quinta-feira, outubro 26, 2017

CHAUCER, ALBERTINA BERTHA, MARYSE CONDÉ, FERNANDO LÚCIO & ALTINHO

MANDANDO VER NO CANTO – Cada um como tal: suas redes, as teias dos seus enredos: desejos da noite insone, sofrências de dia longo, longe vão quereres aos montes e muitos, mágoas, frustrações, fugazes delírios, alucinações, oh não. O que tem que ser dito, diga logo, não deixar passar a vez, a hora, cavernas de avestruz não serve mais. Aprende: risadas largas ensolaradas valem mais que lágrimas soturnas pelo que perdeu, deixou de ser. Já era, outro o devaneio. Cada um seu terreiro, seus limítrofes confins: quem não tem nada, melhor; pois ter dá muito trabalho, só de acumular, perder, ganhar, o que fazer pra mais quando menos é o que resulta depois de tanto pelejar por horas a fio, cara ou coroa, lances de dados, cartas desmarcadas, tacadas de cegueira, só quem erra aprende a acertar: melhor é ser como o dia que vai pela tarde fagueira, quando nem a noite ainda escureceu e o crepúsculo é festa no céu. Aproveita-se das águas, aprendizagem de peixe de rio e mar. Aproveita-se do voo, aves de arribação. Aproveita-se do fogo, transformação. Aproveita-se da terra: adubo de cinzas. Quando escuridão, melhor fechar os olhos: a luz vem de dentro, pra toda direção é só seguir, ir em frente até sabor amanhecido. Cada qual sua rota, estradas sem fim: teimosias de ontem, travessias de inverno: pra quem não sabe outono, jamais terá primavera. Cada qual sua espera, paciência de Jó, passo firme chão afora: pra quem viveu redoma de lagarta, aprende a liberdade da borboleta. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do pianista e tecladista de jazz estadunidense Chick Corea: Live at North Sea Jazz, Live at Montreux & Beneath the mask; da caontora, compositora e instrumentista Joyce Moreno: Feminina, Revendo amigos & ao Vivo; do contratenor Edson Cordeiro: Baioque & Habanera Carmen Bizet; da premiada violinista búlgara Teodora Dimitrova: Otono Porteno Piazzolla, Adios nonino Piazzolla & Sonata violin Beethoven. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] ir em busca dos ancestrais é buscar a si mesmo [...] Qualquer literatura é uma busca e uma articulação do eu que sempre implica o saber dos ancestrais [...]. Pensamento da escritora francesa Maryse Condé, extraído da obra Conversation with Maryse Condé (University Nebraska Press, 1996), de Françoise Pfaff.

