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segunda-feira, julho 03, 2017

RICK WAKEMAN, MEMBRANAS & INTERFACES DE FERNANDA BRUNO, KIDS DE LARRY CLARK, JANA BRIKE & QUAL É A TUA, ZÉ BRASIL?!

QUAL É A TUA, ZÉ BRASIL? - Zé Brasil vive às topadas e tombos, assanhando o tuim e ajeitando o penteado como pode. Aos empurrões segue adiante ou não sai do lugar. Tem horas que pega na embalada e, quando vai ver, está lá no meio da boiada desenfreada aos pinotes e gritaria. Sua vida pra lá de destrambelhada foi muito além dos subterrâneos infernos adentro aos voos de se estrepar ribanceira abaixo. Pudera, o pai um peró sifilítico, fugitivo de zis credores e que aportou fedorento depois de pular dum bigu de navio cargueiro, bimba na mão da secura pra descabaçar a primeira índia fogosa e emprenhá-la antes de arribar atrás do ouro perdido de Serra Pelada. A mãe bastou rebentar, largou o bebê na calçada e pulou da ponte embaixo pra morrer chorando a sina de perder o grande amor da tribo prum desalmado que lhe roubara a vergonha e a vida. Foi criado por uma mãe preta catimbozeira que se dizia sua avó e tida pelas más línguas por mula sem cabeça que aparecia todas as sextas, amasiada com um filantropo pároco italiano que lhe virou as costas depois de sacar que não tinha mais jeito. Cresceu como uma anomalia, varapau mameluco que não sabia pronde aprumava a venta, se pras bandas portuguesas, espanholas ou holandesas, quem desse mais, ora. Na escola aprendeu a folhear a Arte de Furtar do Padre Vieira pra ser um bom ladrão. Por esse expediente tapeou Deus e o diabo, apaixonando-se por todas as atrizes da tevê, idealizando ser um artista capa de revista. No ginasial, foi aluno dum professor que não sabia pronunciar o nome e lhe meteu na cabeça o Mein Kampfe – livro grosso e complicado pra ele, melhor seria se fosse um gibi e aprenderia pelas figuras -, mas bebeu cada palavra do mestre e levou ao pé da letra pra virar nazista da noite pro dia, odiando preto, viado e quem fosse do contra, vez que não sabia onde estavam os judeus pra sua fúria. Na 8ª série apaixonou-se por uma americanômana, de querer fugir com ela pros USA e se enturmar na Klu Klux Klan ou virar cucaracha. Quando procurou por ela, já era, estava agarrada nos beiços dum branquelo doutra turma, dele findar abatumado numa ficha de inscrição do Big Shit Bôbras. Foi aí que ficou mudo e foi à merda depois da era triunfal de Schumacher, da lavagem de 7 da seleção na tragédia do Mineirão, do irmão alemão do Chico e de vender a alma ao diabo, virando piada como coadjuvante feito Barrichello e Massa – eles estão rico e tu? F-o-fo-d-i-di-d-o-do: fodido! Se ele já era traumatizado com o 1x0 pro Uruguai no Maracanã de 50, imagine depois da desmoralização geral. Soube, então, que pra filosofar tinha que aprender a língua e saber da linha direta entre arianos e germanos. Pronunciou com tanta força gutural de ficar rouco e perder a voz. Daí, então, nunca mais se emendou, Maria-vai-com-as-outras, pronde vão todos, lá está ele no meio, nunca se sabe, entre procissões católicas e cultos protestantes, mesa espírita e bombo de xangô, comícios, protestos, catando pés de coelho, trevos de cinco pontas, ferradura, apostando e jogando de porrinha aos pules de bicho e loterias, entre falsas farturas e carestias, sem saber nem quem foi ou será, até cair nas mãos do juiz Teje-Preso, que foi com a sua cara porque não falava pra encher o saco, só balançava a cabeça, a ponto de, doravante, tornar-se Oficial de Justiça ad hoc na Comarca de Alagoinhanduba, nunca mais dando as caras e vivendo em diligências com trocentos mandados de prisão e outros tantos alvarás de soltura, volume dependente da veneta do magistrado, prendendo quem estava solto e soltando quem estivesse preso, e vice-versa, pau mandado juiz. Apesar de tudo, vive sem dizer uma monossilábica palavra que seja, sem pensar em nada, em seguir a vida, fazer a sua parte como puder e viver à própria sorte, esperando a morte chegar. Não há quem não pergunte na lata dele: - Qual é a tua, Zé Brasil? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

