segunda-feira, dezembro 28, 2015

SEGUNDA, DELEUZE, QUINTANA, PUIG, MENA, PÉRSIO, SARINHA FREITAS & MUITO MAIS!!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? SEGUNDA NOVA - É segunda-feira. De fato, 2016 já começou hoje para mim: um novo dia, uma nova vida, nova forma de pensar. Sei que tudo que almejo não está logo ali. No final das contas, isso pouco importa, traço meu itinerário entre o que se mostra de descompasso nas trevas do niilismo e da desesperança, e o repertório de possibilidades que se ampliam no frescor da existência, da alegria e da leveza na doçura da delicadeza. A despeito de ter estado no olho do furacão, nem aí, pois, se imperarem as velhas circunstâncias tolas derrapando banalidades e outros expedientes detestáveis por vias oblíquas e até repugnantes, de todo modo, vou firme com meus pés grudados no chão e minha cabeça ainda com a capacidade de sonhos e esperança. Botei a mão na massa e sem meias medidas no meu plano de voo, e mais que tudo vou migrante desossando nosso tempo pós-utópico a desconsiderar do fiel da balança pelos possíveis dias hostis e atrozes com suas rupturas nos caminhos e por todos os quadrantes do planeta. Eu vou. E no meu voo não abro mão, passado na lata no lixo, sem remorsos nem memória. Do que passou, nem vaga lembrança ficou: o coração em paz. Não me lembro nem de 2015 nem dos anos anteriores. A vida respira nova e começa agora. Momentos bons? Talvez sirvam apenas de alento, o melhor é agora. Exorcizei tudo, o bem e o mal – antípodas que pertencem ao mesmo balaio -, hoje harmônicos de nem fazer diferença. Sei que estava morto até anteontem, hoje tudo isso virou uma poeira que o vento levou e me deixou pra lá de vivo. Afinal, Deus está nos detalhes. E meu corpo antes combalido, agora disposto para novos enfrentamentos e minha reconstrução. Se perdi tudo, isso me basta: não tenho nada, mas minhas mãos estão dispostas pro carinho e a luta, meu coração pro amor, minha alma em comunhão com o universo e todas as coisas e pessoas. E vamos aprumar a conversa aqui.

PICADINHO


Imagem: a arte do pintor ítalo-brasileiro Fulvio Pennacchi (1905-1992).

 Curtindo o álbum Brincadeira de viola (2003), do violeiro Paulo Freire.

EPÍGRAFEMagister artis ingenique largitor venter, do poeta satírico e estóico romano Aulo Pérsio Flaco (34dC-62dC), também conhecido apenas como Pérsio, que significa: O estômago, mestre das artes e distribuidor do gênio. Ou melhor: a necessidade é a mãe das invenções. Veja mais aqui.

A SUBJETIVIDADE NA COMPLEXA TOPOLOGIA DA DOBRA - No livro A dobra, Leibniz e o barroco (Papirus, 1991), o filósofo francês Gilles Deleuze (1925-1995), é tratado sobre a permissão de percorrer labirintos e diversas camadas, coisas diferentes no continuum das transições insensíveis e transversalidade de planos. Da obra destaco o trecho: O mundo só existe em seus representantes tais como estão incluídos em cada mônada. É um marulho, um rumor, uma névoa, uma dança de poeira. É um estado de morte ou de catalepsia, de sonho ou de adormecimento, de desvanecimento, de aturdimento. É como se o fundo de cada mônada fosse constituído por uma infinidade de pequenas dobras (inflexões) que não param de se fazer e se desfazer em todas as direções, de modo que a espontaneidade da mônada é como a de um adormecido que rola de um lado para o outro em sua cama. Veja mais aqui e aqui.