CABANOS EM ALTINHO - [...] a luta com os salteadores “cabanos” concentrados nas matas de Jacuípe, Panelas e imediações, e constando a este governo que, quando eles ali são aperetados mandam-se disfarladamente para diferentes distritos, por isso cumpre V.Sa., não consinta que pessoa alguma durante a mesma guerra vá residir em seu distrito senm que apresente o competente passaporte do Juiz de Paz do Distrito, donde tiver vindo, recomendando V. Sa., todo o escrúpulo e vigilância em tal negócio, fazendo prender aqueles que se fizerem suspeitos [...]. Trecho da Circular de 20 de fevereiro de 1834, expedida pelo Presidente da Província pros Juizes de Paz de Altinho e de outros municípios pernambucanos, extraída da obra Cronologia pernambucana: subsídios para a história do agreste e do sertão – 1834-1835 (CEHM, 2015, do historiador, jornalista, lexicógrafo, pesquisador e compositor Nelson Barbalho (1918-1993), autor da obra Altinho de antes da Fazenda até a Freguesia de Nossa Senhora do Ó (CEHM, 1988), integrante da Coleção Biblioteca Pernambucana de História Municipal: história sistemática dos municípios pernambucanos. Em sua cronologia, o autor ainda registra a respeito do assunto: [...] o décimo distrito de Altinho principiará da Fazenda da Laje pelo Rio Una acima até a Fazenda Cachoeirinha, inclusive o Riachão do Morais, e, para a parte Sul, todas as suas águas, inclusive o Rio Chata, e pelo norte todas as suas águas inclusive todo o termo que antigamente havia Juizes de Paz e que hoje não existem e nem se pode aviar pela falta de habitantes [...]. Fora da zona conflagrada, permanecia o inconformismo dos moradores de Altinho, do Caruaru e dos Bezerros pela elevação do Benito às categprias de Vila/Município e de Comarca. Alegavam que o lugar, muito novo ainda, não tinha condições, inclusive financeiras, para a manutenção de um tão grande privilégio [...] A denúncia contida no objetivo relatório do Cel. Souza, diz bem do desprezo em que viviam, já na metade da quarta década do sec. XIX, as populações de Cachoeiras, Lagoa dos Garos, Panelas, Agrestrina, Altinho, etc., em cujas terras a lei era a do mais forte e religião era coisa distante e quase desconhecida de todos. Tudo ali estava por ser feito, tudo corria ao sabor da natureza, e seus habitantes, no geral, portavam ignorância tomanha que nem pareciam criaturas racionais. Ao menos para o descobrimento dessa triste realidade a Guerra dos Cabanos torna-se útil e necessária, pois sem sua ocorrência, é possível que o calamitoso estado daquela pobre gente prosseguisse inalterado até o séc. XX, pelo menos [...]. A representação bonitense era indelicada e infeliz, pois na verdade, o padre-deputado Francisco José Correia apenas apresentava projeto de lei no sentido de que a vila a ser criada dentro da jurisdição da comarca do Bonito, ao invés de Altinho, como propusera o juiz Altnio Batista Gitirana, fosse situada em Bezerros. [...]. Já na obra História de Lagoa dos Gatos (CEHM, 1981), do contador e funcionário público João Pereira Callado, trata acerca do ataque Cabano a Altinho, da seguinte forma: Estava chegado o mês de abril de 1833, em que um grande acontecimento se deu na povoação de Altinhoi, do qual resultou a morte do chefe tenente-coronel João Francisco Vaz do Pinho Carapeba, o qual foi o seguinte: parecia a todos que a Guerra dos Cabanos havia tocado o seu término, sendo manifesto engano [...] Entre os mortos, contava-se o Benevides que foi encontrado em seu sobradinho, por feito de uma bala perdida. Tiveram mais dez feridos, entre os quais, o comandante Carapeba. Quanto ao prejuízo dos Cabanos não foi possível tomar conhecimento, porque eles costumavam conduzir seus mortos e feridos, sendo, todavaia, algum tenmpo depois, encontrados alguns mortos nos matos perto da povoação. [...] A pequena povoação de Altinho, naqueles temerosos dias, viveu o seu angustioso período de incerteza e pavor. As forças legais, na pessoa do estado maior, temiam  um mais vigoroso ataque dos Cabanos, porque ali estava grande parte de sua munição e armamento. Felizmente, isso não aconteceu. [...]. Na enciclopédia dos municípios do interior pernambucano (FIAM/DU, 1986): Alktinho teve sua origem da fazenda do Ó, situada no lugar deste nome que ainda assim se conserva, e pertencente ao território da então freguesia de Garanhuns, localizada à margemn direita do Rio Una. [...] A Lei provincial 1560, de 20 de maio de4 1881, criou o município de Altinho, desmembrado do município de Caruaru, tendo sido instalado em 11 de abrul de 1884. Foi elavado à categoria de ciadade por Lei Estadual 400, de 28 de junho de 1899. Atualmente, no dia 28 de junho, o município comemora sua emancipação política. Administrativamente é formado pelo distritos: sede e Itaguaçu e pelos povoados de Cabeça de Negro, Guaraciaba e Taquara de São Pedro. Veja mais aqui, aqui e aqui.

EXALTAÇÃO - [...] querem-me sem inclinações, sem opinião, igual a todos. Meu Deus. É preciso que eu siga a trilha comum, que diga sim, após o sim, de toda uma geração, que tenha o pensamento que vinte mil cérebros já elaboraram. [...]. Vivi uma loucura, amei o meu amor pelas rosas: tive delas sobre o corpo branco e fino, seu êxtase divino... No côncavo das mãos, ao longo dos braços, nos ombros, pelos cabelos, debruando-me as linhas separando-me os dedos, no perfil, na boca, nos olhos, presas nos dentes, rosas em abundancia, rosas lívidas, rosas escarlates... As rosas da manhã a sangrar ardores; as rosas estranhas, violadas pela noite; as rosas passivas das sombras [...] E era a rosa de todas as rosas, a Rosa da vida, a Rosa do amor, a Rosa imutável que não se desfolha; a Rosa Orgânica de um desejo selvagem e imensurável. [...]. Trechos extraídos da obra Exaltação (Jacintho Ribeiro dos Santos, 1916), de da escritora Albertina Bertha (1880-1953).