MEMBRANAS E INTERFACES DE FERNANDA BRUNO
[...] o homem que “abandona” o seu corpo é o homem que faz técnica, que se desprende do aqui e agora das circunstâncias, das imposições do meio ou das urgências vitais e produz, projeta o que não estava aí. É aquele, portanto, que estabelece com a natureza – com o seu corpo e com o seu meio – não uma simples relação de acomodação ou adaptação, mas de transformação. Deste modo, não é o corpo nu ou natural que estabelece a mediação ou a fronteira entre o homem e o mundo, mas um corpo atravessado, modulado pela técnica – não é por acaso que esta também se define como mediação. Mas isto não deve conduzir à suposição de que a técnica seja um mero prolongamento das funções do corpo – aí compreendidas as cognitivas -, pois, ao disseminar suas funções no espaço externo, nem o corpo, nem o mundo permanecem os mesmos – o interior e o exterior, bem como a mediação entre eles, ganham novos contornos. [...].
Trecho de Membranas e interfaces (Mauad, 1999), da doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ e professora pesquisadora, Fernanda Bruno. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Quando tudo é manhã do dia pra noite, Agonia da noite de Jorge Amado, Posthuman bodies de Halbertam & Livingstone, a música de Bizet & Adriana Damato, Folclore musical de Wagner Ribeiro, a pintura de Aleksandr Fayvisovich & Bryan Thompson, a fotografia de Christian Coigny, a arte de Mirai Mizue & Luciah Lopez aqui.

E mais:
As astúcias do juiz Teje-Preso aqui e aqui.
Preconceito, ó! Xô pra lá, Diários de viagem de Franz Kafka, Cantos de Giacomo Leopardi, A revolta de Atlas de Ayn Rand, a música de Leoš Janáček & Cheryl Barker, o cinema de Alessandro Blasetti & Sophia Loren, Jacques Lacan & Maguerite Anzieu: o caso Aimée, a arte de Liliana Castro, a pintura de Helmut Breuninger & Hermann Fenner-Behmer aqui.
Todo dia é dia da mulher, O processo de Franz Kafka, a música de Leoš Janáček, a pintura de Anna Chromý, a arte de Ibys Maceioh & Karyme Hass aqui.
O trânsito e a fubica do Doro aqui.
O dia da criação de Vinícius de Morais aqui.
Lagoa da prata, Conheço o meu lugar de Belchior, O folclore no Brasil de Basílio de Magalhães, Chão de mínimos amantes de Moacir da Costa Lopes, Culturas e artes do pós-humano de Lucia Santaella, a fotografia de Tatiana Mikhina, a arte de Joseph Mallord William & Wesley Duke Lee aqui.
A lenda do açúcar e do álcool, Educação não é privilégio de Anísio Teixeira, História da filosofia de Wil Durant, a música de Yasushi Akutagawa, Não há estrelas no céu de João Clímaco Bezerra, Cumade Fulôsinha de Menelau Júnior, Maria Flor de João Pirahy & a arte de Madison Moore aqui.
Cruzetas, os mandacarus de fogo, Concepção dialética da história de Antonio Gramsci, O escritor e seus fantasmas de Ernesto Sábato, Sob os céus dos trópicos de Olavo Dantas, a pintura de Eliseo Visconti & Benício, a fotografia de Rita-Barreto & a arte de Rosana Sabença aqui.
O passado escreveu o presente; o futuro, agora, Estudos sobre teatro de Bertolt Brecht, Sociolinguistica de Dino Preti, a música de Adriana Hölszky, Nunca houve guerrilha em Palmares de Luiz Berto, a pintura de Dimitra Milan & Vera Donskaya-Khilko, a escultura de Antonio Frilli & a arte de Thomas Rowlandson aqui.
O feitiço da naja: a tocaia & o bote, Sistemas de comunicação popular de Joseph Luyten, Palmares & o coração de Hermilo Borba Filho, Porta giratória de Mário Quintana, a música de Vanessa Lann, o teatro de Liz Duffy Adams, a pintura de Joerg Warda & a arte de Luciah Lopez aqui.
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KIDS DE LARRY CLARK
O drama Kids (1995), escrito pelo cineasta e roteirista Harmony Korine e dirigido pelo ator, diretor e fotógrafo Larry Clark, foca em um dia meados de 1990, a vida de um grupo de jovens sexualmente ativos e o seu comportamento diante do sexo e das drogas durante a era do HIV, que não sabem qual direção seguir em suas vidas e que pouco se interessam por isso, existindo apenas para o consumo e o hedonismo. Trata-se de um retrato trágico sem qualquer concessão aos modelos hollywoodianos. Destaque pra atriz e designer estadunidense Chloë Sevigny.