O BEIJO DA MULHER ARANHA – No livro O beijo da mulher aranha (El beso de la mujer araña, 1976), do escritor argentino Manuel Puig, encontro o trecho: [...] – É que me falha a memória. Mas não tem importância. O que Irena conta e disso eu me lembro direito, é que na montanha continuam nascendo mulheres-panteras. De qualquer modo aquele soldado já tinha morrido, mas outro cruzado percebeu que era a mulher quem o tinha matado e começou a segui-la pela neve e ela fugiu e primeiro eram marcas de mulher as pegadas que deixava e ao aproximar-se da floresta eram de panteras, e o cruzado a seguiu e se meteu na floresta que era de noite, até que avistou na escuridão os olhos verdes brilhantes de alguém que o esperava na tocaia, e fez com a espada e o punhal uma cruz e a pantera ficou quita e virou de novo mulher, ali deitada meio dormindo, como que hipnotizada, e o cruzado recuou porque ouviu outros rugidos que se aproximavam e eram as feras, que farejavam a mulher e a comeram. O cruzado chegou à aldeia quase desfalecendo e contou a história. E a lenda é que a raça das mulheres-panteras não acabou e estão escondidas em algum lugar do mundo, e parecem mulheres normais, mas se um homem as beija podem transformar-se numa fera selvagem. [...]. Em 1985, a obra transformada em filme pelas mãos do cineasta argentino Héctor Babenco. E veja mais aqui.

CANÇÃO DO AMOR IMPREVISTO – No livro Nova antologia poética (Codecri, 1981), do poeta, tradutor e jornalista Mário Quintana (1906-1994), encontro o belíssimo poema Canção do amor imprevisto: Eu sou um homem fechado. / O mundo me tornou egoísta e mau. / E a minha poesia é um vício triste, / desesperado e solitário / que eu faço tudo por abafar. / Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada, / com o teu passo leve, / com esses teus cabelos... / e o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria incontida... / a súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil / aonde viessem pousar os passarinhos! Veja mais aqui e aqui.

TRÁGICO, CÔMICO E SATÍRICO – No livro Cornación – Preâmbulo Segundo –, o poeta medieval trovadoresco espanhol Juan de Mena (1411-1456), trata a respeito do trágico, do cômico e do satírico: Fiquem a saber os que ignoram, que os poetas escrevem ou escreveram em um destes três estilos: o estilo trágico, o satírico ou o cômico. Trágico diz-se do que fala de feitos elevados num estilo empolgado, soberbo, grandioso, como fizeram Homero, Virgilio, Lucano e Estácio; para a tragédia, uma vez que começa por elevados princípios, a sua forma de acabar é em tristes e acidentes desenlaces. A sátira é o segundo estilo de escrever; a natureza deste estilo e o seu objetivo é admoestar os vícios como fizeram Horacio, Persio e Juvenal. O terceiro estilo é a comedia, que trata de temas baixos e vis, sendo o seu estilo baixo e humilde; o inicio é triste e o final alegre, tal como escreveu Terêncio. Vistas estas três maneiras de escrever, podemos agora dizer que o estilo destas coplas é o comico e o satírico: cômico porque começa num estilo humilde e baixo, com um início triste, e acaba divertido e alegre como se demonstrará. É satírico, pois se pode dizer que repreende os vícios do maus e glorifica a gloria dos bons; destes três estilos, das suas origens e significados bem mais largamente fala o comentador sobre a Comédia de Dante no Quarto Preâmbulo. Veja mais aqui.

IL CUORE ALTROVE – O premiadíssimo Il cuore altrove (Um coração pra sonhar, 2003), dirigido por Pupi Avati, conta a história de um professor de latim, que trabalha em Bolonha, enviado por seu pai para encontrar uma esposa e se encontra com um rapaz que quer apresentar uma mulher cega, a irmã de sua namorada, uma garota de boa família pertencente ao melhor da burguesia bolonhesa. Ao ser submetida à intervenção cirúrgica, ela se apaixona por um médico e os dois decidem se casar. Um belo filme com destaque para a atuação da belíssima atriz espanhola Vanessa Incontrada. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do artista visual chinês Walasse Ting (1929-2010).
 
