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terça-feira, julho 05, 2016

CAMUS, HIPÓCRATES, MERELLO, MEG MYERS & LUCIAH LOPEZ


SOLILÓQUIO DAS HORAS AGUDAS - Vou além do que vivo! Já dizia Gullar: viver só não basta. Invento mundos e sonhos, sonhar é preciso: é ser mais que carne, músculos, gestos, coração. Não me basto em mim, sou muitos, senão todos. E dialogo comigo para que tudo seja real, apesar de onírico. Escrevo o meu olhar e a minha palavra é grega aos ouvidos, apesar do vernáculo, soa das tripas coração. E escrever é a minha forma de ser e estar vivo, dialogando comigo e tudo, na solidão das horas suicidas e com todos os meus eus que falam de si e do que não sei de mim mesmo. É a forma de me dar a conhecer o que sou e vejo além do óbvio, as essências, poeiras, bolhas, espumas: o todo em tudo. As partes, só quando interessa amlálgama: quebra-cabeça. Tudo me chama atenção, até o inútil, o vão. Até desvelar ocultidões, o interior do interior do interior do interior. Sou do desafio, vencer é conhecer, desvendar o que se diz de mistérios e saber que não existe mistério algum. Sou todo o olhar e o sentir que sugere a paisagem das coisas e o irrevelável me seduz, o invisível, porque não vejo só com meus olhos, todos os sentidos, corpalma, de olhos fechados e pra todas as coisas. Invento que seja este o meu tempo, não é e pouco importa. Invento o espaço, da minúscula fresta aos quilômetros estelares. Invento o meu mundo, este não é o meu e tudo isso não me basta. Sou semente e me reinvento raiz pro êxtase da fotossíntese, até ser-me fruto devorado pela própria fome de tudo e de todos. Disso, me reduzo a nada e feliz: cumpri a missão. Ademais, sou estrangeiro aqui e vou só. Assim sou, só a poesia torna a vida suportável. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: a arte do pintor espanhol José Manuel Merello.

Curtindo o álbum Sorry (Atlantic Redords, 2015), da cantautora estadunidense Meg Myers.

PESQUISA:
NEUROFILOSOFIA E NEUROCIÊNCIA COGNITIVA
Nesta segunda, 04, ocorreu mais uma reunião administrativa do Grupo de Pesquisa Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva, na qual foram debatidos, entre outros assuntos, os livros Epidemiologia do Suicídio e Neuroanatomia, da professora Janne Eyre Melo Sarmento, o projeto sobre a temática do tratamento do Autismo & Equoterapia com o psicólogo Weverky Farias e a graduanda em psicologia Edjane Galvão, o curso de Fenomenologia a ser ministrado pelo professor Álvaro Queiroz e Direto & Psicologia Ambiental proposta pela professora Alyshia Karla Gomes da Silva Santos. Veja mais aqui.

LEITURA
Só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, aparece em seguida. São jogos. É preciso, antes de tudo, responder. E se é verdade, como pretende Nietzsche, que um filósofo, para ser confiável, deve pregar com o exemplo, percebe-se a importância dessa resposta, já que ela vai preceder o gesto definitivo. Estão aí as evidências que são sensíveis para o coração, mas é preciso aprofundar para torná-las claras à inteligência.
Trecho da obra O mito de Sísifo (Livros do Brasil, 2002), do escritor, dramaturgo e filósofo francês Albert Camus (1913-1960). Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Os homens deviam saber que do cérebro, e apenas do cérebro, nascem nossos prazeres, alegrias, risadas e brincadeiras, assim como nossas tristezas, dores, mágoas e temores. E então, de maneira especial, adquirimos sabedoria e conhecimento, e vemos e ouvimos para saber o que é justo e o que não é, o que é bom e o que é ruim, o que é doce e o que é sem sabor... e pelo mesmo orgão tornamo-nos loucos e delirantes, e sentimos medo, e o terror nos assola... todas essas coisas provém do cérebro quando este não está sadio... dessa maneira, sou da opinião de que o cérebro exerce um grande poder sobre o homem.
Trecho da obra Doença Sagrada, século IV AC., de Hipócrates (460- 377 a. C.). Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA: LUALMALUZ – SEMANA LUCIAH LOPEZ 
...diante do teu olhar, de toda indumentária os meus olhos se despiram e completamente nus entregaram-se. E tudo o que acompanhou este momento, refletiu-se em demasia no coração pulsante do universo. Houve sístole e diástole e a singularíssima afirmação de que precisamos um do outro. Naquela noite, o teu amor chegou em plenilúnio e a lua, feito um escudo no céu, refletiu o sagrado que exite por trás de cada existência____não me atrevi a desviar o meu olhar, e envaidecida descobri no teu semblante, a luminosidade que a minha alma buscava. Encontrei na luz dos olhos teus, a minha própria luz e o amor se fez, dando-nos a numinosidade do momento e a fusão da nossa alma_____agora una.
Luz dos olhos, poema/imagem/foto da escritora, artista visual e blogueira Luciah Lopez. Veja mais aqui.