RÁDIO TATARITARITATÁ: RICK WAKEMAN
Nesta segunda, 03/07, especial com a música do pianista e tecladista de rock progressivo britânico, Rick Wakeman, e seus principais álbuns 1984 (1981), Journey to the centre of the earth (1974), The six wives of Henry VIIII (1973), Criminal Records (1977), Myths and legends of King Arthur and the knights of the round table (1975), Return to the center of the earth (1999), entre outros shows ao vivo com Jon Anderson (2010). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista letã Jana Brike.
Veja mais aqui.
 

sexta-feira, outubro 28, 2016

BAUMAN, TENNESSEE WILLIAM, FERNANDA BRUNO, JULES DASSIN, CAROLINA DE JESUS, JANICE GARRETT, ALESSANDRA TOMAZI, ARLINDA FERNANDES, REJANE SOUZA, IRINA COSTA, LUCIAH & BRINCARTE

INEDITORIAL: PRECISAMOS DISCUTIR SOBRE OS PRÓXIMOS 20 ANOS! - Alô, alô, torcida do Flamengo! Aquele abraço! Hoje é o dia do Flamenguista, como também é o Dia Internacional do Animador e Nacional do Servidor Público! Salve, salve! Afinal, todo dia a gente comemora alguma coisa lá que seja. Nada contra, apenas não tenho motivo algum pra comemorar nada nesse nosso Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada! Há muito que se discutir e refletir, isso sim. Já que tudo rachou em bandas, nem por isso posso esmorecer no protesto de sempre contra a injustiça & a corrupção que mandam e desgovernam a nossa Patriamada! Muito menos aguentar calado o desplante da atriz Alexia Dechamps! Vou na da poeta cordelista Dalinha Catunda: A barata descascada / Nascida na Argentina / Abra a boca pra falar / Mau da gente nordestina / Uma reles estrangeira / Abre a boca e diz besteira / Só sendo muito cretina. Aproveito o vocativo pra lavar a alma com os estudantes que ocuparam as escolas e estão protestando por uma educação pública de qualidade em todo Brasil! Como já cantava Gonzaguinha: Eu vou à luta com essa juventude / Que não corre da raia a troco de nada / Eu vou no bloco dessa mocidade / Que não tá na saudade e constrói / A manhã desejada. Estou com a estudantada! Vamos sempre juntos! E aprumando a conversa pras novidades do dia: na edição de hoje destaque para a modernidade líquida de Zygmunt Bauman, a poesia de Carolina de Jesus, o público e o privado de Fernanda Bruno, a coreografia e dança de Janice Garret, o teatro de Tennesse Williams, o cinema de Jules Dassin & Melina Mercouri, a arte de Arlinda Fernandes, Luciah Lopez & Alessandra Tomazzi, a música de Irina Costa, o Encontro Estadual dos Estudantes, a entrevista de Rejane Souza, a Literatura Infantil do Brincarte & a croniqueta Canção de quem ama além da conta. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Pechisbeque, Ramalho Ortigão, Zélia Duncan, Erasmo de Roterdã, Fabrício Carpinejar, Myriam Muniz, Alan Clarke, Militão dos Santos, Mauricio de Souza & Turma da Mônica aqui.

E mais:
Big Shit Bôbras: o assustado & papagaiadas aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o cabra se envulta, já num t'aqui mais quem falou aqui.
A música de Maria Dapaz aqui.
Cantador aqui.
Literatura de Cordel: Cego Sinfrônio aqui.

DESTAQUE:
A arte da ceramista e artista plástica Arlinda Fernandes.

