obra Una questione privata (Letture Einaudi, 2011), do escritor italiano Giuseppe Fenoglio (1922-1963).

 

AS ONDAS FLUEM - Entre as margens acidentadas com força constante \ As ondas fluem chorando. O céu de chumbo \ está ouvindo. Não há um sorriso lá no alto, \ Nenhuma respiração se agita na noite. Ao longo de seu curso \ As ondas fluem chorando. Sobre o peito \ Em tristeza grave eles carregam o vale \ O corpo sem vida de uma linda, pálida, \ Infeliz menina que em suas profundezas buscava descanso. \ As ondas correm chorando - neste lamento \ O eco ressoa de um estranho mistério, \ O grito humano, os soluços de miséria \ De um amor selvagem e desesperado - derrotado - gasto. Poema da poeta italiana Ada Negri (1870—1945). Veja mais aqui e aqui.

 

 ATIPICIDADE DOS CONTRATOS MERCANTIS - Inicialmente, convém observar as questões atinentes aos contratos atípicos que são os contratos que com base na autonomia privada, são livremente concebidos pelas partes, são chamados de inominados ou atípicos. Distintos, portanto, dos contratos que têm seus requisitos intrínsecos específicos, devidamente disciplinados pela lei, ditos, por isso, nominados ou típicos. A denominação de contratos atípicos é mais apropriada, uma vez que essa classificação refere-se ao fato de a lei não ter consagrado o seu tipo. Hodiernamente, o número desses contratos cresce de forma acentuada, tendo em vista a necessidade de se encontrarem, nas relações econômicas, fórmulas apropriadas para a efetivação de negócios de todos os tipos, por meio de esquemas contratuais. Tal fato leva a entender que os contratos empresariais são tratados também como  contratos atípicos pelo Código Civil. Para o jurista Pedro Pais de Vasconcelos, o conceito é: (...) os contratos atípicos são os que não são típicos. Saber quais contratos são atípicos pode parecer simples em abstrato, mas em concreto pode ser difícil. Quando se fala de contratos atípicos quase nunca se distingue e quase sempre se está, na verdade, a falar de contratos legalmente atípicos. No entanto, há muitos tipos contratuais que estão consagrados na prática e não na lei. Não são poucos os casos de contratos legalmente atípicos, que são socialmente típicos. Já na visão de Álvaro Villaça Azevedo, “(...) quando o elemento típico se soma com outro típico ou, mesmo, atípico, desnatura-se a contratação típica, compondo esse conjunto de elementos um novo contrato, uno e complexo, com todas as suas obrigações formando algo individual e indivisível”. Ressalta-se que, frente ao papel desempenhado atualmente pelo contrato, a de fixar regras claras para ambas as partes contratantes, ele chega a tomar o lugar da lei em muitos casos concretos na sociedade. Os atuais contratos devem preservar em seu texto a sua função social, a probidade e a boa-fé objetiva questões consagradas nos artigos. 4211 e 4222, do Código Civil. Pode-se destacar que o Código Civil vigente unificou as obrigações civis com as obrigações comerciais, passando ambas a integrar em seu texto assuntos pertinentes as duas matérias. Com isto, o Código não refuta a tradição jurídica mas, beneficia a sociedade ao unificar o direito das obrigações. Dessa forma, o Código Civil substitui a teoria dos atos de comércio pelo da empresa tornando-se compatível com a realidade mundial. Dessa forma, com a entrada em vigor da Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 do Código Civil, passou a ser disciplinado, de forma ampla, a atividade negocial, a figura do empresário, bem como a sociedade empresarial. Nesse sentido, o Código Civil revogou a primeira parte do Código Comercial de 1850, com a introdução do direito de empresa na Parte Especial, livro II, no novo Código Civil. Em decorrência dessas mudanças, o comerciante se tornou um empresário voltado para a atividade econômica, substituindo-se o tradicional conceito de comerciante pelo conceito de empresário. De acordo com a nova legislação, a atividade negocial não traduz a simples prática de atos de comércio, mas o exercício de qualquer atividade econômica organizada, para a produção de bens ou serviços. Com relação ao disposto no art. 4253 do Código Civil, pode-se dizer que “é lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código”. A norma em questão é apontada pelos autores como uma das manifestações da autonomia contratual, a liberdade de concluir contratos atípicos, ou seja, contratos que não são correspondentes aos tipos contratuais previstos pelos códigos ou por outras leis, responde, como anteriormente visto, à exigência da classe empresarial de multiplicação dos negócios. Percebe-se que há omissões no Código Civil no que tange as matérias contratuais de exclusividade empresarial, sobretudo com relação a contratos classificados especiais (atípicos) tais como, os contratos factoring, de franchising, de leasing, a “lex mercatoria”, além dos contratos bancários, em que se destacam a abertura de crédito e o desconto. Sobre a lex mercatoria, impõe ressaltar que este contrato tem como função principal regular a circulação internacional dos modelos contratuais uniformes, não raro atípicos, elaborados não pelos legisladores nacionais, mas pelos departamentos jurídicos das grandes empresas multinacionais.  Tais empresas controlam a produção e a distribuição de seus bens nos diversos quadrantes do mundo. Os contratos realizados nesta modalidade não têm nacionalidade pois, os participantes são de diversos mercados que têm interesse em comerciar mutuamente. Ressalte-se, ainda, que atípicos ou inominados são os que ainda não foram regulados em lei. Em suma, entende-se que os contratos atípicos são constituídos por elementos originais ou resultantes da fusão de elementos característicos de outros contratos, que resultam por conseqüência, em certas combinações, em que se ressaltam os contratos chamados mistos, que aliam a tipicidade à atipicidade, ou seja, conjugam e mesclam elementos de contratos típicos, com elementos de contratos atípicos. Quanto à natureza mista dos contratos, Pedro Pais de Vasconcelos assinala que: (...) o que dá aos contratos mistos uma fisionomia própria é o fato de não corresponderem a um único modelo típico, e só a esse modelo típico, que lhes dê um quadro regulativo que permita a contratação por referência e a integração de sua disciplina. Este fato de não correspondência a um modelo típico é, no fundo, o que caracteriza os contratos atípicos. E assim conclui: “dentro do gênero dos contratos atípicos, os contratos mistos são construídos por referência tipos que foram modificados ou misturados e por suscitarem problemas próprios de determinação do regime”. Do ponto de vista legal, embora não haja expressa previsão no ordenamento pátrio, mesmo assim, como os contratos não são numerus clausus, aplicam-se aos contratos atípicos as regras destinadas aos contratos em geral e, especificamente, as regras disciplinadoras dos tipos legais, que correspondem à prestação principal. Enfim, atípicos ou inominados, dizem-se os contratos que não se acham especificamente regulados. Estes estão regulados pelas regras gerais, pela vontade das partes, e por analogia, pelas disposições dos contratos nominados, no que couber. Veja mais aqui e aqui.