DEDICATÓRIA
 A edição de hoje é dedicada à poetamiga Sarinha Freitas. Veja aqui.

AS PREVISÕES DO DORO PARA 2016
Confira as previsões dos signos e as simpatias aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 
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sábado, dezembro 26, 2015

SÁBADO PRA VIVER, NEPOMUCENO, TERÊNCIO, AMOEDO, EGITO, ARTEMÍSIA & MUITO MAIS!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? É SÁBADO PRA VIVER - É sábado. E porque hoje é sábado, como diz Vinicius de Morais no Dia da Criação, amanhã é domingo e a vida vem em ondas como o mar. E se é sábado, seja do hebraico Shabat ou das satúrnias, eu vou com o raio do Sol pra viver. Durante o dia sou todo vigília e a noite foi feita  pra sonhar! E como sou noitedia, vigília e sonhos são uma coisa só. Desculpei a tudo e todos, perdoei até o que não devia – porque o perdão é com a consciência de cada um, não comigo nem com a vítima da desfaçatez -, mesmo sabendo que tem palavras que não se retiram e escritos que não apagam. De manhã vou como um Neandertal solitário rabiscando nas paredes duma caverna insondável, com a contundente teimosia da sinceridade enjaulada no escuro e com todos os símbolos acumulados na memória. E articulo minha linguagem num solilóquio que só eu mesmo posso entender, vez que minhas narrativas jamais servirão por herança porque são palimpsestos que não resistem a qualquer simples sopro inexorável das horas, se evaporando instantaneamente logo depois de pensadas e escritas. Já me perdi das lendas e mitos que fundaram as civilizações, estou tal como um elo perdido sem saber das assembleias retóricas e dialéticas. Não uso de artificio algum para falar e escrever, e me perdi na amplitude heterogênea da imaginação e no intransponível abismo entre o pensado e o percebido no barulho da realidade, que não me deixa sequer pensar, vez que é nada mais que postiça sobre todo o automatismo coletivo que não distingue o verdadeiro ou falso. Vou com meu acervo de erros além da redoma do tempo e do espaço, devassando o véu do futuro nessa manhã entre ensolarada e chuvosa, pra diante de situações terríveis, como na queda de quem caiu em desgraça pelas risadarias desordenadas pelo ridículo, me prostrar diante da perplexidade de proclamações e brados inúteis que não me deixam o sono sossegado no meu isolamento abismal. É que o amor também erra – e feio! O que me faz de um bufão cercado de burlas e farsas por todos os lados. É tudo assustadoramente complexo se sobrepondo sobre aqueles que pensam pobres, estreito ou deficitário sobre si e todas as coisas, com os seus medos de alarmes imprecisos na combinação entre os olhares e gestões, palavras vagas ou retumbantemente temperamentais de preocupações ou arrependimentos. Vou a reboque das genuínas aleivosias e da vulgaridade maciça que não possui modos e que é dolorosa e desnecessária, além de que se saiba ou se suspeite de nada disso no esforço canhestra das suposições volatizadas na poeira de hoje pela tirania de Saturno tão despótica quanto ignorada, ostensivamente estampada nas notícias, nos acenos, nos afetos e nas relações. De manhã vou pra tarde para me embevecer da noite de um novo amanhecer domingo. E quando as lembranças doem e atormentam, é chegada a hora da virtude do esquecimento. Até lá vou no meu voo sobre o sábado que anuncia que não há fim e sim um outro dia de domingo pra viver. E aprume a conversa aqui.

PICADINHO


Imagem: Reclining Female, do artista plástico húngaro Mikos Mihalovits (1888-1940)


Curtindo a Sinfonia em Sol Menor (1893), do compositor, pianista, organista e regente Alberto Nepomuceno (1864-1920), gravada ao vivo no Teatro Municipal de São Paulo pela Orquestra Sinfônica Brasileira com regência do maestro Edoardo de Guarnieri. Veja mais aqui.