CANÇÃO DE QUEM AMA ALÉM DA CONTA (Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez) - Posso não ter nada nas minhas vazias mãos, nem chão aos pés perdidos estrada afora, ou embriagado com meus belos sonhos vãos, sem ter pra onde ir quando a tarde vai embora. Posso não saber o que será do amanhã, se o que fiz não valha relembrar passado, ou se sou noite fria no céu de Amsterdam, ou sou calor solitário no deserto segregado. E se vou calado rio ante as encruzilhadas, ou se esperneio a buscar qualquer saída, nem que valha ter a sorte arrestada, só pra ver da fortuna a pindaíba. Se nada colho do que planto noitedia, não maldigo a vida tal qual pródigo esconjurado, por mais íngreme que seja a travessia, mais aprendo dos segredos desvelados. Se nada mais me resta por desiderato, ou esgotado o arsenal das zis alternativas, mais que eu tenha sido um insensato, só me sobra a perdição de estar sempre sob pena restritiva, mesmo assim, persisto firme e sigo adiante, coração na boca e a alma solta em si, quando o Sol nasce nos seus seios de deusamante a me embevecer na sua ensolarada alma, Freyaravi, sou resgatado de onde for só Sol poente, para alvorada em que tudo brilha em flor e a sua voz poetardente a ecoar no universo pra me guardar no ventre do seu ser emerso, em meio ao jorro de todos os seus versos que me dão à vida o prêmio do amor. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui & aqui.

 Curtindo o talento, a interpretação & a maravilhosa voz da cantora portuguesa nascida em Angola e radicada em Alagoas, IrinaCosta, na festa de pré-lançamento do seu DVD O mar fala de mim. Veja mais aqui e aqui.

DA EXPOSIÇÃO DA VIDA ÍNTIMA & PRIVADA – [...] Hoje, a crescente exposição da vida íntima e privada nos diversos meios de comunicação e a forte presença da imagem na relação que os indivíduos estabelecem com o mundo, com o outro e consigo apontam para uma subjetividade radicalmente próxima do olhar do outro e inserida num regime de visibilidade onde as tecnologias de informação e de comunicação têm um papel fundamental. É sempre possível reconhecer aí o ápice de uma cultura regida pelo narcisismo e pelo espetáculo, mas podemos ir além deste diagnóstico ou constatação e interrogar como as relações entre o olhar e a subjetividade são reconfiguradas no âmbito dos novos dispositivos de visibilidade constituídos pelas tecnologias de informação e de comunicação. [...] Ora, se o eu é um ideal, ele está sempre adiante; além disso, ele se efetua no plano da imagem – daí o interesse em filmar e publicar o processo de transformação. Vale lembrar que há não muitos anos atrás as pessoas que se submetiam a cirurgias estéticas procuravam mantê-la em relativo segredo; hoje parece não bastar mudar a aparência ou o corpo, é preciso que esta mudança seja ela mesma convertida em imagem sob o olhar de milhões de espectadores. Eis talvez uma das principais astúcias destes laboratórios da autenticidade. Neste sentido, os weblogs e fotologs pessoais, assim como os reality shows, configuram-se como dispositivos artificiais de produção da intimi­dade e da subjetividade, o que mostra como certas transformações recentes no estatuto do olhar do outro cruzam e retraçam os limites entre o público e o privado e entre o natural e o artificial. Trechos extraídos do artigo Quem está olhando? Variações do público e privado em weblogs, fotologs e reality shows (Mauad, 2006), da doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ e professora pesquisadora, Fernanda Bruno. Veja mais aqui.

 Imagem: a arte da atelierista, arte-educadora e artista plástica Alessandra Tomazi.

PENSAMENTO DO DIA: DAS VITÓRIAS E DERROTAS - [...] Poucas derrotas são definitivas, pouquíssimos contratempos irreversíveis, mas nenhuma vitória é tampouco final. Para que as possibilidades continuem infinitas, nenhuma deve ser capaz de petrificar-se em realidade para sempre. Melhor que permaneçam liquidas e fluidas e tenham data de validade, caso contrário, poderiam excluir as oportunidades remanescentes e abortar o embrião da próxima aventura. [...]. Trecho extraído da obra Modernidade líquida (Zahar, 2001), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Veja mais aqui, aqui e aqui. 

