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segunda-feira, janeiro 15, 2018

CAIO ABREU, MARIANNE MOORE, BERGMAN, BOAVENTURA SANTOS, RICHARD FORD, CELSO VIÁFORA, BAHMAN JALALI & KARINA BUHR

A CHEGADA DELA E VIVI – Imagem: arte do fotógrafo iraniano Bahman Jalali (1944-2010).- O que houve não sei, nem poderia, só dela a chegada inesperada, meu coração aos pés de quase sair pela boca, a surpresa demais da conta, o vulto inteiro nada mais vi, lívido, perdido, só ela nos meus olhos parados no ar, somente ela, de nem ver fui levado mãos dadas pelas ruas e esquinas, subir a escadaria, abrir a porta e me empurrar pra cadeira e sentar atordoado como se o mundo girasse e eu extraviado de mim, cabeça a rodar e nada sabia, nem poderia embasbacado enquanto ela desafivelava o cinturão para desabotoar minhas calças e caçar o meu sexo dilatado só por vê-la inteiramente sensual e amante, a saia do vestido puxada das pernas pras coxas a me surpreender com seu ventre nu invadido por meu desejo à sua vontade. Nada sabia, nem poderia entre o espanto e o delírio fui levado por sua cavalgada, qual não fui espaventado ao seu trote ritmado até ao êxtase dos píncaros de todas as maravilhas universais, até descansar a sua cabeça ao meu ombro depois da viagem, a carícia dos meus dedos entre seus cabelos e dorso, seus devaneios abraçados a mim como desolada e à deriva encontrou, finalmente, seu porto seguro. Nada sabia, nem poderia dela me ninar a mimar da minha pele à essência, eu todo a envolvê-la desprotegida, língua a lamber seu agitado coração. Nada sabia mesmo, nem poderia e me contou dos seus dias e a eterna solidão no escuro embaraçoso, olhos de velas acesas nos castiçais e a ameaça da aranha invisível a atormentá-la. Não tenha medo, estou aqui, e me disse ao seu modo como era e tudo se repete como se nunca tivesse ocorrido, como se as narrações de Sheherazade enovelassem nossas falas e entregas, como se revivêssemos o reencontro de outras existências. Nada sabia e me falou do que não tinha mais, do que possuia de si, notícias que não tardam a chegar e os destinos são diversos nos acenos e adeuses, o destino feito de atos, erros e acertos, e tudo segue pelas triviais despedidas, nas constantes desditas. Ainda ontem ao chegar do trabalho ficou entretida arengando com as formigas malditas invasoras do seu bolo predileto, roubando-lhe até os farelos. Esconjurou, maldisse a vida e chorou sozinha num casa da sala. Não chore, estou aqui. Se nada sabia, nem poderia, ela me falou de ouvir vozes injuriosas inauditas de seres enlutados com seus rostos inexpressivos e as deferências de ocasião, as falsas amabilidades, impostores de plantão. Compungia-se com tudo, gente de conversatório cochichado, cheiradeira da vida alheia, só de ver pelas costas. Engolia esses desaforos, quanta remoeta, retalhos inúteis, ô povinho ofendido e afobado. Ah, se verdade ou exagero, era ela comigo em carne viva, beijos de sonhos na alma e eu mais rendido que nunca. Aí me pediu para eu roubar a Lua e não demorasse pra ela fazer um anel e selar nossa união ressuscitada com a quebra do feitiço de Áquila. Éramos um, corpo a corpo, nossas mãos, braços e abraços, beijo a beijo, somos um. E me contou das peraltices de infância, moça menina no vento caingang e perguntou de mim, eu sempre lembro, mas esqueço. A La Ursa com papangus quebraram o silêncio na cadência do frevo, ela nunca vira, quase amedrontada, carnaval caeté. E desandei a falar, fui tão longe, acho, muito longe, atos públicos, efemérides vazias e decadentes, era só pra salvar minha pele, nada mais que isso, fui de arranco, mesmo não sendo esse balaio todo, nem se sou protegido por qualquer anjo da guarda ou desviado arcanjo, pelas beiradas e entrelinhas o mundo todo. Já andei um bocado de légua e não cheguei a lugar algum, tenho a impressão de não ter saído do mesmo lugar até hoje. Não sei quantas vezes quase não fui fulminado por um raio, mais de uma vez, na verdade. Muita coisa de colosso eu já vi, sempre enjeitado daquele sempre a mandar lembranças, pra ver botarem depois tudo abaixo, desabado, ao emburacar no troço haviam virado a casaca, nada mais, a coisa toda espalhada, ruínas e miséria. Deixa eu cá com meu roçado, meu teretetê, a estrada é longa, o caminho esburacado e carregado de surpresas nada alvissareiras nesses tempos de desumanidade, mesmo que se vá eu vou, chego nela e tudo é real, os dentes do sorriso, o brilho do olhar. Se lá ou cá, eu sou nela, do que fui e serei, nela eu sou. Foi a chegada dela e me fez viver de verdade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com Amores absurdos e show do cantor, compositor e arranjador Celso Viáfora; e Selvática, Longe de onde & Eu menti pra você da cantora, compositora, percussionista, poeta e atriz Karina Buhr & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – Não sabemos tudo. A vida tem mais significados do que parece. É preciso estar atento. Trecho extraído da obra Uma situação difícil (L’Olivier, 1998), do escritor estadunidense Richard Ford.