REFEREÊNCIAS
AZEVEDO, Álvaro Villaça. Validade de Denúncia em Contrato de Distribuição sem Pagamento Indenizatório, in: Revista dos Tribunais nº 737, março de 1997, pp.98/111.
BESSONE, Darcy. Do Contrato – Teoria Geral. São Paulo: Saraiva, 1997. BULGARELLI, Waldirio. Contratos Mercantis. São Paulo: Atlas, 1995
COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 2002.
COMPARATO, Fábio. Direito Empresarial. São Paulo: Saraiva, 1995
DINIZ, Maria Helena. Código Civil Anotado. São Paulo: Saraiva, 2003.
_____. Teoria das Obrigações Contratuais e Extracontratuais. São Paulo: Saraiva, 2003.
GOMES, Orlando. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 1997.
VASCONCELOS, Pedro Pais de. Contratos atípicos. Coimbra: Almedina, 1995.
VENOSA, Sílvio de Salvo. Novo Código Civil – Texto Comparado. São Paulo: Atlas, 2002.
 DENISE DALMACCHIO – A cantora e compositora Denise Dalmacchio estudou canto nas Escolas Ritmo e Sons (Vila Velha), Schubert (Salvador), Beethoven (Vila Velha), e teve aulas com a professora Miriam Silva, além de ter participado do Coral da UFES no naipe contraltos. Possui formação superior em Arquitetura pela UFBA, diplomada em inglês pela Associação Cultural Brasil – Estados Unidos e diplomada em Espanhol pela Escola Caballeros de Santiago. Já foi classificada no 1º Festival da Canção da Cidade de Vila Velha e já dividiu palco com as bandas mineiras 14 BIS e Tia Anastácia, participou de shows diversos para a Marinha do Brasil (BA e RJ), fazendo temporada com os seus shows Cinema Colorido (2005), Simples Assim (2006 – 2007) e Auto-Retrato (2007/2008 e 2009). Desde 1998, a cantora vem se apresentando em diversos espaços culturais e bares nas cidades de Salvador, Belo Horizonte, Sete Lagoas, Nova Friburgo, Vitória, Vila Velha, Rio de Janeiro. Ela lançou em 2011, o CD "Auto-retrato". Confira mais dela no Clube Caiubi de Compositores.