Imagem: a arte da dança & coreografia de Janice Garrett and Dancers' Heidi Schweiker.

A HUMANIDADE DO ESTRANHO DIÁRIO - Depois de conhecer a humanidade / suas perversidades / suas ambições / Eu fui envelhecendo / E perdendo / as ilusões / o que predomina é a / maldade / porque a bondade: / Ninguem pratica / Humanidade ambiciosa / E gananciosa / Que quer ficar rica! / Quando eu morrer... / Não quero renascer / é horrivel, suportar a humanidade / Que tem aparência nobre / Que encobre / As péssimas qualidades / Notei que o ente humano / É perverso, é tirano / Egoista interesseiros / Mas trata com cortêzia / Mas tudo é ipocresia / São rudes, e trapaceiros. Humanidade, poema recolho da obra Meu estranho diário (Xamã, 1996), da escritora Carolina de Jesus (1914-1977), que mantinha da venda de lixo reciclável, latas de comida e roupas que encontrava no lixo.

FALA COMIGO DOCE COMO A CHUVA – A peça teatral em um único ato Fala comigo doce como a chuva (1953), do dramaturgo e escritor estadunidense Tennessee William (1911-1983),conta a história de um casal jovem, desolado e anônimo que vive sem diálogo como estranhos na relação fracassada na claustrofobia de um apartamento miserável, vivenciando a pobreza e o que há de cruel na sociedade. Desta feita, o espetáculo dirigido por Marrara Mara aborda o aspecto mais psicológico da trama na linguagem da Dança/Teatro, com a atuação dos atores Gabriela Berbert e Samuel Gallo. As apresentações acontecerá sempre às sextas-feiras, às 20hs, no Espaço da Arte (Rua Alberto Folloni, N° 1534 – Ahú), de 28 de outubro a 18 de novembro. Informações: 41-30156320. Veja mais aqui.


NEVER ON SUNDAY – A comédia romântica Never on Sunday (Nunca aos Domingos, 1960), dirigido pelo cineasta estadunidense Jules Dassin (1911-2008), conta a história que é uma variação do mito de Pigmaleão, ou seja, de uma atriz que ganha o prêmio do Festival de Cannes, casada com o diretor do filme premiado, com seus sonhos de independência e igualdade social. O destaque fica por conta da atuação da atriz grega Melina Mercouri (1920-1994). Veja mais aqui


AGENDA: ENCONTRO ESTUDANTIL DE ALAGOAS - Acontecerá entre os dias 23 e 25 de novembro, no Centro Educacional de Pesquisas Aplicadas (Cepa), em Maceió, o I Encontro Estudantil da Rede Estadual de Alagoas, com a temática O estudante como protagonista da escola. O encontro tem por objetivo estimular os estudantes a serem responsáveis pela elaboração e desenvolvimento de projetos interdisciplinares, integrando a comunidade ao corpo discente, nas áreas de cultura, artes, tecnologia, inovação e ciência. Durante o evento ocorrerá a Feira de Ciências do Estado de Alagoas, reunindo mostras de robótica, audiovisual, artes plásticas, teatro, festivais de música e de dança, além da conferência dos grêmios das escolas, além de rodadas de discussão. Maiores informações http://www.educacao.al.gov.br/. Veja mais aqui e aqui.


ENTREVISTA: REJANE SOUZA – Dentro da campanha Todo dia é dia da mulher, tive a grata satisfação de entrevistar a poeta, blogueira, professora universitária e doutoranda potiguar, Rejane Souza, que atua como consultora e assessora de projetos educacionais e cursos e palestras para concursos sobre Luis Gonzaga. Na ocasião ele falou sobre a sua trajetória, projetos e perspectivas. Confira a entrevista aqui.