CIÊNCIA & SENSO COMUM – [...] A revolução científica que atravessamos ocorre numa sociedade ela própria revolucionada pela ciência. O paradigma a emergir dela não pode ser apenas um paradigma científico, tem de ser também um paradigma social, de vez que o conhecimento científico ensina a viver e traduz-se num saber prático. Consequentemente, temos de perguntar pelo papel de todo conhecimento acumulado no enriquecimento ou no empobrecimento prático das nossas vidas, ou seja, pelo contributo positivo ou negativo da ciência para nossa felicidade. [...] Na ciência moderna o conhecimento avança pela especialização e o conhecimento é tanto mais rigoroso quanto mais restrito é o objeto sobre que incide... A ciência moderna legou-nos um conhecimento funcional do mundo que alargou extraordinariamente as nossas perspectivas de sobrevivência. No futuro não se tratará tanto de sobreviver como de saber viver. Para isso é necessária uma outra forma de conhecimento compreensivo e íntimo que não nos separe e antes nos uma pessoalmente ao que estudamos. [...] A ciência pós-moderna tenta dialogar com outras formas de conhecimento e a mais importante de todas é o conhecimento do senso comum, o conhecimento vulgar e prático com que no quotidiano orientamos as nossas ações e damos sentido à nossa vida. [...]. Trechos extraídos da obra Um discurso sobre as ciências (Cortez, 2003), do jurista e professor Boaventura de Sousa Santos, também autor da obra Introdução a uma ciência pós-moderna (Graal, 2003), apresentando uma reflexão crítica com objetivo de compreender a prática científica para além da consciência ingênua, ou oficial, dos cientistas e das instituições da ciência, e aprofunda o diálogo dessa prática com as demais práticas de conhecimento de que se tecem na sociedade e no mundo. O autor submete as correntes dominantes da reflexão epistemológica sobre a ciência moderna a uma crítica sistemática, recorrendo à dupla abordagem - suspeição e recuperação. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PRELÚDIO & ALEGRO AGITATO – No entanto (até no-entanto dizia agora) estava ali assim que se movia. Era dentro disso que precisava mover-se sob o risco de. Não sobreviver, por exemplo – e queria? Enumerava frases como é-assim-que-as-coisas-são ou que-se-de-fazer-que-se-há-de-fazer ou apenas mas-afinal-que-importa. E a cada dia ampliava-se na boca aquele gosto de morangos mofando, verde doentio guardado no fundo escuro de alguma gaveta. [...] mas não é no cérebro que acho que tenho o câncer, doutor, é na alma, e isso não aparece em check-up algum. Mal do nosso tempo, sei, pensou, sei, agora vai desandar a tecer considerações sócio-político-psicanalíticas sobre. O Espantoso Aumento da Hipocondria Motivada Pela Paranóia dos Grandes Centros Urbanos, cara bem barbeada, boca de próteses perfeitas, uma puta certa vez disse que os médicos são os maiores tarados (talvez pela intimidade constante com a carne humana, considerou), e este? Rápido, analisou: no máximo chupar uma boceta, praticar-sexo-oral, como diria depois, escovando meticuloso suas próteses perfeitas, naturalmente que se o senhor pudesse diminuir o cigarro sempre é bom, muito leite, fervido, é claro, para evitar os cloriformes, ar puro, um pouco de exercício, cooper, quem sabe, mais pensando no futuro do que em termos imediatos, claro. Mas se o futuro, doutor, é um inevitável finalmente alguém apertou o botão e o cogumelo metálico arrancando nossas peles vivas, bateu com cuidado o cigarro no cinzeiro, um cinzeiro de metal, odiava objetos de metal, e tudo no consultório era metal cromado, fórmica, acrílico, anti-séptico, im-po-lu-to, assim o próprio médico, não ousando além do bege. Na parede a natureza-morta com secas uvas brancas, peras pálidas, macilentas maçãs verdes. Nenhuma melancia escancarada, nenhuma pitanga madura, nenhuma manga molhada, nenhum morango sangrento. Um morando mofado – e este gosto, senhor, sempre presente em minha boca? Azia, má digestão, sorriso complacente de dentes no mínimo trinta por cento autênticos (e o que fazer, afinal? Dançar um tango argentino, ou seria cantar? [...] tinha versos à espreita, adequados a qualquer situação, essa uma vantagem secreta sobre os outros, mas tão secreta que era também uma desvantagem, entende? Nem eu, versos emboscados da nossa mais fina lira, tangos argentinos e rocks dilacerantes, com ênfase nos solos de guitarra). Um tranquilizante levinho levinho aí umas cinco miligramas, que o senhor tome três por dia, ao acordar, após o almoço, ao deitar-se, olhos vidrados, mente quieta, coração tranquilo, sístole, pausa, diástole, pausa, sístole, pausa, diástole, sem vãs taquicardias, freio químico nas emoções. Assim passaria a movimentar-se lépido entre malinhas 007, paletós cardin, etiquetas fiorucci, suavemente drogado, demônios suficientemente adormecidos para não incomodar os outros. Proibido sentimentos, passar sentimentos, passear sentimentos desesperados de cabeça pra baixo, proibido emoções cálidas, angustias fúteis, fantasias mórbidas e memorias inúteis, um nirvana da bayer e se é bayer. [...]. Trechos extraídos da obra Morangos mofados (Agir, 2003), do escritor, jornalista e dramaturgo Caio Fernando Abreu (1948-1996). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O SICÔMORO – Contra um céu mais escuro / vi uma girafa albina / sem folhas, a modificá-la. / Branca – camurça como disse - / embora parcialmente malhada junto à base / erguia-se sobranceira onde a corrente / de alpondras se lançava / numa torrente próxima. / Elegância capaz de despertar a inveja / de anônimos mais coloridos / Procos de Hampshire, viva pedra da sorte, / mariposa ou borboleta. / Bem: digressão, de animal a parecença - / mas não de flores que não murcham; / elas devem morrer / e um pincel de nove cabelos / do camelo fêmea ajuda a memória. / Digno de Imami - / o persa – agarrando-se a um ramo mais duro / havia uma pequenina coisa seca / da grama em forma de Cruz de Malta / retirando-se formal como a dizer: / “E ali estava eu / como um rato do campo em Versailles”. Poema da escritora modernista estadunidense Marianne Moore (1887-1972).