O CONTO DO MOLEIRO[...] Ela era uma jovem agradável, seu corpo era delgado/ Como qualquer doninha e era macio e tenro;/Ela usava um cinto com debrum de seda;/ Seu avental era branco como o leite da manhã/ Todo ele coberto de babados./ Branca também era a camisa, toda bordada/ O modelo de sua gola, frente e atrás/ Dentro e fora era de seda preta,/ O laço de fita que usava/ Era feito para combinar com a gola;/ E a fita larga nos cabelos, atada nos cabelos,/ E certamente ela tinha um olhar malicioso./ E ela tinha as sobrancelhas depiladas, curvas,/ Elas eram elegantes e arqueadas, negras como abrunho;/ E a sua visão era realmente bem-aventurada/ Ela era mais florida que a pereira,/ E mais suave do que a lã do carneiro;/ De sua cintura pendia uma bolsa de couro,/ Com borlas de seda e contas de latão;/ Se fosse buscar pelo mundo/ O mais sábio dos homens você encontrasse/ Ele não a imaginaria;/ Sua pele tinha mais brilho/ Que uma moeda nova cunhada na Casa Real./ Seu canto era estrondoso e vivo/ Como de uma andorinha gorjeando numa pilha de feno;/ Ela pularia ou jogaria qualquer jogo/ Como uma criança ou bezerrinha atrás da mãe/ Sua boca era doce como o hidromel – dizem/ Ou um amontoado de maçãs sobre o feno./ Ela era leviana e jovial como um potro,/ Alta como um mastro e reta como uma flecha/ Saída de um arco. Seu decote era fechado/ Por um broche grande como um escudo/ Pelas pernas subiam as tiras com que atava os sapatos/ Ela era uma margarida ou um doce/ Para qualquer homem nobre levar para a cama/ Ou algum fazendeiro de estirpe desposar. [...] Por ser ele velho e ela jovem e selvagem;/ Ele vivia aflito, com medo de ser corneado./ Ele deveria Conhecer Cato que diz/ Um homem deve casar com alguem como ele,/ Deve escolher alguem de sua idade./ Juventude e velhice estao sempre em debate./ Mas tendo caido na armadilha,/ Tinha de viver nessa aflicao como tantos outros. [...] Trechos extraídos da obra Os contos da Cantuária (T. A. Queiroz, 1988), do escritor, filosofo, cortesão e diplomata inglês Geoffrey Chaucer (1343 – 1400), obra esta que inspirou o filme homônimo do cineasta, poeta e escritor italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975), Veja mais aqui.

FALANDO DE DIREITOS HUMANOS
Participando da 11º Mostra de Cinema & Direitos Humanos, tratando os temas Índios no Poder & Diversidade Religiosa, na programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no Campus Palmares do IFPE, que acontecerá até o dia 26/10, numa promoção do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
O pensamento & a obra de Darcy Ribeiro aqui, aqui, aqui & aqui.
As obras de Nelson Barbalho aqui & aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista plástico Fernando Lúcio, participante do projeto Pintando na Praça, Palmares – PE. Veja mais aquiaqui.
 

quarta-feira, outubro 25, 2017

BEAUVOIR, JOEL SILVEIRA, AMILCAR DÓRIA MATOS, ISAC VIEIRA & FALANDO DE HERMILO

A VIDA VAI & EU VIVO - A vida passa e eu vou espreitando tudo como quem vai pro fim do mundo: catabis, vielas, rieiras abissais. Seguro tombo das topadas, deslizo no acostamento, faço a curva pra não escorregar de besta. Ô seu menino, pronde tu vais mesmo, hem? Saber, na vera, sei não, sei que vou, teimoso, teimosamente. A vida escorre e eu vou nadando firme como quem surfa na crista das ondas até a maré secar. Mesmo que sem abraços, mãos solidárias, estranhas paragens, agouros, presságios, sei que vou escapando, não sei pra onde. Isso é lá hora pra tu tá por aí, menino? O tempo eu faço, espaço eu crio, sigo avante. A vida corre e eu vou seguindo trilhas por zis caminhos até chegar em casa. Mesmo que sempre perdendo o bonde, atrasado trem impaciente, canelas secas, suor do rosto lavando o espinhaço, mãos calejadas de nãos e labuta, camibitos que nem cansam mais de tanto correr atrás, sei que vou, embaixo de chuva, maior tempestade desde ontem, pelas vitrines e vidraças, correndo bicho, o dia inteiro, rampa acima, ladeira abaixo, sobe desce, olha que coisa! A Lua está linda! O dia amanhece, que Solzão bonito, chega dá gosto de ver e sentir. É hoje, agora! A vida vai e eu vivo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do compositor e músico Roberto Menescal: Bossa evergreen, Elas cantam Menescal & Bossa Nova Live in Concert; da maestrina e cantora francesa Nathalie Stutzmann: L’Arlésienne Suite Bizet, An imaginary Cantata Bach & Concertos Vivaldi; do guitarrista, compositor, produtor e arranjador musical Robertinho de Recife: Metal Mania, Robertinho no Passo, Jardim da Infância, Pepperland & Transcendental; e da pianista Eliane Rodrigues: Momentos musicais, Étude op. 25 Chopin & Pour Le Piano Debussy. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Algumas vezes, durante discussões abstratas, irritei0me ao escutar me dizerem: “Você pensa isso porque é mulher”. E eu sabia que a minha única defesa era responder: “Eu penso porque é verdadeiro”, eliminando assim minha subjetividade. [...]. Trecho extraído da obra O segundo sexo (Difusão Europeia do Livro, 1970), da escritora, filósofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa Simone de Beauvoir (1908-1896). Veja mais aqui, aqui & aqui.