REGISTRO: LITERATURA INFANTIL
Com o desenvolvimento de estudos e pesquisas realizados a partir de meados dos anos de 1990, nas áreas de Educação, Psicologia e Direito, articuladas com Literatura, Teatro e Música, voltadas para o universo infanto-juvenil, comecei a desenvolver o projeto Brincar para Aprender, que culminou com a criação do Brincarte do Nitolino. Entre as atividades desenvolvidas para o público alvo, estão desde contação de história, recreações, espetáculos teatrais e musicais, oficinas e palestras, que foram apresentadas em escolas, feiras, bienais, instituições e eventos diversos. Entre as seções do projeto, destaco o que é dedicado à Literatura Infantil. Confira detalhes aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Urgência de todo teu amor ____o meu corpo tem urgência! Quero a proximidade obscena e a nudez dos nossos corpos feito cachoeira misturando águas decompondo a luz do teu olhar dentro do meu Quero o gozo das tuas carnes na encantação de ser assim: tão meu.
Imagem: poema/desenho/foto, arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


sexta-feira, dezembro 25, 2015

CORAÇÕES SOLITÁRIOS, BHARATA, NEWTON, WORDSWORTH, CASTAÑEDA, CLAUDIA TELLES & MUITO MAIS!!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? CORAÇÕES SOLITÁRIOS - Da janela, o meu minúsculo mundo se reduz a telhados, ruas, janelas, antenas e a imensidão de nuvens sem estrelas e lua – cadê o céu? -, no mais, a minha solidão. E ela é insuportável, tornando a noite em uma grande odisseia com suas luzes, sirenes, amores desfeitos, desejos adiados. O trâmite da solidão. Na solidão noturna, os olhos e ouvidos atentos, a sensibilidade à flor da pele e a constatação de que tudo é transitório, só que recomponho minhas lacunas por todas minhas errâncias e interstícios, e sinto a chuva, os trovões e relâmpagos que não me deixam sair de casa. Ah, preciso sair só – cantarolando Lenine -, fechar a porta e cair na cidade, andar sem saber de nada, viver o imprevisível. Bordejar nas calçadas com olhar distraído para ver que a cidade é a mesma e muda a cada momento, embora a mesma vizinhança, os prédios, árvores, as plantas que colorem os jardins, os vasos nas janelas e varandas, os pedestres que vão e vem pelas poças, meio fio e triz. E o trânsito me atordoa com os seus luminosos, tapumes, terrenos baldios e quase tropeço em mendigos no meio das demolições, da fachada em reforma, do desnível no acesso da padaria da esquina, nos paralelepípedos dos blocos residenciais, a topada no gelo baiano, o medo do assalto, as balas perdidas, as festas animadas, os cartazes de cinema, a linda moça que passa belamente vestida e triste, o teatro fechado, as filas nos restaurantes, os indesejáveis que nos rondam, o casarão quase demolido, o arranha-céu abandonado, o filme que não assisti, o asfalto esburacado, a calçada cheia de cascalhos, a erosão, a corrosão de tudo, os apodrecimentos nas impressões, o caminhão do lixo quebrando o silêncio, a conversa boba. Nos vãos da noite posso sentir o desgaste do tempo e que aqui tudo é passado. Preciso ir adiante, sou transeunte nessa a cidade que guardei na memória e me esqueci, só quando revejo para ver-lhe não mais a mesma e que até nem reconheço, como do que não me lembro e se parece novo. É nela que coabito apenas com minhas lembranças e finitude. Ah, já que não posso sair, pelo menos uma assombração aparecesse para quebrar essa monotonia. Ou quem dera voar e estar por todos os lugares e perceber o quão a realidade é invertida e que, por isso, poderia sanar a ausência e desdém. Poderia olhar em volta, com o ensimesmamento de ter ao mesmo tempo a sensação de platitude, de ubiquidade, dos interstícios, da incomunicabilidade, do vazio. Ah, mas eu preciso encontrar um coração solidário nessa hora. Não posso ir à rua, os solitários estão na Rede, acessar a internet e sacar no meio de muita veleidade em exposição, muita frivolidade narcisista, alguma mão amiga que entoe comigo Entrega. Preciso de alguém acessível e que como eu não tenha temores nem rubores para expor a alma nua, mais interativa para preencher minhas lacunas e repaginar minhas ideias e pensamentos. Tudo é muito instantâneo, descartável. Ler um livro talvez seja melhor. Assim, quem sabe, eu possa viajar por outras paragens mais divertidas e reconhecer-me entre os protagonistas e coadjuvantes numa aventura errante sem que me cobre culpa ou arrependimento. É sim, é melhor. Então veja as dicas abaixo e aprume, depois, a conversa aqui.

PICADINHO


Imagem: A mulher nua, da artista plástica Cristina Salgado.