EPÍGRAFEHomo sum: humani nihil a me alienum puto, verso do poeta e dramaturgo cômico romano Publius Terentius Afer – Terêncio (185ª.C – 159ª.C), que expressa os sentimentos humanistas em voga no Renascimento e que significa Sou homem: nada de humano me é estranho. Veja mais aqui , aqui e aqui.

O HOMEM PÓS-ORGÂNICO - No livro O homem pós-orgânico (Relume-Dumará, 2002), da ensaísta e pesquisadora argentina Paula Sibilia, encontro que: O corpo humano, em sua antiga configuração biológica, estaria se tornando obsoleto. Intimidados pelas pressões de um meio ambiente amalgamado com o artificio, os corpos contemporâneos não conseguem fugir das tiranias (e das delícias) do upgrade. Um novo imperativo é internalizado, num jogo espiralado que mistura prazeres, saberes e poderes; o desejo de atingir a compatibilidade total com o tecnocosmos digitalizado. Para efetivar tal sonho é necessário recorrer à atualização tecnológica permanente: impõem-se, assim, os rituais auto-upgrade cotidiano. Veja mais aqui.

O CONTO DOS DOIS IRMÃOS – Na literatura do Egito antigo chegou até o presente reunida em textos que contemplam inscrições religiosas, mortuárias, profanas, cenas da vida corrente e diversas outras como em narrações de batalhas, as sagrações, os jubileus dos faraós, os contos e máximas, as histórias morais, as decisões judiciárias, os poemas de amor, entre outros. Entre os poemas de amor, foi recolhido por Visconde de Rougé (Otto Pierre, 1978), numa tradução feita a partir do papiro de Orniney, o célebre O conto dos dois irmãos: Multiplicaram-se os dias e os dois irmãos estavam no campo. O primogênito enviou seu irmão caçula dizendo: vai à cidade e traze-nos grãos. O jovem encontrou a mulher de seu irmão a trançar os cabelos. Disse-lhe: - Levanta-te! Dá-me sementes para que eu possa voltar aos campos, pois meu irmão me espera. Não demores. Ela lhe responde: - Vai, abre o celeiro e toma o que desejas, meus cabelos cairiam no caminho. O jovem foi ao estábulo e apanhou o vaso grande, pois queria levar muitos grãos; encheu-o de cevada e de trigo, saindo depois, com sua carga. A mulher lhe diz: - Tens umas cinco medidas de grãos nos ombros. O jovem concorda e ela continua: - Como és forte! Notei tua coragem. E desejou conhece-lo como homem. levantou-se, provocou-o e disse: - Vem! Depois do prazer dormiremos uma hora. Quero-te: também pus minha roupa mais bonita. O jovem torna-se furioso como uma pantera escutando esse discurso e ela começa a ter medo. Disse0lhe: - Sempre te considerei como minha mãe, e teu marido, como meu pai, pois sendo o irmão mais velho, me educou [...] Quando a noite chegou, o mais velho voltou para casa e o caçula seguiu os bois. Carregado de todas as boas produções dos campos, conduzia os animais diante de si para dormirem no estábulo. Sua cunhada estava inquieta, com o que ele poderia ter dito ao irmão. Tomou a aparência de uma mulher que foi violentada, querendo dizer a seu marido: - Foi o teu irmão mais moço que me fez isto. À noite o marido volta como costumava fazer todos os dias. Chegando, encontra a mulher estendida, como se estivesse morta pela violência. Não veio, como de costume, lavar-lhe as mãos e a casa ficou às escuras.... ela permanecia deitada e despojada de suas vestes. E seu marido lhe diz: - Sou eu quem te fala. – Não me fales mais – lhe diz ela. – Teu irmão, quando veio apanhar os grãos me encontrou só e me disse: “Deitemo-nos uma hora juntos. Ele me falava, mas eu não escutava. Não sou tua mãe, e teu irmão mais velo não é como teu pai? Eu lhe falava assim. Então ele teve medo e me violentou para que não te dissesse nada. Também, se o deixas viver eu me matarei. Pois escuta, quando ele voltar esta noite e eu contar esta perversa história, fará com que ela pareça limpa. [...]. Veja mais aqui.