MENINO MORTO - [...] Os cadáveres... Eram muitos e feios; e ali estavam, enfileirados em todas as aléias do cemitério, numa arrumação de sucessivos dormitórios coletivos. Nunca, em toda minha vida, nem mesmo nos meses de guerra, estive diante de mortos tão mortos. A maioria fora mobilizada em pleno furor da rebelião. E daí, talvez, o rictus que se via na face macerada de quase todos, como se tivessem com raiva de ter morrido. Somente aquele menino (não mais de oito anos) morrera cândido, de olhos abertos, um começo de sorriso nos lábios. Os olhos vazios fixavam o céu de chumbo, e as mãos de unhas sujas e compridas pendiam sobre a laje dura. [...]. Trecho extraído da obra Tempo de contar (Record, 1985), do escitor e jornalista Joel Silveira (1918-2007).

O CAÇADOR - [...] Eu seria, segundo ele, a testemunha solitária da satisfação do seu “último desejo”. Assim ardendo em instante e intrigante curiosidade, eu me preparava para o desfecho daquela aventura, daquela alucinada missão que me fora atribuída, em carater de ineditismo, e da qual eu extraíra lições que poderiam alterar minha própria existência. Quando nada, de todo aquele aranzel em que eu fora apanhado, ficara o sentimento de que todos os seres humanos têm o sagrado direito de tocar para a frente sua vida intima, a salvo de viscosa interferência de intrusos. O caçador ia deixar de existir. Graças a Deus. [...]. Trecho da obra O caçador (Edificante, 2005), do escritor, advogado e jornalista Amilcar Dória Matos (1938-2010).

CAETÉS DEVORAM SARDINHA - Na praia os nativos aguardam o prelado / que nadando vem para o molho pardo, / sermão já não há, bem há breviário. / Festivos tacapes ao som de chocalos / eternizam o bispo, canabalizado. Poema de Côdeas de tempo e poema, extraído da obra Quisera ter a beleza que (Escrituras, 1997), do professor e poeta Sidney Wanderley. Veja mais aqui.

FALANDO DE HERMILO NA FAMASUL
Parificpando do Congresso de Educação, Ciência e Cultura: centenário de Hermilo Borba Filho, na Biblioteca Ascenso Ferreira, promoção da Aemasul/Famasul. Na ocasião falei da obra teatral, literária e tradução de Hermilo Borba Filho, revendo amigos como o estimado professor Wilson, Professor Admmauro Gommes, o poetamigo Wilmar Carvalho, o professor João da Silva, o poetamigo e poeta Gleidstone Antunes, o poeta, cantor e compositor Zé Ripe e muitos outros. Veja mais aqui.

Veja mais:
Índios do Brasil aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Diversidade religiosa aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A história da mulher aqui e aqui.
A arte de Pablo Picasso aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

ARTE DE ISAC VIEIRA
A arte do artista plástico Isac Vieira, participando do projeto Pintando na Praça em Palmares & na Casa da Cultura do Recife. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