CENAS DE UM CASAMENTO SUECO
[...] Se não fosse por outra razão, pelo menos teria servido para irritar as pessoas artisticamente ultra-sensíveis que por aversão a esta obra, completamente compreensível, vão começar por ter vômitos estéticos já na primeira cena. O que é que resta mais para dizer? Este opus levou três meses para escrever, mas representa um período bastante longo da minha vida em experiência. Não estou certo se teria sido melhor ser ao contrário, embora talvez tivesse ficado mais refinado. Eu senti uma espécie de dedicação por esses seres humanos durante todo o tempo que trabalhei com eles. Tornaram-se bastante contraditórios, por vezes infantilmente angustiados, outras vezes bastantes adultos. Dizem um bom bocado de coisas insignificantes, por vezes dizem algo de importante. Mostram-se angustiados, felizes, tolos, bons, inteligentes, insuportáveis, e amoráveis. Tudo de uma vez só. Agora vamos ver como é que vai sair.
Trecho do prefácio da obra Cenas de um casamento sueco (Nórdica, 1975), do dramaturgo e cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007), dividido em seis cenas: Pureza e pânico, A arte de varrer para baixo do tapete, Paula, Vale de lágrimas, Os analfabetos & No meio da noite numa casa escura em algum lugar do mundo. O premiado drama intitulado originalmente como Scener ur ett äktenskap (1974), conta a vivência de 10 anos de um casal aparentemente bem-sucedidos (ele professor, ela advogada na área de direito de família), entrevistados por uma repórter para falar a respeito do sucesso do matrimônio. Depois de recepcionar um casal em crise, ela descobre que está grávida e ele não demonstra nenhum contentamento, ao mesmo tempo em que uma senhora casada há 20 anos a procura para se divorciar, motivada pela inexistência de amor no seu casamento, provocando uma atrofia nas suas emoções. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Veja mais:
Quando alguém se põe à sombra, não pode invocar o sol, o pensamento de Ralf Waldo Emerson, a música de Milena Aradski, a pintura de Paul Klee & a arte de Felicia Yng aqui.
Ainda assim é uma história de amor, a literatura de Henrich Böll, a música de Mário Ficarelli & a pintura de João Câmara aqui.
Ah, esses lábios na Crônica de amor por ela, Molière, Eduardo Souto & Clara Sverner, Tácito, Washington Irving, Gladys Nelson Smith, Carl Franklin, Meryl Streep, Renée Zellweger, Bill Ward, Argemiro Corrêa & Samdra Fayad aqui.
O culto da rosa na Crônica de amor por ela, As mil e uma noites, Ezra Pound, Almeida Prado, Heráclito de Êfeso, Dermeval Saviani, Vittorio Alfrieri, Washington Maguetas, Gilian Armstrong, Cate Blanchett, Alfred Cheney Johnston & Myrna Araujo aqui.
Cantilena na Crônica de amor por ela, Goethe, Pierre-Joseph Proudhon, Fodéba Keïta, José Régio, Alexandre Dumas Filho, Nick Cassavetes, Tears For Fears, Robin Wright, Jean-Francois Painchaud, Lev Tchistovsky & Graça Lins aqui.
Egberto Gismonti & Naná Vasconcelos, Martin Luther King Jr, Débora Arango, Maria Lenk, Greta Garbo, Marie Duplessis & A dama das camélias aqui.
Gilles Deleuze, Susan Sontag, Dian Fossey, Sigourney Weaver, Washington Maguetas, João Pinheiro & Padre Bidião aqui.
Georges Bataille, John dos Passos, Heitor Villa-Lobos & Kiri Te Kanawa, Berthe Morisot, Alain Robbe-Grillet & Marie Espinosa aqui.
Cordel na escola aqui.
Cidadania & direito aqui.
Ralf Waldo Emerson, Spencer Johnson, Gabriele Muccino, Nicolletta Tomas, Monty Alexander, Felipe Cerquize, O Teatro, Nicoletta Romanoff, A escola, a sociedade e a formação humana & Onde há fumaça há fogo aqui.
A sedução da serpente aqui.
O lobisomem zonzo aqui.
Nega besta aqui.
De perto ninguém é mesmo normal aqui.
Tem dia pra tudo, até pro que eu não sei aqui.
A vida por uma peínha de nada aqui.
Big Shit Bôbras, Cícero & Crônicas Palmarenses aqui.
Educação Cidadã: Educação para vida e para o trabalho aqui.
O sonho de Desidério aqui.
As mil faces do disfarce aqui.
A mulher fenícia & os fenícios aqui.
Sonho real amanhecido aqui.
Teoria geral do crime & Direito Penal aqui.
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Direito de Família, Psicologia Escolar, Pedofilia, Liderança & Psicose Puerperal aqui.
O pensamento de Darcy Ribeiro aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo iraniano Bahman Jalali (1944-2010).
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quinta-feira, novembro 16, 2017

