SOLILÓQUIO DAS HORAS AGUDAS - Vou
além do que vivo! Já dizia Gullar: viver só não basta. Invento mundos e sonhos,
sonhar é preciso: é ser mais que carne, músculos, gestos, coração. Não me basto
em mim, sou muitos, senão todos. E dialogo comigo para que tudo seja real,
apesar de onírico. Escrevo o meu olhar e a minha palavra é grega aos ouvidos,
apesar do vernáculo, soa das tripas coração. E escrever é a minha forma de ser e
estar vivo, dialogando comigo e tudo, na solidão das horas suicidas e com todos
os meus eus que falam de si e do que não sei de mim mesmo. É a forma de me dar
a conhecer o que sou e vejo além do óbvio, as essências, poeiras, bolhas,
espumas: o todo em tudo. As partes, só quando interessa amlálgama: quebra-cabeça.
Tudo me chama atenção, até o inútil, o vão. Até desvelar ocultidões, o interior
do interior do interior do interior. Sou do desafio, vencer é conhecer,
desvendar o que se diz de mistérios e saber que não existe mistério algum. Sou
todo o olhar e o sentir que sugere a paisagem das coisas e o irrevelável me
seduz, o invisível, porque não vejo só com meus olhos, todos os sentidos,
corpalma, de olhos fechados e pra todas as coisas. Invento que seja este o meu
tempo, não é e pouco importa. Invento o espaço, da minúscula fresta aos
quilômetros estelares. Invento o meu mundo, este não é o meu e tudo isso não me
basta. Sou semente e me reinvento raiz pro êxtase da fotossíntese, até ser-me
fruto devorado pela própria fome de tudo e de todos. Disso, me reduzo a nada e
feliz: cumpri a missão. Ademais, sou estrangeiro aqui e vou só. Assim sou, só a
poesia torna a vida suportável. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.
Veja mais aqui.TATARITARITATÁ: VAMOS APRUMAR A CONVERSA - Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
terça-feira, julho 05, 2016
CAMUS, HIPÓCRATES, MERELLO, MEG MYERS & LUCIAH LOPEZ
SOLILÓQUIO DAS HORAS AGUDAS - Vou
além do que vivo! Já dizia Gullar: viver só não basta. Invento mundos e sonhos,
sonhar é preciso: é ser mais que carne, músculos, gestos, coração. Não me basto
em mim, sou muitos, senão todos. E dialogo comigo para que tudo seja real,
apesar de onírico. Escrevo o meu olhar e a minha palavra é grega aos ouvidos,
apesar do vernáculo, soa das tripas coração. E escrever é a minha forma de ser e
estar vivo, dialogando comigo e tudo, na solidão das horas suicidas e com todos
os meus eus que falam de si e do que não sei de mim mesmo. É a forma de me dar
a conhecer o que sou e vejo além do óbvio, as essências, poeiras, bolhas,
espumas: o todo em tudo. As partes, só quando interessa amlálgama: quebra-cabeça.
Tudo me chama atenção, até o inútil, o vão. Até desvelar ocultidões, o interior
do interior do interior do interior. Sou do desafio, vencer é conhecer,
desvendar o que se diz de mistérios e saber que não existe mistério algum. Sou
todo o olhar e o sentir que sugere a paisagem das coisas e o irrevelável me
seduz, o invisível, porque não vejo só com meus olhos, todos os sentidos,
corpalma, de olhos fechados e pra todas as coisas. Invento que seja este o meu
tempo, não é e pouco importa. Invento o espaço, da minúscula fresta aos
quilômetros estelares. Invento o meu mundo, este não é o meu e tudo isso não me
basta. Sou semente e me reinvento raiz pro êxtase da fotossíntese, até ser-me
fruto devorado pela própria fome de tudo e de todos. Disso, me reduzo a nada e
feliz: cumpri a missão. Ademais, sou estrangeiro aqui e vou só. Assim sou, só a
poesia torna a vida suportável. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.