terça-feira, outubro 24, 2017

JOAQUIM CARDOZO, ERCÍLIA NOGUEIRA COBRA, FLORA TRISTÁN, MARIO SOUTO MAIOR & LÉO LUNA

PADRE BIDIÃO & DR. ZÉ GULU - Padre Bidião está sempre avexado. Desta feita, amontado no seu disco voador e acompanhado por seus nove clones – na verdade, dez; mas um se desviou e anda abusando do livre-arbítrio meio que desgovernado e à revelia do seu comando -, meteu-se numa pesquisa de atravessar umas duzentas vezes da Groenlância à Terra do Fogo. Danou-se! Aproveitou a empreitada e insistiu mais outras tantas centenas de vezes de um pólo a outro, deixando a gente sem entender patavina nenhuma. Depois disso saiu investigando meridianos, trópicos, percorreu toda linha do equador, cada um dos continentes, um a um dos mares e oceanos, foi, voltou, refez o trajeto, zanzou e pela milésima vez deu uma volta ao mundo e estacionou a aeronave na frente lá de casa. Que é que houve, Padre Bidião? Estava pesquisando, meu filho. Sim? Estava tirando por mim mesmo o que significava “Assim como em cima é embaixo”. Ah! E aí? Descobri que a gente tem evoluções e involuções. Hum?! Que tem coisas visinvisíveis. Como? E que só fechando os olhos pra saber que tem coisas que são feitas para sentir e não para compreender, só assim se compreende defenitivamente. O padre estava para lá de filosófico e eu não conseguia sequer encontrar qualquer nexo no que ele dizia. Olhou-me e, como se percebesse minhas interrogações diante da sua esfíngica condução, sorriu-me: Como vai, meu filho? Tudo bem, padre. Parei aqui pra dizer que na próxima semana vamos nos reunir para começar o fechamento do meu Evangelho. Certo, padre. Ainda ontem, depois de anos, encontrei aquele seu amigo, como é mesmo o nome dele? Quem, padre? Aquele intelectual respeitado que toma uma de emborcar o mundo, como é mesmo o nome dele? O Dr. Zé Gulu? Sim, esse mesmo. Ainda ontem encontrei ele e fui ter uma conversa achegada a respeito das encíclias. Quê? Ah, não é nada do que você está pensando que seja, é que quando eu o encontrei ele dizia que havia abandonado a Filosofia, como é que pode, né? O Dr. Zé Gulu abandonou a Filosofia? Pois é, foi o que ele disse. Aí eu peguei no braço dele e rumamos para uma orla fluvial e começamos a contemplar o movimento das águas. Alguém jogou uma pedra e ficamos calados acompanhando a formação daquelas ondas circulares que se formavam com o impacto da pedra na água. Aí nessa hora, uma distinta poeta se aproximou de nós e, tambpem presenciando aquilo, nos chamou atenção, ao mencionar: Bonito o movimento das encíclias, né? Eu e o Dr. Zé Gulu nos viramos para ela, admirados, uma bonita moça: Prazer, Luciah Lopez. Ela nos saudou e saiu tão linda quanto maravilhosamente chegou. Eu fitei o Dr. Zé Gulu: Como é mesmo que você disse? Eu havia abandonado a Filosofia, mas agora retomei: a vida é maravilhosa demais pra gente ser apenas passageiro de entretenimento. E foi-se. Resolvi, então, pensar mais um pouco e saí zanzando o planeta todo em busca de explicações que só compreendi quando parei cansadíssimo, desapontado, resolvido a não mais querer saber de nada, fechei os olhos e abandonei todas as minhas perguntas e pensamentos, aprendi! É isso. Não entendi nada do que ele disse, só quando ao se despedir: Tenha um maravilhoso dia, meu filho, Deus te abençoe. E eu que até então não havia conseguido me ver contemplado de autoridade alguma para abençoar nada nem a ninguém, respondi: Que Deus abençoe a todos nós. Assim seja. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do cantor, compositor & violeiro Xangai: Estampas eucalol, Qué qui tu tem canário & Acontecivento; da violinista e regente estadunidense Marin Alsop: Symphony 1 Mahler, Don Juan Strauss & Symphony 4 Saint-Saens; do maestro, violonista & compositor Antônio Madureira: Violão, Revisitação dos Santos Reis & Romanças com Rodolfo Stroeter; da violinista singapurense Vanessa-Mae: Live Crocus City Hall & Concert Violin Tchaikovsky. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Quando o jovem vai transpondo as fronteiras da adolescência, tem a sensação de estar fora do ninho, de querer ter a sua privacidade, o seu canto, o seu mundo, a sua casa, principalmente depois de algum tempo, vai compartilhar de sua vida. Foi exatamente assim o que aconteceu comigo, muito embora na casa dos meus pais não me faltasse nada. [...]. Trecho extraído da obra As dobras do tempo: quase memórias (20-20, 1995), do escritor, advogado, pesquisador e folclorista Mario Souto Maior (1920-2001). Veja mais aqui e aqui.