FROMM, CHINUA ACHEBE, MILLÔR, JORGE FORBES, PSICANÁLISE, VIV ROSSER, SENSO COMUM, ZÉ BESTÃO & JAQUEIRA

EITA, ZÉ BESTÃO! - Zé Bestão sempre foi besta demais, pense num cara broco de tão perdido, nossa! Não conheço ninguém tão desligado na vida, chega penso que ele não é deste mundo. Será? É que ele não leva nada no olho da maldade, seja marotagem, safadeza, ardis, qualquer dissimulação pra ele é tudo no muito normal, natural. Pois é, aprontam com ele de todo jeito, pintam e bordam, armam arapuca na maior cruzeta, pintam o sete pelas costas, mandam ver se estão na esquina e ele vai, preparam a cama de gato e ele cai toda vez, fazem dele portador de carta esculhambando destinatário e ele lá esperando resposta na hora embaixo do maior esculacho, fazem tramóia e culpam ele pela desgraça do meladeiro todo, cometem desatino e dizem que foi ele, roubam, melecam, traem, passam a perna, pintam miséria e, no final, colocam a culpa nele. E ele? Pode estar no calão, ah, nem aí, nem liga, como se nem fosse com ele, riso amarelo, cara lisa, no final assume tudo, põe-se a resolver como se realmente fosse ele próprio o responsável por todos os desatinos tramados. Parece que pra ele não aconteceu nada, pois encara tão normalmente a trapaça que mais parece coisa encomendada que ele já sabia e leva com tanto afinco como se fosse labor profissional. Dá pra imaginar? Já teve gente que chegou junto dele no amiudado e delatou tudo, deram-no ciência de que armaram tudo pra cima dele, que estão sacaneando com ele o tempo todo, que isso não é justo e que ele deve tomar uma providência e desancar todo mundo que anda goelando pra cima dele e ele com a cara mais santa do mundo, simplesmente diz: Eu sei, tô sabendo, sim, na maior, saquei tudo. E não vai fazer nada? Claro, ora, vou resolver tudinho. E não vai se vingar? Pra quê? Ora, eles merecem uma boa lição. Nada, eles estão apenas brincando comigo, na maior. Ah, mas estão sacaneando com você o tempo inteiro! Nada não, isso é normal. Normal caraca nenhuma, porra! Danou-se! Esse leva desacerto de todo jeito, até Zé-Corninho tira onda pra cima dele. Pode? Oxe, leva toque de arrodeio, passa batido, paga o pato, ora, e nem aí. Leva a maior dedada até tomar no cu e nem aí. Assim não. Nunca vi sujeito mais leso na vida. Todo mundo no bloco do eu sozinho pra cima dele e ele na maior solidariedade, hem hem, botam ele no front, bucha de canhão e pronto pro fuzilamento, fazem-no de otário meio dia em ponto, deixam-no quarando em pé por horas de quase secar os cambitos esperando pelo que nunca virá, maior bobo na roda, leva e traz de vai e volta todo dia e o dia todo, encarcam sem pena, só punhalada no toitiço, golpe baixo, desfeita às escondidas, trairagem suja, não sei como ele escapa, acho que Deus protege as crianças, os doidos, os bêbados e ele! Só pode, afinal de doido e bêbado ele tem tudo, mesmo abstêmio e são do juízo. Ô Zé Bestão, cê ta pensando em quando morrer ir pro céu é? Ah, é, isso mesmo, pelo menos, quando eu morrer vou direto pro paraíso, né não? Ah, é, claro que vai e como. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá: Les indes galantes, do compositor francês Jean-Pierre Rameau (1683-1764); Rapsody in blue de Gershwinm, The Chopin Project & Prelude in B minor de Rachmaninoff com a pianista russa Lola Astanova; Amores absurdos e show do cantor, compositor e arranjador Celso Viáfora; e Selvática, Longe de onde & Eu menti pra você da cantora, compositora, percussionista, poeta e atriz Karina Buhr. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O senso comum contém inumeráveis interpretações pré-científicas ou quase-científicas sobre a realidade cotidiana, que admite como certas. [...]. O método que julgamos o  mais conveniente para esclarecer os fundamentos do conhecimento na vida cotidiana é o da análise fenomenológica, método puramente descritivo, e como tal “empírico” mas não “científico”. [...] A análise fenomenológica da vida cotidiana, ou melhor, da experiência subjetiva da vida cotidiana, abstém-se de qualquer hipótese causal ou genética, assim como de afirmações relativas ao status ontológico dos fenômenos analisados. [...]. Trechos extraídos de A construção social da realidade: tratado de sociologia do conhecimento (Vozes, 1973), de Peter L. Berger & Thomas Luckmann. Veja mais aqui e aqui.