TRES POEMAS DE CATULO – No livro ABC da Literatura (Cultrix, 1977), do poeta, músico e crítico literário estadunidense Ezra Pound (1885-1972), encontro três poemas do sofisticado e controverso poeta romano Caio Valério Cátulo ou Catulo, os quais destaco: I – Vivamos, minha Lésbia, e amemos, / e as graves vozes velhas / - todas - / valham para nós menos que um vintém. / Os sóis podem morrer e renascer: / quando se apaga nosso fogo breve / dormimos uma noite infinita. / Dá-me pois mil beijos, e mais cem, / e mil, e cem, e mil, e mil e cem. / Quando somarmos muitas vezes mil / misturaremos tudo até perder a conta: / que a inveja ponha o olho de agouro / no assombro de uma tal soma de beijos. II – Tão caro a mim quanto à moça / de pernas ágeis (dizem) / a maçã de ouro / graças à qual desatou a cintura / longamente ligada. III – Salve, moça de nariz não mínimo, / de pé não lindo, / de olhos não negros, / de dedos não longos, / de boca não breve, / de linguagem não muito distinta, / amiga do debochado Formiano. / A ti, beleza de província, / comparam minha Lésbia? / O século sem graça e sem raça. Veja mais aqui e aqui.
 
TEATRO RENASCENTISTANa obra Teatro Vivo (Civita, 1976), organizada por Sábato Magaldi, encontro que: O Brasil também conheceu esse drama teatral didático e religioso na época da colonização, através dos autos do jesuíta e poeta espanhol José de Anchieta (1534-1597). Instrumento de catequização o teatro jesuíta apoiava-se nas lendas dos mártires e dos santos, incluindo histórias do Velho Testamento e da mitologia clássica, mostrando em cenas horripilantes as consequências da heresia e da maldade. Veja mais aqui e aqui.

HISTÓRIA DO OLHAR – O drama Histórias do olhar (2002), dirigido pela cineasta Isa Albuquerque, tem como pano de fundo a cidade do Rio de Janeiro, na qual se sucedem encontros entre amigas em uma livraria. Os sentimentos de quatro mulheres, em fases diferentes da vida, em quatro episódios divididos entre os temas da inveja, do rancor, do medo e do amor. O destaque é duplo, pois vão para as atrizes Joana Medeiros e Fernanda Maiorano. Imperdível. Veja mais aqui.

COISAS DO CHICO: A CENA - O cara entra no bar e vê de cara Chico Buarque e começa a esculhambar: - Filho da puta, odeio suas música, você canta ruim e ainda por cima apoia a porra da Dilma. Sabe de uma cara: odeio você! E o Chico, geminianamente respondeu: - Você não gosta de mim, mas sua filha gosta! Ponto final. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do pintor, desenhista, decorador e professor Rodolfo Amoedo (1857-1941). Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à artesã alagoana Artemísia Barroso. Veja aqui.

AS PREVISÕES DO DORO PARA 2016
Confira os signos e simpatias aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

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sexta-feira, dezembro 25, 2015