Curtindo a Laureate Series Guitar (1995), da violonista grega Elena Papandreou.

EPÍGRAFE – Do sábio grego Hipócrates: Ad extremos morbos, extrema remedia exquisite optima. Tradução: A grandes males, grandes remédios. Veja mais aqui e aqui.

A BELA SOBRINHA PREDILETA DE NEWTON – O físico e matemático inglês Isaac Newton (1642-1727) convivia com uma belíssima sobrinha, a espirituosa, brilhante e inteligente Catherine Barton Conduitt (1679-1739), que foi a responsável por espalhar a lenda da maçã que lhe caiu sobre a cabeça para criar a teoria da gravitação. Essa sobrinha não só atraiu a atenção do tio, como de pessoas famosas como Janathah Swift e Voltaire. Segundo este último, Newton  encontrava nela uma útil auxiliar para a satisfação de suas ambições, ao mencionar que: “Quando eu era moço, imaginava que a corte e a cidade de Londres haviam nomeado Isaac Newton diretor da Casa da Moeda por aclamação. Mas enganava-me. Ele tinha uma sobrinha encantadora... a sobrinha agradava muito ao chanceler do erário... o cálculo infinitesimal e a gravitação, de nada teriam servido a Newton sem uma linda sobrinha”. Também é fluente que graças aos encantos de sua sobrinha, Newton recebeu o título de cavaleiro e foi introduzido na sociedade do Príncipe Consorte. Veja mais aqui e aqui.

O HOMEM E O PÓS-HOMEM – No artigo Membranas e interfaces (Que corpo é esse? Mauad, 1999), da doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ e professora pesquisadora, Fernanda Bruno, encontro que: As novas potencias dos homens contemporâneos parecem estar marcando uma ruptura, que muitos começam a apontar como o fim da humanidade (seja celebrando-o ou condenando-o) e o início de uma era: a pós-modernidade. Pois somente agora a criatura humana passaria a dispor, de fato, das condições técnicas necessárias para se autocriticar, tornando-se um gestor de si na administração do seu próprio capital privado e na escolha das opções disponíveis no mercado para modelar seu corpo e sua alma. Outro corte radical emerge da dissolução das velhas fronteiras entre o organismo natural – o corpo biológico – e os artifícios que a tecnociência coloca nas mãos do novo demiurgo humano para que ele conduza sua pós-evolução, não apenas em nível individual como também quanto à espécie, hibridizando-se com as diversas próteses bioinformáticas que já estão à venda. Veja mais aqui.

A ERVA DO DIABO - No livro A erva do diabo (Record, 1968), do escritor e antropólogo estadunidense Carlos Castañeda (1925-1998), destaco o trecho: Resolvi fazer uma última tentativa. Levantei-me e, devagar aproximei-me do lugar marcado pelo paletó e tornei a sentir a mesma apreensão. Dessa vez, fiz um grande esforço para me controlar. Sentei-me e depois ajoelhei-me para deitar de bruços, mas, a despeito de minha vontade, não consegui deitar-me. Pus as mãos no chão em frente de mim. Minha respiração estava ofegante; meu estômago estava embrulhado. Tive uma nítida sensação de pânico, e lutei para não fugir. Pensei que talvez DomJuan me estivesse vigiando. Devagar, rastejei até o outro ponto e encostei as costas na pedra. Queria repousar um pouco para arrumar as ideias, mas adormeci. Ouvi Dom Juan falando e rindo por cima de minha cabeça. Acordei.- Você encontrou o ponto – disse ele. A principio, não entendi, mas ele me garantiu de novo que o lugar em que eu adormecera era o ponto certo. Tornou a me perguntar como é que eu me sentia deitado ali. Respondi que realmente não notava nenhuma diferença. Disse-me que comparasse minhas sensações daquele momento com o que eu tinha sentido deitado no outro ponto. Pela primeira vez, ocorreu-me que eu não poderia explicar minha apreensão da noite. Incitou-me, numa espécie de desafio, a me sentar no outro ponto. Por algum motivo explicável eu chegava a ter medo do outro lugar, e não me sentei lá. Declarou que só um tolo podia deixar de perceber a diferença. Perguntei-lhe se cada um dos dois pontos tinha um nome especial. Ele disse que o mero chamado o sitio e o mau o inimigo: disse que os dois lugares era marca do bem-estar do homem, especialmente para uma pessoa que buscava o conhecimento. [...]. Veja mais aqui.