Veja mais sobre Cantarau Tataritaritatá, Candido Portinari, Brincarte do Nitolino, Mia Couto, Johann Sebastian Bach, Heráclito de Êfeso, Adolfo Casais Monteiro, Luis Alberto Abreu, Wanda Landowska, Quebra de Xangô, Vicente do Rego Monteiro, Luciano Tasso & Vlado Lima aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Dia Internacional da Mulher Negra na América Latina e Caribe
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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sexta-feira, dezembro 25, 2015

CORAÇÕES SOLITÁRIOS, BHARATA, NEWTON, WORDSWORTH, CASTAÑEDA, CLAUDIA TELLES & MUITO MAIS!!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? CORAÇÕES SOLITÁRIOS - Da janela, o meu minúsculo mundo se reduz a telhados, ruas, janelas, antenas e a imensidão de nuvens sem estrelas e lua – cadê o céu? -, no mais, a minha solidão. E ela é insuportável, tornando a noite em uma grande odisseia com suas luzes, sirenes, amores desfeitos, desejos adiados. O trâmite da solidão. Na solidão noturna, os olhos e ouvidos atentos, a sensibilidade à flor da pele e a constatação de que tudo é transitório, só que recomponho minhas lacunas por todas minhas errâncias e interstícios, e sinto a chuva, os trovões e relâmpagos que não me deixam sair de casa. Ah, preciso sair só – cantarolando Lenine -, fechar a porta e cair na cidade, andar sem saber de nada, viver o imprevisível. Bordejar nas calçadas com olhar distraído para ver que a cidade é a mesma e muda a cada momento, embora a mesma vizinhança, os prédios, árvores, as plantas que colorem os jardins, os vasos nas janelas e varandas, os pedestres que vão e vem pelas poças, meio fio e triz. E o trânsito me atordoa com os seus luminosos, tapumes, terrenos baldios e quase tropeço em mendigos no meio das demolições, da fachada em reforma, do desnível no acesso da padaria da esquina, nos paralelepípedos dos blocos residenciais, a topada no gelo baiano, o medo do assalto, as balas perdidas, as festas animadas, os cartazes de cinema, a linda moça que passa belamente vestida e triste, o teatro fechado, as filas nos restaurantes, os indesejáveis que nos rondam, o casarão quase demolido, o arranha-céu abandonado, o filme que não assisti, o asfalto esburacado, a calçada cheia de cascalhos, a erosão, a corrosão de tudo, os apodrecimentos nas impressões, o caminhão do lixo quebrando o silêncio, a conversa boba. Nos vãos da noite posso sentir o desgaste do tempo e que aqui tudo é passado. Preciso ir adiante, sou transeunte nessa a cidade que guardei na memória e me esqueci, só quando revejo para ver-lhe não mais a mesma e que até nem reconheço, como do que não me lembro e se parece novo. É nela que coabito apenas com minhas lembranças e finitude. Ah, já que não posso sair, pelo menos uma assombração aparecesse para quebrar essa monotonia. Ou quem dera voar e estar por todos os lugares e perceber o quão a realidade é invertida e que, por isso, poderia sanar a ausência e desdém. Poderia olhar em volta, com o ensimesmamento de ter ao mesmo tempo a sensação de platitude, de ubiquidade, dos interstícios, da incomunicabilidade, do vazio. Ah, mas eu preciso encontrar um coração solidário nessa hora. Não posso ir à rua, os solitários estão na Rede, acessar a internet e sacar no meio de muita veleidade em exposição, muita frivolidade narcisista, alguma mão amiga que entoe comigo Entrega. Preciso de alguém acessível e que como eu não tenha temores nem rubores para expor a alma nua, mais interativa para preencher minhas lacunas e repaginar minhas ideias e pensamentos. Tudo é muito instantâneo, descartável. Ler um livro talvez seja melhor. Assim, quem sabe, eu possa viajar por outras paragens mais divertidas e reconhecer-me entre os protagonistas e coadjuvantes numa aventura errante sem que me cobre culpa ou arrependimento. É sim, é melhor. Então veja as dicas abaixo e aprume, depois, a conversa aqui.