CONDIÇÃO MULHER - [...] Mas a mulher é um ente humano! Tem direitos naturais, sofre e não pode continuar a servir de tapete para os pés dos homens [...] Toda criança do sexo feminino que nasce é uma escrava futura. Escrava do pai, do marido ou do irmão. Poucas mulheres de espíritos fortes resistem aos preconceitos. Quase todas curvam-se medrosamente diante deles. [...]. Trechos da obra Virgindade anti-higienica: preconceitos e convenções hipócritas (Autora, 1924), da escritora e militante feminista Ercília Nogueira Cobra (1891-?), que assim respondeu aos críticos: [...] Eu poderia se quisesse escrever um livro pornográfico. Para isso, não precisava imaginação nem estudo. Bastar-me-ia um lápis, um caderno de notas e a freqüência de certos lugares – nãop pensem que tascas, cabarés ou outros, não! Mas os grandes hotéis, os grandes chás, os grandes transatlânticos, isto é o lugar da aristocracia do dinheiro, dos reis do café, alúcar, algodão, etc., que são também os reis do vicio, da imoralidade, que muita gente só atribui às coquetes como se as coquetes não fossem regiamente pagas. [...].

PROTESTO DE MULHER - [...] Reclamo direitos para a mulher porque estou convencida de que todas as desgraças do mundo procedem desse esquecimentop e desprezo que até agora se fez dos direitos naturais e imprescritíveis do ser mulher. Reclamo direitos para a mulher porque é o único meio para que se leve em consideração sua educação e porque da educação da mulher depende a do homem, em geral, particularmente do homem do povo. Reclamo direitos para a mulher porque é o único meio de conseguir sua reabilitação diante da igreja, diante da lei e diante da sociedade, e porque é necessária essa prebia reabilitação para que os próprios trabalhadores sejam reabilitados. [...]. Trecho extraído da obra União operária (Perseu Abramo, 2016), da escritora francesa Flora Tristán (1803-1844).

POEMA PARA A MULHEREu não quero teu corpo / eu não quero a tua alma, / eu deixarei intacto o teu ser a tua pessoa inviolável / Eu quero apenas uma parte neste prazer / A parte que não te pertence. Poema extraído do livro Poesias completas (Civilização Brasileira, 1971), do poeta, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor e editor Joaquim Cardozo (1897-1978). Veja mais aqui e aqui.

DIREITOS DA POPULAÇÃO INDÍGENA & DIVERSIDADE RELIGIOSA
Estarei nesta quarta, 25/10, das 15 às 17hs, conversando e mediando sobre a temática dos Direitos da População Índigena & Diversidade Religiosa, com a exibição do filme homônimo & os curta-metragens Índios no Poder & Do que aprendi com minhas mais velhas, dentro da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no Campus Palmares do IFPE, que acontecerá até o dia 26/10, numa promoção do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE).

Veja mais:
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

ARTE DE LÉO LUNA
Imagem do artista plástico Léo Luna - Projeto Pintando na Praça, Exposição Biblioteca Fenelon Barreto – Palmares – PE. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

segunda-feira, outubro 23, 2017

ERNESTO SÁBATO, EDWIGES DE SÁ PEREIRA, MARIA FIRMINA DOS REIS, ADMAURO, LUCIAH, FENELON & PNTANDO NA PRAÇA

PINTANDO NA PRAÇA - Manhã ensolarada de sábado, nuvens em trânsito e chuva passageira para amainar o calor, olhares dispersos, muita conversa, afagos, afetos, telas, sons e solidariedade. Gente de muito tempo aos abraços e apertos de mãos se perdia entre esboços de mãos inquietas na imageninação dos cavaletes. Gente da mais profunda estima, parceiros, amigos, irmãos que são e outros que se achegam entte coqueiros, bancos, flores de outubro, transeuntes que não sei. Gente que nunca vi por ali entre livros de Hermilo, de Ascenso, de outros palmarenses de ontem e de hoje: livros da Biblioteca que é minha e de todos. A praça estava em festa, trânsito de idas e vindas. Ali acontecia o mundo margeado pelo comércio alheio, passos incertos por direções opostas, passando, chegando e indo embora. Gente que ia e vinha, algumas interrogativas com toda movimentação: que droga é nove? Gente curiosa que queria saber o que era aquilo, ugnorando as doidices estranhas de outros doidos que vão além de ver e passar, comprar e vender. Gente do passado ressuscitada, gente que sequer poderia ser gente, gente que veio doutras cidades e até de longe para bulir lindamente no coração, mas gente, muita gente. No anfietatro eu me esgoelava no palco cantando das coisas coração: Pirangi, Martelada, Nina do Ripe, Severina de Acioly, Nunca chore por mim e Desejo. Saudava quem chegava, assistia a tudo, a arte, na verdade, estava da outro lado, bem na minha frente: a arte na plateia. Pincéis, lápis, tintas, espátulas, riscos, brebotes, garatujas, cores, contemplação, paisagens, inspiração, estalos, transpiração. O Sol dava o tom do que fervia na cabeça de pintores, desenhistas, faz de conta e tudo o mais. Linaldo fez festa com um jeito todo seu de cantar e tocar. Depois chamou Marquinhos e fizeram um duo no mormaço da manhã. O que antes indecifrável nos rascunhos das telas, agora tomava corpo: dava pra se ter ideia o que queria dizer cada um dos artistas na moldura da vida. Zé Ripe deu show com coro da plateia e aplausos muitos: coisas da terra e de poesia que nem devia mais sair mais do palco. Pintou-se o sete e o escambau por toda a manhã pra mais de meio dia, coisas e ideais: a vida pintou na praça e a gente passou a viver mais. Parabéns Paulo Profeta. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do cantor e compositor Vital Farias: Sagas brasileiras, Taperoá & solo; da pianista Magda Tagliaferro (1893-1986): Rosa Amarela, Saudade das selvas brasileiras & Impressões seresteiras, todas de Heitor Villa-Lobos; do pianista Rogerio Tutti: Sonata ao luar do sertão, Deep in your soul & Libertango de Astor Piazzolla; da cantora Mônica Salmaso: Voadeira, Iaiá & Noites de gala, samba na rua. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] romance é algo mais que uma sucessão de aventuras: é o testeminho trágico de um artista diante do qual ruiiram os valores seguros de uma comundiade sagrada. [...] pavoroso processo de desmistificação do mundo [...] Os homens escrevem ficções porque estão encarnados, porque são imperfeitos. Um Deus não escreve romances. Trechos extraídos da obra O escritor e seus fantasmas (Companhia das Letras, 2003), do escritor e artista plástico argentino Ernesto Sábato (1911-2011). Veja mais aqui e aqui.
 Poema do dramaturgo, advogado, professor e poeta palmarense Fenelon Barreto, em placa na Praça Paulo Paranhos – Palmares - PE. Veja mais aqui e aqui.