Veja mais aqui.sexta-feira, dezembro 25, 2015
CORAÇÕES SOLITÁRIOS, BHARATA, NEWTON, WORDSWORTH, CASTAÑEDA, CLAUDIA TELLES & MUITO MAIS!!!!
domingo, abril 15, 2012
SHERE HITE, LEILA FERRAZ, PHILIP DICK & LITERÓTICA
DITOS & DESDITOS – É mais importante saber que
tipo de pessoa tem uma doença do que saber que tipo de doença a pessoa tem.
Pensamento de uma dos mais importantes da história da medicina, o grego Hipócrates (460- 377 a. C.), também
autor da expressão: Tudo quanto
é excesso se opõe à natureza. Veja mais aqui.
ALGUÉM FALOU: A realidade é aquilo que, quando
deixas de crer nela, não desaparece. Pensamento do escritor estadunidense Philip Kindred Dick
(1928-1982), ou Philip K. Dick ou PKD, autor de diversas obras de ficção
científica.
ARIADNE & JÚPITER - [...] Em um daqueles finais de
tarde, comecei a sentir um estranho desejo que parecia vir das profundezas do
meu corpo ou de algum lugar que eu não podia determinar com exatidão! Aprendi que
as sensações podiam ser intensificadas movendo minhas pernas, com meu corpo
apertado contra a cama. Se eu agarrasse o meu travesseiro, de bruços, sentia um
prazer ainda maior. [...] Era uma
doce tortura. Eu não sabia o seu significado. Um dia, quando fazia aquilo, tive
a sensação de que estava acontecendo uma explosão deliciosa dentro do meu corpo.
[...] Eu adorei. Quis fazer de novo e
fiz, um milhão de vezes. Passei a fazer todos os dias. [...]. Trechos
extraídos da obra A divina comédia de
Ariadne e Júpiter: as surpreendentes e espetaculares aventuras de Ariadne e seu
cão Júpiter no céu e na terra (Bertrand Brasil, 1996), da sexóloga e
feminista teuto-americana Shere Hite (1942-2020). Veja mais
aqui e aqui.
DOIS POEMAS - A OUTRA ESCRITA DA
PELE: Das palavras apanhamos, de
seus músculos esquivos, / com elas nos confundimos e nos acertamos. / Sofremos
e nos flagelamos pelos pensamentos / que se vertem em poemas. / Um gesto louco
e dominador nos joga sobre telas e papéis, / onde tatuamos nossas almas com
tintas dolorosas e arrebatadoras / e nos expomos em roupagens orgásticas. / Esculturas
arrancadas de seus conceitos / e colagens infinitas de sonhos revelados. / Meu
corpo é o corvo que me devora o fígado. / Meu corpo é a cereja que escorre
pelas tuas pernas. / Meu corpo é o livro que defloras página por página, / apesar
das minhas súplicas. / Queres arrancar minha alma custe o que custar, / de seus
temores e pudores, e da inquietude que a ilumina. / Queres me expor sem que eu
exposta esteja. / Meu corpo de solfejos e pérolas é escravo de sua história. / É
o laço. Um ponto. Uma linha. Um plano. DIGITO
EM TUA LÍNGUA ESTE RECADO: Só faltam cinco. / Vou criá-las em preto e
branco para que as cores não me seduzam. / Elas terão que ter suas próprias
seduções. / Nascerão entre brancos, negros e acinzentados. / Uma palheta
onírica e louca será usada para cometê-las. / Ultrapassarão todas as demências
sem grandes alardes. / Santas madonas proscritas de suas sacrovestimentas. / Difícil
será trazer um toque masculino no céu de tantas bocas. / Como será entrelaçar
barbas em cabelos? / Procuro a vertigem dentro de vórtices escalando
hermafroditas irracionais em suas diárias prestidigitações. / Inconsciente
dedilho cada letra do imponderável sem caminhos de volta. / Refeita de tanto
prazer eu me batizo amante. Poemas da poeta, ensaísta, fotógrafa e
artista visual Leila Ferraz, autora
dos livros Cometas (1977) e Poemas plásticos (1980).
MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA
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