PICADINHO


Imagem: A mulher nua, da artista plástica Cristina Salgado.

Curtindo a Laureate Series Guitar (1995), da violonista grega Elena Papandreou.

EPÍGRAFE – Do sábio grego Hipócrates: Ad extremos morbos, extrema remedia exquisite optima. Tradução: A grandes males, grandes remédios. Veja mais aqui e aqui.

A BELA SOBRINHA PREDILETA DE NEWTON – O físico e matemático inglês Isaac Newton (1642-1727) convivia com uma belíssima sobrinha, a espirituosa, brilhante e inteligente Catherine Barton Conduitt (1679-1739), que foi a responsável por espalhar a lenda da maçã que lhe caiu sobre a cabeça para criar a teoria da gravitação. Essa sobrinha não só atraiu a atenção do tio, como de pessoas famosas como Janathah Swift e Voltaire. Segundo este último, Newton  encontrava nela uma útil auxiliar para a satisfação de suas ambições, ao mencionar que: “Quando eu era moço, imaginava que a corte e a cidade de Londres haviam nomeado Isaac Newton diretor da Casa da Moeda por aclamação. Mas enganava-me. Ele tinha uma sobrinha encantadora... a sobrinha agradava muito ao chanceler do erário... o cálculo infinitesimal e a gravitação, de nada teriam servido a Newton sem uma linda sobrinha”. Também é fluente que graças aos encantos de sua sobrinha, Newton recebeu o título de cavaleiro e foi introduzido na sociedade do Príncipe Consorte. Veja mais aqui e aqui.

O HOMEM E O PÓS-HOMEM – No artigo Membranas e interfaces (Que corpo é esse? Mauad, 1999), da doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ e professora pesquisadora, Fernanda Bruno, encontro que: As novas potencias dos homens contemporâneos parecem estar marcando uma ruptura, que muitos começam a apontar como o fim da humanidade (seja celebrando-o ou condenando-o) e o início de uma era: a pós-modernidade. Pois somente agora a criatura humana passaria a dispor, de fato, das condições técnicas necessárias para se autocriticar, tornando-se um gestor de si na administração do seu próprio capital privado e na escolha das opções disponíveis no mercado para modelar seu corpo e sua alma. Outro corte radical emerge da dissolução das velhas fronteiras entre o organismo natural – o corpo biológico – e os artifícios que a tecnociência coloca nas mãos do novo demiurgo humano para que ele conduza sua pós-evolução, não apenas em nível individual como também quanto à espécie, hibridizando-se com as diversas próteses bioinformáticas que já estão à venda. Veja mais aqui.

A ERVA DO DIABO - No livro A erva do diabo (Record, 1968), do escritor e antropólogo estadunidense Carlos Castañeda (1925-1998), destaco o trecho: Resolvi fazer uma última tentativa. Levantei-me e, devagar aproximei-me do lugar marcado pelo paletó e tornei a sentir a mesma apreensão. Dessa vez, fiz um grande esforço para me controlar. Sentei-me e depois ajoelhei-me para deitar de bruços, mas, a despeito de minha vontade, não consegui deitar-me. Pus as mãos no chão em frente de mim. Minha respiração estava ofegante; meu estômago estava embrulhado. Tive uma nítida sensação de pânico, e lutei para não fugir. Pensei que talvez DomJuan me estivesse vigiando. Devagar, rastejei até o outro ponto e encostei as costas na pedra. Queria repousar um pouco para arrumar as ideias, mas adormeci. Ouvi Dom Juan falando e rindo por cima de minha cabeça. Acordei.- Você encontrou o ponto – disse ele. A principio, não entendi, mas ele me garantiu de novo que o lugar em que eu adormecera era o ponto certo. Tornou a me perguntar como é que eu me sentia deitado ali. Respondi que realmente não notava nenhuma diferença. Disse-me que comparasse minhas sensações daquele momento com o que eu tinha sentido deitado no outro ponto. Pela primeira vez, ocorreu-me que eu não poderia explicar minha apreensão da noite. Incitou-me, numa espécie de desafio, a me sentar no outro ponto. Por algum motivo explicável eu chegava a ter medo do outro lugar, e não me sentei lá. Declarou que só um tolo podia deixar de perceber a diferença. Perguntei-lhe se cada um dos dois pontos tinha um nome especial. Ele disse que o mero chamado o sitio e o mau o inimigo: disse que os dois lugares era marca do bem-estar do homem, especialmente para uma pessoa que buscava o conhecimento. [...]. Veja mais aqui.