DE SENTIR & VIVER - [...] – Que ventura! = então disse ele, erguendo as mãos ao céu – que ventura podê-lo salvar! O homem que assim falava era um pobre rapaz, que ao muito parecia contar vinte e cinco anos,e que na franca expressão de sua fisionomia, deixava adivinhar toda a nobreza de um coração bem formado. O sangue africano refervia-lhe nas veias; o mísero ligava-se à odiosa cadeia da escravidão; e embalde o sangue ardente que herdara de seus pais, e que o nosso clima e a servidão não puderam resfriar, embalde – dissemos – se revoltava; porque se lhe erguia como barreira – o poder do forte contra o fraco!... Ele entanto resignava-se; e se uma lágrima desesperação lhe arrancava, escondia-a no fundo de sua miséria. [...]. Trecho extraído da obra Úrsula (Presença/INL, 1988), da escritora Maria Firmina dos Reis (1825-1917), considerada a primeira romancista brasileira.


Coqueiros no céu de Palmares: Praça Paulo Paranhos, Palmares – PE.

MULHER
De ser não sei, na seriação dos seres,
Que mais preocupa e que se estuda tanto:
Alma, razão de agir, paixões, misteres,
A essência do teu riso e do teu pranto!
Magos, poetas, filósofos, no entanto,
Mergulhando-as na orgia dos prazeres,
Ou elevando nas palmas como a um santo,
- Controversos que são quanto às mulheres!
Dessas vacilações, desses enganos
Surge o dogma, imutável, transcendente
Que ao homem sagra “senhor” entre os humanos...
E o dono, e chefe, e rei – por que padeces,
Ó forte, ó sábio, e vives tão somente
Na razão desse mal que mal conheces?!
Poema extraído da obra Horas inúteis (Imprensa Oficial, 1960), da educadora, jornalista, poeta e ativista feminina Edwiges de Sá Pereira (1884-1958).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

A poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez, participando do evento Pintando na Praça – Palmares – PE. Veja mais aquiaqui.

Veja mais:
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

ADMMAURO GOMMES
Recepcionando o poeta e professor Admmauro Gommes na exposição do projeto Pintando na Praça, na Biblioteca Fenelon Barreto, Palmares – PE. Veja mais aqui.
 