JAQUEIRA - O povoado surgiu a partir de um ponto de parada dos almocreves, que eram os homens que transportavam cargas em animais para abastecer de gêneros alimentícios, vestuário e outras mercadorias para povoados, vilas e cidades da região entre a localidade de Una (hoje Palmares) e Lagoa dos Gatos, que era um centro abastecedor. Tal parada devia-se a duas jaqueiras que ofereciam uma boa sombra e tornou-se ponto de encontro entre os almocreves, gerando um pequeno comércio no local. A partir daí, surgiram as primeiras residências, durante o século XIX. A estação ferroviária em Jaqueira foi inaugurada em 28 de setembro 1883, o que integrou a vila ao litoral em Recife. Pela ferrovia a cidade passou a ser abastecida, bem como era escoada a produção de açúcar das usinas da região. O distrito foi criado em 17 de dezembro de 1904, com o nome de colônia Isabel, subordinado ao município de Palmas. Em 1911, passa a denominar-se Jaqueira e mantida subordinada ao município de Palmares. Em 1933 passa à jurisdição do município de Maraial. O município foi criado em 28 de setembro de 1995 e instalado em 1 de janeiro de 1997. Veja mais aqui.

O FALSO GRANDE AMOR – [...] O caso mais freqüente e evidente de alienação talvez seja o do falso “grande amor”. Um home apaixona-se entusiasticamente por uma mulher; depois de ter correspondido a principio, ela é tomada de crescentes dúvidas e rompe a relação. Ele é assaltado por uma depressão que quase o leva ao suicídio. A vida deixa de ter sentido para ele. Conscientemente, explica a situação como um resultado lógico do que aconteceu. Acredita que pela primeira vez sentiu um amor real, que com aquela mulher e somente com ela poderia experimentar o amor e a felicidade. Se ela o deixa, não haverá nenhuma outra pessoa que possa despertar-lhe a mesma relação. Perdendo-a, acredita ter pedido sua única oportunidade de amar. Portanto, é melhor morrer. Embora tudo isso lhe pareça convincente, seus amigos podem fazer algumas perguntas: Por que um homem que até então parecia menos capaz de amar do que a pessoa média apaixona-se de forma tão completa que prefere morrer a viver sem ser amado? Por que, estando tão enamorado, se recusa a fazer concessões, a abrir mão de certas exigências que entram em choque com as exigências da mulher amada? Por que será que, ao falar de sua perda, ele fala principalmente de si, do que lhe aconteceu, e mostra um interesse relativamente pequeno pelos sentimentos da mulher que tanto ama? Se conversarmos com o infeliz homem mais demoradamente, não nos surpreenderemos ao ouvi-lo dizer, a certa altura, que se sente completamente vazio, tão vazio como se seu coração tivesse ficado com a namorada perdida. Se ele pudesse compreender o sentido dessa afirmação, perceberia que seu sofrimento é proveniente da alienação. Jamais foi capaz de amar ativamente, de deixar o circulo mágico de seu próprio ego, de exteriorizar-se e tornar-se uno com outro ser humano. O que fez foi transferir seu anseio de amor para a moça e sentir que com ela experimentava seu “amor”, quando na realidade experimentava apenas a ilusão de amar. Quanto mais ele transfere para ela seu anseio de amor, bem como de vida, felicidade, etc., tanto mais pobre se torna e mais vazio se sente, longe dela. Estava sob a ilusão de amar, quando na realidade transformara a mulher num ídolo, na deusa do amor, e acreditava que unindo-se a ela experimentava o amor. Fora capaz de despertar nela uma reação, mas não fora capaz de superar sua própria mudez interior. Perdê-la não é perder, como ele acredita, a pessoa a quem ama, perde-se como uma pessoa potencialmente amante. [...]. Trecho extraído da obra Meu encontro com Marx e Freud (Zahar, 1969), do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980). Veja mais aqui e aqui.