A CEIFEIRA SOLITÁRIA & OUTROS POEMAS – No livro The Laurel Poetry Series (Dell Publishing, 1960), do poeta romântico inglês William Wordsworth (1770-1850), destaco inicialmente A ceifeira solitária: Só ela no campo vi: / solitária de altas serras, / ceifa e canta para si. / Não digas nada, que a aterras! / Sozinha ceifa no mundo / E canta melancolia. / Escuta: o vale profundo / Transborda à de harmonia. / Nunca um rouxinol cantou / em sombras da Arábia ardente / ao que exausto repousou / mais grata canção dolente; / ou gorjeio tão extremado / se escutou na Primavera, / cortando o Oceano calado / entre ilhas de Além-Quimera. / Quem me dirá do que canta? / Será que o que ela deplora / é antigo, triste e distante, / como batalhas de outrora? / Ou coisas simples são / do quotidiano viver? / Essas dores de coração, / que já foram e hão-de ser? / Seja o que for que cantara / é como infindo cantar, / que a vi cantando na seara, / no trabalho de ceifar. / Sem falar, quieto, eu escutava / e, quando o monte subia, / no coração transportava / o canto que não se ouvia. Também o poema sem título: A poesia é o transbordamento espontâneo de sentimentos intensos: tem a sua origem na emoção recordada num estado de tranquilidade. Também um segundo poema sem título: A verdadeira beleza vive em refúgios profundos, cujo véu é irremovível, até que coração e coração em concordância batam. E o amor é amado. Veja mais aqui.

O TEATRO NO BHARATA – No épico da mitologia hindu Ramáiana denominado Bharata (Natya Çastra), na tradução de Renê Daumal, encontro que: [...] Brahmâ disse ao Fazedor-de-todas-as-Coisas, voltando-se para ele: “Constroi uma casa para o Teatro, de acordo com as regras canônicas, ó Grande-inteligência!”. E, sem perder tempo, o Fazedor-de-todas-as-Coisas construiu uma sala de teatro, clara, grande, de acordo com todas as figuras canônicas. Foi à torre do Construtor, mãos juntas e disse-lhe: “A sala de teatro está pronta, senhor; digna-te poisar nela o teu olhar”. Então, com o grande Indra e todos os outros Deuses, o Construtor apressou-se a vir ver o templo do teatro. A seguir o Grande-Pai disse aos Deuses reunidos: “Fazei um sacrifício ritual neste tempo de teatro”. [...] O teatro descreve as manifestações deste Triplo mundo total. Descreve que a lei, quer o jogo, quer a riqueza, a quietude, o riso, a guerra, a paixão, quer a morte violenta. A Lei para os que o seguem, paixão para os que a ele se entregam, a disciplina dos que se comportal mal, exemplo para aqueles que se sabem conduzir. Veja mais aqui.

FILME DE AMOR – O longa-metragem Filme de amor (2003), do diretor Júlio Bressane, coloca em cena o mito da três graças – o Amor, A Beleza e o Prazer, onde duas mulheres e um homem dão um intervalo em suas vidas de cotidiano medíocre para um hiato de alegria, paixão, libertação e transcendência. No mito original são três mulheres, Tália, Abgail e Eufrosina, mas Bressane optou por escalar um homem levando em conta esses “novos tempos híbridos e heterogêneos”; e no filme eles encarnam os personagens Hilda, Matilda e Gaspar sob a lente Bressaniana. São três amigos que vivem no subúrbio e que decidem se encontrar em um pequeno apartamento num final de semana, com o objetivo de beber, conversar, sentir prazer e, principalmente, estarem juntos. Lá eles entram num estado de sonho, devido à embriaguez, que os leva a esquecer o que ocorre fora do apartamento. O destaque do filme vai para a atriz Josie Antello, especialmente naquela cena que ela sai completamente nua da banheira. Imperdível. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Charge do escritor, cartunista, tradutor, roteirista e autor teatral Luis Fernando Veríssimo. Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à cantora e compositora Claudia Telles. Veja aqui.