sábado, outubro 21, 2017

RILKE, HUYSSEN, MARIA IGNEZ MARIZ, ANTÔNIO PEREIRA, LUCIAH LOPEZ & ARTE NA PRAÇA

PRIMEIRO ENCONTRO: MEU OLHAR, SEU SORRISO – Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. - Da tarde a vida fez-se mais que dia noite adentro: milênios de espera no átimo de agora. Não há tempo, tudo passa e eu nem vi: caleidoscópio de sonhos que saiu da tela pra seguir nas ruas de mãos dadas pelas águas da emoção. E eu sou hoje o amanhã sonhado ontem, tudo agora: um oásis erradica a solidão de sempre. O que perdi até agora, nada vale, nada mais resta, sou premiado sem ter que vencer nada, só a mim mesmo. E sou maior que a mim mesmo, expansão incontida, como se o que de mim estava separado, arrancado ou perdido, finalmente me chegasse e a mim se somasse para que eu, completamente restabelecido, tivesse a primeira oportunidade de ir além das minhas cercanias e entisse o mundo inteiro na imensidão infinita. E tarde transformou-se dia inteiro: a viver o beijo, o semblante de luz no riso de Sol; os olhos que tornaram a minha direção, o corpo que virou meu abrigo. Em minhas mãos a poeta fez-se poesia: a deusa reluz mulher com sua pele caingang, seu corpo de fêmea no molde exato ao meu apetite, o meu tope faminto e ela cabe no meu abraço e se faz inteira para que mergulhe suas águas e possa nadar suas entranhas pra conhecer o nunca visto, o nunca tido, o nunca feito: é o milagre do prazer. E sou Deus no verbo da sua carne para ser-me inteiro nela no ápice da paixão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do músico, compositor, drmaaturgo & escritor Chico Buarque: Carioca ao Vivo, As cidades ao vivo & Live au Zenith Paris; da pianista Maria João Pires: Sonata 32 Beethoven, Partitta 1 Bach & Concerto 9 Mozart; do violinista e compositor Marcus Viana: Pantanal, Olga & Música para quatro elementos; da violinista Maria Azova: Havanaise Saint-Saens, Meditation Massenet & Lipizer. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Aí o tempo não serve de verdade: um ano nada vale, dez anos não são nada. Ser artista não significa calcular e contar, mas sim amadurecer como a árvore que não apressa a sua seiva e enfrenta tranqüila as tempestades da primavera, sem medo de que depois dela não venha nenhum verão. O verão há de vir. Mas virá só para os pacientes, que aguardam um grande silêncio intrépido, como se diante deles estivesse a eternidade. Aprendo-o diariamente no meio de dores a que sou agradecido: a paicência é tudo. [...]. Trecho extraído da obra Cartas a um jovem poeta (Globo, 1986), do poeta alemão Rainer Maria Rilke (1875-1926). Veja mais aqui.

GLOBALIZAÇÃO – [...] Se a globalização requizesse uma única coisa do teorico da cultura, esta coisa seria um modelo para estudos comparativos. Estudos comparativos que atravessem fronteiras, línguas e atravessem culturas, um tipo de estudos comparativos que ajudem a alimentar um novo sentido de conectividade e qie talvez até ajudem a criar uma forma de cosmopolitismo alternativo e auto-crítico [...]. Trecho extraído da obra Culturas do passado-presente modernismos, artes visuais, políticas da memória (Contraponto, 2014), do professor e crítico de arte Andreas Huyssen.

A BARRAGEM - [...] Como se obedecessem a um só braço, horas a fio as picaretas rebrilham ao sol, parecendo de prata, ao loge, de tão brilhantes pelo contato com a terra. Terrão dura que só pedra, revolvida a custa de supremo esforço, levantando uma poeira de arrasar pulmões. Mas, em nennuma daquelas cabeças pode passar um pensamento de enfado. Nem cansaço eles têm pretensão de sentir. Correndo o dedo pela testa, o suor cai no chão ou no peito do cassaco nu e reluzente. E o trabalhador continua satisfeito que achasse afinal tábua de salvação [...]. Trecho da obra A Barragem (União, 1994), da escritora e jornalista Maria Ignez Mariz (1905-1952).

A SAUDADE DE ANTÔNIO PEREIRA
Saudade é um parafuso
Que na rosca quando cai,
Só entra se for torcendo,
Porque batendo num vai
E enferrujando dentro
Nem distorcendo num sai.
Saudade tem cinco fios
Puxados à eletricidade,
Um na alma, outro no peito,
Um amor, outro amizade,
O derradeiro, a lembrança
Dos dias da mocidade.
Saudade é como a resina,
No amor de quem padece,
O pau que resina muito
Quando não morre adoece.
É como quem tem saudade
Não morre, mas adoece.
Adão me deu dez saudades
Eu lhe disse: muito bem!
Dê nove, fique com uma
Que todas não lhe convêm.
Mas eu caí na besteira,
Não reparti com ningué
Poema do poeta popular e violeiro Antônio Pereira (1891-1982).

Veja mais:
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

ARTE NA PRAÇA
Projeto Pintando na Praça hoje a partir das 9hs na Praça Paulo Paranhos – Palmares – PE e exposição na Biblioteca Fenelon Barreto durante todo mês de outubro. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui.
 

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...