FERNANDA GUIMARÃES – A compositora, intérprete, baixista e violonista alagoana Fernanda Guimarães vem conquistando seu espaço musical, desenvolvendo excelente trabalho. Dona de uma voz encantadora, duma interpretação expressiva e de uma composição magistral, ela participou e foi finalista de diversos festivais, como o Femusic, CantaCut, entre outros, além do trabalho autoral também atua na banda Zero82 e vem se apresentando ao lado do 4Jazz. Confira seu talento acessando sua página no MySpace.




JUSSANAM – A atriz e cantora carioca radicada na Islândia, Jussanam, tem desenvolvido um extraordinário trabalho comprovando seu talento. Confira no MySpace e no YouTube.




CONSIGLIA LATORRE – a cantora e instrumentista Consiglia Latorre é mestre em Metodologia do Ensino do Canto Popular pela Universidade do Estado de São Paulo. Em 1996, fez estágio na instituição The House Foundation of Art, em Nova York, a convite da artista multi-mídia Meredith Monk. É professora de música na Universidade Estadual do Ceará. Na área acadêmica, coordenou e lecionou no Núcleo de Canto Popular na Universidade Livre de Música Tom Jobim da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, entre 1992 e 2002, e no Departamento de Música Popular da Unicamp (SP), entre 1999 e 2002. Integra, desde 2004, o quadro docente do Departamento de Música da Universidade Estadual do Ceará. Tem uma carreira artística marcada por uma trajetória que se iniciou em 1980 com a Virada Paulista, no Teatro Lira Paulistana, em São Paulo e, a partir daí, participou em shows de Chico Buarque, Toquinho, Juan Manuel Serrat, George Moustaki, Lucio Dalla, entre outros. Neste mesmo tempo realizou show como "Em torno do Tom", "Canções de Chico Buarque" e lançou o cd "Tempo da delicadeza", gravado no estúdio do Sesc Vila Mariana-SP, em 2002, pelo Selo Sesc/SP. Confira seu talento acessando: http://www.myspace.com/consiglialatorre


ALINE CALIXTO – a cantora carioca radicada em Minas Gerais, Aline Calixto, é uma das mais promissoras artistas da nova safra de artistas brasileiras que já arrebatou vários prêmios, participou de diversas rodas de samba e vem de forma ascendente conquistando seu espaço. O seu primeiro álbum “Aline Calixto”, lançado pela Warner Music, rendeu elogios e critica favoráveis ao seu trabalho, reunindo 12 canções inéditas e uma releitura da obra do mestre Monarco e seu filho Mauro Diniz. Confira o talento dela acessando o sítio Aline Calixto e o MySpace.




FÁTIMA LACERDA – A cantora, intérprete e jornalista carioca Fátima Lacerda reside há 18 anos em Berlim, na Alemanha, tendo realizado um trabalho ligado à música, dança e estudo clássico de flauta, sendo detentora de um currículo invejável com uma trajetória promissora. Ela foi cantora da banda de “Rock de Porão”, estudou Letras e também estudou canto na Escola de Música de Kreuzberg, produção na Faculdade Superor de Música Hanns Eisler, dicção, canto e teoria na Escola Superior de Belas Artes, educação musical em flauta doce e transversa onde foi ganhadora do Concurso da Casa Milton Pianos, sendo contemplada com uma bolsa de estudos. Lançou o cd “Faces to faces”, com patrocínio da Volkswagen Sound Foundation e diversos parceiros locais. Já se apresentou no Festival de Jazz de Montreux, além de realizar shows na Alemanha e participações no Premio Petrobras Cultural, no Itau Rumos, no Sesc Vila Mariana e Pinheiros. A sua arte é vista como Brasil Jazz onde reúne recursos lingüísticos, vocálicos, percussivos e estilísticos numa série de ritmos, desde o samba, como MPB, jazz, funk, soul e blues. Conheça mais do talento desta excepcional artista acessando o seu imperdível website: www.fatimalacerda.de




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