AS PREVISÕES DO DORO PARA 2016
Confira aqui.

CRÔNICAS NATALINAS 
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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domingo, abril 15, 2012

SHERE HITE, LEILA FERRAZ, PHILIP DICK & LITERÓTICA



ELA, A INCÓGNITA DO PRAZER – Imagem: art by Mark Tennant - Não sei se é noite, dia ou tarde. Eu só sei que arde. E com açoite faz alarde na minha temperança. É que não descansa, bole e atordoa. Ah, que coisa boa debaixo do chuveiro, quando sou seu ex-seresteiro e ela emerge dos confins gerais, sensual demais com sua tropical altitude. E vem largando as virtudes na sua nudez. Com completa mudez, tez luminescente, com seu corpo fervente pra me incendiar. Eu me deixo levar por sua boca safada que se diz preparada toda para mim. E se confessa assim com seu sexo molhado. E nele me farto aos bocados até a raiz -  do cóccix ao seu túmido veio, pelo entremeio de sua entrega donairosa, seu cheiro de rosa, sua ebulição. Faço na praça festa de peão, sou língua devassa de eterno freguês. E vou pelo vale dos seus ipês, correndo a sua serra do paraíso, todo seu córrego diviso com toda ganância. Eu bebo a sua fragrância com sede medonha, chega ela sonha de olhos virados, gemendo recados de que vai me pegar. E vendo seu esgar, mais me aproveito, sugando seu jeito inquieto a gozar. E a se esbaldar se derrete bem louca, ela vulva inteira na minha boca, chega a gemer e gritar. E me manda parar, depois diz que não, na sua alucinação nem sabe o que quer. Ela é toda mulher que mais se demora com seu gosto de amora no meu paladar. Ela quer mais se fartar e remexe agonia, se espremendo todinha, preu mais me ousar, até alcançar sua intimidade mais escondida, que ela me entrega rendida para eu me apossar. Não sei se sou dono, ou desbravador, se sou o patrono, ou o seu feitor. Sou só dominador da sua volúpia, só vou com argúcia asumir seu poder e todo seu querer, sua identidade, destronar sua majestade e roubá-la de si. No seu frenesi será dominada, submissa encantada que irá me servir. E como um grão vizir, lavrarei minha lei pra que ela faça a grei e cumpra à risca, minha servil odalisca, minha serva querida, minha fêmea homicida, minha escrava cortesã, que me dispõe sua chã, sua carne e beleza, que se digna ser presa para que dela eu me aposse, tomando total posse de tudo que é de seu. E ao me dar o apogeu e todo seu trono, sua alma por abono e tudo que se tem. E como me convém, ela fraqueja e ajoelha feito obediente ovelha, a me adorar. E procura seu maná, meu membro saliente, seu moquém requerente que quer abarcar. E a se lambuzar com minha seiva leitosa, a lamber tão jeitosa, chega a me enlouquecer. Não pára de mexer, tenaz felatriz a sugar tão feliz meu mais louco gozar. E não quer mais parar, feito faminta gulosa na minha pêia preciosa, que me toma à mão como um frágil Sansão rendido ao prazer. Ela mais manda ver e mais me explorar, até que eu chegue a esborrar toda força da vida. E retoma as lambidas de forma inclemente como quem inadimplente está pronta a pagar toda dívida que há, pra ser conivente que deve sucumbente de se ver eternamente na condição de me amar. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aquiaqui.

 


DITOS & DESDITOSÉ mais importante saber que tipo de pessoa tem uma doença do que saber que tipo de doença a pessoa tem. Pensamento de uma dos mais importantes da história da medicina, o grego Hipócrates (460- 377 a. C.), também autor da expressão: Tudo quanto é excesso se opõe à natureza. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: A realidade é aquilo que, quando deixas de crer nela, não desaparece. Pensamento do escritor estadunidense Philip Kindred Dick (1928-1982), ou Philip K. Dick ou PKD, autor de diversas obras de ficção científica.