CORAÇÕES SOLITÁRIOS, BHARATA, NEWTON, WORDSWORTH, CASTAÑEDA, CLAUDIA TELLES & MUITO MAIS!!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? CORAÇÕES SOLITÁRIOS - Da janela, o meu minúsculo mundo se reduz a telhados, ruas, janelas, antenas e a imensidão de nuvens sem estrelas e lua – cadê o céu? -, no mais, a minha solidão. E ela é insuportável, tornando a noite em uma grande odisseia com suas luzes, sirenes, amores desfeitos, desejos adiados. O trâmite da solidão. Na solidão noturna, os olhos e ouvidos atentos, a sensibilidade à flor da pele e a constatação de que tudo é transitório, só que recomponho minhas lacunas por todas minhas errâncias e interstícios, e sinto a chuva, os trovões e relâmpagos que não me deixam sair de casa. Ah, preciso sair só – cantarolando Lenine -, fechar a porta e cair na cidade, andar sem saber de nada, viver o imprevisível. Bordejar nas calçadas com olhar distraído para ver que a cidade é a mesma e muda a cada momento, embora a mesma vizinhança, os prédios, árvores, as plantas que colorem os jardins, os vasos nas janelas e varandas, os pedestres que vão e vem pelas poças, meio fio e triz. E o trânsito me atordoa com os seus luminosos, tapumes, terrenos baldios e quase tropeço em mendigos no meio das demolições, da fachada em reforma, do desnível no acesso da padaria da esquina, nos paralelepípedos dos blocos residenciais, a topada no gelo baiano, o medo do assalto, as balas perdidas, as festas animadas, os cartazes de cinema, a linda moça que passa belamente vestida e triste, o teatro fechado, as filas nos restaurantes, os indesejáveis que nos rondam, o casarão quase demolido, o arranha-céu abandonado, o filme que não assisti, o asfalto esburacado, a calçada cheia de cascalhos, a erosão, a corrosão de tudo, os apodrecimentos nas impressões, o caminhão do lixo quebrando o silêncio, a conversa boba. Nos vãos da noite posso sentir o desgaste do tempo e que aqui tudo é passado. Preciso ir adiante, sou transeunte nessa a cidade que guardei na memória e me esqueci, só quando revejo para ver-lhe não mais a mesma e que até nem reconheço, como do que não me lembro e se parece novo. É nela que coabito apenas com minhas lembranças e finitude. Ah, já que não posso sair, pelo menos uma assombração aparecesse para quebrar essa monotonia. Ou quem dera voar e estar por todos os lugares e perceber o quão a realidade é invertida e que, por isso, poderia sanar a ausência e desdém. Poderia olhar em volta, com o ensimesmamento de ter ao mesmo tempo a sensação de platitude, de ubiquidade, dos interstícios, da incomunicabilidade, do vazio. Ah, mas eu preciso encontrar um coração solidário nessa hora. Não posso ir à rua, os solitários estão na Rede, acessar a internet e sacar no meio de muita veleidade em exposição, muita frivolidade narcisista, alguma mão amiga que entoe comigo Entrega. Preciso de alguém acessível e que como eu não tenha temores nem rubores para expor a alma nua, mais interativa para preencher minhas lacunas e repaginar minhas ideias e pensamentos. Tudo é muito instantâneo, descartável. Ler um livro talvez seja melhor. Assim, quem sabe, eu possa viajar por outras paragens mais divertidas e reconhecer-me entre os protagonistas e coadjuvantes numa aventura errante sem que me cobre culpa ou arrependimento. É sim, é melhor. Então veja as dicas abaixo e aprume, depois, a conversa aqui.

PICADINHO


Imagem: A mulher nua, da artista plástica Cristina Salgado.

Curtindo a Laureate Series Guitar (1995), da violonista grega Elena Papandreou.

EPÍGRAFE – Do sábio grego Hipócrates: Ad extremos morbos, extrema remedia exquisite optima. Tradução: A grandes males, grandes remédios. Veja mais aqui e aqui.