CULTURA, REPRESSÃO & SONHOS - [...] a repressão não destrói a representação dolorosa: mesma mantida em estado inconsciente, ela permanece ativa, tentando retornar ao sistema consciente. O resultado desse conflito, que envlve um verdadeiro jogo de forças, é a produção das chamadas formações do inconsciente: os sintomas, sonhos, lapsos (ou atos falhos) e chistes (piadas e ditos de espírito) que seria frutos de uma espécie de “negociação” entre os sistemas. As representações reprimidas podem vir a ser readmitidas na consciência (retorno do reprimido), contanto que passem por um processo de deformação que as tornem irreconhecíveis, deixando assim de despertar angustia no sujeito [...]. articular a vida psíquica individual com a vida social e os limites que esta impõe ao indivíduo, a começar pela interdição do incesto. Em nome das exigências culturais, a satisfação pulsional é grandemente cerceada, inclusive em seus aspectos agressivos e destrutivos. Embora indivíduos ganhem com isso a possibilidade de conviver em grupo, ressentem-se profundamente de tais renúncias. A cultura é, pois, construída sobre a base da repressão, o que faz com que o homem cultive uma hostilidade permanente contra ela. [...]. Trechos extraídos de Luzes e sombras: Freud e o advento da psicanálise, de Inês Loureiro, extraído da obra História da psicologia: rumos e percursos (Nau, 2005), organizado por Ana Maria Jacó-Vilela, Arthur Arruda Leal Ferreira e Francisco Teixeira Portugal. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O MUNDO SE DESPEDAÇA - [...] Até aquele momento, Okoye se expressara de maneira simples, mas a meia dúzia de frases seguintes tomou a forma de provérbios. Entre os ibos, a arte da conversação é tida em alto conceito, e os provérbios são o azeite de dendê com o qual as palavras são engolidas. Okoye era um grande conversador e falou durante muito tempo, dando voltas em torno do assunto até finalmente abordá‑lo. Em resumo, pedia a Unoka que lhe devolvesse os duzentos cauris que lhe emprestara havia mais de dois anos. Tão logo este percebeu aonde o amigo queria chegar, estourou em gargalhadas. Riu alto, durante muito tempo, de modo claro como o agogô, e tinha lágrimas nos olhos. O visitante, espantado, continuou sentado, sem fala. Afinal, Unoka conseguiu dar‑lhe uma resposta, entremeada de novas explosões de riso. [...]. Trecho extraído de O mundo se despedaça (Companhia das Letras, 2009), do escritor e crítico literário nigeriano Chinua Achebe (1930-2013). Veja mais aqui.

NOVIDADE, SÓ A PRIMEIRA (À VANGUARDA QUE SE CRÊ VANGUARDA) - Garanto: / o primeiro poeta que rimou / foi um espanto! / Mais, muito mais, / Meu irmão, / do que o primeiro / que não. Poema extraído do livro Poemas (L&PM, 1984), do desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, tradutor e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O SILÊNCIO DAS GERAÇÕES, DE JORGE FORBES
Ex-ergo: O pai matou o filhinho; a filhinha matou o pai e a mãe; o aluno incendiou a escola; a senhora se suicidou. E todos pareciam tão sadios, iguais a toda gente! Está todo mundo perdido: maior que o medo, é o suspense. Surgem calmantes de ocasião, sempre três: psicose, moral e possessão. Voltam o chicote, as lições de moral e cívica e o ato de contrição. Um mundo reacionário se anuncia e Bush, no círculo oval de seu pensamento, reedita as peripécias do grande ditador. Oh tempos, oh costumes! O pai refestelado em sua poltrona de domingo, acabou de ouvir fantásticas explicações sobre o mundo atual. Eram três especialistas em comportamento, concordantes com a necessidade de voltar à velha disciplina: “educação se dá em casa e chinelo e palmatória não deviam estar aposentados”. Ele está mais tranqüilo; nem dormia mais direito, com medo de ser assassinado. Chegou a pensar que se existem nos aeroportos detectores de metais, como não descobriram ainda os detectores de “mentais”? Seu sonho de segurança tinha ficado abalado com aquela psiquiatra esfaqueada pela filha. – “Como é que não previu? Não era psiquiatra? Santo de casa não faz milagre”, reconfortou-se. Três dias depois, Mariana, coordenadora do Padre Félix, colégio de classe média alta dos Jardins, constata boquiaberta que mais de cinqüenta por cento dos meninos chegaram ao colégio com rosto macerado: apanharam em casa. Corre a seu supervisor – “Há um silêncio entre as gerações”, diz ele, que está difícil de ser assimilado. Não há uma só educação padrão, standard, logo, o que há são educações, no plural. E se há educações há que se escolher. Preferir uma ou outra é opção pessoal. Não há uma razão para que seja essa e não aquela. É um querer mais que um saber, e o querer não se compreende totalmente, é arbitrário. Confundem arbitrário com abuso de poder e, no entanto, arbitrário só diz daquilo que não se demonstra pela dedução. Sim, meu filho, essa é a minha opção. É claro que existem outras formas. Melhores? Não sei, pode ser, mas essa é a minha e eu sou seu pai, eu sou sua mãe. Você vai mudar de casa? Não adiantará, as opções mudam mas não o arbitrário, o silêncio da razão. Pais detestam falar assim pois invariavelmente, o filho vai dizer: “Eu não gosto de você”. Ai! Nem pai, nem professor suportam esse “eu não gosto de você”. Tratam de falar manso, buscar explicações, convencimentos, concordâncias e o que melhor conseguem é transmitir que tudo se explica, que não há limite à razão. E o filho, proibido de dizer “eu não gosto de você” vai se encharcando na angústia do ilimitado: bateu um carro? Dou outro. Perdeu um ano? Ganhou maturidade. Matou um índio? Te absolvo. Eu te compreendo em qualquer coisa, meu filho. E o filho da compreensão ilimitada se tatua: uma fronteira no corpo: se bate: um limite à expansão; mata, se droga, se mata. Não mamãe e papai, nem compreensão geral, nem palmatória. Se há uma herança digna da paternidade é a de que nem tudo se explica, não porque não se queira mas, simplesmente, por ser impossível. É, meu filho, tem um silêncio entre nós dois, a ponte da palavra não nos contém. Vamos nos perder? Pode ser que não, sobre esse silêncio podemos inventar. Teve um Drummond que de uma pedra no meio do caminho, em vez de jogá-la no outro, poetou. Teve um Chico e um Milton que cantaram uma coisa que não tem nome nem nunca terá. O limite da palavra é a invenção, é só poder suportar: melhor esse risco que a desgraça razoável. Meu filho, senta aqui, não nos compreendemos, e daí? Pôr do sol, mergulho em Fernando de Noronha, brigadeiro, beijo, avião decolando, chuva na mata, precisa de explicação? Tem tanta boa coisa no silêncio. PSIU!
Extraído da obra Você quer o que deseja? (Best Seller, 2004), do médico psiquiatra e psicanalista Jorge Forbes.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Viv Rosser.
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quarta-feira, setembro 06, 2017