A CEIFEIRA SOLITÁRIA & OUTROS POEMAS – No livro The Laurel Poetry Series (Dell Publishing, 1960), do poeta romântico inglês William Wordsworth (1770-1850), destaco inicialmente A ceifeira solitária: Só ela no campo vi: / solitária de altas serras, / ceifa e canta para si. / Não digas nada, que a aterras! / Sozinha ceifa no mundo / E canta melancolia. / Escuta: o vale profundo / Transborda à de harmonia. / Nunca um rouxinol cantou / em sombras da Arábia ardente / ao que exausto repousou / mais grata canção dolente; / ou gorjeio tão extremado / se escutou na Primavera, / cortando o Oceano calado / entre ilhas de Além-Quimera. / Quem me dirá do que canta? / Será que o que ela deplora / é antigo, triste e distante, / como batalhas de outrora? / Ou coisas simples são / do quotidiano viver? / Essas dores de coração, / que já foram e hão-de ser? / Seja o que for que cantara / é como infindo cantar, / que a vi cantando na seara, / no trabalho de ceifar. / Sem falar, quieto, eu escutava / e, quando o monte subia, / no coração transportava / o canto que não se ouvia. Também o poema sem título: A poesia é o transbordamento espontâneo de sentimentos intensos: tem a sua origem na emoção recordada num estado de tranquilidade. Também um segundo poema sem título: A verdadeira beleza vive em refúgios profundos, cujo véu é irremovível, até que coração e coração em concordância batam. E o amor é amado. Veja mais aqui.

O TEATRO NO BHARATA – No épico da mitologia hindu Ramáiana denominado Bharata (Natya Çastra), na tradução de Renê Daumal, encontro que: [...] Brahmâ disse ao Fazedor-de-todas-as-Coisas, voltando-se para ele: “Constroi uma casa para o Teatro, de acordo com as regras canônicas, ó Grande-inteligência!”. E, sem perder tempo, o Fazedor-de-todas-as-Coisas construiu uma sala de teatro, clara, grande, de acordo com todas as figuras canônicas. Foi à torre do Construtor, mãos juntas e disse-lhe: “A sala de teatro está pronta, senhor; digna-te poisar nela o teu olhar”. Então, com o grande Indra e todos os outros Deuses, o Construtor apressou-se a vir ver o templo do teatro. A seguir o Grande-Pai disse aos Deuses reunidos: “Fazei um sacrifício ritual neste tempo de teatro”. [...] O teatro descreve as manifestações deste Triplo mundo total. Descreve que a lei, quer o jogo, quer a riqueza, a quietude, o riso, a guerra, a paixão, quer a morte violenta. A Lei para os que o seguem, paixão para os que a ele se entregam, a disciplina dos que se comportal mal, exemplo para aqueles que se sabem conduzir. Veja mais aqui.

FILME DE AMOR – O longa-metragem Filme de amor (2003), do diretor Júlio Bressane, coloca em cena o mito da três graças – o Amor, A Beleza e o Prazer, onde duas mulheres e um homem dão um intervalo em suas vidas de cotidiano medíocre para um hiato de alegria, paixão, libertação e transcendência. No mito original são três mulheres, Tália, Abgail e Eufrosina, mas Bressane optou por escalar um homem levando em conta esses “novos tempos híbridos e heterogêneos”; e no filme eles encarnam os personagens Hilda, Matilda e Gaspar sob a lente Bressaniana. São três amigos que vivem no subúrbio e que decidem se encontrar em um pequeno apartamento num final de semana, com o objetivo de beber, conversar, sentir prazer e, principalmente, estarem juntos. Lá eles entram num estado de sonho, devido à embriaguez, que os leva a esquecer o que ocorre fora do apartamento. O destaque do filme vai para a atriz Josie Antello, especialmente naquela cena que ela sai completamente nua da banheira. Imperdível. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Charge do escritor, cartunista, tradutor, roteirista e autor teatral Luis Fernando Veríssimo. Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à cantora e compositora Claudia Telles. Veja aqui.

AS PREVISÕES DO DORO PARA 2016
Confira aqui.

CRÔNICAS NATALINAS 
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui. 


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...