A BELA SOBRINHA PREDILETA DE NEWTON – O físico e matemático inglês Isaac Newton (1642-1727) convivia com uma belíssima sobrinha, a espirituosa, brilhante e inteligente Catherine Barton Conduitt (1679-1739), que foi a responsável por espalhar a lenda da maçã que lhe caiu sobre a cabeça para criar a teoria da gravitação. Essa sobrinha não só atraiu a atenção do tio, como de pessoas famosas como Janathah Swift e Voltaire. Segundo este último, Newton  encontrava nela uma útil auxiliar para a satisfação de suas ambições, ao mencionar que: “Quando eu era moço, imaginava que a corte e a cidade de Londres haviam nomeado Isaac Newton diretor da Casa da Moeda por aclamação. Mas enganava-me. Ele tinha uma sobrinha encantadora... a sobrinha agradava muito ao chanceler do erário... o cálculo infinitesimal e a gravitação, de nada teriam servido a Newton sem uma linda sobrinha”. Também é fluente que graças aos encantos de sua sobrinha, Newton recebeu o título de cavaleiro e foi introduzido na sociedade do Príncipe Consorte. Veja mais aqui e aqui.

O HOMEM E O PÓS-HOMEM – No artigo Membranas e interfaces (Que corpo é esse? Mauad, 1999), da doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ e professora pesquisadora, Fernanda Bruno, encontro que: As novas potencias dos homens contemporâneos parecem estar marcando uma ruptura, que muitos começam a apontar como o fim da humanidade (seja celebrando-o ou condenando-o) e o início de uma era: a pós-modernidade. Pois somente agora a criatura humana passaria a dispor, de fato, das condições técnicas necessárias para se autocriticar, tornando-se um gestor de si na administração do seu próprio capital privado e na escolha das opções disponíveis no mercado para modelar seu corpo e sua alma. Outro corte radical emerge da dissolução das velhas fronteiras entre o organismo natural – o corpo biológico – e os artifícios que a tecnociência coloca nas mãos do novo demiurgo humano para que ele conduza sua pós-evolução, não apenas em nível individual como também quanto à espécie, hibridizando-se com as diversas próteses bioinformáticas que já estão à venda. Veja mais aqui.

A ERVA DO DIABO - No livro A erva do diabo (Record, 1968), do escritor e antropólogo estadunidense Carlos Castañeda (1925-1998), destaco o trecho: Resolvi fazer uma última tentativa. Levantei-me e, devagar aproximei-me do lugar marcado pelo paletó e tornei a sentir a mesma apreensão. Dessa vez, fiz um grande esforço para me controlar. Sentei-me e depois ajoelhei-me para deitar de bruços, mas, a despeito de minha vontade, não consegui deitar-me. Pus as mãos no chão em frente de mim. Minha respiração estava ofegante; meu estômago estava embrulhado. Tive uma nítida sensação de pânico, e lutei para não fugir. Pensei que talvez DomJuan me estivesse vigiando. Devagar, rastejei até o outro ponto e encostei as costas na pedra. Queria repousar um pouco para arrumar as ideias, mas adormeci. Ouvi Dom Juan falando e rindo por cima de minha cabeça. Acordei.- Você encontrou o ponto – disse ele. A principio, não entendi, mas ele me garantiu de novo que o lugar em que eu adormecera era o ponto certo. Tornou a me perguntar como é que eu me sentia deitado ali. Respondi que realmente não notava nenhuma diferença. Disse-me que comparasse minhas sensações daquele momento com o que eu tinha sentido deitado no outro ponto. Pela primeira vez, ocorreu-me que eu não poderia explicar minha apreensão da noite. Incitou-me, numa espécie de desafio, a me sentar no outro ponto. Por algum motivo explicável eu chegava a ter medo do outro lugar, e não me sentei lá. Declarou que só um tolo podia deixar de perceber a diferença. Perguntei-lhe se cada um dos dois pontos tinha um nome especial. Ele disse que o mero chamado o sitio e o mau o inimigo: disse que os dois lugares era marca do bem-estar do homem, especialmente para uma pessoa que buscava o conhecimento. [...]. Veja mais aqui.