 

ARIADNE & JÚPITER - [...] Em um daqueles finais de tarde, comecei a sentir um estranho desejo que parecia vir das profundezas do meu corpo ou de algum lugar que eu não podia determinar com exatidão! Aprendi que as sensações podiam ser intensificadas movendo minhas pernas, com meu corpo apertado contra a cama. Se eu agarrasse o meu travesseiro, de bruços, sentia um prazer ainda maior. [...] Era uma doce tortura. Eu não sabia o seu significado. Um dia, quando fazia aquilo, tive a sensação de que estava acontecendo uma explosão deliciosa dentro do meu corpo. [...] Eu adorei. Quis fazer de novo e fiz, um milhão de vezes. Passei a fazer todos os dias. [...]. Trechos extraídos da obra A divina comédia de Ariadne e Júpiter: as surpreendentes e espetaculares aventuras de Ariadne e seu cão Júpiter no céu e na terra (Bertrand Brasil, 1996), da sexóloga e feminista teuto-americana Shere Hite (1942-2020). Veja mais aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS - A OUTRA ESCRITA DA PELE: Das palavras apanhamos, de seus músculos esquivos, / com elas nos confundimos e nos acertamos. / Sofremos e nos flagelamos pelos pensamentos / que se vertem em poemas. / Um gesto louco e dominador nos joga sobre telas e papéis, / onde tatuamos nossas almas com tintas dolorosas e arrebatadoras / e nos expomos em roupagens orgásticas. / Esculturas arrancadas de seus conceitos / e colagens infinitas de sonhos revelados. / Meu corpo é o corvo que me devora o fígado. / Meu corpo é a cereja que escorre pelas tuas pernas. / Meu corpo é o livro que defloras página por página, / apesar das minhas súplicas. / Queres arrancar minha alma custe o que custar, / de seus temores e pudores, e da inquietude que a ilumina. / Queres me expor sem que eu exposta esteja. / Meu corpo de solfejos e pérolas é escravo de sua história. / É o laço. Um ponto. Uma linha. Um plano. DIGITO EM TUA LÍNGUA ESTE RECADO: Só faltam cinco. / Vou criá-las em preto e branco para que as cores não me seduzam. / Elas terão que ter suas próprias seduções. / Nascerão entre brancos, negros e acinzentados. / Uma palheta onírica e louca será usada para cometê-las. / Ultrapassarão todas as demências sem grandes alardes. / Santas madonas proscritas de suas sacrovestimentas. / Difícil será trazer um toque masculino no céu de tantas bocas. / Como será entrelaçar barbas em cabelos? / Procuro a vertigem dentro de vórtices escalando hermafroditas irracionais em suas diárias prestidigitações. / Inconsciente dedilho cada letra do imponderável sem caminhos de volta. / Refeita de tanto prazer eu me batizo amante. Poemas da poeta, ensaísta, fotógrafa e artista visual Leila Ferraz, autora dos livros Cometas (1977) e Poemas plásticos (1980).


PROGRAMA DOMINGO ROMÂNTICO – O programa Domingo Romântico que vai ao ar todos os domingos, a partir das 10hs (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Na programação de hoje as seguintes atrações: Saint-Preux, Milton Nascimento, Gal Costa & Roupa Nova, Nana & Dory Caymmi, Sonia Mello, Moraes Moreira, Ana Cañas, Djavan & Paralamas do Sucesso, Anna Ratto e Boca Livre, Luiz Alberto Machado, Yes, A-Ha, Duran Duran, Jessé, Jorge Vercilo, Luiza Possi, Ibys Maceioh, Geraldo Azevedo, João Bosco, Michael JacKson, Carly Reys, Neil Sedaka, Juanes e Paula Fernandes, Bon Jovi, Maria Gadu, Pepino de Capri, Caetano Veloso, Paulynho Duarte, Djavan, Lenine, Chico Buarque, Ná Ozzettti, Madona, Maria Bethania, MP4, Lulu Santos, Jorge Benjor, Cazuza & muito mais. Confira tudo isso e a festa toda aqui.


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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

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