ATTAR, RAMEAU, DI CAVALCANTI, ASTANOVA, VIÁFORA, BUHR, JOSÉ TERRA CORREIA, ESCRITA, TEATRO & MÚSICA NA ESCOLA & ARTE POPULAR

DE AMOR, SEXO & VIDA – Imagem: Sonhos de carnaval, do pintor e caricaturista brasileiro Di Cavalcanti (1897-1976). - Um a um, nem aí, cada qual para si e mais, muito mais, até ali e olhares se fitam por flertes correspondidos, rubores queimam de lá pra cá e vice-versa, imantação de corpos no pulsante coração, passo a passo, timidez no receio do gesto, o toque e a dança no outro se realiza: os membros se dilatam, fervores ubíquos, entregas mútuas, tudo vibra e levita aos esfregões de pele aos quadris a rondar por valsas e insinuações nas pegadas, nas estreitezas das puxadas, face a face, uma só respiração, pele na pele pelas insinuações dos contornos, descobertas e êxtases, pés nos pés, pernas que se enroscam, coxas que se insinuam entre si, ventres em ebulição pelas mãos buscantes, braços se envolvem, afagos e afetos, beijos e entregas na nudez: a flor brota, o Sol sorri, a chuva nos campos, os rios além das margens, o mar revolto, relâmpagos e trovões, estrelas candentes, carnes trêmulas no estertor do prazer, e se desata pra amarrar, e ejeta para mais dentro, e transpira para orvalhar o gozo, a Terra gira, o universo se agita, o ser nasce, a vida se realiza. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ: 24 HORAS NO AR!!!
Hoje na Rádio Tataritaritatá: Les indes galantes, do compositor francês Jean-Pierre Rameau (1683-1764); Rapsody in blue de Gershwinm, The Chopin Project & Prelude in B minor de Rachmaninoff com a pianista russa Lola Astanova; Amores absurdos e show do cantor, compositor e arranjador Celso Viáfora; e Selvática, Longe de onde & Eu menti pra você da cantora, compositora, percussionista, poeta e atriz Karina Buhr. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - Enquanto caminhavam, falavam; mas quando chegaram ao destino, toda fala cessou. Não mais havia guia, nem viajante; e até mesmo a estrada cessara de existir. Pensamento do poeta místico persa Farīd al-Dīn'Aṭṭār (1145-1221), autor da obra A linguagem dos pássaros (Attar, 1991), da qual extraí o seguinte trecho: [...] O amante lança ao fogo a esperança de qualquer colheita, põe a lâmina em seu próprio pescoço e corta-o se for preciso. Ao amor é necessário a dor e o sangue do coração; o amor ama coisas difíceis. [...].

A ARTE & O POPULAR NO SUBDESENVOLVIMENTO - [...] Somos um país com os momentos das diversas idades, do índio, das selvas, com vestígios do machado de pedra, aos grupos messiânicos da Idade Média – que pouco adiantaram ao período do fraque e eroisée – aos universalistas do mosaico de comunicações eletrônicas. [...] Por outro lado, existe uma interrogação sobre o futuro dessas populações folclóricas jungidas a um estado de primitivismo muito chocante, se comparado com a o desenvolvimento alcançado nos grupos urbanos adiantados. [...]. Trecho extraído da obra Arte, folclore e subdesenvolvimento (Paralelo, 1971), de Souza Barros, tratando sobre folk e arte, condições predominantes do popular, farmacopéia popular e miséria, tabu e magia, alienação, artesanato, produção, consumo e cultura de massa.