A CEIFEIRA SOLITÁRIA & OUTROS POEMAS – No livro The Laurel Poetry Series (Dell Publishing, 1960), do poeta romântico inglês William Wordsworth (1770-1850), destaco inicialmente A ceifeira solitária: Só ela no campo vi: / solitária de altas serras, / ceifa e canta para si. / Não digas nada, que a aterras! / Sozinha ceifa no mundo / E canta melancolia. / Escuta: o vale profundo / Transborda à de harmonia. / Nunca um rouxinol cantou / em sombras da Arábia ardente / ao que exausto repousou / mais grata canção dolente; / ou gorjeio tão extremado / se escutou na Primavera, / cortando o Oceano calado / entre ilhas de Além-Quimera. / Quem me dirá do que canta? / Será que o que ela deplora / é antigo, triste e distante, / como batalhas de outrora? / Ou coisas simples são / do quotidiano viver? / Essas dores de coração, / que já foram e hão-de ser? / Seja o que for que cantara / é como infindo cantar, / que a vi cantando na seara, / no trabalho de ceifar. / Sem falar, quieto, eu escutava / e, quando o monte subia, / no coração transportava / o canto que não se ouvia. Também o poema sem título: A poesia é o transbordamento espontâneo de sentimentos intensos: tem a sua origem na emoção recordada num estado de tranquilidade. Também um segundo poema sem título: A verdadeira beleza vive em refúgios profundos, cujo véu é irremovível, até que coração e coração em concordância batam. E o amor é amado. Veja mais aqui.

O TEATRO NO BHARATA – No épico da mitologia hindu Ramáiana denominado Bharata (Natya Çastra), na tradução de Renê Daumal, encontro que: [...] Brahmâ disse ao Fazedor-de-todas-as-Coisas, voltando-se para ele: “Constroi uma casa para o Teatro, de acordo com as regras canônicas, ó Grande-inteligência!”. E, sem perder tempo, o Fazedor-de-todas-as-Coisas construiu uma sala de teatro, clara, grande, de acordo com todas as figuras canônicas. Foi à torre do Construtor, mãos juntas e disse-lhe: “A sala de teatro está pronta, senhor; digna-te poisar nela o teu olhar”. Então, com o grande Indra e todos os outros Deuses, o Construtor apressou-se a vir ver o templo do teatro. A seguir o Grande-Pai disse aos Deuses reunidos: “Fazei um sacrifício ritual neste tempo de teatro”. [...] O teatro descreve as manifestações deste Triplo mundo total. Descreve que a lei, quer o jogo, quer a riqueza, a quietude, o riso, a guerra, a paixão, quer a morte violenta. A Lei para os que o seguem, paixão para os que a ele se entregam, a disciplina dos que se comportal mal, exemplo para aqueles que se sabem conduzir. Veja mais aqui.

FILME DE AMOR – O longa-metragem Filme de amor (2003), do diretor Júlio Bressane, coloca em cena o mito da três graças – o Amor, A Beleza e o Prazer, onde duas mulheres e um homem dão um intervalo em suas vidas de cotidiano medíocre para um hiato de alegria, paixão, libertação e transcendência. No mito original são três mulheres, Tália, Abgail e Eufrosina, mas Bressane optou por escalar um homem levando em conta esses “novos tempos híbridos e heterogêneos”; e no filme eles encarnam os personagens Hilda, Matilda e Gaspar sob a lente Bressaniana. São três amigos que vivem no subúrbio e que decidem se encontrar em um pequeno apartamento num final de semana, com o objetivo de beber, conversar, sentir prazer e, principalmente, estarem juntos. Lá eles entram num estado de sonho, devido à embriaguez, que os leva a esquecer o que ocorre fora do apartamento. O destaque do filme vai para a atriz Josie Antello, especialmente naquela cena que ela sai completamente nua da banheira. Imperdível. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Charge do escritor, cartunista, tradutor, roteirista e autor teatral Luis Fernando Veríssimo. Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à cantora e compositora Claudia Telles. Veja aqui.

AS PREVISÕES DO DORO PARA 2016
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CRÔNICAS NATALINAS 
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...