MANUAL DO ARTISTA - [...] o artista reúne seus materiais e métodos com a finalidade de adquirir controle possível em suas manipulações, para que assim obtenha as melhoras características da técnica que escolha, expresse e transmita apropriadamente suas intenções e garanta a permanência de seus resultados [...]. Trecho da obra Manual do artista (Martins Fontes, 1999), do artista plástico e engenheiro estadunidense Ralph Mayer (1895-1979), tratando sobre técnicas e métodos, pigmentos, pintura a óleo, acrílica, pintura a têmpera, encáustica, mural, solventes, guache, aquarela, pastel, solventes e diluentes, química, entre outras.

NOSSAS ESCOLAS NÃO CANTAM MAIS - [...] Vendo na música uma linguagem, acreditando na sua importância no desenvolvimento harmonioso do ser humano, em razão do seu potencial na conscientização da interdependência entre corpo e mente, razão e sensibilidade, ciência e estética, e no processo de socialização do aluno, ela busca entender as razão desse silenciamento. Busca, ainda, caminhos que apontem o tipo de educação musical a ser oferecida numa sociedade como a nossa, marcada pelo avanço tecnológico e pela exclusão social, uma sociedade que se caracteriza, segundo Koellreuter, “pela cultura de massa, constituída por uma pluralidade de indivíduos cuja consciência do eu e cujo senso de responsabilidade individual vêm sendo reduzidos ao mínimo”. [...]. Trecho do prefácio escrito por Ana Maria Casasanta Peixoto, na obra O ensino da música na escola fundamental (Papirus, 2010), de Alícia Mara Almeida Loureiro.

O ATOR E O AMANHÃ - [...] a organização teatral de amanhã é imprevisivel. A multiplicação das redes hertzianas, os circuitos de televisão, os vídeos-cassetes difundindo em escala nacional a única manifestação regional, reduzirão em muito as series de representações que conhecemos. Opondo-se a esse crescimento do mass media, perfila-se uma volta à comunhão por pequenos grupos, a celebração de um rito em que celebrantes e fieis respirem juntos, mobilizem suas forças fisiológicas e psíquicas, querem sair de si mesmos, começar-se uma troca fraterna. O ator continua sendo aquele que propõe essa troca, que dá ao outro, que recebe e se oferece de novo, qualquer que seja a mensagem [...]. Trecho da obra O ator no século XX (Perspectiva, 2008), da artista vanguardista francesa de música, teatro e dança, Odete Aslan, tratando sobre as formas de interpretação, o gestual, personagens, laboratórios e comunidades teatrais, tendências atuais, ética pessoal e de grupo, o ator de amanhã, entre outros.

A ESCRITA E O ESCREVER - [...] Primeiro, escrever bem requer mais do que a produção de sentenças corretas, também envolve a comunicação bem-sucedida de mensagens significantes para outros. Segundo, a escrita é um processo que leva tempo e incorpora muitas diferentes atividades. Terceiro, o ensino da escrita que ajuda alunos a alcançarem o sucesso acadêmico, precisa atender a todos os tipos de escrita que são necessários não somente para o estudo da linguagem ou da literatura, mas também para as disciplinas de história, ciência, filosofia e política. Quarto, os alunos, ao terminarem seus estudos, precisam estar aptos a produzir muitas diferentes formas de escrita [...]. Para isso é necessário considerarmos a organização social discursiva pela qual nosso conhecimento e produzido e realizado dentro dos vários dominios da vida. Trechos extraídos da obra Gêneros textuais, tipificação e interação (Cortez, 2005), do educador estadunidense Charles Bazerman, organizado por Angela Paiva Dionisio e Judith Chambliss Hoffnagel, tratando sobre atos da fala, formas sociais com habitats para ação, enunciados singulares, gêneros diferenciados, identidade, internet e capitalismo global, entre outros assuntos.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Mulatos de São Cristobao, do pintor e caricaturista brasileiro Di Cavalcanti (1897-1976). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais:
De amor, sexo e vida aqui, aqui, aqui & aqui.
A música de Jean-Pierre Rameau aqui.
A arte da pianista Lola Astanova aqui.
A arte de Karina Buhr aqui.
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TODO MISTICISMO
Tua alma carrega o Rio Una
E teu corpo o Atlântico em chamas
Em teu fogo sagrado
Sou apenas o poema do regresso
Teu coração bendiz
A volúpia dos meus escritos
Apaixonada, alimentas meu espírito com tua mensagem
E a elegância do meu manto azul
Decifra tuas lágrimas de Mulher da Solidão
Poema extraído da obra Música de rua (Panamérica Nordestal, 2014), do poeta José Terra Correia. Veja mais dele aqui, aqui e aqui.

ZÉ LINALDO & MARQUINHOS CABRAL
Nesta quarta, O Nordestão apresenta Zé Linaldo Acústico com participação de Marquinhos Cabral. Imperdível.
 

ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...